Muitos dependem dele no dia a dia, sem saber do prejuízo que podem estar causando à saúde — estamos falando do despertador. O susto ao acordar de forma abrupta com o barulho alto causa um pico de adrenalina que, ao acontecer repetidamente, pode acabar sobrecarregando nosso sistema de estresse.
Mônica precisa acordar todos os dias às 5h40 para arrumar os filhos para a escola e para trabalhar como empregada doméstica. Diariamente, levantar da cama é uma luta. “Não consigo acordar cedo.” O jeito é apelar para o despertador do celular, que toca várias vezes a cada cinco minutos.
“Ele fica umas quatro, cinco vezes tocando. E eu não acordo”, diz a mulher. Segundo especialistas, isso reflete uma noite mal dormida, que causa cansaço e pouca produtividade ao longo do dia. As horas de sono que ficam faltando, por sua vez, pioram drasticamente a saúde.
“Aumentando o risco cardiovascular, o risco de ter um infarto, de ter um AVC, aumenta a incidência de hipertensão arterial, de pressão alta, ganho de peso, alteração do colesterol, alteração da glicose, risco de diabetes”, pontua Lúcio Huebra, neurologista especialista em medicina do sono.
Mas nem todos possuem uma rotina que permite um descanso adequado. Ao precisar priorizar obrigações com trabalho, família, tarefas diárias e outras atividades, o sono acaba em segundo plano. Ainda assim, vale destacar a importância de dedicar um tempo a mais à hora de dormir. Afinal, essa é uma necessidade do corpo.
“Se a gente respeita aquela quantidade de horas de sono”, argumenta o médico, “a gente passa um dia com muito mais qualidade de vida, uma performance muito melhor e uma produtividade muito maior”. O ideal é dormir em torno de 8 horas diariamente e permitir que o corpo desperte sozinho, diminuindo o uso do despertador.
A tireoide é uma glândula pequena, em formato de borboleta, localizada na parte anterior do pescoço. Apesar do tamanho reduzido, essa estrutura exerce influência direta sobre o funcionamento de praticamente todo o organismo. Além disso, quando a tireoide mantém equilíbrio, o corpo tende a conservar um ritmo adequado de energia, temperatura e metabolismo.
Quando ocorre algum desequilíbrio na produção de hormônios tireoidianos, diferentes sistemas do corpo sofrem alterações, como o coração, o intestino, a pele e o cérebro. Por isso, entender a importância da tireoide, reconhecer sinais de alerta e saber quando procurar ajuda especializada se torna essencial para preservar a saúde a longo prazo. Além disso, esse conhecimento ajuda na prevenção de complicações mais graves e favorece decisões mais conscientes sobre exames e tratamentos.
Qual é a função da tireoide no organismo? A principal função da tireoide consiste em produzir os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que regulam o metabolismo. Em termos simples, esses hormônios definem o “ritmo” com que o corpo gasta energia, utiliza nutrientes e realiza diversas atividades internas. Dessa forma, eles interferem no funcionamento do coração, na temperatura corporal, na velocidade do intestino, na força muscular e até no humor.
Além disso, a tireoide exerce papel importante no crescimento e no desenvolvimento, especialmente na infância e na adolescência. Em fases como gestação e puerpério, o equilíbrio hormonal dessa glândula garante o desenvolvimento adequado do feto e também protege a saúde da mãe. Um ponto relevante é que a tireoide depende de iodo, obtido principalmente pela alimentação, para produzir seus hormônios em quantidade adequada. Por isso, o uso de sal iodado e uma dieta equilibrada são estratégias importantes de saúde pública.
Entre as funções mais conhecidas da tireoide no corpo, destacam-se:
Regulação do gasto de energia e do peso corporal; Controle da frequência cardíaca e da pressão arterial; Influência sobre o sono, a memória e a concentração; Atuação sobre a saúde da pele, dos cabelos e das unhas; Participação no crescimento e no desenvolvimento neurológico. Hipotireoidismo e hipertireoidismo: qual a diferença? As alterações mais comuns da tireoide envolvem mudanças na quantidade de hormônios produzidos. Quando a glândula produz menos hormônios do que o necessário, ocorre o hipotireoidismo. Já quando a produção aumenta além do adequado, o quadro recebe o nome de hipertireoidismo. Embora ambos afetem a mesma glândula, os efeitos no corpo costumam seguir direções opostas.
