Embora a dor do parto tenha sido associada à depressão pós-parto, o culpado pode ser a dor sentida pela mãe após o parto, e não durante o processo, sugere uma nova pesquisa apresentada na reunião anual de Anestesiologia.

Pesquisas anteriores demonstraram que a dor associada ao parto pode aumentar o risco de depressão pós-parto, mas não especificou qual parte do processo de trabalho de parto (por exemplo, antes, durante ou após) pode ser a fonte do problema. Este é o primeiro estudo a diferenciar a dor pós-parto da dor de parto e identificá-la como um fator de risco significativo para a depressão pós-parto.

"Por muitos anos, temos nos preocupado sobre como administrar a dor do parto, mas a dor de recuperação após o trabalho de parto é negligenciada", disse Jie Zhou, principal autor do estudo e professor assistente de anestesia no Brigham and Women's Hospital e da Escola de Medicina de Harvard.

"Nossa pesquisa sugere que precisamos nos concentrar mais em ajudar as novas mães a controlar a dor após o nascimento do bebê", disse.
Os sintomas de depressão pós-parto - incluindo extrema tristeza, falta de energia, ansiedade, episódios de choro, irritabilidade e alterações no sono ou padrões alimentares - afetam cerca de 1 em cada 9 mulheres, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

A depressão pós-parto pode levar a menores taxas de amamentação e falta de conexão com o bebê.

No estudo, o grupo de pesquisa do Dr. Zhou revisou os escores de dor (desde o início do trabalho de parto até a alta hospitalar) de 4.327 mães que tiveram filhos pela primeira vez por via vaginal ou cesariana no Hospital Brigham and Women entre 1 de junho de 2015 e 31 de dezembro de 2017. Eles compararam os escores de dor às pontuações da escala de depressão pós-parto de Edimburgo (EPDS) das mães uma semana após o parto.

 

Dr. Zhou descobriu que depressão pós-parto estava significativamente associada a maiores pontuações de dor pós-parto. Mães com depressão pós-parto demonstraram mais queixas relacionadas à dor durante a recuperação e muitas vezes precisavam de medicação adicional para a dor. As mulheres no grupo de depressão pós-parto foram mais propensas a ter feito cesariana. Elas também relataram controle inadequado da dor no pós-parto.

Vários fatores podem contribuir para a depressão pós-parto. Os pesquisadores determinaram que a depressão pós-parto era maior entre as mulheres que estavam acima do peso ou obesas; que sofriam de um períneo rasgado (a área adjacente à abertura vaginal); que tinham um histórico de depressão, ansiedade ou dor crônica; e cujos bebês eram menores e tinham menores índices de Apgar, um sistema de pontuação usado para avaliar a saúde física dos recém-nascidos um minuto e cinco minutos após o nascimento.

"Enquanto o ibuprofeno e analgésicos similares são considerados adequados para o controle da dor após o parto, claramente algumas mulheres precisam de ajuda adicional para controlar a dor", disse o Dr. Zhou. "Precisamos fazer um trabalho melhor para identificar quem está em risco de ter dor pós-parto e garantir que eles tenham atendimento pós-parto adequado".

 

G1

hpvEm junho de 1991, o imunologista escocês Ian Frazer voltou para casa animado.

"Eu disse a minha esposa que descobrimos algo no laboratório que, um dia, poderia ser muito útil", contou o médico à BBC News. E ele estava certo.

A descoberta seria o início de um processo que mudou a prevenção de um dos tipos mais letais de câncer para mulheres.

Frazer era professor da Universidade de Queensland, na Austrália, e estudava o HPV, que causa o câncer de colo de últero.
O que é HPV?

HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano. São vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas oral, genital ou anal, tanto de homens quanto de mulheres - provocando, segundo o Ministério da Saúde, verrugas na região genital e no ânus, além de câncer, a depender do tipo de vírus.

Dos mais de 150 tipos diferentes do vírus, 13 são considerados de alto risco, podendo causar, além dos tumores cervicais, câncer de ânus, vulva, vagina e de pênis.

Altamente contagioso, muitas vezes assintomático e sem cura, ele é transmitido principalmente durante a relação sexual sem proteção e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o vírus sexualmente transmissível mais comum.

"Aproximadamente 8 em cada 10 pessoas contrairão esse vírus em algum momento de suas vidas", segundo a ONG britânica Cancer Research, dedicada à pesquisas sobre a doença.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde divulgados em 2017 mostram que a prevalência do vírus na população é de 54,6% - sendo que 38,4% apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O HPV é responsável por 99% dos casos câncer de colo de útero. É o terceiro mais frequente entre as mulheres no país, o quarto que mais mata - e um dos poucos que podem ser prevenidos com vacina.

