• prefeutura-de-barao.jpg
  • roma.png
  • vamol.jpg

Durante o Janeiro Branco e as reflexões sobre cuidados com a saúde mental, o cirurgião do aparelho digestivo André Augusto Pinto explica como se dá a relação da saúde mental com o funcionamento do nosso intestino.

Em entrevista ao News 19 horas, o especialista esclarece que alguns hormônios produzidos pelo cérebro, como cortisol e adrenalina, podem prender ou soltar o intestino e que por isso, se o paciente tiver doenças endocrinológicas — distúrbios hormonais causados por mau funcionamento de glândulas —, ou transtornos como ansiedade, estresse e depressão, é necessário um tratamento especializado com acompanhamento de psiquiatra, realização de atividades físicas e mudança de hábitos alimentares.

O especialista acrescenta que sintomas como dores abdominais, alteração do hábito intestinal - mais preso ou mais solto - cólicas intestinais, náuseas, vômitos, distensão abdominal ou empachamento pós-prandial podem ser sinais de síndrome do intestino irritável.

O diagnóstico da SII (Síndrome do Intestino Irritável) é feito por exclusão das outras doenças que compartilham dos mesmos sintomas: “É importante que você procure um especialista”, reitera o profissional.

Do R7, com RECORD NEWS

Homens não apenas desenvolvem câncer do sangue com mais frequência do que mulheres, como também tendem a receber o diagnóstico em fases mais avançadas da doença. É o que aponta um estudo internacional que analisou pacientes recém-diagnosticados com mieloma múltiplo, um tipo de câncer hematológico que afeta a medula óssea.

cancerhomem

A pesquisa, publicada na revista científica Cancer, avaliou dados de 850 pacientes atendidos em um grande centro de referência nos Estados Unidos. Mesmo após ajustes para fatores como idade, raça, renda, escolaridade, índice de massa corporal, tabagismo e consumo de álcool, o sexo masculino permaneceu associado a uma apresentação mais grave da doença.

Na prática, os homens chegaram ao diagnóstico com maior carga tumoral e sinais mais evidentes de que o câncer já havia provocado danos ao organismo.

O que é o mieloma múltiplo O mieloma múltiplo é um tipo de câncer do sangue que se origina nas células plasmáticas, responsáveis pela produção de anticorpos. Essas células ficam na medula óssea, no interior dos ossos. Quando se tornam cancerígenas, passam a se multiplicar de forma desordenada, comprometendo a produção normal do sangue e causando danos a diferentes órgãos.

Com o avanço da doença, essas células podem provocar lesões nos ossos, anemia, queda da imunidade e alterações nos rins, além de dor óssea intensa e fraturas. Por isso, o mieloma é considerado uma doença sistêmica, que pode afetar várias partes do organismo ao mesmo tempo.

Apesar de ainda não ter cura, o mieloma múltiplo é hoje tratado como doença crônica, com terapias que permitem controlar o câncer por longos períodos e manter qualidade de vida —especialmente quando o diagnóstico é feito de forma precoce.

O que o estudo encontrou De acordo com a análise, homens, em comparação às mulheres, apresentaram com mais frequência:

estágio mais avançado da doença no momento do diagnóstico; maior carga tumoral, indicada por níveis mais altos de proteína monoclonal no sangue; mais lesões ósseas, associadas a dor intensa e risco aumentado de fraturas; maior comprometimento da função renal, o que pode tornar o tratamento inicial mais complexo. Segundo os autores, essas diferenças persistiram mesmo quando foram considerados fatores socioeconômicos e comportamentais, o que reforça a hipótese de que o sexo masculino atua como um fator de risco independente.

Biologia e comportamento podem atuar juntos Ainda não existe uma explicação única para essas diferenças. Para especialistas ouvidos pelo g1, os dados sugerem que fatores biológicos e comportamentais podem se somar.

