À medida que o ano se aproxima do fim, muita gente sente necessidade de arrumar a casa, armários e gavetas, e se desfazer daquilo que já não serve mais.
Embora isso pareça somente uma tarefa prática, a “faxina de fim de ano” carrega um componente simbólico importante para a saúde mental: ela funciona como um gesto de encerramento de ciclo.
Esse processo também envolve a prática do desapego. Passar adiante roupas que não servem mais, papéis que perderam a função ou objetos que já não representam nada é mais do que liberar espaço no armário: é abrir espaço emocional.
“Pode parecer um gesto simbólico, mas ele tem um enorme poder. Quando a pessoa se desfaz de objetos que não fazem mais sentido, ela libera espaço físico e, simbolicamente, autoriza-se a abrir espaço mental e emocional”, afirma a psicóloga. “Esse tipo de ação funciona como um rito de encerramento de ciclo, auxiliando o cérebro a transicionar da lógica do ‘acúmulo’ para a lógica da ‘renovação’.”
Impacto na saúde mental Não é à toa que, ao final de um dia de faxina, muita gente relata sentir cansaço físico, mas com a mente mais leve — ambientes organizados contribuem para o bem-estar psicológico. “Eles favorecem uma sensação de previsibilidade e segurança, pilares importantes para a regulação emocional”, diz Karasin.
O contrário também é verdadeiro: o caos visual funciona como um ruído constante, um excesso de estímulos que compete pela atenção e aumenta o desgaste mental. “Um ambiente mais limpo e simples reduz a sobrecarga cognitiva e pode favorecer estabilidade”, ressalta a especialista.
Outro efeito comum nesse processo é a redução da ansiedade. Embora não seja uma solução definitiva, colocar a casa em ordem ajuda a devolver a percepção de controle. “A ansiedade está ligada a uma sensação de descontrole. Organizar o ambiente devolve à pessoa a percepção de que pode intervir na própria realidade, gerando um efeito calmante e fortalecendo a autoeficácia”, afirma Karasin.
Parte dessa busca por renovação no fim do ano se intensifica justamente porque o período carrega um peso coletivo. Para muita gente, significa renovar promessas de mudanças, metas e novas possibilidades.
“Culturalmente, marca um recomeço. Aprendemos que ‘no próximo ano tudo pode ser diferente’, e isso cria expectativas positivas de renovação”, observa a psicóloga do Einstein.
Mas como manter esse astral ao longo do ano que se inicia? Ana Lúcia Karasin sugere pequenas práticas que ajudam a cultivar organização e bem-estar emocional de forma contínua:
Criar rituais semanais de arrumação de cinco ou dez minutos; Estabelecer metas realistas, em vez de resoluções grandiosas; Manter uma rotina de pausas e autorreflexão; Revisar periodicamente o que merece permanecer, sejam objetos, hábitos ou até relações. “No fim das contas, a faxina de fim de ano é menos sobre a casa e mais sobre a própria pessoa. Arrumar, limpar e descartar são formas de materializar o desejo de recomeçar. Um gesto simples, mas profundamente simbólico, de se organizar para o que vem pela frente”, conclui a psicóloga.
As confraternizações de fim de ano, o Natal e o Ano Novo são momentos convidativos para muita gente brindar com álcool. Para tentar fugir da ressaca, diversos remédios prometem efeitos protetores. Mas será que eles funcionam mesmo?
O hepatologista e professor titular de gastro-hepatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Raymundo Paraná, explica que apenas um produto lançado em 2022, no Reino Unido, com o nome de Myrkl atua metabolizando o álcool ainda no intestino e diminuindo sua absorção.
O medicamento transforma o álcool em água e dióxido de carbono, em vez de acetaldeído, substância tóxica associada aos sintomas da ressaca. O Myrkl é feito à base de probióticos, especificamente Bacillus subtilis e B. coagulans.
“A bactéria do intestino passa a se alimentar do álcool e diminui a absorção. Esse produto não está amplamente disponível ainda, mas é a única proposta que existe”, diz Paraná.
O principal estudo sobre este produto, publicado na revista científica Nutrition and Metabolic Insights, mostrou uma redução da absorção de álcool no sangue de aproximadamente 70%, após 1 semana de suplementação, mas não avaliou diretamente os sintomas característicos da ressaca. O estudo teve uma amostra de apenas 24 participantes e avaliou apenas os efeitos de curto prazo, segundo a biomédica e pesquisadora sênior do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) Marilia dos Reis Antunes.
Outros produtos, como Engov, Epocler e Sal de Fruta, não podem ser usados para “curar” a ressaca, nem aceleram a eliminação do álcool ou interferem em seu metabolismo, segundo especialistas ouvidos pelo g1 (veja abaixo o que esperar desses medicamentos).
