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Vitaminas são frequentemente associadas à saúde e ao bem-estar, mas poucas pessoas sabem que certas combinações de vitaminas podem sobrecarregar o fígado e causar danos hepáticos graves sem apresentar sintomas aparentes. O consumo simultâneo de suplementos lipossolúveis, como vitamina A, vitamina D e vitamina E em doses elevadas, representa um risco real de intoxicação hepática silenciosa, especialmente quando feito sem orientação médica.

Por que o fígado é o órgão mais afetado pelo excesso de vitaminas? O fígado é o principal responsável por metabolizar e armazenar as vitaminas lipossolúveis que ingerimos. Diferente das vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina C e as do complexo B, que são eliminadas pela urina quando em excesso, as vitaminas A, D, E e K se acumulam no tecido hepático e no tecido adiposo por longos períodos.

Quando a ingestão dessas substâncias ultrapassa a capacidade de processamento do órgão, ocorre um estresse oxidativo nas células hepáticas, chamadas hepatócitos. Esse processo inflamatório crônico pode evoluir para fibrose, esteatose e até cirrose, muitas vezes sem que a pessoa perceba qualquer sintoma nos estágios iniciais.

Quais combinações de vitaminas são mais perigosas para o fígado? A suplementação simultânea de determinadas vitaminas potencializa o risco de hepatotoxicidade. Especialistas em hepatologia alertam para as seguintes combinações consideradas de alto risco:

Vitamina A em doses elevadas associada à vitamina E: ambas competem pelas mesmas vias metabólicas no fígado, aumentando o acúmulo tóxico nos hepatócitos e favorecendo a lesão celular. Vitamina A combinada com niacina (vitamina B3): a niacina em altas doses já possui potencial hepatotóxico próprio, e a associação com retinol intensifica a sobrecarga hepática. Vitamina D em megadoses junto com vitamina A: o excesso dessas duas vitaminas lipossolúveis simultaneamente compromete a função biliar e eleva o risco de dano renal e hepático. Multivitamínicos com ferro e vitamina A: o ferro em excesso gera radicais livres no fígado, e combinado ao retinol, acelera o processo de fibrose hepática. Quais são os sinais de que o fígado está sendo intoxicado por vitaminas? A intoxicação hepática por vitaminas costuma ser silenciosa nas fases iniciais, o que a torna especialmente perigosa. No entanto, conforme o dano progride, alguns sinais clínicos podem surgir e devem ser observados com atenção:

Fadiga persistente e falta de energia sem causa aparente. Dor ou desconforto abdominal na região superior direita, onde o fígado está localizado. Náuseas, perda de apetite e alterações no funcionamento intestinal. Pele e olhos com tonalidade amarelada, indicando icterícia. Urina escura e fezes esbranquiçadas, sinais clássicos de comprometimento biliar. Exames laboratoriais como TGO, TGP, GGT e bilirrubina são essenciais para avaliar a saúde do fígado e detectar precocemente qualquer alteração nas enzimas hepáticas causada pelo uso inadequado de suplementos vitamínicos.

O que dizem os estudos científicos sobre vitaminas e danos ao fígado? A ciência tem investigado cada vez mais os riscos do uso indiscriminado de suplementos para a saúde hepática. Uma análise publicada no periódico Hepatology, conduzida pela rede americana Drug-Induced Liver Injury Network (DILIN), acompanhou casos de lesão hepática entre 2004 e 2013 e concluiu que a proporção de danos ao fígado atribuídos a suplementos alimentares e vitamínicos aumentou significativamente ao longo dos anos, passando de 7% para 20% do total de casos avaliados. O estudo completo pode ser consultado no PubMed Central (PMC), reforçando a importância de nunca consumir vitaminas sem acompanhamento profissional.

Para quem deseja entender melhor como o excesso de vitaminas afeta o organismo de forma geral, o portal Tua Saúde oferece um guia completo sobre hipervitaminose: o que é, sintomas, tipos e o que fazer, com orientações práticas para identificar e prevenir a toxicidade vitamínica.

Como proteger o fígado e suplementar vitaminas com segurança? A prevenção da hepatotoxicidade por vitaminas começa com uma atitude simples: nunca iniciar a suplementação sem realizar exames de sangue prévios e obter a prescrição de um médico ou nutricionista. A automedicação com polivitamínicos é um hábito cada vez mais comum entre os brasileiros, mas que oferece riscos reais à saúde hepática.

