Quando vamos ao mercado, é possível encontrar uma grande quantidade de produtos alimentícios para bebês. Entre eles, está a papinha industrializada. Os rótulos mostram que o consumo é saudável, e até menores de seis meses podem comer. Mas segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria dessas mercadorias contém níveis inapropriados de açúcar.

Bebês menores de seis meses devem consumir apenas leite materno. Portanto, qualquer produto comercializado para essa faixa etária é enganoso.

Quando os pequenos são expostos a grandes quantidades de açúcar logo cedo, o risco de adquirir sobrepeso e cáries aumenta drasticamente.

A OMS também alerta que o consumo precoce pode fazer as crianças terem uma preferência por alimentos açucarados para o resto da vida, acarretando em doenças como o diabetes.

Como o estudo foi feito

Entre novembro de 2017 a janeiro de 2018, o departamento europeu da OMS analisou quase 8.000 produtos de mais de 500 lojas pela Europa. Foi descoberto que a maioria deles continha rótulos enganosos, pois eram vendidos como saudáveis para menores de seis meses, e ao mesmo tempo continham ingredientes proibidos para esse público.

"Em quase metade das mercadorias examinadas, mais de 30% das calorias eram de açúcares totais, e um terço dos produtos continham açúcar adicionado ou outros agentes adoçantes", disseram os responsáveis pelo estudo.


Açúcar, suco de frutas concentrados e adoçantes são ingredientes prejudiciais em alimentos infantis. E de acordo com a organização, 18 a 57% dos produtos analisados continham esses elementos.

Recomendações da OMS

Recentemente, a OMS recomendou que a alimentação de crianças entre seis meses e dois anos seja feita apenas com alimentos ricos em nutrientes, preparados em casa. Açúcares devem ser retirados do cardápio de bebês.

A organização também pede que os rótulos dos produtos infantis sejam atualizados, indicando que o consumo deles não deve ser feito por menores de três anos.

Zsuzsanna Jakab, diretora regional da agência de saúde, alerta que uma boa nutrição durante o período neonatal e a infância é essencial para assegurar um crescimento e desenvolvimento saudável da criança.

 

Minha Vida

 

demenciaEsquecer mais do que deveria, como um acontecimento que ocorreu cinco minutos atrás, se perder em um caminho comum, perder compromissos pelo esquecimento, perder objetos de valor, como documentos e dinheiro, e começar a se atrapalhar na cognição são alguns dos sintomas que merecem atenção, pois podem significar demência, de acordo com o neurologista Custódio Michailowsky, do Centro de Dor e Neurocirurgia do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

"A demência é um transtorno que afeta as habilidades mentais, como a memória, a linguagem e as atividades motoras. Com sua progressão, atividades simples, como se vestir, se tornam em impossíveis", explica.
De acordo com o neurologista, é comum que, aos 65 anos, as pessoas comecem a apresentar um declínio na memória, mas quando esse esquecimento passa a comprometer sua vida, é a hora de procurar um médico.

As demências podem ser causadas por cerca de 140 tipos de doenças. São classificadas como primárias, como o Alzheimer, e secundárias, que podem ser provocadas por traumatismo craniano com longo tempo em coma, carência de vitamina B, hipotireodismo, transtornos na hipófise, diabetes descompensada e sequelas de meningite, segundo Michailowsky.

As demências primárias podem ter sua progressão retardada, mas não podem ser curadas, enquanto as demências secundárias podem ser revertidas a partir do controle do problema desencadeante.


"Geralmente, as pessoas que sofrem com demências não percebem a falta da memória e são levadas ao médico, enquanto aqueles pacientes que reclamam desses problemas, na verdade, podem estar com uma depressão ou problemas de ansiedade", explica o neurologista.

Ele diz que a demência e os transtornos mentais são facilmente confundidos e, para entender qual é o problema, são realizados testes neuropsicológicos.
"Geralmente, as pessoas que sofrem com demências não percebem a falta da memória e são levadas ao médico, enquanto aqueles pacientes que reclamam desses problemas, na verdade, podem estar com uma depressão ou problemas de ansiedade", explica o neurologista.

Ele diz que a demência e os transtornos mentais são facilmente confundidos e, para entender qual é o problema, são realizados testes neuropsicológicos.

