O Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, chama atenção para o aumento da demanda por transplantes renais no Brasil. Segundo o Sistema Nacional de Transplantes, mais de 44 mil brasileiros estão na lista de espera. O número representa cerca de 92% da fila nacional para todos os tipos de órgãos.
Em entrevista ao Jornal da Record News desta quinta-feira (12), Hélady Sanders, diretora do Departamento de Transplante Renal da Sociedade Brasileira de Nefrologia e da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), explica por que vem aumentando o número de ocorrências e explica que, se houvesse mais doações de órgãos, essa lista diminuiria.
“Infelizmente, ainda é uma longa espera. A maioria dos transplantes são realizados com o que a gente chama de falecidos, e a família é chamada a optar se ela quer ou não doar os órgãos do seu ente querido. Infelizmente, essa é uma das formas, a maioria é realizada dessa forma. Então, se a gente tivesse mais doação de órgãos, a gente tinha mais transplantes”, comenta. Atualmente, o tempo de espera no Brasil pode chegar a quatro anos, devido à escassez de doadores.
A frequência da doença e a existência de terapias alternativas como hemodiálise contribuem para o número elevado na lista. Porém, apenas 30% a 40% dos pacientes em diálise são aptos ao transplante após avaliação.
Segundo Hélady, a quantidade de transplantes também está relacionada ao número de pessoas com a doença. “Ao contrário dos outros órgãos, por exemplo, fígado e coração, eles não têm esse tipo de terapia. A gente tem mais pacientes esperando o rim do que, por exemplo, o fígado e coração, porque, infelizmente, para esses pacientes, a única forma de substituir de forma mais em longo prazo seria o transplante”, comenta.
Além disso, ela destaca a importância do diagnóstico precoce, já que a doença é silenciosa nas fases iniciais, e a necessidade de exames, como a dosagem de creatinina para pessoas com hipertensão ou diabetes, que são os principais grupos de risco. Para ela, ainda há necessidade de refazer os transplantes ou realizar um retorno das terapias.
“O rim parou de funcionar ou funciona muito pouco, e ele precisa novamente ou de um novo transplante ou de voltar a uma fisiologia dialítica. É possível, sim, que ele possa fazer um segundo ou mesmo terceiro transplante. Isso vai depender de algumas condições clínicas que elas são avaliadas no momento que o paciente chega a essa condição”, finaliza.
O magnésio saiu das prateleiras de suplementação esportiva e ganhou espaço na cabeceira de quem tem dificuldade para dormir e convive com ansiedade. Não é modismo: é um mineral que participa diretamente da regulação do sistema nervoso, da produção de melatonina e do controle do cortisol, o hormônio do estresse. Entender por que ele age assim ajuda a separar o que a ciência confirma do que ainda está sendo investigado e a tomar decisões mais informadas sobre sua saúde.
Como o magnésio age no cérebro para promover relaxamento O magnésio é o quarto mineral mais abundante no organismo e atua como cofator em mais de 300 reações bioquímicas, incluindo processos fundamentais para o sistema nervoso. Sua ação mais relevante para o sono e a ansiedade ocorre em dois mecanismos simultâneos: ele funciona como antagonista natural dos receptores NMDA, que são responsáveis pela excitação neuronal, e como agonista do GABA, o principal neurotransmissor inibitório do cérebro. Na prática, isso significa que o magnésio reduz a atividade dos neurônios que mantêm o sistema nervoso em estado de alerta e favorece os que induzem calma e sonolência. Quando os níveis do mineral estão baixos, o equilíbrio entre excitação e inibição se rompe, tornando o organismo mais reativo ao estresse e mais suscetível à insônia.
Um estudo confirma que a suplementação melhora o sono e reduz o cortisol em pessoas com insônia Os efeitos do magnésio sobre o sono foram avaliados de forma rigorosa em um ensaio clínico randomizado e duplo-cego conduzido por pesquisadores da Universidade Shahid Beheshti, no Irã. O estudo The effect of magnesium supplementation on primary insomnia in elderly: a double-blind placebo-controlled clinical trial, publicado no Journal of Research in Medical Sciences, acompanhou 46 idosos com insônia primária durante oito semanas. O grupo que recebeu suplementação diária com 500 mg de magnésio apresentou melhora significativa no tempo total de sono, na eficiência do sono e no tempo para adormecer em comparação ao grupo placebo. Além disso, os pesquisadores registraram aumento nos níveis de melatonina e queda nos níveis de cortisol sérico, dois biomarcadores diretamente ligados à qualidade do descanso noturno. Acesse o estudo na íntegra: The effect of magnesium supplementation on primary insomnia in elderly — PubMed, Journal of Research in Medical Sciences, 2012.