“Os homens de fato desenvolvem mieloma múltiplo com um pouco mais de frequência no mundo todo, mas as causas exatas ainda não são totalmente conhecidas”, explica a hematologista Mariana Kerbauy, do Einstein Hospital Israelita .

“Existem hipóteses relacionadas a diferenças hormonais, à resposta do sistema imunológico, à maior exposição a fatores ambientais ao longo da vida e também ao comportamento de procura por atendimento médico.”

O estudo mostra que homens chegam ao diagnóstico com maior carga tumoral, mais lesões ósseas e maior comprometimento renal. Para Kerbauy, isso sugere uma combinação de fatores.

“Provavelmente os dois atuam juntos: uma biologia possivelmente mais agressiva do mieloma nos homens e um atraso maior no diagnóstico, já que eles tendem a minimizar sintomas ou procurar menos atendimento médico”, afirma.

O papel dos hormônios e do sistema imune Uma das principais linhas de investigação envolve a influência dos hormônios sexuais sobre o sistema imunológico e o comportamento das células tumorais.

Segundo a onco-hematologista Mariana Serpa, do Hospital Sírio-Libanês, estudos experimentais indicam que hormônios masculinos podem interferir em processos como inflamação, reparo do DNA e regulação do ciclo celular.

“Esses mecanismos podem favorecer o surgimento de alterações genéticas associadas a um mieloma mais agressivo já no momento do diagnóstico”, explica.

Já hormônios femininos, como o estrogênio, parecem exercer um efeito mais protetor sobre a resposta imune.

“Isso, sozinho, não explica tudo, mas ajuda a entender por que a incidência e a gravidade são maiores nos homens, não só no mieloma, mas em outros tipos de câncer”, diz.

Sintomas que merecem atenção Especialistas alertam que alguns sinais do mieloma múltiplo costumam ser subestimados, especialmente entre homens:

dor óssea persistente, principalmente na coluna ou nas costelas; cansaço intenso ou perda de disposição sem causa aparente; fraturas espontâneas ou após traumas leves; infecções frequentes; alterações em exames simples, como anemia ou creatinina elevada “Muitos homens atribuem esses sinais ao estresse, à idade ou ao trabalho físico, o que pode atrasar o diagnóstico”, explica Kerbauy.

Na prática clínica, essa apresentação mais grave se traduz em sintomas mais intensos. Lesões ósseas extensas podem causar dor importante, fraturas espontâneas e perda de mobilidade, enquanto o comprometimento renal torna o tratamento mais complexo desde o início.

Segundo o radioterapeuta Tiago Pereira de Leão, membro da Sociedade Brasileira de Radioterapia, o estudo ajuda a entender por que muitos homens já chegam com limitações importantes no dia a dia.

“Quando há lesões ósseas mais extensas, o impacto funcional é grande. Esses pacientes podem precisar de intervenções específicas para controle da dor e prevenção de fraturas, além do tratamento sistêmico do câncer”, afirma.

Doença não é exclusiva de idosos Embora o risco aumente com a idade, o estudo também mostrou que homens mais jovens podem apresentar a doença em estágio avançado. Isso reforça a necessidade de atenção mesmo fora da faixa etária considerada clássica.

“No Brasil, o mieloma ainda é visto como uma doença predominantemente de idosos, mas sabemos que adultos mais jovens também podem desenvolver a doença”, afirma Kerbauy. “Essa percepção precisa ser revista para evitar atrasos no diagnóstico.”

Estudos nacionais indicam, inclusive, que a idade média ao diagnóstico no Brasil é cerca de dez anos menor do que a observada nos Estados Unidos.

E no Brasil? Apesar de o estudo ter sido realizado nos Estados Unidos, especialistas avaliam que os achados são, em grande parte, aplicáveis à realidade brasileira. As diferenças biológicas entre homens e mulheres são universais, mas fatores como acesso ao sistema de saúde, tempo para realização de exames e desigualdade socioeconômica podem agravar o cenário.