Priorizar uma alimentação equilibrada e rica em frutas, verduras, legumes e proteínas magras é a forma mais segura de obter todas as vitaminas necessárias para o organismo. O fígado funciona melhor quando não é sobrecarregado com substâncias desnecessárias, e a suplementação só deve existir quando há uma deficiência comprovada por exames laboratoriais e acompanhada por um profissional de saúde.

Tua Saúde

Mudanças na cor, na espessura ou no formato das unhas podem levantar suspeitas sobre a saúde da circulação sanguínea — mas especialistas alertam: nem toda alteração é sinal de artéria entupida. Em muitos casos, as mudanças são consequência de trauma, envelhecimento ou infecções locais.

unhas

Dermatologistas ouvidos pelo g1 explicam quando as unhas realmente podem refletir isquemia (redução da chegada de sangue) ou hipoxemia (redução da oxigenação do sangue) e o que ainda é exagero nas redes sociais.

Unhas e circulação: quando há motivo para investigar O dermatologista Miguel Ceccarelli, coordenador do Ambulatório de Doenças das Unhas do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ), afirma que alterações isoladas raramente fecham diagnóstico.

“Algumas alterações de unhas podem ser pistas de problema circulatório, mas quase nunca são a única pista. Em geral, preocupam mais quando aparecem junto com outros sinais, como pele fria, mudança de cor, dor ao caminhar ou feridas que não cicatrizam”, diz.

Segundo ele, na doença arterial periférica — quando há obstrução das artérias das pernas — existe um conjunto típico de alterações.

Alterações associadas à isquemia crônica (má circulação prolongada) Pele fina, brilhante e fria Perda de pelos nas pernas

Unhas dos pés: Opacas Quebradiças Espessas (hipertrofiadas) Deformadas Segundo Ceccarelli, esse conjunto de alterações indica que aquele tecido está recebendo pouco sangue há muito tempo.

Em quadros graves, podem surgir:

Pontas dos dedos muito pálidas ou arroxeadas Áreas enegrecidas Dor intensa Bolhas ou feridas próximas às unhas Isquemia x hipoxemia: qual a diferença? O dermatologista Hélio Amante Miot, docente da Faculdade de Medicina da Unesp, destaca que é fundamental diferenciar a isquemia da hipoxemia e que uma coisa pode estar presente sem a outra:

Isquemia é quando a circulação não chega bem ao tecido. Hipoxemia é quando o sangue chega com pouco oxigênio Segundo Miot, os primeiros sinais costumam aparecer nas extremidades.

“Se você olhar sua mão, a ponta do dedo costuma ser mais vermelhinha. No frio ela fica branca por isquemia. Em situações pulmonares ou cardíacas, pode ficar roxa”, explica.

Sinais que podem indicar isquemia Extremidades frias Pele ressecada sem explicação Crescimento lento da unha Destacamento da unha (onicólise) Retorno lento da cor ao pressionar a ponta do dedo 💨 Sinais ligados à hipoxemia: Cianose (unhas azuladas ou arroxeadas) Mudança no ângulo entre a unha e a pele “Unha em vidro de relógio”: sinal clássico Um dos achados mais conhecidos é o chamado clubbing, popularmente conhecido como “unha em vidro de relógio”.

Miot explica que normalmente existe um ângulo entre a pele e a unha. Quando esse ângulo vai ficando mais reto, mais próximo de 180 graus, a unha assume o aspecto de vidro de relógio.

Segundo o médico, essa alteração pode ser precoce em quadros de redução de oxigenação, especialmente em doenças pulmonares e cardíacas. Por isso, essa é uma forma de suspeitar de redução da oxigenação nas extremidades.

Em estágios mais avançados, pode surgir o chamado “dedo em baqueta de tambor”, com crescimento da parte mole e do osso da ponta do dedo.

Alterações ungueais com base científica em doenças sistêmicas Alguns sinais têm associação descrita na literatura médica com doenças internas.

