Pessoas que levam um estilo de vida saudável têm cerca de metade da probabilidade de desenvolver depressão do que aquelas que não têm bons hábitos. Essa foi a conclusão de um estudo publicado na revista Nature Mental Health, onde uma equipe internacional de pesquisadores analisou uma combinação de fatores, incluindo elementos de estilo de vida, genética, estrutura cerebral e sistemas imunológico e metabólico para identificar os mecanismos que podem ajudar na prevenção da depressão.

Os pesquisadores concluíram que ter um estilo de vida saudável, que inclui hábitos como dormir o suficiente (pelo menos sete horas por noite), praticar exercícios regularmente, seguir uma dieta saudável e manter-se socialmente ativo, está associado a um risco 57% menor de desenvolver depressão em comparação com pessoas que não têm esse costume, independentemente da predisposição genética.

Os hábitos que diminuem o risco de depressão, segundo o estudo, são:

  • consumo moderado de álcool; • dieta saudável; • atividade física regular; • sono adequado; • nunca fumar; • comportamento sedentário baixo a moderado; • conexões sociais frequentes.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram dados de mais de 280 mil adultos durante nove anos, sendo que, neste período, 12.916 foram diagnosticados com depressão. As informações foram obtidas do UK Biobank, um banco de dados que reúne informações genéticas e sobre estilo de vida e saúde de mais de meio milhão de pessoas no Reino Unido.

O médico Alfredo Maluf Neto, coordenador de psiquiatria no Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que um estilo de vida saudável, com boas horas de sono, pouco consumo de álcool e uma dieta saudável, é um fator protetor do nosso sistema imune e metabólico. “A depressão é uma doença multifatorial. Existe uma correlação entre fatores ambientais, genéticos e psicológicos que levam ao surgimento da doença. O que o artigo traz de novo é propor que vários hábitos comportamentais ajudam na prevenção da doença, mesmo que a pessoa tenha uma carga genética favorável ao desenvolvimento da depressão”, explica.

Fatores comportamentais Dormir o suficiente, entre sete e nove horas por noite, foi o hábito que teve o maior impacto, reduzindo o risco de episódios depressivos únicos e depressão resistente a tratamentos em 22% dos casos. Já as conexões sociais frequentes reduziram o risco de depressão em 18% e foram o fator mais significativo na prevenção do transtorno depressivo recorrente.

O estudo considerou que não ser sedentário é um fator de proteção, independentemente da prática de atividade física escolhida. Fazer atividade física regularmente (pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana) reduziu o risco de depressão em 14% dos participantes. Os autores ressaltam que interromper longos períodos sentado e passar tempo longe das telas são comportamentos que reduziram os riscos de depressão em 13%. O levantamento mostra ainda que não fumar reduziu o risco de depressão em 20%, o consumo moderado de álcool, em 11%, e aderir uma dieta saudável, em 6%.

Com base no número de fatores de estilo de vida saudável que o indivíduo adquiriu, eles foram atribuídos a um de três grupos: estilo de vida desfavorável, intermediário e favorável.

Os indivíduos do grupo intermediário tinham cerca de 41% menos probabilidade de desenvolver depressão em comparação com aqueles no grupo de estilo de vida desfavorável, enquanto aqueles no grupo de estilo de vida favorável tinham 57% menos probabilidade.

Fatores genéticos A equipe então examinou o DNA dos participantes, atribuindo a cada um uma pontuação de risco genético. Essa pontuação foi baseada no número de variantes genéticas que tinham ligação conhecida com a probabilidade de depressão.

Aqueles com a pontuação de risco genético mais baixa tinham 25% menos probabilidade de desenvolver depressão quando comparados àqueles com a pontuação mais alta — um impacto muito menor do que o estilo de vida. Mas a equipe descobriu que um estilo de vida saudável pode reduzir o risco de depressão mesmo em pessoas com alta e média probabilidade.

No release da divulgação do estudo, Barbara Sahakian, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, disse que, embora o DNA possa aumentar o risco de depressão, um estilo de vida saudável é potencialmente mais importante. “Alguns desses fatores de estilo de vida são coisas sobre as quais temos certo controle; portanto, tentar encontrar maneiras de melhorá-los — garantindo uma boa noite de sono e saindo para ver amigos, por exemplo — pode fazer uma diferença real na vida das pessoas.”

Depressão e inflamação no cérebro Para entender a relação entre o estilo de vida saudável e a prevenção da depressão, a equipe estudou uma série de fatores, como exames de ressonância magnética no cérebro e exames de sangue em busca de marcadores que mostrassem problemas no sistema imunológico ou no metabolismo dos participantes.

Entre esses marcadores estava a proteína C-reativa, uma molécula produzida pelo corpo em resposta ao estresse.

Segundo Ricardo Feldman, psiquiatra no Hospital Israelita Albert Einstein, a relação entre depressão e inflamação é descrita na literatura médica há tempos. Ele explica que a inflamação é um mecanismo de reação do corpo a qualquer fator de estresse. “Quando quebramos a perna, por exemplo, o corpo precisa reagir para curar aquele machucado. Isso é um tipo de estresse", explica Feldman.