“No Brasil, os homens tendem a procurar menos atendimento preventivo, e os exames podem demorar mais a ser realizados”, diz Kerbauy. “Isso pode fazer com que eles cheguem ainda mais tarde ao diagnóstico.”

Diagnóstico e tratamento O diagnóstico do mieloma múltiplo envolve exames de sangue e urina para detectar proteínas anormais, exames de imagem —como tomografia ou ressonância— e avaliação da medula óssea. Os principais sintomas incluem dor nos ossos, cansaço intenso, fraturas espontâneas, infecções frequentes e alterações renais.

Embora ainda não seja considerado curável, o mieloma é hoje tratado como uma doença crônica. “Com os avanços das terapias, muitos pacientes vivem anos ou até décadas com boa qualidade de vida, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente”, explica Kerbauy.

O tratamento pode incluir combinações modernas de quimioterapia e imunoterapia, transplante autólogo de medula óssea em pacientes elegíveis e, em casos selecionados, terapias celulares mais recentes.

G1

Foto: Frepik

Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, o projeto reduziu em 26% as infecções em unidades de terapia intensiva. Com isso, a estimativa é que o SUS tenha economizado mais de R$ 150 milhões nesse período. A meta é que a redução atinja 50% até o final de 2026.

O Conexão Record News desta quinta-feira (15) recebeu Cristiana Martins Prandini, coordenadora de projetos do Hcor, para explicar como funciona essa iniciativa. “A gente usa a própria diretriz, são os protocolos que a Anvisa orienta relacionado à prevenção das infecções relacionadas à assistência. A gente tem encontros tanto virtuais como presenciais e a gente vai trazendo esse conteúdo para as equipes, são ciclos de aprendizagem intercalados com períodos de ação, onde eles levam para os hospitais, para as suas UTIs para poder testar e melhorar ainda mais os processos”, explica.

A coordenadora fala que são três tipos de infecções: a infecção de corrente sanguínea, infecção de trato urinário e infecção de pneumonia associada à ventilação mecânica.

Ela relata que a iniciativa tem sido adotada em vários lugares do país: “A gente já percorreu o Brasil inteiro com esse projeto aí levando esse método, trazendo um melhor cuidado para os pacientes e as equipes muito engajadas, muito participantes”.

Do R7, com RECORD NEWS

Um novo ano pode significar novas ameaças virais.

Vírus antigos estão em constante evolução. Um planeta em aquecimento e cada vez mais populoso coloca os seres humanos em contato com mais e diferentes vírus. E o aumento da mobilidade significa que os vírus podem viajar rapidamente pelo mundo junto com seus hospedeiros humanos.

epidemia

Como médico e pesquisador de doenças infecciosas, estou de olho em alguns vírus que podem causar infecções em locais inesperados ou em números inesperados em 2026. Influenza A – à beira de uma pandemia A influenza A é uma ameaça perene. O vírus infecta uma ampla variedade de animais e tem a capacidade de sofrer mutações rapidamente. A pandemia de influenza mais recente – causada pelo subtipo H1N1 da influenza em 2009 – matou mais de 280.000 pessoas em todo o mundo no primeiro ano, e o vírus continua circulando até hoje. Esse vírus era frequentemente chamado de gripe suína porque se originou em porcos no México antes de circular pelo mundo.

Mais recentemente, cientistas têm monitorado uma gripe aviária altamente patogênica do subtipo H5N1. Este vírus foi encontrado pela primeira vez em humanos no sul da China em 1997; aves selvagens ajudaram a espalhar o vírus pelo mundo. Em 2024, o vírus foi encontrado pela primeira vez em gado leiteiro nos EUA e, posteriormente, se estabeleceu em rebanhos em vários estados americanos.

A transmissão do vírus de aves para mamíferos gerou grande preocupação de que ele pudesse se adaptar aos seres humanos. Estudos sugerem que já houve muitas transmissões de vacas para humanos.

