Sempre soubemos que a inatividade física pode pesar na balança e no coração, mas e se ela também afetasse diretamente o cérebro? Um estudo inovador das universidades do Sul da Califórnia e do Arizona lança luz sobre essa relação inesperada, revelando que longos períodos de sedentarismo podem ser um convite silencioso à demência.

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Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam mais de 100.000 pessoas acima dos 60 anos ao longo de seis anos. Metade desse grupo, cerca de 50.000 indivíduos, não tinha diagnóstico de demência no início do estudo. Os participantes usaram sensores de pulso 24 horas por dia durante uma semana, fornecendo dados detalhados sobre seus padrões de movimento — ou a falta deles.

Mas como diferenciar um descanso merecido de um estilo de vida prejudicial? A resposta veio da tecnologia: os dispositivos conseguiram separar períodos essenciais de repouso, como o sono, de momentos excessivos de inatividade, como passar horas seguidas sentado. Combinando esses dados com inteligência computacional, os cientistas obtiveram uma visão precisa sobre o impacto do comportamento sedentário.

O perigo invisível do tempo parado Ao longo dos seis anos de pesquisa, os estudiosos analisaram registros hospitalares e dados de óbitos para identificar novos casos de demência — e encontraram 414. O dado mais alarmante? O risco da doença dispara a partir de 10 horas diárias de sedentarismo, independentemente de como esse tempo foi distribuído.

“O que nos surpreendeu foi perceber que abaixo desse limite, o risco não aumenta significativamente, mas, ao ultrapassá-lo, ele cresce rapidamente”, explicou o professor Gene Alexander, autor do estudo.

Isso significa que não é apenas a postura estática que importa, mas o total acumulado de horas de inatividade. A boa notícia? Pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença. Então, que tal levantar agora e dar alguns passos? Seu cérebro pode agradecer no futuro.

Outras dicas de Saúde na Catraca Livre A busca por melhorar a memória e as funções cognitivas sem recorrer a medicamentos tem levado muitos a explorar alternativas naturais. Pesquisas recentes indicam que incorporar exercícios moderados à rotina diária pode ser uma das formas mais eficazes de potencializar a memória e a agilidade mental. Por isso, confira algumas técnicas para melhorar a memória com exercícios simples e naturais.

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Você sabia que as bactérias intestinais podem impactar sua saúde desde a infância até a velhice? Um estudo recente revelou que o microbioma intestinal – conjunto de microrganismos que vivem no nosso intestino – pode influenciar o metabolismo e o risco de desenvolver doenças como obesidade e diabetes tipo 2.

A pesquisa, publicada na revista The Lancet Regional Health – Europe, analisou a relação entre o microbioma intestinal e a saúde metabólica em diferentes fases da vida.

Os resultados indicam que a diversidade dessas bactérias intestinais está ligada a indicadores de saúde como percentual de gordura corporal, níveis de colesterol e risco de doenças cardiovasculares.

Apesar de as descobertas serem promissoras, ainda há desafios para transformar esse conhecimento em recomendações práticas.

Entenda o que esse estudo descobriu e o que isso significa para sua saúde.

O que é o microbioma intestinal e as bactérias intestinais Nosso intestino abriga trilhões de microrganismos, incluindo bactérias intestinais, vírus e fungos.

Esse conjunto forma o chamado microbioma intestinal, que desempenha funções essenciais no nosso corpo, como:

Auxiliar na digestão de alimentos e na absorção de nutrientes; Produzir vitaminas importantes, como a vitamina K e algumas do complexo B; Fortalecer o sistema imunológico, ajudando a proteger contra infecções; Regular o metabolismo, influenciando no peso corporal e nos níveis de açúcar no sangue. Quando há um equilíbrio entre as bactérias boas e ruins no intestino, o organismo funciona melhor.

No entanto, fatores como alimentação pobre em fibras, estresse e uso excessivo de antibióticos podem prejudicar esse equilíbrio e aumentar o risco de doenças.

