pulmaoPessoas com quadro grave de covid-19 podem vir a desenvolver um quadro chamado de superinfecção. “É quando você desenvolve uma pneumonia bacteriana em cima da pneumonia causada pelo coronavírus”, afirma o infectologista Luís Fernando Waib, da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

O quadro é relativamente comum em pacientes graves e piora a situação clínica do infectado. Waib explica que são inúmeras as bactérias que podem causar essa pneumonia e que normalmente elas já estão no corpo do paciente.

Elas passam a atacar por conta de o pulmão estar mais fragilizado. Tem a colonização anterógrada, por exemplo, quando as bactérias do intestino passam a colonizar a faringe, por conta de sonda, da posição do paciente e de uma situação clínica mais agravada."

Segundo o infectologista Renato Girinbaum, da SBI, cerca de um terço dos pacientes pode vir a desenvolver esse quadro, mas essa não é uma característica exclusiva da covid-19. “Qualquer infecção viral respiratória pode apresentar uma complicação bacteriana".


Waib explica que o coronavírus também pode desencadear outros processos inflamatórios no corpo, mas que não são outras doenças e sim parte dos fenômenos da própria covid-19. “A infecção pode ir do 0 ao 100, com poucos sintomas ou muitas inflamações. Pode atingir as artérias, outros órgãos, alguns fenômenos trombóticos".

Além disso, a covid-19, assim como outras infecções, pode descompensar doenças crônicas preexistentes. “Hipertensão, diabetes, doenças pulmonares e cardiovasculares e até doenças da tireoide".

A infectologista Sylvia Lemos, consultora em biossegurança e controle de infecções, afirma que “qualquer co-infecção por bactéria em qualquer processo viral inicial é um fator de risco de complicação e maior chance de letalidade".

Ela ressalta que o sucesso na recuperação depende da resposta imunológica de cada paciente.

 

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Foto: Lucy Nicholson

 

zebrafishPesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo, USP, desenvolveram um método um tanto inusitado para identificar a contaminação por covid-19. A tecnologia usa uma fita diagnóstica com um QR code que, ao ser lido por um aplicativo, fornece rapidamente o resultado – positivo ou negativo – para coronavírus.

Eles utilizaram os peixes paulistinha, ou zebrafish, como é chamado no exterior, como máquina de teste. Ao invés de detectar o vírus por uma máquina ou reagente químico, eles colocaram uma proteína do novo coronavírus no peixe e esperaram a reação.


“Conseguimos com a professora Cristiane Carvalho, que trabalha em conjunto com os professores Edison Durigon, ambos do ICB, e Shaker Chuck Farah, do Instituto de Química da USP, diferentes fragmentos de uma proteína do novo coronavírus chamada spike. Nós a injetamos no Zebrafish e isolamos os anticorpos dos ovos”, contou ao Jornal da USP Ives Charlie.

 

Esses anticorpos produzidos pelo peixe então são reproduzidos, isolados e colocados em fitas com códigos QR Code, que podem ser acessados pelo celular e dizem qual é o diagnóstico do paciente.

Os pesquisadores desenvolveram um projeto para um hackathon, uma espécie de maratona científica, para buscar soluções para a pandemia de covid-19. O resultado foi o quarto lugar entre mais de 40 equipes participantes do mundo todo. Confira como funciona:
Economia e praticidade
Os testes mostram que o preço é cinco vezes menor do que os testes rápidos. Além disso, pode ser utilizado em casa e tira a necessidade de ir até um hospital.

O aplicativo ainda o monitoramento por georreferenciamento que tiver teste positivo para o novo coronavírus. A ideia dos pesquisadores é que os órgãos de saúde pública também sejam notificados.

“Um dos nossos diferenciais é este: o governo ou uma agência sanitária será informada. Hoje, o Ministério da Saúde tem que ficar ligando para as pessoas com sinais clínicos da doença. No aplicativo, a pessoa mesma pode ir informando”, ressaltou Ives Charlie ao jornal da USP.

