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O colágeno virou uma constante na publicidade de produtos para a pele e nas tendências de bem-estar nas redes sociais. Mas não se trata apenas de uma palavra da moda.

colageno

Proteína mais abundante no corpo, o colágeno ajuda a sustentar estruturas por todo o corpo, incluindo a pele e os ossos.

Para as mulheres, a perda de colágeno pode se tornar especialmente perceptível durante a perimenopausa e a menopausa. Alguns estudos sugerem que o colágeno da pele pode diminuir em até 30% nos primeiros cinco anos após a menopausa, com perdas adicionais de cerca de 2% ao ano depois disso. Nas redes sociais, isso às vezes é chamado de “queda abrupta do colágeno”, mas a ideia subjacente não é nova. Pesquisadores vêm escrevendo sobre os efeitos da menopausa na pele há décadas, com artigos que datam pelo menos da década de 1940 apontando para essa conexão.

Essa queda mais acentuada ocorre além das mudanças graduais que acompanham o envelhecimento. O colágeno parece diminuir com o tempo, com algumas estimativas sugerindo uma queda de cerca de 1% a 1,5% ao ano a partir do início da idade adulta. O hormônio estrogênio ajuda a regular muitos processos no corpo, incluindo a produção de colágeno. Estudos com animais, mostraram que o estrogênio aumenta a produção de colágeno e a espessura da pele. Pesquisas em humanos também identificaram benefícios para a espessura da pele, a elasticidade e a cicatrização de feridas.

Isso se deve, em parte, ao fato de o estrogênio atuar sobre os fibroblastos, as células responsáveis pela produção de colágeno na pele. Quando os níveis de estrogênio caem durante a perimenopausa e a menopausa, essa sinalização se torna mais fraca. O resultado é uma menor produção de colágeno, acompanhada de pele mais fina, elasticidade reduzida e menor teor de água.

A perda de colágeno não pode ser totalmente evitada, mas alguns fatores podem acelerá-la. Um dos mais importantes é a radiação ultravioleta do Sol e das camas de bronzeamento artificial. Isso aumenta as enzimas chamadas metaloproteinases da matriz, que agem como uma equipe de demolição da pele, decompondo proteínas estruturais como o colágeno. Essas enzimas são encontradas em níveis mais elevados na pele que foi danificada pelo Sol.

A radiação ultravioleta também reduz a quantidade de colágeno novo produzido pelos fibroblastos. Pessoas com tons de pele mais escuros tendem a apresentar menos rugas, provavelmente em parte porque níveis mais elevados de melanina oferecem alguma proteção contra os danos causados pelos raios ultravioleta. Mas a pele mais escura não é imune ao fotoenvelhecimento, ou seja, ao envelhecimento da pele causado pela exposição ao Sol.

Fumar também parece acelerar a perda de colágeno. Um estudo descobriu que o tabagismo reduziu a produção de colágeno tipo I e tipo III pela pele em 18% e 22%, respectivamente, contribuindo para o envelhecimento precoce da pele. A vitamina C é essencial para a produção de colágeno. Cerca de 100 mg por dia são suficientes para a maioria dos adultos, embora fumantes possam precisar de mais. Muitos suplementos de bem-estar oferecem doses muito maiores, frequentemente em torno de 1.000 mg por dia, mas mais não é necessariamente melhor; cerca de 2.000 mg por dia causam problemas gastrointestinais desagradáveis.

Produtos que alegam aumentar o colágeno estão se tornando cada vez mais populares, mas as evidências por trás deles são contraditórias. É improvável que cremes tópicos de colágeno reponham o colágeno perdido pela pele, pois as moléculas intactas de colágeno são grandes demais para atravessar a barreira cutânea. Eles podem ajudar a hidratar as camadas externas da pele, mas é improvável que causem uma grande diferença nos níveis de colágeno da própria pele.

Suplementos orais de colágeno têm sido associados, em alguns estudos, a melhorias na hidratação e elasticidade da pele. Mas a literatura científica permanece ambígua. Análises apontam para limitações nas evidências, incluindo estudos de pequena escala, potenciais conflitos de interesse e resultados inconsistentes, levando os pesquisadores a recomendar cautela ao interpretar os resultados. Da mesma forma que o colágeno não pode ser absorvido pela pele, o corpo precisa digeri-lo para absorver os aminoácidos que compõem o colágeno, e não há como garantir que esses aminoácidos cheguem à pele ou a qualquer outro local desejado. O colágeno hidrolisado é mais fácil de ser absorvido, mas ainda assim não há garantia de que o corpo o utilize onde você deseja.