O organismo da maioria das pessoas combate o vírus e muitos nem chegam a saber que foram contaminados.

Para alguns, no entanto, as consequências dele podem ser fatais.

A caminho da vacina

Em 1989, Frazer estava em um período sabático na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e lá conheceu o cientista chinês Jian Zhou, que também estava interessado em pesquisas sobre o HPV.

Ele então o convidou para trabalhar em seu laboratório na Universidade de Queensland, na Austrália. Seu objetivo? Tentar encontrar uma vacina para o vírus.

Mas eles esbarraram em um problema fundamental.

Ao contrário da maioria dos vírus, o HPV não pode ser replicado em laboratório. E esse processo é essencial para desenvolver uma vacina.

Eles decidiram então superar o obstáculo de uma jeito muito especial: usando técnicas de engenharia genética para tentar copiar o vírus.

"Identificamos o código genético da parte externa do vírus e foi isso que tentamos recriar através de uma cultura de células", explica Frazer à BBC.
Eureka!

Assim começou um meticuloso trabalho de pesquisa e experimentação que durou meses.

A lógica era que, se conseguissem replicar a camada externa do vírus, e se ela fosse idêntica à original, o organismo a identificaria e o sistema imunológico reagiria eliminando o vírus.

Dessa maneira, se no futuro a pessoa fosse infectada pelo HPV, o corpo o reconheceria e o eliminaria, impedindo assim que o vírus pudesse causar o câncer de cólo de útero.

"Nós tentamos 20, 30 vezes, até que finalmente conseguimos. A aparência do vírus que criamos era a do HPV. E isso nos deixou muito animados. Se uma vacina podia ser desenvolvida, aquela era a maneira de fazer", diz o imunologista.

Os cientistas patentearam a descoberta e, logo depois, empresas farmacêuticas começaram a contatá-los.
Sucesso e efetividade

A indústria americana Merck foi quem reproduziu em laboratório o que Frazer e Zhou fizeram.

Levaria anos, no entanto, até a vacina poder finalmente ser comercializada. A primeira versão, que contou com contribuições inovadoras de outro grupo de cientistas nos Estados Unidos, se concentrou em 2/3 dos tipos de HPV que causam o câncer de colo do útero.

Mais de 100 variedades foram identificadas, mas ao menos 13 estão associadas à doença, de acordo com a OMS.

Os estudos clínicos foram concluídos em 2001 e incluíram 6 mil mulheres que foram vacinadas e ficaram sob supervisão médica por 2 anos. A eficácia foi de 100%.

Como o vírus é transmitido através de relações sexuais e a vacina funciona naqueles que não contraíram a infecção, o momento ideal para a imunização é na infância, antes que a pessoa seja sexualmente ativa.

Os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças recomendam a aplicação de duas doses para meninos e meninas entre 11 e 12 anos.

Imunização no Brasil

No Brasil, desde 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

A indicação para esse grupo está relacionada a sua maior capacidade imunológica de desenvolver anticorpos: estudos sobre a eficácia da vacina em diferentes grupos etários mostraram que a resposta imunológica do organismo é mais alta na pré-puberdade. Por isso, a imunização em massa é para essa parcela da população, e não em adultos.

A vacina também é distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para pessoas portadoras do vírus HIV e pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos. Para aqueles acima dessa idade, é necessário se vacinar na rede privada.

Outras formas de prevenção do vírus, porém, são importantes.

Entre elas estão o exame preventivo contra o HPV, o papanicolau - um exame ginecológico que não é capaz de diagnosticar a presença do vírus, mas é considerado o melhor método para detectar câncer de colo do útero e suas lesões precursoras.

Outra forma é o uso de camisinha masculina ou feminina nas relações sexuais. "Essa é outra importante forma de prevenção do HPV. Contudo, seu uso, não impede totalmente a infecção pelo HPV, pois, frequentemente as lesões estão presentes em áreas não protegidas pela camisinha (vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal)", diz o Ministério da Saúde em texto publicado no site.

