A OMS (Organização Mundial da Saúde) recebeu com cautela a notícia de que a Rússia registrou nesta terça-feira (11) a primeira vacina do mundo contra a covid-19, lembrando que ela, como as demais, deve seguir os procedimentos de pré-qualificação e revisão estabelecidos pela agência.

"Acelerar o progresso não deve significar comprometer a segurança", disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, em entrevista coletiva, acrescentando que a organização está em contato com as autoridades russas e de outros países para analisar o progresso das diferentes pesquisas de vacinas.

O porta-voz enfatizou que a organização está animada "com a velocidade em que as vacinas estão sendo desenvolvidas" e espera que algumas delas "se mostrem seguras e eficientes".

OMS considera 6 vacinas em estágio avançado
A vacina russa, anunciada hoje pelo presidente Vladimir Putin em reunião com o Gabinete de Ministros, não estava entre as seis que a OMS observou na semana passada serem as mais avançadas.


O órgão citou entre as seis candidatas, três vacinas desenvolvidas por laboratórios chineses, dois dos Estados Unidos (das empresas farmacêuticas Pfizer e Moderna) e a britânica desenvolvida pela AstraZeneca em colaboração com a Universidade de Oxford.

Segundo Putin, a vacina russa é "eficaz", passou em todos os testes necessários e permite atingir uma "imunidade estável" contra a Covid-19.

 

EFE

coronavirO Piauí contabilizou 23 mortes por covid-19 pelo segundo dia seguido. Os dados atualizados na noite desta segunda-feira, 10, também confirmaram 966 testes positivos para infecção pelo coronavírus.

O total de óbitos chegou a 1.526, e os casos confirmados desde março somam 61.144. A média dos últimos sete dias é de 18 mortes e 957 casos.

Novos óbitos

O total de óbitos dos últimos dois dias equivale a 41% de toda a semana passada, quando a tendência era de redução nas mortes por covid-19.

Os dados incluem mortes ocorridas nesta segunda-feira ou em dias anteriores, mas que somente agora tiveram o resultado do exame do coronavírus.

As 23 vítimas contabilizadas pela Sesapi nesta segunda-feira foram nos seguintes municípios:

- Água Branca - 1 (homem, 37 anos)

Total: 26

- Baixa Grande do Ribeiro - 3 (mulher, 71 anos; homens, 73 e 79 anos)

Total: 8

- Barras - 2 (homens, 62 e 84 anos)

Total: 40

- Campo Maior - 1 (mulher, 78 anos)

Total: 35

- Canto do Buriti - 1 (homem, 59 anos)

Total: 3

- Nossa Senhora dos Remédios - 1 (mulher, 92 anos)

Total: 6

- Parnaíba - 1 (mulher, 89 anos)

Total: 121

- Picos - 3 (mulheres, 66 e 93 anos; homem, 51 anos)

Total: 36

- Piracuruca - 1 (homem, 43 anos)

Total: 11

- Piripiri - 1 (mulher, 47 anos)

Total: 19

- Santa Cruz do Piauí - 2 (homens, 68 e 81 anos)

Total: 3

- São João da Serra - 1 (homem, 73 anos)

Total: 4

- São José do Divino - 1 (homem, 88 anos)

Total: 5

- Teresina - 3 (mulheres, 27 e 78 anos; homem, 35 anos)

Total: 782

- União - 1 (mulher, 66 anos)

Total: 21

O número de municípios com mortes por covid-19 permanece em 141.

Casos confirmados
O número de municípios com casos confirmados é 222 - apenas Arraial e Canavieira não têm registros do novo coronavírus.

