• prefeutura-de-barao.jpg
  • roma.png
  • vamol.jpg

Circula nas redes sociais um post alegando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um "alerta para risco global de [vírus] Nipah após o Carnaval". É #FAKE.

Como é o post? O post foi publicado no Facebook sexta-feira (30), quatro dias após a OMS ser notificada sobre a confirmação de dois casos de contaminação por Nipah na Índia – os pacientes são profissionais de saúde. Autoridades do país também colocaram cerca de 110 pessoas em quarentena. O vírus pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite (inchaço do cérebro) – a doença mata até 75% dos infectados. A transmissão ocorre entre humanos e por meio de animais como morcegos e porcos.

O conteúdo fake exibe uma imagem de microscópio de um vírus. O enunciado diz: "OMS alerta para risco global de Nipah após o Carnaval". O texto acrescenta: "[...] com o aumento de viagens internacionais e grandes aglomerações, especialistas alertam para o risco de proliferação de doenças. A OMS acompanha casos do vírus Nipah na Índia e, embora o risco global seja considerado baixo, reforça a importância da vigilância e do monitoramento sanitário. Até o momento, não há registros no Brasil, mas o período pós-carnaval exige atenção redobrada das autoridades de saúde".

Mas isso não é verdade. A OMS classificou que o risco para a saúde pública global é baixo e não fez qualquer recomendação para o período após o Carnaval no Brasil (leia mais abaixo). Não há registros da doença em nenhum país da América Latina. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a preocupação maior fica restrita à Índia e a países vizinhos, que têm o hospedeiro principal do vírus, um tipo de morcego frutífero.

O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999 na Malásia. Desde então, países como Índia e Bangladesh já registraram surtos da doença. Ainda que tenha apontado um baixo risco de transmissão global, a OMS classifica o vírus como prioritário devido à sua capacidade de desencadear uma epidemia. Não há vacina para prevenir a infecção e nenhum remédio para curá-la.

Por que isso é mentira?

A OMS classificou que o risco da doença para a saúde pública global é baixo, segundo uma publicação de 30 de janeiro no site oficial da organização.

A entidade também dispensou medidas de restrição de viagens à Índia, por entender que há baixo risco de propagação do vírus. Também em 30 de janeiro, o Ministério da Saúde publicou em seu site oficial uma nota com o seguinte título: "Entenda por que o risco do vírus Nipah é baixo e não ameça o Brasil". O comunicado cita que não há "nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira".

G1

Um estudo recente da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, reforça a importância da regularidade do sono para a saúde geral do organismo, alertando para o aumento do risco de aterosclerose e doenças cardiovasculares em indivíduos com padrões de descanso insatisfatórios.

sonoirregular

A pesquisa enfatiza que a qualidade do sono vai além do número de horas dormidas ou da quantidade de interrupções. A chave reside na regularidade: ir para a cama e acordar sempre nos mesmos horários, evitando dormir muito tarde. O ideal, segundo os especialistas, seria “desligar” por volta das onze da noite para despertar às sete da manhã com disposição.

Entre 2010 e 2013, o estudo acompanhou 2.032 participantes norte-americanos, com idade média de 69 anos, provenientes de diversas regiões e etnias. Todos utilizaram um dispositivo de pulso para monitorar o estado de sono e vigília, mantiveram um diário de sono por sete dias consecutivos e foram submetidos a polissonografias, exame que identifica distúrbios como a apneia noturna.

Os resultados revelaram que os participantes com um padrão de sono irregular apresentavam uma incidência significativamente maior de depósitos de cálcio nas artérias coronárias e de placas obstrutivas nas artérias carótidas. Essa condição, conhecida como aterosclerose sistêmica, estreita as artérias, comprometendo o fluxo sanguíneo e o transporte de oxigênio e nutrientes vitais para o corpo. Além disso, a ruptura dessas placas pode levar à formação de coágulos, que podem bloquear os vasos sanguíneos e causar eventos graves como infartos ou acidentes vasculares.

Para a epidemiologista Kelsie Full, professora da faculdade de medicina da Universidade Vanderbilt e principal autora do trabalho, a qualidade do sono deve ser uma prioridade nos consultórios e ambulatórios. “Quase todas as funções cardiovasculares, incluindo batimentos cardíacos, pressão arterial, tônus vascular e as funções das células endoteliais (que permitem a conexão entre componentes da circulação e sistemas do organismo), são reguladas pelos genes do relógio biológico. Disrupções do ritmo circadiano podem resultar num quadro de inflamação crônica”, explicou a equipe de pesquisadores, que contou com a colaboração de instituições renomadas como Harvard, Mount Sinai, Johns Hopkins e a Universidade da Califórnia, campus San Diego.

A pesquisa ressalta que um sono fragmentado e de curta duração – o período ideal varia entre sete e nove horas por noite – está diretamente associado ao surgimento de doenças cardiovasculares, hipertensão, obesidade e diabetes tipo 2.