G1

Foto: arquivo pessoal - Miguel Ceccarelli

Manter um horário regular de sono, deitando por volta das 23h e acordando entre 6h e 7h, está associado a uma vida mais longa e com menos doenças. Pesquisas recentes mostram que não se trata apenas de dormir uma quantidade suficiente de horas, mas de respeitar uma janela de sono consistente que esteja alinhada ao ciclo natural do corpo. Quem mantém esse padrão garante entre 7 e 8 horas de descanso, exatamente a faixa que a ciência aponta como ideal para proteger o coração, o cérebro e o metabolismo.

Como o ritmo circadiano influencia a longevidade? O corpo humano funciona com um relógio biológico interno que regula a produção de hormônios, a temperatura corporal, o metabolismo e até a regeneração celular. Esse ciclo, chamado de ritmo circadiano, segue um padrão de aproximadamente 24 horas e é fortemente influenciado pela luz natural. Quando a pessoa dorme e acorda em horários regulares, esse relógio funciona de maneira sincronizada, favorecendo todos os processos fisiológicos essenciais para a saúde.

Deitar por volta das 23h respeita o momento em que o corpo naturalmente começa a produzir melatonina, o hormônio que prepara o organismo para o sono profundo. Acordar entre 6h e 7h coincide com o aumento natural do cortisol, que sinaliza o estado de alerta e energia. Esse alinhamento protege o sistema cardiovascular, fortalece a imunidade e reduz processos inflamatórios que aceleram o envelhecimento.

Estudo prospectivo mostra que a regularidade do sono é mais importante que a duração A importância de manter horários fixos para dormir e acordar ganhou respaldo científico significativo nos últimos anos. Segundo o estudo prospectivo Sleep regularity is a stronger predictor of mortality risk than sleep duration: A prospective cohort study, publicado no periódico Sleep em 2024, a regularidade do sono é um preditor mais forte de risco de morte do que a própria duração do sono.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Monash e do Brigham and Women’s Hospital, analisou dados objetivos de acelerômetros de mais de 60 mil participantes do UK Biobank. Os resultados revelaram que as pessoas com os padrões de sono mais regulares tinham risco significativamente menor de morte por todas as causas, incluindo doenças cardiovasculares e câncer, em comparação com aquelas que dormiam e acordavam em horários irregulares, independentemente de quantas horas dormiam por noite.

O que acontece com o corpo quando você mantém esse horário de sono? Dormir entre 23h e 6h-7h de forma consistente desencadeia uma série de benefícios que se acumulam ao longo dos anos e protegem a saúde de forma abrangente:

PROTEÇÃO CARDIOVASCULAR

A pressão e a frequência cardíaca diminuem naturalmente, reduzindo o desgaste do coração.

CONTROLE METABÓLICO

Regula hormônios da fome e melhora a sensibilidade à insulina.

MEMÓRIA E CÉREBRO

O sono profundo consolida memórias e ajuda a eliminar resíduos tóxicos do cérebro.

IMUNIDADE Aumenta a produção de células de defesa e reduz inflamações crônicas.

EQUILÍBRIO EMOCIONAL

A regularidade do sono está ligada a menor ansiedade e risco de depressão.

Hábitos que ajudam a manter a regularidade do sono Transformar o horário de dormir e acordar em uma rotina estável exige pequenas mudanças que, com o tempo, se tornam automáticas. Algumas práticas recomendadas por especialistas em sono facilitam essa adaptação:

Mantenha os mesmos horários nos fins de semana — variações maiores que uma hora entre dias úteis e finais de semana desregulam o ritmo circadiano Reduza a exposição a telas pelo menos uma hora antes de dormir — a luz azul dos celulares e computadores inibe a produção de melatonina Exponha-se à luz natural logo ao acordar — a luz da manhã é o principal sinal para calibrar o relógio biológico Evite cafeína após as 14h — o efeito estimulante pode permanecer no organismo por até 8 horas e prejudicar o início do sono Quando a dificuldade em manter o sono regular exige atenção médica? Se mesmo seguindo uma rotina consistente você sente dificuldade para pegar no sono, acorda diversas vezes durante a noite ou se sente cansado ao longo do dia, pode haver um problema de saúde por trás dessas queixas. Condições como apneia do sono, insônia crônica e distúrbios do ritmo circadiano afetam milhões de pessoas e muitas vezes passam despercebidas.

Nessas situações, é fundamental procurar um médico especialista em sono para uma avaliação individualizada. Somente um profissional poderá identificar a causa da dificuldade e indicar o tratamento adequado, garantindo que o sono cumpra plenamente seu papel protetor na saúde e na longevidade.

