Café desidrata no calor? Estudos científicos mostram que o consumo moderado não prejudica a hidratação. Descubra mitos e verdades sobre café e saúde. — O termômetro dispara, mas o brasileiro não abre mão do seu cafezinho, nem mesmo durante a intensa onda de calor que assola diversas regiões do país nesta semana. Essa paixão nacional, no entanto, reacende uma antiga dúvida: faz bem tomar café com temperaturas tão altas? No passado, havia uma preocupação de que a cafeína estaria associada à desidratação. Mas não é bem assim.

cafeina

De onde vem a crença de que o café desidrata? A crença de que o café causa desidratação tem suas raízes em um estudo controverso realizado em 1928. Esta pesquisa, com apenas três participantes masculinos, concluiu que o consumo de água com cafeína aumentava o volume urinário em 50% após um período de abstinência de café e chá.

Apesar de suas limitações metodológicas, este estudo moldou a percepção pública sobre os efeitos do café na hidratação por décadas.

Pesquisa moderna revela: café pode ser tão hidratante quanto água Um estudo revolucionário publicado na renomada revista científica PLOS ONE em 2014 desafiou a crença comum de que o café causa desidratação. Pesquisadores da Universidade de Birmingham compararam os efeitos do consumo de café e água em 50 homens que habitualmente bebiam de três a seis xícaras de café por dia.

Surpreendentemente, os resultados não mostraram diferenças significativas na água corporal total, marcadores sanguíneos de hidratação ou volume urinário entre os grupos de café e água.

Cafeína e o efeito diurético: entendendo os limites O efeito diurético do café está principalmente ligado à cafeína. Uma pesquisa na Frontiers in Nutrition (2017) revelou que uma alta ingestão de cafeína (6 mg/kg de peso corporal) pode aumentar a produção de urina. No entanto, níveis mais baixos (3 mg/kg) não afetam significativamente o equilíbrio de fluidos.

Para contextualizar:

Uma xícara de café coado (240 ml): cerca de 95 mg de cafeína; Um expresso (30 ml): aproximadamente 63 mg de cafeína. Para uma pessoa de 70 kg, seriam necessárias cerca de quatro xícaras de café coado ou seis expressos para atingir o nível associado ao efeito diurético mais pronunciado.

Café após exercício Um estudo na Nutrition Today (2020) alerta que após exercícios intensos, o café pode dificultar a reposição de líquidos comparado à água. Em situações de exercício vigoroso ou calor extremo, é mais prudente optar por água ou bebidas esportivas para reidratação.

Consumo de café no calor: recomendações para manter-se hidratado Curiosamente, em condições de desidratação induzida pelo calor, o consumo de café não agrava a desidratação, segundo um estudo no International Journal of Sports Medicine (2001). A EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) até recomenda incluir o café na contagem diária de líquidos.

No entanto, durante ondas de calor intenso, como a atual no Brasil, é aconselhável priorizar a ingestão de água e outros líquidos sem cafeína para garantir uma hidratação adequada.

Em conclusão, para a maioria das pessoas, o consumo moderado de café não causa desidratação significativa. Porém, em condições extremas de calor ou após exercícios intensos, é sempre mais seguro optar por água para manter-se bem hidratado.

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Em novembro de 2024, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamentou o uso clínico de implantes hormonais e proibiu o manuseio e a propaganda do medicamento para fins estéticos e esportivos. Esses dispositivos estavam em alta no Brasil após serem usados para emagrecimento e ganho de massa muscular. De forma popular, eram conhecidos como “chips da beleza”.

Apesar da aplicação desses chips para benefícios estéticos e esportivos ser considerada controversa pela comunidade médica, ela foi vista como promissora em casos de tratamentos para condições como a endometriose.

O uso desses chips da saúde, ou pellets, como chamam especialistas, em mulheres com endometriose já é avaliado pela comunidade científica como promissor. O estudo Glade, realizado pelo Instituto de Pesquisa Science Valley, é pioneiro na área e identifica a eficácia desses medicamentos quando prescritos de forma correta.

A ginecologista e pesquisadora na área de terapia hormonal Fabiane Berta cita o Glade e afirma que a pesquisa é a mais importante na área, pois fez uma mudança no cenário de estudos sobre a condição.

A especialista explica que a proposta desses implantes hormonais é melhorar a qualidade de vida da paciente com endometriose e ter melhor desempenho no controle da dor em relação a outros métodos.

“As cirurgias são ótimas, mas ainda existe a possibilidade de recidiva de 20%. Então, quando você avança em uma tecnologia como o implante, no caso o pellet, a gente consegue ter uma perspectiva muito melhor”, analisa.

Berta diz acreditar que, no futuro, esse será um dos principais tratamentos para endometriose, “justamente pela praticidade, o benefício e o controle da dor, o que é o mais importante na doença”.

