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Essa dúvida faz parte da rotina de milhões de pessoas e a resposta pode surpreender. Durante a noite, enquanto dormimos, a produção de saliva cai drasticamente e as bactérias da boca se multiplicam sem controle, formando uma camada de placa bacteriana sobre os dentes e a língua. Isso significa que ao acordar, a boca está no momento de maior concentração de microrganismos do dia inteiro. Beber água ou comer antes de limpar essa placa pode levar essas bactérias diretamente ao estômago. Entender a ordem correta protege não só os dentes, mas a saúde como um todo.

O que acontece na boca durante o sono? Enquanto dormimos, a produção de saliva diminui para cerca de um décimo do volume normal. A saliva é a principal defesa natural da boca contra bactérias, pois ajuda a neutralizar ácidos e a remover resíduos. Com essa redução, o ambiente oral se torna quente, úmido e sem limpeza, condições ideais para a multiplicação de microrganismos. As bactérias podem dobrar de quantidade a cada três horas, o que explica o mau hálito matinal e aquela sensação de boca pastosa ao despertar.

Esse acúmulo bacteriano noturno não é apenas um incômodo. Estudos mostram que a composição do microbioma oral muda significativamente da noite para a manhã, com aumento de bactérias potencialmente prejudiciais que, se engolidas, podem alcançar o sistema digestivo e, em casos específicos, até a corrente sanguínea.

A ordem recomendada por dentistas ao acordar A maioria dos especialistas em saúde bucal concorda que o ideal é seguir esta sequência pela manhã:

ESCOVE OS DENTES Escovar ao acordar remove a placa bacteriana acumulada durante a noite.

BEBA ÁGUA Com a boca limpa, a água ajuda a hidratar o corpo e ativar o metabolismo.

CAFÉ DA MANHÃ Faça a primeira refeição após se hidratar para fornecer energia ao organismo.

AGUARDE PARA ESCOVAR Espere cerca de 20 a 30 minutos após comer antes de escovar novamente.

Estudo confirma que bactérias orais aumentam significativamente durante o sono Segundo o estudo “Impact of sleep on the microbiome of oral biofilms”, publicado no periódico FEMS Microbiology Letters e disponível no PubMed Central em 2021, a composição bacteriana da boca muda de forma significativa entre a noite e a manhã. A pesquisa analisou amostras de diversas áreas da cavidade oral de voluntários saudáveis e identificou que bactérias do gênero Prevotella, associadas a processos inflamatórios, apresentaram concentrações significativamente maiores pela manhã do que à noite em várias regiões da boca, incluindo a língua e a saliva. Esses achados reforçam a importância de higienizar a boca logo ao acordar, antes de ingerir qualquer alimento ou líquido.

Erros comuns que prejudicam a saúde bucal pela manhã Alguns hábitos matinais parecem inofensivos, mas podem comprometer a proteção dos dentes e da boca ao longo do tempo:

Beber água com limão em jejum sem escovar antes — a acidez do limão combinada com as bactérias acumuladas durante a noite pode acelerar a erosão do esmalte dentário.

Tomar café da manhã e escovar imediatamente depois — alimentos ácidos como suco de laranja e frutas cítricas amolecem temporariamente o esmalte, e escovar nesse momento pode desgastá-lo. O ideal é esperar ao menos 30 minutos.

Usar apenas enxaguante bucal no lugar da escovação — o enxaguante não remove a placa bacteriana aderida aos dentes e não substitui a ação mecânica da escova e do fio dental. Uma rotina matinal simples que protege dentes e organismo

A sequência ideal pela manhã é escovar os dentes primeiro, beber água em seguida e depois fazer o café da manhã. Esse hábito simples remove as bactérias acumuladas durante a noite, protege o esmalte com flúor e permite que a água hidrate o corpo de forma limpa.

Pequenas mudanças na ordem dessas ações diárias podem ter impacto significativo na saúde bucal e geral ao longo dos anos.

Se você tem dúvidas sobre sua higiene oral ou percebe problemas como sangramento gengival, sensibilidade ou mau hálito persistente, procure um dentista para uma avaliação completa e orientação adequada.

Tua Saúde

Acordar com a sensação de que não descansou nada, sentir cansaço extremo durante o dia ou ser alertado por alguém sobre roncos altos e pausas na respiração são sinais de que seu corpo está lutando para sobreviver enquanto você dorme.

