A maior parte dos pacientes que se recuperaram da Covid-19 desenvolveu algum tipo de imunidade contra o coronavírus, no entanto, os idosos foram os mais propensos a uma reinfecção, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (17) pela revista científica "The Lancet".

Pesquisadores do Statens Serum Institut, de Copenhague, acompanharam mais de 4 milhões pessoas na Dinamarca por cerca de um ano. Todos eles, com suspeita de Covid-19, foram submetidos a testes do tipo RT-PCR para o diagnóstico da doença.

Os cientistas usaram, para este levantamento, os dados do programa de testagem e rastreio do governo dinamarquês, que alcançou no ano passado mais de dois terços da população do país escandinavo – que tem quase seis milhões de habitantes.

Entre aqueles que já haviam se infectado uma vez – cerca de 110 mil pessoas –, 72 (ou 0,65%) voltaram a pegar a doença durante uma segunda onda. É o que diz o artigo Assessment of protection against reinfection with SARS-CoV-2 among 4 million PCR-tested individuals in Denmark in 2020: a population-level observational study.

O número é pequeno, mas chamou a atenção dos cientistas por atingir diretamente um dos grupos de maior risco de complicações para o coronavírus: idosos acima dos 65 anos.

"Nossas descobertas destacam a importância de se implementar medidas para proteger a população mais idosa por meio de vacinas e distanciamento, mesmo naqueles que já tenham se infectado uma vez", disse Steen Ethelberg, pesquisador do Staten Serum Institut. Enquanto os mais jovens (de zero a 64 anos) apresentaram uma taxa de proteção de cerca de 80% para novas infecções, em pacientes com 65 anos ou mais, essa proteção despencou para 47%.

Seis meses de proteção Segundo o estudo, a proteção natural foi percebida nos pacientes por pelo menos seis meses após a primeira infecção. No entanto, o artigo ressalta que esse tipo de proteção não é uma medida confiável para controlar a pandemia e que a vacinação e o distanciamento social não podem ser deixados de lado.

Uma das autoras do estudo, Daniela Michlmayr, disse em nota que não foi observada nenhuma tendência de queda da imunidade em um período inferior a seis meses depois da infecção – o que pode indicar uma proteção mais duradoura.

"Parece muito com o Sars e o Mers, que mostram uma imunidade de cerca de três anos, mas ainda é preciso de estudos e análises de longo prazo para entender melhor essa relação", disse Michlmayr.

 

G1

Um estudo publicado na 2ª feira (15.mar.2021) indica que tanto a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca quanto a desenvolvida pela Pfizer foram capazes de neutralizar a variante brasileira do coronavírus, conhecida como P.1. identificada no Amazonas.

A pesquisa, disponível no BioRxiv, foi realizada por pesquisadores de Oxford e da Fiocruz Amazônia.

Os cientistas analisaram amostras de soro de 25 pessoas que receberam a vacina de Oxford e de 25 que receberam a da Pfizer. Avaliaram 3 cenários: anticorpos induzidos pela vacina, anticorpos produzidos por quem já teve a doença e os chamados anticorpos monoclonais. Nos 2 primeiros, o resultado foi mais positivo.

Houve perda de neutralização na comparação com as cepas mais comuns, mas o efeito das vacinas em relação à P.1. não ficou comprometido.

Também em relação à variante britânica do coronavírus, conhecida como B.1.1.17, as vacinas conseguiram neutralizar a cepa.

 

Poder 360

vacinbutantanO Instituto Butantan e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acompanharam, na manhã desta quarta-feira (17), a liberação de mais 2 milhões de doses da CoronaVac para o PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Ministério da Saúde. Na segunda-feira (15), foram liberadas 3,3 milhões de vacinas, totalizando mais de 5 milhões de doses entregues nesta semana. Com o novo carregamento, o total de vacinas disponibilizadas pelo Butantan ao PNI chega a 22,6 milhões de doses desde o início das entregas, em 17 de janeiro. "Volto a repetir que o Brasil precisa de mais vacinas em larga escala", afirmou Doria durante a entrega do novo lote. Em março, o Butantan disponibilizou 9,1 milhões de vacinas em cinco remessas para a imunização contra o coronavírus em todo país. O quantitativo é superior a todo o mês de fevereiro, quando foram entregues 4,85 milhões de doses.

Até o final de abril, o número de vacinas do Butantan somará 46 milhões. O instituto trabalha para entregar outras 54 milhões de doses para vacinação dos brasileiros até 30 de agosto, totalizando 100 milhões de unidades. No dia 4 de março, uma remessa de 8,2 mil litros de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), correspondente a cerca de 14 milhões de doses, desembarcou em São Paulo para produção local. Outros 11 mil litros de insumos enviados pela biofarmacêutica Sinovac, parceira internacional no desenvolvimento do imunizante, haviam chegado ao país em fevereiro.

Com a chegada da matéria-prima, o Butantan formou uma força-tarefa para acelerar a produção de doses da vacina para todo o país. Uma das medidas foi dobrar o quadro de funcionários na linha de envase para atender a demanda urgente por imunizantes contra o coronavírus.

 

R7

Foto: gov de SP

O novo coronavírus apareceu há pouco mais de um ano, mas já levou à morte pelo menos 2,6 milhões de pessoas no mundo. A ciência ainda não sabe tudo sobre o SARS-CoV-2, mas já tem o conhecimento que ele sofre mutações uma vez a cada duas semanas. Ele é mais lento que o vírus de gripe comum ou o HIV, mas é rápido o suficiente para exigir aplicação de vacinas ajustadas como reforço.

De acordo com Sharon Peacock, chefe do centro de estudos sobre o Genoma da Covid-19 (COG-UK), do Wellcome Sanger Institute, a cooperação internacional vai ser necessária na batalha "gato e rato" contra o vírus. "Sempre deveremos ter doses de reforço. A imunidade frente ao coronavírus não dura para sempre. Então, sabemos que haverá novas ondas de infecção ao longo do tempo", disse Peacock. O trabalho de cientistas e pesquisadores será tentar se antecipar ao vírus, a partir do estudo da sua evolução, e criar imunizantes que combatam as novas variantes. "Já estamos ajustando as vacinas para lidar com o que o vírus está fazendo em termos de evolução - então existem variantes que têm uma combinação de maior transmissibilidade e uma capacidade de evitar parcialmente nossa resposta imune", disse ela.

O Wellcome Sanger Institute sequenciou dois terços do total de genomas no Reino Unido, após processar 19 milhões de amostras de testes PCR em um ano. Cog-UK está sequenciando cerca de 30 mil genomas por semana - mais do que o Reino Unido costumava fazer em um ano.

As três variantes principais do coronavírus - a britânica (conhecida como B.1.1.7), a amazônica (conhecida como P.1) e a sul-africana (conhecido como B.1.351) - estão sendo estudadas detalhadamente por Peacock. A maior preocupação da cientista é com a mutação da África do Sul.

"É a mais transmissível, mas também tem uma mudança em uma mutação genética que está associada à imunidade reduzida. Então a imunidade de vacinas e de quem já teve a doença é reduzida contra essa cepa", explica Peacock.

 

Reuters