Engana-se quem imagina que qualquer problema para dormir é insônia. Uma série de condições podem afetar nosso sono, algumas delas externas e outras até mesmo relacionadas à saúde. A Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard listou as razões mais comuns pelas quais as pessoas podem ter sono insuficiente.
Maus hábitos
As telas estão entre as principais vilãs do sono. A luz azul emitida por televisões, celulares e tablets engana o cérebro, que pensa ser dia, e não produz a melatonina, que diz ao nosso corpo que é necessário adormecer. Uma dica de especialistas é se afastar desses dispositivos pelo menos uma hora antes de ir para a cama Bebidas alcoólicas ou com cafeína consumidas próximas à hora de dormir também podem atrapalhar o sono, tanto o início dele como a qualidade e duração. No caso do café, o ideal é cortá-lo antes do anoitecer.
Desajuste do relógio biológico
Não manter um horário regular para dormir e acordar é outro fator negativo. Nosso corpo se baseia no ritmo circadiano, que exige uma rotina para funcionar adequadamente. Pessoas que trocam o dia pela noite, por exemplo, costumam enfrentar mais dificuldade para dormir.
Ambiente inadequado
O ambiente em que você dorme precisa ter condições adequadas para que o sono tenha qualidade. Barulho, calor e luminosidade em excesso são problemas que, muito provavelmente, vão influenciar negativamente.
Distúrbios do sono
Em alguns casos, os problemas para dormir podem ser causados por distúrbios do sono, que incluem apneia do sono, insônia ou síndrome das pernas inquietas. Estas condições, todavia, requerem uma avaliação médica para que seja feito o tratamento mais adequado.
Condições médicas
Os especialistas de Harvard também listam alguns problemas de saúde que podem piorar a qualidade do sono, como doenças cardíaca, pulmonar ou renal e dor crônica. Além disso, pessoas que sofrem de depressão e ansiedade podem apresentar alterações no padrão de sono.
Recentemente, a partir de estudos relacionados ao tema, foi desenvolvido um método capaz de identificar casos mais severos da esteatose hepática – FIB-4. A fórmula funciona como uma calculadora e, através da inserção de alguns dados, é possível chegar a um pré-diagnóstico.
Ela se funda em quatro informações que devem ser devidamente preenchidas: Idade, TGO (U/L), TGP (U/L) e Plaquetas (X1000/mm3). Tal calculadora pode ser acessada a partir do site https://www.endodebate.com.br/calculadora-fib-4/. Caso o resultado seja superior a 1.3, a situação deverá ser melhor estudada pelo médico, com a solicitação de exames mais específicos.
Segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, a fórmula “é um recurso simples e valioso para investigarmos melhor quem tem um problema sério no fígado e às vezes não tem sintomas, nem faz ideia disso”. Mas uma coisa precisa estar clara – nada substitui a avaliação de um médico. Inclusive é interessante que a fórmula seja utilizada com a supervisão de seu endocrinologista.
Esteatose hepática é o termo usado para representar “o acúmulo de gorduras no fígado provocada, na maioria das vezes, pela obesidade. Pode, porém, ter outras causas, como o excesso de ingestão alcoólica, as hepatites, a exposição de trabalhadores da indústria a produtos químicos tóxicos para o fígado (exposição laboral) e o uso de anabolizantes”, informou o dr. Domingos Malerbi, médico endocrinologista no Hospital Israelita Albert Einstein. A condição é muito comum em toda a população mundial. Há estudos que apontam que cerca de 30% das pessoas a possuem, sendo que no caso dos diabéticos do tipo 2, essa condição chega a atingir 80% dos casos. Em pessoas obesas essa estimativa se iguala.
Segundo o Hospital Albert Einstein mais de dois milhões de novos casos surgem no Brasil todos os anos.
“Nos Estados Unidos, a esteatose já se tornou a segunda maior causa de câncer de fígado. Fora isso, sabemos que sua presença está associada a maior risco de problemas cardiovasculares”, diz o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri.
A principal causa está relacionada a hábitos alimentares e ausência de exercícios físicos: “Se as pessoas comem uma refeição por dia em um restaurante fast-food, elas podem pensar que não estão fazendo mal. No entanto, se essa refeição for igual a pelo menos um quinto de suas calorias diárias, eles estão colocando seus fígados em risco”, afirma a hepatologista Ani Kardashian.
