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Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram observar em tempo real como os danos associados ao Alzheimer ocorrem, acompanhando minuto a minuto o processo químico que leva à doença.

O estudo, conduzido por cientistas da Oregon State University, foi publicado na revista científica ACS Omega em 7 de fevereiro de 2026. A descoberta oferece uma compreensão mais detalhada do desenvolvimento do Alzheimer, potencialmente abrindo portas para tratamentos mais eficazes no futuro.

Para realizar a pesquisa, os cientistas utilizaram uma técnica avançada que monitorou, em laboratório, o comportamento de proteínas beta-amiloides, diretamente ligadas ao Alzheimer.

Essas proteínas podem se acumular no cérebro, formando aglomerados que prejudicam a comunicação entre as células nervosas — um dos principais mecanismos da doença.

A novidade do estudo é que, até então, os cientistas só conseguiam observar o resultado final. Agora, é possível ver o processo ocorrer em tempo real.

De acordo com a pesquisadora Marilyn Rampersad Mackiewicz, o método permite compreender "como e quando" as reações acontecem — e não apenas se elas funcionam.

O estudo também revelou a influência de metais, como o cobre, no processo. Os pesquisadores observaram que níveis desequilibrados de certos metais podem interagir com as proteínas beta-amiloides, favorecendo a formação dos aglomerados tóxicos.

Em outras palavras, o problema não está apenas nas proteínas, mas também no ambiente químico ao redor delas. Uma descoberta importante do estudo é que o processo pode ser interrompido.

Outro ponto relevante foi a observação de moléculas chamadas quelantes. Essas substâncias conseguem se ligar aos metais e, em alguns casos, impedir ou até reverter a formação dos aglomerados de proteínas.

Os cientistas identificaram que um tipo específico de quelante foi capaz de agir de forma mais precisa, especialmente sobre o cobre — considerado um dos principais envolvidos no processo.

A principal contribuição do estudo é oferecer uma visão mais detalhada de como o Alzheimer começa e evolui no nível molecular. Até hoje, muitos tratamentos falharam justamente por não compreender totalmente esse processo.

Com a possibilidade de observar as reações em tempo real, os pesquisadores acreditam que será possível desenvolver medicamentos mais direcionados, que atuem no momento certo e com maior precisão.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas reforçam que os testes foram feitos em ambiente de laboratório. A próxima etapa será avaliar os achados em sistemas mais complexos, como células e modelos pré-clínicos.

Ainda assim, a descoberta representa um avanço importante para entender exatamente como o dano acontece e pode ser a chave para, no futuro, conseguir interromper ou até reduzir os efeitos do Alzheimer.

Pai Pee

Manter hábitos saudáveis ao longo da vida pode fazer diferença não só na prevenção, mas também no desfecho do câncer.

coraçao

Um estudo publicado em março de 2026 no European Heart Journal mostra que pessoas com melhor saúde cardiovascular têm menor risco de morrer —inclusive após já terem enfrentado o diagnóstico oncológico.

Os dados vêm do estudo Moli-sani, que acompanhou mais de 24 mil participantes por cerca de 15 anos. Entre eles, 779 eram sobreviventes de câncer.

A análise revelou que aqueles com melhor pontuação em saúde cardiovascular tiveram um risco até 38% menor de morrer por qualquer causa em comparação com os que apresentavam piores indicadores.

Os 7 fatores que fazem diferença Para medir a saúde cardiovascular, os pesquisadores usaram um índice chamado Life’s Simple 7, criado pela Associação Americana do Coração. Ele considera sete pilares:

não fumar, praticar atividade física, manter alimentação saudável, controlar o peso, ter pressão arterial adequada, manter colesterol sob controle, regular os níveis de glicose no sangue. Cada fator contribui para uma pontuação total, quanto maior, melhor o estado de saúde.

O estudo mostrou que não é só a soma desses hábitos que importa: cada ponto adicional nessa escala já está associado a uma redução no risco de morte por câncer.

Mesmo após o diagnóstico, o impacto continua Segundo o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, o resultado reforça algo que a prática clínica já indicava, mas que agora aparece de forma mais robusta em dados de longo prazo.

Ele explica que esses hábitos funcionam em duas frentes: ajudam a reduzir o risco de desenvolver câncer ao longo da vida e, mesmo quando a doença ocorre, aumentam a chance de sobreviver a ela.

“Ter hábitos saudáveis significa que, mesmo que o paciente desenvolva câncer, ele tem mais chance de estar vivo depois”, afirma. O elo entre coração e câncer A relação entre saúde cardiovascular e câncer não é apenas comportamental —ela também tem base biológica. O estudo aponta que as duas doenças compartilham fatores de risco e mecanismos comuns, um conceito conhecido como “terreno biológico compartilhado”.