Agora que você já sabe o que são as bactérias intestinais, vamos entender como elas foram analisadas neste estudo e o que os cientistas descobriram.

O que o estudo analisou? Os pesquisadores analisaram dados de três grupos de pessoas de diferentes idades, todas moradoras da Holanda:

Crianças de cerca de 9 anos (Generation R Study – GenR); Adultos mais velhos, com média de 62 anos (Rotterdam Study – RS); Um grupo de adultos de 45 anos, usado como validação (Lifelines-DEEP Study – LLD). Os participantes forneceram amostras de fezes para análise do DNA das bactérias intestinais.

Além disso, os pesquisadores coletaram dados sobre dieta, atividade física, exames de sangue (como glicose e colesterol) e medidas corporais (como percentual de gordura e circunferência da cintura).

O objetivo era verificar se havia um padrão no microbioma que estivesse ligado à saúde metabólica e quais fatores influenciavam essa relação.

Os dois tipos de microbioma intestinal Ao analisar os dados, os cientistas identificaram dois grupos principais de microbioma intestinal:

Cluster H (saudável) – Caracterizado por uma maior diversidade de bactérias intestinais, incluindo grupos benéficos como Christensenellaceae e Prevotella. Cluster U (não saudável) – Apresentava menor diversidade microbiana e maior presença de bactérias como Streptococcus e Fusicatenibacter, que podem estar associadas a processos inflamatórios. Os resultados mostraram que indivíduos do Cluster U (não saudável) apresentavam maior risco de problemas metabólicos.

O que isso significa na prática? Crianças no grupo Cluster U tinham maior percentual de gordura corporal, níveis elevados de triglicerídeos e sinais de inflamação no organismo.

Adultos mais velhos do Cluster U tinham maior risco de resistência à insulina, obesidade abdominal e pressão alta.

Na coorte de validação, adultos do Cluster U também apresentaram maior prevalência de obesidade e menor nível de colesterol HDL (o “bom” colesterol).

Ou seja, a composição das bactérias intestinais está diretamente relacionada a indicadores de saúde e pode ter um impacto cumulativo ao longo da vida.

Microbioma intestinal e risco de doenças cardíacas Uma descoberta interessante foi a relação entre o microbioma e o risco de doenças cardiovasculares.

No grupo dos adultos mais velhos, aqueles com microbioma do tipo Cluster U, não saudável, tinham um risco aumentado de desenvolver doenças cardíacas nos próximos cinco anos.

No entanto, quando os pesquisadores analisaram o acompanhamento a longo prazo (6,5 anos), essa diferença não foi estatisticamente significativa.

Isso significa que, embora haja uma tendência de associação entre o microbioma e o risco cardíaco, mais estudos são necessários para confirmar essa relação.

O que pode influenciar a saúde do microbioma intestinal? Os pesquisadores também analisaram fatores que poderiam influenciar a composição das bactérias intestinais. Alguns dos principais foram:

Nível socioeconômico: Crianças cujas mães tinham menor nível de escolaridade eram mais propensas a ter um microbioma menos saudável. O mesmo ocorreu em adultos com menor nível educacional. Tabagismo: O estudo identificou o tabagismo como um dos fatores que influenciam a composição do microbioma intestinal, mas mais pesquisas são necessárias para entender essa relação com maior precisão. Uso de medicamentos: Certos remédios, como inibidores de bomba de prótons (usados para refluxo), também influenciaram a composição microbiana. Esses achados reforçam que o microbioma não é determinado apenas pela genética, mas também pelo ambiente e hábitos de vida.

Como melhorar a saúde do microbioma intestinal? Embora o estudo não tenha testado intervenções diretas, já se sabe que alguns hábitos podem favorecer um microbioma mais saudável.

