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dermatiteA dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica que não tem cura. Até o momento, a melhor forma de proporcionar alívio ao paciente é o uso de corticoides, hidratantes e imunossupressores. No entanto, essas  terapias não são recomendadas para todos os casos e podem ter efeitos colaterais preocupantes. Agora, o dupilumabe, promete melhorar a abordagem terapêutica da doença.

O novo medicamento, comercializado sob o nome Dupixent,  atua diretamente nos mecanismos que causam a inflamação característica da doença. “Esse é o primeiro tratamento a trabalhar nos processos inflamatórios que ocorrem nas camadas mais profundas da pele. Isso proporciona uma melhora importante no quadro clínico. Além disso, a medicação é segura, eficaz e pode ser utilizada a longo prazo”, explicou Suely Goldflus, líder médica da área terapêutica da Sanofi (farmacêutica que comercializa o produto).

Segundo a especialista, ele é indicado para pacientes que não podem utilizar os tratamentos tradicionais ou não respondem bem às medicações atualmente disponíveis. O remédio consiste em duas injeções subcutâneas no início do tratamento e uma repetição a cada catorze dias. A aplicação pode ser realizada pelo próprio paciente mediante orientação profissional. Os efeitos colaterais incluem reações à injeção e conjuntivite.

Dermatite Atópica

A dermatite atópica afeta 7% da população adulta e 25% das crianças no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O problema, caracterizado por lesões e erupções na pele, afeta a qualidade de vida do paciente e pode estimular problemas como insônia, ansiedade e depressão. A doença é causada por uma anomalia no sistema imunológico que desencadeia um processo inflamatório e reduz a funcionalidade da barreira que protege a pele, o que permite a entrada de micróbios e substâncias no organismo que provocam reações alérgicas.

Estudos revelaram que esse mau funcionamento do sistema imunológico está associado a duas proteínas: as interleucinas 4 e 13 (IL 4 e IL 13), que são responsáveis por desencadear a inflamação que ocorre nas camadas mais profundas da pele, levando à manifestação dos sintomas. É justamente nesse mecanismo que o dupilumabe age. O medicamento é um anticorpo monoclonal desenvolvido especificamente para inibir a sinalização excessiva dessas duas proteínas-chave.

Os sinais da dermatite atópica variam conforme a gravidade, embora seja possível observar lesões cutâneas na maioria dos pacientes. Para casos moderados e graves ocorrem erupções na pele, que estão associadas a ressecamento, rachadura e vermelhidão. Ainda assim, a principal queixa é a coceira intensa e persistente, que pode aparecer todos os dias durante uma crise.

Um estudo clínico publicado na revista científica Journal of the American Academy of Dermatology revelou que 55% dos pacientes com dermatite atópica têm dificuldades para dormir cinco ou mais noites por semana e 51% afirmam ter desenvolvido depressão e ansiedade.

A pesquisa revelou também que a dermatite interfere na rotina e qualidade de vida do paciente: 93% revelaram sentir vergonha ou insegurança e 83% admitiram que a doença influencia na escolha de roupas no dia a dia. O portador da condição também pode sentir dor moderada ou extrema, além de estar mais propenso a infecções graves.

Outro levantamento realizado pela Ipsos, a pedido da Sanofi, em parceria com a SBD e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), mostrou que o diagnóstico da doença não é simples. Inicialmente, 33% dos pacientes foram diagnosticados com outros problemas de pele, como alergia (48%) e psoríase (15%). O tratamento é outro fator de preocupação: 77% dos pacientes utilizam corticoides – presente em anti-inflamatórios.

Entretanto, quando usados em longo prazo, os corticoides trazem riscos de saúde, como hipertensão, diabetes, osteoporose e problemas oculares, como o glaucoma – doença que pode levar à cegueira. Já os imunossupressores são recomendados apenas para a forma grave da doença e não podem ser usados por mais de doze meses.

Até mesmo os hidrantes corporais, que parecem inofensivos, podem prejudicar o tratamento se não forem escolhidos cuidadosamente com o auxílio de um especialista. “Uma das marcas da dermatite atópica é a pele muito seca, por isso o uso de hidratante é fundamental para manter a hidratação. Eles também ajudam a reconstituir a perda da barreira cutânea”, explica Suely.

