Cientistas britânicos desenvolveram um modelo de escala de quatro níveis para prever o risco de morte em pacientes hospitalizados com covid-19, afirmando que isso ajudará médicos a decidirem rapidamente como melhor tratar cada enfermo.

A ferramenta, detalhada em pesquisa publicada no jornal médico BMJ, na quarta-feira (9), auxilia médicos a colocarem os pacientes em um dos quatro grupos de risco da covid-19 - baixo, intermediário, alto ou muito alto risco de morte.


Com hospitais ao redor do mundo recebendo ondas de pacientes com covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, médicos disseram que precisam de ferramentas mais rápidas e precisas para identificar pacientes com maior risco de morte e ajudar a fornecer tratamento direcionado.

O novo modelo - denominado Índice de Mortalidade 4C (Consórcio Clínico de Caracterização de Coronavírus) - usa dados como idade, sexo, condições preexistentes, respiração e nível de oxigênio no sangue. Os resultados dos estudos mostram que ele consegue prever o risco com mais precisão do que outros 15 modelos comparáveis, segundo os pesquisadores, e que também foi mais útil em tomadas de decisões clínicas.

Usando os dados, a calculadora de risco dá pontuações entre 0 e 21 pontos, disse o professor de cirurgia e dados científicos da Universidade de Edimburgo Ewen Harrison, co-líder do estudo. Pacientes com pontuação de 15 ou mais têm risco de mortalidade de 62% em comparação com 1% daqueles que pontuam 3 ou menos.

Os pesquisadores disseram que os pacientes com um baixo Índice de Mortalidade 4C podem não precisar de internação em hospitais, enquanto aqueles em grupos de risco médio ou alto podem receber tratamento mais agressivo com rapidez, incluindo esteróides e internação em unidades de tratamento intensivo, se necessário.

 

reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, em uma nota nesta quarta-feira (9), que está satisfeita em ver os desenvolvedores da vacina da Oxford e AstraZeneca se certificando de que os ensaios clínicos têm integridade científica. Os testes dessa vacina foram suspensos na terça-feira porque uma doença surgiu em um dos participantes, o que precisa ser investigado (veja mais abaixo).

Em nota, a OMS afirmou: "A segurança é o principal foco dos ensaios clínicos para se encontrar uma vacina. Quando um participante tem uma doença potencialmente inexplicada, que pode ou não estar ligada à vacina em teste, a prática rigorosa é investigar. Suspensões temporárias de ensaios clínicos de vacinas não são incomuns quando há uma avaliação".


A organização disse estar satisfeita "em ver os desenvolvedores da vacina se certificando que há integridade científica dos ensaios clínicos ao observar os protocolos padrões e as regras para desenvolvimento de vacinas".

Suspensão por uma doença inesperada
A suspensão dos ensaios clínicos é um procedimento padrão que acontece sempre que surge uma doença inexplicável em um dos participantes, afirmaram em nota a universidade e a empresa.

De acordo com a universidade, em grandes ensaios clínicos, uma doença pode acontecer por acaso, sem que haja uma relação com a vacina em teste, mas é preciso que haja uma análise independente para checar isso.

Segundo a AstraZeneca, o "procedimento padrão de revisão" dos estudos foi acionado e a vacinação foi pausada "voluntariamente para permitir a revisão dos dados de segurança por um comitê independente".

"Esta é uma ação rotineira que deve acontecer sempre que for identificada uma potencial reação adversa inesperada em um dos ensaios clínicos, enquanto ela é investigada, garantindo a manutenção da integridade dos estudos." — AstraZeneca
Aposta do Ministério da Saúde
A vacina da Oxford/AstraZeneca é a principal aposta do Ministério da Saúde para imunizar a população.

Ao todo, o Brasil prevê desembolsar R$ 1,9 bilhão com a vacina, sendo R$ 1,3 bilhão para pagamentos à farmacêutica, R$ 522,1 milhões para a produção das doses pela Fiocruz/Bio-Manguinhos e R$ 95,6 milhões para a absorção da tecnologia pela Fiocruz.