Ela informa ainda que “Fígados saudáveis contêm uma pequena quantidade de gordura, geralmente menos de 5%, e mesmo um aumento moderado de gordura pode levar à DHGNA (doença hepática gordurosa não alcoólica)”.
No geral, a condição não apresenta sintomas, ocorrendo o diagnóstico por exames de imagem abdominal (Ultrasom, Tomografia ou Ressonância).
Há tratamento a partir de remédios, mas a principal recomendação é a mudança de hábitos, como uma alimentação saudável e exercícios físicos. Carnes vermelhas e bebidas alcoólicas devem ser evitadas, assim como leite, laticínios, frituras e industrializados. Frutas, verduras e alimentos não gordurosos são muito bem vindos. A esteatose hepática, caso não tratada, pode evoluir para a cirrose e até mesmo o câncer de fígado.
Um estudo conduzido por um grupo de pesquisadores do Brigham and Women's Hospital, em Boston (EUA), revelou que pessoas acostumadas a tirar longos cochilos durante o dia têm mais risco de desenvolver obesidade e síndrome metabólica quando comparadas a outras que dormem menos tempo ou não dormem.
Os autores do trabalho, que foi publicado na semana passada na revista científica Obesity, definiram a soneca longa como aquela que dura 30 minutos ou mais. Eles analisaram dados de 3.275 adultos na região espanhola da Murcia. A Espanha é tradicionalmente um país em que as pessoas têm o hábito da sesta — soneca após o almoço.
Os indivíduos tiveram informações de saúde e estilo de vida coletados, bem como foram divididos em grupos que não cochilavam durante o dia ou que cochilavam, que cochilavam menos de 30 minutos e mais de 30 minutos.
No final da pesquisa, observou-se que os que faziam longas sestas tinham um IMC (índice de massa corporal) mais alto e eram mais propensos a ter síndrome metabólica em comparação com os que não dormiam.
Já os que tinham por hábito os chamados "cochilos de energia", de menos de meia hora, também não tiveram risco aumentado de obesidade e síndrome metabólica.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a síndrome metabólica "corresponde a um conjunto de doenças cuja base é a resistência insulínica".
Os sintomas incluem obesidade, hipertensão arterial, níveis elevados de glicemia, triglicerídeos e colesterol HDL.
Uma relação possível sugerida pelos pesquisadores foi a de que longas sonecas estavam associadas a horários de dormir e comer mais tarde, maior ingestão calórica no almoço e tabagismo.
Outro fator observado foi o local onde a sesta ocorria. Pessoas que dormiam na cama, em vez de no sofá, também ultrapassavam com mais facilidade os 30 minutos.
Os autores ressaltam que, por ser um estudo observacional, é possível que alguns fatores sejam consequência da própria obesidade dos participantes, e não necessariamente dos cochilos.
Todavia, outro estudo realizado com dados de moradores do Reino Unido já havia apontado uma relação causal entre sonecas durante o dia e obesidade, particularmente em relação à circunferência abdominal, um fator de risco para doenças cardiovasculares.
"Este estudo mostra a importância de considerar a duração da sesta e levanta a questão de saber se cochilos curtos podem oferecer benefícios exclusivos. Muitas instituições estão percebendo os benefícios de cochilos curtos, principalmente para a produtividade no trabalho, mas também cada vez mais para a saúde geral. Se estudos futuros comprovarem ainda mais as vantagens de sestas mais curtas, acho que isso poderia ser a força motriz por trás da descoberta de durações ideais de cochilo e uma mudança cultural no reconhecimento dos efeitos de longo prazo na saúde e aumentos de produtividade que podem resultar desse estilo de vida", afirma em comunicado o coautor do estudo, o neurocientista Frank Scheer.
Estudo conduzido no FoRC (Centro de Pesquisa em Alimentos) revela que o limoneno, substância abundante em frutas cítricas, é capaz de reduzir o ganho de peso. Os pesquisadores do FoRC – um Cepid (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão) da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sediado na USP (Universidade de São Paulo) – também identificaram novas moléculas que atuam no organismo associadas ao composto. Os resultados foram divulgados na revista Metabolites.
O limoneno pertence à classe dos monoterpenos, compostos orgânicos bioativos com diversos efeitos benéficos já descritos pela ciência: antimicrobiano, antitumoral, cicatrizante, antioxidante, analgésico etc. Porém, ainda são necessários novos estudos para que seus mecanismos de ação sejam mais bem compreendidos.
