A inédita corrida científica por uma vacina contra a covid-19 mobiliza um esforço de comunidades científicas em todo o mundo. Os cálculos da OMS (Organização Mundial da Saúde) dão a medida deste empenho: até 17 de dezembro, foram registrados estudos para o desenvolvimento de 223 vacinas. Deste grupo, 57 estão na fase clínica, isto é, aplicada em grupos humanos, para observação da resposta imunológica. Outras 166 estão em fase pré-clínica, caracterizada por testes em laboratório.
O desenvolvimento e aprovação de uma vacina para aplicação em massa pode levar de 2 a 10 anos. O caso do imunizante para o coronavírus foge à regra, em função da emergência mundial de conter a pandemia. Das 57 vacinas em fase clínica, 11 estão na etapa mais adiantada de testes, a fase 3, após a qual a substância é submetida a autoridades sanitárias para aprovação.
O café já foi pauta de diversas discussões… Alguns acreditam que faz mal à saúde, enquanto outros defendem que é muito benéfico. Para solucionar todas essas questões e mistérios sobre a bebida queridinha dos brasileiros, a nutricionista Mariana Ribeiro esclareceu os principais mitos e verdades sobre o café. Saiba mais!
Conheça 7 mitos e verdades sobre o café
Faz mal para a saúde Mito e verdade! Quando consumido em doses altas ou por pessoas sensíveis, o café pode causar azia, dores de estômago e insônia. “A grande questão em relação ao seu consumo está no aumento do colesterol ruim (LDL), que ocorre por conta do café não filtrado, o famoso expresso”, explica a nutricionista.
Piora a gastrite Mito! Não existem comprovações científicas de que a bebida provoque gastrite ou úlcera gástrica. Entretanto, o café aumenta a secreção ácida do estômago e, por isso, sua ingestão deve ser evitada por quem já sofre com esse problema.
Engorda Mito! “Se for consumido puro ou com adoçante, o café é inofensivo ao ganho de peso. Porém, um copo de cafezinho de 50 ml com açúcar tem aproximadamente 33 kcal. Ao final de um dia inteiro, as calorias contabilizadas podem ser muitas”, diz. Sendo assim, vale ficar de olho na quantidade de bebida ingerida, além da maneira de adoçá-la.
Não é recomendado tomar à noite Mito e verdade! O café pode ser um incômodo à noite para a maioria das pessoas, mas para toda regra existe exceção: “Por conta dos seus efeitos estimulantes do sistema nervoso central, a ingestão de café no período noturno pode tirar o sono. Para quem tem dificuldades para dormir, o ideal é evitar. Há pessoas, entretanto, que tomam o seu café após o jantar regularmente e dormem muito bem”.
É rico em sais minerais Verdade! De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o grão de café é rico em potássio, magnésio, cálcio, sódio, ferro, manganês, zinco, cobre e cromo. “O grão possui também uma quantidade considerável de lipídeos (10% a 20%), açúcares (35% a 55%) e aminoácidos (2%), substâncias importantes como fontes de energia”, complementa a especialista.
Previne algumas doenças Verdade! “Alguns estudos indicam que consumo de café pode evitar o diabetes mellitus tipo 2, ajudar contra a depressão e até prevenir alguns tipos de câncer. No entanto, mais estudos são necessários para que tais efeitos sejam comprovados”, revela Mariana.
Pode piorar problemas de saúde Verdade! Algumas doenças que podem ter os sintomas agravados devido ao consumo excessivo de café são gastrite, doença do refluxo gastroesofágico, úlcera péptica, transtorno de ansiedade generalizada, palpitações por arritmias cardíacas, hipertensão arterial e doença isquêmica. “Por isso, toda pessoa que tenha qualquer um desses problemas deve consumir café com moderação e, preferencialmente, após ouvir os conselhos de seu médico”, finaliza.
As vacinas contra covid-19 em duas doses vão impor ao SUS (Sistema Único de Saúde) um trabalho ainda mais árduo quando tiver início o programa de imunização.
Não bastasse ter que orientar a população a retornar aos postos de saúde para a segunda aplicação em um prazo de algumas semanas, também será preciso garantir que cada pessoa tome a mesma vacina na primeira e na segunda vez, já que devem ser usados imunizantes de mais de um fabricante.
A epidemiologista e ex-coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunizações) Carla Domingues observa que nenhum país do mundo teve até hoje de fazer grandes campanhas de vacinação com duas doses.
