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O Piauí vai ganhar novos Centros Especializados em Reabilitação (CERs) com o objetivo de descentralizar os serviços de saúde do estado e levar mais qualidade de vida para as pessoas com deficiência. Até o final do ano, devem ser entregues as obras do CER II de São Raimundo Nonato, CER IV de Floriano, CER II de Corrente, CER II de Uruçuí, CER IV de Campo Maior e CER IV de Picos.

A Secretaria para Inclusão da Pessoa com Deficiência (Seid) é responsável por acompanhar e realizar o monitoramento da construção e funcionamento dos centros no estado. “A população dos municípios do interior agora vão ter como fazer esse tratamento de reabilitação mais próximo de suas residências, sem precisar se deslocar para Teresina, gerando mais conforto. Então, nós estamos fazendo esse acompanhamento para que os novos Centros comecem a funcionar o mais rápido possível”, afirma o secretário Mauro Eduardo.

(Foto: Ascom Seid)

Os recursos são do Governo Federal, por meio do Novo PAC e do Novo Viver sem Limite, que transfere as verbas diretamente para as prefeituras das cidades. A mesma estrutura de Centro já existe nos municípios de Parnaíba (CER IV) e São João do Piauí (CER II).

CER IV de Parnaíba. (Foto: Ascom Seid)

De acordo com o Ministério da Saúde, os Centros Especializados em Reabilitação são pontos da atenção ambulatorial especializada que realizam diagnóstico, tratamento, reabilitação, habilitação, concessão, adaptação e manutenção de tecnologia assistiva.

Um CER atende regionalmente e é classificado a partir do número de modalidades de reabilitação que oferece, sendo categorizado em: CER II (duas modalidades), CER III (três modalidades) e CER IV (quatro modalidades), focando nas áreas física, auditiva, intelectual e visual, e integrando a Rede de Atenção à Saúde.

CER II de São João do Piauí. (Foto: Ascom Seid)

Recentemente, países acometidos por arboviroses causadas por vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, Zika e chikungunya, ganharam mais uma ferramenta para reduzir a incidência destas doenças: a bactéria Wolbachia.

mosquito

Este microrganismo intracelular é transmitido da mãe para a prole e infecta naturalmente cerca de 70% das espécies de insetos, incluindo cupins, borboletas e moscas. Porém, nunca havia sido encontrado em Aedes aegypti.

Após a transinfecção de Wolbachia a partir de moscas da fruta em Aedes aegypti, os cientistas perceberam que este mosquito tinha capacidade reduzida em transmitir dengue, Zika e chikungunya.

Desde então, machos e fêmeas de Aedes aegypti com Wolbachia têm sido soltos em áreas endêmicas para essas arboviroses. Com isso, busca-se substituir populações naturais do inseto, altamente competentes à transmissão viral, por outras com a bactéria, resistentes aos vírus.

Experiências mundiais com Wolbachia Países tropicais como Austrália, Colômbia, Indonésia e Vietnã já contam com Aedes aegypti com Wolbachia em ambientes urbanos de algumas de suas cidades.

No Brasil, o país historicamente com o maior número de casos de dengue no mundo, as solturas de iniciaram em 2014 no Rio de Janeiro e em Niterói (RJ). E depois, ocorreram em Campo Grande (MS), Petrolina (PE), Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu (PR), Joinville (SC), entre outras cidades.

Além disso, Brasília (DF), Luziânia (GO) e Blumenau (SC), por exemplo, estão em fase de implementação por meio da empresa Wolbito do Brasil.

A empresa foi criada a partir de uma parceria entre o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e a iniciativa internacional World Mosquito Program (WMP).

O sucesso da estratégia em locais como Austrália, Colômbia e Indonésia é notável. Houve uma queda de até 96% na incidência de dengue.

No Brasil, observou-se redução de 69% nos casos dessa arbovirose, 56% de chikungunya e 37% de Zika em Niterói e63% menos casos de dengue em Campo Grande.

Na cidade do Rio de Janeiro, os resultados foram mais modestos com uma redução de 38% nos casos de dengue e 10% de chikungunya, fato atribuído a uma baixa presença de Wolbachia nos mosquitos coletados em campo (32%, em média).

Desafios climáticos, população selvagem e inseticidas Estes dados indicam que a capacidade da bactéria de se espalhar e reduzir a transmissão de arbovírus pode depender de fatores locais.