Já o esquecimento remoto entre pessoas abaixo dos 60 anos não seriam tão preocupantes. Casos em que a pessoa esquece uma palavra ou conta uma história mais de uma vez podem ocorrer por ansiedade e estresse. Quando ela se acalma, logo lembra a informação que esqueceu.

"Isso é comum hoje porque as pessoas ficam esgotadas psicologicamente e, com a facilidade das informações que podem ser acessadas o tempo todo, o cérebro se cansa", afirma o médico.

Ele ainda lembra que "a máxima" de que o cérebro guarda apenas aquilo que lhe convém é verdade. Assim, guarda as informações que considera úteis e se esquece de outras.

Essas faltas de memória repentinas não precisam estressar aqueles que têm histórico de Alzheimer na família, pois estudos mostram que apesar de essas pessoas terem mais chance de desenvolver o problema, podem nunca desenvolvê-lo, segundo o neurologista.

Para evitar a demência, o médico orienta que sejam praticados exercícios de habilidade de memória, como quebra-cabeças e jogos de memorização, e que trabalhem a cognição.
Já para quem já tem um diagnóstico de demência, para evitar a progressão, Michailowsky afirma que a realização de atividades físicas de baixo impacto, como a caminhada, aulas de música, educação artística e aprendizado de outras línguas, aliadas ao uso de medicamentos, podem ajudar.

 

R7

Foto: Freepik

Não há como fugir das estatísticas: 65% dos pacientes com câncer de estômago têm mais de 50 anos. É o terceiro mais frequente em homens e o quinto entre as mulheres, mas as chances de cura estão em torno de 70% quando é descoberto em estágio inicial. Conversei com o médico Raphael Araújo, cirurgião oncológico do aparelho digestivo e professor do Departamento de Gastroenterologia Cirúrgica na Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que detalhou a relação entre a doença e um estilo de vida pouco saudável. “O câncer de estômago em pacientes jovens está muitas vezes associado à hereditariedade. Para os mais velhos, no entanto, décadas de estilo de vida pouco saudável contam muito, como fumar, beber em excesso e consumir carnes vermelhas e alimentos salgados ou embutidos, por exemplo”, explicou.


A presença da bactéria Helicobacter pylori desempenha papel relevante no surgimento do câncer. Apesar do meio ácido que caracteriza o estômago – feito sob medida para digerir os alimentos – a bactéria “se protege” abrigando-se na camada de revestimento da mucosa das reentrâncias do órgão. “Os sintomas não devem ser ignorados. A perda de peso pode indicar um estágio mais avançado da doença, mas antes disso há sinais importantes a serem observados. Entre eles estão o empachamento, que é aquela sensação de estar ‘cheio’ depois das refeições, além de queimação crônica ou refluxo”, afirma o cirurgião.

Nem todos com queixas desse tipo têm câncer, mas deveriam se submeter a uma endoscopia, exame eficiente através do qual o médico pode identificar a lesão e retirar um fragmento para comprovar a patologia. O hábito de tomar antiácidos pode mascarar os sintomas. Uma vez feito o diagnóstico, é preciso verificar o estadiamento, ou seja, o estágio da enfermidade, se está localizada ou se há metástase e ela atingiu outros órgãos. “Normalmente são pedidos exames complementares, como tomografia de abdômen, pelve e pulmões. A cirurgia para a retirada do tumor é o procedimento mais indicado, mas também avaliamos as vantagens de fazer quimioterapia antes, para controlar micrometástases, e depois. Há ainda a indicação eventual de radioterapia”, complementa o doutor Raphael Araújo.

Uma das maiores preocupações dos pacientes é de que forma vão se alimentar, como conta o médico: “na gastrectomia, às vezes retiramos dois terços do estômago, mas há casos em que é preciso retirar quatro quintos e até o estômago todo, quando a lesão é muito próxima do esôfago”. Quando isso acontece, o cirurgião interpõe um segmento entre o esôfago e o intestino delgado. Apesar de não haver mais a secreção do suco gástrico, o intestino produz enzimas que digerem as proteínas.