Dupixent

Por ser um produto biológico, o medicamento não está disponível para compra em farmácias e drogarias convencionais. Para obtê-lo é preciso fazer uma solicitação direto para empresas de entrega de medicamentos. O Serviço de Atendimento ao Consumidor da Sanofi (SAC) também pode orientar sobre quais são as deliveries disponíveis para a entrega da medicação.

A farmacêutica também oferece aos pacientes o Programa Viva, que promove orientação em saúde, assistência de enfermeira presencial, online ou por telefone, e serviços multidisciplinares, como aconselhamento nutricional e psicológica, que tem grande importância no tratamento de pacientes com dermatite atópica.

 

Veja

Foto;Lizalica/Getty Images

Um estudo feito na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e publicado na revista científica "New England Journal of Medicine" mostrou que o uso de um remédio para diabetes pode trazer benefícios para o coração e os rins de pessoas com a doença.

A canagliflozina é um medicamento usado no tratamento da diabetes tipo 2 para diminuir o açúcar no sangue, mas se mostrou eficiente na proteção dos rins e na diminuição dos riscos de problemas cardiovasculares.

Principais descobertas do estudo:

O número de pessoas que desenvolveram insuficiência renal ou morreram de insuficiência renal ou doença cardiovascular foi reduzido em 30%.


Os incidentes de hospitalização por insuficiência cardíaca foram reduzidos em 39%.


O risco de grandes problemas cardiovasculares (como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral) foi reduzido em 20%.


O estudo foi financiado pela farmacêutica Janssen, que fabrica a canagliflozina, e liderada por um Comitê de Direção independente e acadêmico. Mais de 4 mil pacientes com diabetes e insuficiência renal de 34 países foram avaliados durante o estudo.

O estudo não incluiu, porém, pacientes com doença renal muito avançada nem pacientes cujas doenças renais tiveram causas diferentes da diabetes tipo 2. Outros estudos são necessários para avaliar se os benefícios encontrados na pesquisa poderiam ser os mesmos para outros tipos de doença renal.

Segundo o cientista Vlado Perkovic, principal autor do estudo, a descoberta é importante porque as pessoas com diabetes tipo 2 têm altos riscos de sofrerem com falência dos rins e problemas cardíacos.

"Diabetes é a principal causa de insuficiência renal em todo o mundo, mas por quase duas décadas não houve novos tratamentos para proteger a função renal. Este resultado é um grande avanço médico, pois as pessoas com diabetes e doença renal correm um risco extremamente alto de insuficiência renal, ataque cardíaco, derrame e morte", disse.

 

G1

 

 

 

Além de um novo olhar sobre o controle do diabetes em idosos, outra discussão importante do III Simpósio de Endocrinologia Geriátrica foi a preocupação com dois quadros extremos na saúde dos mais velhos: a obesidade e a desnutrição. A endocrinologista Ana Carolina Nader Vasconcelos Messias, coordenadora do ambulatório de obesidade e cirurgia bariátrica do Hospital Federal dos Servidores do Estado-RJ, alertou para o risco aumentado de mortalidade que acompanha os obesos. “Trata-se de uma epidemia global: em 2016, havia 1.9 bilhão de pessoas acima dos 18 anos com sobrepeso, sendo que 650 milhões eram obesas”, afirmou. No Brasil, a estimativa é de que 19% estejam obesos.

Muitos medicamentos facilitam o aumento de peso: corticosteroides, anti-hipertensivos, anticonvulsivantes (que servem para estabilizar o humor), antidepressivos e antipsicóticos. É o que a endocrinologista chamou de “polifarmácia obesogênica”, ou seja, remédios que contribuem para o ganho de quilos extras. O caminho inverso demanda disciplina e acompanhamento médico. “É importante revisar a prescrição do paciente, incluir atividade física rotineira e mudança de dieta, já que idosos tendem a consumir carboidratos e uma quantidade menor de proteínas. Há necessidade de uma verdadeira mudança de comportamento”, explicou.


