A vacina anual contra a gripe pode se tornar diferente em um futuro próximo. Todos os anos, a injeção contempla de três a quatro cepas do vírus influenza que normalmente circulam na estação.

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Agora, cientistas dos Estados Unidos e do Canadá, financiados pelo governo americano, avançaram no desenvolvimento de um imunizante que inclui todos os 20 subtipos conhecidos do vírus causador da gripe. Se avançar, será uma vacina com o mais alto nível de proteção que se obteve historicamente.

As vacinas usadas mundialmente conseguem evitar principalmente o agravamento do quadros gripais em pessoas mais vulneráveis, mas é muito comum que pessoas vacinadas fiquem gripadas ao longo do ano.

"É difícil criar vacinas pré-pandêmicas eficazes, porque é incerto qual subtipo do vírus influenza causará a próxima pandemia", dizem os autores em um artigo publicado no fim de novembro na revista Science.

O imunizante em estudo utiliza a mesma tecnologia de algumas vacinas anti-Covid (Pfizer e Moderna), de RNA mensageiro, que se mostraram eficazes desde o início de seu uso em massa.

Os cientistas conseguiram criar um método para codificar antígenos de todos os 20 subtipos conhecidos de influenza A e as linhagens do vírus influenza B.

"Esta vacina multivalente provocou altos níveis de anticorpos de reação cruzada e específicos de subtipo em camundongos e furões que reagiram a todos os 20 antígenos codificados. A vacinação protegeu camundongos e furões desafiados com cepas virais correspondentes e incompatíveis, e essa proteção foi pelo menos parcialmente dependente de anticorpo", descrevem.

Não é a primeira vez que cientistas tentam criar uma vacina universal contra a gripe. Entretanto, os estudos anteriores se concentraram principalmente em um número limitado de antígenos conservados.

O antígeno é uma proteína ou qualquer outra substância que vai induzir uma resposta imune contra um agente invasor, no caso o vírus da gripe.

Os antígenos conservados são aqueles que tendem a permanecer no organismo ao longo do tempo.

Mesmo em vírus influenza diferentes, os antígenos conservados serão muito semelhantes, o que, na prática, faz com que seja inviável aumentá-los com os métodos atuais de produção de vacinas.

Normalmente, essas proteínas são isoladas a partir do cultivo do vírus da gripe em ovos de galinhas.

A tecnologia de RNA mensageiro permitiu, então, codificar mais do que os quatro antígenos usados nas vacinas tradicionais.

Os resultados dos testes em animais foram considerados promissores. Os pesquisadores pretendem iniciar já em 2023 a fase 1 de testes em humanos.

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Um simples exame de urina pode ser, no futuro, capaz de diagnosticar pacientes com a doença de Alzheimer em estágio inicial, antes mesmo do surgimento dos sintomas.

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A técnica foi desenvolvida por pesquisadores da China, e os resultados foram publicados nesta semana na revista científica Frontiers in Aging Neuroscience. O método consiste em identificar um biomarcador, o ácido fórmico, que pode revelar a existência do Alzheimer.

Esta seria uma ferramenta possível em larga escala, afirmam os desenvolvedores, tendo em vista que as formas atuais de diagnosticar Alzheimer são caras, inconvenientes e inadequadas para testagem de rotina.

"Os estágios iniciais da doença ocorrem antes do estágio de demência irreversível, e esta é a janela de ouro para intervenção e tratamento. Portanto, a triagem em larga escala para a doença de Alzheimer em estágio inicial é necessária para os idosos", dizem os autores do estudo.

Os meios atuais para identificar o Alzheimer incluem tomografias que expõem o paciente à radiação ou coletas de sangue que requerem punção lombar para obter líquido cefalorraquidiano.

O exame de urina surge neste contexto como algo não invasivo e barato.

Ácido fórmico

O biomarcador de Alzheimer estudado pelos pesquisadores chineses é o ácido fórmico, um produto metabólico do formaldeído, este último já anteriormente investigado por sua relação com a doença.

No estudo, foram recrutadas 574 pessoas saudáveis com cognição normal ou com diferentes graus de progressão do Alzheimer – de declínio cognitivo subjetivo a doença completa.

Foram analisadas as amostras de urina de todos, além de eles terem passado por avaliações psicológicas.

Nas amostras de urina, os cientistas observaram que os níveis de ácido fórmico eram significativamente mais elevados nos pacientes com Alzheimer, em comparação com os saudáveis.

Também notou-se que o ácido fórmico era mais alto mesmo naqueles em que a doença ainda não dava sinais de progressão.

Os autores do estudo compararam os resultados das urina com exames de sangue que também identificam biomarcadores de Alzheimer e concluíram que os primeiros tinham mais precisão em identificar a doença em estágios iniciais.

"O ácido fórmico urinário mostrou uma excelente sensibilidade para triagem precoce de Alzheimer. A detecção de biomarcadores de Alzheimer na urina é conveniente e econômica, e deve ser realizada durante exames físicos de rotina em idosos", afirmam.

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A Thermo Fisher Scientific, líder mundial na área de ciência e biotecnologia, desenvolveu um novo teste para detectar a resistência a medicamentos para tratamento do HIV. Único do mercado, este teste oferece ampla cobertura de subtipos do vírus e traz como diferencial o foco na enzima integrase, responsável pela replicação do vírus e sua evolução na resistência a medicamentos.

