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Autor de diversos livros sobre o tema e pesquisador do Laboratório de Pesquisas Cognitivas do Inserm (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica), em Lyon, Jean-Philippe Lachaux explica porque não podemos fazer várias coisas ao mesmo tempo.

 

Em tempos de internet e novas tecnologias, os estímulos que perturbam nossa atenção e nossa capacidade de concentrar são múltiplos. Isso porque, contrariamente ao que muitos acreditam, é impossível para o cérebro realizar duas tarefas intelectuais de uma vez.

 

Desconfie daquele amigo que jura ser capaz de conversar com alguém ao mesmo tempo que não desgruda do celular. Ele certamente não está prestando atenção no que você está falando, como explica Jean Philippe Lachaux. Ele também é o autor de diversos livros sobre o assunto.

 

A equipe do pesquisador francês estuda os mecanismos cerebrais que são ativados quando estamos atentos e mais especificamente os neurônios envolvidos no processo, incluindo os aspectos químicos e fisiológicos das sinapses.

 

   “Há duas maneiras de ser multitarefa. A primeira é executar duas ações simultaneamente, sendo que uma delas dever automática. Dirigir ouvindo rádio, por exemplo, ou andar de bicicleta e cantar. Agora, fazer duas coisas ao mesmo tempo que precisam de atenção, como verificar seus e-mails durante uma reunião, exige que você alterne rapidamente seu foco: ouvir o que a pessoa está dizendo e discretamente verificar suas mensagens ao mesmo tempo”, explica.

 

Essa alternância, diz o neurocientista francês, atrapalha a capacidade de concentração e de compreensão da mensagem que está sendo lida e respondida. Além disso, também impede o indivíduo de entender perfeitamente o que está sendo dito na reunião. Essa situação, por mais que pareça banal, contraria a natureza cerebral e “fragmenta a vida cognitiva”, afirma Jean-Philippe Lachaux.

 

   “Fala-se muito em plasticidade do cérebro, como se ele fosse capaz de fazer de tudo. Não é verdade. O cérebro é capaz de muitas coisas. Podemos aprender a tocar guitarra aos 40 ou 50 anos, ou usar um computador. É evidente que algumas redes neuronais podem se organizar para aprender uma nova tarefa. Por outro lado, o que é provavelmente falso, é afirmar que o cérebro é suficientemente plástico para, em um mundo dominado pelas novas tecnologias, conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo”, defende.

 

Para realizar várias tarefas de forma simultânea, que exigem atenção e concentração, o cérebro deveria ser capaz de utilizar a mesma rede neuronal nas ações, o que é fisiologicamente impossível. Esse é o caso de atividades gerenciadas pelo córtex pré-frontal, como a compreensão de um texto.

 

O resultado pode ser observado em diversas situações da vida cotidiana. Quando estamos concentrados em algo, por exemplo, e somos interrompidos com uma pergunta, a única maneira é parar o que está se fazendo (e recomeçar tudo em seguida) ou dar uma resposta monossilábica, automática. A automatização, que engloba ações que podem ser realizadas sem reflexão, mobiliza um grupo de neurônios diferentes dos que são solicitados pela atenção.

 

Todas as tarefas que exigem a criação de um universo mental, abstração e criatividade necessitam de concentração total, lembra o pesquisador francês. “Esse processo exige uma atividade mental prolongada. Toda vez que você se distrai, precisa recomeçar do zero para recriar essa mesma imagem mental”, observa o neurocientista.

 

Estresse, o inimigo número 1 da atenção

A dopamina é um dos principais neurotransmissores envolvidos no processo da atenção. Sua falta pode gerar um cenário caótico no cérebro, e nesse caso são necessários tratamentos específicos. O estresse também exerce uma influência nefasta, desequilibrando a descarga hormonal de dopamina.

 

Mas em grande parte dos casos onde há problemas de concentração, pode-se melhorar a capacidade de manter o foco com exercícios cognitivos. Apostando nessa tese, a equipe de Jean-Philipe Lachaux desenvolve atualmente um projeto que tem como alvo alunos de até 11 anos de 450 classes da região de Lyon. Batizado de ATOLE (Attentif à l'école, Atento na escola em tradução livre), ele visa desenvolver a capacidade da atenção dos estudantes com uma série de fichas pedagógicas desenvolvidas especificamente para trabalhar a atenção.

 

As crianças aprendem a fragmentar suas tarefas em ações simples, que podem ser concluídas em um curto espaço de tempo. Segundo o pesquisador, isso ajudará o cérebro a fazer uma triagem do que é importante ou não.