Entre esses mecanismos, a inflamação crônica tem papel central. Trata-se de um processo contínuo que pode danificar os vasos sanguíneos —favorecendo doenças cardiovasculares— e, ao mesmo tempo, criar um ambiente propício para o desenvolvimento e a progressão de tumores.

“Esse processo inflamatório crônico vai danificando os vasos e também diminui a capacidade do organismo de se proteger de mutações”, explica Stefani.

Mas o estudo vai além: a análise identificou que um conjunto de fatores —incluindo marcadores inflamatórios, frequência cardíaca e níveis de vitamina D— responde por mais de 50% da relação entre bons hábitos e menor risco de morte.

Isso indica que o benefício não vem de um único elemento, mas de um equilíbrio mais amplo do organismo, que influencia simultaneamente a saúde cardiovascular e o comportamento do câncer.

Não é só vitamina D, é o contexto Um dos pontos que chamam atenção na pesquisa é a associação com a vitamina D. Níveis mais baixos aparecem ligados a piores desfechos, mas isso não significa que a reposição isolada resolva o problema.

Para Stefani, o dado precisa ser interpretado com cautela. Ele explica que a vitamina D tende a funcionar mais como um marcador do estado geral de saúde do que como causa direta.

Ou seja, mais importante do que corrigir um número no exame é atuar sobre os fatores que levam a esse desequilíbrio, como alimentação inadequada, sedentarismo e alterações metabólicas.

Essa lógica aparece também na análise da dieta. Quando os pesquisadores substituíram o critério alimentar original por um padrão mediterrâneo —rico em frutas, vegetais, peixes e azeite—, os efeitos positivos se ampliaram, com redução do risco de morte por doenças cardiovasculares, câncer e outras causas, como doenças neurológicas e respiratórias.

Uma abordagem integrada para duas doenças Os resultados reforçam um entendimento que vem ganhando espaço na medicina: doenças cardiovasculares e câncer estão conectados —tanto pelos fatores de risco, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e excesso de peso, quanto por mecanismos biológicos, como a inflamação crônica.

Isso indica que medidas clássicas de prevenção do coração também podem influenciar o risco e a evolução do câncer.

Esse raciocínio sustenta a chamada cardio-oncologia, área que propõe integrar o cuidado dessas duas frentes —da prevenção ao acompanhamento de pacientes já diagnosticados, com foco no controle contínuo dos fatores de risco.

“Ter hábitos saudáveis não só reduz a chance de desenvolver a doença, como também aumenta a probabilidade de sobreviver a ela”, afirma Stefani.

G1

Foto: Freepik

A deficiência de vitamina D é frequentemente atribuída à pouca exposição solar, mas a ciência revela que o problema pode ter raízes mais profundas. Condições como inflamação intestinal crônica e disfunções hepáticas comprometem diretamente a absorção e a ativação dessa vitamina no organismo. Entender essa relação é fundamental para quem suplementa sem resultados ou mantém níveis baixos mesmo tomando sol regularmente.

Como o corpo absorve e ativa a vitamina D? A vitamina D é uma substância lipossolúvel, o que significa que depende da presença de gorduras para ser absorvida no intestino delgado. Após a absorção, ela segue para o fígado, onde passa por uma primeira transformação e se converte em calcidiol, sua forma circulante. Em seguida, os rins realizam a segunda conversão, transformando o calcidiol em calcitriol, a forma biologicamente ativa que permite ao corpo absorver cálcio, regular o sistema imunológico e manter a saúde dos ossos.

Qualquer falha nesse percurso, seja na absorção intestinal, no metabolismo hepático ou na conversão renal, pode resultar em deficiência de vitamina D, mesmo quando a exposição ao sol e a alimentação parecem adequadas. É por isso que investigar a saúde do sistema digestivo pode ser tão importante quanto verificar os hábitos de exposição solar.

Por que a inflamação intestinal prejudica os níveis de vitamina D? Doenças que afetam a mucosa do intestino delgado comprometem a capacidade do organismo de absorver nutrientes lipossolúveis, incluindo a vitamina D. Condições como doença inflamatória intestinal, doença celíaca, síndrome do intestino irritável e disbiose alteram a integridade da barreira intestinal, reduzindo a superfície de absorção e dificultando o aproveitamento da vitamina obtida tanto pela alimentação quanto por suplementos orais. A ciência também tem demonstrado que essa relação é bidirecional. A vitamina D, por meio de seus receptores presentes nas células intestinais, ajuda a manter a integridade da barreira mucosa e a regular a composição da microbiota. Quando seus níveis caem, a permeabilidade intestinal tende a aumentar, criando um ciclo em que a inflamação reduz a absorção da vitamina e a falta dela agrava a inflamação.

