• prefeutura-de-barao.jpg
  • roma.png
  • vamol.jpg

O período da noite é decisivo para a recuperação do sistema cardiovascular. Durante o sono, a pressão arterial diminui, a frequência cardíaca desacelera e o coração entra em um ritmo mais leve, essencial para reparar tecidos e equilibrar hormônios. Quando hábitos diários atrapalham esse processo, o coração trabalha sem pausa real, o que aumenta a inflamação, eleva a pressão e contribui para o risco de infarto. Conhecer essas práticas é o primeiro passo para proteger a saúde do coração ao longo dos anos.

dormir

Por que jantar tarde sobrecarrega o coração? Refeições pesadas próximas à hora de dormir exigem mais esforço da digestão e elevam os níveis de açúcar e gordura no sangue justamente quando o corpo deveria estar em repouso. Isso aumenta a pressão arterial noturna e dificulta a queda natural da frequência cardíaca.

Ao longo do tempo, esse hábito favorece o ganho de peso, o acúmulo de gordura abdominal e o desenvolvimento de hipertensão, três fatores diretamente ligados ao risco cardiovascular. O ideal é jantar de forma leve cerca de duas a três horas antes de deitar.

Como o sono curto eleva o risco cardíaco Dormir menos de seis horas por noite reduz o tempo de recuperação do coração e mantém o organismo em estado de alerta. Isso aumenta o cortisol, eleva a pressão arterial e estimula processos inflamatórios que afetam diretamente os vasos sanguíneos.

Com o passar dos anos, esse padrão pode acelerar o envelhecimento do sistema cardiovascular e contribuir para alterações que favorecem o infarto, especialmente em pessoas com outros fatores de risco como sedentarismo, estresse ou histórico familiar de doenças do coração.

Estudo científico relaciona insônia ao risco de infarto A ciência tem reunido evidências cada vez mais robustas sobre a ligação entre a má qualidade do sono e doenças do coração. Pesquisadores avaliam não apenas a duração das horas dormidas, mas também a presença de insônia frequente e seus efeitos sobre o sistema cardiovascular ao longo dos anos, com resultados que reforçam o impacto direto da rotina noturna na saúde do coração.

Segundo a meta-análise Trombocitopenia grave pós-hemodiálise: e se não for a heparina?, publicada na Clinical Cardiology e indexada no PubMed, pessoas com insônia apresentam risco 69% maior de infarto em comparação com quem dorme bem, e o perigo se torna ainda mais expressivo entre os que dormem cinco horas ou menos por noite.

Hábitos noturnos que mais ameaçam o coração Vários comportamentos comuns ao final do dia acabam interferindo no funcionamento do sistema cardiovascular sem que a pessoa perceba. Identificar essas práticas é fundamental para reduzir o risco de problemas como infarto, arritmias e pressão alta.

Jantar tarde e em grandes quantidades Dormir menos de seis horas com frequência Usar telas como celular e televisão até o momento de deitar Consumir bebidas alcoólicas antes de dormir Ignorar o ronco frequente, que pode indicar apneia do sono Tomar café ou bebidas estimulantes no fim da tarde Levar preocupações para a cama, mantendo o corpo em estado de alerta Cuidados que ajudam a proteger o coração à noite Pequenas mudanças na rotina noturna fortalecem o sistema cardiovascular e melhoram a qualidade do descanso. O objetivo é criar um ambiente que favoreça o relaxamento e respeite o ritmo natural do organismo.

Tua Saude

Fazer exercício físico regularmente já é uma recomendação conhecida para proteger o coração. Mas um novo estudo indica que o horário em que a atividade é realizada pode fazer diferença nos resultados. Segundo a pesquisa, alinhar o treino ao ritmo biológico individual pode potencializar benefícios cardiovasculares, metabólicos, a qualidade do sono e até a adesão ao treino.

exerciciorapido

O estudo, publicado na revista científica "Open Heart", é um ensaio clínico randomizado com 150 adultos sedentários entre 40 e 60 anos.

Os participantes foram divididos em dois grupos:

um que treinava no horário compatível com seu cronotipo (a tendência natural de ser mais ativo pela manhã ou à noite); outro que se exercitava no período oposto.

