• prefeutura-de-barao.jpg
  • roma.png
  • vamol.jpg

Um estudo científico apontou diferenças cruciais entre os efeitos de longo prazo da Covid-19 e da gripe, sugerindo que apenas o SARS-Cov-2 desencadeia inflamação cerebral.

A pesquisa, feita pela Universidade de Tulane, publicada na revista científica Frontiers in Immunology, indicou que mesmo quando a febre cessa e o vírus deixa de ser detectado no organismo, a Covid-19 pode continuar provocando alterações no corpo.

Durante 28 dias, pesquisadores compararam os efeitos da Covid-19 e da gripe. As duas infecções provocaram inflamação prolongada e sinais de fibrose pulmonar. No entanto, apenas o SARS-CoV-2 desencadeou mudanças significativas no cérebro.

De acordo com o microbiologista Xuebin Qin, autor principal do trabalho, embora ambas as doenças tenham causado lesões pulmonares duradouras, os efeitos cerebrais de longo prazo foram exclusivos do coronavírus.

Semanas após a infecção, não existia mais traços do vírus no cérebro dos animais que tiveram Covid-19. Ainda assim, os camundongos apresentaram inflamação persistente, micro-hemorragias e ativação contínua de células inflamatórias do sistema nervoso. A investigação também identificou mudanças na expressão gênica do tecido cerebral.

Nos pulmões, tanto a gripe quanto a Covid-19 deixaram um cenário semelhante de inflamação e acúmulo de colágeno, proteína ligada à formação de cicatrizes. Esse processo pode tornar o tecido pulmonar mais rígido e comprometer a respiração mesmo após a recuperação clínica.

Bossanews Brasil

A embolia pulmonar é uma condição grave que ocorre quando uma artéria do pulmão é obstruída, geralmente por um coágulo sanguíneo que se formou em outra parte do corpo, como nas pernas — situação conhecida como trombose venosa profunda —, e que se desloca pela corrente sanguínea até alcançar os pulmões.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Prof. Dr. Antonio Eduardo Zerati, o tromboembolismo venoso, que engloba a trombose venosa e a embolia pulmonar, figura como a terceira causa de morte cardiovascular, atrás apenas do infarto agudo do miocárdio e do acidente vascular cerebral. Além disso, representa a principal causa de morte evitável em pacientes hospitalizados.

Um dos principais desafios é que, em muitos casos, os sintomas iniciais são leves e podem ser confundidos com problemas respiratórios comuns. Essa semelhança atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de complicações fatais.

Importância de consultar um médico Segundo o Prof. Dr. Antonio Eduardo Zerati, a embolia pulmonar é uma complicação potencialmente grave da trombose venosa profunda. Algumas condições de maior risco podem exigir medidas de prevenção que variam desde orientações gerais (estimular a movimentação, hidratação) até uso de medicamentos anticoagulantes (restrito a casos específicos e sempre sob orientação médica).

“O desafio está justamente em identificar essas situações de maior risco. Para isso, é importante consultar um médico especialista, principalmente pessoas que já tiveram o diagnóstico de trombose venosa previamente, têm familiares próximos que já sofreram trombose venosa, vão passar por cirurgias de médio e grande porte ou que têm viagens aéreas com tempo de voo superior a duas horas”, alerta.

Fatores de risco que exigem atenção A embolia pulmonar pode atingir qualquer idade, mas a incidência aumenta com o envelhecimento e em situações específicas, como:

Internação prolongada e imobilização; Cirurgias de grande porte, especialmente ortopédicas e abdominais; Fraturas em membros inferiores; Câncer e quimioterapia; Insuficiência cardíaca; Gravidez; Uso contínuo de anticoncepcionais hormonais; Tabagismo; Obesidade; Longos trajetos (acima de duas horas) com pouca mobilidade; Histórico familiar ou distúrbios hereditários da coagulação.

Sintomas da embolia pulmonar O especialista da SBACV-SP orienta que sinais como falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue, inchaço em uma perna ou mais acentuado em uma das pernas, palpitações, tontura e desmaio exigem avaliação médica imediata.

Em casos mais graves, a primeira manifestação pode ser um colapso cardiovascular. Quando o coágulo é volumoso, há comprometimento importante da circulação pulmonar e sobrecarga aguda do lado direito do coração, o que pode levar ao choque e à parada cardiorrespiratória.

