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No dia 4 de fevereiro, quando o mundo marca o Dia Mundial de Luta contra o Câncer, os números mais recentes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ajudam a dimensionar a gravidade do cenário.

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A incidência global de novos casos deve saltar de 20 milhões em 2022 para 35,3 milhões em 2050, um crescimento de 77%, impulsionado principalmente por países de baixa e média renda, que ainda enfrentam limitações estruturais na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da doença.

Os dados, apresentados pela Agência Internacional para Pesquisa de Câncer (IARC/OMS), também evidenciam profundas desigualdades regionais. A Ásia, que concentra cerca de 60% da população mundial, responde por aproximadamente metade dos casos globais de câncer e 56% das mortes, reflexo direto de falhas no acesso a políticas de saúde contínuas e eficazes.

No Brasil, a situação acompanha essa tendência de crescimento. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 700 mil novos casos por ano no triênio 2023–2025. A projeção da OMS indica que esse número pode chegar a 1,15 milhão de novos diagnósticos anuais até 2050, um aumento de 83% em relação a 2022. A mortalidade também preocupa: até 2025, o país deve registrar 554 mil mortes, quase o dobro do observado em anos anteriores.

Para Andrezza Barreto, enfermeira da Vuelo Pharma, os números deixam claro que o debate sobre câncer precisa ir além do tratamento.

“A prevenção ainda é o principal ponto de inflexão dessa história. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e o combate ao tabagismo continuam sendo estratégias comprovadas para reduzir riscos. Mas isso só funciona quando há informação de qualidade e acesso real aos serviços de saúde”, explica.

Além dos efeitos físicos, o câncer também impõe impactos emocionais profundos. Redes de apoio, acompanhamento multiprofissional e acolhimento familiar são elementos decisivos não apenas para a adesão ao tratamento, mas também para a qualidade de vida dos pacientes. Ao mesmo tempo, os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades terapêuticas, tornando o diagnóstico precoce o fator mais determinante para mudar trajetórias.

R7

Foto: Vanity Brasil - Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (2) o uso da semaglutida para redução do risco de eventos cardiovasculares.

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A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy e ganhou popularidade por ser efetiva na perda de peso. A substância simula o funcionamento de um hormônio no corpo (o GLP-1) e, originalmente, foi desenvolvida para o tratamento da diabetes. (relembre abaixo como ela age no corpo)

De acordo com a Anvisa, o Wegovy agora é indicado para diminuição do risco de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC, em adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade e sobrepeso.

Ainda segundo a agência reguladora, os estudos apresentados mostram que, "quando acompanhada de dieta hipocalórica e aumento da atividade física, a semaglutida reduziu significativamente a ocorrência desses eventos".

"Estima-se que, a cada ano, 400 mil brasileiros morram em decorrência de infarto ou AVC", alerta a Anvisa. A indicação para o uso do Ozempic também foi ampliada. Agora, o medicamento pode ser usado no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica.

"De acordo com estudo apresentado pelo fabricante, o uso do medicamento, em conjunto com a terapia padrão da doença, reduziu de maneira relevante a progressão da insuficiência renal e as mortes causadas por eventos cardiovasculares adversos maiores", justifica a Anvisa. Semaglutida e o risco cardiovascular Uma nova análise do estudo SELECT, o maior estudo clínico já realizado sobre benefícios cardiovasculares da semaglutida, publicado na revista científica "The Lancet" em 2025, havia mostrado que a semaglutida é capaz de reduzir o risco de problemas cardíacos independentemente da quantidade de peso perdida.

Mette Thomsen, VP sênior da área médica global da Novo Nordisk, analisa que há fatores além da redução do peso corporal que influenciam a proteção cardiovascular oferecida pela semaglutida.

"Não há uma relação direta entre o grau de perda de peso e a magnitude da redução do risco cardiovascular. Isso reforça a hipótese – que também discutimos no artigo – de que há algo além da perda de peso envolvido", explica Thomsen, em entrevista exclusiva ao g1.

Publicações anteriores do mesmo estudo já haviam mostrado que o uso do medicamento resultou em uma redução de até 20% nos eventos cardiovasculares em pacientes com obesidade e doenças cardiovasculares estabelecidas, sem diabetes.

Mas essa é a primeira vez que se analisa que essa redução não necessariamente está ligada à quantidade de peso perdida.

Por outro lado, a pesquisa mostrou que a redução da circunferência abdominal, um indicador de queda no percentual de gordura visceral, foi associada a melhores resultados para a saúde cardíaca.

Segundo Thomsen, é um primeiro passo para entender o mecanismo por trás da diminuição do risco cardiovascular observada.

O SELECT incluiu mais de 17 mil adultos com doença cardiovascular e índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 27, comparando o uso da semaglutida com o de um placebo.

Mecanismo ainda desconhecido Apesar de o estudo atestar a proteção cardíaca promovida pela substância, os pesquisadores ainda não sabem ao certo qual é o mecanismo de ação que leva a esse resultado.

A representante da Novo Nordisk explica que o SELECT é o único com resultados sobre a saúde cardiovascular até o momento. Mas estudos referentes a diabetes mostram que há diferenças entre os agonistas de GLP-1 – e esse mecanismo pode ser uma propriedade exclusiva da semaglutida.