Já a nutricionista Nara Lopes, mestre em nutrição clínica pela UFRJ, abordou situações que levam o indivíduo a apresentar um quadro de déficit nutricional: doenças crônicas, dietas restritivas, depressão, medicamentos, infecções recorrentes. “Elas prejudicam a imunidade, predispõem o paciente a infecções e reduzem a capacidade do corpo de se recuperar. A fraqueza muscular e a imobilidade também representam um risco aumentado para quedas. Tudo isso leva a um número maior de internações hospitalares e ao aumento do tempo dessa internação”, analisou.

Disfagia, a dificuldade na sequência de movimentos da boca até o estômago ao engolir o alimento, e desnutrição são condições clínicas frequentemente associadas: idosos, pacientes que tiveram AVC (acidente vascular cerebral), portadores de doenças neurodegenerativas ou câncer, em especial de cabeça e pescoço, acabam se alimentando mal. A nutricionista explicou que a indicação de terapia nutricional se dá quando a pessoa consome menos que 60% das suas necessidades calóricas. A perda de peso – mais de 5% em três meses ou 10% em seis meses – se torna evidente e ela recomenda que os suplementos sejam administrados em pequenas doses e em horários definidos, de preferência entre as refeições, para que não provoquem a sensação de saciedade.

 

G1

testeUm teste genético chamado de Oncotype DX evitou que 70% das mulheres com câncer de mama em estágio inicial (até 3 cm) recebessem quimioterapia sem necessidade no Hospital Pérola Byington, do governo de São Paulo.

O uso do exame neste hospital público fez parte de um estudo inédito no país realizado pelo Hospital Pérola Byington em parceria com o Grupo Fleury, divulgado neste sábado (13) no Congresso da Sociedade Brasileira de Mastologia.


Participaram do estudo 111 mulheres entre 34 e 78 anos, sendo 57 a idade média. Antes do teste genético, 109 preenchiam critérios clínicos para a quimioterapia. Mas o exame demostrou que apenas 33 tinham necessidade desse tipo de tratamento e uma paciente, que não apresentava indicação, após o resultado, foi considerada de alto risco.

"A partir de critérios clínicos, como grau de agressividade do tumor e idade da paciente, decidimos se ela vai ou não fazer quimio. Quando chegaram os resultados dos testes genéticos, em 70% dos casos nós mudamos de opinião. Ou seja, a avaliação clínica, apenas, não é suficiente", afirma o mastologista André Mattar, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e coordenador do estudo.


Hoje, quando o tumor é considerado inicial, o protocolo é a cirurgia, segundo o médico. A quimioterapia é indicada de acordo com o grau de agressividade. O objetivo é prevenir que ele volte.


"No passado, o câncer de mama era diagnosticado somente em estágio avançado, pois não existiam métodos de rastreamento. Hoje, acabam se diagnosticando tumores menores, mas que também são agressivos, que são apenas pequenos porque estão no início. Esse teste genético elimina esse viés", afirma.

O exame Oncotype DX é feito no tumor retirado na cirurgia. Ele extrai o RNA do tumor, analisando 21 genes. O resultado se traduz em uma nota de 0 a 100. Quanto mais baixo esse valor, menor a necessidade de quimioterapia.

Segundo o médico, ele detalha o risco de agressividade do tumor, permitindo uma decisão terapêutica mais adequada.

O teste já está disponível no Brasil na rede privada e custa cerca de R$ 13 mil. Ainda não é oferecido pela rede pública nem é coberto pelos planos de saúde. "A ideia no futuro é ter um teste como esse disponível para todas as pessoas", afirma Mattar.


Ele explica que, sem o teste, os critérios clínicos para a indicação da quimio são o grau histológico, que se refere à agressividade do tumor, que vai de 1 a 3, sendo que o grau 1 não apresenta a necessidade de quimioterapia; idade da paciente, ou câncer seja, mulheres abaixo de 50 anos se beneficiam mais da quimioterapia do que aquelas acima dessa idade; se há linfonodos comprometidos pela doença ou não; o valor dos receptores hormonais positivos de estrogênio e de progesterona - quanto maior o valor, maior o benefício com a hormonioterapia e menor com a quimioterapia. E o último parâmetro, o tamanho do tumor. Quanto maior, maior a necessidade de quimio, segundo o médico.

 

R7

Foto: Thinkstock