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O que parecia ser apenas um vício inofensivo de infância se transformou em um verdadeiro pesadelo para a jovem Gabby Swierzewski, de 21 anos. Acostumada a roer as unhas desde pequena, ela viu uma simples inflamação evoluir para um quadro clínico crítico que quase resultou na perda de seu dedo.

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O drama começou em fevereiro deste ano. Inicialmente, Gabby acreditou estar lidando com uma unha encravada comum, mas o quadro evoluiu rápido. Em menos de 24 horas, o local apresentou um inchaço severo e dor aguda. Mesmo após buscar auxílio médico e iniciar o uso de antibióticos e pomadas, a situação não regrediu. À revista People, a jovem relata que, durante um turno de trabalho, notou que a extremidade do dedo estava escurecendo e a dor se tornava insuportável.

Após tentativas frustradas de drenagem em clínicas especializadas, o caso atingiu o limite no dia 16 de fevereiro. No pronto-socorro, médicos identificaram diversos abscessos, levando a jovem a uma cirurgia de emergência com um especialista em mãos para limpar a área infectada.

O risco de amputação foi real: a equipe médica investigou se a infecção havia atingido o osso, o que exigiria a retirada do membro. Felizmente, após exames laboratoriais realizados no início de março, a possibilidade foi descartada e o quadro foi controlado. Agora, Gabby utiliza suas redes sociais para alertar sobre os perigos biológicos de levar as mãos à boca, transformando seu trauma em um alerta de saúde pública.

R7

Foto: Feed TV - Saúde|Do R7

Nem sempre o corpo apresenta sinais claros de que algo está errado. Algumas doenças podem evoluir por anos de forma silenciosa, sem provocar sintomas evidentes.

Esse é um dos principais desafios da medicina preventiva. Quando os sinais aparecem, muitas vezes a condição já está em estágio avançado. Por isso, exames de rotina e acompanhamento médico são fundamentais para detectar alterações precocemente.

Veja cinco doenças que podem evoluir de forma silenciosa.

  1. Hipertensão arterial A pressão alta é uma das doenças silenciosas mais comuns.

Muitas pessoas convivem com níveis elevados de pressão por anos sem perceber. Quando não tratada, a hipertensão pode aumentar o risco de infarto, AVC e insuficiência renal.

Por esse motivo, medir a pressão regularmente é uma medida importante de prevenção.

  1. Diabetes tipo 2 O diabetes tipo 2 também pode se desenvolver sem sintomas claros no início.

A doença está relacionada ao aumento da glicose no sangue e pode provocar complicações cardiovasculares, renais e neurológicas ao longo do tempo.

Sinais como sede excessiva, cansaço e visão embaçada costumam aparecer apenas em estágios mais avançados.

  1. Doença renal crônica A doença renal crônica é outro exemplo de condição silenciosa.

Os rins podem perder parte da sua função sem causar sintomas evidentes. Em muitos casos, o problema só é identificado quando a função renal já está bastante comprometida.

Exames de sangue e urina ajudam a detectar alterações precocemente.

  1. Osteoporose A osteoporose enfraquece os ossos gradualmente.

Como a perda de massa óssea ocorre de forma lenta, a doença geralmente só é descoberta após fraturas ou dores mais intensas.

Mulheres após a menopausa e idosos têm maior risco de desenvolver a condição.

  1. Câncer de fígado Alguns tipos de câncer também podem evoluir silenciosamente, como o câncer de fígado.

Nos estágios iniciais, a doença pode não provocar sintomas específicos. Quando sinais como dor abdominal, perda de peso e fadiga aparecem, o tumor pode já estar avançado.

Importância da prevenção Embora algumas doenças evoluam sem sintomas, exames de rotina ajudam a identificar alterações antes que se tornem graves.

Check-ups regulares, hábitos saudáveis e acompanhamento médico são estratégias essenciais para detectar problemas precocemente e proteger a saúde ao longo da vida.

