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Manter um horário regular de sono, deitando por volta das 23h e acordando entre 6h e 7h, está associado a uma vida mais longa e com menos doenças. Pesquisas recentes mostram que não se trata apenas de dormir uma quantidade suficiente de horas, mas de respeitar uma janela de sono consistente que esteja alinhada ao ciclo natural do corpo. Quem mantém esse padrão garante entre 7 e 8 horas de descanso, exatamente a faixa que a ciência aponta como ideal para proteger o coração, o cérebro e o metabolismo.

Como o ritmo circadiano influencia a longevidade? O corpo humano funciona com um relógio biológico interno que regula a produção de hormônios, a temperatura corporal, o metabolismo e até a regeneração celular. Esse ciclo, chamado de ritmo circadiano, segue um padrão de aproximadamente 24 horas e é fortemente influenciado pela luz natural. Quando a pessoa dorme e acorda em horários regulares, esse relógio funciona de maneira sincronizada, favorecendo todos os processos fisiológicos essenciais para a saúde.

Deitar por volta das 23h respeita o momento em que o corpo naturalmente começa a produzir melatonina, o hormônio que prepara o organismo para o sono profundo. Acordar entre 6h e 7h coincide com o aumento natural do cortisol, que sinaliza o estado de alerta e energia. Esse alinhamento protege o sistema cardiovascular, fortalece a imunidade e reduz processos inflamatórios que aceleram o envelhecimento.

Estudo prospectivo mostra que a regularidade do sono é mais importante que a duração A importância de manter horários fixos para dormir e acordar ganhou respaldo científico significativo nos últimos anos. Segundo o estudo prospectivo Sleep regularity is a stronger predictor of mortality risk than sleep duration: A prospective cohort study, publicado no periódico Sleep em 2024, a regularidade do sono é um preditor mais forte de risco de morte do que a própria duração do sono.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Monash e do Brigham and Women’s Hospital, analisou dados objetivos de acelerômetros de mais de 60 mil participantes do UK Biobank. Os resultados revelaram que as pessoas com os padrões de sono mais regulares tinham risco significativamente menor de morte por todas as causas, incluindo doenças cardiovasculares e câncer, em comparação com aquelas que dormiam e acordavam em horários irregulares, independentemente de quantas horas dormiam por noite.

O que acontece com o corpo quando você mantém esse horário de sono? Dormir entre 23h e 6h-7h de forma consistente desencadeia uma série de benefícios que se acumulam ao longo dos anos e protegem a saúde de forma abrangente:

PROTEÇÃO CARDIOVASCULAR

A pressão e a frequência cardíaca diminuem naturalmente, reduzindo o desgaste do coração.

CONTROLE METABÓLICO

Regula hormônios da fome e melhora a sensibilidade à insulina.

MEMÓRIA E CÉREBRO

O sono profundo consolida memórias e ajuda a eliminar resíduos tóxicos do cérebro.

IMUNIDADE Aumenta a produção de células de defesa e reduz inflamações crônicas.

EQUILÍBRIO EMOCIONAL

A regularidade do sono está ligada a menor ansiedade e risco de depressão.

Hábitos que ajudam a manter a regularidade do sono Transformar o horário de dormir e acordar em uma rotina estável exige pequenas mudanças que, com o tempo, se tornam automáticas. Algumas práticas recomendadas por especialistas em sono facilitam essa adaptação:

Mantenha os mesmos horários nos fins de semana — variações maiores que uma hora entre dias úteis e finais de semana desregulam o ritmo circadiano Reduza a exposição a telas pelo menos uma hora antes de dormir — a luz azul dos celulares e computadores inibe a produção de melatonina Exponha-se à luz natural logo ao acordar — a luz da manhã é o principal sinal para calibrar o relógio biológico Evite cafeína após as 14h — o efeito estimulante pode permanecer no organismo por até 8 horas e prejudicar o início do sono Quando a dificuldade em manter o sono regular exige atenção médica? Se mesmo seguindo uma rotina consistente você sente dificuldade para pegar no sono, acorda diversas vezes durante a noite ou se sente cansado ao longo do dia, pode haver um problema de saúde por trás dessas queixas. Condições como apneia do sono, insônia crônica e distúrbios do ritmo circadiano afetam milhões de pessoas e muitas vezes passam despercebidas.

Nessas situações, é fundamental procurar um médico especialista em sono para uma avaliação individualizada. Somente um profissional poderá identificar a causa da dificuldade e indicar o tratamento adequado, garantindo que o sono cumpra plenamente seu papel protetor na saúde e na longevidade.

