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Dormir pouco faz mal ao coração —isso a ciência já reconhece há anos. O que vem ficando cada vez mais claro é que dormir demais também pode ser um sinal de risco.

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Estudos populacionais e pesquisas com exames de imagem mostram que a relação entre sono e saúde cardiovascular segue uma curva em “U”: o risco de infarto, AVC e outras doenças cresce tanto entre quem dorme pouco quanto entre quem dorme em excesso.

No ponto mais baixo dessa curva, onde o risco é menor, aparecem de forma consistente as pessoas que dormem entre 7 e 8 horas por noite. É nesse intervalo que o organismo consegue manter melhor controle da pressão arterial, do metabolismo da glicose, da inflamação e do funcionamento das artérias.

Cardiologista do Hospital Quali Ipanema e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), João Luiz Frighetto explica que o impacto do sono sobre o coração não é direto, mas cumulativo.

“Dormir mal aumenta o risco cardiovascular porque se associa a hipertensão, diabetes e obesidade. Esses fatores acabam se somando ao longo dos anos”, afirma.

Sono entrou de vez na prevenção cardiovascular

Durante décadas, dieta e atividade física dominaram o debate sobre prevenção de doenças do coração. Esse cenário começou a mudar nos anos 2000, quando grandes estudos populacionais passaram a mostrar que a má qualidade do sono se associava a maior risco de hipertensão, infarto, AVC e arritmias.

Professora livre-docente de Cardiologia pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Fatima Dumas Cintra explica que um marco importante foi um estudo publicado em 2005 que acompanhou pacientes com apneia obstrutiva do sono ao longo do tempo.

“Os autores demonstraram que indivíduos com apneia não tratada apresentavam maior incidência de eventos cardiovasculares fatais e não fatais, como infarto e AVC”, detalha.

A consolidação desse conhecimento levou, em 2022, à inclusão do sono como um dos pilares da saúde cardiovascular no conceito Life’s Essential 8, da American Heart Association —ao lado de alimentação, atividade física, controle da pressão, do colesterol, da glicemia, do peso e do tabagismo.

Dormir pouco: um ataque silencioso às artérias

Dormir menos de seis horas por noite provoca uma série de alterações biológicas que sobrecarregam o sistema cardiovascular. Há aumento da atividade do sistema nervoso simpático, maior liberação de hormônios do estresse, elevação sustentada da pressão arterial e pior controle do açúcar no sangue.

Esses mecanismos ajudam a explicar os achados de um estudo publicado em 2019 no Journal of the American College of Cardiology, que identificou maior presença de aterosclerose subclínica —placas de gordura nas artérias antes do surgimento de sintomas— em pessoas que dormiam pouco, mesmo sendo aparentemente saudáveis.

Para Elzo Mattar, cardiologista e coordenador geral da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o problema é que esses danos costumam evoluir de forma silenciosa.

“O sono curto pode elevar pressão, inflamação e alterar o metabolismo mesmo em pessoas jovens. Os efeitos não aparecem de imediato, mas se acumulam ao longo dos anos”, diz.

Por que dormir demais também entra na curva de risco

Se dormir pouco faz mal, dormir demais não significa, necessariamente, proteção. Uma meta-análise publicada em 2022 na revista Frontiers in Cardiovascular Medicine, que reuniu dados de cerca de 3,8 milhões de participantes, mostrou que o sono prolongado —acima de nove horas por noite— também se associa a maior risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, quando comparado ao intervalo de 7 a 8 horas.

Na avaliação dos especialistas, esse excesso raramente é a causa direta do problema. “Na maioria das vezes, dormir demais é um marcador de outras condições, como depressão, sedentarismo, inflamação crônica ou distúrbios do sono, especialmente a apneia”, explica Fatima.

Os estudos apontam alguns caminhos mais concretos para essa associação. Um deles é a maior prevalência de apneia obstrutiva do sono entre pessoas que dormem muitas horas.

Nesses casos, o sono é longo, mas não é reparador: há múltiplas interrupções da respiração, quedas repetidas de oxigenação, picos de pressão arterial e ativação inflamatória durante a noite —mecanismos diretamente ligados ao risco cardiovascular.