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A apneia obstrutiva do sono é muito mais que um barulho incômodo; é uma interrupção real do fluxo de oxigênio que sobrecarrega seu coração e rouba sua vitalidade. Entender como identificar esses episódios e buscar o tratamento correto não apenas melhora o seu humor e foco matinal, mas pode literalmente salvar sua vida ao prevenir doenças graves no futuro.

O que é a apneia do sono? A ciência nos mostra que a apneia é uma desordem onde a respiração para e volta repetidamente durante o sono devido ao colapso das vias aéreas. Quando os músculos da garganta relaxam demais, a passagem do ar é bloqueada, reduzindo drasticamente os níveis de oxigênio no sangue.

Evidências do guia “Apneia Obstrutiva do Sono”, confirmam que cada pausa força o cérebro a despertar brevemente para retomar a respiração. Esse ciclo impede que você atinja as fases mais profundas e restauradoras do sono, resultando em um cansaço que nenhuma quantidade de café parece resolver.

Quais são os sintomas principais? Os sinais da apneia muitas vezes são percebidos primeiro pelo parceiro, que nota roncos intensos interrompidos por silêncios súbitos. A ciência nos mostra que o corpo reage a essa falta de ar com despertares ofegantes, que nem sempre são lembrados por quem está dormindo.

Evidências do Guia de Saúde “Apneia Obstrutiva do Sono e Ronco Primário: Diagnóstico” indicam que a sonolência excessiva durante o dia é um dos indicadores mais perigosos, aumentando riscos de acidentes. Além dos roncos, é fundamental observar a presença de outros sinais sistêmicos que o organismo manifesta devido ao sono fragmentado:

Dor de cabeça matinal: Causada pela dilatação dos vasos sanguíneos devido à baixa oxigenação. Irritabilidade e depressão: Frutos da privação crônica das fases de sono REM. Boca seca ao acordar: Geralmente ligada à respiração oral forçada durante a noite. Dificuldade de concentração: O cérebro não consegue realizar a limpeza de toxinas sem o sono profundo.

Como ela afeta seu coração? Especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) explicam que a queda nos níveis de oxigênio sanguíneo causa um pico de estresse no sistema cardiovascular. A ciência nos mostra que cada episódio de apneia eleva a pressão arterial, sobrecarregando as paredes das artérias e o músculo cardíaco a longo prazo.

Tua Saúde

Uma mulher de 23 anos chegou ao pronto-socorro com falta de ar progressiva e palpitações havia quase três semanas. Jovem, sem doenças prévias conhecidas, ela parecia um caso típico de embolia pulmonar — hipótese reforçada por exames laboratoriais alterados. Mas a tomografia descartou o coágulo no pulmão e revelou algo inesperado: uma massa de cerca de 6 centímetros ocupando o átrio esquerdo do coração.

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O diagnóstico final foi ainda mais incomum: sarcoma intimal cardíaco, um tipo raro e agressivo de câncer que nasce no próprio coração.

Segundo o relato publicado na revista científica Case Reports and Case Series in Cardiology Journal (CRCSCJ), a paciente foi operada em caráter de urgência. A cirurgia retirou parte do átrio esquerdo para remover o tumor, e o exame anatomopatológico confirmou um sarcoma de alto grau.

Cinco meses depois, já em acompanhamento oncológico, exames detectaram metástases cerebrais.

O caso ilustra um paradoxo da medicina: embora o coração seja o órgão símbolo da vida, o câncer que nasce nele é extremamente raro —e, por isso mesmo, pouco conhecido.

O que é câncer de coração? Tumor cardíaco é toda massa anormal que cresce dentro ou ao redor do coração. Eles podem ser:

Primários: quando se originam no próprio coração Secundários (metástases): quando vêm de outro órgão e se instalam ali Os tumores secundários são mais comuns. “O secundário é de 20 a 130 vezes mais frequente do que o primário”, explica o cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Já os tumores primários são raros. Em estudos de necrópsia, a incidência varia de 0,001% a 0,03%. Quando malignos, cerca de 65% são sarcomas —um tipo de câncer que se origina em tecidos de sustentação do corpo, como músculos, vasos sanguíneos e tecido conjuntivo.

