Quem começa a emagrecer costuma notar mudanças primeiro no rosto, nos braços ou nas pernas. Já a barriga parece ignorar todos os esforços, mesmo com treino regular e alimentação controlada. Essa sensação de estagnação é comum e não tem a ver com falta de dedicação.
A gordura abdominal costuma ser a última a responder porque o corpo não perde gordura de forma uniforme. Ele segue uma lógica própria, que envolve proteção, reserva de energia e adaptação ao estresse do dia a dia.
A barriga funciona como reserva estratégica do corpo O organismo tende a armazenar gordura na região central como forma de proteção dos órgãos vitais. Estudos publicados no Journal of Obesity mostram que a gordura abdominal, especialmente a visceral, é metabolicamente mais defensiva e responde mais lentamente ao déficit calórico do que a gordura periférica.
Por isso, durante o emagrecimento, o corpo costuma utilizar energia de regiões menos estratégicas antes de liberar a gordura da barriga.
Abdominais fortalecem o músculo, não eliminam gordura localizada Focar apenas em exercícios para o abdômen é um dos erros mais comuns. Abdominais fortalecem a musculatura, melhoram a postura e a estabilidade do core, mas não determinam de onde a gordura será eliminada.
Pesquisas publicadas no Journal of Strength and Conditioning Research mostram que exercícios localizados aumentam força muscular, mas não promovem redução significativa de gordura na região treinada sem um processo global de emagrecimento.
Estresse e sono interferem diretamente na gordura abdominal A rotina fora da academia influencia muito mais do que parece. Estudos do Psychoneuroendocrinology indicam que níveis elevados de cortisol, associados ao estresse crônico e ao sono insuficiente, estão ligados ao maior acúmulo de gordura abdominal.
Mesmo pessoas fisicamente ativas podem ter dificuldade em reduzir a gordura da barriga se o corpo estiver constantemente em estado de alerta.
Por que a barriga costuma ser a última a responder À medida que o emagrecimento avança, o corpo passa a preservar suas reservas mais importantes. Revisões publicadas no American Journal of Physiology mostram que áreas com menor fluxo sanguíneo, como a região abdominal, liberam gordura de forma mais lenta durante o exercício.
Isso explica por que a barriga geralmente diminui depois de outras partes do corpo, mesmo quando o processo está funcionando.
O que realmente ajuda a reduzir a gordura abdominal A literatura científica aponta que a combinação de treino de força, exercícios aeróbicos e hábitos que regulam o estresse é a estratégia mais eficaz. Uma revisão do Sports Medicine mostrou que programas que unem essas frentes promovem maior redução de gordura abdominal ao longo do tempo.
Fumar está associado a uma série de problemas de saúde, mas há um hábito cotidiano que pode ser ainda mais prejudicial do que o cigarro. Vale ficar atento, porque ele pode estar afetando diretamente a saúde do coração.
O risco de doenças cardiovasculares aumenta com o passar dos anos, mas alguns comportamentos aceleram o envelhecimento do coração e reduzem sua idade biológica. Por isso, especialistas alertam para um hábito comum que costuma ser negligenciado no dia a dia.
A falta de atividade física, a alimentação inadequada e o tabagismo são fatores amplamente conhecidos quando o assunto é saúde cardiovascular. No entanto, dormir pouco ou ter um sono de má qualidade também representa um risco significativo e, em alguns casos, pode ser ainda mais nocivo do que fumar.
“O risco é ainda maior quando o tempo de sono é inferior a cinco horas por noite. Alguns estudos indicam que essa relação pode ser especialmente acentuada entre as mulheres”, explica a médica psiquiatra Beverly J. Fang.
Segundo a especialista, a privação de sono aumenta a ativação do sistema nervoso simpático, elevando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Além disso, dormir mal pode elevar os níveis de cortisol e provocar aumento persistente da pressão ao longo do tempo.
O cardiologista Jack Wolfson reforça que a má qualidade do sono afeta diretamente o funcionamento do sistema cardiovascular. “Os vasos sanguíneos perdem a capacidade de produzir óxido nítrico, o que dificulta o relaxamento das artérias. Com o tempo, dormir mal e por poucas horas aumenta significativamente o risco de infarto e insuficiência cardíaca”, afirma.