Outra explicação consistente é o vínculo entre sono prolongado e inflamação sistêmica. Pesquisas observacionais mostram que pessoas que dormem mais de nove horas tendem a apresentar níveis mais elevados de marcadores inflamatórios, como proteína C-reativa, inflamação que contribui para a disfunção endotelial e o avanço da aterosclerose.

Além disso, o sono excessivo aparece com mais frequência em indivíduos com menor nível de atividade física, maior fragilidade clínica e mais doenças crônicas, fatores que, isoladamente, já aumentam o risco de eventos cardiovasculares.

Em idosos, por exemplo, dormir muito pode refletir perda de autonomia, sarcopenia e pior condição cardiometabólica.

Há ainda evidências de associação entre sono prolongado e alterações do sistema nervoso autônomo, com maior predominância do tônus parassimpático, o que pode favorecer arritmias, como a fibrilação atrial, especialmente em populações vulneráveis —um fenômeno descrito em estudos observacionais sobre sono e ritmo cardíaco.

Qualidade e regularidade também contam

A ciência do sono vem mostrando que não basta olhar apenas para o número de horas dormidas. A fragmentação do sono —acordar várias vezes à noite— pode ser tão prejudicial quanto dormir pouco.

Cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, Cristiano Pisani explica que cada despertar noturno provoca um pequeno “choque” no sistema cardiovascular.

“Há surtos repetidos de ativação do sistema nervoso simpático, com aumento da frequência cardíaca e da pressão. A longo prazo, isso se associa a hipertensão e arritmias, como a fibrilação atrial”, afirma.

Além disso, dormir e acordar em horários muito irregulares desorganiza o ritmo circadiano —o relógio biológico— e se associa a maior inflamação e pior controle da pressão arterial, mesmo em quem dorme um número aparentemente adequado de horas.

Os especialistas são unânimes em dizer que problemas persistentes de sono não devem ser normalizados. Ronco alto, pausas respiratórias durante a noite, sonolência excessiva durante o dia, cansaço ao acordar e insônia frequente são sinais de alerta.

“Nessas situações, investigar o sono pode fazer diferença real na prevenção de infarto e AVC”, diz Elzo Mattar.

Checklist básico de sono saudável para o coração

Dormir, em média, de 7 a 9 horas por noite.

Manter horários regulares para dormir e acordar.

Evitar telas, cafeína e álcool à noite.

Dormir em ambiente escuro, silencioso e confortável.

Procurar avaliação médica em caso de ronco, apneia ou sonolência excessiva.

G1

Floriano recebeu a Carretinha da Saúde, projeto do Governo do Piauí que oferece atendimento gratuito para crianças de 0 a 6 anos. Os atendimentos, que foram previamente agendados, tiveram início na segunda-feira, 18 de maio, e seguem até sexta-feira, dia 22, nos turnos manhã e tarde, das 8h às 12h e das 14h às 17h, em frente à Policlínica de Floriano.

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A ação oferece consultas nas especialidades de oftalmologia e odontopediatria, com capacidade para atender 30 pacientes por turno. Na área de oftalmologia, além das consultas, as crianças que necessitam recebem óculos de grau gratuitamente, com entrega prevista entre 30 e 45 dias. A expectativa é de que cerca de 300 crianças sejam beneficiadas, podendo cada uma delas receber atendimento nas duas especialidades.

Nesta quarta-feira (20), além dos atendimentos de saúde, as crianças participaram de momentos de diversão com jogos infantis, pula-pula e brincadeiras com personagens de desenhos animados. 

Com informações da Ascom

A glicose é o combustível principal das células humanas, mas em excesso na corrente sanguínea ela vira inimiga silenciosa do organismo. Quando os níveis ultrapassam os limites considerados saudáveis, o corpo emite sinais nem sempre fáceis de identificar. Entender essas reações ajuda a agir antes que o quadro evolua para complicações graves como o diabetes tipo 2 ou doenças cardiovasculares.

Por que o açúcar elevado é um problema? O pâncreas libera insulina sempre que detecta açúcar na corrente sanguínea, e o hormônio funciona como uma chave que abre as células para receber a energia. Quando a quantidade de glicose ultrapassa a capacidade de absorção, o excesso permanece circulando e causa danos progressivos em vasos sanguíneos, nervos e órgãos. Esse acúmulo é o ponto de partida para uma série de problemas que aparecem com o passar dos meses.