"Parece haver algo de único na semaglutida, que vai além da perda de peso. Mas concluir algo específico sobre os outros compostos ainda é difícil porque faltam dados para fazermos esse tipo de análise", analisa Thomsen. Ela pondera ainda que, dentro do estudo, foi feita uma avaliação sobre qual proporção de redução do risco cardiovascular pode ser explicada pela perda de peso.

Houve uma redução média de 4% no risco a cada 5 kg perdidos e 5 cm a menos de circunferência da cintura.

Mas, entre pacientes que perderam peso, a incidência de eventos cardiovasculares foi semelhante, independentemente de terem reduzido 5% ou mais do peso.

"[Isso mostra que] a perda de peso não explica tudo no caso da semaglutida. Então, minha hipótese é que existe algo único nessa molécula", comenta a VP. Na opinião de Thomsen, os efeitos anti-inflamatórios da substância podem estar por trás da redução do risco cardiovascular.

Outros benefícios da semaglutida Além dos benefícios cardiovasculares e para perda de peso, a companhia também desenvolve estudos que mostram que a semaglutida traze mais resultados positivos para o corpo. Entre os principais, está a redução da gordura no fígado.

A pesquisa mais recente analisando esse benefício específico da substância mostrou que, ao final de 72 semanas, 63% dos participantes que usaram a semaglutida apresentaram redução da inflamação do fígado.

Nos EUA, o medicamento já é aprovado para tratamento de doença hepática grave. No Brasil, a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy e Ozempic, aguarda validação da Anvisa para o uso da semaglutida para problemas hepáticos.

É normal haver presença de gordura no fígado. No entanto, quando este índice chega a 5% ou mais, o quadro deve ser tratado o mais brevemente possível.

Se não tratada corretamente, a gordura no fígado pode provocar, a médio e longo prazo, uma inflamação capaz de evoluir para quadros mais graves de hepatite gordurosa, cirrose hepática e até câncer no fígado.

Funcionamento da semaglutida no corpo A semaglutida é uma das principais substâncias de canetas injetáveis utilizadas para os tratamentos de diabetes 2 e obesidade.

Diferentemente dos remédios mais atuais, como a tirzepatida, por exemplo, a semaglutida simula o funcionamento de somente um hormônio do corpo: o GLP-1.

Naturalmente, esse hormônio é secretado principalmente pelas células do intestino. Ele vai até o cérebro, no hipotálamo, e estimula algumas células, diminuindo o apetite. (veja no infográfico)

Contudo, o GLP-1 tem um tempo de vida curto. A DPP4, uma enzima produzida pelo nosso organismo, acaba rápido com o efeito do hormônio, fazendo com que a sensação de fome ocorra rápido.

No caso dos medicamentos que simulam a ação do hormônio, há uma resistência à ação da enzima DPP4, fazendo com que durem mais no corpo. Com isso, o medicamento reduz o apetite e dá saciedade.

Ele precisa estar inserido em uma estratégia de tratamento e ser administrado junto ao acompanhamento de um médico.

Segundo o estudo STEP 1, publicado no The New England Journal of Medicine, a semaglutida 2,4 mg (Wegovy) promove uma perda de peso média de 17%, com um terço dos pacientes atingindo uma redução superior a 20%.

G1

Foto: Freepik

Segundo um novo estudo da Universidade de Liverpool, existe um marcador no sangue que pode indicar um aumento de quase 70% no risco de Alzheimer. O fator analisado são os picos de açúcar no sangue que ocorrem duas horas após as refeições.

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O estudo analisou dados de mais de 350 mil pessoas com idades entre 40 e 69 anos. Os pesquisadores concluíram que indivíduos que apresentavam picos de açúcar no sangue após as refeições tinham maior risco de desenvolver distúrbios cerebrais.

De forma mais específica, os dados apontam que, no caso de pessoas com elevação da glicose duas horas depois da refeição, a probabilidade de desenvolver Alzheimer era 69% maior.

Outros indicadores de glicose, como a medição em jejum, por exemplo, não apresentaram risco significativo. O estudo foi publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism.

Sinal de risco de Alzheimer “Essa descoberta pode ajudar a moldar futuras estratégias de prevenção, destacando a importância do controle do açúcar no sangue não apenas de forma geral, mas especificamente após as refeições”, afirmou em comunicado Andrew Mason, um dos responsáveis pelo estudo, citado pela Fox News.

“Com o tempo, níveis elevados de açúcar no sangue danificam os vasos sanguíneos do cérebro, o que aumenta o risco de problemas de memória e aprendizagem”, explicou a nutricionista Tanya Freirich à mesma publicação.

“O cérebro depende da glicose como fonte de energia, portanto, qualquer restrição dessa fonte devido a danos nos vasos sanguíneos pode comprometer ainda mais a conectividade funcional do cérebro. O excesso de glicose também prejudica o funcionamento cerebral”, completou.

Alzheimer: médica revela como prevenir e minimizar a progressão da doença Em comunicado, a médica clínica geral Tânia Lima falou sobre a doença, formas de prevenção e como é possível minimizar sua progressão.