Alguns atuam aliviando sintomas isolados, como dor de cabeça, azia, enjoo e indisposição. Ainda assim, esses remédios podem, em alguns casos, trazer complicações. Eles também não mascaram sinais de intoxicação.
A ressaca é multifatorial e envolve o metabolismo do álcool, a resposta inflamatória, alterações hormonais, distúrbios do sono e alterações da glicose. Por isso, um comprimido isolado raramente resolve tudo. “Não há ‘antídoto’ comprovado que previna ou reverta a ressaca como um todo. Foque em prevenção”, destaca a endocrinologista e professora da pós-graduação em Endocrinologia Clínica da EPM-Unifesp Carolina Castro Porto Silva Janovsky.
Comer antes, beber devagar e se hidratar A recomendação geral é beber devagar e sempre comer antes da ingestão de álcool. Dessa forma, o indivíduo não absorve o álcool de uma vez só. Além disso, manter a hidratação e dormir bem também ajudam na recuperação do organismo.
“Quando a gente come primeiro a gente evita a hipoglicemia que dá um grande mal-estar e pode ser induzida pelo álcool, porque, o álcool diminui os estoques de glicogênio, que é uma espécie de armário para onde o fígado repõe glicose para o corpo”, explica Paraná.
Engov, Epocler, sal de fruta e afins ENGOV
O Engov contém ácido acetilsalicílico (AAS), cafeína, antiácido (hidróxido de alumínio) e o anti-histamínico mepiramina.
Como pode ajudar:
O AAS (150 mg) é analgésico e anti-inflamatório e pode aliviar a dor de cabeça; A cafeína (50 mg) é estimulante e pode reduzir a sonolência e a sensação de fadiga; O hidróxido de alumínio (150 mg) é antiácido e pode aliviar azia e queimação; A mepiramina (15 mg) é um anti-histamínico de primeira geração, com leve efeito antiemético e sedativo. Esse medicamento não acelera o metabolismo do álcool nem “desintoxica” o fígado. Ele age sobre sintomas relacionados aos efeitos do álcool.
Quais os efeitos indesejados possíveis:
O uso de AAS com álcool aumenta a irritação da mucosa gástrica e eleva o risco de sangramento gastrointestinal. A própria bula alerta que os efeitos gástricos do AAS podem ser potencializados pelo álcool; O hidróxido de alumínio pode interferir na absorção de outros fármacos (como digoxina, quinolonas e tetraciclinas). Por isso, o ideal é espaçar de duas a quatro horas a ingestão do medicamento; A mepiramina pode causar sonolência, o que exige cautela para dirigir ou operar máquinas. Alertas do fabricante:
A recomendação é tomar de um a quatro comprimidos por dia, respeitando o limite máximo diário de quatro comprimidos. O uso deve seguir rigorosamente as orientações da bula. Em caso de dúvidas, o consumidor deve consultar um farmacêutico. EPOCLER
O Epocler contém citrato de colina 100 mg/mL, betaína 50 mg/mL e racemetionina 10 mg/mL. Esses elementos são nutrientes envolvidos no metabolismo hepático de gorduras e da bile.
A indicação em bula é de “auxiliar no tratamento de distúrbios do fígado”, mas o produto não tem função de proteção hepática nem de combate aos sintomas da ressaca, segundo Raymundo Paraná.
Para a ressaca, não há evidência clínica robusta de benefício em ensaios controlados. Os estudos sobre “curas de ressaca” em geral são pequenos e de baixa qualidade.
A bula não descreve interações relevantes. Em doses usuais, o produto não é considerado hepatotóxico, mas também não há evidência de que “proteja” o fígado após excessos agudos de álcool.
Alertas do fabricante:
A recomendação é ingerir um flaconete até três vezes ao dia, preferencialmente antes das principais refeições, respeitando o limite máximo diário de três flaconetes.
SAL DE FRUTAS
O sal de frutas, como o ENO, contém bicarbonato de sódio, carbonato de sódio e ácido cítrico.
Como pode ajudar:
O antiácido efervescente neutraliza rapidamente o ácido do estômago, ajudando a aliviar azia e indigestão no dia seguinte. Quais os efeitos indesejados possíveis:
Pode agravar a retenção de líquidos e a pressão alta em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca ou doença renal. O uso frequente deve ser evitado nesses casos, segundo médicos ouvidos pelo g1. O uso frequente deve ser evitado nesses casos.