São importantes: os aspectos como características climáticas, o tamanho da população de Aedes aegypti selvagem (ou seja, sem a bactéria), o uso paralelo de outras estratégias de controle vetorial (como aplicação de inseticidas) e, principalmente, da compatibilidade genética dos mosquitos soltos com a população nativa de mosquitos, adaptada ao contexto local.

Vale lembrar que, para o espalhamento da bactéria em campo, as fêmeas soltas precisam sobreviver tempo bastante para se reproduzir, e assim transmitir Wolbachia para a prole ao longo das gerações.

Neste cenário, a construção de biofábricas para produção em massa de Aedes aegypti com Wolbachia para o uso em solturas por todo o Brasil pode ser desafiador.

As primeiras solturas em um bairro no Rio de Janeiro nos ensinaram uma importante lição: a prevalência de Wolbachia após o término das solturas caiu bruscamente de 65% para 10%, pois os mosquitos criados em laboratório e depois liberados eram susceptíveis a piretroides, principal composto dos inseticidas domésticos.

Assim, o estabelecimento da bactéria em níveis próximos a 100% só ocorreu quando fêmeas de Aedes aegypti com Wolbachia foram cruzadas com machos locais. Esta estratégia produziu uma linhagem geneticamente similar aos mosquitos nativos, capazes de sobreviver a certas doses de piretroides.

Cinco grupos genéticos de Aedes aegypti A partir de estudos anteriores, já sabemos que no Brasil existem pelo menos cinco grandes grupos genéticos de Aedes aegypti,. Esses grupos possuem variações no seu DNA que possivelmente os tornam bem adaptados a cada ambiente.

Outro passo importante antes da expansão das solturas é verificar como cada população de Aedes aegypti responde ao receber a infecção por Wolbachia. Estes dados devem ser considerados no planejamento das solturas.

Alguns estudos mostram que populações do mosquito naturalmente variam na sua capacidade de transmissão de arbovírus. Logo, o grau de resistência à infecção viral conferido pela bactéria também pode variar.

Além disso, Wolbachia pode gerar custos na biologia do mosquito, prejudicando sua sobrevivência, fecundidade e fertilidade.

No Rio de Janeiro, por exemplo, após o término das solturas de Wolbachia, a adoção de um novo larvicida no controle vetorial levou ao colapso populacional de Aedes aegypti.

Contudo, apenas a população selvagem (sem Wolbachia) se recuperou após alguns meses com a chegada das chuvas, graças à prolongada resistência dos ovos desta espécie na parede de criadouros secos.

Por outro lado, a população com Wolbachia não teve o mesmo desfecho: a prevalência da bactéria caiu de 20–55% para 10%, fato atribuído à redução significativa do tempo de sobrevivência dos ovos de Aedes aegypti em baixa umidade na presença de Wolbachia.

Deste modo, a homogeneização genética de Aedes aegypti por meio da soltura de uma linhagem única de mosquitos com Wolbachia por todo o país poderia disseminar algumas características genéticas indesejáveis. Entre elas, maior resistência a inseticidas, maior permissividade a arbovírus ou atratividade ao ser humano.

E claro, como visto no Rio de Janeiro, a incompatibilidade genética entre as linhagens nativas e os mosquitos com Wolbachia pode dificultar o estabelecimento da bactéria, levando a perdas econômicas diretas e/ou ao atraso na redução da incidência das arboviroses.

Diante desses resultados, sugerimos considerar e preservar a diversidade genética de populações de Aedes aegypti durante as solturas de mosquitos com Wolbachia.

Isso certamente aumentará as chances de sucesso dessa promissora estratégia em mitigar um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil, onde milhares de pessoas são acometidas pelas arboviroses anualmente.

O estudo descrito neste artigo teve o apoio das agências de fomento Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG).

Mariana Rocha David atualmente recebe financiamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Gabriela de Azambuja Garcia recebe financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo a Pesquisa no Rio de Janeiro (FAPERJ)

Marcio Galvão Pavan recebe financiamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo a Pesquisa no Rio de Janeiro (FAPERJ).

Rafael Maciel de Freitas recebe financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo a Pesquisa no Rio de Janeiro - FAPERJ, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, Deutsch Forschungsgemeinschaft - DFG.