 

“É um programa que visa crianças mais jovens, antes de elas terem acesso às redes sociais ou um telefone celular. O objetivo é ensiná-los a controlar a atenção, para prepará-los antes que eles sejam completamente capturados por esses dispositivos”. Para quem já está “contaminado” pelas novas tecnologias, buscar o foco pode dar mais trabalho, mas não é impossível. “É um processo que se aprende”, conclui o cientista francês.

 

RFI

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) desenvolveu um teste capaz de detectar anticorpos específicos do vírus Zika em amostras de soro sanguíneo e baixo risco de reação cruzada com microorganismos parentes do Zika. O objetivo é incluir esse teste entre os exames de pré-natal, para que as gestantes que não tenham sido infectadas possam se prevenir usando repelente e evitando viajar para áreas de risco. O teste deve chegar ao mercado ainda neste ano.

 

“O teste sorológico para detecção de anticorpos do tipo IgG (imunoglobulina G), que são aqueles que permanecem no organismo durante muitos anos após a infecção, está em fase final de desenvolvimento”, disse a oordenadora do projeto, Danielle Bruna Leal de Oliveira, pesquisadora do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e coordenadora do projeto.

 

Segundo a Fapesp, desde que foi criada a Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika), em 2016, esse tipo de método diagnóstico é considerado uma das prioridades na área. Os cientistas dizem que o método é essencial para responder a várias questões estratégicas para qualquer plano de ação contra a doença, especificando com mais precisão os casos, a porcentagem de gestantes no grupo de infectados e quantas mulheres correm o risco de ter filhos com problemas neurológicos decorrentes da infecção congênita.

 

Segundo Danielle, os exames para diagnóstico existentes atualmente só funcionam na fase aguda de infecção ou apenas detectam anticorpos contra o Zika com baixa especificidade. “Os testes sorológicos hoje no mercado têm especificidade entre 69% e 75%, ou seja, há pelo menos 25% de chance de o resultado ser falso positivo, caso o paciente já tenha sido infectado pelo vírus da dengue no passado. Já o nosso teste tem especificidade de 93% para o Zika.”

 

De acordo com a pesquisadora, uma das dificuldades para detecção do vírus é a de que a proteína usada no exame é muito parecida com a existente na dengue e na febre amarela, entre outras. “Para resolver esse problema, nós usamos uma versão editada da proteína, ou seja, foi selecionado apenas o trecho da molécula que é mais específico para o Zika.”

 

Como as amostras são expostas ao vírus da dengue para extrair todas as amostras de anticorpos dessa doença, o resultado demora cerca de três horas para sair. No método mais simples, o prazo era de duas horas e 20 minutos. “Mas estamos trabalhando para baixar esse tempo. A meta é que seja ainda menor que o do método padrão, pois o objetivo é usar na triagem de pacientes em hospitais”, disse Danielle.

 

Outra vantagem do método é o baixo custo, que deve ser em torno de R$ 10 a R$ 12 por paciente. De acordo com Danielle, no ano passado, o foco do estudo foi na detecção do IgG e neste ano a pesquisa deve ser direcionada para uma ferramenta que detecte também o IgM (imunoglobulina M), que permanece no organismo por até quatro meses após o término da infecção pelo Zika.

 

Agência Brasil

gravdA vacinação durante a gravidez ainda é um tabu. Muitas gestantes têm medo de tomar vacina e prejudicar o bebê, por isso, preferem não conversar com os médicos sobre o assunto.

 

Ao se vacinar, além de cuidar da própria saúde, a gestante transfere os anticorpos para o feto por meio da placenta e, depois do parto, pelo leite materno. Esta proteção é fundamental para o início da vida, época em que o sistema imunológico ainda não sabe lidar com as ameaças externas.

 

“Vale destacar que aproximadamente 11% dos nascidos no Brasil são prematuros, grupo extremamente suscetível a infecções, em especial às respiratórias. Vacinar a gestante aumenta o peso do bebê, reduz a prematuridade e os riscos para os que nascem antes de completar 40 semanas”, explica o diretor do Departamento de Imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria, e vice-presidente da Sbim, Renato Kfouri.

 

A cobertura vacinal das gestantes é considerada insatisfatória no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2017, apenas 38% das gestantes tomaram a vacina tríplice bacteriana acelular, que protege contra a coqueluche, a difteria e o tétano.

 

Outro dado aponta que apenas 56% das gestantes tomaram a vacina contra a hepatite B entre 1994 e 2017.