  Casos confirmados Óbitos
ACAUA 23 0
AGRICOLANDIA 36 0
AGUA BRANCA 665 26
ALAGOINHA DO PIAUI 61 1
ALEGRETE DO PIAUI 46 0
ALTO LONGA 78 2
ALTOS 1044 12
ALVORADA DO GURGUEIA 40 2
AMARANTE 179 5
ANGICAL DO PIAUI 71 2
ANISIO DE ABREU 93 0
ANTONIO ALMEIDA 162 1
AROAZES 33 1
AROEIRAS DO ITAIM 16 0
ASSUNCAO DO PIAUI 106 1
AVELINO LOPES 13 1
BAIXA GRANDE DO RIBEIRO 480 8
BARRA DALCANTARA 9 0
BARRAS 1778 40
BARREIRAS DO PIAUI 6 0
BARRO DURO 184 4
BATALHA 292 7
BELA VISTA DO PIAUI 5 0
BELEM DO PIAUI 32 1
BENEDITINOS 160 5
BERTOLINIA 72 0
BETANIA DO PIAUI 8 0
BOA HORA 77 0
BOCAINA 93 0
BOM JESUS 778 8
BOM PRINCIPIO DO PIAUI 37 3
BONFIM DO PIAUI 35 1
BOQUEIRAO DO PIAUI 113 1
BRASILEIRA 66 1
BREJO DO PIAUI 5 0
BURITI DOS LOPES 623 11
BURITI DOS MONTES 12 1
CABECEIRAS DO PIAUI 169 1
CAJAZEIRAS DO PIAUI 6 0
CAJUEIRO DA PRAIA 215 7
CALDEIRAO GRANDE DO PIAUI 51 0
CAMPINAS DO PIAUI 18 0
CAMPO ALEGRE DO FIDALGO 10 1
CAMPO GRANDE DO PIAUI 85 1
CAMPO LARGO DO PIAUI 107 4
CAMPO MAIOR 1887 35
CANTO DO BURITI 225 3
CAPITAO DE CAMPOS 133 1
CAPITAO GERVASIO OLIVEIRA 15 0
CARACOL 128 1
CARAUBAS DO PIAUI 126 2
CARIDADE DO PIAUI 13 0
CASTELO DO PIAUI 64 3
CAXINGO 79 0
COCAL 629 14
COCAL DE TELHA 53 1
COCAL DOS ALVES 135 2
COIVARAS 66 1
COLONIA DO GURGUEIA 31 2
COLONIA DO PIAUI 52 1
CONCEICAO DO CANINDE 11 0
CORONEL JOSE DIAS 18 1
CORRENTE 95 2
CRISTALANDIA DO PIAUI 4 0
CRISTINO CASTRO 58 1
CURIMATA 119 0
CURRAIS 64 1
CURRAL NOVO DO PIAUI 15 0
CURRALINHOS 70 0
DEMERVAL LOBAO 808 2
DIRCEU ARCOVERDE 50 1
DOM EXPEDITO LOPES 60 0
DOM INOCENCIO 44 0
DOMINGOS MOURAO 9 0
ELESBAO VELOSO 208 5
ELISEU MARTINS 3 0
ESPERANTINA 801 23
FARTURA DO PIAUI 27 1
FLORES DO PIAUI 1 1
FLORESTA DO PIAUI 34 2
FLORIANO 796 10
FRANCINOPOLIS 27 0
FRANCISCO AYRES 18 0
FRANCISCO MACEDO 14 0
FRANCISCO SANTOS 28 0
FRONTEIRAS 102 0
GEMINIANO 34 1
GILBUES 51 0
GUADALUPE 65 1
GUARIBAS 11 0
HUGO NAPOLEAO 181 1
ILHA GRANDE 205 3
INHUMA 127 1
IPIRANGA DO PIAUI 95 0
ISAIAS COELHO 89 1
ITAINOPOLIS 28 0
ITAUEIRA 20 2
JACOBINA DO PIAUI 7 0
JAICOS 74 2
JARDIM DO MULATO 1 0
JATOBA DO PIAUI 22 1
JERUMENHA 25 0
JOAO COSTA 1 0
JOAQUIM PIRES 406 7
JOCA MARQUES 296 1
JOSE DE FREITAS 725 14
JUAZEIRO DO PIAUI 49 0
JULIO BORGES 10 2
JUREMA 15 1
LAGOA ALEGRE 156 3
LAGOA DE SAO FRANCISCO 40 2
LAGOA DO BARRO DO PIAUI 177 0
LAGOA DO PIAUI 209 1
LAGOA DO SITIO 19 2
