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A desnutrição é um dos problemas mais frequentes e menos percebidos no tratamento oncológico. Muitos pacientes com câncer desenvolvem algum grau de perda nutricional, que reduz a tolerância à quimioterapia e à radioterapia, piora o prognóstico e aumenta o risco de mortalidade.

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Diversos fatores contribuem para o problema. Tumores localizados na cabeça, no pescoço ou no trato gastrointestinal podem dificultar a mastigação ou a deglutição. O impacto emocional da doença — como ansiedade, depressão, dor e períodos prolongados de internação — também tende a reduzir a ingestão alimentar.

“Alguns efeitos colaterais dos tratamentos também interferem, como náuseas, vômitos, mucosite [feridas na boca] e alterações no paladar, e podem levar a um gosto metálico na boca e distorção dos sabores, potencializando a percepção de salgado, doce, azedo e amargo”, conta a nutricionista Simone Spadaro Monteiro de Farias, coordenadora de nutrição clínica do Hospital Municipal Dr. Gilson de C. Marques de Carvalho (Vila Santa Catarina), unidade pública em São Paulo gerida pelo Einstein Hospital Israelita.

Além disso, o organismo do paciente sofre com um estado inflamatório que reduz ainda mais a vontade de se alimentar e eleva seu metabolismo, aumentando o consumo das reservas de energia e de proteínas do corpo. “Por causa desse quadro, entre 40% e 80% dos pacientes oncológicos apresentam desnutrição”, afirma a nutricionista Olívia Podesta, do comitê multidisciplinar da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).

A desnutrição é especialmente preocupante porque acelera a perda de massa muscular. Esse quadro reduz a tolerância à quimioterapia e à radioterapia, aumenta a ocorrência de efeitos colaterais e eleva a necessidade de internações. O resultado é um prognóstico menos favorável, com impacto direto na sobrevida e na qualidade de vida.

“Os músculos são um reservatório metabólico importante, que produz substâncias que protegem o organismo e mantêm o peso saudável”, relata Podesta. “Existem estudos que mostram que esses pacientes têm de duas a três vezes mais risco de morrer durante o tratamento.”

Por essa razão, o acompanhamento nutricional é essencial. “Os profissionais clínicos especializados em oncologia têm a capacidade de ajustar o cardápio do paciente visando a adequação nutricional e cuidando para que cada um receba uma refeição atrativa e individualizada, com a temperatura que a pessoa mais gosta e alimentos que tragam resgate emocional, o que contribui para a aceitação”, explica Farias.

O profissional também pode indicar o uso de um suplemento caso a ingestão alimentar esteja aquém do necessário ou recorrer a formas de alimentação parenteral (diretamente na corrente sanguínea) ou enteral (via sondas que levam nutrientes diretamente ao estômago ou intestino).

Mesmo indivíduos que aparentam estar com o peso ideal precisam ser avaliados, pois podem apresentar baixa massa muscular. “Com tantas formas que temos de evitar o quadro, não faz sentido deixarmos acontecer. Por isso, é muito importante a intervenção precoce dos nutricionistas e a prevenção”, alerta a nutricionista da SBOC.

Thais Szegö, da Agência Einstein

Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

Um estudo recente publicado na revista Nature Metabolism identificou uma associação direta entre alimentação e câncer de pulmão. De acordo com pesquisadores dos Estados Unidos, células tumorais no pulmão utilizam açúcar como fonte de energia, o que pode favorecer o crescimento e a agressividade da doença. A análise indica que níveis elevados de glicogênio, substância responsável por armazenar glicose no organismo, estão ligados a tumores maiores e mais avançados.

Os testes foram realizados em ratos de laboratório. Durante o experimento, os animais que receberam uma dieta com alto teor de gordura e frutose, açúcar presente naturalmente nas frutas e também amplamente usado em produtos industrializados, apresentaram crescimento acelerado de tumores pulmonares.

