voltaaulasO risco de contágio da covid-19 em escolas não aumenta desde que protocolos de segurança sejam rigorosamentes seguidos, segundo médicos. É mais frequente crianças se infectarem fora do ambiente escolar do que dentro, ressalta o pediatra infectologista Marco Sáfadi, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

"Um dos argumentos para o não retorno às aulas é que representa risco de infecção. Mas estudos feitos em escolas que retornaram as aulas durante a pandemia e rastrearam a origem das transmissões mostraram que era mais frequente crianças se infectarem fora do que dentro da escola. É uma equívoco muito grande não levar crianças à escola, pois elas frequentam outros ambientes que não têm todos os cuidados que a escola implementa e as chances de infecção são maiores", afirma.


Como exemplo de outros ambientes, ele cita restaurantes, clubes e igrejas. "As fontes de infecção, de modo geral, são locais com acúmulo de pessoas, pessoas sem máscara, pouca ventilação e onde ficam por muito", explica. "Qualquer atividade é de risco, algumas de maior outras de menor. A escola não é de maior risco para infecção. Na maioria das vezes, a infecção não ocorre dentro do ambiente escolar", ressalta.


O pediatra Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) explica que as experiências que têm sido relatadas por países que já retornaram às aulas é o que risco de contágio não aumenta desde que os protocolos de segurança sejam rigorosamentes seguidos.

"Se as medidas para evitar a transmissão não forem seguidas, como uso de máscara a partir dos dois anos, distanciamento de 1,5m a 2m entre as crianças, lavagem de mãos e evitar aglomeração, o risco de contágio vai existir. O que tem sido relatado é que, quando isso é colocado em prática, a transmissão é evitada, não apenas entre crianças", diz.

Cunha ressalta que, enquanto as aulas não retornam, as crianças estão se infectando como "todas as outras pessoas". "O que temos observado é que, infelizmente, a população não está obedecendo às regras que são básicas e muito simples para evitar a transmissão: uso de máscara, lavagem das mãos, distanciamento social e evitar aglomerações".

Sáfadi explica que a maior transmissão da covid-19 não se dá entre crianças, mas sim a partir de adultos, principalmente de adultos jovens. "A maior transmissão se dá em aqueles que não obedecem às regras, independemente do grupo etário, mas é mais comum a transmissão de adulto para adulto", complementa Cunha.

Risco das novas variantes
As novas variantes do coronavírus do Reino Unido e da África do Sul, já em circulação no Brasil, são mais transmissíveis que o vírus padrão - a do Amazonas ainda está em estudo. No entanto, não há comprovação científica de que sejam mais contagiosas em crianças, reforça Sáfadi. "São interpretações precipitadas".

Cunha destaca que, mesmo assim, as variantes são uma preocupação porque as regras que valiam para o vírus padrão podem não valer mais para as nova variantes, conforme vão sendo estudadas. "Crianças continuam não sendo o grupo de maior risco de doença grave e morte, mas isso não significa que não aconteça com elas", diz.

Mortes em crianças e adolescentes correspondem a 0,6 do total de mortes, apesar de esse grupo representar 25% da população até 19 anos, explica Sáfadi. "Quando há muitos casos e mortes esse número acaba respigando nas crianças. Existe um aumento de mortes onde há mais casos, mas esse aumento está ocorrendo dentro da mesma proporção em crianças", esclarece. Durante um ano de pandemia, houve cerca de 1.200 mortes entre crianças e adolescentes no país, segundo o infectologista.

Cunha frisa que os protolocos de segurança devem ser seguidos no volta às aulas não apenas para proteger as crianças, mas também os profissionais que trabalham na escola. "São grupos que estão na estratégia de vacinação, mas vai demorar para serem vacinados. Esse retorno tem que ser seguro para professores e outros trabalhadores da escola", finaliza.

 

R7

Foto: IBRAHEEM ABU MUSTAFA/REUTERS

A aliança Covax, iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) para garantir o acesso equitativo às vacinas contra a Covid-19, deve enviar de 10 a 14 milhões de doses da vacina de Oxford ao Brasil a partir de fevereiro.

A informação foi divulgada neste sábado (30) pelo Ministério da Saúde, que disse ter recebido a estimativa em uma carta enviada pelo consórcio internacional.

A Covax Facility é uma coalizão de mais de 150 países criada para impulsionar o desenvolvimento e a distribuição das vacinas contra a Covid-19. O Brasil é um dos participantes.

