A gordura no fígado é uma condição silenciosa: na maioria dos casos, não apresenta sintomas, e muitas pessoas só descobrem o problema em estágios mais avançados. Ela pode ser causada por diversos fatores, como o consumo excessivo de álcool, colesterol alto, sobrepeso, obesidade, síndromes metabólicas e uma má alimentação. Por isso, cuidar da dieta é essencial para quem convive com a doença.
Especialistas alertam que o consumo de carboidratos deve ser controlado, já que os do tipo simples podem favorecer o acúmulo de gordura no fígado. Isso não significa, porém, que todos os carboidratos precisem ser cortados do cardápio. Veja quais são os tipos mais indicados para quem tem gordura no fígado.
Quais carboidratos são permitidos para quem tem gordura no fígado? Em entrevista prévia ao MinhaVida, a nutróloga Tamara Mazaracki explicou que carboidratos complexos são permitidos para pacientes com gordura no fígado. “Eles são absorvidos de forma mais lenta, não sobrecarregam o fígado e ajudam a manter a saciedade por mais tempo”, informou a especialista.
Alguns exemplos de carboidratos complexos são:
Feijão
Lentilha
Ervilha
Batata-doce
Grão-de-bico
Arroz integral
Inhame
Aveia
Banana
Mamão
Como tratar gordura no fígado? O tratamento para gordura no fígado consiste na adoção de hábitos saudáveis, sendo possível regredir o quadro. Algumas das orientações que devem ser seguidas são:
Praticar atividade física regularmente
Evitar o consumo de bebidas alcoólicas
Seguir uma alimentação balanceada
Controlar diabetes, colesterol e triglicerídeos
Interromper o uso de medicamentos que podem provocar a condição.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou, nesta segunda-feira (5), o início da pesquisa clínica com a polilaminina, uma substância que se mostrou promissora no tratamento de lesão medular.
O estudo clínico de fase 1 vai avaliar a segurança da aplicação do medicamento em cinco pacientes com idades entre 18 e 72 anos, que tenham lesões agudas completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10. As lesões precisam ter acontecido há menos de 72 horas e ter indicação cirúrgica.
O foco neste momento é testar a segurança da substância. Dependendo do resultado, o estudo deverá avançar para as fases 2 e 3 que testarão a eficácia dela. Em laboratório, a substância se mostrou eficaz para o tratamento de pessoas que perderam totalmente os movimentos abaixo da lesão. Nos estudos, as pessoas recuperaram parte dos movimentos.
Os testes, até então, foram restritos a poucos pacientes recém-lesionados e tiveram resultados de recuperação da mobilidade parcial ou total, dependendo do grau da lesão.
A polilaminina é baseada na laminina, uma proteína produzida por diversos animais, inclusive pelos seres humanos. O estudo autorizado pela Anvisa testa a polilaminina extraída da placenta humana. O uso da substância para tratamento de lesão medular vem sendo estudado há mais de 20 anos pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Fase 1 Os testes autorizados buscam detectar a segurança da substância. Neste momento, serão monitorados todos os eventos adversos que o uso do medicamento pode ocasionar. O estudo vai ser patrocinado pela empresa Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda.
Um novo medicamento em forma de comprimido foi capaz de estimular a queima de gordura mesmo em repouso, sem perda de massa muscular, em testes com animais e em um estudo inicial com humanos. A estratégia pode representar um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, ao aumentar o gasto de energia e melhorar o controle da glicose sem sobrecarregar o coração.
Os resultados foram publicados na revista científica Cell e descrevem uma nova classe de compostos desenhados para agir de forma mais seletiva nos músculos, evitando efeitos colaterais que costumam limitar terapias semelhantes.
O que essa pílula faz de diferente Ao contrário de remédios tradicionais que ativam amplamente o sistema adrenérgico —o mesmo envolvido na resposta ao estresse—, a nova substância foi desenhada para “ligar” apenas um caminho específico de sinalização celular ligado ao metabolismo.