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O novo produto disponível no mercado é um aliado no combate ao HIV e AIDS (síndrome da imunodeficiência humana adquirida), tema central da campanha Dezembro Vermelho que se inicia nesta quinta-feira (1º/12), Dia Mundial de luta contra a doença.

A alta capacidade de mutação do HIV pode levar a seleção de cepas virais mais resistentes aos medicamentos antirretrovirais (ARV) disponíveis, o que faz com que as farmacêuticas busquem desenvolver novos fármacos com diferentes alvos terapêuticos.

Um destes novos alvos é uma enzima viral chamada Integrase e os medicamentos que atuam como seus inibidores vêm demonstrando resultados interessantes. A efetividade destes medicamentos pode ser aferida através da genotipagem do HIV, um teste genético relativamente simples, disponível em laboratórios capacitados para diagnóstico molecular de doenças infecciosas.

A supressão efetiva da replicação viral -- e, portanto, da sua transmissão -- depende da administração dos ARVs mais apropriados e da adesão do paciente, entre outros fatores.

“A vigilância da genotipagem do HIV-1 serve como uma ferramenta altamente eficaz para caracterizar e monitorar a epidemiologia e a evolução genética das mutações de resistência a medicamentos na população”, comenta Eduardo Razza, Doutor em Farmacologia/Biotecnologia e Gerente Regional de Desenvolvimento de Mercado na Thermo Fisher Scientific. “Tecnologias como essa visam garantir que as terapias ARVs mais eficazes estejam disponíveis em uma determinada população”, completa Razza.

No Brasil, dados do mesmo período apontam que cerca de 920 mil pessoas convivem com HIV; dessas, 89% foram devidamente diagnosticadas e 77% já se encontram em tratamento medicamentosos com pelo menos um antirretroviral.

A meta é que acima de 90% das pessoas em tratamento atinjam uma carga viral indetectável, para que não possam transmitir o HIV por via sexual. No país, essa marca está em torno de 94% atualmente e o desafio é sustentar esse índice ao longo do tempo.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, em 2020 mais de 38 milhões de pessoas viviam com HIV globalmente, com mais 1,5 milhão de novos infectados. Nesse período, 73% das pessoas soropositivas tinham acesso às terapias antirretrovirais.

Live: Jornada do paciente com HIV

Neste dia 1º de dezembro, às 19h, a Thermo Fisher realiza uma live especial para abordar a jornada do paciente com HIV que abordará as testagens disponíveis, os tratamentos, os tipos de profilaxia pré e pós-exposição (PrEP e PEP), o monitoramento da resistência aos medicamentos, além da epidemiologia geral e demais tópicos relacionados ao vírus. A transmissão será realizada pelo instagram oficial da empresa no Brasil @thermofisherscientificpor.

O evento será conduzida pelo gerente regional de marketing da área de Ciências Genéticas da empresa, Eduardo Razza, e contará com a participação da farmacêutica clínica e sanitarista Alícia Krüger que atua no programa VIGIAR SUS do Ministério da Saúde e coordena os Grupos Técnicos de cuidado farmacêutico à população LGBTQIA+ e prescrição farmacêutica de PrEP e PEP no Conselho Federal de Farmácia.

A live integra a programação "Ao Vivo e a Cores", iniciativa da Thermo Fisher para ampliar a conscientização sobre questões de saúde individual e coletiva abordadas em campanhas mensais no Brasil e no mundo.

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O novo boletim InfoGripe, divulgado nesta terça-feira (29), aponta um aumento claro dos casos de Srag (síndrome respiratória aguda grave) em decorrência da Covid-19 em todas as regiões do Brasil.

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A tendência de crescimento é vista em 20 das 27 unidades da federação (estados e Distrito Federal) do país. Apesar da condição estar afetando todas as faixas etárias, os grupos com maior incidência de internações são a população adulta e pessoas acima de 60 anos.

Os dados são do Sivep-Gripe (sistema de informação de vigilância epidemiológica da gripe) e correspondem à semana epidemiológica de 20 a 26 de novembro.

No período, os casos de Srag foram causados, em maioria, pelo Sars-CoV-2 (71,3%), seguido do VSR (vírus sincicial respiratório), responsável por 12,1% dos resultados positivos para vírus respiratório, influenza A (3,4%) e influenza B (0,1%).

Os óbitos pela condição também foram majoritariamente provocados pelo vírus causador da Covid-19 (95,4%), acompanhado da influenza A (1,9%) e VSR (0,4%). Outro crescimento que chamou a atenção dos pesquisadores foi o dos casos de VSR em crianças pequenas em três estados da região Sul. Em São Paulo, o VSR também demonstra preocupação em crianças de zero a quatro anos.

Diante disso, o pesquisador e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, recomenda que as pessoas tenham apreço pelos cuidados básicos, como uso de máscara adequadas (N95 ou PFF2) em ambientes com maior risco de infecção pelo vírus – transporte público, locais com aglomerações, unidades de saúde e locais fechados ou mal ventilados.

"É extremamente importante ter esse cuidado para termos um final de ano com menor impacto possível, dado esse cenário epidemiológico que está muito claro em todo país", explica Gomes.

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