A desregulação do ritmo circadiano também contribui para o envelhecimento precoce do coração, favorecendo alterações anormais da pressão arterial ao longo do tempo.
“Fumar é uma toxina cardiovascular poderosa, mas a privação crônica de sono provoca uma desregulação sistêmica em todo o organismo. Dormir mal leva à ativação constante do sistema nervoso simpático, inflamação crônica, desequilíbrios hormonais, disfunção metabólica e envelhecimento biológico acelerado”, destacam os especialistas.
O que evitar antes de dormir, segundo especialistas em sono
Alguns hábitos aparentemente inofensivos antes de deitar podem comprometer a qualidade do sono e, consequentemente, a saúde do coração.
Iniciar conversas estressantes
Trazer assuntos intensos uma ou duas horas antes de dormir faz com que a mente permaneça em alerta por mais tempo, dificultando o relaxamento necessário para o sono.
Exposição a luzes muito fortes
Cerca de três horas antes de dormir, o ideal é reduzir a intensidade das luzes em casa para estimular a produção de melatonina.
Não ter uma rotina de relaxamento
Criar um ritual noturno ajuda a diminuir a frequência cardíaca e preparar o corpo para o descanso.
Comer imediatamente antes de se deitar
A alimentação tardia pode causar refluxo e dificultar a digestão, prejudicando o sono.
Uso de telas, como celular ou televisão
A luz emitida pelas telas atua como uma espécie de “cafeína visual”, mantendo o cérebro em estado de alerta e atrasando o início do sono.
Camomila ajuda a dormir melhor e oferece benefícios que você nem imagina Além de ajudar a relaxar e melhorar a qualidade do sono, a camomila pode aliviar problemas digestivos, reduzir inflamações, cuidar da pele e até auxiliar no controle da ansiedade, segundo estudos e especialistas.
O Alzheimer é uma doença caracterizada pela perda lenta e progressiva das funções cognitivas e tem se tornado cada vez mais frequente com o envelhecimento da população, fase em que costumam surgir os primeiros sinais.
“Os sintomas geralmente aparecem a partir dos 65 anos, o que faz com que a doença seja mais comum em idosos. O Alzheimer ocorre com mais frequência em mulheres e provoca alterações no comportamento do paciente”, explicou o neurologista João Carlos Lobato Moraes ao site Metrópoles.
Kit 2 Lentes Externa 116x96mm Para Máscara De Solda Com Escurecimento Automático A doença costuma evoluir em três estágios. Na fase inicial, surgem lapsos de memória e mudanças de personalidade. No estágio intermediário, o paciente passa a ter dificuldade para realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Já na fase avançada, aparecem limitações para executar atividades básicas, como cuidados de higiene pessoal.
Sintomas iniciais de Alzheimer
Alguns sinais exigem atenção especial, entre eles:
perda de memória recente
dificuldade para realizar tarefas do dia a dia
trocar objetos de lugar com frequência
repetir a mesma pergunta várias vezes
dificuldade para dirigir ou percorrer caminhos já conhecidos
problemas para encontrar palavras e expressar ideias ou sentimentos
alterações de comportamento, como irritabilidade, desconfiança sem motivo, agressividade, passividade, interpretações equivocadas de estímulos visuais ou auditivos e tendência ao isolamento
Embora o Alzheimer não tenha cura, o diagnóstico precoce é fundamental, pois permite retardar a progressão da doença e garantir melhor qualidade de vida ao paciente.
Como prevenir o Alzheimer
Segundo especialistas, alguns fatores de risco, como envelhecimento e histórico familiar, não podem ser evitados. No entanto, certos hábitos ajudam a reduzir as chances de desenvolvimento da doença, como:
praticar atividade física regularmente
prevenir e tratar doenças cardiovasculares, com atenção especial ao controle da pressão arterial
controlar diabetes e obesidade
evitar o tabagismo
Primeiros sinais que indicam que uma pessoa está com Doença de Parkinson O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, atrás apenas do Alzheimer. No Brasil, sua prevalência aumenta de forma expressiva a partir dos 60 anos. A pesquisa da UFRGS revela que a taxa chega a quase 3 por cento entre pessoas com 80 anos ou mais e é maior entre homens.