Diagnóstico e tratamento da embolia pulmonar Um ultrassom com doppler colorido pode evidenciar a trombose venosa profunda, enquanto o diagnóstico de embolia pulmonar é feito por tomografia computadorizada do tórax. “Quanto mais precoce a identificação da trombose ou da embolia pulmonar, maiores as chances de recuperação. Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente com medicamentos anticoagulantes. Em alguns casos, procedimentos específicos podem ser necessários”, orienta o Prof. Dr. Antonio Eduardo Zerati.

Para a SBACV-SP, a prevenção representa a estratégia mais eficaz. Pacientes hospitalizados ou com risco elevado devem passar por avaliação individualizada para definição de medidas preventivas adequadas. Já diante de suspeita de trombose venosa profunda e/ou embolia pulmonar, a orientação é procurar atendimento médico de urgência.

Portal Edicase

Sangue nas fezes, mudança no funcionamento do intestino, cansaço persistente. Sintomas que muita gente associa a “algo passageiro” podem, na verdade, ser sinais de câncer colorretal, tipo de tumor que mais cresce entre pessoas com menos de 50 anos. Durante o Março Azul, campanha de conscientização sobre a doença, é importante lembrar que a idade não exclui risco.

coloretalprevenir

“A doença deixou de ser restrita a faixas etárias mais avançadas. Hoje, atendemos cada vez mais pacientes jovens, com menos de 50 anos, inclusive sem fatores de risco clássicos, o que exige maior atenção aos sintomas e à história familiar“, explica a Dra. Maria Ignez Braghiroli, médica da Oncologia D’Or, da Rede D’Or, e especialista em tumores do trato digestivo.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028. Entre os mais jovens, o diagnóstico muitas vezes ocorre em fases mais avançadas. Mudanças no estilo de vida ajudam a explicar esse cenário, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool e tabagismo.

Sinais de alerta do câncer colorretal Entre os sinais característicos do câncer colorretal, estão:

Sangue nas fezes ou sangramento pelo ânus: mesmo que seja esporádico, o sintoma precisa ser investigado;

Mudança persistente do hábito intestinal: diarreia ou prisão de ventre que não melhoram, fezes mais finas ou alteração no ritmo habitual;

Dor ou desconforto abdominal frequente: cólicas, sensação de inchaço ou dor contínua sem causa aparente;

Sensação de evacuação incompleta: a impressão constante de que o intestino não esvaziou totalmente;

Perda de peso sem explicação: emagrecimento involuntário é sempre um sinal de alerta;

Fraqueza, cansaço excessivo e anemia: podem indicar perda crônica de sangue pelo intestino.

“Sangramento intestinal, alteração do hábito intestinal e anemia não devem ser normalizados, independentemente da idade. A investigação precoce faz toda a diferença no prognóstico”, reforça a oncologista.

Prevenção do câncer colorretal

O câncer colorretal está entre os tumores mais preveníveis. Cerca de 90% dos casos se desenvolvem a partir de pólipos benignos, que podem ser identificados e removidos durante a colonoscopia. As sociedades médicas recomendam iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco, e antes disso para quem tem histórico familiar.

Além disso, hábitos saudáveis reduzem significativamente o risco: alimentação rica em fibras, prática regular de atividade física, controle do peso, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool. No Março Azul, o recado é direto: ignorar sintomas pode atrasar o diagnóstico. “E, quando se trata de câncer colorretal, tempo faz diferença”, alerta a Dra. Maria Ignez Braghiroli.

Portal Edicase

(Imagem: Halfpoint | Shutterstock)

Consumir até dois ovos por dia pode ser seguro para a maioria das pessoas saudáveis, mas essa conta muda quando entram em cena doenças como colesterol alto, diabetes e problemas cardiovasculares. Especialistas explicam que o impacto do ovo na saúde depende menos do alimento isolado e mais do perfil de quem consome e do padrão alimentar como um todo.

ovos

O ovo é vilão ou aliado da saúde?

Rico em proteínas, vitaminas e compostos bioativos, o ovo reúne em um único alimento nutrientes considerados estratégicos para diferentes fases da vida. Segundo a nutricionista Clarissa Hiwatashi Fujiwara, do Departamento de Nutrição da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), o alimento pode ter um papel protetor dentro de uma alimentação equilibrada.

