O programa Linha de Cuidado ao Trauma, criado pela Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) para reduzir a mortalidade causada por traumas de acidentes, descentralizou o acesso às cirurgias ortopédicas e aumentou o número de procedimentos realizados em todo o estado. Entre janeiro e novembro de 2024, foram realizadas 15.837 cirurgias, um aumento de 42% em comparação com o mesmo período de 2022, antes da implementação do programa.

“Nesse período, também realizamos melhorias significativas, como a implantação de serviços ambulatoriais e de cirurgias ortopédicas no Hospital Regional Manoel de Sousa Santos, em Bom Jesus. Além disso, organizamos os fluxos de pacientes para procedimentos cirúrgicos de coluna em Picos e Floriano, e ampliamos os atendimentos de escoliose e fraturas de coluna em crianças no Hospital Infantil Lucídio Portella, em Teresina”, destaca Dirceu Campelo, superintendente de Média e Alta Complexidade da Sesapi.

O aumento no número de cirurgias é resultado da expansão da Rede de Trauma, coordenada pela Rede de Urgências e Emergências (RUE) da Sesapi. A medida também permitiu a implantação de novos serviços de ortopedia em hospitais do interior e o aumento de procedimentos para pacientes de municípios mais afastados da capital. Entre janeiro e novembro de 2024, 10.731 intervenções cirúrgicas foram realizadas em unidades do interior do estado, um aumento de 53% em relação ao mesmo período de 2022.

Manoel Luís, morador de Capitão de Campos, é um dos beneficiados pela expansão. Ele passou por uma cirurgia de fêmur no Hospital Regional Chagas Rodrigues, em Piripiri, após um acidente de trânsito. “Foi muito bom fazer essa cirurgia aqui, porque moro em uma cidade próxima. Se o procedimento não fosse realizado em Piripiri, eu teria que me deslocar até Teresina, o que dificultaria bastante, principalmente nos retornos pós-cirurgia”, afirmou.

Essa evolução foi possível graças à implantação de serviços ortopédicos mais complexos em Piripiri, além de cidades como Parnaíba, Campo Maior, Picos, Floriano, Oeiras e São Raimundo Nonato.

“Conseguimos avançar e expandir, tanto na capital quanto no interior. Isso reflete na melhoria dos cuidados à população, na qualidade dos equipamentos e nas condições de trabalho dos profissionais de saúde. Esses fatores contribuem para esses números expressivos”, afirma Samuel Martins, coordenador da Linha de Cuidado ao Trauma.

Sesapi

 

Estudo publicado na revista científica BMJ Oncology revela que, em todo o mundo, o número de casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos subiu assustadores 79%.

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Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, que incluem cientistas renomados de instituições como a Universidade Zhejiang, na China, a Universidade de Edimburgo e o Imperial College London, no Reino Unido, entre outras, a tendência é que este quadro continue a se agravar.

Casos e mortes por câncer nesta faixa etária devem aumentar entre 31% e 21%, respectivamente, até 2030, sendo as pessoas com cerca de 40 anos as mais afetadas, destaca a análise. Essa pesquisa foi realizada considerando dados de 204 países acerca da incidência de câncer, mortes, efeitos na saúde e fatores de risco em pessoas entre 14 e 49 anos.

O que mostram os dados? Para os pesquisadores, os dados revelam que, em 2019, foram registrados 1,82 milhão de novos casos de câncer em pessoas abaixo dos 50 anos. Este número evidencia um crescimento de 79% se comparado aos dados de 1900. Já o número de mortes por câncer nesta faixa etária em 2019 foi de 1,06 milhão, um aumento de 28% em relação a três décadas antes.

A maior parte desses casos foram de câncer de mama, com uma incidência de 13,7 diagnósticos a cada 100 mil habitantes no mundo. No entanto, os tumores de traqueia (nasofaringe) e de próstata foram os que apresentaram maior crescimento no período analisado, aumentando anualmente 2,28% e 2,23%, respectivamente.

Regiões e países foram mais afetados As regiões que apresentaram maior incidência de câncer foram América do Norte, Australásia e Europa Ocidental. No entanto, os países em desenvolvimento, com baixa a média renda, como aqueles localizados na Oceania, Europa Oriental e Ásia Central, sofreram com uma taxa de mortalidade maior.