Veja algumas dicas para cuidar das suas bactérias intestinais:

Tenha uma alimentação rica em fibras: Consuma frutas, verduras, legumes e grãos integrais. Esses alimentos servem de alimento para as bactérias benéficas. Inclua alimentos fermentados na dieta: Iogurte natural, kefir, kombucha e chucrute contêm probióticos, que ajudam a equilibrar o microbioma. Evite o consumo excessivo de ultraprocessados: Alimentos ricos em açúcar, gorduras saturadas e aditivos químicos podem prejudicar o equilíbrio das bactérias intestinais. Pratique atividades físicas regularmente: Exercícios ajudam a regular o metabolismo e também influenciam positivamente o microbioma. Evite o uso indiscriminado de antibióticos: Esses medicamentos podem eliminar não apenas bactérias ruins, mas também as benéficas, alterando o equilíbrio intestinal. Limitações do estudo e próximos passos Embora esse estudo traga informações valiosas sobre o papel das bactérias intestinais na saúde metabólica, há algumas limitações a serem consideradas:

O estudo usou um método de análise que não identifica todas as espécies bacterianas com precisão. Isso significa que ainda há lacunas na compreensão dos microrganismos específicos envolvidos.

A relação entre microbioma e risco cardiovascular não foi conclusiva. Mais pesquisas são necessárias para confirmar essa conexão.

Os participantes eram predominantemente holandeses. Isso pode limitar a aplicação dos resultados para outras populações com dietas e estilos de vida diferentes.

Os dados alimentares foram coletados anos antes da análise do microbioma. Como a alimentação influencia diretamente a composição bacteriana, essa diferença de tempo pode ter impactado os resultados.

Mesmo com essas limitações, os achados reforçam a importância do microbioma na saúde e sugerem que intervenções precoces podem ajudar a prevenir problemas metabólicos no futuro.

Saúde Lab

Diariamente, bilhões de células no corpo humano se dividem ou morrem. Tudo faz parte dos processos complexos que mantêm o sangue fluindo a partir do coração, os alimentos se movimentando através do intestino e a pele se regenerando. Mas de vez em quando algo dá errado, e as células que deveriam morrer ou parar de crescer simplesmente não fazem isso. Se não forem controladas, podem se transformar em câncer.

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A questão de quando e por que isso ocorre – e o que pode ser feito para impedir – há muito tempo intriga os cientistas e os médicos especializados em câncer. Apesar das perguntas que permanecem sem resposta, eles já fizeram enormes avanços na compreensão e no tratamento da doença. “Temos muito menos receio de dizer aos pacientes o que sabemos e o que não sabemos, porque agora sabemos muito mais”, disse George Demetri, vice-presidente sênior de terapias experimentais do Instituto do Câncer Dana-Farber, em Boston.

A seguir, algumas das perguntas mais recorrentes sobre o câncer que os cientistas começaram a responder.

Por que algumas mutações genéticas levam ao câncer e outras não? Os cientistas costumavam pensar que as mutações genéticas – alterações na sequência de letras do DNA – eram a base de todos os tipos de câncer. Eles estavam parcialmente corretos. “As mutações são muito importantes – mas não explicam por completo o surgimento de um tumor”, afirmou Douglas Hanahan, do Instituto Ludwig para a Pesquisa do Câncer, em Lausanne, na Suíça. Algumas mutações permanecem inativas durante toda a vida, nunca chegando a provocar um câncer.

Agora está claro que, além das mutações do DNA, há outros fatores que alteram a maneira como os genes são expressos. São denominadas alterações epigenéticas, e os cientistas descobriram que desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do câncer. Estes ainda não compreenderam completamente o que provoca as alterações epigenéticas, mas acreditam que entre os possíveis fatores responsáveis estão o envelhecimento, a dieta, o ambiente e a inflamação crônica.