“O ovo agrega proteínas de alta qualidade, micronutrientes essenciais e compostos bioativos. A clara fornece praticamente toda a sua energia a partir das proteínas, já que a quantidade de gorduras e carboidratos é ínfima”, afirma Fujiwara.

A gema, por sua vez, concentra as gorduras do ovo e é a parte mais diversa do ponto de vista nutricional, reunindo colina, vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), além de carotenoides como luteína e zeaxantina, associados à saúde dos olhos.

“Salvo recomendações terapêuticas muito pontuais, não é interessante excluir a gema. Apesar de conter colesterol, as evidências mostram que, para a maior parte das pessoas saudáveis, o colesterol da dieta tem impacto menos relevante no colesterol sanguíneo do que o padrão alimentar como um todo”, diz a nutricionista.

É seguro comer mais de dois ovos por dia? Quando se trata de indivíduos saudáveis, é possível consumir mais dois ovos por dia na alimentação cotidiana, de forma geral, segundo os especialistas ouvidos pelo g1. Mas comer mais que essa quantidade diariamente não é recomendado para pacientes com maior risco vascular. Estudos observacionais sugerem aumento de risco cardiovascular e de mortalidade com consumo elevado de ovos nesses grupos, destaca o endocrinologista Marcio Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Fujiwara acrescenta que a avaliação da quantidade ideal a ser ingerida diariamente deve considerar fatores individuais, como histórico de doença cardiovascular, necessidades energéticas, de proteínas e o nível de atividade física.

A adição de cinco ovos na alimentação diária, por exemplo, sem ajuste nas demais refeições, pode ainda contribuir para o consumo de energia em excesso. E apesar de o ovo ser um alimento muito rico nutricionalmente, todo excesso de energia pode levar ao aumento de gordura corporal.

Em indivíduos saudáveis, a ingestão de gorduras saturadas não deve ultrapassar 10% das calorias diárias.

Já em pessoas com risco cardiovascular, o limite de gorduras saturadas pode ser reduzido para menos de 7% das calorias diárias. Para este grupo, Fujiwara explica que é recomendado limitar a ingestão de alimentos ricos em gordura saturada - tanto de origem animal como de origem vegetal:

Alimentos de origem animal: cortes de carnes, sobretudo vermelhas, com gordura visível, gordura animal como banha e sebo; pele do frango; carnes processadas como embutidos e bacon; leite integral e derivados com a gordura do leite, como manteiga; creme de leite e queijos (sobretudo queijos duros e curados). Alimentos de origem vegetal: apesar da maioria dos destes ser naturalmente baixa em gordura saturada, há algumas exceções: óleo/gordura de palma (amplamente utilizado pela indústria alimentícia em biscoitos, bolos prontos, snacks e salgadinhos de pacote); pastas doces industrializadas (como creme de avelã); óleo de coco.

A nutricionista especialista em transtornos alimentares pelo Ambulim-USP Marcela Arena acrescenta que comer uma quantidade exagerada de ovos pode ser um ponto de atenção, principalmente se a forma de preparo incluir também outras gorduras e até se a alimentação como um todo também incluir muitas fontes de gordura saturada.

“Quanto mais variada for a alimentação, melhor! Em vez de usar o ovo como fonte de proteínas em todas as refeições do dia, tente se possível variar com frango, carnes, peixes ou até mesmo as proteínas vegetais”, orienta Arena.

O que a ciência diz sobre ovos e colesterol Para a maioria dos adultos saudáveis, o consumo moderado de ovos não está associado a aumento significativo do risco cardiovascular, explica o endocrinologista Marcio Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

“Consumir até dois ovos por dia é seguro para a maioria das pessoas saudáveis, especialmente quando inserido em uma dieta equilibrada. O impacto do colesterol dietético dos ovos sobre o perfil lipídico é geralmente modesto”, afirma.

No entanto, esse cenário muda em grupos específicos.

“Pessoas com diabetes tipo 2, hipercolesterolemia, hipertensão ou doença cardiovascular estabelecida devem ter cautela, pois o consumo elevado de ovos pode estar associado a maior risco nesses grupos”, explica.

