Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, o projeto reduziu em 26% as infecções em unidades de terapia intensiva. Com isso, a estimativa é que o SUS tenha economizado mais de R$ 150 milhões nesse período. A meta é que a redução atinja 50% até o final de 2026.
O Conexão Record News desta quinta-feira (15) recebeu Cristiana Martins Prandini, coordenadora de projetos do Hcor, para explicar como funciona essa iniciativa. “A gente usa a própria diretriz, são os protocolos que a Anvisa orienta relacionado à prevenção das infecções relacionadas à assistência. A gente tem encontros tanto virtuais como presenciais e a gente vai trazendo esse conteúdo para as equipes, são ciclos de aprendizagem intercalados com períodos de ação, onde eles levam para os hospitais, para as suas UTIs para poder testar e melhorar ainda mais os processos”, explica.
A coordenadora fala que são três tipos de infecções: a infecção de corrente sanguínea, infecção de trato urinário e infecção de pneumonia associada à ventilação mecânica.
Ela relata que a iniciativa tem sido adotada em vários lugares do país: “A gente já percorreu o Brasil inteiro com esse projeto aí levando esse método, trazendo um melhor cuidado para os pacientes e as equipes muito engajadas, muito participantes”.
Vírus antigos estão em constante evolução. Um planeta em aquecimento e cada vez mais populoso coloca os seres humanos em contato com mais e diferentes vírus. E o aumento da mobilidade significa que os vírus podem viajar rapidamente pelo mundo junto com seus hospedeiros humanos.
Como médico e pesquisador de doenças infecciosas, estou de olho em alguns vírus que podem causar infecções em locais inesperados ou em números inesperados em 2026. Influenza A – à beira de uma pandemia A influenza A é uma ameaça perene. O vírus infecta uma ampla variedade de animais e tem a capacidade de sofrer mutações rapidamente. A pandemia de influenza mais recente – causada pelo subtipo H1N1 da influenza em 2009 – matou mais de 280.000 pessoas em todo o mundo no primeiro ano, e o vírus continua circulando até hoje. Esse vírus era frequentemente chamado de gripe suína porque se originou em porcos no México antes de circular pelo mundo.
Mais recentemente, cientistas têm monitorado uma gripe aviária altamente patogênica do subtipo H5N1. Este vírus foi encontrado pela primeira vez em humanos no sul da China em 1997; aves selvagens ajudaram a espalhar o vírus pelo mundo. Em 2024, o vírus foi encontrado pela primeira vez em gado leiteiro nos EUA e, posteriormente, se estabeleceu em rebanhos em vários estados americanos.
A transmissão do vírus de aves para mamíferos gerou grande preocupação de que ele pudesse se adaptar aos seres humanos. Estudos sugerem que já houve muitas transmissões de vacas para humanos.
Em 2026, os cientistas continuarão a procurar qualquer evidência de que o H5N1 tenha mudado o suficiente para ser transmitido de humano para humano – um passo necessário para o início de uma nova pandemia de gripe. As vacinas contra a gripe atualmente disponíveis no mercado provavelmente não oferecem proteção contra o H5N1, mas os cientistas estão trabalhando para criar vacinas que sejam eficazes contra o vírus.
Mpox – mundial e com tendência a piorar O vírus Mpox, anteriormente chamado de vírus da varíola dos macacos, foi descoberto pela primeira vez na década de 1950. Durante muitas décadas foi raramente observado, principalmente na África Subsaariana. Ao contrário do que o seu nome original sugeria, o vírus infecta principalmente roedores e, ocasionalmente, transmite-se para os seres humanos.
O mpox está intimamente relacionado à varíola, e a infecção resulta em febre e erupções cutâneas dolorosas que podem durar semanas. Existem várias variedades de mpox, incluindo um clado I geralmente mais grave e um clado II mais brando. Existe uma vacina para o mpox, mas não há tratamentos eficazes.
Em 2022, um surto global do clado II da varíola dos macacos se espalhou por mais de 100 países que nunca haviam visto o vírus antes. Esse surto foi impulsionado pela transmissão do vírus entre humanos por meio de contato próximo, geralmente relações sexuais.
Embora o número de casos de mpox tenha diminuído significativamente desde o surto de 2022, o mpox de clado II se estabeleceu em todo o mundo. Vários países da África Central também relataram um aumento nos casos de mpox do clado I desde 2024. Desde agosto de 2025, ocorreram quatro casos de mpox do clado I nos EUA, incluindo em pessoas que não viajaram para a África.
Não está claro como os surtos de mpox nos EUA e no exterior continuarão a evoluir em 2026.
