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O câncer de pâncreas é um dos mais desafiadores da oncologia. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 10 mil novos casos por ano no Brasil, e a doença tem uma característica que a torna particularmente preocupante: na maioria das vezes, é diagnosticada em estágios avançados.

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O pâncreas é um órgão discreto, localizado profundamente no abdômen, atrás do estômago. Por estar "escondido", quando algo vai mal por ali, os sinais podem ser sutis no começo. Mas existem alguns alertas importantes que seu corpo pode dar e que merecem atenção médica. Vou compartilhar com vocês os cinco principais sinais dessa doença.

Leia também: Sinal de alerta! Má digestão pode indicar que o pâncreas está com problemas

Dor persistente nas costas e no abdômen Uma dor incômoda na região lombar ou na parte superior do abdômen, que não melhora com analgésicos comuns, pode ser um sinal de alerta. Muitas pessoas inicialmente atribuem esse desconforto a problemas musculares ou má postura, mas a dor causada por tumores pancreáticos tem características específicas.

Ela tende a piorar quando a pessoa se deita e melhora ao inclinar o corpo para frente. Isso acontece porque o tumor pode pressionar os nervos da região, causando esse padrão característico de dor. Se você tem uma dor persistente que segue esse padrão, procure avaliação médica.

Icterícia: pele e olhos amarelados A icterícia é um dos sinais mais visíveis do câncer de pâncreas, especialmente quando o tumor está localizado na cabeça do órgão. O amarelamento da pele e da parte branca dos olhos acontece quando o tumor bloqueia o canal biliar, impedindo que a bile flua normalmente do fígado para o intestino.

Antes mesmo de notar o amarelamento da pele, é possível observar outras mudanças: a urina fica mais escura, com cor de chá-mate ou refrigerante de cola, enquanto as fezes ficam mais claras, às vezes quase brancas. Esses sinais indicam obstrução biliar e exigem investigação imediata.

Perda de peso inexplicável A perda de peso sem motivo aparente é um sinal de alerta para diversos tipos de câncer, e no pâncreas não é diferente. Isso acontece por dois motivos principais: o pâncreas deixa de produzir enzimas digestivas adequadamente, comprometendo a absorção de nutrientes, e o próprio tumor consome energia do organismo. Perdas de 5 a 10% do peso corporal em poucos meses, sem mudanças na alimentação ou nos exercícios, merecem investigação médica.

Diabetes de início súbito O aparecimento repentino de diabetes em adultos, principalmente após os 50 anos, pode estar relacionado ao câncer de pâncreas. Como o pâncreas é responsável pela produção de insulina, tumores nesse órgão podem comprometer essa função. Se você sempre teve glicemia normal e subitamente desenvolve diabetes, especialmente se acompanhado de outros sintomas desta lista, converse com seu médico sobre uma investigação mais aprofundada.

Sintomas digestivos persistentes Náuseas, vômitos, má digestão, sensação de saciedade precoce (sentir-se cheio após comer pouco), gases e diarreia podem indicar diversas condições digestivas. No entanto, quando são persistentes e especialmente quando acompanhados de outros sintomas mencionados aqui, precisam ser avaliados.

Um sinal particularmente importante é a esteatorreia: fezes gordurosas, pálidas, que flutuam no vaso sanitário e são difíceis de limpar. Isso ocorre porque o pâncreas não produz enzimas suficientes para digerir as gorduras dos alimentos.

A importância do diagnóstico precoce É fundamental esclarecer que apresentar um ou mais desses sintomas não significa necessariamente ter câncer de pâncreas. Diversas outras condições podem causar os mesmos sinais. Mas justamente por isso a investigação médica é essencial.

O grande desafio do câncer de pâncreas é que apenas 20% dos casos são diagnosticados em estágio inicial, quando as chances de cura são maiores. A taxa de sobrevida em cinco anos, quando o tumor é descoberto cedo e pode ser totalmente removido cirurgicamente, chega a 40%. Já nos estágios avançados, esse número cai drasticamente.

Fatores de risco como histórico familiar de câncer de pâncreas, tabagismo, obesidade, diabetes de longa data e pancreatite crônica aumentam as chances de desenvolver a doença. Se você se enquadra nesses grupos e apresenta algum dos sintomas descritos, a atenção precisa ser redobrada.

Minha Vida

Foto: © PerfectWave/shutterstock

Um dos levantamentos mais abrangentes já feitos sobre a composição química de extensões de cabelo identificou dezenas de substâncias perigosas nesses produtos, incluindo compostos associados a câncer, desregulação hormonal, problemas no desenvolvimento e impactos no sistema imunológico.

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O estudo foi conduzido pelo Silent Spring Institute e publicado na revista científica Environment & Health, da American Chemical Society.