“A dieta ocidental típica aumenta os níveis de glicogênio, e o glicogênio alimenta os tumores de câncer de pulmão, fornecendo os componentes básicos para o seu crescimento”, relataram os pesquisadores no artigo.

Os cientistas observaram ainda que o glicogênio funciona como um “preditor excepcionalmente bom” da progressão tumoral e da mortalidade em pessoas com câncer de pulmão, segundo afirmou Ramon Sun, professor associado e diretor de um centro de pesquisa em biomoléculas espaciais da Universidade da Flórida.

Apesar dos achados, os especialistas ressaltam que o papel da alimentação no câncer de pulmão ainda é menos explorado quando comparado a outros tipos da doença.

“Tradicionalmente, o câncer de pulmão não tem sido considerado uma doença relacionada à dieta. Doenças como o câncer de pâncreas ou o câncer de fígado, sim. No entanto, quando se trata de câncer de pulmão, a ideia de que a dieta possa desempenhar um papel raramente é discutida”, afirmou o pesquisador.

Os autores destacam que esta é uma das primeiras pesquisas a estabelecer uma relação direta entre o que se consome e o desenvolvimento do câncer pulmonar. Para eles, estratégias de prevenção precisam ir além do combate ao tabagismo. “A longo prazo, nossa abordagem para a prevenção do câncer deve refletir o sucesso da campanha antitabagista, dando maior ênfase à conscientização pública e a estratégias baseadas em políticas públicas que promovam escolhas alimentares mais saudáveis como componente fundamental da prevenção de doenças”, disse Sun.

De modo geral, os pesquisadores reforçam que continua sendo excepcional adotar uma alimentação equilibrada, priorizar alimentos ricos em nutrientes, manter atividade física regular e reduzir o consumo de álcool para a saúde ao longo da vida.

“Promover melhores hábitos alimentares pode ser uma ferramenta poderosa na prevenção do câncer de pulmão”, apontaram os pesquisadores.

Feed TV - Saúde|Do R7

Cada vez mais comum, a dificuldade para dormir leva muitas pessoas que sofrem com distúrbios do sono, como a insônia, a recorrerem a medicamentos para conseguir descansar. Mas um estudo publicado em outubro na revista The Lancet Regional Health mostra que essa dependência pode trazer riscos.

Pesquisadores simularam dois futuros para um mesmo grupo populacional de 15,3 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Todas tinham acima de 50 anos e faziam uso regular de medicamentos para dormir.

No primeiro cenário, o uso da droga foi mantido; no outro, interrompido. Os resultados demonstram que evitar o uso das medicações reduziu o comprometimento cognitivo ao longo da vida, além de ter sido observada uma melhora considerável no tempo e, principalmente, na qualidade de vida desses pacientes.

A publicação também alerta para o risco de quedas e prejuízos cognitivos em idosos. “Se reduzirmos ou interrompermos o uso desses medicamentos, diminuímos a incidência desses eventos, pois quanto maior for a quantidade de sedação, mais alterações do equilíbrio podem aumentar o risco de queda”, explica a neurofisiologista especialista em sono Leticia Soster, do Einstein Hospital Israelita.

A insônia pode tanto ser sintoma de outra condição, como ansiedade ou transtornos de humor, quanto uma patologia isolada. Neste último caso, quando há o diagnóstico de insônia crônica, o quadro ocorre pelo menos três noites por semana e por mais de três meses.

Como a privação do sono pode acarretar uma série de malefícios para a saúde física e mental, inclusive com a possibilidade de desenvolver novas doenças, é nessas situações crônicas que o tratamento medicamentoso pode ser uma opção.

Mas esse uso não deve ser permanente e sempre precisa ser acompanhado por um médico especialista. “O equilíbrio está em manter a qualidade de vida de uma forma global, e o sono é um item da qualidade de vida. É possível fazer o uso temporário do medicamento, mas lembrando que não é uma coisa para tratar para sempre. Não se deve normalizar o uso crônico desses remédios por anos”, frisa Soster.