Após 12 semanas, os resultados mostraram que quem treinou no horário alinhado ao próprio ritmo biológico teve ganhos significativamente maiores.

Queda maior da pressão e melhora do sono Entre os principais resultados observados estão:

maior redução da pressão arterial melhora da variabilidade da frequência cardíaca aumento da capacidade cardiorrespiratória redução do colesterol LDL queda da glicose em jejum melhora significativa da qualidade do sono A pressão arterial, por exemplo, caiu mais no grupo alinhado ao cronotipo do que no grupo que treinou em horários inadequados.

A pressão arterial caiu, em média:

10,8 mmHg no grupo com horários compatíveis 5,5 mmHg no grupo com horários incompatíveis

Entre pessoas com hipertensão, a redução foi ainda mais acentuada:

13,6 mmHg no grupo alinhado 7,1 mmHg no grupo desalinhado Tariq destacou ao g1 que pessoas com hipertensão começam com maior desregulação fisiológica (pressão arterial mais alta e desequilíbrio autonômico) e que exercícios alinhados ao cronotipo podem estabilizar melhor processos circadianos, como a atividade simpática e os ritmos hormonais.

Manhã ou noite? Depende do seu corpo Os resultados também reforçam que não existe um horário único ideal para todos.

Pessoas com perfil matutino apresentaram melhores respostas ao treinar pela manhã, enquanto indivíduos com tendência noturna tiveram mais benefícios ao se exercitar à noite.

Segundo o estudo, isso ocorre porque o cronotipo influencia fatores como:

padrões de sono e vigília liberação de hormônios níveis de energia ao longo do dia Relógio biológico influencia resposta ao exercício O cronotipo é regulado pelo ritmo circadiano, um sistema interno que coordena funções do organismo ao longo do dia, como:

pressão arterial frequência cardíaca metabolismo da glicose funcionamento vascular De acordo com os pesquisadores, desalinhar hábitos da rotina com esse “relógio interno” — como acontece no chamado “jet lag social” — pode prejudicar a saúde cardiovascular.

Como identificar nosso cronotipo sem testes? Ao g1, um dos autores do estudo, Arsalan Tariq, explicou que - para identificar nosso cronotipo sem testes, é preciso perguntar: “Quando me sinto naturalmente mais alerta e produtivo?”.

“Se você acorda facilmente, sente-se energizado pela manhã e tem sono cedo, é do tipo matutino. Já se você tem dificuldade pela manhã, mas se sente melhor à noite, é do tipo vespertino”, afirma.

Uma dica útil é observar a agenda em dias livres (sem alarmes). O horário natural de sono/vigília é um forte indício.

Adesão ao treino também melhora Outro achado importante foi que a adesão ao exercício foi maior entre os participantes que treinavam no horário preferido.

Isso sugere que respeitar o cronotipo pode não apenas melhorar os resultados físicos, mas também aumentar a regularidade da prática.

Estratégia simples pode ajudar na prevenção Os autores apontam que considerar o cronotipo na prescrição de exercícios pode ser uma forma simples e de baixo custo de melhorar a prevenção de doenças cardiovasculares.

A pesquisa também destaca que os benefícios do exercício foram observados em todos os participantes, independentemente do horário, mas foram mais intensos quando houve alinhamento com o ritmo biológico.

Limitações e próximos passos Os pesquisadores reconhecem limitações, como o fato de os participantes serem de hospitais públicos de Lahore e a exclusão de pessoas com cronotipo intermediário, o que pode restringir a aplicação dos resultados.

Ainda assim, eles afirmam que o estudo se soma a evidências crescentes de que o horário do exercício pode influenciar diretamente os resultados de saúde.

Para especialistas, a incorporação dessa abordagem ainda depende de validação em populações mais diversas e em contextos reais, como trabalhadores em turnos e grupos multiétnicos.

Se confirmada em novos estudos, a estratégia de adaptar o horário da atividade física ao relógio biológico pode transformar recomendações de estilo de vida, tornando-as mais personalizadas e potencialmente mais eficazes na prevenção cardiovascular.