“O paciente vai se adaptando”, ele garante, acrescentando: “é necessário diminuir o volume ingerido e aumentar o número de refeições. Também é preciso repor vitaminas, como a B12, através de injeções”. Na sua opinião, a longevidade representa um desafio para os médicos: “os ensaios clínicos se referem a indivíduos até 65, 70 anos. Na prática, porém, vem crescendo o número de pacientes acima de 75, 80 anos, e o cirurgião oncológico com frequência vive um dilema, no qual tem que avaliar se a condição clínica do paciente suportará todos os procedimentos necessários para oferecer um tratamento com intenção curativa como os propostos nos estudos com pacientes mais jovens”.

 

bemestar

“Bomba esculpe o corpo, mas causa: problemas no coração, câncer, infertilidade, problemas no fígado e distúrbios psiquiátricos”. Com esse lema, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) lançou ontem, 15, Dia do Homem no Brasil, a campanha “Bomba, Tô Fora”, contra o uso de anabolizantes sem recomendação médica.

De acordo com a entidade, o uso de esteroides anabolizantes e similares, sem recomendação médica, dentro e fora do esporte de alto rendimento, especialmente por jovens que desejam melhorar a aparência e o condicionamento físico, deve ser considerado como um problema social e de saúde pública.

A SBEM destaca que os esteroides anabolizantes – derivados sintéticos da testosterona – utilizados com o objetivo de aumentar a massa e a força muscular podem causar uma série de problemas de saúde como aumento da pressão arterial, elevação do colesterol ruim, aumento do risco de tromboses, embolias e infarto cardíaco, assim como hepatite medicamentosa com icterícia (amarelão), insuficiência hepática e câncer de fígado.

No homem especificamente, o esteroide pode causar acne, aumento das mamas, redução do tamanho e do funcionamento dos testículos, impotência sexual, infertilidade, aumento da próstata e calvície.

“É crescente a utilização da testosterona [esteróride anabolizante] em homens saudáveis com a pretensão da melhora do desempenho sexual, aumento de massa muscular e em terapias descritas como antienvelhecimento. Para essas situações, a testosterona não está aprovada. O risco do uso pode superar qualquer potencial benefício. A testosterona [é indicada] apenas para homens com deficiência e sob estrita supervisão médica”, disse o médico endocrinologista Clayton Macedo.

Morte de neurônios

Segundo a SBEM, estudos mostram que existe relação do uso de esteroides anabolizantes com a atrofia do volume do cérebro e morte dos neurônios. Além de dependência, o uso dessas drogas pode causar irritabilidade e agressividade, ansiedade, alteração da memória, comportamento sexual de risco, síndrome de abstinência na suspensão da droga e alteração da percepção da sua imagem corporal.

“Em geral a pessoa que tem intenção ou está utilizando anabolizante ela quer saber se existe uma dose mínima que é considerada segura que, com certeza, não vai produzir nenhum problema de saúde. A resposta infelizmente é não. Não tem nenhuma dose que a gente possa assegurar para a pessoa de que nenhuma consequência vai ocorrer”, disse o médico endocrinologista Roberto Zagury.

Segundo Zagury, com frequência os efeitos colaterais ocorrem nos testículos e no fígado. “O receptor no qual a testosterona se liga para induzir os efeitos que são desejados, que são ganho de massa muscular, ele é o mesmo em todas as células do corpo, inclusive no fígado e no testículo, onde com alguma frequência acontecem efeitos colaterais. Não existe uma dose mínima segura”.

Saúde do Homem

Segundo o Ministério da Saúde, os homens, comparativamente às mulheres, cuidam menos da saúde e apresentam maior índice de mortalidade. Eles têm mais excesso de peso, baixo consumo de frutas, de legumes e de verduras, alto consumo abusivo de bebidas alcoólicas e tabagismo, situações que podem estar se refletindo numa maior mortalidade por doenças do aparelho circulatório, principalmente entre os mais velhos. As causas externas de morte, violência e acidentes, também atingem mais os homens, predominantemente os mais jovens.

Comportamentos de risco, como consumo abusivo de bebidas alcoólicas, estão associados a falsa autopercepção de infalibilidade, facilitando a ocorrência de acidentes, situações de violência, e de contágio de doenças infectocontagiosas como HIV/Aids e tuberculose.

 

Agência Brasil