Em reconhecimento a essa importância, a American Heart Association (AHA) incluiu recentemente o sono entre as oito recomendações essenciais para a manutenção da saúde cardíaca. As outras sete diretrizes abrangem alimentação saudável, atividade física regular, abstenção do tabagismo, controle de peso, monitoramento do colesterol, da pressão arterial e dos níveis de glicose no sangue.

Vanity Brasil - Saúde/R7

Créditos: Foto/Divulgação

 

Um novo estudo global da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) aponta que quase 40% dos casos de câncer registrados no mundo poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco já conhecidos.

Na prática, isso significa que cerca de 7 milhões dos 18,7 milhões de novos diagnósticos feitos em 2022 estão ligados a causas preveníveis, como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, infecções, poluição do ar e exposição excessiva ao sol.

A análise, considerada a mais abrangente já feita sobre o tema, avaliou 36 tipos de câncer em 185 países e, pela primeira vez, incluiu de forma sistemática nove infecções associadas ao desenvolvimento da doença, como o HPV, o vírus da hepatite B e a bactéria Helicobacter pylori.

O estudo foi publicado na prestigiada revista científica "Nature Medicine" e divulgado às vésperas do Dia Mundial do Câncer, celebrado no próximo dia 4 de fevereiro.

“Esta é a primeira análise global a mostrar quanto do risco de câncer decorre de causas que podem ser prevenidas”, afirmou André Ilbawi, líder da equipe de Controle do Câncer da OMS e autor do estudo.

Ao examinar padrões entre países e grupos populacionais, podemos oferecer a governos e indivíduos informações mais específicas para ajudar a prevenir muitos casos de câncer antes mesmo de eles surgirem — André Ilbawi, líder da equipe de Controle do Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao todo, os pesquisadores estimam que 37,8% de todos os novos casos de câncer no mundo em 2022 podem ser atribuídos a 30 fatores de risco modificáveis.

ENTENDA:

Fatores de risco modificáveis são aqueles ligados ao estilo de vida, ao ambiente ou às condições de trabalho: situações que podem ser evitadas ou reduzidas com prevenção, políticas públicas e mudanças de comportamento, como fumar, consumir álcool em excesso, ter alimentação pouco saudável ou se expor a substâncias tóxicas.

A proporção, no entanto, varia bastante entre homens e mulheres. Entre os homens, 45,4% dos diagnósticos estão ligados a esses fatores, enquanto entre as mulheres o percentual cai para 29,7%.

Aliado a isso, o tabagismo segue como o principal fator de risco evitável no mundo, responsável por 15,1% de todos os novos casos de câncer, o equivalente a mais de 3,3 milhões de diagnósticos em um único ano.

Em seguida aparecem as infecções, associadas a 10,2% dos casos, cerca de 2,3 milhões, e o consumo de álcool, ligado a 3,2% dos diagnósticos, o que representa aproximadamente 700 mil novos casos.

Outros fatores relevantes incluem:

o excesso de peso, a inatividade física, a poluição do ar, a radiação ultravioleta e exposições ocupacionais no trabalho a substâncias cancerígenas.

G1

No dia 4 de fevereiro, quando o mundo marca o Dia Mundial de Luta contra o Câncer, os números mais recentes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ajudam a dimensionar a gravidade do cenário.

lutacancer

A incidência global de novos casos deve saltar de 20 milhões em 2022 para 35,3 milhões em 2050, um crescimento de 77%, impulsionado principalmente por países de baixa e média renda, que ainda enfrentam limitações estruturais na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da doença.

Os dados, apresentados pela Agência Internacional para Pesquisa de Câncer (IARC/OMS), também evidenciam profundas desigualdades regionais. A Ásia, que concentra cerca de 60% da população mundial, responde por aproximadamente metade dos casos globais de câncer e 56% das mortes, reflexo direto de falhas no acesso a políticas de saúde contínuas e eficazes.

No Brasil, a situação acompanha essa tendência de crescimento. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 700 mil novos casos por ano no triênio 2023–2025. A projeção da OMS indica que esse número pode chegar a 1,15 milhão de novos diagnósticos anuais até 2050, um aumento de 83% em relação a 2022. A mortalidade também preocupa: até 2025, o país deve registrar 554 mil mortes, quase o dobro do observado em anos anteriores.

Para Andrezza Barreto, enfermeira da Vuelo Pharma, os números deixam claro que o debate sobre câncer precisa ir além do tratamento.

“A prevenção ainda é o principal ponto de inflexão dessa história. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e o combate ao tabagismo continuam sendo estratégias comprovadas para reduzir riscos. Mas isso só funciona quando há informação de qualidade e acesso real aos serviços de saúde”, explica.

Além dos efeitos físicos, o câncer também impõe impactos emocionais profundos. Redes de apoio, acompanhamento multiprofissional e acolhimento familiar são elementos decisivos não apenas para a adesão ao tratamento, mas também para a qualidade de vida dos pacientes. Ao mesmo tempo, os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades terapêuticas, tornando o diagnóstico precoce o fator mais determinante para mudar trajetórias.

R7

Foto: Vanity Brasil - Saúde