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Assumir os cuidados de um ente querido em casa é uma decisão que envolve amor, responsabilidade e muitos desafios. Cada vez mais famílias optam pelo cuidado domiciliar, seja por questões emocionais, financeiras ou pela busca de maior conforto e dignidade para quem necessita de atenção contínua. No entanto, para que essa experiência seja positiva para todos, é fundamental organização, informação e adaptação do ambiente.

Um dos primeiros passos é estruturar o espaço físico de forma adequada. Quando se trata de pessoas com mobilidade reduzida ou acamadas, investir em recursos como uma cama para idoso acamado faz toda a diferença no dia a dia. Esse tipo de equipamento facilita a movimentação, reduz riscos de lesões e oferece mais conforto tanto para o paciente quanto para quem presta os cuidados.

Organizando o ambiente para o cuidado diário

O espaço onde o cuidado acontece deve ser funcional, seguro e tranquilo. Um ambiente bem organizado contribui para a eficiência da rotina e para o bem-estar emocional.

Alguns cuidados essenciais incluem:

  • Manter o ambiente arejado e bem iluminado
  • Garantir fácil acesso a itens de uso diário
  • Evitar móveis ou objetos que dificultem a circulação
  • Criar um espaço específico para armazenamento de medicamentos e materiais

Essas medidas ajudam a tornar o cuidado mais fluido e menos cansativo.

Definindo uma rotina clara e funcional

A rotina é uma grande aliada no cuidado domiciliar. Ter horários definidos ajuda tanto o cuidador quanto a pessoa assistida a se sentirem mais seguros e organizados.

É recomendável estabelecer:

  • Horários fixos para alimentação e medicação
  • Momentos dedicados à higiene pessoal
  • Períodos de descanso e de interação social
  • Registros simples para acompanhar evolução e necessidades

Uma rotina previsível reduz o estresse e melhora a qualidade do cuidado.

A importância do apoio profissional

Mesmo quando a família assume a maior parte dos cuidados, o apoio de profissionais de saúde é essencial. Enfermeiros, cuidadores e terapeutas oferecem orientações técnicas que fazem toda a diferença.

O acompanhamento profissional contribui para:

  • Prevenção de complicações de saúde
  • Orientação correta sobre procedimentos diários
  • Ajustes no plano de cuidados conforme a evolução do quadro
  • Maior segurança para toda a família

Esse suporte traz tranquilidade e confiança ao processo.

Cuidar de quem cuida também é essencial

Um erro comum no cuidado domiciliar é esquecer do bem-estar do cuidador. A sobrecarga física e emocional pode comprometer a saúde de quem está ajudando.

Algumas atitudes importantes incluem:

  • Dividir responsabilidades entre familiares
  • Reservar momentos de descanso
  • Procurar apoio emocional quando necessário
  • Reconhecer limites físicos e mentais

Cuidar bem exige equilíbrio e autocuidado.

Um caminho construído com empatia e planejamento

Assumir os cuidados de um ente querido em casa é um caminho que se constrói diariamente. Com planejamento, adaptações adequadas e apoio profissional, é possível oferecer um cuidado seguro, humano e digno, preservando o conforto do lar.

Mais do que uma obrigação, o cuidado domiciliar pode se tornar um gesto profundo de carinho e respeito, fortalecendo vínculos e garantindo qualidade de vida para todos os envolvidos.

 

Durante muito tempo, o sal foi considerado o principal vilão da pressão alta. E com razão: o consumo exagerado de sódio está diretamente relacionado ao aumento da retenção de líquidos e à sobrecarga sobre os vasos sanguíneos.

Mas, segundo estudos recentes, há um outro culpado que muita gente ignora. Trata-se do açúcar adicionado, presente em alimentos ultraprocessados, bebidas industrializadas e até em produtos que parecem “inofensivos”, como molhos prontos e cereais matinais.