LAGOINHA DO PIAUI 95 1
LANDRI SALES 16 1
LUIS CORREIA 316 11
LUZILANDIA 1454 25
MADEIRO 336 2
MANOEL EMIDIO 91 3
MARCOLANDIA 140 5
MARCOS PARENTE 34 1
MASSAPE DO PIAUI 4 0
MATIAS OLIMPIO 222 3
MIGUEL ALVES 753 10
MIGUEL LEAO 23 0
MILTON BRANDAO 7 0
MONSENHOR GIL 344 7
MONSENHOR HIPOLITO 65 2
MONTE ALEGRE DO PIAUI 93 3
MORRO CABECA NO TEMPO 19 0
MORRO DO CHAPEU DO PIAUI 237 1
MURICI DOS PORTELAS 63 2
NAZARE DO PIAUI 10 1
NAZARIA 63 6
NOSSA SENHORA DE NAZARE 37 1
NOSSA SENHORA DOS REMEDIOS 325 6
NOVA SANTA RITA 6 0
NOVO ORIENTE DO PIAUI 20 1
NOVO SANTO ANTONIO 41 0
OEIRAS 962 11
OLHO DAGUA DO PIAUI 35 1
PADRE MARCOS 42 1
PAES LANDIM 9 1
PAJEU DO PIAUI 4 0
PALMEIRA DO PIAUI 52 1
PALMEIRAIS 74 2
PAQUETA 12 0
PARNAGUA 39 0
PARNAIBA 5742 121
PASSAGEM FRANCA DO PIAUI 112 3
PATOS DO PIAUI 24 0
PAU DARCO DO PIAUI 89 0
PAULISTANA 44 0
PAVUSSU 51 1
PEDRO II 261 9
PEDRO LAURENTINO 9 0
PICOS 2345 36
PIMENTEIRAS 161 1
PIO IX 137 1
PIRACURUCA 252 11
PIRIPIRI 1222 19
PORTO 193 9
PORTO ALEGRE DO PIAUI 124 1
PRATA DO PIAUI 14 0
QUEIMADA NOVA 111 1
REDENCAO DO GURGUEIA 63 2
REGENERACAO 98 0
RIACHO FRIO 1 0
RIBEIRA DO PIAUI 6 0
RIBEIRO GONCALVES 159 5
RIO GRANDE DO PIAUI 28 1
SANTA CRUZ DO PIAUI 207 3
SANTA CRUZ DOS MILAGRES 3 0
SANTA FILOMENA 23 2
SANTA LUZ 90 2
SANTA ROSA DO PIAUI 32 1
SANTANA DO PIAUI 10 0
SANTO ANTONIO DE LISBOA 11 0
SANTO ANTONIO DOS MILAGRES 38 1
SANTO INACIO DO PIAUI 26 1
SAO BRAZ DO PIAUI 9 0
SAO FELIX DO PIAUI 20 1
SAO FRANCISCO DE ASSIS DO PIAUI 6 0
SAO FRANCISCO DO PIAUI 4 1
SAO GONCALO DO GURGUEIA 9 1
SAO GONCALO DO PIAUI 42 1
SAO JOAO DA CANABRAVA 29 1
SAO JOAO DA FRONTEIRA 37 0
SAO JOAO DA SERRA 91 4
SAO JOAO DA VARJOTA 38 2
SAO JOAO DO ARRAIAL 190 0
SAO JOAO DO PIAUI 90 1
SAO JOSE DO DIVINO 41 5
SAO JOSE DO PEIXE 10 0
SAO JOSE DO PIAUI 22 0
SAO JULIAO 62 1
SAO LOURENCO DO PIAUI 4 0
SAO LUIS DO PIAUI 24 0
SAO MIGUEL DA BAIXA GRANDE 5 0
SAO MIGUEL DO FIDALGO 2 0
SAO MIGUEL DO TAPUIO 82 0
SAO PEDRO DO PIAUI 198 4
SAO RAIMUNDO NONATO 902 5
SEBASTIAO BARROS 3 1
SEBASTIAO LEAL 45 0
SIGEFREDO PACHECO 84 1
SIMOES 121 0
SIMPLICIO MENDES 119 1
SOCORRO DO PIAUI 18 1
SUSSUAPARA 111 3
TAMBORIL DO PIAUI 10 0
TANQUE DO PIAUI 7 0
TERESINA 20059 782
UNIAO 648 21
URUCUI 1072 21
VALENCA DO PIAUI 445 5
VARZEA BRANCA 29 1
VARZEA GRANDE 24 0
VERA MENDES 13 0
VILA NOVA DO PIAUI 46 0
WALL FERRAZ 194 1