Na prática, isso significa que o medicamento:
aumenta a captação de glicose pelos músculos, mesmo sem depender da insulina; eleva o gasto energético e reduz gordura corporal; não estimula excessivamente o coração, evitando taquicardia e lesões cardíacas; preserva a massa muscular, um ponto sensível em tratamentos para obesidade. Como o medicamento age no organismo O medicamento age sobre o receptor beta-2 adrenérgico, uma espécie de “interruptor” presente em células do músculo, do coração e de outros tecidos. Quando esse receptor é ativado, ele pode acionar caminhos diferentes dentro da célula —alguns benéficos, outros nem tanto.
As drogas mais antigas ligam principalmente uma dessas rotas, que aumenta o metabolismo, mas também acelera os batimentos cardíacos e pode sobrecarregar o coração.
O novo composto foi desenhado para ativar um caminho alternativo, mediado por uma proteína chamada GRK2. Essa rota estimula o músculo a captar glicose e gastar mais energia, inclusive em repouso, sem acionar os sinais ligados aos efeitos cardiovasculares.
Essa abordagem é chamada de agonismo enviesado: em vez de “ligar tudo”, o medicamento ativa apenas a via celular associada aos efeitos desejados.
Resultados em animais Em camundongos e ratos com obesidade e diabetes, o composto experimental:
melhorou a tolerância à glicose; reduziu a gordura corporal; aumentou o gasto de energia em repouso; não causou aumento do tamanho do coração nem lesões cardíacas, mesmo após meses de uso. Em modelos nos quais medicamentos à base de GLP-1 costumam provocar perda de músculo, a nova substância evitou a atrofia muscular, inclusive quando usada em combinação com esses fármacos.
E em humanos? O medicamento já foi testado em um ensaio clínico de fase 1, que avalia segurança. Participaram voluntários saudáveis e pessoas com diabetes tipo 2.
Segundo os pesquisadores:
A pílula foi bem absorvida por via oral; não houve alterações relevantes de pressão arterial ou ritmo cardíaco; os efeitos colaterais foram leves e transitórios; não foram observados sinais de toxicidade cardíaca. Esses dados permitiram o avanço do composto para estudos de fase 2, que vão avaliar se ele realmente funciona para controle da glicose e redução de peso em pacientes.
Evolução Hoje, os principais medicamentos contra obesidade e diabetes —como os agonistas de GLP-1— são eficazes, mas podem levar à perda de massa magra e exigem aplicações injetáveis. Já drogas que ativam o sistema adrenérgico tendem a causar efeitos cardiovasculares importantes.
A nova abordagem tenta resolver esses dois problemas ao mesmo tempo: tratamento oral, com ação metabólica potente e perfil de segurança mais favorável.
Os autores destacam que, se os próximos estudos confirmarem a eficácia, a estratégia pode abrir caminho para uma nova geração de medicamentos metabólicos — inclusive para uso combinado com terapias já existentes.
Próximos passos da pesquisa Testes de eficácia em humanos: após o bom perfil de segurança na fase 1, os pesquisadores agora avançam para estudos de fase 2, que vão avaliar se o medicamento realmente melhora o controle da glicose e favorece a redução de gordura em pessoas com obesidade e diabetes tipo 2.
Avaliação do impacto no peso e na composição corporal: os novos ensaios devem medir não apenas a perda de peso total, mas também quanto dela vem da gordura —e se a massa muscular é preservada ao longo do tratamento.
Estudos de uso prolongado: como o mecanismo do remédio envolve mudanças graduais no metabolismo muscular, os cientistas planejam acompanhar os voluntários por períodos mais longos para observar benefícios e possíveis efeitos tardios.
Combinação com outras terapias: o grupo também pretende testar o medicamento em associação com drogas já usadas contra obesidade, como os agonistas de GLP-1, para verificar se a combinação potencializa resultados e reduz a perda de músculo.
Confirmação de segurança cardiovascular: apesar dos dados iniciais positivos, os pesquisadores destacam que estudos maiores serão necessários para confirmar a ausência de efeitos relevantes sobre o coração.