Palavra de quem já fez A consultora comercial Lílian Lima, de 46 anos, pôde sentir esses efeitos após realizar um tratamento com pellet durante seis meses. “Faz dois anos que renasci”, foi o que ela respondeu após ser questionada com que idade aplicou o implante.

Lílian é diagnosticada com endometriose profunda e relata que sentia cólicas insuportáveis, além de dores durante relações sexuais. Ela conta que era preciso fazer uma visita ao hospital todo mês no período menstrual para receber medicamentos para dor.

Acompanhado do ciclo, vinha o inchaço, que a deixava, segundo ela, com “sensação de grávida”. Hoje, ela considera que foi a melhor decisão que tomou e afirma ter recuperado a qualidade de vida.

“Hoje sou um ser vivo, tenho qualidade de vida, tenho alegria de viver, me sinto melhor para seguir sem aquelas dores enlouquecedoras. A endometriose acaba com famílias, com o físico e psicológico de qualquer mulher. Ela não nos deixa viver e o tratamento me trouxe liberdade. Estou livre de algo que por mais de 10 anos me deixou triste e inválida”, conta.

Como funciona o tratamento O especialista em ginecologia endócrina Jorge de Aguiar explica que os implantes hormonais são um veículo pelo qual são administradas substâncias diferentes no organismo dos pacientes de acordo com a indicação e necessidade de cada um.

Nesse tratamento, a gestrinona e o nestorone são os hormônios que se destacam.

Berta explica que os hormônios podem ser aplicados pelo canal vaginal, por adesivos aplicados na pele ou por implantes, como os pellets. No procedimento por pellet, o implante é absorvível e é aplicado em um período de cinco a seis meses.

A paciente é elencada para o procedimento quando o tratamento dela já é feito com uso de alguma substância que pode ser transferida para o implante, como explica Aguiar. O especialista aponta que a vantagem do “chip” é fazer uma dose personalizada que não depende da absorção pela via oral. Dessa forma, doses menores via sub dérmica podem ser aplicadas.

Efeitos colaterais Aguiar alerta para possíveis efeitos colaterais que são pertinentes ao tipo de substância que será usada. Drogas derivadas da testosterona são as que apresentam mais efeitos. Entre os principais sintomas estão queda de cabelo, acne e retenção de líquidos.

Ele aponta que o uso prolongado do implante vai depender da necessidade individual de cada paciente e recomenda que aquelas que fizerem tratamento crônico sejam avaliadas a cada seis meses.

“É feita a realização de exames de laboratório e imagem pertinentes ao tratamento específico que ela está fazendo para avaliar se teve alguma alteração clínico laboratorial que impeça a manutenção do tratamento. Caso não haja nenhuma alteração e a paciente ainda tenha a necessidade e, na balança de riscos e benefícios, os benefícios superem os riscos, que isso possa ocorrer a manutenção do tratamento”, explica.

É seguro? Os estudos continuam em andamento, mas a prática já apresenta segurança se for acompanhada da forma correta, como avaliam os especialistas. Entretanto, Berta reforça que existem circunstâncias em que não é recomendado o uso do medicamento.

Pacientes com obesidade ou com síndromes relacionadas ao metabolismo podem não ser favorecidas pelo implante em um primeiro momento. Isso acontece devido ao desequilíbrio metabólico e reserva hormonal mais debilitada, como explica a ginecologista.

Em todos os casos, com exceção dos citados acima, a segurança é criada a partir do acompanhamento médico. Berta recomenda que exames sejam feitos frequentemente para avaliar a fisiologia da paciente e identificar se há sobrepeso ou distúrbios metabólicos. Dessa forma, o organismo não fica sobrecarregado.

“Quando a gente trata uma mulher, olhamos uma integralidade, focando no resultado que a gente precisa. A gente mantém os tratamentos em acompanhamento laboratorial e ultrassonográfico, mas a melhor forma de avaliar se a paciente está com bom controle é o exame clínico”, afirma.

Quanto à credibilidade do aparelho hormonal, além de ser regulamentado pela Anvisa, a ANME (Associação Nacional Magistral de Estéreis) apoia as pesquisas na área de desenvolvimento de tratamentos para endometriose e está elaborando um selo de qualidade para certificar empresas que mantêm um padrão operacional alinhado às melhores práticas do setor.

A presidente da ANME, Manuela Coutinho, explica que a certificação representa um marco na busca por mais segurança e transparência, e garante que médicos e pacientes tenham acesso a implantes hormonais fabricados dentro dos mais altos padrões de qualidade.

Além disso, Coutinho afirma que a ANME investe em iniciativas de educação continuada e vai promover cursos, congressos e conteúdos técnicos voltados para médicos e farmacêuticos.