 

BBC News Brasil

Foto: Getty Images

Referência na assistência em neurocirurgia em todo o Estado, com cerca de 2000 atendimentos na urgência desde que o serviço foi implantado, o Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano, também investe na informação para que a população adote práticas preventivas no seu dia-a-dia, evitando assim riscos à saúde. Em parceria com a Cooperativa e Sociedade Piauiense de Neurocirurgia, além da Sociedade Brasileira, o Hospital realiza nesta segunda, 15, a 2ª Campanha Neuro em Ação, evento em que serão abordados temas sobre as consequências do uso do celular ao dirigir e a má postura.

neuro

De acordo com o neurocirurgião do Hospital e um dos palestrantes, Cléciton Braga, “dados mostram que 25% dos acidentes são causados por uso de aplicativos de mensagem, no momento em que se está dirigindo. Toda a sua atividade motora e grande parte de sua atenção estão voltadas para outra atividade, que não dirigir”, que podem ocasionar graves acidentes, resultando em sequelas ou mesmo a morte.

Ele alerta ainda: usar esses dispositivos é como se estivesse dirigindo embriagado, com graves consequências. “A chance de morrer ou ter Traumatismo Crânio Encefálico(TCE) grave, dirigindo e usando aplicativo, é duas a três vezes maior que dirigir embriagado. Lembrar que traumas cranianos moderados à grave, que são rotinas nos acidentes de trânsito, eles sempre vão deixar sequelas. Desde uma alteração de memória, de comportamento, até sequelas mais graves, em que o indivíduo vai ficar dependente totalmente, em cima de uma cama, de seus familiares”.

No Brasil, não há dados específicos sobre a relação entre acidentes de trânsito e uso de celular. No entanto, segundo o neurocirurgião, é rotineira a demanda por este tipo de assistência, inclusive no pronto-socorro do Hospital, que, entre janeiro a setembro de 2018, realizou cerca de 200 cirurgias e aproximadamente 500 pacientes internados somente para atendimentos em neurocirurgia.

“Ofertamos o serviço no Hospital, com profissionais qualificados, excelentes equipamentos, mas é importante também que a sociedade adote práticas saudáveis, responsáveis e não usar celular enquanto dirige é uma dessas ações que certamente farão a diferença entre a vida e, muitas vezes, a morte”, afirma o diretor geral do Hospital, Edmar Figueiredo.

A segunda palestra será ministrada pela fisioterapeuta Juliana Monteiro, que abordará o tema Má postura, mal que pode ocasionar diminuição das atividades e afastamento do trabalho, por pequenos a longos períodos.

Programação - 2ª Campanha Neuro em Ação
Data/Horário: 15 de outubro/ 9h
Local: Câmara Municipal de Floriano
Evento aberto à comunidade

 

imagem: ilustrativa

aspirinainfatUm estudo publicado na JAMA Oncology, revista científica da American Medical Association, associou o uso contínuo de aspirina infantil à redução do risco de câncer de ovário.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard, com o Brigham and Women's Hospital e Moffitt Cancer Center, nos Estados Unidos.

Eles acompanharam cerca de 200 mil mulheres ao longo de 25 anos que tomavam aspirina infantil, aspirina de dosagem normal e outros anti-inflamatórios. Dentro desse grupo foram observados 1.054 casos de câncer de ovário.

Como resultado final da pesquisa, foi constatado que mulheres que usavam diariamente a aspirina infantil — 100 mg ou menos — tiveram uma redução de 23% no risco de câncer de ovário, enquanto as que tomavam aspirina de dosagem normal, não. Já as que não usavam aspirina, mas sim anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), apresentaram um risco 19% maior de desenvolver a doença.

"O que realmente diferenciou este estudo foi que fomos capazes de analisar a aspirina em baixas doses separadamente da aspirina em dose padrão. Os resultados enfatizam que se deve considerar a dose de aspirina", afirmou Mollie Barnard, que liderou a pesquisa, no site da Escola de Saúde Pública de Harvard.

O ginecologista Jesus Carvalho, presidente da Comissão Nacional de Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que as inflamações crônicas nas tubas uterinas, causadas pela ovulação, favorecem o aparecimento do câncer de ovário e o anti-inflamatório agiria para diminuir essas inflamações. "É uma descoberta recente e vale a pena prestar a atenção nos desdobramentos dessa pesquisa, pois pode trazer inúmeros avanços", afirma.

A pesquisa ressalta que estudos têm relatado ainda a associação entre um número maior de ciclos ovulatórios ao longo da vida e o risco de câncer de ovário.

Carvalho alerta que o medicamento não deve ser usado de maneira indiscriminado por conta de uma evidência científica. "A aspirina não é recomendada para todas as pessoas. O uso contínuo desse medicamento é recomendado para pessoas com hipertensão, com risco de infarto, e com colesterol alto, pois afina o sangue. Se usado incorretamente, pode provocar sangramentos indesejados de úlceras ou aumentar o volume de sangue durante a menstruação", explica o médico.

 

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