O açúcar pode elevar a pressão tanto quanto o sal O açúcar tem uma função metabólica essencial, mas quando consumido em excesso, especialmente o refinado e o adicionado a bebidas e produtos industrializados, ele passa a atuar como um inimigo silencioso.

Quanto maior a ingestão de açúcar adicionado, maior o risco de doenças cardiovasculares. Isso porque o fígado metaboliza o açúcar de forma parecida com o álcool, transformando o excesso em gordura.

Esse processo leva ao acúmulo de lipídios, resistência à insulina, obesidade e inflamação sistêmica, condições que, somadas, aumentam a pressão arterial e o risco de infarto e AVC.

Além disso, o excesso de açúcar estimula a liberação de insulina, o que faz com que os rins retenham mais sódio e água, elevando ainda mais a pressão. Ou seja, o açúcar potencializa os efeitos negativos do sal, tornando a combinação ainda mais perigosa para o coração.

Quanto açúcar é considerado seguro O limite diário de açúcar adicionado não deve ultrapassar 24 gramas (seis colheres de chá) para mulheres e 36 gramas (nove colheres de chá) para homens. No entanto, uma única lata de refrigerante comum pode ultrapassar essa recomendação facilmente.

Pessoas que obtêm entre 17% e 21% de suas calorias diárias a partir do açúcar adicionado têm 38% mais risco de morrer por doenças cardiovasculares do que aquelas que consomem menos de 8%.

Isso significa que até mesmo uma dieta aparentemente “moderada” pode ser suficiente para causar prejuízos à pressão e ao sistema circulatório.

Estratégias práticas para reduzir o açúcar escondido Identificar o açúcar nos rótulos nem sempre é simples. Ele pode aparecer com vários nomes: sacarose, glicose, xarope de milho, maltose, dextrose e até “melado” ou “açúcar mascavo”. Para reduzir o consumo, vale adotar algumas estratégias:

Prefira carboidratos complexos, como grãos integrais, frutas e legumes, que liberam energia de forma mais lenta e equilibrada Evite bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos industrializados e chás prontos — grandes fontes de açúcares ocultos Leia os rótulos com atenção e desconfie de produtos que trazem açúcar entre os três primeiros ingredientes da lista Cozinhe mais em casa, substituindo molhos prontos e sobremesas industrializadas por versões caseiras com controle real de açúcar. Esses pequenos ajustes ajudam a reduzir a ingestão de açúcar adicionado sem eliminar o prazer de comer bem.

O sal continua sendo um risco — mas o açúcar agrava o problema O sódio é necessário para o funcionamento do corpo, mas seu excesso aumenta o volume de sangue e, consequentemente, a pressão arterial. A recomendação diária é de até 2.300 mg de sódio (cerca de uma colher de chá de sal), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O problema é que a maior parte desse sal não vem da cozinha, e sim de produtos prontos: embutidos, pães, enlatados, sopas instantâneas e refeições de restaurante. Quando o alto teor de sódio é combinado com muito açúcar, os efeitos sobre o coração e os rins se multiplicam.

O açúcar aumenta a produção de insulina, e ela, por sua vez, faz o corpo reter ainda mais sódio, uma combinação explosiva para quem já tem tendência à hipertensão...

Tudo Gostoso

De desenhos minimalistas no pulso a “mangas” completas nos braços, a arte corporal tornou-se tão comum que mal chama mais atenção. Mas embora o significado pessoal de uma tatuagem possa ser óbvio, as consequências biológicas são muito menos visíveis.

Uma vez que a tinta da tatuagem entra no corpo, ela não fica no lugar. Sob a pele, os pigmentos da tatuagem interagem com o sistema imune de maneiras que os cientistas estão apenas começando a entender.

As tatuagens são geralmente consideradas seguras, mas um crescente corpo de evidências científicas sugere que as tintas das tatuagens não são biologicamente inertes.

A questão principal não é mais se as tatuagens introduzem substâncias estranhas no corpo, mas quão tóxicas essas substâncias podem ser e o que isso significa para a saúde a longo prazo.