Qual é o papel do fígado na deficiência de vitamina D? O fígado é o órgão responsável pela primeira etapa de ativação da vitamina D, convertendo-a em calcidiol. Quando há disfunção hepática, seja por esteatose (gordura no fígado), hepatite, cirrose ou sobrecarga metabólica, essa conversão fica prejudicada. Além disso, o fígado produz a proteína transportadora de vitamina D no sangue, e sua deficiência compromete a distribuição do nutriente pelos tecidos.

Estudos publicados no PubMed demonstram que pacientes com doenças hepáticas crônicas apresentam proporção significativamente maior de deficiência grave de vitamina D quando comparados à população saudável. A inflamação hepática interfere na expressão dos genes que regulam o metabolismo dessa vitamina, sugerindo que o problema não está apenas na ingestão, mas na capacidade do corpo de processar e ativar o nutriente.

Revisão científica confirma a relação entre vitamina D e doenças gastrointestinais A associação entre deficiência de vitamina D e problemas digestivos tem respaldo em pesquisas de grande escala. Segundo a revisão Contemporary Perspectives on the Role of Vitamin D in Enhancing Gut Health and Its Implications for Preventing and Managing Intestinal Diseases, publicada no periódico Nutrients (indexado no PubMed), pacientes com doenças intestinais como doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável e doença celíaca apresentam níveis séricos de vitamina D consistentemente mais baixos do que pessoas saudáveis.

Os pesquisadores destacaram que a vitamina D modula a resposta imunológica no intestino por meio de receptores específicos, influenciando a produção de citocinas inflamatórias e a manutenção da barreira mucosa. Esses achados reforçam a importância de investigar a saúde digestiva como parte da avaliação de qualquer quadro de deficiência persistente.

Tua Saúde

Como pesquisadora que estuda como a estimulação elétrica cerebral pode melhorar a capacidade de recordação das pessoas, muitas vezes me perguntam como funciona a memória – e o que podemos fazer para usá-la de forma mais eficaz. Felizmente, décadas de pesquisa nos deram algumas respostas claras para ambas as perguntas.

A memória funciona essencialmente em três estágios, com diferentes regiões cerebrais contribuindo para cada um deles.

A memória sensorial, que pode durar apenas milissegundos, registra informações brutas, como imagens, sons e odores. Essas informações são processadas inicialmente pelos cinco córtex sensoriais primários do cérebro (córtex visual para imagens, córtex auditivo para sons e assim por diante).

A memória de trabalho (de curto prazo) retém e manipula uma pequena quantidade de informação por vários segundos ou mais. Pense nisso como o espaço de trabalho mental do seu cérebro: o sistema que permite que você faça cálculos de cabeça, siga instruções e compreenda o que está lendo. Portanto, envolve principalmente o córtex pré-frontal – a parte frontal do cérebro responsável pela atenção, tomada de decisões e raciocínio.

Por fim, a memória de longo prazo armazena informações de forma mais permanente, desde minutos até toda a vida. Isso inclui tanto memórias “explícitas” (fatos e eventos da vida) quanto “implícitas” (habilidades, hábitos e associações emocionais).

Para as memórias de longo prazo, o hipocampo e os lóbulos temporais – localizados nas profundezas do cérebro, nas laterais da cabeça, perto das têmporas – contribuem amplamente para as memórias envolvendo fatos ou eventos da vida, enquanto a amígdala (próxima ao hipocampo), o cerebelo (na parte posterior do cérebro) e os núcleos da base (nas profundezas do cérebro) processam memórias emocionais ou procedimentais.

A memória de trabalho costuma atuar como uma porta de entrada consciente para a memória de longo prazo – mas ela tem seus limites. Em 1956, o psicólogo americano George Miller propôs que só podemos reter cerca de sete “blocos” de informação em nossa memória de trabalho a qualquer momento.

Embora o número exato seja objeto de debates até hoje, o princípio permanece: a memória de trabalho é limitada. E essa limitação pode influenciar a eficácia com que aprendemos e nos lembramos das coisas.

Mas você também pode fazer com que sua memória funcione de forma mais eficaz. Aqui estão cinco dicas fáceis para melhorar tanto sua memória de trabalho quanto sua memória de longo prazo.