Tua Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento da hemofilia no Brasil. O produto, chamado Qfitlia (fitusirana sódica), poderá ser usado para prevenir ou reduzir episódios de sangramento em pacientes com hemofilia A ou B, com ou sem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX.

hemofilia

O medicamento é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos e teve análise priorizada pela agência por se tratar de uma doença rara, conforme previsto na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 205/2017.

O registro foi concedido à farmacêutica Sanofi Medley e publicado no Diário Oficial da União.

Segundo a Anvisa, o medicamento poderá ser utilizado tanto na prevenção quanto na redução de episódios hemorrágicos, um dos principais problemas enfrentados por pessoas com hemofilia.

O que é a hemofilia A hemofilia é uma doença genética rara que compromete a coagulação do sangue. Pessoas com a condição têm deficiência de proteínas chamadas fatores de coagulação, essenciais para interromper sangramentos.

Quando ocorre um corte ou lesão, o organismo normalmente inicia um processo em cadeia para estancar o sangue. Primeiro, as plaquetas formam um tampão inicial. Em seguida, entram em ação os fatores de coagulação, que reforçam esse bloqueio até que o tecido cicatrize.

Nos pacientes com hemofilia, esse processo é interrompido.

“A coagulação acontece em cascata, em que um fator depende do outro. Quando o paciente não tem esses fatores disponíveis, ele não consegue produzir o coágulo. O processo de estancar o sangue começa, mas não termina”, explica Martha Arruda, hematologista do Hospital Sírio-Libanês. Existem dois tipos principais da doença:

Hemofilia A, causada pela deficiência do fator VIII, uma proteína do sangue essencial para formar coágulos e interromper sangramentos. É a forma mais comum da doença e representa cerca de 80% dos casos. Hemofilia B, associada à falta do fator IX, outra proteína que participa do mesmo processo de coagulação. Na prática, os sintomas das duas formas são semelhantes –como sangramentos prolongados ou hemorragias internas–, mas a diferença é importante porque cada tipo exige um tratamento específico, voltado à reposição do fator de coagulação que está ausente no organismo.

A hemofilia é causada por uma mutação genética localizada no cromossomo X. Como os homens têm apenas um cromossomo X, quando ele carrega a alteração a doença se manifesta. Já as mulheres têm dois cromossomos X e, na maioria dos casos, apenas carregam o gene alterado sem desenvolver a doença, podendo transmiti-lo aos filhos.

Sangramentos podem ocorrer sem trauma A gravidade da hemofilia varia conforme a quantidade de fator de coagulação presente no sangue.

Pessoas com quadros mais graves podem ter sangramentos espontâneos, sem trauma aparente. Em casos mais leves, as hemorragias costumam ocorrer após quedas, cortes ou cirurgias.

Além dos ferimentos visíveis, o problema também pode ocorrer dentro das articulações, algo comum no dia a dia.

“Enquanto nos movimentamos, o corpo sofre pequenas lesões internas que normalmente são estancadas automaticamente. Nos hemofílicos isso não acontece, e o sangramento pode comprometer as articulações”, explica Arruda. Esses episódios repetidos podem provocar dor crônica, inflamação e danos permanentes nas articulações, podendo levar até a limitações de movimento.

Em muitos casos, o diagnóstico ocorre ainda na infância, quando pais ou médicos percebem que quedas leves provocam hematomas grandes ou inchaços incomuns.

A confirmação é feita por exames de sangue, que identificam a deficiência nos fatores de coagulação.

Quantas pessoas vivem com hemofilia no Brasil Dados do Perfil de Coagulopatias, divulgado pelo Ministério da Saúde em 2024, indicam que o Brasil tem 14.202 pessoas diagnosticadas com hemofilia.

Desse total:

11.863 vivem com hemofilia A. 2.339 têm hemofilia B. O tratamento tradicional consiste na reposição do fator de coagulação que está ausente no organismo, geralmente por meio de infusões venosas.

Novas terapias, como anticorpos monoclonais e medicamentos de ação prolongada, vêm sendo desenvolvidas para reduzir a frequência de aplicações e prevenir sangramentos, ampliando as opções terapêuticas para pacientes com a doença.

G1

Foto: Freepik

Ter um sorriso radiante é o desejo de quase todos, mas é frustrante perceber que, mesmo com a escovação em dia, os dentes podem ganhar aquele tom amarelado persistente. Entender que causa os dentes amarelados não é apenas uma questão de estética, mas um reflexo dos seus hábitos e da estrutura interna dos seus dentes, é o primeiro passo para recuperar a confiança ao sorrir e adotar cuidados que realmente funcionam.

