Um ensaio clínico realizado por pesquisadores no Hospital Geral de Massachussets (EUA) mostrou que pacientes com depressão podem ter uma diminuição dos sintomas a partir da prática de hot ioga. Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Psychiatry.

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Para o estudo, os pesquisadores reuniram 80 participantes adultos, diagnosticados com depressão moderada. Eles foram divididos em dois grupos randomizados, e acompanhados durante oito semanas.

O primeiro grupo, com 33 participantes, foi submetido a sessões de 90 minutos de Bikram yoga, em uma sala aquecida a 40°C, duas vezes por semana, enquanto o outro grupo, com 32 pessoas, ficou em uma lista de espera (e fez as aulas após esse período).

Após o período, foi observado que os participantes que praticaram a atividade, apresentaram uma redução significativa nos sintomas depressivos, quando comparados ao outro grupo, em análise da escala do IDS-CR (Inventário de Sintomatologia Depressiva).

As taxas mostraram que 59,3% dos adultos que compunham o primeiro grupo tiveram uma diminuição de 50% ou mais nos sintomas, contra 6,3% dos participantes da lista de espera. Ainda, 44% das pessoas que praticaram a ioga apresentaram pontuação tão baixa no IDS-CR, que o diagnóstico foi considerado em remissão.

Os pesquisadores relataram, também, que foram percebidas reduções nos sintomas entre os pacientes que fizeram as aulas de ioga apenas uma vez por semana.

“Intervenções baseadas em ioga e calor podem, potencialmente, mudar o curso do tratamento para pacientes com depressão, fornecendo uma abordagem não baseada em medicamentos com benefícios físicos adicionais como bônus”, diz a autora principal, Maren Nyer, diretora de estudos de ioga no Programa Clínico e de Pesquisa em Depressão do Hospital Geral de Massachusetts.

O autor sênior do estudo e diretor do Programa Clínico e de Pesquisa em Depressão do Hospital Geral de Massachusetts afirma que ainda são necessárias pesquisas futuras para comparar a hot ioga com a ioga sem aquecimento, a fim de explorar se o calor tem benefícios superiores aos da ioga no tratamento da depressão, especialmente dadas as evidências promissoras da hipertermia de corpo inteiro como tratamento para o transtorno depressivo maior.

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Foto: Freepik/SENIVPETRO

Um estudo feito por pesquisadores do a Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova Iorque, concluiu que o sildenafil, princípio ativo de remédios para disfunção erétil, como o Viagra, pode auxiliar na redução dos riscos de desenvolvimento do Alzheimer em até 60%.

De acordo com estudos anteriores, os pacientes com Alzheimer possuem uma alta concentração da enzima fosfodiesterase-5, e o sildenafil age como inibidor dessa substância, dilatando veias e artérias e aumentando o fluxo sanguíneo.

Para o Alzheimer, o medicamento poderia regular a secreção dessa enzima, se elegendo como potencial problema para o tratamento. Os pesquisadores resolveram, então, entender a relação entre o remédio e a doença.

Eles analisaram dados de 30 milhões de pessoas a partir do banco de dados IBM MarketScan e dividiram entre aqueles que usavam o sildenafil e aqueles que não o utilizavam.

A partir dessa comparação, os cientistas concluíram que o uso do sildenafil foi associado a uma redução de 60% no risco de desenvolver doença de Alzheimer, tanto em homens, quanto em mulheres.

R7

Um em cada três hipertensos não sabe da sua condição no Brasil: a doença afeta 50 milhões de pessoas, ou cerca de 45% dos adultos na faixa entre 30 e 79 anos, e pode atingir até 65% dos idosos com mais de 60 anos. Apenas um terço dos pacientes se trata corretamente, segundo dados de um relatório recente da OMS (Organização Mundial da Saúde).

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A hipertensão é uma condição caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial, em que a pressão sistólica (máxima) é maior do que 140 mmHg e a pressão diastólica (mínima) fica acima de 90 mmHg. Seu desenvolvimento é influenciado por fatores genéticos, ambientais e sociais.

“O subdiagnóstico está relacionado principalmente ao fato de se tratar de uma doença assintomática e ao pouco conhecimento da população dos riscos da falta de controle adequado, como lesões em órgão-alvo e, consequentemente, maior risco de infarto, AVC [acidente vascular cerebral] e morte”, diz o cardiologista Eduardo Segalla, do Hospital Israelita Albert Einstein.

“Por ser uma doença silenciosa, as pessoas não se preocupam”, completa a cardiologista Lucélia Magalhães, presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia. “Nosso estilo de vida, com uma cultura que leva à obesidade e ao sedentarismo, por exemplo, favorece que genes da doença se expressem. É uma verdadeira epidemia, que só piorou após a pandemia”, observa a médica.