Tariq acrescenta que o estudo indica a viabilidade no mundo real, mas a escalabilidade ainda é complexa e lamenta que a avaliação do cronotipo não é rotina na área da saúde:

“As pessoas têm rotinas fixas com trabalho e família. Então, nem sempre podem escolher o horário do exercício. Os programas de saúde pública seguem um plano padrão, não planos personalizados. Isso exige que as pessoas mudem seus hábitos, não apenas sigam conselhos”, declara.

O autor acredita que o achado não deve alterar as recomendações clínicas de imediato, mas certamente essas devem ser aprimoradas.

Para ele, o estudo mostra claramente que o exercício funciona em todos os casos, mas o horário adequado proporciona melhores resultados (de pressão arterial, variabilidade de frequência cardíaca, consumo de oxigênio e sono).

“Na prática, o exercício continua sendo a prioridade, mas os médicos agora podem dizer: ‘Se possível, exercite-se em um horário que corresponda ao seu ritmo energético natural’", destaca Tariq.

G1

Foto: Adobe Stock

As populares canetas emagrecedoras, cada vez mais usadas por quem busca perder peso rapidamente, entraram no radar de especialistas após um novo estudo levantar um sinal de alerta: parte significativa do peso eliminado pode não ser gordura, mas massa muscular. A descoberta preocupa médicos, já que a perda de músculos pode trazer impactos diretos na saúde e no metabolismo.

De acordo com a pesquisa, medicamentos desse tipo — geralmente indicados para tratar diabetes e obesidade — podem levar a uma redução expressiva da massa magra durante o processo de emagrecimento. Isso acontece porque o corpo, ao perder peso rapidamente, não diferencia totalmente a origem dessa perda, atingindo também músculos importantes para funções básicas do organismo.

Os especialistas destacam que a massa muscular é essencial para manter o metabolismo ativo, a força física e até a saúde a longo prazo. Quando essa perda acontece de forma acentuada, pode haver consequências como fraqueza, maior risco de lesões e até dificuldade em manter o peso após o fim do tratamento, favorecendo o chamado “efeito rebote”.

Diante disso, médicos reforçam que o uso dessas canetas deve ser acompanhado de perto e combinado com estratégias como alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos, especialmente os de resistência. O objetivo é preservar ao máximo a massa muscular enquanto ocorre a redução de gordura, evitando efeitos indesejados que podem comprometer os resultados.

Jetts entretenimento

O aumento de casos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos pode estar ligado à exposição a pesticidas, segundo um estudo publicado na revista Nature Medicine. A pesquisa identificou uma associação consistente entre a doença em jovens e o herbicida picloram, além de confirmar a influência de fatores como dieta, tabagismo e nível educacional no risco da doença.

colorretal

O trabalho - liderado por pesquisadores do Instituto de Oncologia Vall d’Hebron (VHIO), na Espanha - analisou dados genéticos e ambientais de pacientes e encontrou evidências de que fatores do chamado exposoma (conjunto de exposições ao longo da vida) podem desempenhar papel central no desenvolvimento do câncer colorretal de início precoce.

Casos em jovens têm crescido no mundo O câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum de câncer globalmente e a segunda principal causa de morte pela doença. Tradicionalmente associado ao envelhecimento, cerca de 90% dos casos ocorrem em pessoas com mais de 50 anos.

Nos últimos anos, porém, registros de câncer têm mostrado um aumento desproporcional da doença entre jovens, geralmente definida como aquela diagnosticada antes dos 50 anos.

Além de mais frequente, esse tipo de câncer tende a apresentar características mais agressivas, com maior presença de metástases no momento do diagnóstico e tumores menos diferenciados.

Herbicida aparece como novo fator de risco Um dos principais achados do estudo foi a associação entre o câncer colorretal de início precoce e o herbicida picloram, usado mundialmente desde a década de 1960.

Os pesquisadores observaram que pacientes mais jovens apresentavam maior exposição à substância em comparação com aqueles diagnosticados em idade avançada. O resultado foi confirmado em diferentes análises, incluindo uma meta-análise com nove grupos independentes de pacientes.

A relação também foi validada em dados populacionais de 94 condados dos Estados Unidos ao longo de 21 anos, permanecendo significativa mesmo após ajustes para fatores socioeconômicos e uso de outros pesticidas.