Catraca Livre

Foto: © iSTock/Mohammed Haneefa Nizamudeen

O colesterol alto é um problema de saúde silencioso, mas com grande impacto na saúde do coração. Ele pode levar a complicações graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), devido ao bloqueio das artérias. Apesar de ser uma condição que muitas vezes não apresenta sintomas claros, é essencial monitorar os níveis de colesterol regularmente, principalmente se houver histórico de doenças cardíacas ou diabetes na família.

Principais fatores de risco para o colesterol alto O colesterol é produzido pelo fígado e é necessário para funções vitais, como a produção de hormônios e vitamina D. No entanto, quando os níveis desse composto são elevados, podem surgir sérios problemas de saúde. A alimentação desequilibrada, rica em gorduras saturadas e trans, é uma das principais causas do aumento do colesterol.

Além disso, o sedentarismo, o tabagismo e doenças como diabetes e hipotireoidismo também aumentam o risco de desenvolver colesterol alto. Pessoas com histórico familiar de colesterol elevado têm maior predisposição para essa condição, o que torna importante a realização de exames regulares.

Sintomas e sinais de colesterol elevado Embora o colesterol alto seja frequentemente assintomático, existem alguns sinais que podem indicar a presença dessa condição. Nos casos mais graves, como a hipercolesterolemia familiar, é possível observar a formação de depósitos de gordura na pele e em torno dos olhos, como os xantelasmas e o arco corneano. Esses sinais podem ser indicativos de níveis elevados de colesterol, que precisam ser tratados com urgência.

Como controlar o colesterol alto de forma natural Felizmente, existem várias estratégias que podem ajudar a reduzir o colesterol alto e proteger a saúde cardíaca sem depender exclusivamente de medicamentos.

  1. Mudanças na Alimentação Evitar o consumo excessivo de gorduras saturadas e trans, presentes em alimentos processados e fritos, é fundamental para controlar o colesterol. Incluir alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes e grãos integrais, ajuda a reduzir o colesterol LDL (ruim).
  2. Atividades Físicas Regulares O sedentarismo é um dos maiores culpados pelo aumento do colesterol. Exercícios como caminhadas, natação e musculação são eficazes para melhorar a saúde do coração e reduzir o colesterol ruim. A prática regular de atividades físicas ajuda a manter o equilíbrio do colesterol no sangue.
  3. Controle do Estresse e Abandono do Tabagismo O estresse é um fator que contribui diretamente para o aumento do colesterol. Adotar técnicas de relaxamento, como meditação e yoga, pode ser muito útil. Além disso, parar de fumar é essencial para a saúde cardiovascular, pois o tabagismo é um dos maiores vilões do coração e pode aumentar o colesterol no sangue.

Catraca Livre

Pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona e do Instituto Banner Alzheimer’s, juntamente com seus colaboradores, fizeram uma descoberta importante que pode mudar a forma como compreendemos a doença de Alzheimer.

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Eles identificaram uma possível ligação entre uma infecção intestinal crônica causada por um vírus comum, o citomegalovírus (HCMV), e o desenvolvimento dessa doença neurodegenerativa.

O estudo sugere que esse vírus, que atinge uma grande parte da população, pode não apenas permanecer latente no corpo, mas também contribuir para a progressão do Alzheimer, afetando tanto o sistema imunológico quanto as células do cérebro.

A pesquisa, que abre novas possibilidades para tratamentos, foi publicada no “Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association“.

O impacto do citomegalovírus (HCMV) na saúde intestinal e no cérebro O citomegalovírus (HCMV) é um membro do grupo dos vírus do herpes, e embora a maioria das pessoas seja exposta a ele ainda na infância, muitas vezes ele permanece assintomático.

O vírus se transmite por fluidos corporais, e na maioria das pessoas, ele se mantém em um estado inativo ou latente ao longo da vida. No entanto, em algumas pessoas, o HCMV pode permanecer ativo no intestino, criando uma infecção crônica.