A poluição pode provocar câncer? E os microplásticos? Há muito tempo, os cientistas sabem que algumas substâncias químicas, como o amianto e o radônio, ou aquelas presentes na fumaça do cigarro e no álcool, podem provocar câncer. Mas, nos últimos anos, algumas pesquisas emergentes fizeram soar o alarme sobre os riscos da poluição atmosférica e dos microplásticos, bem como das substâncias perfluoroalquílicas e polifluoroalquílicas, conhecidas como PFAS. “Há indícios de que essas coisas podem ser cancerígenas, mas precisamos de muito mais informações para entender quais tipos de câncer, quando e como”, declarou Kimryn Rathmell, ex-diretora do Instituto Nacional do Câncer.

As provas são mais sólidas no caso da poluição atmosférica. Foi demonstrado que as partículas finas, conhecidas como PM 2,5, aumentam o risco de câncer de pulmão e de mama, informou Loretta Erhunmwunsee, professora associada de cirurgia torácica no City of Hope, centro nacional de pesquisa e tratamento do câncer.

É provável que a quantidade de poluição à qual uma pessoa foi exposta e o período que isso durou sejam fatores relevantes. As pesquisas demonstram que a população negra nos Estados Unidos está exposta a níveis desproporcionalmente altos de poluição atmosférica; também apresenta taxas mais elevadas de câncer de pulmão e de mortalidade pela doença do que outros grupos raciais. “Agora sabemos que o contexto social de fato influencia muitos dos resultados do câncer que observamos, e até mesmo o desenvolvimento da condição e o risco de contraí-la”, disse Erhunmwunsee.

Como a inflamação se relaciona com tudo isso? Durante anos, os cientistas procuraram substâncias químicas em nossa dieta e no ambiente que causassem mutações genéticas. Mas, segundo Robert Weinberg, professor de biologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, está cada vez mais claro que, se tais exposições afetam o risco de câncer, é provável que isso ocorra provocando uma inflamação, e não danificando diretamente o DNA. No intestino, por exemplo, uma alimentação pouco saudável pode desequilibrar o microbioma, permitindo que certas bactérias cresçam sem controle. Davendra Sohal, oncologista do Centro de Câncer da Universidade de Cincinnati, especializado em cânceres gastrointestinais, apontou que os cientistas acreditam que isso pode causar uma inflamação crônica, podendo levar ao câncer de cólon ou de pâncreas.

A inflamação também pode promover o câncer em células que já sofreram mutação. Foi demonstrado, por exemplo, que as partículas PM 2,5 provocam inflamação nos pulmões, ativando células mutantes inativas e estimulando a formação de tumores.

O que dá aos tumores o poder de crescer sem controle? O câncer não é apenas um grupo de células anormais que crescem de forma descontrolada. Os cientistas agora reconhecem que os tumores são tecidos complexos formados por células cancerosas e células normais recrutadas para apoiar seu crescimento. Muitas dessas células normais são do mesmo tipo que inundam o local de uma lesão ou infecção para auxiliar na cicatrização, promovendo a multiplicação celular, a formação de vasos sanguíneos, a produção de tecido conjuntivo novo e a defesa contra ataques de outras partes do sistema imunológico. Essas são capacidades que as células cancerosas podem explorar indefinidamente para sustentar o próprio crescimento. “Os tumores são feridas que não cicatrizam”, afirmou Hanahan, citando uma observação transformadora feita nos anos 1980 por Harold Dvorak, patologista da Universidade Harvard.

Grande parte do processo pelo qual os tumores se transformam em metástase – ou seja, se espalham e se instalam em locais distantes – ainda é um mistério, afirmou Kevin Cheung, professor associado de hematologia e oncologia do Centro de Câncer Fred Hutch, em Seattle. Sua pesquisa mostrou recentemente que as células mortas e moribundas de um tumor podem criar um ambiente que facilita a saída e a disseminação de células tumorais vivas. Outros estudos sugerem que as células do sistema imunológico podem transferir seu conteúdo para as células tumorais, tornando-as mais invasivas.

