O mundo ainda vive os reflexos da pandemia de covid-19 quando novos riscos sanitários voltam a mobilizar cientistas e autoridades de saúde. Em 2026, especialistas apontam que a combinação entre mudanças climáticas, crescimento populacional e intensa circulação internacional de pessoas tem favorecido a evolução e a disseminação de vírus com potencial de provocar novas crises globais.
Reportagem publicada pelo portal g1, com base em análises científicas e artigo divulgado na revista The Conversation, destaca três patógenos que concentram atenção especial neste ano: a gripe aviária H5N1, o mpox e o vírus Oropouche. Embora distintos em origem e forma de transmissão, todos apresentam sinais recentes de expansão territorial.
Participar de provas de resistência extrema, como ultramaratonas, pode provocar danos estruturais e moleculares nos glóbulos vermelhos — células responsáveis por transportar oxigênio e remover resíduos do organismo. É o que indica um estudo publicado na revista científica "Blood Red Cells & Iron", da Sociedade Americana de Hematologia.
A cada minuto, cada um dos seus glóbulos vermelhos completa sua jornada por todo o sistema circulatório, levando oxigênio a todas as células — da ponta da cabeça aos dedos dos pés. E, a cada segundo, seu corpo produz 2 milhões de novos glóbulos vermelhos. Em esportes de resistência, essa função é ainda mais crucial.
Mas o que a pesquisa descobriu é que corridas muito longas reduzem a flexibilidade dessas células — e isso pode comprometer a capacidade de circular por vasos sanguíneos estreitos e desempenhar suas funções corretamente.
Embora ainda não esteja claro por quanto tempo os efeitos persistem ou quais são as consequências a longo prazo, os autores afirmam que o trabalho reforça evidências de que exercícios em níveis extremos podem ter impactos negativos sobre a saúde.
ATENÇÃO: a pesquisa não está desestimulando a prática de atividade física. O estudo foca em provas de resistência extrema, que envolvem corridas de 40 a 100 quilômetros. Corridas de rua ou na esteira, em distâncias menores, não entram na análise.
Como o estudo foi feito? A equipe analisou 23 corredores que participaram de duas provas de nível mundial: a Martigny-Combes à Chamonix, em que correram 40 quilômetros, e a Ultra Trail de Mont Blanc, em que correram 171 quilômetros.
Os cientistas coletaram amostras de sangue antes e depois das corridas. Com elas, examinaram milhares de proteínas, lipídios, metabólitos e oligoelementos presentes no plasma e nos glóbulos vermelhos.
Os resultados mostraram que as células apresentaram evidências de danos tanto mecânicos quanto moleculares.
Para você entender melhor: os danos mecânicos estão relacionados ao estresse físico provocado pela circulação intensa do sangue durante a corrida — com variações de pressão e deformações repetidas das células ao passarem por vasos estreitos. Já os danos moleculares envolvem alterações químicas associadas à inflamação e ao estresse oxidativo, processo em que moléculas instáveis podem afetar proteínas e a membrana das células. E olha: esses danos já apareciam na análise logo depois da prova de 40 quilômetros e foram ainda mais intensos nos atletas que correram 171 quilômetros.
Segundo os autores, isso sugere que, conforme a distância da corrida aumenta, cresce também a perda de glóbulos vermelhos e o acúmulo de danos nas células que permanecem na circulação.
O que ainda falta saber?
Os pesquisadores ainda não sabem quanto tempo o corpo leva para reparar o dano causado, se ele permanece no longo prazo nem o quanto isso pode afetar a saúde.
“Com base nesses dados, não podemos afirmar se as pessoas devem ou não participar desse tipo de evento; o que podemos dizer é que, quando participam, o estresse persistente danifica a célula mais abundante do corpo”, diz Travis Nemkov, professor associado do Departamento de Bioquímica e Genética Molecular da Universidade do Colorado Anschutz. Vale lembrar que também há uma limitação no que eles descobriram, já que as amostras são pequenas, de apenas 23 participantes, e só em dois momentos.
A ideia dos cientistas é que, ao entender que isso acontece, seja possível desenvolver estratégias para reduzir os impactos desse tipo de exercício de resistência, com treinos personalizados, ajustes nutricionais e protocolos de recuperação, por exemplo.
De forma alguma a pesquisa desaconselha a atividade física.
Adolescentes que consomem bebidas açucaradas regularmente têm 34% mais risco de desenvolver transtornos de ansiedade, segundo revisão sistemática com meta-análise que reuniu estudos publicados entre 2000 e 2025 com jovens de 10 a 19 anos. Os resultados foram divulgados este mês no Journal of Human Nutrition and Dietetics.
Como os estudos incluídos são observacionais, os resultados indicam associação e não relação de causa e efeito entre bebidas açucaradas e transtornos de ansiedade em adolescentes, segundo os autores.
A revisão apontou que o alto consumo de bebidas açucaradas pode ser um fator de risco modificável para transtornos de ansiedade em adolescentes.