Os resultados reforçam preocupações crescentes sobre os riscos à saúde de uma categoria de produtos pouco regulada, mas amplamente utilizada —especialmente por mulheres negras.

Dados citados pelos pesquisadores indicam que mais de 70% das mulheres negras relataram ter usado extensões de cabelo pelo menos uma vez no último ano, proporção muito superior à observada entre mulheres de outros grupos raciais e étnicos.

O que o estudo analisou Para a pesquisa, a equipe liderada pela cientista Elissia Franklin adquiriu 43 produtos populares de extensões de cabelo, comprados tanto pela internet quanto em lojas especializadas. As amostras incluíam extensões feitas de materiais sintéticos, em geral derivados de plásticos, e também produtos biológicos, como cabelo humano, fibras de banana e seda.

Os pesquisadores também analisaram as alegações feitas pelos fabricantes. Entre os produtos sintéticos, havia extensões anunciadas como resistentes ao fogo, ao calor ou à água. Outras se apresentavam como “não tóxicas” ou “mais seguras” para o consumidor.

Segundo os autores, esses tratamentos químicos são usados para aumentar a durabilidade do material, reduzir o risco de inflamabilidade e facilitar o uso de calor durante a modelagem. O problema, apontam, é que as empresas raramente informam quais substâncias são utilizadas para alcançar esses efeitos.

Mais de 900 sinais químicos Para identificar a composição dos produtos, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada análise não direcionada, que permite rastrear uma ampla variedade de substâncias —inclusive aquelas que não costumam ser investigadas em testes tradicionais.

Combinando métodos avançados de laboratório, a equipe detectou mais de 900 sinais químicos nas amostras analisadas. A partir desse rastreamento, foi possível identificar 169 substâncias diferentes, agrupadas em nove grandes classes químicas.

Entre elas estavam compostos usados para reduzir a inflamabilidade dos fios, aumentar a flexibilidade dos materiais plásticos ou preservar o produto. Muitos desses químicos já foram associados, em estudos anteriores, a alterações hormonais, irritação da pele, efeitos no desenvolvimento, impactos no sistema imunológico e câncer.

O que chamou mais atenção A análise mostrou que 41 das 43 amostras continham substâncias consideradas potencialmente perigosas à saúde. As únicas exceções eram produtos rotulados como “não tóxicos”.

Outros achados relevantes incluem:

48 substâncias identificadas aparecem em listas internacionais de risco à saúde; 12 compostos estão incluídos na Proposição 65 da Califórnia, que reúne agentes associados a câncer, malformações fetais ou danos reprodutivos; 17 substâncias relacionadas ao câncer de mama foram encontradas em 36 produtos analisados; Quase 10% das amostras continham compostos organoestânicos, alguns em concentrações acima dos limites considerados seguros na União Europeia. “Ficamos especialmente surpresos ao encontrar esse tipo de composto”, afirma Franklin. “Eles são usados principalmente na indústria de plásticos e já foram associados a irritação da pele —uma queixa comum entre usuárias de extensões— além de efeitos hormonais e risco aumentado de câncer.”

Exposição no dia a dia Segundo os pesquisadores, o risco potencial não está apenas na presença das substâncias, mas também na forma como esses produtos são usados.

As extensões ficam em contato direto com o couro cabeludo, o pescoço e o rosto por longos períodos. Além disso, durante o uso de secadores, chapinhas e outros instrumentos de calor, compostos químicos podem ser liberados no ar e inalados.

“Os consumidores não têm como avaliar o risco, porque não sabem o que está presente no produto”, diz Franklin. “Isso coloca a responsabilidade inteiramente sobre quem usa, sem transparência por parte da indústria.” Mercado bilionário, pouca regulação O estudo destaca ainda o crescimento acelerado do setor. O mercado global de extensões de cabelo deve ultrapassar US$ 14 bilhões até 2028, com os Estados Unidos liderando as importações. Apesar disso, os autores apontam que a fiscalização e as exigências de segurança não acompanharam essa expansão.

Muitos dos compostos identificados são regulados ou restritos em outros contextos, mas não há regras específicas que tratem da segurança química das extensões de cabelo nos Estados Unidos. No Brasil, tampouco.

Para os autores, os resultados deixam claro que o debate vai além da estética.

“As mulheres não deveriam ter que escolher entre expressão cultural, praticidade e saúde”, afirma Franklin. “Este é um problema de saúde pública que precisa ser tratado com mais seriedade.”

G1

Foto: AdobeStock

A presença de uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como “sinal de Frank”, tem sido estudada há décadas como um possível marcador visível de risco cardiovascular. O tema ganhou atenção após a morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, por um infarto fulminante; ele apresentava uma dobra semelhante nas orelhas (veja na foto acima).

