covidrenalUm estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos mostra como a covid-19 pode ser mais letal entre pacientes com doença renal crônica, especialmente aqueles que fazem diálise ou transplantados.

O artigo, publicado no Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia, aponta que as taxas de internações por covid-19 de pacientes em diálise foi 40 vezes maior do que da população em geral.

Os pesquisadores analisaram dados de pacientes internados com covid-19 nos EUA entre 22 de março e 25 de abril do ano passado.

Eles descobriram um aumento da mortalidade geral de pacientes em doentes renais em diálise ou transplantados de 17% e 30%, respectivamente, quando comparados a dados de 2017 a 2019.

Pacientes que precisam se deslocar a algum local para fazer hemodiálise estão sujeitos a contraírem a covid-19. Já os transplantados precisam tomar imunossupressores, que os deixam mais vulneráveis à infecção.

"Este estudo sugere que o efeito da fase inicial da pandemia em pacientes com diálise e transplante de rim foi profundo", afirmou um dos autores do estudo, o médico Eric D. Weinhandl, do Grupo de Pesquisa de Doenças Crônicas, uma divisão do Hennepin Healthcare Research Institute e do Centro Coordenador do Sistema de Dados Renais dos Estados Unidos.

Pacientes hispânicos negros e hispânicos tiveram taxas de hospitalização especialmente altas, enquanto os pacientes submetidos à diálise peritoneal em casa tiveram taxas mais baixas em comparação com aqueles submetidos à hemodiálise em clínicas, já que o ambiente doméstico oferece proteção contra a infecção comunitária pelo vírus.

O médico alerta para a necessidade de priorizar doentes renais crônicos nas vacinações contra covid-19.

"Com taxas marcadamente mais altas de mortalidade por todas as causas em pacientes de diálise e transplante de rim durante o segundo trimestre de 2020, há agora uma razão clara para a priorização de pacientes com insuficiência renal em esquemas de vacinação contra covid-19 promulgados pelos estados."

 

R7

Foto: STEPHANE MAHE/REUTERS

O anúncio de mais um teste clínico de fase 3 de uma vacina contra covid-19 no Brasil traz a esperança de que novos imunizantes possam estar disponíveis no país nos próximos meses. Desta vez, a biofarmacêutica canadense Medicago conseguiu autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para conduzir ensaios com cerca de 3.500 voluntários.

Será a quinta vacina contra covid-19 testada em território brasileiro — as anteriores foram: Sinovac, AstraZeneca, Pfizer/BioNTech e Janssen (Johnson & Johnson). No entanto, esta tem uma tecnologia inovadora: é feita a partir de plantas vivas. A Medicago criou uma plataforma que usa o tabaco selvagem (N. benthamiana) como biorreator para produzir versões não infecciosas do coronavírus SARS-CoV-2, causador da covid-19.

Segundo a empresa, a N. benthamiana "é a hospedeira experimental mais utilizada em virologia de plantas, devido, principalmente, ao grande número de vírus que podem infectá-la com sucesso", afirma a companhia.

O sistema imunológico enfraquecido da N. benthamiana, resultado de mudanças genéticas naturais ao longo de milênios, permite que o material genético do vírus pode ser hospedado com sucesso pela planta e não rejeitado.

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Essas partículas semelhantes a vírus "imitam a estrutura nativa" dos patógenos, o que ajuda de forma eficaz o reconhecimento do nosso sistema imunológico.

Mas elas não levam nenhum material genético central, "o que não os tornam infecciosas ou capazes de se replicar", acrescenta a desenvolvedora.

A farmacêutica britânica GSK (GlaxoSmithKline) foi a responsável pelo desenvolvimento do adjuvante — substância utilizada para potencializar a capacidade do antígeno.

Testes A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de medicamentos dos EUA, autorizou os testes de fase 3 em março. Também já houve a liberação no Canadá.

Ao todo, serão recrutados cerca de 30 mil voluntários em dez países, sendo cerca de 3.500 no Brasil.

Os voluntários receberão duas doses da vacina ou placebo em um intervalo de 21 dias.