Tua Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento da hemofilia no Brasil. O produto, chamado Qfitlia (fitusirana sódica), poderá ser usado para prevenir ou reduzir episódios de sangramento em pacientes com hemofilia A ou B, com ou sem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX.

hemofilia

O medicamento é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos e teve análise priorizada pela agência por se tratar de uma doença rara, conforme previsto na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 205/2017.

O registro foi concedido à farmacêutica Sanofi Medley e publicado no Diário Oficial da União.

Segundo a Anvisa, o medicamento poderá ser utilizado tanto na prevenção quanto na redução de episódios hemorrágicos, um dos principais problemas enfrentados por pessoas com hemofilia.

O que é a hemofilia A hemofilia é uma doença genética rara que compromete a coagulação do sangue. Pessoas com a condição têm deficiência de proteínas chamadas fatores de coagulação, essenciais para interromper sangramentos.

Quando ocorre um corte ou lesão, o organismo normalmente inicia um processo em cadeia para estancar o sangue. Primeiro, as plaquetas formam um tampão inicial. Em seguida, entram em ação os fatores de coagulação, que reforçam esse bloqueio até que o tecido cicatrize.

Nos pacientes com hemofilia, esse processo é interrompido.

“A coagulação acontece em cascata, em que um fator depende do outro. Quando o paciente não tem esses fatores disponíveis, ele não consegue produzir o coágulo. O processo de estancar o sangue começa, mas não termina”, explica Martha Arruda, hematologista do Hospital Sírio-Libanês. Existem dois tipos principais da doença:

Hemofilia A, causada pela deficiência do fator VIII, uma proteína do sangue essencial para formar coágulos e interromper sangramentos. É a forma mais comum da doença e representa cerca de 80% dos casos. Hemofilia B, associada à falta do fator IX, outra proteína que participa do mesmo processo de coagulação. Na prática, os sintomas das duas formas são semelhantes –como sangramentos prolongados ou hemorragias internas–, mas a diferença é importante porque cada tipo exige um tratamento específico, voltado à reposição do fator de coagulação que está ausente no organismo.

A hemofilia é causada por uma mutação genética localizada no cromossomo X. Como os homens têm apenas um cromossomo X, quando ele carrega a alteração a doença se manifesta. Já as mulheres têm dois cromossomos X e, na maioria dos casos, apenas carregam o gene alterado sem desenvolver a doença, podendo transmiti-lo aos filhos.

Sangramentos podem ocorrer sem trauma A gravidade da hemofilia varia conforme a quantidade de fator de coagulação presente no sangue.

Pessoas com quadros mais graves podem ter sangramentos espontâneos, sem trauma aparente. Em casos mais leves, as hemorragias costumam ocorrer após quedas, cortes ou cirurgias.

Além dos ferimentos visíveis, o problema também pode ocorrer dentro das articulações, algo comum no dia a dia.

“Enquanto nos movimentamos, o corpo sofre pequenas lesões internas que normalmente são estancadas automaticamente. Nos hemofílicos isso não acontece, e o sangramento pode comprometer as articulações”, explica Arruda. Esses episódios repetidos podem provocar dor crônica, inflamação e danos permanentes nas articulações, podendo levar até a limitações de movimento.

Em muitos casos, o diagnóstico ocorre ainda na infância, quando pais ou médicos percebem que quedas leves provocam hematomas grandes ou inchaços incomuns.

A confirmação é feita por exames de sangue, que identificam a deficiência nos fatores de coagulação.

Quantas pessoas vivem com hemofilia no Brasil Dados do Perfil de Coagulopatias, divulgado pelo Ministério da Saúde em 2024, indicam que o Brasil tem 14.202 pessoas diagnosticadas com hemofilia.

Desse total:

11.863 vivem com hemofilia A. 2.339 têm hemofilia B. O tratamento tradicional consiste na reposição do fator de coagulação que está ausente no organismo, geralmente por meio de infusões venosas.

Novas terapias, como anticorpos monoclonais e medicamentos de ação prolongada, vêm sendo desenvolvidas para reduzir a frequência de aplicações e prevenir sangramentos, ampliando as opções terapêuticas para pacientes com a doença.

G1

Foto: Freepik