Segundo ela, a comunicação vai ser fundamental para garantir o sucesso da imunização contra a covid-19 no Brasil.
"[O governo] tem que convencer e mostrar que com uma única dose você não está protegido. A população está acostumada a tomar vacina de influenza e depois não voltar mais [ao posto de saúde]. Então, precisa explicar por que essa vacina tem que voltar 15 dias depois, 21 dias depois. A comunicação é o alicerce dessa campanha", diz.
Carla destaca o anúncio do Ministério da Saúde de utilizar o aplicativo Conecta SUS como principal ferramenta para garantir que não haja problemas relacionados às doses.
"É uma preocupação muito grande que quem começar a tomar uma vacina termine com a aquela vacina. As vacinas não são intercambiáveis. E a gente sabe que no afã muitas pessoas querem tomar vacinas diferentes achando que vão ficar mais protegidas. Isso também vai ter que segurar as pessoas", explica.
No plano apresentado pelo governo nesta semana há a possibilidade de que mais de um tipo de vacina seja utilizado simultaneamente.
Devem ser incluídos imunizantes da AstraZeneca, também produzidos pela Fiocruz a partir de julho, além de um dos que fazem parte do Covax Facility, consórcio internacional para aquisição de vacinas.
Estes dois contratos já garantem cerca de 253 milhões de doses. O Ministério da Saúde também negocia a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan.
Há ainda memorandos de entendimento com a Pfizer/BioNTech para aquisição de 70 milhões de doses, mas apenas 8,5 milhões no primeiro semestre de 2021, e da Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson — 38 milhões de doses, sendo 3 milhões entre abril e junho.
Usar várias vacinas em um programa de imunização nacional vai exigir mecanismos de controle além de evitar que as pessoas tomem a segunda dose diferente da primeira é fundamental para o rastreamento das vacinas na hora de reportar eventuais efeitos colaterais — é a chamada farmacovigilância.
A ex-coordenadora do PNI lembra que, em 2010, também havia mais de uma vacina para a campanha do H1N1, mas o cenário era outro.
"Na vacinação do H1N1, nós tivemos três imunobiológicos diferentes para fazer a vacinação. Foram vacinados 100 milhões de brasileiros em três meses. A gente organizou que cada região recebeu um tipo de vacina diferente. Mas tínhamos todas as vacinas na mão. Agora, essas vacinas vão chegar por etapas e possivelmente cada município vai receber vacina de mais de um fornecedor."
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, confirmou que o Ministério da Saúde está em negociações com o Instituto Butantan, em São Paulo, para adquirir um primeiro lote de 46 milhões de doses da CoronaVac. A informação foi dada nesta quinta-feira (17) durante sessão realizada no plenário do Senado para discutir o plano nacional de vacinação contra a covid-19.
"Eu coloco aqui de uma forma muito clara: sim, nós temos um memorando de entendimento com o Butantan há mais de dois meses e meio. E estamos partindo para um contrato", afirmou o ministro, destacando que sua concretização depende do registro do imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Pazuello também afirmou que o cronograma de vacinação está sendo fechado em cima da previsão de entrega de três imunizantes: CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer. De acordo com ele, a previsão é de que sejam entregues, em meados de janeiro, 24 milhões e 700 mil doses de vacinas contra a covid-19: 500 mil da Pfizer, 9 milhões do Butantan e 15 milhões e 200 mil da AstraZeneca.
Entretanto, o ministro não especificou em que dia do mês a entrega vai ocorrer. "A data exata é o mês de janeiro, pode ser 18 de janeiro, 20 de janeiro. O processo diário de decisão e acompanhamento vai nos dar a data. mas já nos dá um novo desenho. Isso tudo dependendo do registro da Anvisa", enfatizou.
Estão previstas mais 22 nilhões de doses da CoronaVac para fevereiro. Já a Pifzer e a AstraZeneca devem entregar a mesma quantidade do mês anterior. Com isso, serão mais 37 milhões e 700 mil doses disponíveis. "Em março, outras 31 milhões de doses e a partir dali equilibra o número", disse.
O acordo já fechado com a AstraZeneca garante 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica em parceria com a Universidade de Oxford até o primeiro semestre de 2021. A partir de julho, começa a produção nacional: serão 20 milhões de doses por mês fabricadas pelo Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
Além disso, estão asseguradas mais 42, 5 milhões de doses por meio do Covax Facility, aliança global liderada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que tem o objetivo de garantir aos países em todo o mundo o acesso equitativo a vacinas seguras e eficazes contra a doença causada pelo novo coronavírus.