No hipotireoidismo, o metabolismo tende a ficar mais lento. Em contraste, no hipertireoidismo, o organismo funciona em ritmo acelerado. Essa diferença ajuda a entender os sintomas que surgem e orienta o profissional de saúde na investigação do quadro. No entanto, os sinais podem aparecer de forma discreta no início, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular, sobretudo em pessoas com histórico familiar.
Quais são os sintomas de hipotireoidismo? No hipotireoidismo, o corpo trabalha em velocidade reduzida. Assim, os sintomas podem surgir de forma gradual, o que leva muitas pessoas a associar as queixas ao cansaço do dia a dia ou ao envelhecimento. Além disso, entre os sinais mais relatados aparecem alterações de energia, de peso e também da pele.
Cansaço constante e sensação de fraqueza; Ganho de peso leve a moderado, mesmo sem grande mudança na alimentação; Pele mais seca, unhas frágeis e queda de cabelo; Intestino preso ou funcionamento mais lento; Intolerância ao frio, com sensação de frio excessivo; Ritmo cardíaco mais lento; Sonolência, dificuldade de concentração e memória prejudicada; Ciclos menstruais irregulares em pessoas que menstruam. Em crianças e adolescentes, o hipotireoidismo pode provocar atraso no crescimento e no desenvolvimento. Além disso, em adultos, quando a pessoa não recebe tratamento adequado, o problema favorece alterações de colesterol e aumenta o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo. Por isso, após o diagnóstico, o uso correto da medicação e o seguimento médico são fundamentais.
Quais são os sintomas de hipertireoidismo? No hipertireoidismo, o excesso de hormônios tireoidianos acelera o metabolismo. Assim, o corpo passa a funcionar como se permanecesse em alerta constante, o que traz sinais físicos e emocionais. Em alguns casos, a pessoa percebe um aumento no pescoço, chamado de bócio, devido ao crescimento da glândula.
Emagrecimento, mesmo com alimentação mantida ou até aumentada; Palpitações, coração acelerado e sensação de “coração disparado”; Tremores finos nas mãos; Intestino mais solto ou diarreia; Intolerância ao calor e suor excessivo; Irritabilidade, ansiedade e dificuldade para dormir; Fraqueza muscular, principalmente em coxas e braços; Em alguns casos, olhos mais saltados ou sensação de areia nos olhos, dependendo da causa do hipertireoidismo. O hipertireoidismo, quando permanece sem identificação e tratamento, sobrecarrega o coração e favorece arritmias. Esse risco se torna ainda maior em pessoas com idade mais avançada ou com doenças cardíacas prévias. Além disso, a perda de massa óssea e alterações emocionais podem se intensificar, o que torna o tratamento e o acompanhamento especializados ainda mais necessários.
Quais sinais de alerta indicam problema na tireoide? Alguns sinais combinados podem levantar suspeita de alteração na tireoide, principalmente quando persistem por várias semanas. Além disso, a presença de sintomas em mais de um sistema do corpo costuma chamar a atenção dos profissionais de saúde.
Mudanças de peso sem explicação clara; Alterações importantes de energia, com cansaço extremo ou agitação constante; Variações no ritmo cardíaco, com batimentos muito lentos ou acelerados; Distúrbios intestinais contínuos, como prisão de ventre ou diarreia frequente; Queda de cabelo acentuada ou mudança na textura da pele; Alterações de humor, como irritabilidade, desânimo ou dificuldade de concentração; Aumento visível na região do pescoço ou sensação de “caroço” ao engolir. Diante desses sinais, a pessoa deve buscar avaliação médica para investigação. O profissional geralmente realiza exame físico e solicita dosagem de hormônios tireoidianos em exames de sangue. Além disso, em alguns casos, o médico também indica exames de imagem para complementar a análise e definir melhor a causa do problema.
Por que o diagnóstico precoce da tireoide é tão importante? O reconhecimento precoce das alterações da tireoide permite ajustar o tratamento antes do surgimento de complicações mais sérias. Com acompanhamento adequado, a pessoa consegue controlar tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo, o que reduz o impacto no coração, no metabolismo e na qualidade de vida.