“Existem doenças que tornam a pessoa mais vulnerável e comprometem sua capacidade de regeneração. Diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão arterial e outras patologias cardiovasculares estão entre as mais comuns, com impactos na saúde cognitiva”, afirmou.

A má qualidade do sono e alguns transtornos mentais, como ansiedade e depressão, também estão entre os fatores de risco associados. A poluição atmosférica pode desencadear processos inflamatórios, enquanto o tabagismo pode fragilizar e reduzir a vitalidade do cérebro.

“É importante lembrar que o Alzheimer não tem cura. Os tratamentos atuais apenas atenuam os sintomas ou retardam a progressão da doença. A prevenção passa pelo reconhecimento de que estilos de vida saudáveis podem adiar ou até reduzir o risco de desenvolvimento do Alzheimer.”

É possível prevenir o Alzheimer? Na prática, não existe uma prevenção absoluta, mas alguns estilos de vida podem ajudar a reduzir o risco. A médica deixou algumas recomendações.

Atividade física regular

A prática regular de exercícios é uma das estratégias mais consolidadas de proteção cerebral. Caminhar, nadar, dançar ou praticar artes marciais ajudam a melhorar a circulação, preservar a memória e a atenção, além de estimular a plasticidade cerebral.

Estimular o cérebro

O cérebro precisa ser desafiado para manter sua vitalidade. Ler com frequência, aprender um novo idioma e resolver problemas de raciocínio são formas simples de estimular a mente e retardar o desgaste natural das células.

Convívio social

O mesmo vale para as relações sociais. A solidão prolongada tem sido identificada como um fator de risco relevante para diversas doenças, enquanto o convívio social positivo e regular exerce um efeito protetor.

Alimentação saudável

A alimentação é outro pilar fundamental. Dietas ricas em legumes, verduras, frutas, peixes, azeite e oleaginosas estão associadas a um menor risco de demência.

“No caso do Alzheimer, para o qual ainda não existe cura, não falamos de uma prevenção absoluta, mas da possibilidade de minimizar o risco e atrasar a progressão da doença por meio de mudanças ativas no estilo de vida”, concluiu Tânia.

Notícias ao Minuto

Uma pesquisa conduzida por cientistas espanhóis desenvolveu uma terapia combinada de medicamentos capaz de eliminar completamente tumores pancreáticos em testes com camundongos. Além de resultar na regressão total dos tumores, a estratégia também impediu o desenvolvimento de resistência ao tratamento, considerado um dos principais desafios da medicina oncológica atual.

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O estudo foi publicado na revista PNAS em dezembro de 2025 e foi liderado por Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO).

Os resultados mostraram que os tumores desapareceram em diferentes modelos de camundongos entre três e quatro semanas.

Mesmo após mais de 200 dias sem tratamento, os animais permaneceram livres da doença e não apresentaram sinais de toxicidade associados à terapia. Como funciona: A terapia reúne três compostos que atuam na interrupção do crescimento das células tumorais. Um deles é direcionado ao oncogene KRAS, considerado o principal fator causador do câncer de pâncreas. Os outros dois atuam sobre as proteínas EGFR e STAT3, envolvidas em vias de sinalização essenciais para a progressão do tumor.

O que é o câncer de pâncreas O pâncreas é um órgão localizado na região intra-abdominal, atrás do estômago, entre o intestino delgado e o baço. Ele é responsável pela produção de insulina e de enzimas que auxiliam na digestão de gorduras. Anatomicamente, o órgão é dividido em cabeça, corpo e cauda.

O câncer de pâncreas costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais. Em fases mais avançadas, a localização do tumor pode provocar diferentes sintomas. O principal tipo é o adenocarcinoma, responsável por mais de 90% dos casos.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), por ser de difícil detecção e apresentar comportamento agressivo, o câncer de pâncreas tem alta taxa de mortalidade.

No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes. Ela representa cerca de 1% de todos os diagnósticos e responde por aproximadamente 5% das mortes por câncer no país.

Em números absolutos, o Inca estima que, em 2020, a doença causou a morte de 5.882 homens e 6.011 mulheres. Com isso, o câncer de pâncreas foi o 7° mais letal entre os homens e o 5° entre as mulheres.

Perspectivas futuras Apesar dos resultados promissores em laboratório, os pesquisadores destacam que o próximo passo envolve o refinamento das substâncias, para que possam ser testadas com segurança em ensaios clínicos com humanos.

O estudo ainda se encontra em fase experimental. No entanto, o sucesso da regressão tumoral sem o auxílio do sistema imunológico indica que a terapia pode ser eficaz mesmo em pacientes com imunidade comprometida.

A expectativa é que os resultados sirvam de base para o desenvolvimento de novos ensaios clínicos e possam beneficiar pacientes com câncer de pâncreas no futuro. A equipe reconhece que o processo de adaptação da terapia para uso em humanos “não será fácil”, mas avalia que os achados abrem uma nova perspectiva para melhorar a sobrevida em uma doença historicamente associada a poucas opções de tratamento.

G1

(*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)