  1. Guarde seu celular Os smartphones reduzem a capacidade da sua memória de trabalho. Mesmo só ter um celular por perto – não importa se ele está virado para baixo e no modo silencioso – pode reduzir o desempenho em tarefas de memória e raciocínio.

A razão é que parte do seu cérebro ainda o está monitorando sutilmente. Mesmo resistir à vontade de verificar notificações já consome recursos mentais – e é por isso que os pesquisadores às vezes chamam os smartphones de “drenos cerebrais”. A solução é simples: coloque seu celular em outro cômodo quando precisar se concentrar. Deixar ele fora de vista realmente libera capacidade mental.

  1. Pare de deixar sua mente divagar O estresse e a ansiedade podem ocupar um valioso espaço mental. Quando você está preocupado com algo ou distraído por pensamentos acelerados, parte da sua memória de trabalho já está em uso. Treinos de relaxamento e práticas de mindfulness podem melhorar tanto a memória de trabalho quanto o desempenho acadêmico, provavelmente ao reduzir os níveis de estresse. E se a meditação parecer intimidante, experimente técnicas de respiração como o “suspiro cíclico”. Inspire profundamente pelo nariz, faça uma segunda inspiração mais curta e, em seguida, expire lentamente pela boca. Repetir isso por cinco minutos pode acalmar o sistema nervoso e criar condições melhores para o aprendizado.
  2. Faça agrupamentos Todos podem expandir sua memória de trabalho usando a técnica de agrupamento – agrupar informações em unidades significativas. Na verdade, você provavelmente já faz isso para lembrar alguns números de telefone ou listas de palavras – dividindo longas sequências em pedaços menores que seu cérebro pode recordar como um minigrupo.

Os mesmos princípios se aplicam se você estiver fazendo uma apresentação, para ajudar seu público a lembrar seus pontos-chave de forma mais eficaz. O também chamado “chunking” envolveria agrupar dez estudos de caso, por exemplo, em três ou quatro temas, cada um com um título curto e uma única lição principal.

Repita essa estrutura em cada slide: uma ideia, alguns detalhes de apoio e, em seguida, passe para o próximo. Ao organizar as informações em padrões significativos, você reduz a carga cognitiva e torna o conteúdo mais memorável.

  1. Torne-se um recuperador No século XIX, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus demonstrou a rapidez com que esquecemos as informações após aprendê-las. Em cerca de 30 minutos, perdemos aproximadamente metade do que aprendemos, com muito mais se esvaindo ao longo do dia seguinte. Ebbinghaus chamou isso de curva do esquecimento. A linha azul-clara no gráfico abaixo ilustra isso.

Mas existe uma maneira de garantir que mais informações sejam assimiladas quando você está tentando aprender muitas coisas em um curto período de tempo: a prática de recuperação.

Ao se preparar para dar uma palestra ou estudar para uma prova, em vez de simplesmente reler suas anotações, teste constantemente o quanto você se lembra. Use cartões de memória, responda a questões de teste ou tente explicar o conteúdo em voz alta sem anotações.

A memória funciona por meio de associações. Cada vez que você recupera informações com sucesso, você vincula o conteúdo a novos estímulos, exemplos e contextos. Isso cria mais pistas para acessar a informação e fortalece cada caminho da memória. Muitas vezes, quando “esquecemos”, a memória não se foi – apenas nos falta o estímulo certo para recuperá-la.

  1. Dê um tempo a si mesmo Pesquisas mostram que a memória é mais eficaz quando as sessões de estudo ou prática são espaçadas, em vez de concentradas. Se você estiver estudando para uma prova, inclua intervalos de descanso sólidos em sua programação de revisão. A linha azul escura no gráfico acima ilustra como espaçar suas sessões de prática pode ajudá-lo a lembrar mais informações ao longo do tempo, ajustando a curva de esquecimento de Ebbinghaus.

Um estudo sugere deixar intervalos entre cada sessão de revisão que correspondam a 10% a 20% do tempo restante até a sua prova ou apresentação. Portanto, se o seu prazo final está a cinco dias de distância e você estuda várias horas por dia, ainda assim deve tirar entre meio e um dia inteiro de folga entre as sessões. Em outras palavras, não exagere – você provavelmente não verá melhores resultados!

Se você só vai lembrar de uma coisa deste artigo sobre como melhorar a memória, que seja esta: a memória não se resume apenas à inteligência, mas também à estratégia. Pequenas mudanças na maneira como você estuda ou trabalha podem fazer uma diferença real na qualidade e na duração da sua retenção de informações cruciais.

Por Elva Arulchelvan