As tintas de tatuagem são misturas químicas complexas. Elas contêm pigmentos que dão cor, veículos líquidos que ajudam a distribuir a tinta, conservantes para impedir o crescimento microbiano e pequenas quantidades de impurezas.

Muitos pigmentos atualmente em uso foram originalmente desenvolvidos para aplicações industriais, como tintas automotivas, plásticos e toner de impressora, e não para injeção na pele humana.

Algumas tintas contêm traços de metais pesados, incluindo níquel, cromo, cobalto e, ocasionalmente, chumbo. Metais pesados podem ser tóxicos em certos níveis e são bem conhecidos por desencadear reações alérgicas e sensibilidade imune.

As tintas para tatuagem também podem conter compostos orgânicos, incluindo corantes azóicos e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos.

Os corantes azóicos são corantes sintéticos amplamente utilizados em têxteis e plásticos. Sob certas condições, como exposição prolongada à luz solar ou durante a remoção de tatuagens a laser, eles podem se decompor em aminas aromáticas. Essas substâncias químicas têm sido associadas ao câncer e a danos genéticos em estudos de laboratório.

Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, frequentemente abreviados para PAHs, são produzidos durante a queima incompleta de material orgânico e encontrados na fuligem, nos gases de escape dos veículos e nos alimentos carbonizados. As tintas pretas para tatuagem, geralmente feitas de negro de fumo, podem conter esses compostos, alguns dos quais são classificados como cancerígenos.

Tintas coloridas, particularmente vermelhas, amarelas e laranjas, são mais frequentemente associadas a reações alérgicas e inflamação crônica. Isso se deve, em parte, aos sais metálicos e pigmentos azóicos que podem se degradar em aminas aromáticas potencialmente tóxicas.

A tatuagem envolve a injeção de tinta profundamente na derme, a camada da pele abaixo da superfície. O corpo reconhece as partículas de pigmento como material estranho. As células imunes tentam removê-las, mas as partículas são muito grandes para serem totalmente eliminadas. Em vez disso, elas ficam presas dentro das células da pele, o que torna as tatuagens permanentes.

Mas a tinta da tatuagem não fica confinada à pele. Estudos mostram que as partículas de pigmento podem migrar através do sistema linfático e se acumular nos gânglios linfáticos. Os gânglios linfáticos são pequenas estruturas que filtram as células imunes e ajudam a coordenar as respostas imunes. Os efeitos a longo prazo da acumulação de tinta nestes tecidos para a saúde ainda não são claros, mas o seu papel central na defesa imune suscita preocupações quanto à exposição prolongada a metais e toxinas orgânicas.

Tatuagens e o sistema imune Um estudo recente sugere que os pigmentos comumente usados em tatuagens podem influenciar a atividade imune, desencadear inflamações e reduzir a eficácia de certas vacinas. Os pesquisadores descobriram que a tinta da tatuagem é absorvida pelas células imunes da pele.

Quando essas células morrem, elas liberam sinais que mantêm o sistema imune ativado, levando à inflamação nos gânglios linfáticos próximos por até dois meses.

O estudo também descobriu que a tinta de tatuagem presente no local da injeção de vacinas alterou as respostas imunes de maneira específica às vacinas. Notavelmente, isso foi associado a uma resposta imune reduzida à vacina contra a COVID-19.

Isso não significa que as tatuagens tornam as vacinas inseguras. Em vez disso, sugere que os pigmentos de tatuagem podem interferir na sinalização imune, o sistema de comunicação química que as células imunes usam para coordenar as respostas à infecção ou vacinação, sob certas condições.

Atualmente, não há evidências epidemiológicas sólidas que relacionem tatuagens ao câncer em humanos. Mas estudos em laboratório e em animais sugerem riscos potenciais. Certos pigmentos de tatuagem podem se degradar com o tempo, ou quando expostos à luz ultravioleta ou à remoção de tatuagem a laser, formando subprodutos tóxicos e às vezes cancerígenos.