Alertas do fabricante:
A bula informa que o medicamento não deve ser usado por pessoas com pressão alta, problemas no fígado, coração, ou rins, ou se seguir uma dieta restrita em sódio. A dose máxima diária recomendada é de dois envelopes ou duas colheres de chá a cada 24 horas. O medicamento não deve ser utilizado por mais de 14 dias seguidos, por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista e por menores de 12 anos. Paracetamol com álcool exige cautela Janovsky alerta que o paracetamol também costuma ser usado para a ressaca, mas seu uso associado ao álcool pode aumentar a toxicidade hepática. A recomendação é de cautela, especialmente em pessoas que ingerem mais de três drinques no dia ou beberam em excesso na véspera.
“Não associe remédios a resquícios de álcool no sangue. Leia a bula e, em caso de doenças gástricas, renais ou hepáticas, converse com seu médico. No caso de AAS e anti-inflamatórios, o álcool aumenta o risco de sangramento”, alerta Janovsky.
O risco de interação do álcool com medicamentos e energéticos Nesse período de festas, as pessoas usam mais o álcool, assim como outras substâncias, e o álcool pode ter interações com elas, inclusive com medicamentos.
Paraná alerta que pacientes que têm arritmias cardíacas, por exemplo, podem piorar bastante com o álcool.
Além disso, o álcool com energético é uma péssima combinação, segundo o médico.
‘O energético pode causar ataque arritmia, assim como o álcool. Isso pode levar o paciente a uma hospitalização, inclusive”, reforça o hepatologista.
Diferenças individuais influenciam a ressaca Mulheres tendem a apresentar maior concentração de álcool no sangue com a mesma dose ingerida, devido a menor quantidade de água corporal e diferenças enzimáticas. Em parte dos estudos, elas relatam mais náusea e cansaço.
Com o envelhecimento, há redução da água corporal e, em média, eliminação mais lenta do álcool, o que eleva o pico alcoólico e aumenta a suscetibilidade a quedas e interações medicamentosas.
O que é a ressaca e como o álcool age no corpo A ressaca é uma intoxicação causada por um metabólito do álcool - o acetaldeído. O álcool entra no organismo, é metabolizado no estômago pela enzima álcool desidrogenase (ADH) gástrica. Depois, ele vai para o fígado, onde é metabolizado e forma o acetaldeído.
Algumas pessoas fazem isso muito rápido e que outras. E dependendo da quantidade de álcool e da maneira com que o indivíduo metaboliza, o acetaldeído pode se acumular.
O acetaldeído é justamente o que causa o mal-estar, a desidratação celular e a sensação de sede.
O álcool também causa a depressão dos estoques de glicogênio no fígado. Por isso que dá vontade de comer doce após o seu consumo.
O período de desintoxicação demora aproximadamente de seis a 12 horas. “Não há nada que possa ser feito nesse período para encurtar isso. Apenas hidratar e se alimentar”, explica Paraná.
“Não há tratamento e nem cura milagrosa para a ressaca. A melhor alternativa para evitar os prejuízos associados ao consumo abusivo de álcool e à ressaca é a abstenção ou o consumo moderado”, complementa Antunes.
A inserção da tecnologia no cotidiano da saúde tem levantado debates acalorados sobre o futuro da profissão médica. Diante do avanço rápido de ferramentas digitais, a dúvida sobre a substituição do fator humano por máquinas é frequente. Para o Dr. Gustavo Kroger, ginecologista, nutrólogo e diretor da rede de clínicas AMAE, a resposta é clara: a tecnologia não veio para substituir, mas para servir.
Segundo o especialista, o cenário atual exige uma compreensão da tecnologia como um canal de acesso e aprimoramento, e não como um concorrente. Ele cita a telemedicina como um exemplo prático dessa evolução. “A telemedicina representa uma abordagem distinta? Não. Ela constitui um canal de acesso, comparável à diferença entre cirurgia aberta e laparoscopia. Cada modalidade apresenta suas vantagens e indicações específicas”, explica Dr. Gustavo Kroger, reforçando que a acessibilidade e a praticidade são os grandes ganhos desse modelo.
O papel da IA: Preditores estatísticos e supervisão humana
Quando o assunto é Inteligência Artificial (IA), especialmente os Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs), o médico destaca a importância de entender como essas ferramentas funcionam. Elas atuam como preditores estatísticos que, quando treinados com termos médicos, sugerem informações prováveis para casos clínicos. No entanto, Dr. Gustavo Kroger é enfático sobre a necessidade da validação profissional.
“A avaliação médica permanece indispensável. Esses modelos podem apresentar imprecisões. Portanto, devem ser empregados como ferramentas sob a supervisão de um profissional qualificado”, alerta.