A terapia de reposição hormonal pode oferecer benefícios mais consistentes. Além de ajudar com outros sintomas da menopausa, a TRH demonstrou, em alguns estudos, melhorar a espessura, a elasticidade e a hidratação da pele. Um estudo relatou que mulheres em TRH apresentaram um aumento de 48% no conteúdo de colágeno da pele em comparação com mulheres não tratadas, e outros estudos relataram tendências semelhantes. Algumas evidências sugerem que o estrogênio transdérmico (que atravessa a pele) também pode ter efeitos mensuráveis sobre o colágeno da pele. Mas os riscos e benefícios gerais da TRH sempre precisam ser considerados individualmente.

Alguns dermatologistas e profissionais de estética também utilizam procedimentos destinados a estimular a produção de colágeno. Os tratamentos de rejuvenescimento a laser visam desencadear processos de reparação na pele e remover o colágeno danificado. Versões mais recentes desses tratamentos são projetadas para reduzir os efeitos colaterais. A microagulhagem é outra opção comumente sugerida, embora não seja isenta de riscos. As possíveis complicações incluem dor, hematomas, sangramento, infecção, alterações na cor da pele e, em casos raros, crescimentos anormais. Também pode causar hiperpigmentação, o que significa que manchas da pele ficam mais escuras do que a área ao redor.

Quando a menopausa começa, o colágeno geralmente já vem diminuindo há anos. Proteger a pele dos danos causados pelos raios ultravioleta, evitar o tabagismo e ingerir vitamina C em quantidade suficiente pode ajudar a manter os níveis naturais de colágeno do corpo.

G1/ Por Adam Taylor*

Foto: Getty Images

O consumo diário de ovos inteiros voltou ao centro das discussões nutricionais à medida que novas pesquisas reavaliam seus efeitos sobre o cérebro e o colesterol. Por muito tempo associado ao aumento do risco cardiovascular, o ovo hoje é reconhecido como um dos alimentos mais completos da rotina alimentar, com nutrientes que sustentam diretamente a memória, o aprendizado e a saúde dos neurônios. Entender como ele age no organismo ajuda a separar mitos antigos das evidências mais recentes da nutrição clínica.

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Por que o ovo é considerado um superalimento para o cérebro? O ovo concentra na gema uma das maiores quantidades naturais de colina da alimentação humana. Esse nutriente é precursor direto da acetilcolina, um neurotransmissor essencial para memória, atenção e aprendizado.

Além da colina, o alimento oferece proteínas de alto valor biológico, vitamina B12, vitamina D, ácido fólico e ômega-3, todos com papel reconhecido no funcionamento adequado do sistema nervoso ao longo da vida.

Como a colina do ovo age sobre a memória? A acetilcolina produzida a partir da colina atua diretamente nas áreas do cérebro ligadas ao armazenamento e à recuperação de informações. Quando os níveis desse neurotransmissor estão adequados, tarefas que envolvem foco e memorização tendem a fluir com mais facilidade.

Adultos com maior ingestão de colina costumam apresentar melhor desempenho em testes cognitivos, o que reforça o papel da gema como um aliado na preservação da função mental, principalmente no envelhecimento.

O que mudou na relação entre ovo e colesterol? Durante décadas, o ovo foi visto como vilão por conter colesterol em sua composição. Estudos recentes, no entanto, mostraram que o colesterol da dieta tem impacto modesto sobre o colesterol sanguíneo na maioria dos adultos saudáveis.

O fígado regula a produção interna de colesterol conforme a ingestão alimentar, o que torna o consumo moderado de ovos seguro para boa parte da população, especialmente quando inserido em uma dieta equilibrada e variada.

O que diz o estudo japonês sobre ovos e função cognitiva As evidências mais recentes vêm de pesquisas com humanos em condições controladas. Segundo o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo Efeitos da ingestão de colina da gema do ovo nas funções cognitivas e nos níveis de colina plasmática em japoneses saudáveis ​​de meia-idade e idosos: um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e de grupos paralelos., publicado no periódico Lipids in Health and Disease, adultos entre 60 e 80 anos que consumiram 300 mg diários de colina da gema do ovo durante 12 semanas apresentaram melhora significativa na memória verbal em comparação ao grupo placebo.