Também é possível que a experiência de sintomas de ansiedade leve alguns jovens a consumirem mais bebidas açucaradas. Ou pode haver outros fatores comuns, como a vida familiar e distúrbios do sono, que levam tanto ao aumento do consumo quanto aos sintomas de ansiedade.
Quais bebidas açucaradas foram analisadas?
A revisão considerou como bebidas açucaradas:
Refrigerantes Bebidas energéticas Sucos adoçados Chás e cafés com açúcar Bebidas esportivas Leite aromatizado e bebidas à base de iogurte Adolescentes com maior consumo dessas bebidas apresentaram 34% mais chance de transtornos de ansiedade em comparação aos que consumiam menos.
Dos nove estudos analisados:
7 encontraram associação positiva significativa entre consumo de bebidas açucaradas e sintomas de ansiedade. 2 não identificaram associação estatisticamente significativa. Estudos longitudinais mostram efeito persistente Os dois estudos que acompanharam adolescentes por um ano também identificaram associação pequena, mas estatisticamente significativa, entre consumo inicial de bebidas açucaradas e sintomas de ansiedade no acompanhamento.
Os coeficientes indicaram efeito leve, mas persistente ao longo do tempo. E um dos estudos observou que maior adesão às recomendações nacionais de redução de bebidas açucaradas esteve associada a níveis mais baixos de ansiedade.
A Dra. Chloe Casey, professora de Nutrição e coautora do estudo, afirma que, com a crescente preocupação com a nutrição dos adolescentes, a maioria das iniciativas de saúde pública tem enfatizado as consequências físicas de maus hábitos alimentares, como obesidade e diabetes tipo 2.
“No entanto, as implicações da dieta para a saúde mental têm sido pouco exploradas em comparação, principalmente no caso de bebidas com alta densidade energética, mas baixo teor de nutrientes”, acrescentou Casey.
Limitações da meta-análise sobre bebidas açucaradas e ansiedade Os pesquisadores apontam algumas limitações importantes:
Todos os dados sobre consumo foram autorrelatados e nenhum estudo utilizou biomarcadores, como exames laboratoriais, para confirmar a ingestão de açúcar.
Definições de “bebidas açucaradas” variaram entre os estudos
Instrumentos de avaliação de ansiedade não foram padronizados
Não é possível afirmar causalidade
Segundo a revisão, a associação observada pode refletir diferentes mecanismos, incluindo relação bidirecional.
“Embora não possamos confirmar nesta fase qual é a causa direta, este estudo identificou uma ligação preocupante entre o consumo de bebidas açucaradas e transtornos de ansiedade em jovens”, disse o Dr. Casey.
A autora destaca que os transtornos de ansiedade na adolescência aumentaram drasticamente nos últimos anos e, por isso, é importante identificar hábitos de vida que podem ser alterados para reduzir o risco de essa tendência continuar.
Os autores sugerem que políticas públicas e intervenções clínicas voltadas à redução do consumo dessas bebidas podem contribuir para enfrentar o aumento dos transtornos de ansiedade nessa faixa etária.
Eles destacam, porém, que são necessários mais estudos longitudinais bem delineados e ensaios clínicos para confirmar se reduzir a ingestão dessas bebidas leva à melhora dos sintomas de ansiedade.
Ansiedade entre adolescentes tem aumentado nos últimos anos
Os transtornos de ansiedade são uma das principais causas de sofrimento mental entre os jovens. Em 2023, estimou-se que uma em cada cinco crianças e jovens apresentava algum transtorno mental, sendo a ansiedade uma das condições mais relatadas.
*O estudo foi liderado pelo Dr. Karim Khaled, ex-aluno de doutorado da Universidade de Bournemouth, que agora trabalha na Universidade Americana Libanesa, em Beirute.
Dormir com a porta do quarto fechada pode prejudicar significativamente a qualidade do sono ao permitir que os níveis de dióxido de carbono expirado durante a noite se acumulem no ambiente, ultrapassando os limites recomendados. Estudos científicos publicados entre 2018 e 2025 demonstram que quando duas ou mais pessoas dormem em um quarto fechado sem ventilação adequada, os níveis de CO₂ podem exceder mil e trezentas partes por milhão, concentração associada a sono mais superficial, mais despertares noturnos, menor duração do sono profundo, aumento de cortisol ao acordar e pior desempenho cognitivo no dia seguinte.
Como o CO₂ acumulado durante o sono prejudica o descanso? Durante o sono, uma pessoa adulta expira em média duzentos e cinquenta mililitros de dióxido de carbono por minuto. Em um quarto pequeno com a porta completamente fechada, esse gás se acumula progressivamente ao longo da noite, elevando a concentração de CO₂ de níveis normais de quatrocentas partes por milhão para valores muito acima do recomendado. Estudos controlados em laboratório demonstram que níveis acima de mil partes por milhão já reduzem a eficiência do sono, e acima de mil e trezentas partes por milhão reduzem significativamente o tempo em sono profundo.
