Em grande maioria, casos de depressão são tratados com antidepressivos que equilibram a serotonina, neurotransmissor conhecido como o hormônio da felicidade. Todavia, novos estudos justificaram a ideia do tratamento.
De acordo com pesquisadores da University College London, que foi publicado na Molecular Psychiatry, o artigo concluiu que não existem evidências para apoiar uma ligação entre as duas variáveis, mas explicou que não significa que o atual tratamento não funcione.
“Acho que podemos dizer com segurança que, após uma grande quantidade de pesquisas conduzidas ao longo de várias décadas, não há evidências convincentes de que a depressão seja causada por anormalidades da serotonina, particularmente por níveis mais baixos ou atividade reduzida da serotonina”, disse Joanna Moncrieff, psiquiatra da University College London, principal autora do estudo.
“A popularidade da teoria do ‘desequilíbrio químico’ da depressão coincidiu com um enorme aumento no uso de antidepressivos”, explicou Moncrieff. “As prescrições de antidepressivos aumentaram dramaticamente desde a década de 1990, com um em cada seis adultos utilizando na Inglaterra e com 2% dos adolescentes recebendo prescrição de um antidepressivo”, declarou ela.
Você costuma acordar cansado mesmo após algumas boas horas de sono? Fica com preguiça de fazer até mesmo atividades que costumam te dar prazer? Pois se a sua resposta for sim para essas duas perguntas, saiba que você não está sozinho. Em um artigo publicado na revista The New Yorker, o cientista da computação e professor da Universidade de Georgetown, Cal Newport, abordou como o mundo pós-pandemia está vivendo um grande sentimento de exaustão, tanto física quanto mentalmente.
Uma das maneiras de combater esse sentimento de exaustão é investir em uma dieta equilibrada e nutritiva. Isso porque os alimentos que comemos exercem um papel fundamental na hora de determinar nossos níveis de energia. Inclusive, algumas escolhas alimentares que fazemos podem nos deixar ainda mais cansados.
Pensando nisso, nós conversamos com a nutricionista Camila Ferraz, especialista em nutrição e saúde mental, sobre como a nossa alimentação pode ser uma grande aliada contra a exaustão.
Sua energia e disposição está no que você come Segundo Camila, a alimentação é uma ferramenta poderosa para equilibrar os níveis de disposição e bem-estar. No entanto, nem todo alimento é um aliado quando se trata de disposição. “Açúcares refinados e carboidratos simples, como pão branco e doces, geram picos de glicose seguidos de quedas rápidas, o que intensifica a sensação de fadiga. Reduzir o consumo desses alimentos pode ajudar a manter a energia de forma mais estável”, destaca.
Para melhorar a nossa disposição no dia-a-dia, o segredo está em apostar em alimentos que forneçam energia de forma sustentada. “Aposte em carboidratos complexos, que são aqueles com grande quantidade de fibras como aveia, quinoa e batata-doce, que liberam energia de forma mais lenta e constante. Além disso, proteínas magras, como peito de frango e ovos, ajudam a manter a sensação de saciedade, o que impede quedas bruscas de energia ao longo do dia”, cita Camila.
Lanches entre as refeições principais também ajudam a prevenir quedas de energia, desde que você escolha alternativas saudáveis. “Boas opções incluem castanhas, frutas e iogurte natural, que combinam proteínas, gorduras boas e fibras”, afirma a nutricionista.
A importância das vitaminas e minerais para uma vida com mais energia e disposição De acordo com Camila, micronutrientes como as vitaminas D e B12 e o ferro também são essenciais para manter a disposição. Portanto, na hora de montar o seu cardápio, certifique-se sempre incluir pelo menos uma fonte desses nutrientes no seu prato. “A falta desses nutrientes pode causar sintomas como cansaço, falta de foco e, até mesmo, exaustão muscular. Alimentos como carnes, espinafre e ovos ajudam a manter esses níveis em dia”, indica a nutricionista.
Camila também ressalta que o cansaço pode ter várias origens e nem sempre a alimentação é suficiente para combatê-lo. Por isso, se a exaustão persistir mesmo mantendo uma dieta balanceada, deve-se investigar outros fatores. “Recorrer à suplementação também é uma alternativa válida”, afirma a nutricionista.
Cuidado com o excesso de cafeína e energéticos Embora o café e os energéticos possam parecer soluções rápidas, Camila ressalta que essas bebidas não devem ser consumidas em excesso. “O uso prolongado pode afetar a disposição ao longo do tempo, causando dependência e fadiga nas horas em que o efeito passa”, comenta. Segundo a nutricionista, ao invés de apostar só no café e energizantes, vale a pena optar por outras fontes naturais de energia. “Além disso, chás como matcha, canela, chá preto podem contribuir com o efeito energizante”.
Por fim, Camila destaca que a água é fundamental para o metabolismo energético. Portanto, sempre fique atento para a cor e odor da urina, pois este é um bom indicador do seu nível de hidratação. “A quantidade ideal varia de acordo com peso e nível de atividade física, mas tente manter acima de 2 litros por dia”, orienta.
Você já parou para pensar no que realmente está no seu prato? Cereais açucarados, refeições congeladas e refrigerantes parecem práticos e saborosos, mas podem estar trazendo sérios riscos para a sua saúde física e mental.