Mas o médico, que também é professor na pós-graduação em Psiquiatria no Einstein, diz que os desafios do cotidiano, como preocupação com trabalho e família, podem levar o corpo a constantemente reagir ao estresse. “Basicamente, você tem uma reação em cascata em que haverá liberação de hormônios que vão acabar levando à liberação de cortisol, entre outros corticoides, que atuam no sistema imunológico”, diz o psiquiatra.

“No caso da depressão, essas substâncias químicas inflamatórias em excesso que ficam circulando no corpo podem chegar ao cérebro, alterando seu equilíbrio”, completa. Em outras palavras, um estilo de vida mais pobre tem impacto no nosso sistema imune e em nosso metabolismo, o que, por sua vez, aumenta o risco de depressão.

Segundo Maluf Neto, é importante considerar também o impacto que esses fatores, principalmente a prática de atividade física constante e a alimentação saudável, têm na neuroplasticidade, que é a capacidade de o sistema nervoso central (SNC) de se adaptar e se moldar a novas situações. “Em casos de depressão, a neuroplasticidade fica inibida. A atividade física e uma dieta rica em elementos antioxidantes e ômega-3, por exemplo, vão alimentar os fatores que promovem a neuroplasticidade”, explica.

Tratamento medicamentoso Os médicos ouvidos pela Agência Einstein concordam que um estilo de vida saudável é eficaz na prevenção do surgimento da depressão, mas que, uma vez instalada e dependendo da gravidade, a doença não pode ser tratada somente com mudanças no estilo de vida.

“Como que a pessoa deprimida vai conseguir fazer tudo isso — dormir bem e praticar exercícios — se ela está sem vontade de fazer as coisas, às vezes com dificuldade de levantar da cama? Então acaba sendo um sofrimento quando existe cobrança muito intensa, da família ou da sociedade, para que a pessoa consiga fazer determinadas tarefas. O paciente precisa sair desse estado mais grave, com tratamento medicamentoso, para conseguir implementar mudanças em seu estilo de vida”, diz Maluf Neto.

Feldman acrescenta que, além do tratamento de psicoterapia e medicação, é preciso respeitar a situação em que a pessoa se encontra e focar o que dá. “A pessoa deprimida provavelmente não vai conseguir ir à academia, mas talvez, se alguém da família ou um amigo convidar para uma volta no quarteirão, ela já consiga ir. É importante incentivar qualquer avanço, sem cobranças ou negatividade”, aconselha.

R7

Pesquisadores do OICR (Instituto de Pesquisa do Câncer de Ontário) desvendaram de que maneira o tabagismo age para impedir que as células de defesa do corpo lutem contra o desenvolvimento do câncer e como o cigarro dificulta o êxito do tratamento.

cigarrocelulas

De acordo com o estudo, publicado no científico Science Advances, o consumo do tabaco gera prejuízos, nomeados “mutações stop-gain”, ao DNA. Essas mutações fazem com que o corpo pare de produzir determinadas proteínas antes mesmo de elas estarem totalmente formadas.

Essas alterações ocorreram, principalmente, em genes conhecidos como “supressores de tumor”, responsáveis pela produção de proteínas que impediriam o crescimento de células anormais.

Para entender melhor o funcionamento, os pesquisadores analisaram o DNA de mais de 1.200 amostras de tumores de 18 tipos diferentes de câncer. Como resultado, eles perceberam, que as alterações stop-gain estavam associadas, principalmente, ao câncer pulmonar.

Após tais conclusões, eles verificaram se o quanto uma pessoa fumava também gerava impactos. Eles perceberam que o aumento do consumo do tabaco, consequentemente, gerou uma maior quantidade de mutações prejudiciais, tornando o câncer mais complexo e de tratamento mais difícil.

Além do câncer de pulmão, o estudo identificou mutações stop-gain em outros genes, que causariam outros tipos de câncer, como no grupo de enzimas APOBEC, que estariam relacionados ao surgimento de câncer de mama, e que hábitos pouco saudáveis, como uma alimentação inadequada e consumo de bebidas alcoólicas também alteram o DNA, assim como o cigarro.

R7

Foto: reprodução Pixabay

As diferenças entre tumores malignos e benignos, ou neoplasias, são fundamentais para compreender o impacto que eles têm no corpo. A neoplasia é um termo abrangente que se refere ao crescimento descontrolado de células em uma região específica do organismo.

Os tumores benignos são caracterizados por um crescimento celular anormal, mas, em geral, não representam uma ameaça séria à saúde. Esses tumores tendem a crescer de forma lenta e têm limitações. Em muitos casos, uma vez removidos, eles raramente reaparecem.

Por outro lado, os tumores malignos, ou cânceres, são notáveis ​​por sua capacidade de crescer de forma descontrolada e invadir tecidos vizinhos.

Além disso, eles têm a capacidade de se disseminar pelo corpo, dando origem a metástases, que são novos focos de câncer em locais distantes.