O Brasil acaba de atualizar o retrato do câncer no país. A nova estimativa do Instituto Nacional de Câncer projeta cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028 e reforça que a doença já ocupa um lugar central nos desafios de saúde pública nacionais.
Por trás desse número, médicos começam a notar um movimento que, até pouco tempo atrás, parecia distante da realidade brasileira: o aumento de casos de câncer em adultos mais jovens, especialmente entre 18 e 50 anos. O fenômeno já preocupa países como Estados Unidos e nações europeias e, embora ainda não apareça com a mesma força nas estatísticas nacionais, vem sendo observado na prática clínica —sobretudo em tumores como o colorretal.
Em entrevista ao g1, o diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer, Roberto de Almeida Gil, explica por que esses casos têm surgido mais cedo, quais são os limites dos dados disponíveis hoje no Brasil e o que está em debate quando se fala em rastreamento, gargalos do Sistema Único de Saúde e o desafio de transformar leis em cuidado efetivo. Veja a entrevista:
g1: O câncer tem aumentado entre adultos jovens no Brasil? Roberto Gil: A gente tem, sim, uma percepção clara de aumento da incidência em pacientes mais jovens, e essa percepção corresponde aos números que temos hoje. É verdade que trabalhamos com estimativas e não com números absolutos, mas, mesmo assim, o aumento existe. Talvez não na dimensão que às vezes aparece no debate público, mas ele é real.
O que ajuda a explicar esse avanço mais precoce da doença? Há vários fatores. Um deles é a melhora da sobrevida dos cânceres hereditários e do câncer infantil. Pessoas que antes não sobreviviam hoje vivem, tornam-se adultas, têm filhos, e isso mantém a presença dessas mutações ao longo do tempo. Mas isso, sozinho, não explicaria o aumento. O principal ponto é que entre 30% e 50% dos cânceres estão associados a fatores de risco conhecidos, e o que estamos vendo é que as pessoas estão sendo expostas a esses fatores cada vez mais cedo.
Quais são hoje os fatores de risco mais relevantes nesse cenário? O mais conhecido é o tabagismo. A indústria investe deliberadamente para atrair jovens, seja pelo cigarro tradicional, seja por vapes, narguilé e outros dispositivos, com design e estratégias voltadas à sedução. Quando alguém começa a fumar mais cedo, aqueles cerca de 20 anos de processo de carcinogênese se completam mais rapidamente, e o câncer aparece antes.
A alimentação também tem peso importante? Tem, e muito. A obesidade e o consumo de ultraprocessados são fatores bem estabelecidos. Hoje, mais de 60% da população brasileira está acima do peso. As crianças também estão mais expostas a esses produtos desde cedo. Quanto mais precoce o contato, mais cedo o câncer tende a se manifestar. Isso tem ficado muito claro no caso do câncer colorretal.
O câncer colorretal é hoje o principal sinal de alerta? Ele chama muita atenção, sim. Diferentemente de outros tumores, a gente tem observado aumento da incidência em populações mais jovens, e não um comportamento estável. Isso nos obriga a repensar estratégias de rastreamento.
Que mudanças estão em discussão nesse rastreamento? Estamos estudando reduzir a idade de início do rastreamento, hoje recomendada a partir dos 50 anos, para 45 ou até 40 anos. Essa é uma discussão técnica em andamento, ainda em avaliação. Mas é importante esclarecer: rastreamento populacional não é colonoscopia para todo mundo. Ele começa com o teste imunológico de sangue oculto nas fezes. A colonoscopia entra como exame confirmatório, quando esse teste dá positivo.
Essa mudança já vale no SUS? Ainda não. A proposta está sendo submetida à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no SUS. Só depois disso ela pode se transformar em política pública do Ministério da Saúde.