“Nosso objetivo é garantir que os profissionais da saúde tenham acesso a informações qualificadas e atualizadas, permitindo que ofereçam aos pacientes um tratamento seguro, eficaz e respaldado pela ciência”, completa.

R7

O Ministério da Saúde recomenda que todas as gestantes do país façam suplementação de cálcio para prevenir a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, problemas causados pela hipertensão que são a maior causa de nascimentos prematuros e de morte materna e fetal. A nova estratégia será adotada no pré-natal do Sistema Único de Saúde (SUS).

O novo protocolo busca reduzir a morbimortalidade materna e infantil, especialmente entre a população negra e indígena. Em 2023, quase 70% das mortes causadas por hipertensão foram entre mulheres pretas e pardas. O cálcio ajuda a regular o metabolismo, mantendo a pressão arterial em níveis normais.

As gestantes devem tomar dois comprimidos de carbonato de cálcio 1.250 mg por dia a partir da 12ª semana de gestação até o parto. Essa dose garante a ingestão de 1.000 mg de cálcio elementar por dia, o que é a quantidade mínima necessária para reduzir o risco de complicações.

Gestantes O medicamento já faz parte da farmácia básica do Sistema Único de Saúde (SUS) e é oferecido pelas unidades de saúde, mas caberá aos municípios, ao Distrito Federal e aos estados adquirir os comprimidos na quantidade necessária para atender a todas as gestantes.

Desde 2011, a Organização Mundial da Saúde recomenda a suplementação de cálcio para gestantes com baixo consumo do micronutriente e mulheres com alto risco para pré-eclâmpsia. A orientação já era seguida pelo Ministério da Saúde, mas a prescrição era feita apenas para gestantes com risco detectado.

De acordo com a nota técnica do ministério, a mudança para a prescrição universal se baseia em pesquisas oficiais que mostram que tanto as adolescentes quanto as mulheres adultas no Brasil consomem menos da metade da quantidade recomendada de cálcio por dia.

As gestantes também devem manter a suplementação de ácido fólico e ferro, que é prescrita de forma universal desde 2005. Por isso, precisam ficar atentas aos horários de ingestão, já que o cálcio e o ferro devem ser tomados em ocasiões diferentes, para não prejudicar sua absorção.

Lexa As complicações causadas pela hipertensão na gravidez ganharam notoriedade recentemente após o episódio o com a cantora Lexa. Sua filha recém-nascida, Sofia, morreu três dias após o parto prematuro, causado por pré-eclâmpsia com síndrome de Hellp.

Algumas situações aumentam o risco de desenvolver a condição: primeira gestação; gravidez antes dos 18 e depois dos 40 anos; pressão alta crônica; diabetes; lúpus; obesidade; gestação de gêmeos e histórico familiar.

Nesses casos - ou quando a alteração na pressão é detectada no início da gestação -, a gestante precisa de acompanhamento especial e pode receber a prescrição para tomar o medicamento AAS [ácido acetilsalicílico] em conjunto com o cálcio.

Agência Brasil

As altas temperaturas podem aumentar o risco de morte para idosos e pessoas com algumas doenças, aponta uma pesquisa da Fundação Fiocruz. Em períodos mais quentes, as chances de mortalidade entre idosos crescem 50%, principalmente em dias com 6 horas acima de 40°C e 3 horas acima de 44°C.

A pesquisa, feita por um doutorando da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), analisou todos as 466 mil mortes naturais ocorridas entre 2012 e 2024, e mais de 390 mil mortes por 17 causas selecionadas - das quais, 12 tiveram alta considerável da mortalidade para idosos no calor extremo.

O Brasil se prepara para enfrentar a terceira onda de calor em 2025. A partir de segunda-feira (17), menos de 50 dias após o início do ano, uma nova massa de ar quente avançará sobre o centro do país, impactando amplas áreas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte do Nordeste.

Esta segunda e terça-feira (18) podem ser os dias mais quentes do Rio de Janeiro, podendo ultrapassar o recorde de 41,8°C, estimam previsões meteorológicas. Com a situação, a Prefeitura do Rio informou que caso a cidade chegue ao patamar de calor 4, serão abertos 58 pontos de resfriamento.

Segundo o estudo, o registro de nível de calor 4 ocorre quando a temperatura é superior a 40 °C por quatro horas ou mais, e está associado a um aumento de 50% na mortalidade por doenças como hipertensão, diabetes e insuficiência renal entre idosos.

“Foi observado que o calor representa maior risco para idosos e pessoas com doenças como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer, insuficiência renal e infecções do trato urinário”, diz a fundação.

O estudo destaca, ainda, a importância da disponibilização de pontos de hidratação e resfriamento, adaptação de atividades de trabalho, suspensão de atividades de risco em níveis mais críticos e outros.

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