A IA já é uma realidade em diagnósticos, como na análise de eletrocardiogramas, onde algoritmos sugerem alterações que são posteriormente verificadas por médicos, garantindo dupla checagem e maior segurança. Essa simbiose entre homem e máquina permite decisões mais precisas e personalizadas, reduzindo a probabilidade de erros ao cruzar dados com um vasto banco de informações científicas.
O Médico como Gestor da Saúde
Para o futuro, a visão de Dr. Gustavo Kroger é de que o médico assuma cada vez mais o papel de “gestor da saúde”. Não será necessário deter todo o conhecimento do mundo na memória, mas sim possuir uma formação sólida para interpretar as informações estruturadas pela tecnologia.
Ele finaliza com uma reflexão poderosa sobre a competitividade no mercado: “A IA não substituirá os médicos, mas os médicos que a utilizam se sobressairão àqueles que não a empregam”.
Manter uma rotina consistente para dormir pode trazer benefícios diretos à saúde cardiovascular. Evidências recentes indicam que adotar um horário fixo para ir para a cama ajuda a reduzir os níveis de pressão arterial em pessoas com hipertensão, inclusive durante o período noturno.
Uma análise publicada recentemente avaliou a regularidade do sono como estratégia complementar no controle da pressão arterial. Os resultados apontaram que a constância no horário de dormir exerce influência positiva sobre o organismo, independentemente do uso de medicamentos para hipertensão.
O trabalho acompanhou adultos de meia-idade diagnosticados com pressão alta. Durante a primeira semana, os padrões habituais de sono foram monitorados. Na etapa seguinte, cada participante escolheu um horário específico para dormir e manteve essa rotina por duas semanas, sem cochilos ao longo do dia.
Não houve orientação para aumentar ou reduzir a quantidade total de sono. A única exigência envolveu a regularidade. Antes da intervenção, a variação média do horário de dormir chegava a cerca de 30 minutos entre uma noite e outra. Após o ajuste, essa diferença caiu para aproximadamente sete minutos.
A mudança refletiu diretamente nos indicadores de saúde. Todos os participantes apresentaram redução da pressão arterial, com queda média de 4 mmHg na pressão sistólica e 3 mmHg na diastólica. Durante a noite, os números foram ainda mais expressivos, alcançando diminuição de 5 mmHg na sistólica e 4 mmHg na diastólica. Esses resultados se mostraram comparáveis aos efeitos obtidos com prática regular de atividade física ou redução do consumo de sal.
Uma diminuição de 5 mmHg na pressão arterial noturna está associada a uma redução superior a 10% no risco de eventos cardiovasculares. Metade dos participantes apresentou queda suficiente para indicar uma mudança fisiológica positiva.
A explicação sugerida aponta para o impacto da irregularidade do sono sobre o sistema circadiano, responsável por regular tanto o ciclo sono-vigília quanto funções cardiovasculares. Alterações frequentes no horário de dormir podem desorganizar esse sistema e favorecer o aumento da pressão arterial.
Dados adicionais indicam que atrasos recorrentes no início do sono elevam de forma significativa o risco de hipertensão. Pequenas variações diárias já se mostram suficientes para influenciar negativamente a saúde do coração.
Próximos passos
Apesar do número reduzido de participantes, os resultados foram considerados promissores. A regularização do horário de dormir representa uma intervenção simples, de baixo custo e baixo risco, com potencial para complementar tratamentos já existentes contra a hipertensão.
Outras análises ampliaram a discussão ao avaliar a relação entre distúrbios do sono e pressão alta. Evidências indicam maior probabilidade de hipertensão entre pessoas que convivem simultaneamente com apneia do sono e insônia.
A pressão arterial elevada pode estar associada a diferentes fatores, como obesidade, estresse, doenças renais e padrões irregulares de sono. Entre esses elementos, a combinação de apneia do sono com insônia apareceu como o fator de risco mais relevante para hipertensão não controlada.
A apneia do sono envolve interrupções repetidas da respiração durante a noite, com redução de oxigênio e fragmentação do sono. A insônia, por outro lado, se caracteriza por dificuldade persistente para adormecer, despertares frequentes ou acordar antes do horário desejado.
Uma pesquisa com quase 4.000 adultos de meia-idade avaliou pressão arterial e padrões de sono por meio de exames domiciliares. Os participantes foram divididos entre pessoas sem distúrbios do sono, com insônia, com apneia do sono e com ambas as condições.
Entre os resultados, 4,5% das pessoas com insônia isolada apresentaram pressão alta. O índice subiu para 7,9% no grupo com apneia do sono e alcançou 10,2% entre quem convivia com as duas condições.