 

Foto: divulgação USP

Em Floriano chegou ao fim a reunião entre a ministra Damares Alves, o prefeito Joel Rodrigues e a equipe de médicos do Hospital Tibério Nunes. Ao sair do encontro, Damares afirmou que ficou “impactada” com as informações repassadas pela equipe médica que atua na instituição de saúde.

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IMAGEM: ASCOM FLO

A ministra, durante a reunião, foi apresentada ao protocolo de tratamento dos pacientes com covid-19. No município, há a distribuição de kit de hidroxicloroquina e azitromicima para pacientes fazerem o tratamento em casa e tem conseguido bons resultados.

O uso dos medicamentos de forma domiciliar só podem ser feitos com prescrição médica em pacientes com sintomas leves e com acompanhamento de equipes de saúde. O Hospital Tibério Nunes também está usando hidroxicloroquina e azitromicima, além de corticoides.

“Todo mundo aqui resolveu arregaçar as mangas e salvar vidas de uma forma extraordinária. Estou saindo de Floriano impactada com o que vimos. Há uma união da Secretaria de Saúde, dos médicos, é uma união de forças salvando vidas. Graças a decisão do prefeito e dos médicos de desafiarem e resolverem salvar vidas”, destacou.

Joel Rodrigues, prefeito de Floriano, destacou a parceria entre os gestores da saúde da cidade e a equipe médica. “É uma alegria poder receber a ministra e sua comitiva. Estamos juntos com os profissionais de saúde na execução de um importante protocolo. Há uma integração com a atenção básica. É um protocolo importante que salva vidas”, disse Rodrigues.

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Atualizada às 10h29, desta quinta-feira (14)

A ministra Damares Alves participa de videoconferência com a equipe médica que atua no Hospital Tibério Nunes, em Floriano. A reunião conta com a participação da médica Marina Bucar Barjud, que trabalha na linha de frente no combate à doença no Hospital HM Puerta del Sur, em Madrid, na Espanha.

Ela tem orientado na aplicação do protocolo médico adotado no município. Logo após a videoconferência, Damares deve realizar um pronunciamento e, em seguida, deixa a cidade de volta à Brasília.

Da redação

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Apesar de vários países terem iniciado processos de retomada da economia e relaxamento de medidas de isolamento, a OMS (Organização Mundial de Saúde) diz ser necessário considerar que o mundo todo segue em estado máximo de alerta para o novo coronavírus.

"Consideramos que o risco é alto em nível regional, nacional e global", afirmou o diretor do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Mike Ryan.

Para o diretor geral da organização, Tedro Adhanom, "o alerta em todos os países deve estar no mais alto nível possível", incluindo aqueles que conseguiram diminuir contágios e mortes.

 

Ryan foi enfático ao dizer que é necessário ir além das curvas de contágio para decidir que tipo de medidas devem ser tomadas. "Contar o número de pessoas nas UTIs ou o número de corpos nos necrotérios não é o jeito correto de saber o que está acontecendo num país. Fazer o acompanhamento e rastreamento do vírus em nível comunitário, isso é o que pode servir para manejar os riscos da pandemia", disse.

A OMS vem defendendo a realização de testes em larga escala para acompanhar a evolução da pandemia em cada região. Além disso, recomenda que equipes de vigilância estejam permanentemente em campo para fazer o rastreamento de vítimas, ou seja, diagnosticar casos de pessoas infectadas e conseguir identificar toda a cadeia de contatos delas, de forma a isolar mais efetivamente o vírus.

Segundo a OMS, a identificação de novos surtos na Coreia do Sul e China, além do aumento do índice de transmissão na Alemanha após os três países relaxarem medidas de isolamento social só foi possível porque se estabeleceu um sistema de vigilância sanitária capaz de rastrear o vírus e as pessoas que podem estar ou vir a ser contaminadas.

 

R7

Foto: Stephane Mahe / Reuters