Quais sinais o organismo emite com mais frequência? O corpo tem mecanismos para tentar eliminar o excesso de açúcar, e esses mecanismos produzem sintomas perceptíveis no dia a dia. Reconhecer cada um deles antecipa o diagnóstico e evita complicações maiores.

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Sede excessiva mesmo após beber grandes quantidades de água Aumento da vontade de urinar, principalmente durante a madrugada Cansaço persistente sem motivo aparente ao longo do dia Visão embaçada de forma intermitente, sem padrão claro Fome constante mesmo pouco tempo depois das refeições O cérebro também sente os efeitos do açúcar alto? Sente, e de várias formas. A hiperglicemia compromete a circulação cerebral e altera o funcionamento dos neurônios responsáveis pela concentração e pela memória de curto prazo. Quem convive com níveis elevados de glicose por períodos longos relata dificuldade para encontrar palavras durante conversas, oscilações de humor e sensação de cabeça pesada ao acordar. Esses sintomas costumam ser confundidos com excesso de trabalho ou má noite de sono.

O que diz a ciência sobre os efeitos do açúcar alto a longo prazo? A literatura médica acumula evidências consistentes sobre o impacto da hiperglicemia crônica nos órgãos vitais. Um estudo publicado pela American Diabetes Association acompanhou pacientes durante uma década e identificou que o controle rigoroso da glicemia reduz em até 40% o risco de complicações microvasculares, como retinopatia e nefropatia. A pesquisa, disponível em Standards of Medical Care in Diabetes, reforça que a manutenção dos níveis adequados de açúcar protege estruturas que sofrem dano silencioso ao longo dos anos.

Por que as feridas demoram mais para cicatrizar? O açúcar em excesso prejudica a circulação periférica e reduz a capacidade do sistema imunológico de combater infecções. Pequenos cortes, arranhões ou bolhas nos pés levam semanas para fechar, e o risco de infecção aumenta consideravelmente. Pessoas com glicemia descontrolada precisam observar com atenção qualquer ferimento, especialmente nos membros inferiores, onde a sensibilidade pode estar comprometida pela neuropatia diabética.

Quais órgãos sofrem em silêncio com o quadro? O dano da hiperglicemia raramente avisa antes de aparecer. Vários órgãos absorvem o impacto silenciosamente por anos, até que o problema surja em consulta médica de rotina ou em uma emergência.

Rins perdem capacidade de filtragem ao longo dos anos Retina sofre alterações nos vasos sanguíneos, com risco de cegueira Coração tem maior risco de infarto e hipertensão crônica Nervos periféricos perdem sensibilidade em pés e mãos Fígado acumula gordura e desenvolve esteatose com o tempo O que causa picos de glicose no dia a dia? Os picos não vêm apenas dos doces evidentes. Alimentos como pão branco, arroz refinado, sucos de fruta sem fibra e bebidas adoçadas elevam o açúcar no sangue com rapidez similar a um pedaço de bolo. Combinações inadequadas de carboidratos sem proteína ou gordura também aceleram a absorção. A composição das refeições, mais do que a quantidade isolada de cada alimento, define o comportamento da glicemia ao longo do dia.

Quem deve fazer o exame de sangue com mais atenção? Pessoas acima dos 40 anos, com histórico familiar de diabetes, sobrepeso ou pressão alta entram no grupo prioritário para o exame de glicemia em jejum e hemoglobina glicada pelo menos uma vez por ano. Sintomas como sede excessiva, perda de peso sem motivo ou infecções recorrentes justificam a consulta médica imediata, sem esperar pelo check-up anual de rotina.

O que o corpo pede para voltar ao equilíbrio Manter a glicose dentro dos níveis recomendados não exige medidas radicais nem dietas impossíveis de sustentar. Pequenos ajustes na alimentação, atividade física regular e acompanhamento médico periódico devolvem o controle do metabolismo em poucas semanas. O corpo responde rapidamente quando recebe os estímulos certos, e os sintomas desagradáveis começam a desaparecer logo nos primeiros meses de mudança consistente.