 

Para mudar esta realidade, a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) lançou a campanha “Calendário de vacinação da gestante: um sucesso de proteção para mãe e filho”. A ideia é conscientizar sobre a importância das vacinas antes e durante a gravidez.

 

De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Imunização, o ideal seria que a mulher fosse vacinada ainda na adolescência, mas muitas não procuram a rede básica de saúde para colocar a vacinação em dia.

 

“Muitas vacinas estão disponíveis no SUS, a mulher não precisa esperar ficar gestante para receber a vacina. Ela pode já estar vacinada quando ficar grávida”, explica Carla.

 

Como a vacinação não acontece na adolescência, ela deve ser feita durante a gestação.

 

Vacinas indicadas para grávidas

 

A madrinha da campanha é a atriz da RecordTV, Juliana Didone, que está grávida de oito meses de uma menina que vai se chamar Liz. “Há muita informação sobre a restrição para pintar os cabelos e consumir bebidas alcoólicas, por exemplo, mas a vacinação ainda é pouco divulgada”, conta a atriz.

 

Durante a gravidez a mulher pode tomar algumas vacinas que, além de proteger a mãe, vão evitar um parto prematuro e que o bebê sofra as consequências de uma infecção grave.

 

As vacinas indicadas para todas as grávidas são as que protegem contra a influenza, um tipo grave de gripe, hepatite B, difteria, tétano e coqueluche. Todas são elaboradas a partir de vírus inativados e não oferecem risco.

 

Em situações especiais, como alto risco de contaminação, as grávidas também podem tomar vacinas contra hepatite A, meningite e febre amarela.

 

Vacinas proibidas para grávidas

 

Vacinas contra doenças virais como varicela, rubéola, sarampo e caxumba devem ser tomadas antes do início da gestação.

 

Grávidas também estão proibidas de tomar as vacinas contra a dengue e contra o papilomavírus, conhecido como HPV.

 

No caso da coqueluche, é importante vacinar toda a família. De acordo com a Sbin, 75% dos bebês infectados com a coqueluche, contraem a doença dentro de casa. Dos 2.955 casos de coqueluche registrados no Brasil em 2015, 62,6% aconteceram em menores de 1 ano. Das 35 mortes, 30 foram em menores de 3 meses.

 

O esquema de vacinação da criança contra a coqueluche só é concluído por volta dos seis meses de idade. "Até lá, as crianças são mais suscetíveis à morte pela doença, em geral assintomática em adultos. A vacinação de gestantes e familiares é estratégia mundial para prevenir a infecção em bebês”, explica a presidente da Sbim, Isabella Ballalai.

 

r7

Foto:

tatuagemVocê já parou para pensar no porquê as tatuagens duram a vida inteira e são tão difíceis de remover – mesmo com lasers – se a nossa pele se regenera tão rapidamente? Basicamente, nosso corpo trata a tatuagem como uma infecção. A tinta injetada na pele é ‘engolida’ pelos macrófagos, células de defesa do organismo, como se fosse um patógeno invasor.

 

Se a nossa pele passa por um ciclo de regeneração constante, no qual as células ‘velhas’, incluindo os macrófagos, morrem para serem substituídas por novas, seria lógico que o pigmento da tatuagem desaparecesse junto com essas células. Então, por que isso não acontece?

 

De acordo com o estudo publicado no periódico científico Journal of Experimental Medicine, a tinta ‘ingerida’ pelo macrófago é liberada na derme, camada intermediária da pele, quando ele morre e é absorvida pelas células circundantes. Esse ciclo continua praticamente para sempre. Na prática, isso significa que a tatuagem se renova junto com a pele.

 

A descoberta dos pesquisadores da Universidade Aix Marseille, na França, refuta as teorias anteriores de que o pigmento tatuado mancha a pele, ligando a permanência de uma tatuagem à longevidade celular, em vez da regeneração celular. “Nós também demonstramos que as partículas de pigmento da tatuagem podem sofrer ciclos sucessivos de captura-liberação-recaptura sem desaparecerem”, explicaram os autores do estudo em seu artigo.

 

Remoção mais eficiente

Essa teoria ainda precisa ser testada em humanos – até o momento, a hipótese se comprovou apenas em roedores. Mas os pesquisadores acreditam que os resultados se aplicam a humanos e que eles podem indicar formas mais efetivas de remoção de tatuagens, como a remoção cirúrgica dos macrófagos cheios de tinta, em conjunto com o laser.

 

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IStock/Getty Images