vacinvaranteOs cientistas não estão totalmente confiantes de que as vacinas contra covid-19 funcionarão em uma nova variante do coronavírus encontrada na África do Sul, informou o editor político da ITV na segunda-feira (4) , citando um consultor científico não identificado do governo britânico.

Reino Unido e África do Sul descobriram novas variantes mais infecciosas do coronavírus nas últimas semanas, o que gerou um aumento no número de casos. O secretário de Saúde britânico, Matt Hancock, disse nesta segunda-feira (4) que agora está muito preocupado com a variante encontrada na África do Sul.


Cientistas, incluindo o CEO da BioNTech, Ugur Sahin, e o professor de medicina da Universidade de Oxford John Bell, disseram que estão testando as vacinas nas novas variantes e afirmam que podem fazer os ajustes necessários em cerca de seis semanas.

"De acordo com um dos consultores científicos do governo, a razão da 'incrível preocupação' de Matt Hancock sobre a variante sul-africana da covid-19 é que eles não estão muito confiantes de que as vacinas serão tão eficazes contra ela quanto são para a variante do Reino Unido”, afirmou o editor político da ITV, Robert Peston.

A Public Health England disse que atualmente não há evidências que sugiram que as vacinas não serão eficazes contra a nova cepa. O Ministério da Saúde não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários sobre o assunto.

 

reuters

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cepaO laboratório de diagnóstico Dasa informou nesta quinta-feira (31) que encontrou dois casos da nova variante do coronavírus em São Paulo. Segundo a empresa, essa é a mesma cepa que surgiu no Reino Unido. A descoberta foi comunicada ao Instituto Adolfo Lutz e à Vigilância Sanitária.

A empresa afirmou que foram analisadas 400 amostras de saliva, coletadas por testes de RT-PCR. Esse tipo de teste, considerado padrão ouro de diagnóstico, detecta o código genético (RNA, nesse caso) do vírus nas amostras.

A confirmação da cepa foi feita por meio de sequenciamento genético, em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMT-FMUSP).

Mutação
A variante, chamada de B.1.1.7, já foi registrada em pelo menos outros 17 países. Ela tem mutações que afetam a maneira como o vírus se fixa nas células humanas e é 56% mais contagiosa. Não há evidências de que a variante provoque casos mais graves ou com maior índice de mortes, nem mesmo que seja resistente às vacinas.


No Reino Unido, ela já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em nota, o Instituto Adolfo Lutz disse que está analisando as amostras e que fará o sequenciamento genético para identificação da linhagem em até 48h.

O estudo do laboratório brasileiro que identificou essa versão do coronavírus foi iniciado em meados de dezembro, quando o Reino Unido publicou as primeiras informações científicas sobre a variante.

Preocupação com testes
O laboratório disse que está trabalhando com o Instituto de Medicina Tropical da USP para gerar material que permita testar a eficiência de alguns tipos de testes do coronavírus. (Isso não se aplica aos testes PCR, que são capazes de detectar o vírus mesmo na nova variante).

A preocupação é que alguns atuais possam apresentar falsos negativos – quando uma pessoa está doente mas o exame não aponta a presença do vírus.

“Alguns testes de imunologia e de sorologia que só identificam a proteína S podem apresentar resultados falso negativos nos diagnósticos dessa nova variante", explicou o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.


"Estamos antecipando a avaliação para definir os exames que sofram menos interferência em seu desempenho de diagnóstico, numa eventual expansão desta variante no Brasil”, acrescentou.

Para a cientista Ester Sabino, do IMT da USP, a nova variante reforça a necessidade da quarentena.

"Dado seu alto poder de transmissão, esse resultado reforça a importância da quarentena, e de manter o isolamento de 10 dias, especialmente para quem estiver vindo ou acabado de chegar da Europa", disse.

Em nota, o Instituto Adolfo Lutz disse que está analisando as amostras e que fará o sequenciamento genético para identificação da linhagem em até 48h.

"Independentemente disso, a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com o município da Capital, já tomou todas as providências quanto ao monitoramento dos casos confirmados e dos seus contactantes", afirmou.

 

G1

Foto: Reprodução/Visual Science

varianteO ECDC (Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças) afirmou nesta terça-feira (29) que as novas variantes do novo coronavírus representam um risco maior de disseminação da covid-19, principalmente entre idosos e pessoas com comorbidades, e que o impacto em hospitalizações e mortes "é avaliado como alto".

A agência se refere a duas mutações do vírus, a VOC 202012/01, descoberta no Reino Unido, e a 501.V2, identificada na África do Sul. Segundo o órgão, a chance de propagação dessas mutações na União Europeia é alta.
Análises preliminares indicaram que as novas variantes elevaram a transmissibilidade do vírus, mas não foi registrado aumento da gravidade da infecção.

"Embora não haja informações de que as infecções por essas cepas sejam mais graves, devido ao aumento da transmissibilidade, o impacto da covid-19 em hospitalizações e mortes é avaliado como alto", informaram por meio de comunicado.

"A probabilidade de aumento da circulação de qualquer cepa de SARS-CoV-2 é considerada elevada devido à época festiva e, ainda mais elevada, em países onde as novas variantes estão estabelecidas", frisaram, destacando o impacto dessa propagação nos sistemas de saúde nas próximas semanas.
Os vírus mudam constantemente devido a processos de evolução e adaptação e, portanto, o surgimento de novas variantes da SARS-CoV-2 era esperado, de acordo com a agência.

"Algumas mutações ou combinações de mutações podem fornecer ao vírus uma vantagem seletiva, como maior transmissibilidade ou capacidade de anular a resposta imune do hospedeiro. Nesses casos, essas variantes podem aumentar o risco para a saúde humana e são consideradas variantes preocupantes", diz a nota.

Até sábado (26), o Reino Unido já registrava mais de 3 mil casos dessa nova variante, confirmados por sequenciamento do genoma, segundo o relatório. Os primeiros casos teriam surgido no final de setembro.

Na África do Sul, são mais de 300 casos. A variante foi observada pela primeira vez em outubro e agora é a forma dominante do vírus.

 

R7

Foto: divulgação Reuters

annitaUm artigo científico publicado no European Respiratory Journal nesta segunda-feira (28) afirma que o vermífugo nitazoxanida, cujo nome comercial é Annita, é capaz de reduzir em 55% a carga viral do novo coronavírus. O artigo é assinado por 29 pesquisadores, coordenados pela professora Patrícia Rocco, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Os pesquisadores ressaltam, no artigo, que a nitazoxanida é um medicamento amplamente disponível e exerceu "atividade antiviral de amplo espectro in vitro". No entanto, não houve evidências de seu impacto na infecção por SARS-CoV-2, o que significa que não reduziu os sintomas da covid-19.


O estudo contou com 1.575 voluntários em sete cidades brasileiras, sendo que 392 contraíram a covid-19 e foram selecionados; 198 tomaram placebo e 194, a nitazoxanida. Entre os pacientes que usaram o remédio, a carga viral apresentou queda de 55% após 5 dias. Já entre os que tomaram placebo, a carga viral caiu 45% no mesmo período.

A dosagem utilizada foi de 500 mg, de 8 em 8 horas, durante 5 dias.

 

R7

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