“Observamos que os tumores com alta exposição ao pesticida apresentavam menos mutações no gene APC, um gene fundamental no câncer colorretal que regula a via Wnt, relacionada ao crescimento celular. Isso sugere que a exposição ao picloram pode promover o desenvolvimento do câncer mesmo sem mutações no gene APC.”, explica Jose A. Seoane, um dos autores do estudo.

Ele acrescentou ao g1 que, como se trata de um padrão regional, os autores acreditam que a exposição esteja mais relacionada ao local onde o pesticida é utilizado e não ao alimento.

Seone diz ainda que serão necessárias mais pesquisas para confirmar se a exposição ao picloram está de fato por trás do desenvolvimento precoce do câncer colorretal.

Exposição ao longo da vida pode influenciar risco Para investigar o papel do ambiente, os cientistas analisaram 29 fatores do exposoma, incluindo hábitos de vida, poluição do ar e contato com pesticidas.

Como nem sempre há dados diretos sobre exposição, o estudo utilizou marcadores epigenéticos (alterações químicas no DNA) como indicadores indiretos dessas influências.

Os resultados mostraram que níveis mais altos desses marcadores associados a pesticidas estavam ligados ao câncer precoce, sugerindo que a exposição ao longo da vida, possivelmente desde a infância, pode contribuir para o desenvolvimento da doença.

Seoane explica que foram comparadas assinaturas de metilação (alterações no epigenoma associadas a determinadas exposições) entre câncer colorretal de início precoce (menos de 50 anos) e de início tardio (mais de 70 anos). Nessa comparação, as exposições que apresentaram diferenças foram as associadas à dieta, ao tabagismo e ao picloram.

“Medimos isso em tecido tumoral de pacientes com câncer colorretal da população em geral. Não temos dados sobre se os pacientes trabalhavam na agricultura, mas é improvável, já que se trata de uma coorte molecular geral”, afirma.

Dieta, tabagismo e escolaridade também influenciam Além dos pesticidas, o estudo confirmou fatores já conhecidos:

maior exposição ao tabagismo foi associada ao câncer precoce; padrões alimentares menos saudáveis também aumentaram o risco; níveis mais baixos de escolaridade apareceram com maior frequência entre pacientes jovens.

Por outro lado, uma dieta mediterrânea e maior nível educacional foram associados a menor risco.

Mudanças no tumor indicam impacto biológico A pesquisa também identificou diferenças moleculares nos tumores de pacientes com maior exposição ao picloram.

Foram observadas alterações em genes e vias biológicas relacionadas ao crescimento do câncer, o que sugere que o pesticida pode influenciar diretamente o desenvolvimento tumoral.

Os autores destacam, no entanto, que ainda são necessários mais estudos para entender os mecanismos exatos e estabelecer uma relação causal.

Outros pesticidas também foram associados Além do picloram, a análise encontrou associação com outros pesticidas, como glifosato, atrazina, nicosulfuron e esfenvalerato.

Entre eles, o picloram foi o que apresentou resultados mais consistentes ao longo das diferentes análises realizadas pelos pesquisadores.

Pesquisadores pedem mais estudos e políticas públicas Os autores afirmam que os resultados reforçam a importância de fatores ambientais no aumento dos casos de câncer colorretal em jovens.

Elena Élez, da Unidade de Tumores Digestivos do Hospital Universitário Vall d'Hebron e do Grupo de Tumores do Trato Gastrointestinal do VHIO, explica que o câncer colorretal em pacientes com menos de 50 anos apresenta características clínicas e patológicas particulares. Mas, em nível genômico, as alterações moleculares são semelhantes e nenhuma alteração específica foi identificada.

“Por isso, as causas do aumento do câncer colorretal de início precoce permanecem obscuras”, afirmou Iosune Baraibar, pesquisador clínico do Grupo de Tumores do Trato Gastrointestinal do VHIO.

Segundo o estudo, é urgente aprofundar pesquisas sobre os efeitos de longo prazo desses compostos e considerar medidas de prevenção - tanto no nível individual quanto em políticas públicas.

Os achados sugerem que o avanço do câncer colorretal entre jovens pode estar ligado não apenas ao estilo de vida, mas também a exposições ambientais ainda pouco compreendidas.

Seone destaca que o estudo é completamente observacional. Por isso, não são estabelecidas relações causais, apenas associações.

G1

Foto: Adobe Stock