O papel do magnésio no controle da ansiedade A relação entre magnésio e ansiedade passa pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, o sistema que regula a resposta do organismo ao estresse. Quando os níveis do mineral estão insuficientes, esse eixo tende a se tornar hiperativo, elevando a produção de cortisol e amplificando a sensação de alerta constante, irritabilidade e tensão muscular. Revisões científicas indicam que a suplementação pode reduzir esses sintomas em casos de ansiedade leve, especialmente em pessoas com deficiência confirmada do mineral. É importante ressaltar, no entanto, que os benefícios documentados se concentram em formas mais brandas de ansiedade. Transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do pânico requerem avaliação e tratamento médico especializado, e o magnésio não substitui essa abordagem.
Quais formas de magnésio têm mais evidência para o sono Nem todos os tipos de magnésio disponíveis no mercado têm a mesma biodisponibilidade nem os mesmos efeitos no sistema nervoso. As formas mais estudadas para insônia e ansiedade são as seguintes:
Bisglicinato de magnésio: é a combinação do mineral com o aminoácido glicina, que por si só tem efeito calmante no sistema nervoso. Apresenta boa absorção intestinal e menor risco de efeitos laxativos em comparação com outras formas. Um ensaio clínico randomizado e duplo-cego publicado em 2025 observou redução significativa nas pontuações do Índice de Gravidade da Insônia em adultos que usaram 250 mg de magnésio elementar nessa forma por quatro semanas. Óxido de magnésio: é a forma mais comum em suplementos de baixo custo. Tem menor biodisponibilidade oral, mas estudos indicam que pode elevar os níveis intracelulares do mineral de forma mais eficiente em comparação ao citrato. Citrato de magnésio: tem boa absorção e é amplamente utilizado, mas pode ter efeito laxativo em doses mais altas. É uma opção razoável para reposição geral do mineral. Taurato de magnésio: combina o mineral com taurina, um aminoácido com efeito modulador sobre o sistema nervoso. Ainda há poucos ensaios clínicos específicos para sono, mas o perfil farmacológico é promissor para ansiedade.
O magnésio é eficaz, mas não é substituto de um tratamento adequado O interesse crescente pelo magnésio como aliado do sono é respaldado por evidências reais, ainda que os estudos disponíveis sejam considerados de qualidade baixa a moderada pelos revisores científicos, o que limita recomendações clínicas definitivas. O mineral funciona melhor como parte de uma rotina estruturada de higiene do sono e de uma alimentação que inclua fontes naturais como sementes de abóbora, amêndoas, espinafre, cacau e grãos integrais. A suplementação pode ser necessária quando a dieta não garante o aporte suficiente, mas a dose e a forma devem ser definidas por um médico ou nutricionista, especialmente em pessoas com doenças renais ou que tomam medicamentos para pressão arterial ou diabetes, pois o excesso do mineral pode causar efeitos indesejados. Saiba mais sobre distúrbios do sono e quando buscar ajuda especializada em magnésio para insônia e ansiedade no Tua Saúde. Quando a insônia ou a ansiedade persistem por mais de três semanas ou interferem nas atividades do dia a dia, a avaliação médica é indispensável.
Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Em caso de insônia, ansiedade ou qualquer distúrbio do sono persistente, procure um médico.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro para o medicamento XCOPRI (cenobamato), uma nova opção terapêutica destinada ao controle de crises de epilepsia grave no Brasil. A aprovação, anunciada pela farmacêutica Eurofarma, representa um avanço significativo para pacientes que enfrentam dificuldades no manejo de suas crises. A expectativa é que o produto esteja disponível no mercado brasileiro a partir de 2026, oferecendo uma nova perspectiva de tratamento.
A epilepsia é uma condição neurológica crônica que afeta uma parcela considerável da população brasileira, com cerca de uma em cada 50 pessoas convivendo com a doença, o que corresponde a aproximadamente 1% a 2% dos habitantes. Deste grupo, cerca de 30% dos pacientes, totalizando mais de um milhão de indivíduos, não conseguem controlar suas crises mesmo com o uso de medicamentos existentes. Este cenário ressalta a urgência por terapias mais eficazes e o impacto potencial do cenobamato.
Considerado uma das terapias mais avançadas globalmente para o controle de crises epilépticas, a chegada do cenobamato ao Brasil era aguardada há pelo menos três anos. O neurologista e professor de medicina da PUC-RS, William Martins, descreve a aprovação como uma “mudança de paradigma”. Segundo Martins, “a gente nunca teve um remédio tão eficaz e capaz de mudar a vida de quem tem epilepsia grave”, destacando que o medicamento demonstra eficácia tanto em pacientes que já passaram por cirurgia sem sucesso quanto naqueles que nunca foram submetidos ao procedimento.