Quais fatores de risco estão de fato sob nosso controle? Muitos cânceres surgem por razões completamente fora do nosso alcance. “Sempre haverá alguns casos, mesmo se tivermos as melhores estratégias de prevenção”, observou Rathmell. Mas a profilaxia pode fazer uma grande diferença. Epidemiologistas estimam que 40% dos cânceres – e uma proporção semelhante das mortes pela doença – podem ser atribuídos a fatores de risco que as pessoas podem controlar. O maior deles é o tabagismo, mas a lista também inclui a exposição ao sol, o consumo de álcool e o excesso de peso.

Algumas infecções, como aquelas causadas pelos vírus da hepatite B e C, pelo papilomavírus humano (HPV) e pela bactéria H. pylori, também podem levar ao desenvolvimento de certos tipos de câncer. A vacinação contra o HPV e os exames para detectar a hepatite e a H. pylori podem reduzir esses riscos.

Qual é a melhor forma de tratar a doença? Até algumas décadas atrás, o tratamento do câncer envolvia muitas incertezas. “Basicamente, administrávamos venenos e torcíamos pelo melhor”, disse Demetri. Mas atualmente os oncologistas têm uma visão mais clara a respeito de quem pode se beneficiar da quimioterapia – que usa toxinas que destroem as células saudáveis e as cancerosas – e quem pode responder melhor a tratamentos mais direcionados, como os medicamentos que atacam uma proteína defeituosa específica presente no câncer.

Os médicos também contam com tratamentos mais avançados, em parte graças a uma compreensão mais profunda do papel do sistema imunológico no câncer. “Como o sistema imunológico funciona, o que diferencia essas células, o que as ativa e inativa, quando elas são estimuladas e inibidas – tudo isso precisava ser compreendido antes que pudéssemos tentar manipular esses processos”, explicou Rathmell.

Essa capacidade de controle abriu um campo de tratamento novo, conhecido como imunoterapia. Agora os médicos podem remover os freios das células T – que, no sistema imunológico, destroem as células cancerígenas – por intermédio de inibidores de pontos de controle, usados para tratar cânceres de pulmão e pele, entre outros. Também é possível modificar as células T para que reconheçam e destruam as células cancerosas, abordagem usada na terapia com células CAR-T, que tem sido particularmente eficaz no tratamento de cânceres do sangue.

O câncer tem cura? Embora muitos considerem que um câncer está “curado” quando entra em remissão, os médicos hesitam historicamente em garantir a erradicação completa da doença. “Nunca ousamos usar a palavra ‘cura’”, afirmou Marcel van den Brink, presidente do Centro Médico Nacional City of Hope. Mas os tratamentos mais recentes, como os transplantes de células-tronco e terapias com células CAR-T, trouxeram mais esperança. “Houve uma mudança radical, de ‘você vai morrer desse câncer’ para ‘temos terapias promissoras com as quais podemos trabalhar’”, disse Rathmell.

Mesmo sem sinais da doença, alguns cânceres podem reaparecer, e, nesses casos, os médicos são mais cautelosos ao falar em prognósticos. Ainda assim, há razões para otimismo: as taxas de mortalidade por câncer caíram drasticamente nos últimos 30 anos. Hoje, existem medicamentos específicos para genes ligados a cânceres que antes eram considerados impossíveis de tratar. “Alguns tipos de câncer eram vistos como uma sentença de morte”, lembrou Sohal. Agora, são mais comparáveis ao diabetes – doença complexa, mas tratável, com efeitos colaterais gerenciáveis. “As pessoas vivem com a doença por muito tempo.”

c. 2025 The New York Times Company

Foto: Wikimedia Commons

A cantora Lexa anunciou nesta segunda-feira (10), nas redes sociais, a morte da filha recém-nascida, Sofia, que ocorreu três dias depois do parto. A artista relatou que teve pré-eclâmpsia com síndrome de Hellp, o que ocasionou o parto prematuro da bebê.

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A reportagem da Agência Brasil conversou com a médica ginecologista e obstetra Joeline Cerqueira, com área de atuação em Reprodução Humana, para explicar melhor o significado desses termos.