O efeito no controle do peso foi observado em camundongos, em estudo coordenado por Jarlei Fiamoncini, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da FCF-USP (Faculdade de Ciências Farmacêuticas).
Durante seis semanas, dois grupos de animais receberam diariamente uma ração com elevada quantidade de gordura, o suficiente para que se tornassem obesos. Na ração, os pesquisadores adicionaram diferentes doses de limoneno.
Um grupo recebeu doses baixas do composto, que correspondiam a 0,1% da ração diária; e outro, doses altas, equivalentes a 0,8% da ração diária. Para efeito de comparação, um terceiro grupo foi alimentado com a mesma ração gordurosa, mas sem o composto, enquanto um quarto recebeu dieta isocalórica, ou seja, moderada em gordura e carboidrato.
Resultados
Ao final desse período, os animais alimentados com dieta isocalórica não ganharam peso, enquanto aqueles que receberam apenas ração gordurosa ganharam cerca de 7 g.
Os camundongos que receberam ração gordurosa com doses elevadas de limoneno ganharam aproximadamente 25% menos peso (em comparação aos alimentados apenas com ração gordurosa), enquanto os que receberam baixas doses, 30% menos.
Constatou-se também que essa dosagem mais baixa promoveu um menor acúmulo de gordura em diferentes estruturas do tecido adiposo (reservatório de gorduras do corpo, localizado principalmente em camadas mais profundas da pele).
Segundo José Fernando Rinaldi Alvarenga, pesquisador colaborador do FoRC, bolsista da Fapesp e primeiro autor do estudo, uma das hipóteses que explicam esses resultados é a ação do limoneno sobre a microbiota intestinal dos animais.
“Quando consumido, o limoneno, além de ser absorvido pelo organismo, poderia estar agindo na modulação da microbiota. Entretanto, em altas concentrações, pode ter eliminado as bactérias benéficas da microbiota intestinal, diminuindo assim os benefícios relacionados à redução do ganho de peso”, afirma.
Outra hipótese é a de que o limoneno, ao ser absorvido, foi biotransformado pelo organismo em outras moléculas. Nesse processo, foi observado que o composto ganhou novas estruturas em relação à molécula original.
“Pode ser que essas moléculas biotransformadas pelo organismo sejam bioativas e, assim, seriam as responsáveis pelos efeitos. Nem sempre o composto que ingerimos é o composto que produz os efeitos no organismo”, avalia Alvarenga. Novas moléculas
Por meio da análise da urina desses animais, feita por espectrometria de massas, foi possível identificar essas moléculas, sendo que algumas delas nunca haviam sido descritas na literatura científica.
“Encontramos alguns metabólitos já identificados e outras moléculas que ainda não conhecíamos. No futuro, poderemos estudar essas novas moléculas para avaliar os potenciais benefícios. Isso é importante porque, além de possivelmente identificarmos esses benefícios, pode ser que outros efeitos já conhecidos, como o controle da glicemia e a modulação da microbiota, sejam em parte propiciados também pelos monoterpenos”, comenta o pesquisador do FoRC.
Os autores ressaltam a importância de novos estudos, não só em relação ao limoneno. De acordo com um artigo de revisão publicado pelo grupo no ano passado, os índices de monoterpenos encontrados nos alimentos, em geral, variam muito de estudo para estudo.
O mesmo ocorre sobre os possíveis efeitos desses compostos. O que há de evidências mais robustas é que os monoterpenos, além de antimicrobianos, podem ter efeitos benéficos em síndromes metabólicas, como obesidade e diabetes, e na redução da inflamação de células.
Além disso, ainda não se sabe se a ingestão desses compostos, por meio de um suplemento, por exemplo, seria eficaz e seguro para o ser humano.
“Por ora, deve-se priorizar o consumo de ervas, temperos e frutas, alimentos nos quais os monoterpenos são encontrados. No caso do limoneno, frutas como limão e laranja”, destaca Alvarenga.
O artigo Identification of D-Limonene Metabolites by LC-HRMS: An Exploratory Metabolic Switching Approach in a Mouse Model of Diet-Induced Obesity pode ser lido em: www.mdpi.com/2218-1989/12/12/1246.