A literatura científica aponta ainda diferenças entre consumir um ovo ou dois por dia.

“Há um efeito dose-resposta observado em grandes estudos. O consumo de dois ovos por dia pode aumentar discretamente o risco em relação a um ovo por dia, especialmente em pessoas com fatores de risco, embora o impacto absoluto seja pequeno”, diz o endocrinologista.

Dois ovos por dia: quando pode e quando exige cuidado A médica nutróloga Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), reforça que o ovo, isoladamente, raramente é o principal problema.

Prado também destaca que, para a maioria das pessoas saudáveis, até dois ovos por dia podem fazer parte de uma dieta equilibrada e segura. "A avaliação deve considerar o padrão alimentar global, exames laboratoriais, histórico familiar e presença de doenças metabólicas”, afirma.

“O ovo pode ser útil em casos de maior demanda proteica, como sarcopenia, recuperação pós-cirúrgica, gestação, envelhecimento saudável e prática esportiva”, explica Prado.

Já em pessoas sensíveis ao colesterol dietético, ajustes podem ser necessários. “Pode haver aumento do colesterol total e do LDL entre três e oito semanas após uma mudança consistente na alimentação. Por isso, a resposta é individual e deve ser monitorada”, diz a nutróloga.

Ovo ajuda a emagrecer? Depende do contexto O alto teor de proteínas e a presença de gorduras fazem do ovo um alimento associado à saciedade. Segundo Fujiwara, refeições com ovos podem ajudar a reduzir a ingestão calórica ao longo do dia.

“O ovo contribui para a saciedade por retardar o esvaziamento gástrico. Estudos mostram que, especialmente no café da manhã, pode reduzir a ingestão de energia nas refeições seguintes”, afirma.

Prado destaca que, em dietas de emagrecimento, dois ovos ao dia costumam ser bem tolerados.

“Eles ajudam no controle do apetite e na preservação da massa magra, desde que inseridos em um plano hipocalórico equilibrado”, afirma.

O modo de preparo faz diferença A forma como o ovo é preparado influencia diretamente seus efeitos na saúde. Para Fujiwara, preparações simples são as mais indicadas.

“Ovo cozido ou pochê são recomendados por não exigirem adição de gordura. O ovo mexido com pouca gordura também é uma boa opção”, orienta.

O consumo frequente de ovos fritos, especialmente com manteiga em excesso, merece atenção.

“Ele pode favorecer um perfil lipídico menos saudável, sobretudo em pessoas com predisposição a dislipidemias”, alerta a nutricionista.

Crianças, idosos e atletas: quem se beneficia mais? O ovo é apontado como um alimento estratégico em diferentes fases da vida:

Para crianças, contribui para o crescimento e o desenvolvimento neurológico Para idosos, é uma fonte acessível de proteína de fácil mastigação, importante na prevenção da sarcopenia. Para quem pratica atividade física, o benefício está na recuperação muscular. “O ovo fornece todos os aminoácidos essenciais, contribuindo para a síntese e recuperação muscular no pós-exercício”, explica Fujiwara.

O que pesa mais: o número de ovos ou a dieta como um todo? Apesar do debate em torno da quantidade, os especialistas concordam que o fator decisivo é o padrão alimentar global.

“Os ovos consumidos dentro de uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados têm impacto muito diferente do que quando associados a dietas ricas em gordura saturada e ultraprocessados”, diz Fujiwara.

Lauria reforça que o colesterol do ovo pesa menos do que outros componentes da dieta.

“Ensaios clínicos mostram que o colesterol dietético dos ovos tem impacto menor sobre o LDL do que a ingestão de gordura saturada”, afirma o endocrinologista.

Não existe número mágico Para pessoas saudáveis, até um ovo por dia aparece como o limite mais seguro nas grandes análises científicas. Ainda assim, dois ovos podem ser aceitáveis em muitos casos, desde que haja acompanhamento e equilíbrio.

“O limite não é um número fixo para todos, mas um intervalo ajustável, definido pela resposta individual e pelo risco cardiovascular global”, resume Prado.

O ovo não é vilão nem solução milagrosa — é o contexto que define se dois ovos por dia são aliados ou um sinal de alerta no prato.

G1

Foto: Adobe Stock