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Mesmo depois que a febre desaparece e o vírus já não é detectado no organismo, a Covid-19 pode continuar deixando marcas —principalmente no cérebro e nos pulmões.

covidgripe

Um estudo da Universidade de Tulane, publicado na terça-feira (24) na revista científica Frontiers in Immunology, identificou diferenças importantes entre os efeitos de longo prazo da Covid-19 e da gripe e sugere que apenas o SARS-CoV-2 desencadeia inflamação cerebral persistente.

A pesquisa foi feita em camundongos acompanhados por até 28 dias após a infecção. Embora tanto a Covid-19 quanto a gripe tenham provocado inflamação prolongada e sinais de fibrose nos pulmões, apenas a infecção pelo coronavírus levou a alterações relevantes no cérebro.

“Observamos lesões pulmonares duradouras em ambas as infecções. Mas os efeitos a longo prazo no cérebro foram exclusivos do SARS-CoV-2”, afirma o microbiologista Xuebin Qin, autor principal do estudo.

Inflamação cerebral mesmo sem vírus detectável Um dos achados centrais foi que, semanas após a infecção, não havia mais vírus detectável no cérebro dos animais. Ainda assim, os camundongos que tiveram Covid-19 apresentaram:

inflamação cerebral persistente; pequenas áreas de sangramento (micro-hemorragias); ativação prolongada de células inflamatórias do sistema nervoso. Essas alterações praticamente não apareceram nos animais infectados com o vírus da gripe.

A análise da expressão gênica do tecido cerebral mostrou ainda que o SARS-CoV-2 alterou vias relacionadas à serotonina e à dopamina —neurotransmissores fundamentais para o humor, a cognição e os níveis de energia.

Segundo os autores, essa disfunção pode ajudar a explicar sintomas frequentemente relatados por pacientes com Covid longa, como dificuldade de concentração, fadiga persistente, alterações de humor e a chamada “névoa mental”.

Névoa mental o nome dado à sensação de pensamento embaralhado, dificuldade de memória recente, lentidão para processar informações e perda de clareza mental, mesmo após a recuperação da fase aguda da doença.

Diferenças também no processo de reparo pulmonar Nos pulmões, os dois vírus deixaram um quadro semelhante de inflamação e acúmulo de colágeno, proteína associada à formação de cicatrizes. Essas mudanças podem enrijecer o tecido pulmonar e dificultar a respiração mesmo após a fase aguda da doença.

Mas houve uma diferença importante no processo de recuperação. Após a gripe, os pulmões ativaram mecanismos de reparo mais robustos, com migração de células progenitoras responsáveis por reconstruir o revestimento das vias aéreas. Já na Covid-19, essa resposta regenerativa foi muito mais limitada.

Além disso, a infecção por SARS-CoV-2 manteve ativadas vias associadas à coagulação sanguínea e à inflamação —alterações que também vêm sendo descritas em estudos clínicos com pacientes que apresentam sintomas prolongados.

O que isso significa para a Covid longa A Covid longa é caracterizada pela persistência de sintomas semanas ou meses após a infecção inicial, inclusive em pessoas que tiveram quadros leves. Entre os sinais mais relatados estão cansaço extremo, falta de ar, dificuldade de memória, insônia, alterações de humor e a chamada “névoa mental”.

O novo estudo ajuda a dar lastro biológico a esses relatos. Ao identificar inflamação persistente, alterações vasculares e disfunções em vias ligadas à serotonina e à dopamina, os pesquisadores reforçam a hipótese de que os sintomas não são apenas subjetivos ou emocionais —mas podem estar associados a mudanças mensuráveis no funcionamento do cérebro.

Embora a pesquisa tenha sido feita em modelo animal —o que exige cautela ao extrapolar diretamente para humanos— os resultados dialogam com estudos clínicos que já identificaram alterações inflamatórias e redução de desempenho cognitivo em parte dos pacientes após a Covid-19.

Na prática, os achados ajudam a direcionar duas frentes.

A primeira é científica: entender quais vias biológicas permanecem ativadas pode orientar o desenvolvimento de terapias mais específicas no futuro, especialmente voltadas para inflamação crônica e regulação de neurotransmissores. A segunda é assistencial: reconhecer que há mecanismos orgânicos envolvidos pode melhorar o diagnóstico e o acompanhamento desses pacientes. Hoje, não existe um tratamento específico para a Covid longa. A abordagem é individualizada e focada no controle dos sintomas, com acompanhamento clínico e, quando necessário, suporte neurológico, psiquiátrico, cardiológico ou fisioterapêutico.

Os autores recomendam que pessoas que mantêm sintomas como fadiga intensa, lapsos de memória, dificuldade de concentração ou alterações de humor por mais de quatro semanas após a infecção procurem avaliação médica.

A investigação precoce ajuda a descartar outras causas e a organizar um plano de cuidado adequado.