Por The Conversation Brasil

Foto: MS/Divulgação

 

A boca pode revelar muito sobre o estado geral de saúde, já que alterações nos dentes, gengivas e mucosas costumam refletir desequilíbrios internos. Problemas bucais podem estar relacionados a condições crônicas como diabetes, anemia e até enfermidades cardíacas. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo são afetadas por doenças bucais, sendo a cárie o problema mais comum.

No Brasil, os números também chamam atenção: entre adultos e idosos, a perda dentária é a ocorrência mais prevalente. Na faixa etária de 65 a 74 anos, 73% precisam de algum tipo de prótese dentária. Um levantamento de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou ainda que 34 milhões de brasileiros com mais de 18 anos haviam perdido 13 dentes ou mais, e 14 milhões já haviam perdido todos os dentes.

“É pela boca que entram os alimentos e também as bactérias. Ela é um dos principais pontos de contato com o meio externo e abriga milhares de microrganismos que vivem em equilíbrio”, afirma Maria de Lourdes Soares, dentista do AmorSaúde, que alerta: “Porém, quando há inflamações ou infecções gengivais, esses microrganismos podem se espalhar pela corrente sanguínea e afetar outras partes do corpo”.

Segundo a profissional, doenças sistêmicas podem manifestar sinais sutis na boca antes mesmo de outros sintomas aparecerem. Veja algumas delas abaixo.

  1. Diabetes: inflamações e cicatrização lenta Pacientes com diabetes tendem a apresentar inflamação gengival com mais frequência, além de maior propensão a infecções e cicatrização lenta após procedimentos. A glicose alta compromete a imunidade e favorece o acúmulo de bactérias na boca.
  2. Doenças cardíacas: sangramentos e infecções recorrentes Gengivas inflamadas e sangramentos frequentes podem ser sinais de problemas cardiovasculares ou consequência de medicações usadas por quem tem doenças cardíacas. Além disso, a presença de bactérias na boca pode agravar quadros de endocardite (infecção do revestimento interno do coração).
  3. Anemia: língua lisa e mucosas pálidas A anemia pode ser percebida por alterações na coloração da mucosa bucal, que se torna mais pálida, além de aftas frequentes e uma língua lisa e dolorida.
  4. Doenças autoimunes: feridas e inflamações persistentes Em doenças como lúpus, líquen plano e síndrome de Sjögren, é comum o surgimento de feridas recorrentes e inflamações na mucosa oral.
  5. Deficiências nutricionais e doenças gastrointestinais: mau hálito e alterações no esmalte Problemas como refluxo, gastrite e carências de vitaminas (B12, ferro e zinco, por exemplo) também se manifestam na boca, seja por mau hálito persistente, erosão do esmalte ou alterações na língua. Esses sinais servem de alerta para investigar distúrbios digestivos ou alimentares.

Importância do acompanhamento com dentista Maria de Lourdes Soares alerta que o profissional dentista pode identificar esses sinais e encaminhar o paciente para uma avaliação médica completa. Além disso, ela ressalta que problemas bucais não tratados podem agravar doenças preexistentes.

“As doenças periodontais e infecções bucais permitem que bactérias entrem na corrente sanguínea durante atividades simples, como escovar os dentes ou mastigar. Em pessoas com alterações cardíacas, isso pode causar endocardite bacteriana, uma infecção grave. Já em pacientes diabéticos, a infecção bucal interfere na ação da insulina, dificultando o controle da glicemia”, explica.

Apesar disso, muitas pessoas ainda procuram o dentista somente quando sentem dor. A profissional reforça que o check-up odontológico regular é essencial. “Prevenir é melhor do que remediar. Consultas regulares permitem o diagnóstico precoce de cáries, inflamações gengivais e até de lesões suspeitas, como o câncer de boca, evitando complicações e mantendo a saúde bucal em equilíbrio”, afirma Maria de Lourdes Soares.

A profissional destaca que alguns sinais merecem atenção, pois podem indicar doenças periodontais ou até lesões potencialmente malignas: sangramento gengival, mau hálito constante, gengivas inchadas ou feridas que não cicatrizam por mais de 15 dias.