Os resultados reforçam que a ingestão regular de colina por meio do ovo pode contribuir para a preservação de funções cognitivas, principalmente em adultos a partir da meia-idade.

Como incluir os ovos na rotina de forma equilibrada? Para aproveitar os benefícios sem exageros, vale prestar atenção à quantidade e à forma de preparo. O modo de cocção influencia diretamente a qualidade nutricional do alimento.

Algumas orientações práticas incluem:

ovos

Tua Saúde

Manter a pressão arterial sob controle sempre foi uma das principais recomendações para a saúde cardiovascular. Agora, novas evidências sugerem que um alvo mais baixo do que o tradicional pode trazer benefícios ainda maiores, especialmente para pessoas com risco elevado.

pressaoarterial

Pesquisadores do Mass General Brigham analisaram diferentes metas de tratamento e chegaram a uma conclusão relevante: reduzir a pressão arterial sistólica para menos de 120 mmHg pode prevenir mais eventos cardiovasculares do que limites mais altos, como 130 ou 140 mmHg.

O que a ciência diz sobre a pressão ideal O estudo, publicado no Annals of Internal Medicine, utilizou dados robustos de grandes pesquisas, como o Systolic Blood Pressure Intervention Trial e o National Health and Nutrition Examination Survey. A partir dessas informações, os cientistas criaram simulações para avaliar os impactos ao longo da vida.

Os resultados apontam que metas mais rigorosas podem reduzir significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca, condições diretamente ligadas à hipertensão.

Benefícios reais, mas com ressalvas Mesmo considerando falhas comuns na medição da pressão arterial no dia a dia clínico, o modelo mostrou vantagens consistentes no controle mais intensivo. No entanto, essa estratégia não é isenta de riscos.

Pacientes submetidos a tratamentos mais agressivos apresentaram maior probabilidade de efeitos colaterais, como quedas, lesão renal, episódios de pressão muito baixa e alterações no ritmo cardíaco. Além disso, há um aumento nos custos devido ao uso mais frequente de medicamentos e acompanhamento médico.

Vale a pena baixar mais a pressão? Apesar dos riscos, os pesquisadores concluíram que a meta de menos de 120 mmHg ainda apresenta um bom custo-benefício. A análise indicou um custo de cerca de 42 mil dólares por ano de vida ajustado pela qualidade, uma métrica amplamente utilizada para avaliar intervenções em saúde.

Segundo a pesquisadora Karen Smith, os resultados oferecem mais segurança para médicos e pacientes considerarem metas mais baixas em casos de maior risco cardiovascular.

Nem todo mundo precisa da mesma meta Embora os dados sejam promissores, os especialistas reforçam que o tratamento deve ser individualizado. Nem todos os pacientes se beneficiam da mesma forma de um controle tão rigoroso, especialmente devido ao risco de efeitos adversos.

A decisão sobre a meta ideal deve considerar o histórico de saúde, o risco cardiovascular e as preferências do paciente, sempre com acompanhamento médico adequado.

Essa nova evidência reforça uma tendência importante na medicina: quanto mais personalizado for o cuidado, maiores são as chances de prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida.

O post A nova meta da pressão arterial que está fazendo médicos repensarem tratamentos apareceu primeiro em Catraca Livre.

Catraca Livre

A ciência já demonstrou que a obesidade é uma alteração crônica, progressiva, inflamatória e multifatorial. Isso significa que ela não pode ser tratada como um problema pontual, nem como algo que se resolve apenas com uma intervenção curta ou de efeito rápido. Como acontece com a asma ou a hipertensão, a obesidade precisa de manejo contínuo e real engajamento dos pacientes para que seja controlada.

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É justamente por isso que o tratamento medicamentoso da obesidade não deve ser visto como temporário por definição. Os novos medicamentos usados para tratar o excesso de peso, popularizados como canetas emagrecedoras, ajudam no controle da doença, mas não a curam. Eles atuam sobre mecanismos biológicos que regulam fome, saciedade e gasto energético. Assim, em muitos casos, seu uso precisa ser contínuo ou prolongado para evitar o reganho de peso.

Entre esses medicamentos estão a semaglutida e a tirzepatida. Os principais medicamentos que contêm semaglutida são Ozempic® (injetável semanal), Wegovy® (injetável semanal para obesidade) e Rybelsus® (comprimido diário oral). A tirzepatida é um princípio ativo de uso injetável presente no medicamento industrializado Mounjaro, aprovado pela Anvisa para o tratamento de diabetes tipo 2, com ampliação para controle de peso e obesidade.