G1

Foto: Adobe Stock

Se você já travou tentando amarrar o sapato, saiba que a culpa não é só da idade e você definitivamente não está sozinho. As dores nas costas continuam sendo um verdadeiro pesadelo para a saúde pública no país. Apenas em 2025, a dorsalgia liderou o topo do ranking de licenças médicas do INSS, somando impressionantes 237.113 benefícios concedidos.

Esse volume absurdo de afastamentos acende um alerta sobre a gravidade e a complexidade dos problemas de coluna. É exatamente nesse ponto que ganha destaque o trabalho do médico Guilherme Henrique Porceban, especialista em cirurgia da coluna vertebral. Ele revela os motivos que fazem a recuperação total de certas lesões ser um dos maiores quebra-cabeças da medicina moderna.

Formado pela USP de Ribeirão Preto, ex-oficial médico da Força Aérea Brasileira e mestre em cirurgia translacional pela Unifesp, Guilherme Henrique Porceban une a vivência do centro cirúrgico à pesquisa científica. O foco de sua atuação clínica esbarra em diagnósticos complexos: doenças degenerativas, traumas e tumores.

A grande questão, segundo o especialista, mora na estrutura da medula espinhal. A dificuldade natural do corpo humano em regenerar o tecido nervoso explica por que, historicamente, a ciência patinou tanto na reversão de danos graves. Hoje, a meta de um tratamento de lesão medular é puramente conter o estrago o mais rápido possível. Os médicos correm para estabilizar fraturas ou retirar tumores que estão esmagando o nervo, evitando que o quadro do paciente piore. O grande obstáculo, no entanto, é que restabelecer a área onde a lesão já se instalou continua sendo uma barreira enorme, o que justifica o baque social e econômico dessas doenças na vida dos brasileiros.

Fugindo de tratamentos milagrosos, Guilherme Henrique Porceban também se consolidou como uma voz forte na divulgação científica. O médico defende uma comunicação transparente e altamente ética, ajudando os pacientes a encararem diagnósticos devastadores com os pés no chão, cientes dos avanços, mas também dos limites reais dos tratamentos atuais.

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Começar a correr é uma das decisões mais acessíveis para quem busca melhorar a saúde, reduzir o estresse e criar uma rotina mais ativa. Segundo um levantamento do aplicativo Strava, correr na rua é a principal atividade física escolhida no mundo.

caminhada

Isso porque a corrida de rua exige poucos recursos, pode ser praticada em diferentes lugares e permite evolução gradual, respeitando o ritmo de cada pessoa.

Outro fator está no alto gasto calórico que a corrida proporciona. Em média, uma pessoa pode gastar entre 400 a 600 calorias por hora corrida, o que auxilia a regular o peso e evita o sedentarismo.

Corrida e a redução do risco cardiovascular A prática da corrida pode ajudar a evitar problemas cardiovasculares, como infarto, AVC e hipertensão. Mesmo pequenas quantidades semanais já geram um impacto positivo e reduzem os riscos.

Uma pesquisa publicada no Journal of the American College of Cardiology acompanhou mais de 55 mil adultos ao longo de 15 anos e constatou que corredores apresentaram redução de até 45% no risco de morte por doenças cardiovasculares em comparação com não corredores.

Impacto da corrida na luta contra o câncer Um estudo recente publicado no International Journal of Cancer mostrou que o exercício não atua apenas de forma indireta, por controle de peso ou inflamação. Ele muda o que circula no nosso sangue e essas mudanças são capazes de conversar diretamente com células tumorais.

Isso não quer dizer que exercício seja um tipo de tratamento ou que substitua terapias oncológicas. O próprio estudo deixa claro que estamos falando de um modelo experimental, feito em células, a partir de um estímulo agudo de exercício.

Ainda assim, os achados ajudam a iluminar um mecanismo plausível por trás de algo que já é observável na prática clínica e epidemiológica.

Impacto comprovado na saúde mental Os benefícios psicológicos também são mensuráveis. Um estudo da Harvard Medical School aponta que exercícios aeróbicos regulares reduzem sintomas de ansiedade e depressão, com eficácia comparável a intervenções medicamentosas leves em alguns casos.

Além disso, pesquisa publicada no JAMA Psychiatry indicou que indivíduos fisicamente ativos apresentam até 26% menos risco de desenvolver depressão ao longo da vida.

A explicação está na liberação de neurotransmissores como endorfina, dopamina e serotonina, associados à sensação de bem-estar.

A corrida de rua vai além de uma tendência esportiva. A prática regular está associada a uma condição de vida melhor, mais saudável, com baixo custo e fácil acesso. Correr se consolida como uma das estratégias mais eficazes e democráticas para promoção de saúde integral.

Corrida Folha Para comemorar 105 anos de história, jornalismo e conexão com a cidade, a Folha de S.Paulo anuncia a Corrida 105 anos da Folha, que acontecerá no dia 29 de março de 2026, com largada no Vale do Anhangabaú, no Centro Histórico de São Paulo.

A corrida ocorrerá em três modalidades, feita para aqueles que já são experientes no esporte e aqueles que estão iniciando.

3 km de caminhada

5 km de corrida

10 km de corrida.