Hábitos que afetam a saúde da boca Além das doenças sistêmicas, a dentista alerta que o estilo de vida também tem impacto direto sobre a saúde bucal. Alimentação, sono, tabagismo e até o estresse podem alterar o equilíbrio da microbiota oral e favorecer o surgimento de cáries, inflamações e feridas. Veja!

  1. Dietas ricas em açúcar O consumo frequente de doces, refrigerantes e ultraprocessados alimenta as bactérias que produzem ácidos e corroem o esmalte dos dentes, aumentando o risco de cáries e mau hálito. O mais indicado é manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e proteínas, e reduzir a frequência do açúcar, não apenas a quantidade.
  2. Tabagismo O cigarro reduz a oxigenação dos tecidos, prejudica a gengiva e retarda a cicatrização, além de causar manchas nos dentes e aumentar o risco de câncer bucal. Mesmo usuários de cigarro eletrônico devem ter atenção, já que a nicotina líquida também afeta a circulação local.
  3. Falta de sono Dormir pouco enfraquece o sistema imunológico, o que favorece aftas, infecções e gengivites. A má qualidade do sono também está associada ao bruxismo, que provoca desgaste dental e dores de cabeça.
  4. Estresse e ansiedade Esses fatores aumentam a liberação de cortisol, que altera o pH da boca e reduz a produção de saliva, combinação que facilita o aparecimento de cáries, mau hálito e tensão muscular na mandíbula.
  5. Consumo de álcool O álcool irrita a mucosa oral, causa desidratação e reduz o fluxo salivar. Em excesso, pode favorecer o surgimento de feridas e, a longo prazo, aumentar o risco de lesões pré-cancerígenas.

Saúde bucal é saúde integral Para Maria de Lourdes Soares, é importante lembrar que o cuidado com a boca é parte do cuidado integral do paciente. “O dentista trabalha em conjunto com médicos para controlar fatores de risco e adaptar condutas, por exemplo, ajustar o tratamento odontológico em pacientes cardíacos, diabéticos ou gestantes. Esse diálogo é essencial para o cuidado integral”, afirma.

Nos idosos, ela reforça que a saúde bucal tem impacto direto na alimentação, na fala e até no bem-estar emocional. “Próteses mal adaptadas, boca seca e infecções bucais comprometem a qualidade de vida e a saúde geral”, acrescenta.

Para manter o corpo e a boca saudáveis, a profissional recomenda práticas simples e diárias: “Escovar os dentes de maneira adequada após as refeições, usar fio dental, controlar o consumo de açúcar e manter consultas regulares fazem uma enorme diferença. Quem adota esses hábitos está cuidando não só do sorriso, mas de todo o organismo”, conclui.

Por Nayara Campos/Portal Edicase

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico para avaliar a segurança do uso do medicamento polilaminina no tratamento do trauma raquimedular agudo, que é uma lesão da medula espinhal ou coluna vertebral.

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No anúncio feito, nesta segunda (5), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (à esquerda, na foto), destacou que a pesquisa será um marco importante para quem sofreu uma lesão medular e também para as suas famílias.

“Cada avanço científico é sempre uma nova esperança renovada”, disse Padilha.

Pesquisa em universidade pública O ministro considera que o produto é uma inovação radical e com tecnologia 100% nacional. Os estudos com polilaminina são desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.

Segundo Padilha, a pesquisa já apresentou resultados promissores na recuperação de movimentos. Nesta primeira fase, o estudo da polilaminina será realizado em cinco pacientes voluntários com lesões agudas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10.

Essas pessoas incluídas no estudo devem ter indicação cirúrgica ocorrida a menos de 72 horas da lesão. Os locais de realização ainda serão definidos pela empresa responsável. Ao longo da estruturação do projeto, o Ministério da Saúde investiu os recursos para a pesquisa básica.

Prioridade Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a aprovação do início do estudo clínico da polilaminina foi priorizada pelo comitê de inovação da agência com o objetivo de acelerar pesquisas e registros de amplo interesse público.

“Uma pesquisa 100% nacional, que fortalece a ciência e saúde do nosso país”, afirmou Leandro Safatle.

A pesquisa com a proteína polilaminina, presente em diversos animais, inclusive nos seres humanos, visa avaliar a segurança da aplicação do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico.

A empresa patrocinadora será responsável por coletar, monitorar e avaliar sistematicamente todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos participantes.

Agência Brasil

Foto: © Valter Campanato/Agência Brasi