O XCOPRI (cenobamato) atua regulando a atividade elétrica anormal e excessiva no cérebro, que é a causa das crises epilépticas. Sua ação se dá de duas formas principais: bloqueando canais de sódio nos neurônios, que são cruciais na propagação das crises, e aumentando a ação do GABA, um neurotransmissor que ajuda a “frear” a atividade cerebral. Em estudos clínicos com pacientes de epilepsia farmacorresistente, o medicamento conseguiu eliminar todas as crises em 20% dos casos, um índice notavelmente superior aos 1% a 5% alcançados por outros tratamentos disponíveis. Quando usado como terapia adjuvante, doses de 400 mg por dia resultaram em uma redução mediana de 65% na frequência de crises focais, enquanto 200 mg por dia reduziram em 55,6%.
A libertação das crises epilépticas pode transformar a vida dos pacientes, que frequentemente enfrentam riscos como morte súbita, dificuldades de socialização e limitações no trabalho e em atividades cotidianas. William Martins enfatiza que a ausência de crises permite que os indivíduos recuperem sua autonomia, possibilitando trabalhar com mais segurança, dirigir em alguns casos, praticar atividades físicas e viajar sem o medo constante de uma crise inesperada. O medicamento, desenvolvido em parceria com a empresa coreana SK Biopharmaceuticals e já aprovado em outros países da América Latina, será geralmente utilizado em combinação com outros anticonvulsivantes, com a decisão de uso sempre individualizada entre médico e paciente. O próximo passo para sua comercialização no Brasil é a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), enquanto a inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) e do Ministério da Saúde.
A primeira vacina 100% brasileira e de dose única contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, começou a ser aplicada na população nas últimas semanas. Este marco científico é o resultado de anos de dedicação da pesquisadora Neuza Frazzati, que liderou a equipe responsável por trazer uma nova esperança no combate à doença no país. O imunizante, denominado Butantan-DV, representa um avanço significativo na saúde pública nacional, prometendo proteger milhões de pessoas e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde.
A dengue é um desafio persistente no Brasil, com mais de 18 mil mortes e 25 milhões de casos registrados desde os anos 2000, conforme dados da matéria original. Considerada uma doença negligenciada por afetar principalmente países tropicais e em desenvolvimento, a pesquisa para combatê-la foi limitada por décadas. A chegada da Butantan-DV, a única vacina contra a dengue de dose única no mundo, posiciona o Brasil na vanguarda da inovação em saúde, oferecendo uma solução nacional para um problema de longa data.
A trajetória da pesquisadora Neuza Frazzati no Instituto Butantan, iniciada na década de 1980, foi fundamental para o sucesso do projeto. Com uma carreira dedicada ao desenvolvimento de vacinas, Neuza já havia sido pioneira na criação de uma vacina contra a raiva em humanos, licenciada pela Anvisa em 2008. Esse trabalho inovador, que substituiu tecidos de origem animal por células Vero no cultivo viral, rendeu-lhe o prêmio Péter Murányi-Saúde e forneceu a experiência crucial em cultivo viral, estabilidade e exigências regulatórias que seriam decisivas para o desafio da dengue.
O desenvolvimento da Butantan-DV foi impulsionado por um aumento nos casos de dengue entre 2006 e 2007, que registrou mais de 800 mortes. O principal desafio era criar um imunizante eficaz contra os quatro sorotipos do vírus da dengue sem desequilibrar a resposta imunológica. Após quatro anos de pesquisa intensiva em laboratório, com mais de 200 experimentos, a equipe de Neuza conseguiu uma vacina eficaz e de dose única em 2011. A estabilidade para distribuição em um país continental foi resolvida com a liofilização, transformando a vacina em pó para ser reconstituída no momento da aplicação. A Anvisa aprovou a vacina no final de 2025, e as primeiras doses foram distribuídas em janeiro deste ano, com previsão de alcançar a população de 15 a 59 anos até o segundo semestre. A vacina demonstrou eficácia de cerca de 75% contra a doença e superior a 90% contra formas graves e hospitalizações, em um estudo com mais de 16 mil pessoas.
A introdução da Butantan-DV representa um futuro promissor para o Brasil no combate à dengue. Neuza Frazzati expressa que a vacina é a melhor chance do país contra a doença, com a imunização de 50% da população podendo levar a uma queda drástica no volume de casos, que em 2025 foi de 1,4 milhão. A pesquisadora projeta que uma cobertura vacinal completa pode zerar o número de mortes, que em 2025 foi de 1,7 mil pessoas. Em contraste com a vacina Qdenga, importada, de duas doses e com alto custo e volume limitado, a Butantan-DV é uma solução nacional, de dose única e com potencial para maior cobertura e menor custo ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para Neuza, este projeto é mais do que um marco científico; é a realização de uma missão pessoal de “deixar uma vacina de dengue que pode amenizar o sofrimento das pessoas” e evitar mortes, reforçando o orgulho na ciência nacional.