Em 2026, os cientistas continuarão a procurar qualquer evidência de que o H5N1 tenha mudado o suficiente para ser transmitido de humano para humano – um passo necessário para o início de uma nova pandemia de gripe. As vacinas contra a gripe atualmente disponíveis no mercado provavelmente não oferecem proteção contra o H5N1, mas os cientistas estão trabalhando para criar vacinas que sejam eficazes contra o vírus.

Mpox – mundial e com tendência a piorar O vírus Mpox, anteriormente chamado de vírus da varíola dos macacos, foi descoberto pela primeira vez na década de 1950. Durante muitas décadas foi raramente observado, principalmente na África Subsaariana. Ao contrário do que o seu nome original sugeria, o vírus infecta principalmente roedores e, ocasionalmente, transmite-se para os seres humanos.

O mpox está intimamente relacionado à varíola, e a infecção resulta em febre e erupções cutâneas dolorosas que podem durar semanas. Existem várias variedades de mpox, incluindo um clado I geralmente mais grave e um clado II mais brando. Existe uma vacina para o mpox, mas não há tratamentos eficazes.

Em 2022, um surto global do clado II da varíola dos macacos se espalhou por mais de 100 países que nunca haviam visto o vírus antes. Esse surto foi impulsionado pela transmissão do vírus entre humanos por meio de contato próximo, geralmente relações sexuais.

Embora o número de casos de mpox tenha diminuído significativamente desde o surto de 2022, o mpox de clado II se estabeleceu em todo o mundo. Vários países da África Central também relataram um aumento nos casos de mpox do clado I desde 2024. Desde agosto de 2025, ocorreram quatro casos de mpox do clado I nos EUA, incluindo em pessoas que não viajaram para a África.

Não está claro como os surtos de mpox nos EUA e no exterior continuarão a evoluir em 2026.

Vírus Oropouche – transmitido por insetos e pronto para se espalhar O vírus Oropouche foi identificado pela primeira vez na década de 1950 na ilha de Trinidad, na costa da América do Sul. O vírus é transmitido por mosquitos e pequenos insetos picadores, também conhecidos como maruins.

A maioria das pessoas com o vírus apresenta febre, dor de cabeça e dores musculares. A doença geralmente dura apenas alguns dias, mas alguns pacientes apresentam fraqueza que pode persistir por semanas. A doença também pode reaparecer após a recuperação inicial.

Há muitas perguntas sem resposta sobre o vírus Oropouche e a doença que ele causa, e não há tratamentos ou vacinas específicas. Durante décadas, acreditava-se que as infecções em pessoas ocorriam apenas na região amazônica. No entanto, a partir do início dos anos 2000, começaram a surgir casos em uma área maior da América do Sul, América Central e Caribe. Os casos nos Estados Unidos geralmente ocorrem entre viajantes que retornam do exterior.

Em 2026, surtos de Oropouche provavelmente continuarão a afetar viajantes nas Américas. O mosquito que transmite o vírus Oropouche é encontrado em toda a América do Norte e do Sul, incluindo o sudeste dos Estados Unidos. A área de distribuição do vírus pode continuar a se expandir.

Ainda mais ameaças virais Vários outros vírus representam um risco em 2026.

Os surtos globais contínuos do vírus chikungunya podem afetar os viajantes, alguns dos quais podem considerar a possibilidade de se vacinar contra esta doença.

Os casos de sarampo continuam a aumentar nos EUA e em todo o mundo, num contexto de diminuição das taxas de cobertura vacinal.

O HIV está prestes a ressurgir, apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes, devido a interrupções na ajuda internacional.

E vírus ainda desconhecidos podem sempre emergir no futuro, à medida que os seres humanos perturbam os ecossistemas e viajam ao redor do planeta.

Em todo o mundo, pessoas, animais e o meio ambiente em geral dependem uns dos outros. A vigilância contra ameaças virais conhecidas e emergentes e o desenvolvimento de novas vacinas e tratamentos podem ajudar a manter todos seguros.

Por The Conversation Brasil

Foto: Divulgação/FVS-RCP