Teresina ultrapassou a marca dos 20 mil casos (20.059). Depois da capital, aparecem Parnaíba (5.742) e Picos (2.345) como municípios com mais testes positivos registrados.

Situação hospitalar
As 21 altas médicas da segunda-feira não impediram um ligeiro aumento na ocupação de leitos - de 673 para 681 em um dia. Ainda assim, são quase 200 pacientes a menos que no dia 10 de julho (875).

Estão internados 398 pacientes em leitos clínicos, 22 em estabilização e 261 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) - 5736% ocupados.

 

cidadeverde

Foto: Shutterstock

Um grupo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, desenvolveu um modelo matemático que pode explicar por que crianças são menos suscetíveis à covid-19, enquanto os mais velhos respondem pelos casos mais graves.

Ao cruzar dados de faixa etária dos infectados e severidade dos casos na Europa, os pesquisadores concluíram que a exposição a diversas espécies de coronavírus endêmicos na infância – os HCOVs, que na grande maioria das vezes causam apenas resfriados comuns – induziria uma resposta imune também capaz de proteger contra o novo coronavírus. Porém, após sucessivas exposições a esses HCOVs ao longo da vida, esse sistema de defesa se tornaria tão especializado que já não seria capaz de reconhecer e combater vírus emergentes, como o Sars-CoV-2.

O estudo, que teve apoio da Fapesp, foi divulgado na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares. Além de autores de Oxford, o artigo é assinado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e das universidades de Tel Aviv, em Israel, Federal de Minas Gerais (UFMG) e de São Paulo (USP).


“Hoje é evidente que a maioria das crianças e adolescentes experimenta quadros médios ou assintomáticos de covid-19, enquanto pessoas mais velhas têm um risco maior de sofrer sintomas severos. Nossa hipótese é a de um mecanismo que pode explicar a severidade nesses dois grupos a partir das diferentes exposições que tiveram aos coronavírus endêmicos, que estima-se serem responsáveis por quase um terço dos resfriados comuns”, conta à Agência Fapesp Francesco Pinotti, pesquisador da Universidade de Oxford e primeiro autor do trabalho.

Sete coronavírus são conhecidos por infectar humanos. O SarsA-CoV-2, causador da covid-19, apareceu no fim do ano passado, enquanto os outros dois que podem causar problemas respiratórios graves – Sars-CoV-1 e o Mers – surgiram após os anos 2000.

O pesquisador explica que a exposição na infância aos quatro coronavírus humanos endêmicos – os HCOVs identificados pelas siglas 229E, NL63, OC43 e HKU1 – pode gerar uma proteção cruzada, ou seja, imunidade não apenas a eles mesmos, como também a coronavírus emergentes como o SARS-CoV-2.

A hipótese do grupo é que, à medida que os mais velhos se expuseram ao longo da vida a esses HCOVs, o sistema imune se tornou mais especializado contra eles. Essa especialização, ou resposta homotípica, os protegeu de infecções desses coronavírus endêmicos, mas teve como desvantagem a perda da proteção cruzada (resposta heterotípica) a novas variedades, como o SARS-CoV-2.

Como a primeira infecção de HCOV ocorre até os cinco anos de idade, essa faixa etária é a que tem os casos mais graves de covid-19 entre as crianças e adolescentes. Ainda assim, a severidade é muito menor do que entre os adultos e idosos. O modelo mostra que a proteção é maior a partir dos cinco anos e diminui progressivamente a partir daí.

Proteção cruzada
“A ideia do estudo é propor uma explicação possível para esse perfil de severidade da doença de acordo com a idade, além de chamar a atenção para a necessidade de estudar mais a reatividade cruzada entre os coronavírus endêmicos e o Sars-CoV-2. O papel da exposição aos HCOVs, que são muito comuns, inclusive no Brasil, de modo geral vinha sendo subestimado nessa pandemia”, diz Daniel Santa Cruz Damineli, pesquisador da Faculdade de Medicina (FM) da USP e coautor do estudo, realizado com bolsa de pós-doutorado da FAPESP.

Novos trabalhos, porém, têm começado a chamar a atenção para a proteção cruzada. Um estudo publicado na Science por pesquisadores dos Estados Unidos e Austrália, no começo de agosto, mostra a presença de células de defesa (CD4+T) compatíveis com a resposta imune ao SARS-CoV-2 e aos HCOVs em amostras de sangue coletadas antes da pandemia. Estima-se que essas células existam em torno de 20% a 50% da população.