Um estudo recente revelou uma conexão alarmante entre o consumo de alimentos ultraprocessados e problemas graves, como saúde mental debilitada e um aumento expressivo no risco de ataques cardíacos fatais.
Os resultados foram publicados no prestigiado The BMJ Journals em fevereiro deste ano, e servem como um chamado à reflexão: será que o prazer momentâneo de um lanche rápido vale os riscos a longo prazo?
Alimentos ultraprocessados são aqueles submetidos a transformações intensas na indústria, repletos de aditivos como corantes, emulsificantes e aromatizantes artificiais. Embora muitas vezes sejam ricos em açúcar, sal e gorduras, deixam a desejar em nutrientes essenciais, como fibras e vitaminas.
O estudo que liga ultraprocessados a riscos à saúde Pesquisadores na Austrália realizaram uma revisão abrangente de 14 estudos publicados nos últimos três anos. Com dados de quase 10 milhões de pessoas, eles analisaram questionários alimentares e históricos médicos para entender o impacto desses produtos na saúde.
Importante destacar: nenhum desses estudos foi financiado pela indústria de ultraprocessados, garantindo maior imparcialidade aos resultados.
Dados que preocupam A análise revelou evidências “convincentes” de que consumir mais ultraprocessados pode aumentar em 50% o risco de morte por doenças cardiovasculares. O risco de desenvolver diabetes tipo 2 sobe 12%, enquanto o de ansiedade oscila entre 48% e 53%.
Há também fortes indícios de que esses alimentos elevam o risco de obesidade, distúrbios do sono e até depressão, além de aumentar em até 66% a chance de morte por problemas cardíacos. Por outro lado, a conexão entre ultraprocessados e doenças como câncer e problemas gastrointestinais ainda precisa de mais investigações.
Alerta para as autoridades Os pesquisadores concluíram que os resultados reforçam a necessidade de medidas públicas para reduzir o consumo de ultraprocessados na sociedade. “Nossas descobertas apontam para a urgência de desenvolver estratégias para limitar a exposição a esses produtos nocivos”, afirmaram.
Desde setembro de 2022, o Governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), implantou as Linhas de Cuidado para Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), com o objetivo de salvar vidas e oferecer atendimento rápido e eficiente a vítimas dessas condições graves. De outubro de 2022 até o momento, as linhas de cuidado já realizaram 6.457 atendimentos e 849 trombólises, um tratamento que aumenta as chances de recuperação sem sequelas, quando administrado dentro do tempo recomendado.
O acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como AVC, é um grave problema de saúde pública que mata mais de 100 mil brasileiros anualmente, segundo a Sociedade Brasileira de AVC. No Piauí, o impacto dessa condição é significativo, e, por isso, o Estado implementou a estratégia para garantir um atendimento mais ágil e o acesso rápido ao trombolítico, especialmente em casos de AVC isquêmico e infarto.
Um exemplo de sucesso no tratamento ocorreu com Carlos Augusto, um motorista de 60 anos que sofreu um AVC em julho de 2024, enquanto estava em casa brincando com seu filho e conversando com um amigo. Sem forças, ele caiu no chão e não conseguiu levantar. Sua esposa identificou rapidamente os sinais do AVC, como a assimetria facial, e o levou até a UPA, onde ele foi atendido via telemedicina. Após a confirmação do AVC, Carlos foi encaminhado para a unidade de AVC do Hospital Getúlio Vargas (HGV) em Teresina, um dos sete hospitais estaduais que fazem parte das linhas de cuidado. Lá, ele recebeu o trombolítico dentro do tempo crítico de 4 horas e meia, evitando sequelas graves.
“Após receber o medicamento, fiquei alguns dias internado, mas posso dizer com tranquilidade que a rapidez no atendimento e a qualidade do serviço do HGV foram cruciais para a minha recuperação. Estou aqui hoje com minha família graças ao atendimento recebido”, afirmou Carlos.
Sua esposa, Elane Rodrigues, ressaltou a importância da rapidez no atendimento. “Tudo aconteceu muito rápido, entre 30 a 40 minutos desde a UPA até o HGV. Os médicos afirmam que a agilidade em receber o medicamento foi a diferença entre a vida e a morte. O tratamento do SUS mostrou a qualidade do serviço”.
O coordenador das Linhas de Cuidado do IAM e AVC, Benoni Carvalho, destacou que o caso de Carlos é apenas um exemplo entre os mais de 6 mil piauienses atendidos desde a implantação das linhas de cuidado. “Graças à organização e qualidade do serviço público, mais de 6.400 pessoas tiveram acesso ao trombolítico, um medicamento que pode salvar vidas e prevenir sequelas graves”, afirmou.
Atualmente, além do Hospital Getúlio Vargas em Teresina, as Linhas de Cuidado do IAM e AVC estão presentes em hospitais estaduais de Picos, Floriano, São Raimundo Nonato, Piripiri, Campo Maior, Parnaíba, e também em Oeiras e Bom Jesus, que atendem casos de IAM.
O Governo do Piauí continua investindo na expansão e melhoria desse serviço, reconhecendo que a ampliação das Linhas de Cuidado é fundamental para salvar vidas.