Vírus Oropouche – transmitido por insetos e pronto para se espalhar O vírus Oropouche foi identificado pela primeira vez na década de 1950 na ilha de Trinidad, na costa da América do Sul. O vírus é transmitido por mosquitos e pequenos insetos picadores, também conhecidos como maruins.
A maioria das pessoas com o vírus apresenta febre, dor de cabeça e dores musculares. A doença geralmente dura apenas alguns dias, mas alguns pacientes apresentam fraqueza que pode persistir por semanas. A doença também pode reaparecer após a recuperação inicial.
Há muitas perguntas sem resposta sobre o vírus Oropouche e a doença que ele causa, e não há tratamentos ou vacinas específicas. Durante décadas, acreditava-se que as infecções em pessoas ocorriam apenas na região amazônica. No entanto, a partir do início dos anos 2000, começaram a surgir casos em uma área maior da América do Sul, América Central e Caribe. Os casos nos Estados Unidos geralmente ocorrem entre viajantes que retornam do exterior.
Em 2026, surtos de Oropouche provavelmente continuarão a afetar viajantes nas Américas. O mosquito que transmite o vírus Oropouche é encontrado em toda a América do Norte e do Sul, incluindo o sudeste dos Estados Unidos. A área de distribuição do vírus pode continuar a se expandir.
Ainda mais ameaças virais Vários outros vírus representam um risco em 2026.
Os surtos globais contínuos do vírus chikungunya podem afetar os viajantes, alguns dos quais podem considerar a possibilidade de se vacinar contra esta doença.
Os casos de sarampo continuam a aumentar nos EUA e em todo o mundo, num contexto de diminuição das taxas de cobertura vacinal.
O HIV está prestes a ressurgir, apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes, devido a interrupções na ajuda internacional.
E vírus ainda desconhecidos podem sempre emergir no futuro, à medida que os seres humanos perturbam os ecossistemas e viajam ao redor do planeta.
Em todo o mundo, pessoas, animais e o meio ambiente em geral dependem uns dos outros. A vigilância contra ameaças virais conhecidas e emergentes e o desenvolvimento de novas vacinas e tratamentos podem ajudar a manter todos seguros.
Oxímetros de dedo usados em casa — popularizados durante a pandemia de Covid-19 — tendem a indicar níveis de oxigênio mais altos do que os reais em pessoas com pele mais escura, aumentando o risco de atraso no atendimento médico. É o que mostra um amplo estudo inglês publicado nesta quarta-feira na revista científica “The BMJ”.
A pesquisa analisou mais de 11 mil medições e indica que pequenas diferenças nos números podem levar à perda do diagnóstico de hipóxia, condição potencialmente grave.
O QUE É UM OXÍMETRO? Um oxímetro é um aparelho que mede, de forma rápida e indolor, a quantidade de oxigênio no sangue, por meio de um sensor colocado no dedo. Ele usa feixes de luz para estimar a saturação de oxigênio (SpO₂) e a frequência cardíaca, ajudando a identificar quando o nível de oxigênio está abaixo do normal.
Erro pequeno, impacto grande Os pesquisadores da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, analisaram o desempenho de cinco modelos de oxímetros fornecidos pelo sistema público de saúde inglês para uso domiciliar. Todos apresentaram o mesmo padrão: superestimar a saturação de oxigênio (SpO₂) em pacientes com pele mais escura.
Na prática, isso significa que uma pessoa pode estar com níveis perigosamente baixos de oxigênio no sangue sem que o aparelho acione o alerta para buscar ajuda médica.
Segundo o estudo, os valores de SpO₂ foram, em média, 0,6 a 1,5 ponto percentual mais altos em pacientes de pele mais escura. Embora pareça pouco, esse desvio elevou de forma significativa os chamados falsos negativos — quando o oxímetro não identifica a hipóxia.
Em alguns cenários, a chance de o aparelho “não perceber” o problema foi de duas a sete vezes maior, dependendo do modelo e do ponto de corte usado para acionar atendimento médico.
Como o estudo foi feito Para chegar a esses resultados, os cientistas reuniram dados de 903 adultos internados em 24 UTIs do NHS inglês, entre 2022 e 2024. O ambiente de terapia intensiva foi usado porque nesses pacientes é possível comparar, ao mesmo tempo, a leitura do oxímetro com a gasometria arterial, considerada o padrão-ouro para medir oxigenação.
O tom de pele foi medido com um espectrofotômetro, equipamento que avalia cor de forma objetiva, evitando classificações subjetivas ou baseadas em raça. Ao todo, foram analisadas 11.018 medições pareadas de oxigênio no sangue.