A Corrida Internacional de São Silvestre chega à sua 100ª edição cercada de simbolismo, festa e tradição. São 15 quilômetros pelas ruas do centro de São Paulo, na manhã de 31 de dezembro, reunindo dezenas de milhares de corredores na despedida do ano.
Por trás do clima festivo, porém, a prova impõe exigências físicas que vão além do cansaço esperado em uma corrida de rua. Disputada em horário mais tardio e em pleno verão, a São Silvestre expõe os atletas a calor intenso, esforço prolongado e um percurso marcado por descida e subida, combinação que amplia o desgaste do organismo.
“Para muita gente, a corrida dura mais de uma hora, podendo chegar a uma hora e meia de esforço contínuo sob temperaturas elevadas”, explica Diego Leite de Barros, educador físico e especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Risco térmico e desidratação Esse cenário aumenta o risco de desidratação, superaquecimento e mal-estar, sobretudo entre corredores amadores. A largada após as 8h, destaca Barros, potencializa a perda de líquidos e eletrólitos pelo suor —um processo que costuma se instalar de forma silenciosa.
“Quando a pessoa sente sede, geralmente já está desidratada. A partir daí, surgem outros sintomas, como queda de pressão, tontura e perda de coordenação motora, até se chegar à exaustão térmica, que é a hipertermia”, afirma Barros. Médico ortopedista do Hospital Sírio Libanês, Diego Munhoz reforça que o risco térmico raramente atua sozinho.
“O que mais preocupa é a combinação de desidratação com exaustão térmica. Ela pode evoluir para insolação, que é uma emergência médica”, diz.
Além do estresse térmico e do desgaste muscular, a São Silvestre também pode funcionar como um teste silencioso para o coração —sobretudo em pessoas que não têm acompanhamento médico regular.
Para o cardiologista titular do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Elzo Mattar, estar com o check-up em dia é uma medida básica de segurança antes de encarar a prova.
“É fundamental saber se a pessoa tem alguma cardiopatia, seja congênita ou genética, ou doenças adquiridas, como a aterosclerose, que podem representar risco durante a prática de atividade física intensa”, explica o médico.
Segundo ele, condições comuns como pressão alta e algumas arritmias muitas vezes não dão sintomas e só são detectadas em consulta. “Se não tratadas, podem aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral e até morte súbita”, alerta.
Essa avaliação prévia ganha ainda mais importância em uma prova disputada sob calor intenso e esforço prolongado.
“O ambiente da São Silvestre impõe uma carga extra ao sistema cardiovascular, o que pode desmascarar problemas que estavam silenciosos”, afirma Mattar, reforçando que a combinação de desidratação, aumento da frequência cardíaca e queda de pressão pode ser especialmente perigosa em quem já tem algum fator de risco.
A observação dialoga com o que especialistas em fisiologia e ortopedia apontam ao longo da prova: quando o corpo começa a dar sinais de alerta, insistir não é sinal de resistência, é risco.
Multidão, ritmo e sobrecarga Outro desafio pouco visível está na própria dinâmica da prova. Com cerca de 55 mil inscritos, a aglomeração dificulta a dispersão dos atletas ao longo do percurso, atrapalha o acesso aos pontos de hidratação e aumenta a sensação térmica. “Há o calor do verão, o calor humano e o calor do asfalto. Tudo isso amplia a sobrecarga sobre o corpo”, explica Munhoz.
Nesse contexto, erros de estratégia se tornam mais frequentes. A descida logo no início da prova leva muitos corredores a forçar além do que estão acostumados. “As pessoas se empolgam com o clima do evento, largam mais rápido do que treinaram e acabam pagando esse esforço mais adiante”, afirma o ortopedista.
O resultado pode ser queda brusca de rendimento, mal-estar e, em alguns casos, desmaios.
Para Barros, esses episódios não deveriam ser comuns, mas acabam acontecendo justamente pela combinação de distância, calor e preparo inadequado.
“O desmaio é um sinal de colapso do organismo, como se o corpo desligasse o ‘disjuntor’ para evitar um dano maior”, explica.