Saúde em Dia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o risco raro de inflamação e danos ao fígado associados ao uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma —também conhecida como açafrão.

A decisão foi tomada após avaliações internacionais identificarem casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminoides, especialmente em cápsulas ou extratos concentrados.

Segundo a agência, o problema está ligado principalmente a formulações desenvolvidas para aumentar a absorção da curcumina —principal composto ativo da cúrcuma— fazendo com que o organismo receba doses muito maiores do que aquelas obtidas no consumo alimentar.

Autoridades regulatórias de países como Itália, Austrália, Canadá e França já haviam emitido alertas semelhantes após registrarem casos de problemas hepáticos associados ao consumo desses suplementos.

Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho (ANSES, na sigla em francês) identificou dezenas de relatos de efeitos adversos ligados ao consumo de suplementos contendo cúrcuma ou curcumina, incluindo episódios de hepatite.

Doses elevadas e uso sem orientação De acordo com Pedro Bertevello, cirurgião do aparelho digestivo da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, os casos de lesão hepática tendem a ocorrer principalmente quando os produtos são usados em doses altas ou sem orientação médica.

Segundo ele, muitas pessoas acreditam que suplementos naturais são totalmente seguros e acabam aumentando a quantidade por conta própria.

“Existem doses consideradas seguras para o uso dessas substâncias. O problema é que muitas pessoas tentam potencializar os efeitos e acabam consumindo quantidades muito maiores do que o necessário”, afirma. O médico explica que a falta de padronização na concentração dos produtos também pode contribuir para o risco.

“Nem sempre há uma regulação clara da concentração dessas substâncias. Muitas pessoas compram suplementos sem conhecer bem a procedência ou a dose real do produto”, diz. Como suplementos de cúrcuma podem afetar o fígado A cúrcuma é uma planta usada há séculos como tempero e também em preparações medicinais. O principal composto ativo é a curcumina, substância com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

No entanto, nos suplementos alimentares a curcumina costuma aparecer em doses muito mais altas do que aquelas consumidas na alimentação. Além disso, muitas formulações incluem substâncias ou tecnologias que aumentam a absorção da curcumina pelo organismo —como a piperina, presente na pimenta-preta.

Isso faz com que uma quantidade muito maior do composto seja metabolizada pelo fígado, órgão responsável por processar e eliminar diversas substâncias presentes no sangue.

Em algumas pessoas, esse processo pode desencadear uma reação inflamatória nas células hepáticas, levando a um quadro conhecido como hepatite medicamentosa —um tipo de lesão hepática induzida por substâncias químicas ou medicamentos.

Segundo Bertevello, o risco costuma estar associado ao uso de doses elevadas ou à combinação com outros medicamentos.

“Quando investigamos melhor esses casos, muitas vezes encontramos pessoas que usam várias substâncias ao mesmo tempo ou que aumentam a dose por conta própria, acreditando que por ser natural não haverá efeitos no organismo”, afirma. Ele destaca que essas reações são consideradas raras, mas podem ocorrer principalmente em pessoas que usam doses muito altas, produtos de procedência desconhecida ou combinações com outros medicamentos que sobrecarregam o fígado.

Uso culinário não oferece risco A Anvisa destaca que o alerta não se aplica ao uso da cúrcuma na alimentação.

O pó utilizado na culinária —comum em temperos e pratos como curries— é considerado seguro, já que as quantidades consumidas na dieta são muito menores do que as presentes em suplementos concentrados.

Sintomas que podem indicar problema no fígado A agência orienta que usuários desses produtos procurem avaliação médica caso apresentem sinais compatíveis com possível lesão hepática, como:

Pele ou olhos amarelados (icterícia); urina escura; cansaço intenso sem causa aparente; náuseas ou dor abdominal. A recomendação é interromper imediatamente o uso e procurar atendimento de saúde caso esses sintomas apareçam.