Poderão participar adultos saudáveis de 18 a 65 anos, idosos e adultos com comorbidades. Segundo a companhia, os ensaios envolverão "homens e mulheres de populações étnica e racialmente diversas".

Os resultados da segunda fase de testes da vacina, chamada de CoVLP, deve ser divulgados pela Medicago ainda neste mês.

A fase 3 de testes clínicos de qualquer vacina ou medicamento é a mais ampla e serve para comprovar a segurança e a eficácia do produto em um grupo maior e mais diverso de indivíduos.

Somente com os resultados dessa etapa é que as empresas podem solicitar o uso emergencial ou registro definitivo junto às agências reguladoras.

O fato de a Medicago realizar os ensaios no Brasil é um facilitador caso a empresa decida solicitar autorização para uso do imunizante junto à Anvisa.

 

R7

reinfecaçograveEm nota divulgada nesta quarta-feira (7), a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) afirmou que um estudo coordenado pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde mostra que uma segunda infecção causada pela covid-19 pode apresentar sintomas mais fortes e que a pessoa pode se reinfectar com a mesma variante.

“Os dados mostram que para a parcela da população que tem a doença na forma branda (em que não é necessária a hospitalização) isso não significa que fique imune ou que uma reinfecção evolua de forma benigna. O estudo indica ainda que a reinfecção pode ser mais frequente do que se supõe”, diz a nota. Em 2020, do início da pandemia até o final do ano, os pesquisadores acompanharam semanalmente um grupo de 30 pessoas, sendo que quatro contraíram o Sars-CoV-2 com sintomas brandos na primeira infecção, e, na segunda, apresentaram sintomas mais frequentes e mais fortes, mas não precisaram ser hospitalizados.

“Essas pessoas só tiveram de fato a imunidade detectável depois da segunda infecção. Isso leva a crer que para uma parte da população que teve a doença de forma branda não basta uma exposição ao vírus, e sim mais de uma, para ter um grau de imunidade. Isso permite que uma parcela da população que já foi exposta sustente uma nova epidemia”, explicou Thiago Moreno, pesquisador responsável por coordenar o estudo, por meio de nota.

O pesquisador também não descarta a possbilidade de ocorrer uma terceira infecção por covid-19. “A gente não sabe quanto tempo dura a imunidade pós-covid. Uma pessoa poderia ficar vulnerável a uma nova reinfecção ou mesmo a contrair uma variante diferente”, afirmou.

O artigo referente à pesquisa, que envolve também pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (Idor) e da empresa chinesa MGI Tech Co, será publicado em maio na revista Emerging Infectious Desease, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC/EUA).

 

R7

Foto: reprodução/Pixabay

- O que foi observado? -

A EMA reconheceu pela primeira vez que a vacina pode causar raros problemas sanguíneos em algumas pessoas. Até agora, não havia se estabelecido um vínculo causal. 

Esse "possível vínculo" justifica, em sua opinião, que o risco seja mencionado na bula do medicamento. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi mais cautelosa, estimando que o vínculo era "plausível", mas não confirmado. 

Os problemas observados não são trombos comuns (formação de coágulos sanguíneos), como relatado inicialmente, mas um fenômeno "muito atípico", segundo a Agência Francesa de Medicamentos (ANSM). 

Trata-se de "trombose de grandes veias, atípica pela localização (principalmente cerebral, mas também digestiva), que pode estar associada a trombocitopenia [deficiência de plaquetas] ou problemas de coagulação", como sangramento, segundo o ANSM. Essas tromboses ocorreram "nas duas semanas após a vacinação", explicou a EMA. 

Em meados de março, o Instituto Médico Paul-Ehrlich (PEI), que assessora o governo alemão, relatou um "acúmulo surpreendente de uma forma específica muito incomum de trombose venosa cerebral, associada a uma deficiência de plaquetas sanguíneas". 

Segundo especialistas, esse quadro tão específico nos leva a pensar em um fenômeno denominado coagulação intravascular disseminada (DICC).

-Qual é o risco? -

Essa é a questão principal. De acordo com dados da EMA de 4 de abril, 222 casos de trombose atípica foram detectados após 34 milhões de injeções feitas com AstraZeneca nos 30 países do Espaço Econômico Europeu (UE, Islândia, Noruega, Liechtenstein). 