Outros tipos de câncer também ajudam a explicar esse cenário precoce? Sim. O câncer de colo do útero, por exemplo, ainda tem incidência alta no Brasil. Ele está fortemente associado ao HPV, que pode infectar muito cedo, inclusive por contato manual. Quando essa infecção ocorre na infância ou adolescência, cerca de 20 anos depois o câncer pode surgir ainda em idade jovem.
E o álcool entra nessa equação? Entra. Hoje a ciência mostra que não existe dose segura de álcool em relação ao câncer. Mesmo pequenas quantidades aumentam o risco. Embora o consumo seja proibido para menores de 18 anos, sabemos que ele começa cedo em algumas populações.
Que mudanças estão em discussão nesse rastreamento? Estamos estudando reduzir a idade de início do rastreamento, hoje recomendada a partir dos 50 anos, para 45 ou até 40 anos. Essa é uma discussão técnica em andamento, ainda em avaliação. Mas é importante esclarecer: rastreamento populacional não é colonoscopia para todo mundo. Ele começa com o teste imunológico de sangue oculto nas fezes. A colonoscopia entra como exame confirmatório, quando esse teste dá positivo.
Essa mudança já vale no SUS? Ainda não. A proposta está sendo submetida à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no SUS. Só depois disso ela pode se transformar em política pública do Ministério da Saúde.
Outros tipos de câncer também ajudam a explicar esse cenário precoce? Sim. O câncer de colo do útero, por exemplo, ainda tem incidência alta no Brasil. Ele está fortemente associado ao HPV, que pode infectar muito cedo, inclusive por contato manual. Quando essa infecção ocorre na infância ou adolescência, cerca de 20 anos depois o câncer pode surgir ainda em idade jovem.
E o álcool entra nessa equação? Entra. Hoje a ciência mostra que não existe dose segura de álcool em relação ao câncer. Mesmo pequenas quantidades aumentam o risco. Embora o consumo seja proibido para menores de 18 anos, sabemos que ele começa cedo em algumas populações.
A obesidade também influencia outros tumores além do colorretal? Sim. A obesidade está associada, por exemplo, ao câncer de mama, porque altera o metabolismo e o perfil hormonal. Isso pode contribuir para o surgimento da doença, inclusive em mulheres mais jovens.
No câncer de mama, há aumento entre jovens? Cerca de 20% dos casos ocorrem abaixo dos 50 anos, e esse percentual tem se mantido relativamente estável. Esses casos chamam atenção porque afetam mulheres em plena fase produtiva, mas, diferentemente do colorretal, não observamos crescimento dessa proporção ao longo do tempo.
A lei dos 60 dias garante início rápido do tratamento? É uma lei importante, mas o tratamento do câncer depende de uma rede organizada. Antes do tratamento, há etapas como diagnóstico, confirmação e estadiamento. Se essa rede não funciona de forma integrada, cumprir um prazo legal não significa, necessariamente, cuidado oportuno.
A lei falha, portanto? A lei, sozinha, não resolve. Ela atua em uma etapa do processo, mas os grandes desafios estão antes disso. As etapas iniciais —especialmente o acesso ao diagnóstico e à confirmação da doença— ainda são gargalos estruturais do sistema.
Por que ainda há tantas limitações nos dados de câncer no Brasil? Existe uma distância entre o que a lei estabelece e o que acontece na prática. A notificação compulsória é um avanço, mas ainda não é plenamente cumprida. Estamos investindo em capacitação, fortalecimento dos registros hospitalares e de base populacional para melhorar essa realidade.
As estimativas do Inca são confiáveis? São. Elas são validadas por organismos internacionais. Não são números absolutos, mas são muito próximas da realidade e fundamentais para planejar políticas públicas.
O que muda com a digitalização da saúde? A saúde digital é inevitável. Prontuários integrados melhoram a qualidade e a agilidade da informação, permitindo planejamento mais preciso e respostas mais rápidas.
Com populações vulneráveis, essa melhoria ainda é escassa? Ainda é, mas tende a ajudar mais no futuro. Hoje temos dificuldade de registrar dados de populações como indígenas e grupos de difícil acesso. Com sistemas mais integrados, a expectativa é reduzir essa invisibilidade.