Como imitam hormônios intestinais, a semaglutida e a tirzepatida reduzem a fome, aumentam a sensação de saciedade, desaceleram o esvaziamento do estômago e ajudam a controlar processos que levam as pessoas a comer além do necessário para o seu gasto calórico diário. Se a pessoa deixa de usá-las, os efeitos positivos deixam de prevalecer.

Isso acontece porque, fisiologicamente, é normal que o organismo ative mecanismos para que a pessoa volte ao peso anterior, como um sistema de defesa. Quando há perda de peso, o corpo interpreta isso como risco de falta de comida e entra em modo de economia. O metabolismo basal diminui, o gasto energético cai, e a pessoa passa a gastar menos calorias para realizar as mesmas atividades. Ao mesmo tempo, há aumento da grelina, hormônio que estimula a fome. Todo esse processo leva à recuperação dos quilos eliminados.

Atenção constante As células de gordura não desaparecem com o emagrecimento. Elas apenas diminuem de tamanho, mas continuam ali, prontas para armazenar gordura novamente. Como nem sempre as pessoas tratam fatores como ansiedade, que podem contribuir para a obesidade, fica mais difícil controlar a compulsão alimentar. Esse é outro ponto em que as canetas emagrecedoras podem ajudar.

Em alguns casos, a necessidade de uso contínuo ou prolongado destes medicamentos fica ainda mais evidente. Isso pode acontecer quando há histórico de obesidade na infância ou na adolescência, quando a obesidade vem associada ao diabetes ou mesmo durante a menopausa, período em que a queda do hormônio estrógeno agrava o aumento do peso e da gordura visceral — aquela que se acumula no abdômen e eleva o risco de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Nesses contextos, é frequente também a presença da síndrome metabólica, um conjunto de alterações que inclui aumento da circunferência abdominal, hipertensão, alterações no colesterol e resistência à insulina. É justamente sobre esses diferentes eixos que atuam os agonistas do receptor de GLP-1, pois, além de reduzir o peso, melhoram o controle glicêmico e impactam fatores de risco cardiovascular — o que reforça seu papel como tratamento de longo prazo.

A indicação de uso contínuo não significa que o paciente terá de usar para sempre altas doses de semaglutida ou tirzepatida. Essa redução pode ocorrer de forma gradual e sempre com supervisão médica. O que não é recomendável é a interrupção abrupta do tratamento, por decisão do próprio paciente, sem acompanhamento profissional.

Também existem casos em que a suspensão do tratamento com as canetas emagrecedoras é possível. Isso acontece com pacientes engajados, que entenderam que a mudança de hábitos de vida e a distância do sedentarismo são fundamentais para o bom controle da obesidade. Como quase tudo na vida, esse processo não acontece de um dia para o outro. Mesmo após a cirurgia bariátrica, muitas pessoas voltam a ganhar peso justamente porque não se adaptaram a um novo estilo de vida.

Ampliação do acesso Não é à toa que o tratamento da obesidade precisa de atendimento multidisciplinar e acompanhamento médico regular. Ao lado do endocrinologista, entra a nutricionista, que adapta a dieta à realidade de cada paciente; a psicóloga, que oferece suporte emocional; e o profissional de atividade física, que acompanha quais os melhores esportes para aquele indivíduo, pensando na realidade de cada um.

Há ainda uma questão de acesso a esses medicamentos. O custo das canetas emagrecedoras ainda impede o tratamento para grande parte da população. Ao mesmo tempo, a expiração da patente da semaglutida no Brasil pode mudar esse cenário. Quando finda o período de proteção legal que garante exclusividade a uma empresa para produzir e vender determinada molécula, outras farmacêuticas podem produzir genéricos ou similares, desde que obtenham registro e aprovação regulatória.

Tratar a obesidade é possível, desde que ela seja entendida como uma doença crônica, e não como uma falha do indivíduo ou um problema passageiro. Isso exige conscientização por parte dos pacientes e responsabilidade dos profissionais que os acompanham durante todo o processo. Quanto à ampliação do acesso aos medicamentos mais atuais, a discussão já deixou de ser apenas médica para se tornar também uma questão de saúde pública.

Por The Conversation Brasil

Foto: Freepik