Por que ficamos com os dentes amarelados? A ciência nos mostra que o amarelamento ocorre por dois processos distintos: o manchamento extrínseco (na superfície) e o intrínseco (dentro do dente). Especialistas explicam que, com o passar dos anos, o esmalte, a camada externa branca, sofre desgaste, revelando a dentina, que possui uma coloração naturalmente mais amarela.

De acordo com evidências do estudo “Clareamento dental: o que sabemos agora”, as causas mais frequentes para essa mudança de cor incluem:

Alimentação cromogênica: Consumo frequente de café, chás pretos, vinhos tintos e refrigerantes de cola. Tabagismo: A nicotina e o alcatrão aderem ao esmalte, criando manchas amareladas ou acastanhadas profundas. Acúmulo de placa e tártaro: A falta de higiene adequada permite que colônias bacterianas endureçam e escureçam. Envelhecimento natural: O desgaste fisiológico do esmalte torna a dentina subjacente mais visível. Uso de medicamentos: O uso de antibióticos como a tetraciclina durante a formação dos dentes pode causar manchas. Traumas dentários: Pancadas que afetam a polpa do dente podem escurecer a estrutura de dentro para fora. Excesso de flúor (Fluorose): Quando consumido em excesso na infância, pode gerar manchas e alterações na cor.

Como o esmalte dentário é afetado? Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) explicam que a erosão ácida causada por sucos cítricos e refrigerantes é um dos maiores vilões da brancura dental moderna. A ciência nos mostra que a desmineralização do esmalte cria porosidades onde os pigmentos dos alimentos se alojam com muito mais facilidade, acelerando o processo de manchamento.

Evidências do guia de Saúde Bucal do Ministério da Saúde confirmam que a saliva atua como um protetor natural, ajudando na remineralização. No entanto, se o pH da boca permanece ácido por muito tempo devido à dieta, o esmalte perde a batalha, tornando o sorriso visualmente opaco e mais sensível a estímulos térmicos.

Quais são os tratamentos profissionais indicados? Para quem busca reverter o tom amarelado, a ciência avançou para oferecer métodos seguros que preservam a integridade dos dentes sob supervisão clínica. Especialistas explicam que o clareamento profissional, seja de consultório ou caseiro supervisionado, utiliza peróxidos que penetram no dente para quebrar as moléculas de pigmento acumuladas.

As opções mais eficazes e seguras para recuperar a cor original são:

Consultório Géis de alta concentração e luz para resultados imediatos.

Caseiro Moldeiras personalizadas e gel suave por algumas semanas.

Profilaxia Limpeza técnica que remove manchas e tártaro acumulado.

Facetas Resina ou porcelana para casos que não clareiam com gel.

Microabrasão Remoção mecânica de manchas brancas ou localizadas.

Como prevenir dentes amarelados no dia a dia? A ciência nos mostra que pequenos ajustes na rotina podem retardar significativamente o desgaste do esmalte e o acúmulo de manchas externas. Especialistas recomendam o uso de canudos para bebidas pigmentadas e o bochecho com água logo após o consumo de alimentos ácidos para neutralizar o ambiente bucal.

Evidências das diretrizes de Prevenção Bucal indicam que a escovação deve ocorrer cerca de 30 minutos após as refeições, especialmente as ácidas, para não desgastar o esmalte fragilizado. Além disso, o uso de fios dentais e escovas de cerdas macias garante a remoção da placa sem agredir a superfície protetora dos seus dentes.

Qual é o momento de consultar um dentista? Se você notou que o amarelamento surgiu de forma súbita em apenas um dente ou se está acompanhado de dor e sensibilidade, é fundamental buscar uma avaliação. Muitas vezes, o tom amarelo pode ser apenas a “ponta do iceberg” de problemas maiores, como a exposição da raiz ou o início de processos inflamatórios na gengiva.

Investir na saúde bucal é, acima de tudo, cuidar da sua saúde sistêmica, prevenindo desde cáries até problemas periodontais que afetam o organismo como um todo. Um sorriso saudável é o resultado de uma parceria entre bons hábitos domésticos e o suporte técnico de profissionais que garantem a segurança do seu tratamento.

O acompanhamento com um médico é fundamental para um diagnóstico preciso e tratamento seguro.

Tua Saúde 

Cientistas descobriram um fenômeno até então desconhecido no corpo humano: estruturas do sistema imune conseguem invadir o núcleo de tecidos em colapso e extrair seu DNA. Esse material genético, uma vez internalizado, ativa um poderoso alarme inflamatório.

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O mecanismo foi descrito por pesquisadores em estudo publicado na revista científica Nature Communications. Os autores deram um nome ao processo: nucleocitose.

A descoberta ajuda a explicar como o próprio DNA do corpo pode desencadear inflamação —algo que intriga a ciência há anos, especialmente em doenças autoimunes.