Na Alemanha, foram notificados 31 casos suspeitos de trombose venosa cerebral (19 dos quais acompanhados por diminuição das plaquetas sanguíneas), com 9 mortes, de acordo com o Instituto Paul-Ehrlich. 

Isso representa 1 caso para cada 100.000 doses da vacina AstraZeneca administradas (2,8 milhões). Também foram registrados casos na França (12 casos, incluindo 4 mortes, para 1,9 milhão de injeções, segundo a ANSM); na Noruega (5 casos, incluindo 3 mortes, por 120.000 injeções) e na Holanda. 

O Reino Unido, que utilizou esse imunizante em grande parte em sua campanha de vacinação, o saldo até esta quarta-feira é de 79 casos, dos quais 19 terminaram em óbito, de um total de 20 milhões de doses administradas. 

Mas, como acontece com todos os medicamentos, a chave é pesar os riscos e benefícios. 

"Os benefícios gerais da vacina na prevenção superam os riscos dos efeitos colaterais", insistiu a EMA nesta quarta-feira.

- Fatores de risco? -

Até agora, a maioria dos casos ocorreu em "mulheres com menos de 60 anos". 

Mas nenhuma conclusão pode ser tirada, pois isso pode ser devido ao fato de que esta vacina foi usada, inicialmente, especialmente em jovens. 

Além disso, o fato de os casos registrados serem principalmente mulheres pode ser devido ao fato de a vacina ter sido amplamente utilizada na vacinação de profissionais de saúde, categoria prioritária da população. Um setor no qual trabalham muitas mulheres. 

"No momento, os testes não identificaram fatores de risco específicos", disse a EMA. 

No Reino Unido, onde a vacina tem sido usada para camadas mais amplas da população, os casos detectados são 51 mulheres e 28 homens, com idades entre 18 e 79 anos.

- Limite de idade? -

Após a primeira rodada de suspensões, em meados de março, alguns países decidiram interromper o uso da vacina abaixo de certa idade. 

O Reino Unido só a usará com pessoas com mais de 30 anos. Alemanha e Holanda decidiram restringi-lo a menores de 60 anos, Canadá, França e Bélgica pararam de usá-lo com menores de 55 anos. Suécia e Finlândia a menores de 65 anos. 

"Não temos apenas uma vacina, temos várias. Portanto, me parece que faz sentido reservar a AstraZeneca para pessoas mais velhas", disse Sandra Ciesek, virologista da Universidade Goethe em Frankfurt, à revista Science. 

As autoridades do Reino Unido divulgaram estatísticas nesta quarta-feira mostrando que a covid-19 representa um risco à saúde seis vezes maior do que a vacina, nas idades entre 20 e 29 anos. 

Já na faixa etária de 60 a 69 anos, o risco é 600 vezes mais importante. Noruega e Dinamarca optaram por suspender totalmente o uso da vacina, por enquanto.

- Qual é o motivo? -

Vários elementos apontam para uma reação imunológica excessiva causada pela vacina. 

Em um estudo publicado online em 28 de março, mas ainda não avaliado por outros cientistas, pesquisadores alemães e austríacos estabeleceram uma comparação com outro mecanismo conhecido. 

O fenômeno associado à vacina AstraZeneca "se assemelha clinicamente à trombocitopenia induzida por heparina (HIT)", disse a equipe de cientistas, liderada por Andreas Greinacher (Universidade de Greifswald). 

HIT é uma reação imunológica incomum, grave e anormal, desencadeada em alguns pacientes por uma droga anticoagulante, a heparina. 

O grupo de pesquisadores propõe que se dê um nome ao fenômeno observado com a vacina AstraZeneca (sigla em inglês VIPIT). 

O grupo francês de pesquisadores e médicos "Du côté de la science" (Do lado da ciência) também opta por "uma reação imunológica intensa" e acredita na hipotése de que tudo começa com "a injeção acidental da vacina em uma veia do músculo deltóide"(no ombro).

 

AFP