O mecanismo pelo qual o CO₂ afeta o sono é duplo: em níveis elevados, o dióxido de carbono irrita levemente os receptores quimiossensíveis do tronco encefálico que monitoram a composição do ar, aumentando a ativação do sistema nervoso simpático. Isso eleva os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aumenta a frequência de microdespertares que fragmentam o sono sem que a pessoa necessite acordar completamente. Pesquisas confirmam que o CO₂ do quarto foi o fator mais fortemente associado à eficiência reduzida do sono dentre múltiplos parâmetros ambientais avaliados, superando temperatura, partículas finas e ruído.
Estudo científico comprova que ventilação do quarto melhora profundidade e qualidade do sono O impacto direto da ventilação do quarto na qualidade do sono foi demonstrado em um importante estudo de campo publicado na revista científica Indoor Air. Segundo o estudo publicado na Indoor Air, conduzido pela Universidade de Tecnologia de Eindhoven com dezessete voluntários saudáveis monitorados por cinco dias consecutivos, a condição de janela ou porta aberta gerou nível médio de CO₂ de setecentas e dezessete partes por milhão, enquanto a condição completamente fechada elevou esse valor para mil e cento e cinquenta partes por milhão.
A pesquisa, que utilizou actigrafia de pulso e questionários de qualidade do sono, revelou diferenças estatisticamente significativas entre as condições: a profundidade do sono avaliada subjetivamente foi significativamente melhor na condição aberta, assim como a fase do sono medida objetivamente pela actigrafia. Os pesquisadores concluíram que abrir uma janela ou uma porta interna do quarto reduz efetivamente o CO₂ e melhora a profundidade do sono e outros parâmetros de qualidade, representando uma intervenção simples, gratuita e altamente acessível para qualquer pessoa.
Qual é o nível ideal de CO₂ no quarto para um sono reparador? A ciência é cada vez mais precisa sobre os limites de CO₂ no quarto para garantir sono de qualidade. Estudo de 2023 que testou três níveis de ventilação em trinta e seis participantes jovens e saudáveis encontrou que já em mil partes por milhão, comparado ao ideal de setecentas e cinquenta partes por milhão, a eficiência do sono se reduz em um vírgula três por cento e o tempo acordado aumenta em cinco minutos por noite. Em mil e trezentas partes por milhão, a duração do sono profundo diminui significativamente, o tempo acordado aumenta em sete vírgula oito minutos e o cortisol salivar ao acordar cresce, indicando que o organismo interpretou a noite como mais estressante.
Especialistas recomendam manter o CO₂ do quarto idealmente abaixo de oitocentas partes por milhão e nunca acima de mil partes por milhão. Para alcançar esses valores com uma ou duas pessoas dormindo no mesmo quarto, a porta entreaberta ou janela levemente aberta geralmente é suficiente. Pesquisa de 2025 confirmou experimentalmente que a porta apenas entreabert em dez centímetros causa elevação mais lenta e menor do CO₂ comparada à porta completamente fechada, que excede os valores máximos recomendados.
Dicas práticas para melhorar a qualidade do ar no quarto durante o sono Implementar pequenas mudanças no quarto pode transformar significativamente a qualidade do sono sem necessidade de equipamentos caros:
PORTA ENTREABERTA Cerca de 10 cm de abertura já ajudam a manter circulação de ar e reduzir CO₂.
JANELA ABERTA Uma fresta de 2 a 5 cm mantém o CO₂ abaixo de níveis ideais para o sono.
VENTILADOR SILENCIOSO Promove circulação constante do ar sem comprometer o silêncio noturno.
FILTRO HEPA Purificadores com filtro HEPA removem partículas finas e melhoram a qualidade do sono.
OCUPAÇÃO DO QUARTO Cada pessoa adicional aumenta a produção de CO₂ durante a noite.
VENTILAÇÃO DIURNA Abrir janelas por 30 minutos antes de dormir renova o ar do ambiente.
Quando a porta fechada pode ser necessária e como compensar? Em algumas situações, manter a porta do quarto fechada pode ser necessário ou preferível, como em casos de ruído externo intenso, apartamentos sem ventilação cruzada adequada, ou por razões de segurança no caso de incêndio. Estudos de segurança contra incêndios demonstram que portas fechadas podem retardar a propagação de fumaça por mais de três minutos, fator que deve ser considerado especialmente em edifícios residenciais mais antigos.
Para quem precisa manter a porta fechada, a combinação de janela levemente aberta com ventilador silencioso circulando ar é a alternativa mais eficaz para manter o CO₂ em níveis adequados. Sistemas de ventilação mecânica controlada instalados em apartamentos modernos também garantem renovação do ar mesmo com portas e janelas fechadas, desde que sejam regulares e bem mantidos. Quarto com ar condicionado apenas recircula o ar interno sem renovar o CO₂, sendo necessário permitir entrada de ar fresco. Para pessoas que apresentam qualidade do sono sistematicamente ruim com insônia persistente, sonolência diurna excessiva ou apneia do sono, medidas ambientais são importantes mas não substituem avaliação médica especializada, sendo recomendado consultar um médico especialista em medicina do sono para investigação e tratamento adequados.