Eventos adversos podem ser comunicados aos sistemas de monitoramento da Anvisa: o VigiMed, voltado para medicamentos, e o e-Notivisa, utilizado para registrar problemas relacionados a suplementos e outros produtos.

Medidas adotadas pela Anvisa Como medida preventiva, a agência determinou a atualização das bulas de medicamentos que contêm cúrcuma, incluindo avisos de segurança.

Entre eles estão os produtos Motore e Cumiah.

No caso dos suplementos alimentares, a Anvisa informou que abrirá um processo de reavaliação do uso dessas substâncias, além de exigir a inclusão de advertências obrigatórias sobre possíveis efeitos adversos nos rótulos.

G1

A inteligência artificial pode ser utilizada para prever o risco de doenças cardiovasculares em mulheres a partir de análises de mamografias.

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Isso é o que aponta um novo estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia publicado na revista científica "European Heart Journal".

Segundo a pesquisa, a IA consegue avaliar o acúmulo de depósitos de cálcio nas artérias da mama a partir dos exames de raio-x, muito utilizados para o rastreamento de câncer.

A calcificação arterial das mamas costuma ser identificada em mamografias de rotina e não tem relação com tumores. Mas, diversos estudos mostram a associação da calcificação com fatores de risco cardiovascular e futuro desenvolvimento de doenças cardíacas.

De acordo com os pesquisadores, o uso de IA pode ajudar a reduzir o número de mulheres com doença cardiovascular não diagnosticada e não tratada.

Hari Trivedi, pesquisador da Emory University e líder do estudo, explica que a detecção do depósito de cálcio por meio da mamografia já era conhecida, mas o grupo queria entender como usar esses dados para contribuir em um diagnóstico precoce de doenças cardíacas.

"Queríamos testar se a IA poderia usar essas informações para identificar mulheres em risco de doença cardiovascular, sem custo ou inconveniência adicional", afirma o pesquisador. Calcificação das artérias e risco cardíaco

O estudo contou com a participação de 123.762 mulheres que participaram do rastreamento mamográfico e não tinham doença cardiovascular conhecida.

Os pesquisadores utilizaram IA para analisar a quantidade de depósitos de cálcio nas artérias do tecido mamário. A quantidade de calcificação foi classificada como grande, moderada, leve ou ausente.

A categorização foi comparada posteriormente com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares graves, como AVC e infarto, e com dados de morte por doença cardiovascular.

Os resultados apontaram diferentes níveis de risco, a depender do estágio de calcificação:

Mulheres com calcificação leve - 30% mais probabilidade de sofrer um evento cardiovascular grave. Mulheres com calcificação moderada - 70% mais risco de sofrer um evento cardiovascular grave. Mulheres com calcificação grande - duas a três vezes mais chance de sofrer um evento cardiovascular grave.

"Descobrimos que quanto mais cálcio visível nas artérias da mama em uma mamografia, maior o risco de a mulher sofrer um evento cardíaco grave, como infarto, AVC ou insuficiência cardíaca", explica Trivedi. Ele ainda pontua que esse efeito foi observado inclusive em mulheres mais jovens, com menos de 50 anos, grupo considerado de baixo risco. A tendência permaneceu mesmo quando considerados outros fatores de risco, como diabetes e tabagismo.

Diagnóstico precoce A técnica pode ser uma importante aliada no diagnóstico precoce de problemas cardiovasculares em mulheres, a partir de um exame que já é feito rotineiramente com outro propósito.

Segundo os pesquisadores, o método oferece uma maneira prática de identificar mulheres em risco cardiovascular que atualmente passam despercebidas.

Para que seja inserido nos meios de diagnóstico, é necessário integrar a ferramenta de IA aos fluxos de trabalho de imagem que já existem e estabelecer meios de notificação de pacientes e médicos.

Além disso, o grupo planeja realizar um ensaio clínico para testar novas etapas envolvendo a tecnologia.

G1

Foto: Ascom Sesapi