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Índice:

O que é tumor? Qual a diferença entre tumor maligno e benigno? Quais são os tipos de tumores malignos e benignos? Como é feito o diagnóstico? Qual tumor tem cura? Quando um tumor benigno vira maligno? O que é tumor? O termo "tumor" refere-se a uma massa anormal de tecido que se forma no corpo humano. Nosso corpo é composto por um grande número de células que passam por um ciclo de nascimento, crescimento e morte, geralmente de maneira controlada e equilibrada.

À medida que as células antigas morrem, novas células são produzidas para substituí-las.

No entanto, por várias razões, esse processo regulado pode ser desregulado a ponto de o processo de crescimento celular não parar.

Toda célula tem as fases de crescimento até a morte, mas nas cancerígenas esse processo de morte não ocorre, ela cresce e se proliferam descontroladamente, levando à formação de um tumor.

Os tumores podem ser classificados em duas categorias principais: benignos e malignos.

As causas subjacentes à formação de tumores podem variar e incluir:

Fatores genéticos; Exposição a substâncias cancerígenas; Inflamação crônica; Dieta imprópria; Tabagismo e alcoolismo; Muita exposição ao sol sem proteção; Estresse em excesso. O tratamento de tumores malignos geralmente envolve abordagens como cirurgia, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia, com o objetivo de eliminar as células cancerosas e impedir sua propagação.

Agência Brasil

Mais de 489 mil brasileiros foram internados para o tratamento de trombose venosa entre janeiro de 2012 e agosto de 2023. Apenas nos oito primeiros meses deste ano, cerca de 165 pessoas foram hospitalizadas todos os dias na rede pública para tratar do problema. Os dados são de um levantamento inédito produzido pela SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular).

O estudo — divulgado nesta segunda-feira (6) — foi elaborado a partir de dados do Ministério da Saúde e, de acordo com a entidade, evidencia a necessidade dos brasileiros de terem cuidados diários relacionados à saúde vascular, já que o problema pode ser evitado por meio da adesão de medidas simples, como a prática de exercícios físicos e o controle do peso corporal. A doença pode desencadear quadros clínicos ainda mais graves, como a embolia pulmonar.

Entenda o que é a doença A trombose venosa ocorre quando há a formação de coágulos de sangue dentro das veias, principalmente nos membros inferiores, impedindo o fluxo natural do sistema cardiovascular. A condição pode causar manchas arroxeadas ou avermelhadas nos locais afetados, acompanhadas de sensação de desconforto, dor e inchaço.

Se o coágulo se formar numa veia profunda, o quadro é denominado trombose venosa profunda. Se for formado numa veia superficial, é denominado tromboflebite superficial.

As principais causas do problema são alterações na coagulação, imobilidade prolongada ou lesão nos vasos sanguíneos. Para a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, o uso de anticoncepcionais, cigarro e histórico familiar são alguns dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de tromboses venosas.

Cenário nacional O levantamento mostra, também, aquilo que a SBACV considera “um cenário preocupante” relacionado ao número de internações para o tratamento da trombose. Os números mostram que — entre janeiro de 2012 e agosto de 2023 — 489.509 brasileiros foram internados para o tratamento da doença.

Os dados revelam, ainda, que o ano que mais registrou internações por trombose venosa foi 2019, com 45.216 notificações. O Sudeste responde por 53% (258.658) de todos os registros. Já o Norte contabiliza menos internações pela doença: 25.193 casos de trombose venosa notificados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A média diária de internações para tratamento da trombose venosa no país supera a marca de 165 pacientes em 2023, recorde na série histórica iniciada em 2012. Em 2019, ano com mais registros de internações dentro do período analisado, o total de procedimentos superou a média de 126 pacientes.

Estados São Paulo foi o estado que mais contabilizou internações para o tratamento de trombose venosa, com 131.446 registros no banco de dados do SUS. Em seguida, aparecem Minas Gerais (77.823), Paraná (44.477) e Rio Grande do Sul (40.603).

Já os estados menos expressivos no número de internações pela doença são Roraima (485), Acre (1.087) e Tocantins (1.527).

Embolia pulmonar A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular afirma que uma trombose não diagnosticada precocemente e, consequentemente, não tratada, pode levar à formação de êmbolos que correm no interior das veias e que podem chegar ao pulmão, comprometendo a oxigenação.

Por meio do fluxo natural do sangue, esses êmbolos podem chegar ao pulmão, causando a temida embolia pulmonar, quadro clínico caracterizado pela obstrução de canais sanguíneos no pulmão. A parcela do pulmão comprometida pela falta de oxigenação não pode ser recuperada e pode levar à morte.

O levantamento revela que 122.047 brasileiros já foram internados para o tratamento de embolia pulmonar. Em números absolutos, o Sudeste é a região que mais sofre com o problema, reunindo mais da metade dos registros do país (56.065), seguido pelo Sul (26.687), Nordeste (12.756), Centro-Oeste (7.907) e Norte (1.745).

São Paulo foi o estado que mais contabilizou internações ao longo da série histórica, com 30.664 notificações. Ainda no ranking de unidades federativas com números mais expressivos estão Minas Gerais (19.771), Rio Grande do Sul (9.542) e Paraná (7.707). Já os estados com os menores números de internações são Amapá (52), Roraima (61) e Acre (69).

R7