Essa infecção persistente tem sido associada a várias complicações de saúde, incluindo doenças autoimunes e agora, de acordo com o novo estudo, à progressão da doença de Alzheimer.

O mecanismo sugerido pelos pesquisadores indica que o vírus pode viajar do intestino até o cérebro por meio do nervo vago, uma via que conecta esses dois órgãos e é conhecida por desempenhar um papel fundamental na comunicação entre o sistema nervoso central e o sistema gastrointestinal.

No cérebro, o vírus poderia alterar o sistema imunológico local, gerando uma resposta inflamatória que contribui para as anormalidades associadas ao Alzheimer, como as placas de proteína beta-amiloide e os emaranhados de proteína tau.

Esses fenômenos são marcadores típicos da doença, e o estudo sugere que o HCMV poderia ser um fator acelerador para seu desenvolvimento em um subconjunto de pacientes.

O papel das células imunológicas no cérebro: Microglia e inflamação crônica A microglia, um tipo de célula imune no cérebro, desempenha um papel crucial na defesa do sistema nervoso central contra infecções e lesões. Normalmente, essas células protegem o cérebro de ameaças, como vírus e bactérias.

No entanto, quando a microglia é ativada de forma crônica, ela pode se tornar uma fonte de inflamação persistente, o que acaba por danificar os neurônios e contribuir para o progresso de doenças neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer.

A pesquisa mostrou que a presença do HCMV ativa as microglia, que respondem ao vírus gerando inflamação no cérebro.

Esse processo inflamatório crônico é um dos principais mecanismos envolvidos na neurodegeneração observada no Alzheimer. Além disso, a ativação prolongada das microglia pode induzir a expressão de certos genes, como o CD83, que está associado a um aumento na resposta inflamatória.

Essa resposta exacerbada pode então prejudicar as células nervosas e dificultar o funcionamento normal do cérebro, acelerando o processo de demência.

A descoberta de que o HCMV pode desencadear essa resposta imune é um passo importante para entender os fatores subjacentes à progressão do Alzheimer e abre novas possibilidades de intervenção.

Desenvolvimentos futuros e implicações para o tratamento do Alzheimer Os pesquisadores estão agora focados em confirmar se a infecção ativa por HCMV pode ser um fator causal significativo para o desenvolvimento da doença de Alzheimer em uma proporção considerável de pacientes.

Se essa hipótese for validada, ela poderá transformar a abordagem terapêutica para o Alzheimer, sugerindo que medicamentos antivirais já existentes poderiam ser eficazes no tratamento ou até na prevenção do Alzheimer causado pelo HCMV.

Nesse sentido, a equipe de pesquisa está trabalhando no desenvolvimento de um exame de sangue para identificar indivíduos com infecção ativa por HCMV, permitindo que eles recebam tratamentos antivirais antes que as alterações cerebrais se tornem irreversíveis.

Além disso, essa linha de pesquisa também poderá trazer uma compreensão mais profunda sobre como outras infecções crônicas, tanto virais quanto bacterianas, podem estar ligadas a doenças neurodegenerativas.

Com base nesses achados, seria possível desenvolver tratamentos mais direcionados e personalizados, abordando não apenas os sintomas do Alzheimer, mas também suas causas subjacentes, com ênfase no controle da inflamação crônica no cérebro.

As descobertas recentes sobre o vínculo entre o citomegalovírus (HCMV) e a progressão da doença de Alzheimer oferecem uma nova perspectiva sobre os mecanismos biológicos que podem impulsionar o desenvolvimento desta doença devastadora.

A ideia de que infecções crônicas intestinais podem influenciar diretamente a saúde cerebral abre portas para novas estratégias terapêuticas, que poderiam incluir tratamentos antivirais como parte do arsenal contra o Alzheimer.

O avanço na compreensão do papel da microglia e da inflamação cerebral, além de identificar subtipos de Alzheimer associados a infecções virais, promete revolucionar o tratamento e a prevenção da doença.

A pesquisa continua, mas ela já aponta para um futuro em que as infecções crônicas possam ser tratadas de forma eficaz, não só melhorando a saúde intestinal, mas também prevenindo o declínio cognitivo e as complicações do Alzheimer.

Fonte: News Medical

Foto: Canva PRO