O próprio Damineli faz parte de um grupo de pesquisadores do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina e do Instituto de Matemática e Estatística (IME), ambos da USP, que investiga respostas genômicas de crianças e adultos com quadros assintomáticos e graves de covid-19.

O estudo, liderado por Carlos Alberto Moreira Filho, professor da FM-USP, é parte de um projeto financiado pela Fapesp. O objetivo é buscar diferenças na expressão de genes em células do sangue desses pacientes que expliquem os quadros diversos da doença.

“Estudos imunológicos serão críticos para esclarecer o papel da imunidade preexistente durante as infecções por covid-19”, diz Pinotti.

Os pesquisadores não descartam a chamada senescência do sistema imune. O princípio, que até então era usado para explicar a maior suscetibilidade de pessoas mais velhas ao Sars-CoV-2, é baseado no fato de que a imunidade geral cai à medida que as pessoas envelhecem.

O novo modelo, porém, é mais preciso porque considera a variabilidade da resposta imune dentro de cada faixa etária, que tem pessoas que respondem melhor ou pior ao vírus. O modelo de senescência, por outro lado, apenas prevê a piora gradual com a idade e não considera fatores como os diferentes graus de exposição a vírus de cada indivíduo.

Pinotti lembra, contudo, que o estudo é majoritariamente teórico e suas conclusões são hipotéticas. “Em última instância, testar nossa hipótese requer dados sobre exposição aos HCOVs ao longo do tempo, o que é particularmente difícil de se obter”, diz. O trabalho, no entanto, abre caminho para investigar a fundo o papel da proteção cruzada na imunidade ao novo coronavírus e mostra a importância de estudar a ocorrência dos HCOVs.

 

Agência Fapesp

vacinanasalAo falar em vacina, a maior parte das pessoas já imagina a agulha no braço.

Porém, um estudo do Centro Médico da Universidade de Chicago e da Universidade Duke, publicado na revista científica Science Advances na última sexta-feira (7), aponta outra forma de imunização com potencial de ser mais eficaz e com menos efeitos colaterais.

A pesquisa analisou uma plataforma (base da vacina) que usa nanofibras peptídicas de montagem automática marcadas com antígenos, que vão preparar o sistema imunológico contra uma possível invasão.

Essas nanofibras podem induzir uma resposta imune e ativar células T (glóbulos brancos) sem o uso de adjuvantes adicionais, responsáveis por causar inflamação em algumas pessoas, e que estão associados a efeitos colaterais comuns de vacinas, como dor no local da injeção ou febre baixa.

Em um dos testes para ver como o corpo processava essas nanofibras, o grupo resolveu aplicá-las por via intranasal, uma espécie de spray no nariz.

"Vimos que as fibras peptídicas por si só geraram uma forte resposta imunológica por meio da via intranasal", observa um dos autores do estudo, o professor Joel Collier, da Universidade Duke.

Os cientistas ressaltam que uma vacina que venha a ser desenvolvida sem adjuvantes tem muitas vantagens. Além de reduzir o risco de inflamações no paciente, elas não precisam ser refrigeradas.

Outro ponto positivo é a eliminação das agulhas, algo que faz com que muitas pessoas não queiram ser vacinadas.

"Elas [agulhas] podem induzir uma resposta vasovagal, fazendo com que as pessoas desmaiem. A eliminação de agulhas de uma plataforma de vacina pode ajudar com este problema e pode significar que mais pessoas irão procurar a vacina", salienta o professor.


Vacina contra o coronavírus
As mais de 20 vacinas contra a covid-19 que estão em estágio avançado de pesquisa requerem agulhas para aplicação. A grande maioria é aplicada por via intramuscular.

Entretanto, os autores do estudo ressaltam que essa tecnologia também pode ser promissora no desenvolvimento de imunizadores contra o novo coronavírus. Além da via intranasal, eles apontam ainda vantagens da administrção sublingual de vacinas.

"Essas vias não são apenas isentas de agulhas, o que torna o acesso mais fácil e confortável para as pessoas, mas também podem provocar uma resposta imunológica diretamente nos pulmões ou nos tecidos da mucosa. Muitas infecções ocorrem pelas vias oral e respiratória, incluindo a covid-19. Então, ser capaz de desencadear essa resposta imunológica na área certa do corpo é muito útil e pode tornar a vacina mais protetora", explica outra autora, a professora Anita Chong, da Universidade de Chicago.

 

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Foto: Reprodução/BMJ