A pré-eclâmpsia é uma doença obstétrica que geralmente acontece depois da 20ª semana de gravidez e provoca a hipertensão arterial da gestante.

A pré-eclâmpsia é uma doença obstétrica que geralmente acontece depois da 20ª semana de gravidez e provoca a hipertensão arterial da gestante.

“A placenta é o órgão que vai nutrir o feto. Quando ela está se implantando no útero, os vasos do útero se abrem e aumenta a corrente de sangue que vai nutrir adequadamente o feto. E o que ocorre na placenta da mulher com pré-eclâmpsia? Esses vasos não conseguem mudar a conformação deles para se tornarem mais flexíveis e elásticos. E o sangue não flui adequadamente para a placenta e para o feto”, explica Joeline Cerqueira.

A sobrecarga da circulação provoca a hipertensão arterial, igual ou acima de 140/90 mmHg (14 por 9), e há perda de proteína na urina, a proteinúria. A pré-eclâmpsia precisa ser tratada para não colocar a vida da mãe e do feto em risco. Entre os agravamentos possíveis estão a eclâmpsia e a síndrome de Hellp.

A eclâmpsia é marcada pela ocorrência de convulsões generalizadas ou coma em gestantes. A síndrome Hellp é outro tipo de complicação que provoca hemólise (fragmentação das células vermelhas do sangue na circulação), níveis elevados de enzimas hepáticas e diminuição do número de plaquetas. Essa combinação mostra que alguns órgãos podem estar entrando em falência, como os rins e o fígado.

Apesar de não ser comum, também existe a pré-eclâmpsia ou eclâmpsia pós-parto, que ocorre na fase do puerpério em até 72 horas depois do parto. A complicação é responsável pela hipertensão arterial e crises convulsivas nesse período.

Causas e fatores de risco A obstetra explica que até hoje a pré-eclâmpsia não tem uma causa específica identificada. Existem teorias, dentre as quais ela destaca a má implantação da placenta no processo da gestação.

Mas já se conhecem os principais fatores de risco: primeira gestação da mulher; gravidez antes dos 18 e depois dos 40 anos; pressão alta crônica; diabetes; lúpus; obesidade; pessoas da família com essas doenças; gestação de gêmeos.

Prevenção e redução de riscos A realização do pré-natal, com acompanhamento médico da gravidez e da pressão arterial, é a melhor forma de prevenir a pré-eclâmpsia e demais complicações.

“Existem medicações já testadas que diminuem consideravelmente as probabilidades de pré-eclâmpsia para as pacientes de risco. Uma delas é o cálcio. Outra é o AAS infantil. Elas usam essa aspirina em dose baixa de 100 mg a partir de 12 até 16 semanas de gestação”, diz Joeline Cerqueira. “É imprescindível o médico começar nesse período. Porque como é uma doença que se instala pela placenta, depois de 16 semanas a placenta já está toda formada. Então, não adianta começar uma profilaxia muito tarde”.

Sintomas A pré-eclâmpsia pode ser assintomática. Mas há sinais comuns, como: dor de cabeça forte que não passa com remédios; inchaço no rosto e nas mãos; ganho de peso em uma semana; dificuldade para respirar; náusea ou vômito após os primeiros três meses de gestação; perda ou alterações da visão; e dor no abdômen do lado direito.

Os sintomas da eclâmpsia podem ser dores de cabeça, de estômago e perturbações visuais antes da convulsão; sangramento vaginal; e coma.

Tratamento O principal objetivo do tratamento para quem desenvolve o quadro de pré-eclâmpsia é o controle da pressão arterial. Podem ser usados hipotensores, medicações orais e injetáveis, para conseguir manter a pressão arterial abaixo de 14 por 9.

Também podem ser indicados: alimentação com baixo consumo de sal e de açúcar; repouso; aumento da ingestão de água; fazer acompanhamento pré-natal mais rigoroso.

Agência Brasil

Foto: Arquivo/Andre Borges/Agência Brasília