Por que é tão raro? Não há uma causa hereditária claramente descrita. Tampouco fatores externos bem estabelecidos. Segundo o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, a explicação pode estar na própria biologia do órgão.

Diferentemente do intestino, da pele ou do pulmão —tecidos que se renovam constantemente— o músculo cardíaco tem baixa taxa de divisão celular. Como o câncer surge a partir de erros na duplicação das células, quanto menor a multiplicação, menor a probabilidade estatística de mutações acumuladas.

“Como toda célula que duplica pode duplicar errado, o coração não está imune. Mas ele não é um tecido que precisa se renovar o tempo todo”, explica Stefani.

Quais são os sintomas? O grande desafio é que os sinais são inespecíficos.

Falta de ar. Palpitação. Fraqueza. Dor torácica. Desmaio. “São sintomas que não são típicos de tumor”, diz Stefani. Em muitos casos, o paciente chega com quadro semelhante a insuficiência cardíaca. Foi o que ocorreu com a jovem de 23 anos, cujo tumor causava obstrução da válvula mitral e comprometia a circulação dentro do coração.

Além do risco oncológico, há um risco mecânico imediato.

“Uma massa dentro do coração pode obstruir o fluxo sanguíneo, causar choque cardiogênico ou até um AVC se fragmentos se desprenderem”, afirma Katayose. Como é feito o diagnóstico? ecocardiograma.fazer biópsia com agulha convencional no coração. O diagnóstico depende de exames de imagem, como:

ecocardiograma; ressonância magnética; cateterismo, em casos selecionados. Muitas vezes, o diagnóstico definitivo só vem após a cirurgia, com análise do tecido retirado.

No caso publicado, o tumor foi identificado primeiro por tomografia e confirmado por ecocardiograma, que mostrou obstrução significativa do fluxo sanguíneo.

Cirurgia como tratamento de primeira linha A principal linha de tratamento é a cirurgia.

“É uma cirurgia de altíssima complexidade. Diferentemente de trocar uma válvula, não existe um roteiro previsível. Cada caso é uma surpresa”, afirma Stefani. Dependendo do subtipo e da presença de metástases, pode haver indicação de quimioterapia complementar.

O prognóstico depende principalmente de um fator: se é possível retirar completamente o tumor com margem de segurança.

Mas o que isso significa?

Na cirurgia oncológica, não basta remover apenas a parte visível do tumor. O cirurgião precisa retirar também uma pequena faixa de tecido saudável ao redor da lesão. Essa “margem de segurança” funciona como uma garantia biológica: ela aumenta a chance de que células microscópicas, invisíveis a olho nu, também sejam removidas.

Depois da cirurgia, o material é analisado no microscópio. Se as bordas da peça retirada estiverem livres de células cancerígenas, diz-se que a margem é negativa —o melhor cenário possível. Quando há células tumorais na borda, significa que pode ter ficado doença residual no coração, o que aumenta o risco de recidiva.

Em tumores cardíacos, conseguir margem adequada é particularmente desafiador. Isso porque o coração é um órgão vital, com estruturas delicadas e funções que não podem ser amplamente sacrificadas. Ainda assim, quando a retirada completa é possível, especialistas afirmam que existe chance real de cura.

“Se for possível ressecar tudo, como em outros sarcomas, podemos falar em cura”, diz Stefani. Mas nem sempre isso é viável. Tumores infiltrativos, como alguns angiosarcomas, podem ser mais agressivos e difíceis de remover completamente.

Prognóstico: o que se sabe Os dados são limitados justamente pela raridade da doença. Na literatura médica, a sobrevida média descrita varia entre 3 e 12 meses após o diagnóstico nos casos malignos.

Menos de 15% dos pacientes sobrevivem além de cinco anos.

Por outro lado, especialistas alertam que, por serem tão raros, esses números podem variar bastante entre subtipos e centros especializados. A ausência de grandes estudos dificulta estabelecer padrões definitivos.

Quando suspeitar? Não existe exame de rastreamento para câncer de coração. A investigação geralmente começa quando sintomas persistentes não encontram explicação em causas mais comuns. Um ecocardiograma pode revelar massas intracardíacas inesperadas.