O diagnóstico costuma envolver exames simples, como TSH, T4 livre e, em alguns casos, T3. Além disso, o médico pode solicitar ultrassonografia da tireoide quando julga necessário. Em gestantes, crianças, pessoas com histórico familiar de doença tireoidiana e indivíduos com outras doenças autoimunes, a vigilância se torna ainda mais importante. Por fim, a orientação profissional adequada, associada à atenção aos sinais do próprio corpo, contribui para preservar a saúde da tireoide ao longo das diferentes fases da vida e a evitar complicações futuras.
Com a correria do dia a dia, requentar a comida da noite anterior tende a ser uma das melhores alternativas. No entanto, ainda que ajude a rotina a ficar mais prática, este hábito pode não ser tão benéfico à saúde.
Ao MinhaVida, Eleonora Galvão, nutricionista do Instituto Nutrindo Ideais, explica que tudo vai depender da forma em que o alimento é requentado.
“Desde que sejam seguidos certos cuidados para evitar a proliferação de bactérias e a degradação dos nutrientes, consumir alimentos requentados não apresenta grandes prejuízos à saúde. Porém, alguns dos prejuízos mais relevantes é a redução da densidade de nutrientes, pois o reaquecimento pode levar à perda de nutrientes sensíveis ao calor, como vitamina C e algumas vitaminas do complexo B. No entanto, outros nutrientes, como proteínas e minerais, são mais estáveis e não sofrem grandes perdas”.
Para além da possível perda de nutrientes sensíveis ao calor intenso, a nutricionista destaca outro risco: a oxidação de gorduras no alimento.
“Reaquecer alimentos ricos em gordura pode aumentar a oxidação lipídica, produzindo compostos que, em quantidades elevadas e consumidos a longo prazo, podem ser bem prejudiciais à saúde”.
Os alimentos que não devem ser requentados Eleonora conta que certos alimentos não devem ser requentados devido ao possível risco de proliferação bacteriana ou de formação de compostos prejudiciais à saúde. Segundo ela, os principais são:
1 - Ovos “O reaquecimento inadequado pode promover o crescimento de bactérias como Salmonella. Além disso, quando requentados, os ovos cozidos ou mexidos podem se deteriorar, levando a possíveis alterações na proteína que tendem a causar desconforto digestivo”.
2 - Frango “Reaquecer frango várias vezes pode alterar a estrutura das proteínas, o que pode dificultar a digestão e causar desconforto intestinal. Além disso, se o frango não for reaquecido de maneira uniforme e a uma temperatura suficiente (acima de 74 °C), bactérias como Salmonella e Campylobacter podem proliferar”.
3 - Arroz “O arroz cozido, se deixado em temperatura ambiente por muito tempo antes de ser refrigerado, pode desenvolver esporos de Bacillus cereus, uma bactéria que resiste ao calor e pode causar intoxicação alimentar. Reaquecer o arroz não destrói esses esporos, e pode aumentar o risco de contaminação”.
4 - Espinafre e Outros Vegetais Folhosos “Vegetais como espinafre, acelga e alface contém níveis elevados de nitratos, que, quando reaquecidos, podem se converter em nitritos e nitrosaminas, compostos potencialmente cancerígenos”.
5 - Peixes e Frutos do Mar “Reaquecer peixes e frutos-do-mar pode alterar a textura e o sabor. Além disso, se não armazenados ou reaquecidos adequadamente, há o risco de proliferação de bactérias como Vibrio e Listeria”.
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Qual é a forma mais saudável de esquentar a comida? Conforme a nutricionista, os meios mais saudáveis de esquentar a comida do dia anterior envolve aquecimentos a baixa temperatura, preferencialmente, por meio de banho-maria ou forno a vapor.
“Essas alternativas podem preservar ao máximo a textura dos alimentos. Evitam o superaquecimento e o ressecamento, e preservam os nutrientes dos alimentos”, finaliza a especialista.
Vídeos que circulam nas redes sociais afirmam que o uso de fones de ouvido bluetooth estaria relacionado ao surgimento de nódulos na tireoide e a outros riscos à saúde. Muitas dessas publicações mencionam um estudo publicado em uma revista científica do grupo Nature, mas nem sempre deixam claro que a pesquisa identificou apenas uma associação estatística, e não uma relação de causa e efeito.