R7 Conteúdo e Marca

Foto: Reprodução/Freepik/rawpixel.com

O Brasil registrou 88 casos confirmados do vírus Mpox, com a maioria sendo no estado de São Paulo, que desde janeiro contabiliza 62 casos. Os outros registros aparecem no Rio de Janeiro (15), em Rondônia (4), em Minas Gerais (3), no Rio Grande do Sul (2), no Paraná (1) e no Distrito Federal (1). Os quadros leves a moderados predominam e não há óbitos. Em 2025, foram registrados no país 1.079 casos e 2 óbitos. Os dados são do Ministério da Saúde.

O que é Mpox e quais são os sintomas? Causada pelo vírus Monkeypox, a doença tem seu contágio por meio de contato pessoal próximo com lesões na pele, fluidos corporais, sangue ou mucosas de pessoas infectadas. O sintoma mais comum da doença é a erupção na pele, semelhante a bolhas ou feridas, que pode durar de duas a quatro semanas. O quadro pode incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. A erupção cutânea pode afetar o rosto, as palmas das mãos, as solas dos pés, a virilha, as regiões genitais e/ou anal.

Como a Mpox é transmitida? O vírus se espalha de pessoa para pessoa por meio do contato próximo com alguém infectado, incluindo falar ou respirar próximos uns dos outros, o que pode gerar gotículas ou aerossóis de curto alcance; contato pele com pele, como toque ou sexo vaginal/anal; contato boca com boca; ou contato boca e pele, como no sexo oral ou mesmo o beijo na pele.

O compartilhamento de objetos recentemente contaminados com fluidos ou materiais de lesões infectantes também podem transmitir a doença.

Em quanto tempo a doença se manifesta? O intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus até o início dos sinais e sintomas da Mpox (período de incubação) é tipicamente de 3 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias.

Ao notar os sintomas, é preciso procurar uma unidade de saúde para fazer o exame laboratorial, que é a única forma de confirmação. O diagnóstico complementar deve ser realizado considerando as seguintes doenças: varicela zoster, herpes zoster, herpes simples, infecções bacterianas da pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancróide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso, reação alérgica e quaisquer outras causas de erupção cutânea papular ou vesicular.

“Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir isolamento imediato, não compartilhar objetos e material de uso pessoal, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres, até o término do período de transmissão”, orienta o Ministério da Saúde.

Qual é o tratamento? O tratamento consiste no alívio dos sintomas, na prevenção, no manejo das complicações e em evitar sequelas. A maioria dos casos apresenta sinais e sintomas leves e moderados. Não há medicamento aprovado especificamente para Mpox.

A prevenção consiste em evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Caso seja necessário ter contato, a recomendação é a de utilizar luvas, máscaras, avental e óculos de proteção.

Também é recomendado lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel frequentemente. As medidas de higiene são especialmente importantes após o contato com a pessoa infectada, suas roupas, lençóis, toalhas e outros itens ou superfícies que possam ter entrado em contato com as erupções e lesões da pele ou secreções respiratórias.

“Lave as roupas de cama, roupas, toalhas, lençóis, talheres e objetos pessoais da pessoa com água morna e detergente. Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descarte os resíduos contaminados (por exemplo, curativos) de forma adequada”, alerta o Ministério.

Mpox pode matar? Na maioria dos casos, os sintomas da doença desaparecem sozinhos em poucas semanas. Mas, em algumas pessoas, o vírus pode provocar complicações médicas e mesmo a morte. Recém-nascidos, crianças e pessoas com imunodepressão pré-existente correm maior risco de sintomas mais graves e de morte pela infecção.

Quadros graves causados pela Mpox podem incluir lesões maiores e mais disseminadas (especialmente na boca, nos olhos e em órgãos genitais), infecções bacterianas secundárias de pele ou infecções sanguíneas e pulmonares. As complicações se manifestam ainda por meio de infecção bacteriana grave causada pelas lesões de pele, encefalite, miocardite ou pneumonia, além de problemas oculares.

Pacientes com Mpox grave podem precisar de internação, cuidados intensivos e medicamentos antivirais para reduzir a gravidade das lesões e encurtar o tempo de recuperação. Dados disponíveis mostram que entre 0,1% e 10% das pessoas infectadas pelo vírus morreram, sendo que as taxas de mortalidade podem divergir por conta de fatores como acesso a cuidados em saúde e imunossupressão subjacente.

São Paulo Apesar dos números apresentados pelo governo federal, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP) afirma que o número de casos no estado é de 50. A capital paulista é a cidade com maior número de casos: 31. Campinas, Paulínia, Sumaré, Hortolândia, Sorocaba, Várzea Paulista, Araquaquara, Osasco, Cotia, Jandira, Serrana, Arujá, Santos, Guarulhos e Pradópolis registram um caso. Em Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes, são dois em cada. No ano passado, em janeiro foram registrados 79 casos e em fevereiro 47 casos, totalizando, 126 casos nos dois primeiros meses do ano.

Agência Brasil