“O tumor cardíaco muitas vezes é silencioso. Quando começa a dar sinal, já pode estar grande”, resume Katayose.

G1

Foto: Freepik

A caminhada é uma das formas mais acessíveis e eficazes de proteger a saúde cardiovascular, e a quantidade ideal de minutos por dia varia conforme a faixa etária. Segundo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos precisam de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada — o equivalente a cerca de 30 minutos de caminhada por dia, cinco vezes por semana. Já crianças e idosos seguem recomendações específicas que consideram suas necessidades e limitações. Entender essas diferenças pode ser o primeiro passo para transformar um hábito simples em uma poderosa ferramenta de prevenção.

O que a OMS recomenda por faixa etária? As diretrizes da OMS sobre atividade física, atualizadas em 2020, dividem as recomendações em três grandes grupos. Cada faixa etária possui um volume mínimo de atividade moderada, como a caminhada, necessário para obter benefícios à saúde. Confira as orientações principais:

CRIANÇAS E ADOLESCENTES Dos 5 aos 17 anos, a recomendação é praticar pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa.

ADULTOS Entre 18 e 64 anos, o ideal é acumular 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada.

IDOSOS A partir dos 65 anos, recomenda-se também 150 a 300 minutos semanais, incluindo exercícios de equilíbrio e força.

A OMS reforça que qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma, e que pessoas sedentárias devem começar aos poucos e aumentar o ritmo gradualmente.

Como a caminhada protege o coração? Caminhar regularmente provoca uma série de ajustes positivos no sistema cardiovascular. A prática melhora a circulação sanguínea, ajuda a reduzir a pressão arterial, contribui para o controle do colesterol e auxilia na manutenção de um peso saudável. Esses fatores, combinados, diminuem significativamente o risco de doenças do coração.

Além dos benefícios físicos, a caminhada também atua na saúde mental ao reduzir sintomas de ansiedade e depressão, que são fatores de risco indiretos para problemas cardíacos. A American Heart Association inclui a caminhada entre as atividades recomendadas para a prevenção primária de doenças cardiovasculares, reforçando a meta de pelo menos 150 minutos semanais de exercício moderado.

Meta-análise confirma que 30 minutos diários reduzem o risco cardíaco A eficácia da caminhada na prevenção de doenças cardíacas não é apenas uma orientação genérica — ela tem respaldo em evidências científicas robustas. Segundo a meta-análise “Quantifying the dose-response of walking in reducing coronary heart disease risk”, publicada no periódico European Journal of Epidemiology e indexada no PubMed, caminhar cerca de 30 minutos por dia, cinco dias por semana, foi associado a uma redução de 19% no risco de doença coronariana. O estudo analisou dados de mais de 295 mil participantes e concluiu que o risco diminui de forma progressiva à medida que o tempo de caminhada aumenta, sem diferença significativa entre homens e mulheres.

Dicas para manter a caminhada como hábito diário Transformar a caminhada em parte da rotina exige planejamento simples, mas consistente. Pequenas mudanças no dia a dia podem facilitar o cumprimento das metas recomendadas. Veja algumas estratégias práticas:

Comece devagar — se você é sedentário, inicie com 10 a 15 minutos por dia e aumente progressivamente até atingir os 30 minutos recomendados.

Divida o tempo — três caminhadas de 10 minutos ao longo do dia oferecem benefícios semelhantes a uma sessão contínua de 30 minutos.

Escolha horários fixos — caminhar sempre no mesmo período ajuda a criar o hábito e reduz as chances de desistência.

Use calçados adequados — tênis confortáveis e com bom amortecimento previnem lesões e tornam a prática mais agradável.

Quando procurar orientação antes de começar?

Embora a caminhada seja considerada uma atividade de baixo risco, algumas pessoas precisam de avaliação médica antes de iniciar. Quem tem histórico de doenças cardíacas, pressão alta descontrolada, diabetes ou problemas articulares deve consultar um profissional de saúde para receber orientações personalizadas sobre intensidade e duração adequadas.

A caminhada é um recurso valioso e acessível para fortalecer o coração em qualquer idade, mas não substitui o acompanhamento médico. Somente um profissional pode avaliar suas condições individuais e indicar a melhor forma de incluir a atividade física na sua rotina com segurança.

Tua Saúde