Quem reconhece os sinais cedo evita anos de complicações silenciosas e protege órgãos vitais que dependem do bom funcionamento da insulina. A medição periódica do açúcar no sangue, somada à atenção aos próprios sintomas, é o caminho mais direto para identificar o problema antes que ele se instale de forma permanente. Cada exame feito a tempo representa anos de saúde preservada para o futuro.

Catraca Livre

Uma nova pílula experimental chamada baxdrostate mostrou resultados promissores no controle da pressão alta resistente e na proteção dos rins em pessoas com doença renal crônica. O medicamento age bloqueando a produção do hormônio aldosterona, responsável pela retenção de sal e água no organismo. Os achados podem representar um avanço importante para milhões de pessoas que convivem com hipertensão difícil de controlar e perda progressiva da função renal.

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O que é o baxdrostate e como ele age no organismo O baxdrostate pertence a uma classe de medicamentos conhecida como inibidores da aldosterona sintase. Ele atua reduzindo a produção de aldosterona, hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais que regula o equilíbrio de sódio e água no corpo.

Quando os níveis desse hormônio ficam elevados, o organismo retém mais sódio e líquidos, o que eleva a pressão arterial e pode causar danos aos vasos sanguíneos e aos rins ao longo do tempo.

Por que a hipertensão e a doença renal andam juntas A pressão alta e a doença renal crônica formam um ciclo perigoso. Quando a pressão permanece elevada, os rins sofrem desgaste progressivo. Conforme a função renal diminui, a pressão tende a subir ainda mais.

Esse círculo vicioso aumenta significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e falência renal. Por isso, encontrar tratamentos que atuem em ambas as frentes é considerado uma prioridade médica.

Estudo científico comprova benefícios do novo medicamento Os resultados que animaram a comunidade médica vieram de um ensaio clínico de fase 2, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Segundo o estudo Efficacy and Safety of Baxdrostat in Participants with CKD and Uncontrolled Hypertension, publicado no Journal of the American Society of Nephrology, o medicamento reduziu a pressão sistólica em 8,1 mm Hg a mais que o placebo após 26 semanas.

Além disso, os participantes que tomaram baxdrostate apresentaram redução de 55% nos níveis de albumina na urina, um marcador importante de dano renal e risco cardiovascular.

Quais os principais resultados observados nos pacientes O estudo incluiu 195 adultos com idade média de 66 anos, todos com pressão alta descontrolada apesar do uso de medicações padrão. Os pesquisadores acompanharam diversos indicadores de saúde renal e cardiovascular ao longo de seis meses.

Entre os achados mais relevantes do ensaio clínico, destacam-se:

Redução significativa da pressão sistólica em comparação ao placebo, mesmo em pacientes que já tomavam outros remédios Queda de mais da metade nos níveis de albumina urinária, indicando menor sobrecarga renal Eficácia mantida em pessoas com diabetes tipo 2, presente em 80% dos participantes Boa tolerância geral ao tratamento, sem mortes registradas durante o estudo Cuidados e efeitos adversos identificados Apesar dos resultados positivos, o medicamento apresentou um efeito colateral relevante. O aumento dos níveis de potássio no sangue, condição chamada de hipercalemia, ocorreu em 41% dos pacientes que tomaram baxdrostate, contra apenas 5% do grupo placebo.

A maioria dos casos foi classificada como leve a moderada, mas esse efeito exige acompanhamento médico rigoroso. Antes de começar qualquer tratamento, vale conhecer os sintomas de pressão alta e fatores de risco, conforme orientações disponíveis no Tua Saúde.

Quem pode se beneficiar do tratamento no futuro O baxdrostate ainda não foi aprovado pela FDA nem pela ANVISA, mas já está sendo avaliado em estudos de fase 3 mais amplos. As novas pesquisas combinam o medicamento com dapagliflozina para verificar se a associação pode retardar a progressão da doença renal crônica.

A expectativa é que o tratamento beneficie principalmente pessoas com hipertensão resistente associada a problemas renais, grupo que historicamente teve poucas opções terapêuticas eficazes.

Tua Saúde