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, já havia anunciado no último dia 22 que as primeiras doses da Aliança Covax seriam distribuídas a partir do próximo mês – sem detalhar quanto cada país receberia.

Covax pretende entregar 1,8 bilhão de doses de vacinas para 92 países mais pobres em 2021
Nesse primeiro momento, segundo a OMS, há acordo de compra para 40 milhões de doses da vacina produzida pela Pfizer e pela BioNTech e outras 150 milhões de doses da vacina de Oxford e da AstraZeneca.

Segundo o Ministério da Saúde, a carta enviada pela Aliança Covax estabelece que o Brasil receberá doses da vacina de Oxford – que já tem registro emergencial aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O pedido de registro definitivo foi feito nesta sexta (29).

Nova análise da Anvisa
Responsável pela análise e pela aprovação de todas as vacinas a serem aplicadas no Brasil, a Anvisa informou neste sábado que acompanha as ações do consórcio Covax e participa das reuniões.

Segundo a agência, a necessidade de uma novo pedido de registro dessas vacinas depende do local de produção e da forma de apresentação das doses.

O registro emergencial já concedido analisou vacinas de Oxford produzidas e finalizadas pelo laboratório Serum, da Índia. Se as doses a serem enviadas pela Covax tiverem a mesma origem e apresentação, a Anvisa pode simplesmente “ampliar” a autorização para uso.

Uma análise adicional como essa já foi feita pela Anvisa em relação à Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac. A agência já havia aprovado o uso emergencial de doses trazidas prontas da China, e depois se reuniu para aprovar novamente a aplicação das doses finalizadas no Brasil pelo Instituto Butantan.

Se as vacinas forem produzidas em outro laboratório, no entanto, a Anvisa diz que terá de analisar um novo pedido de registro emergencial. O mesmo acontecerá se a Covax enviar apenas o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), a matéria-prima do imunizante, para que a vacina seja finalizada no Brasil.

Em outubro, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, informou que a contribuição do Brasil na aliança global previa, como contrapartida, o recebimento de 42 milhões de doses de vacinas.

Esse total seria suficiente para a cobertura de 10% da população brasileira, o que equivale a cerca de 21 milhões de pessoas (considerando a necessidade de dose dupla).

A aliança Covax vai disponibilizar ao menos 2 bilhões de doses de vacinas até o fim de 2021 e 92 países pobres deverão ter acesso a 1,3 bilhão de doses ainda no primeiro semestre. O Brasil participa da aliança, mas não está na lista dos países mais pobres.

“O governo federal reitera sua grande satisfação com os resultados exitosos da estratégia de acesso do Brasil às vacinas contra a COVID-19 desenhada ao longo de 2020”, diz texto divulgado pelo Ministério da Saúde neste sábado.

“Além da participação do Brasil no consórcio Covax Facility, o governo federal já firmado parceria com a empresa AstraZeneca e a Universidade de Oxford, por meio da Fundação Oswaldo Cruz/BioManguinhos. O governo federal ainda assegurou o acesso da população brasileira, por meio do Programa Nacional de Imunização, à vacina Coronavac, resultado de parceria entre a Sinovac e o Instituto Butantan”, prossegue a pasta.
Por G1/TV Globo

reinfecvariantEspecialistas que acompanham a evolução do novo coronavírus afirmam que a variante chamada de P.1, identificada em Manaus no começo do ano, tem potencial para infectar pessoas que já tiveram a Covid-19. Entretanto, a análise exige cautela e os pesquisadores aguardam estudos conclusivos.


A imunologista Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical-USP, participou de um artigo internacional sobre o "ressurgimento" da Covid-19 em Manaus, publicado na revista científica "The Lancet".

Uma das possibilidades avaliadas pelos cientistas é que as novas linhagens do SARS-CoV-2 podem escapar da imunidade gerada em resposta à infecção anterior. O artigo já relata que houve ao menos um caso de reinfecção em Manaus associado à linhagem P.1.

“Já temos um caso descrito, mas ainda não sabemos com que frequência isso pode acontecer", diz Ester Sabino.
No país, além de Manaus, o estado de São Paulo confirmou mais três casos dessa nova variante. Cinco estados estudam casos suspeitos: Santa Catarina, Paraná, Ceará, Acre e Mato Grosso do Sul.

Mellanie Fontes-Dutra, idealizadora da Rede Análise Covid-19, doutora em neurociências e pesquisadora pós-doc em bioquímica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, explica que a variante P.1 pode ser a responsável pelos casos de reinfecção.