Com a repercussão do caso, a pergunta que veio para muitos: tenho um sinal parecido na orelha, o que devo fazer? Primeira reposta: o sinal não é um diagnóstico, mas um possível sinal de alerta que deve ser avaliado junto com outros fatores de risco.

Descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, o sinal passou a ser associado ao envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos e à aterosclerose, processo em que placas de gordura e colesterol se acumulam nas artérias e aumentam o risco de infarto e AVC.

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Há uma possível explicação biológica para a associação: o lóbulo da orelha é irrigado por microartérias, e a dobra estaria relacionada à desorganização das fibras de colágeno que dão elasticidade aos vasos. Com a perda dessa elasticidade, as artérias tendem a se tornar mais rígidas, o que favorece entupimentos e complicações como infarto e AVC.

Um estudo da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) reforça essa associação: entre 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia, a prega diagonal no lóbulo apareceu em 60% dos pacientes com doença coronariana, contra 30% no grupo sem obstruções. Quando a dobra no lóbulo veio acompanhada de uma prega pré-auricular, o valor preditivo positivo chegou a 90%. O cardiologista João Vicente da Silveira explica que a prega (ou dobra) costuma surgir ao longo da vida e geralmente aparece dos dois lados. Quando o sinal é observado em pessoas mais jovens, a preocupação aumenta.

“É praticamente impossível um paciente de 30 anos ter esse sinal e ter uma saúde totalmente normal. Isso é um sinal de envelhecimento das artérias e de que ele não está se cuidando”, diz Silveira.

Miot destaca que as extremidades têm pouca vascularização e sofrem mais o efeito do dano vascular. "A prega globular é um sinal de que a circulação pode não estar 100%, de que a orelha pode estar sendo mal irrigada", explica o médico.

O que fazer ao identificar o sinal de Frank? A recomendação é procurar avaliação médica para checar pressão arterial e solicitar exames conforme o perfil de risco, como testes de colesterol e glicemia, eletrocardiograma, ecocardiograma e, em casos específicos, teste ergométrico ou angiotomografia das coronárias. Tudo depende de como o médico avalia o caso de cada paciente

Se houver suspeita de obstrução importante, ele pode até mesmo pedir exames invasivos como o cateterismo. A depender do resultado, o tratamento envolve mudanças no estilo de vida, uso de medicações e, quando necessário, procedimentos como a colocação de stents ou outras intervenções.

Em resumo: a dobra na orelha não “prevê” um infarto por si só, mas é um recado do corpo para olhar com mais cuidado para o coração — e agir cedo sobre os fatores que realmente fazem diferença no risco cardiovascular.

G1

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), ampliando o uso do imunizante para a prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço. A decisão foi publicada nesta terça-feira (10).

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Com a autorização, a vacina Gardasil 9 passa a ser indicada para crianças, homens e mulheres de 9 a 45 anos de idade também com o objetivo de reduzir o risco desses tumores, que vêm registrando aumento de casos associados à infecção pelo HPV, especialmente em adultos jovens.

O que muda na prática Até então, o imunizante já era aprovado para prevenir cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus, além de lesões pré-cancerosas (alterações celulares que podem evoluir para câncer), verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo vírus.

Com a nova indicação, a proteção passa a incluir também tumores que atingem a orofaringe —região que engloba parte da garganta, como base da língua e amígdalas— além de outros cânceres de cabeça e pescoço relacionados aos tipos oncogênicos do HPV, ou seja, aqueles com maior potencial de provocar transformação maligna nas células.

Por que a vacina pode prevenir esses cânceres? Segundo a Anvisa, a ampliação da indicação se baseia na prevenção da infecção persistente pelos tipos de HPV considerados oncogênicos, reconhecidos como os principais causadores desses tumores.

A agência também considerou evidências que demonstram resposta imunológica robusta contra esses tipos virais após a vacinação. A infecção persistente pelo HPV é um dos fatores centrais para o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer ao longo dos anos.

Quem deve se vacinar A autorização contempla pessoas de 9 a 45 anos. O ideal, segundo especialistas e autoridades de saúde, é que a vacinação ocorra antes do início da vida sexual, já que o HPV é transmitido principalmente por meio de relações sexuais.

Mesmo assim, a imunização em faixas etárias mais amplas pode trazer benefícios, especialmente para quem ainda não teve contato com os tipos virais cobertos pela vacina.

O que é o HPV O papilomavírus humano é um grupo de vírus bastante comum e transmitido principalmente por contato sexual. Existem dezenas de subtipos; alguns causam verrugas, enquanto outros estão associados ao desenvolvimento de câncer.

Os tipos classificados como de alto risco são responsáveis por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero e por uma parcela crescente de tumores de orofaringe e outras regiões da cabeça e pescoço.

G1

Foto: Instituto Butantan/Divulgação