Desafios da desprescrição Os achados do estudo reforçam a necessidade de revisar o consumo prolongado desses medicamentos. Para os autores, o uso crônico, como vem sendo feito, pode piorar a qualidade de vida.

Esforços para desprescrever, isto é, reduzir ou interromper o uso dessas medicações, podem estar relacionados à melhora da qualidade de vida em adultos de meia-idade e idosos.

“O que se fala na prática clínica da medicina do sono é que, eventualmente, podemos usar essas medicações, mas com um papel importante só em momentos específicos. Se mantidos por longos anos, o custo em saúde é muito maior do que o benefício agregado”, ressalta a médica do Einstein.

Nesse sentido, a pesquisa sugere que o principal desafio é organizar políticas e práticas clínicas que permitam essa redução em larga escala. “Isso depende de capacitar profissionais, revisar prescrições de rotina e criar programas de desprescrição”, observa Leticia Soster.

Alternativas não medicamentosas A versão mais recente do Consenso Brasileiro de Insônia, elaborado pela Academia Brasileira do Sono e pela Associação Brasileira de Medicina do Sono, aponta a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) como a principal estratégia não farmacológica para tratar o problema.

O documento também recomenda, em complemento à terapia, medidas como a prática regular de exercícios físicos e ações de higiene do sono — um conjunto de hábitos que ajudam a melhorar a qualidade do descanso.

Segundo o Ministério da Saúde, com base na 3ª edição da Classificação Internacional de Distúrbios do Sono (ICSD), a insônia crônica se manifesta por sinais como dificuldade para iniciar ou manter o sono, despertares antecipados, resistência em ir para a cama no horário adequado e dependência de outras pessoas (pais e cuidadores, por exemplo) para adormecer.

Além disso, são frequentes sintomas como fadiga; redução da atenção, concentração ou memória; prejuízos nas relações sociais, familiares, no trabalho ou no desempenho escolar; alterações de humor e irritabilidade; sonolência diurna; mudanças comportamentais; perda de motivação; maior risco de acidentes e erros; e uma sensação persistente de preocupação ou insatisfação com o próprio sono.

Ana Andrade, da Agência Einstein

O consumo de bebidas alcoólicas pode ter efeitos mais profundos no cérebro do que muita gente imagina, especialmente com o avanço da idade. Segundo o neurologista Richard Restak, referência em estudos sobre memória e envelhecimento, o álcool atua como uma substância tóxica para o sistema nervoso, acelerando a perda de conexões cerebrais ao longo do tempo.

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De acordo com o especialista, existe uma idade considerada crítica nesse processo. A partir dos 65 anos, o organismo passa a ter mais dificuldade para metabolizar o álcool, o que aumenta significativamente os riscos de prejuízos cognitivos. Por esse motivo, Restak recomenda que pessoas nessa faixa etária interrompam o consumo de bebidas alcoólicas como forma de proteção à saúde cerebral.

Outro ponto levantado pelo neurologista é o uso do álcool como válvula de escape emocional. Quando associado ao alívio de estresse, ansiedade ou solidão, o consumo frequente pode mascarar problemas psicológicos e contribuir para um declínio cognitivo silencioso. Além disso, o álcool está ligado ao aumento do risco de doenças crônicas, inflamações e alguns tipos de câncer.

Entre as condições mais graves associadas ao uso prolongado está a síndrome de Wernicke-Korsakoff, um tipo de demência relacionada à deficiência de vitamina B1, frequentemente observada em pessoas que consomem álcool em excesso. Para especialistas, reduzir ou eliminar o consumo antes dessa fase da vida pode ajudar a preservar a memória, a autonomia e a qualidade de vida no envelhecimento.

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©Créditos: Unsplash / Sérgio Alves Santos