“Um dos motivos é que são variantes diferentes. A imunidade que você tem da cepa original pode não abranger essa segunda.” - Mellanie Fontes-Dutra, pesquisadora da Rede Análise Covid-19
Essa também é a opinião da bióloga e doutora em saúde pública Rute Andrade.

"Existe, sim, a possibilidade [de reinfecção pela nova variante]. Sobre a imunidade para o coronavírus, temos uma série de situações: pessoas que não desenvolvem o anticorpo de forma suficiente para ser detectado, pessoas que desenvolvem uma quantidade de anticorpos que ficam presentes no organismo por tempo limitado e também temos essa variante com modificações que o anticorpo produzido pode não reconhecer" - Rute Andrade, pesquisadora.


As especialistas explicam que o Brasil precisa de mais estudos sobre a nova variante, mas que profissionais da saúde da linha de frente em Manaus dizem que a segunda onda da Covid foge do padrão já verificado no estado.

"Eles dizem que tem algo diferente acontecendo e isso pode ser o impacto da variante. Devemos ficar atentos e preocupados", conta Fontes-Dutra.
uatro possíveis explicações sobre Manaus
Uma equipe internacional com participação da Universidade de São Paulo, Universidade de Oxford, King’s College e Universidade Harvard publicou um artigo sobre o ‘ressurgimento’ da Covid-19 em Manaus.

Os pesquisadores apontam quatro possíveis explicações para essa alta no número de casos e mortes em Manaus em dezembro e janeiro – entre elas o surgimento da variante P.1.

A capital do Amazonas não atingiu a imunidade coletiva como se cogitava. Nesse cenário, o ressurgimento poderia ser explicado por uma maior mistura de infectados e indivíduos suscetíveis durante dezembro.


A imunidade contra a infecção pode ter começado a diminuir em dezembro, já que estudos apontam que a imunidade dura até seis meses após a infecção primária.


As linhagens SARS-CoV-2 podem escapar da imunidade gerada em resposta à infecção anterior – um caso de reinfecção em Manaus foi associado à linhagem P.1.
As linhagens que circulam na segunda onda podem ter transmissibilidade inerente mais alta do que as linhagens que já circulam em Manaus.


Variante encontrada em oito países
O último boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta semana, informou que a variante brasileira já está em oito países. O documento diz que a transmissão acelerada no Brasil levanta preocupações, mas que mais estudos ainda são necessários "para avaliar se há alterações na transmissibilidade, gravidade ou atividade neutralizadora de anticorpos como resultado destas novas variantes".

"No Brasil, onde a variante foi inicialmente identificada além da detecção em um grupo de viajantes do Brasil para o Japão, o número de novos casos semanais nas últimas duas semanas é relatado em níveis mais elevados em comparação com o de setembro a novembro de 2020, e novas mortes semanais aumentaram desde o início de novembro de 2020", explicou a OMS.

 

G1

aplicarcoronavacA Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu um alerta na terça-feira (26) sobre os cuidados para administrar a CoronaVac, que vem em um frasco multidose de 5 ml com 10 doses de vacina, a fim de prevenir erros.

A agência ressalta que os profissionais de saúde que aplicam o imunizante devem se certificar de que o volume a ser aspirado do frasco multidose é de 0,5 ml por pessoa, "de modo que cada uma receba somente a dose exata e necessária", informou por meio de nota.


Outro cuidado se refere à validade da vacina depois que o frasco é aberto. A agência destaca que todas as doses devem ser utilizadas em um prazo de até oito horas após a abertura do recipiente, "desde que seja mantido em condições assépticas e sob temperatura entre 2°C e 8°C". "Essa medida visa garantir as propriedades do imunizante, uma vez que a vacina não contém conservantes", esclarece.

A nota enfatiza que já foram relatados erros na Alemanha e em Israel, onde pacientes receberam cinco vezes a dose preconizada de outras vacinas contra a covid-19.

Os primeiros 6 milhões de doses da Coronavac, aprovados para o uso emergencial no dia 17, foram importados da China em embalagem final, contendo apenas 0,5 ml cada, segundo a Anvisa. "No dia 22, a agência realizou nova aprovação de uso emergencial para lotes da referida vacina que estão sendo envasados no Instituto Butantan em frascos multidoses de 5 ml, ou seja, contendo 10 doses de 0,5 ml", finaliza.

 

R7

Foto: AMANDA PEROBELLI/REUTERS