O ministro-interino da saúde, Eduardo Pazuello, chegou a dizer também nesta terça que planeja a campanha de vacinação contra a Covid-19 para janeiro de 2021.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por autorizar os testes no Brasil, disse ter sido avisada da suspensão. "A agência aguarda o envio de mais informações sobre os motivos da suspensão para analisar os dados e se pronunciar oficialmente", informou a Anvisa.

A Fundação Oswaldo Cruz disse que foi informada pelo laboratório britânico e que vai acompanhar os resultados das investigações para se manifestar oficialmente.

Reação adversa
O jornal "The New York Times" informou que o paciente teve mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e pode ser desencadeada por diferentes motivos. O jornal atribuiu o dado a uma pessoa próxima do caso e que falou sob condição de anonimato.

A informação foi a mesma obtida pela pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, que concedeu entrevista para a GloboNews sobre o tema.

"Eu consegui falar com a Inglaterra assim que a informação saiu, mas nós sabemos que houve um caso de uma manifestação chamada mielite transversa, que é uma manifestação clínica - muitas vezes autoimune - atribuível a várias doenças. É uma manifestação neurológica que pode evoluir com perda temporária, parcial ou grande, afetando a medula humana e que isso pode estar ou não relacionado a vacina", disse Margaret.

Nove vacinas na última fase de testes
Além da candidata da Universidade de Oxford com a farmacêutica britânica AstraZeneca, mais oito vacinas estão na terceira e última fase de testes em humanos, a última antes da liberação.

G1

O planeta chegou nesta terça-feira (8) a 894 mil mortes diretamente ligadas à covid-19, enquanto totaliza mais de 27,4 milhões de casos de infecção pelo novo coronavírus, de acordo com os dados repassados pelos países à Organização Mundial da Saúde (OMS).


A marca de 900 mil óbitos será superada até o fim do dia, já que nas últimas 24 horas a OMS registrou mais de 9 mil mortes por Covid-19 que ainda não foram incluídas no cálculo final.


A América continua sendo a região mais afetada, com 14,1 milhões de casos e 494 mil mortes, enquanto o Sul da Ásia é a segunda com mais contágios (4,86 milhões, a maioria na Índia), mas a Europa ocupa o segundo lugar em número de óbitos, com 223 mil.

A curva mundial de casos diários parece estabilizada em menos de 300 mil desde o fim de julho, apesar do gráfico ascendente de Europa e Sul da Ásia. Os contágios caem na África e na Ásia-Pacífico, e estão relativamente estáveis na América e no Oriente Médio.

Por países, os Estados Unidos continuam tendo o maior número de casos (6,2 milhões) e mortes (188 mil), seguidos pela Índia, com 4,2 milhões de contágios e 80 mil infecções diárias, o maior ritmo do mundo atualmente.

 

EFE

isoniaPessoas que sofrem de insônia podem ter até 17% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 do que aquelas com sono regular, concluíram cientistas de um centro de pesquisa sueco, em um artigo publicado nesta segunda-feira (8) no periódico científico Diabetologia, da da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes.

Os pesquisadores do Karolinska Institutet, em Estocolmo, Suécia, fizeram uma revisão (meta-análise) de 1.360 artigos científicos relevantes sobre a doença.


Outros fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 já são conhecidos, como obesidade, por exemplo. No entanto, esta é a primeira vez que um estudo científico inclui a insônia.


Foram identificados ainda fatores de risco como depressão, tabagismo, sobrepeso na infância, alterações em níveis da enzima hepática alanina aminotransferase e dos níveis plasmáticos dos aminoácidos isoleucina, valina e leucina, entre outros.

O artigo aponta ainda que pessoas com IMC (índice de massa corpórea) normal têm 7% mais propensão a desenvolver diabetes tipo 2 se tiverem insônia. Quando se fala em indivíduos acima do peso, sobe para 17%, a depender também d e outros fatores de risco associados.

"Os resultados devem informar as políticas de saúde pública para a prevenção primária do diabetes tipo 2. As estratégias de prevenção devem ser construídas a partir de múltiplas perspectivas, como redução das taxas e níveis de obesidade e tabagismo e melhoria da saúde mental, qualidade do sono, nível educacional e peso ao nascer", concluíram os pesquisadores.

A relação exata entre a insônia e o diabetes tipo 2 não foi analisada pelo estudo.

 

R7

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