Fatores socioeconômicos, como baixa escolaridade e renda, juntamente com o consumo excessivo de sal e o abuso de álcool, também desempenham um papel fundamental nesse problema. A hipertensão, quando não tratada, provoca alterações funcionais e estruturais em órgãos como o coração, o cérebro e os rins, aumentando o risco de infarto, derrame, insuficiência cardíaca e morte. De fato, ela é o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares e doença renal crônica.

Controle da pressão A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que a pressão seja medida rotineiramente nas consultas de qualquer especialidade médica. Se o valor encontrado for menor do que os famosos 14x9, o paciente pode ser avaliado anualmente. O diagnóstico é estabelecido quando há alteração em duas avaliações feitas com a técnica correta em pelo menos duas ocasiões. Também é aconselhável, se possível, complementar com exames fora do consultório, como o Mapa, que monitora os valores ao longo de 24 horas.

Uma vez diagnosticada, são necessários outros exames para rastrear lesões em órgãos-alvo, como coração, cérebro e rins. As metas e o tratamento, incluindo o uso de remédios, vão depender da idade e dos fatores de risco de cada paciente. Em muitos casos, ela pode ser controlada apenas com alteração de hábitos.

“O controle da pressão exige alto grau de compromisso com a mudança de estilo de vida e adesão aos medicamentos”, diz Segalla. “Muita gente não consegue aderir ao tratamento, pois é preciso emagrecer, reduzir o sal, adotar uma atividade física e às vezes tomar remédios”, complementa Magalhães. “Então, acaba procurando o médico apenas quando aparece alguma complicação.”

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte, hospitalização e atendimento em consultório em todo o mundo. No Brasil, respondem por 27% de todos os óbitos, segundo dados do Datasus (Sistema de Informática do Sistema Único de Saúde) de 2017. A hipertensão está associada a quase metade deles (45%).

Os médicos alertam que fazer check-ups rotineiros permite identificar problemas de saúde em estágios iniciais, bem como avaliar o risco em pessoas assintomáticas e adotar medidas de prevenção. A checagem em consultório, com exames de laboratório e de imagem, ajuda a verificar também a saúde dos órgãos-alvo. A conduta para cada pessoa é planejada a partir do chamado score de risco, estabelecido por meio de um sistema de pontos baseado em fatores como idade, sexo, antecedentes familiares, além da presença de condições como hipertensão e colesterol alto.

Agência Einstein

Foto: Freepik

 

O Farmanguinhos/Fiocruz (Instituto de Tecnologia em Fármacos) começou a fornecer ao SUS (Sistema Único de Saúde) uma combinação de antirretrovirais que vai facilitar o tratamento do HIV/aids. Desde este mês de outubro, o instituto distribui à saúde pública a combinação do dolutegravir 50mg e do lamivudina 300mg em um único medicamento.

A Fiocruz explica que, tradicionalmente, o tratamento do HIV envolvia combinações de vários medicamentos de diferentes classes para suprimir o vírus com efetividade e impedir o avanço da infecção para quadros de aids.

"Uma única dose diária de um comprimido deste medicamento garantirá a eficácia e auxiliará na continuidade do tratamento, com menor potencial de toxicidade e de efeitos adversos graves, não havendo histórico nenhum de resistência", informa a Agência Fiocruz de Notícias.

O Ministério da Saúde prevê receber ainda neste ano 10,8 milhões de unidades farmacêuticas do medicamento. Para 2024, 30 milhões serão fornecidos. O diretor de Farmanguinhos/Fiocruz, Jorge Mendonça, destaca o produto vai contribuir para a adesão aos tratamentos, um dos maiores desafios no manejo do HIV. "O fornecimento destes medicamentos combinados para o SUS contribuirá significativamente para a efetividade e continuidade dos tratamentos em pacientes adultos e adolescentes com mais de 12 anos de idade e peso mínimo de 40 kg. Além de ter dosagem mais simples e redução da carga de comprimidos, diminui o potencial para interações medicamentosas e efeitos colaterais”, explica o diretor.

A produção é fruto de uma parceria de Farmanguinhos com as farmacêuticas privadas ViiV Healthcare Company e GSK (GlaxoSmithKline), que prevê desenvolvimento, transferência de tecnologia e o fornecimento do medicamento, dando autonomia para uma produção totalmente nacional.

“Ao final desta transferência de tecnologia, Farmanguinhos/Fiocruz estará com autonomia para realizar todas as etapas produtivas do medicamento, garantindo qualidade e praticidade para os pacientes do SUS. É importante ressaltar que com esta aliança, adquirimos também mais conhecimento técnico e uma nova plataforma tecnológica para a produção de comprimidos em dupla camada, possibilitando a produção futura de novos produtos”, destaca o diretor Jorge Mendonça.

Agência Brasil