Os pesquisadores avaliaram dois limiares clínicos importantes:
94% ou menos, usado como sinal para buscar ajuda médica; 92% ou menos, indicativo de ida ao pronto-socorro. O que dizem os autores Os próprios pesquisadores alertam que o oxímetro não deve ser abandonado, mas usado com cautela. “As leituras de SpO₂ devem ser interpretadas junto com outros sinais clínicos e com a tendência ao longo do tempo, não como um valor isolado, especialmente em pessoas com pele mais escura”, escrevem.
Eles também defendem mudanças em normas técnicas e na regulação dos dispositivos, para que testes de precisão incluam maior diversidade de tons de pele.
Metodologia, pontos fortes e limites do estudo O estudo é observacional, o que impede conclusões definitivas de causa e efeito. Além disso, foi realizado com pacientes gravemente enfermos, o que pode não refletir perfeitamente o uso doméstico.
Por outro lado, o trabalho se destaca pelo tamanho da amostra, pela medição objetiva do tom de pele e pela comparação direta com exames laboratoriais de alta precisão, tornando-o uma das análises mais robustas já feitas sobre o tema.
Se você faz parte do grupo de pessoas que basta chegar o verão para se encher de picadas, um estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz pode ajudar a explicar o porquê. De acordo com os cientistas, mosquitos estão, de fato, se alimentando mais de humanos do que de animais.
A pesquisa foi publicada na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution e analisou mosquitos coletados em áreas remanescentes da Mata Atlântica, um bioma que hoje conserva apenas cerca de um terço de sua área original ao longo do litoral brasileiro. No entanto se estende por 17 estados no país.
O que os pesquisadores perceberam ao rastrear o sangue usado como alimento por esses mosquitos é que ele era majoritariamente humano. Ou seja, o sangue de pessoas parece ter se tornado a principal fonte, e, consequentemente, são os humanos que levam a maior parte das picadas.
O que os mosquitos estavam ‘comendo’ O estudo foi realizado na Reserva Sítio Recanto e na Reserva Ecológica do Rio Guapiaçu, ambas no estado do Rio de Janeiro. Os pesquisadores utilizaram armadilhas luminosas para capturar mosquitos e, em laboratório, separaram as fêmeas que haviam se alimentado recentemente.
A equipe então extraiu o DNA presente no sangue ingerido e analisou um gene que funciona como um “código de barras” de cada espécie, de humanos a animais. A comparação desses códigos com bancos de dados permitiu identificar de qual animal vinha o sangue.
Ao todo, foram capturados 1.714 mosquitos, pertencentes a 52 espécies. Apenas 145 fêmeas estavam, como tecnicamente chamam, ingurgitadas — ou seja, cheias de sangue — e, em 24 casos, foi possível identificar a origem da refeição. Dessas, 18 haviam se alimentado de sangue humano. Ou seja, a maioria.
As demais refeições vieram de um anfíbio, seis aves, um canídeo e um rato.
Os mosquitos estão preferindo o sangue humano? Os dados do estudo podem sugerir que a maior parte dos mosquitos tenha preferido o sangue humano. Mas, segundo os pesquisadores, não se trata exatamente de uma preferência, e sim de disponibilidade.
De acordo com os autores, o comportamento alimentar dos mosquitos é influenciado por vários fatores. Com o avanço do desmatamento e da ocupação humana em áreas antes florestadas, muitos animais desaparecem ou se afastam.
Esse processo ocorre ao mesmo tempo em que os humanos vão ocupando esses espaços, tornando-se mais presentes em áreas onde antes havia apenas natureza. Nesse cenário, os mosquitos acabam mudando seus hábitos.
“Com menos opções naturais disponíveis, eles são forçados a buscar novas fontes alternativas de sangue e acabam se alimentando mais de humanos por conveniência”, afirma Sergio Machado, pesquisador de microbiologia e imunologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os pesquisadores explicam que, embora algumas espécies possam ter preferências na hora de se alimentar, a proximidade do hospedeiro é um fator decisivo.
E como isso nos impacta? Para além da coceira da picada, os mosquitos podem transmitir doenças. Nas regiões analisadas, eles são vetores de vírus como febre amarela, dengue, zika, mayaro, sabiá e chikungunya — enfermidades que representam riscos importantes à saúde humana e podem ter consequências a longo prazo.
Se os mosquitos estão se alimentando mais de humanos, isso significa que o risco de transmissão dessas doenças também pode ser maior.
Apesar das limitações do estudo — já que apenas cerca de 7% dos mosquitos coletados estavam ingurgitados e puderam ser analisados —, os pesquisadores apontam que os resultados já indicam uma mudança de comportamento associada à interferência humana na natureza e que podem ajudar no desenvolvimento de políticas e estratégias mais eficazes de controle de doenças.