Muitos tipos de câncer levam décadas para se desenvolver, tornando esses riscos difíceis de estudar diretamente, especialmente considerando o quão recente é a disseminação das tatuagens.

Os riscos à saúde mais bem documentados das tatuagens são reações alérgicas e inflamatórias. A tinta vermelha está particularmente associada a coceira persistente, inchaço e granulomas. Granulomas são pequenos nódulos inflamatórios que se formam quando o sistema imune tenta isolar materiais que não consegue remover.

Essas reações podem aparecer meses ou anos após a aplicação da tatuagem e podem ser desencadeadas pela exposição ao Sol ou por alterações na função imune. A inflamação crônica tem sido associada a danos nos tecidos e aumento do risco de doenças. Para pessoas com doenças autoimunes ou sistema imune enfraquecido, as tatuagens podem representar preocupações adicionais.

Riscos de infecção Como qualquer procedimento que perfura a pele, a tatuagem acarreta algum risco de infecção. A falta de higiene pode levar a infecções por bactérias como Staphylococcus aureus, os vírus da hepatite B e C e, em casos raros, infecções micobacterianas atípicas.

Um dos maiores desafios na avaliação da toxicidade das tatuagens é a falta de regulamentação consistente. Em muitos países, as tintas para tatuagem são regulamentadas de forma muito menos rigorosa do que os cosméticos ou produtos médicos, e os fabricantes não são obrigados a divulgar a lista completa de ingredientes.

A União Europeia introduziu limites mais rigorosos para substâncias perigosas nas tintas de tatuagem, mas, globalmente, a fiscalização continua desigual.

Para a maioria das pessoas, as tatuagens não causam problemas graves de saúde, mas elas não são isentas de riscos. As tatuagens introduzem no corpo substâncias que nunca foram concebidas para permanecerem a longo prazo nos tecidos humanos, algumas das quais podem ser tóxicas em determinadas condições.

A principal preocupação é a exposição cumulativa. À medida que as tatuagens se tornam maiores, mais numerosas e mais coloridas, a carga química total aumenta. Combinada com a exposição ao Sol, o envelhecimento, as alterações imunes ou a remoção a laser, essa carga pode ter consequências que a ciência ainda não descobriu.

As tatuagens continuam sendo uma forma poderosa de autoexpressão, mas também representam uma exposição a produtos químicos ao longo da vida. Embora as evidências atuais não sugiram um perigo generalizado, pesquisas crescentes destacam questões importantes ainda sem resposta sobre toxicidade, efeitos imunes e saúde a longo prazo. À medida que as tatuagens continuam a se tornar mais populares em todo o mundo, os argumentos a favor de uma melhor regulamentação, transparência e investigação científica sustentada tornam-se cada vez mais difíceis de ignorar.

*Manal Mohammed é professora sênior de Microbiologia Médica na Universidade de Westminster.

Por Manal Mohammed*

Nos tempos de escola, Mara (nome fictício) não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. "Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular."

Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a ser formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: "Ok, tem algo errado aqui."

O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. "Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos", diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.

Mara enfim entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. "Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar."

Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta.

TDAH em adultos: os números estão aumentando? Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.

Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.

A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas.

Parece muito, mas como interpretar esses dados?

"Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos", afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha.

"Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então." Mito como doença da infância Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.

Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. "Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão", explica Matthies.

Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis ​​às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.

Como é o diagnóstico em adultos? O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.

"Isso não é fácil em retrospectiva", diz Matthies. "Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?" Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.

Por que diagnósticos estão aumentando? Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.

Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico.

Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.

Redes sociais: informação ou excesso de diagnósticos?

As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico.

Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. "Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado", alerta.

O que muda – e o que não muda – com o diagnóstico Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais. "É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído."

Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. "Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado."

Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. "Não gostaria de perder isso", diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.

"Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme", diz Swantje Matthies. "Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio." Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.

Como tornar sociedade mais inclusiva para quem tem TDAH? O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. "Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas." Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.

Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH.

"Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis", diz ela. "Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH."

Por Hannah Fuchs