O que os cientistas descobriram Até hoje, os cientistas sabiam que o sistema imune tem sensores capazes de identificar DNA estranho dentro das células, como o material genético de um vírus. Quando isso acontece, a célula entende que está sob ataque e aciona um mecanismo de defesa. Esse mecanismo leva à produção de interferon, uma substância que funciona como um sinal de alerta e ajuda o corpo a combater infecções.

A dúvida era outra: como o DNA do próprio corpo —liberado quando uma estrutura está morrendo— poderia ativar esse mesmo alarme?

O estudo mostrou que os macrófagos, um tipo de célula de defesa, fazem algo inesperado. Em vez de apenas engolir restos celulares, eles podem estender estruturas parecidas com “braços” e alcançar diretamente o núcleo da estrutura em colapso. Ali, retiram fragmentos de DNA.

Uma vez dentro do macrófago, esse material genético ativa o mesmo sensor usado para detectar vírus. O resultado é a produção de interferon e o disparo de uma resposta inflamatória.

Não é fagocitose O processo é diferente da fagocitose, mecanismo clássico em que a célula de defesa engole completamente a célula morta.

Na nucleocitose:

A célula imune se conecta ao núcleo da célula moribunda. Estruturas protrusivas penetram no núcleo. O DNA é extraído. A célula de defesa ativa a via inflamatória. Os pesquisadores conseguiram filmar o fenômeno em tempo real. O papel da hidroxicloroquina Outro resultado chamou atenção dos pesquisadores: A hidroxicloroquina —medicamento usado no tratamento de doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide— foi capaz de provocar esse fenômeno em laboratório.

Segundo o estudo, a droga interfere no funcionamento dos lisossomos, estruturas que atuam como o “sistema de reciclagem” da célula. Quando essas estruturas deixam de funcionar adequadamente, a célula entra em colapso e começa a morrer.

Nesse processo, proteínas que normalmente ficam dispersas passam a se acumular no núcleo. Essa alteração parece sinalizar para as células de defesa que há algo errado.

É nesse momento que ocorre a nucleocitose: os macrófagos se conectam ao núcleo da célula moribunda, extraem seu DNA e ativam a via inflamatória.

Os autores sugerem que parte dos efeitos imunológicos da hidroxicloroquina pode estar ligada a esse mecanismo indireto de ativação do interferon.

O que isso pode significar A descoberta pode ter implicações importantes em diferentes doenças porque todas elas envolvem, de alguma forma, ativação inadequada ou exagerada do interferon.

Nas doenças autoimunes, como lúpus, o sistema imune passa a reagir contra componentes do próprio corpo. Em muitos pacientes, médicos detectam uma “assinatura de interferon” —ou seja, níveis elevados de genes ativados por essa molécula inflamatória.

O que nem sempre estava claro era: de onde vinha o estímulo inicial para ativar essa via? A nucleocitose oferece uma hipótese. Se células que estão morrendo liberam DNA e esse material é ativamente extraído por macrófagos, o próprio DNA do paciente pode estar alimentando a inflamação.

Nas inflamações crônicas, como ocorre em algumas doenças intestinais ou pulmonares, há morte celular contínua. Quanto maior o número de células em colapso, maior pode ser a disponibilidade de DNA nuclear para ativar o sistema imune por esse mecanismo.

No câncer, o cenário é ambíguo. A ativação da via do interferon pode ajudar o sistema imune a reconhecer e combater tumores. Por outro lado, inflamação persistente também pode favorecer crescimento tumoral em certos contextos. Entender como o DNA de células tumorais mortas é processado pode ajudar a modular essa resposta.

Já nas infecções virais, o interferon é essencial para conter a replicação do vírus. Se drogas ou processos naturais induzirem nucleocitose, isso pode amplificar a resposta antiviral de forma indireta.

Em várias dessas condições, pesquisadores já observavam essa “assinatura de interferon” —sinais de que a via inflamatória estava ativa —sem compreender exatamente qual era o gatilho inicial. A nucleocitose surge agora como uma possível peça desse quebra-cabeça.

Um novo capítulo na imunologia O DNA não consegue atravessar livremente a membrana celular. Por isso, sempre foi um desafio entender como o material genético liberado por células mortas poderia alcançar sensores internos da célula imune.

O estudo mostra que o processo não é passivo. É ativo, direcionado e envolve reorganização estrutural da célula de defesa.

Ao revelar como o próprio DNA pode ativar o sistema imune, a descoberta abre caminho para novas estratégias terapêuticas —tanto para estimular respostas antivirais quanto para controlar inflamações excessivas.

G1

 Foto: Banco de imagens