Os autores do estudo são claros ao afirmar que, embora tenham encontrado uma associação estatística importante, os resultados não implicam inerentemente uma relação de causalidade. Isso significa que a pesquisa mostra que os dois fatores, uso de fones e nódulos, aparecem juntos com frequência, mas não prova que um seja a causa direta do outro, ponto que não é explicado na maioria dos vídeos.
A pesquisa foi conduzida como uma exploração epidemiológica (ciência que estuda a distribuição, frequência e os fatores determinantes de doenças) que utilizou inteligência artificial avançada para investigar a relação entre o uso de fones bluetooth e o risco de nódulos na tireoide. O processo seguiu etapas de coleta de dados, processamento estatístico e modelagem preditiva (técnica de análise de dados).
Nesses estudos, uma associação indica que dois fatores podem ocorrer juntos com maior frequência, sem que um necessariamente provoque o outro. Para estabelecer causalidade, são necessários estudos mais aprofundados, como pesquisas prospectivas, com acompanhamento ao longo do tempo, grupos de controle e replicação dos resultados em diferentes populações.
O que dizem os especialistas Segundo a médica Pauliana Lamounier, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), do ponto de vista da otorrinolaringologia, o maior risco para a audição está relacionado ao volume do som e ao tempo de exposição. O tipo de fone também tem influência: se for intra-auricular(encaixados dentro do canal auditivo), tende a concentrar mais energia sonora dentro do conduto auditivo do que os fones do tipo concha (cobre toda a orelha).
“Quando surgem muitas falas alarmistas, é importante aguardar novos estudos antes de mudar comportamentos. São necessários estudos independentes, com diferentes populações e contextos, além de pesquisas prospectivas, com acompanhamento ao longo do tempo, grupo controle e replicação dos resultados. Existem vários critérios para que a gente consiga, de fato, comprovar uma relação de causalidade. Qualquer alarme que se faça em relação a isso, no momento, é excessivo”, afirma Carolina Ferraz, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Para jovens e crianças existe um risco maior? Jovens podem apresentar uma vulnerabilidade específica devido aos seus hábitos de consumo tecnológico. Crianças e adolescentes, possivelmente, terão uma exposição acumulativa maior a esses aparelhos ao longo da vida.
Geralmente, crianças e adolescentes não percebem os sintomas iniciais do dano auditivo, como zumbido ou dificuldade de compreensão da fala.
“Os fones de ouvido, por si só, não são vilões. O problema é o uso inadequado, especialmente ouvir música em volume elevado por períodos prolongados, o que representa o principal risco à saúde auditiva”. ressalta Pauliana Lamounier.
Radiação não ionizante e limites conhecidos Os fones bluetooth emitem radiação de radiofrequência (RF) não ionizante, a mesma categoria usada por dispositivos como celulares, Wi-Fi e outros equipamentos eletrônicos de uso cotidiano. Trata-se de uma radiação de baixa energia, incapaz de ionizar átomos ou causar danos diretos ao DNA.
A tecnologia bluetooth opera na frequência de 2,4 GHz, faixa amplamente estudada e regulada por órgãos internacionais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há evidências consistentes de efeitos adversos à saúde associados à exposição à radiofrequência dentro dos limites recomendados.
Até o momento, não existem diretrizes médicas ou regulatórias que limitem o uso de fones bluetooth por risco de radiação. Existe alguma recomendação? De acordo com Carolina Ferraz, esse estudo pode ser considerado um primeiro alerta, mas ainda são necessários outros trabalhos para avaliar se existe, de fato, alguma relação causal. Ela explica que as sociedades médicas são claras quanto às indicações de ultrassonografia e que as diretrizes não recomendam rastreamento para qualquer pessoa. Segundo ela, especialmente por causa desse artigo, não há indicação de que se passe a rastrear toda a população.
Existe uma regra prática que pode ajudar, conhecida como regra do 60/60. A orientação é utilizar o som em até 60% do volume máximo do aparelho por, no máximo, 60 minutos seguidos, fazendo pausas para descanso da audição após esse período, como forma de prevenir a perda auditiva induzida por ruído.