O Ministério da Saúde criou o PNCT (Programa Nacional de Controle do Tabagismo) no SUS (Sistema Único de Saúde), que passa a oferecer tratamento para o tabagismo e dependência da nicotina. A medida foi publicada nesta terça-feira (13) no Diário Oficial e tem como objetivo reduzir a prevalência de usuários no país.

A PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) aponta que o Brasil, em 2019, ainda mantinha 12,8% da população usuária de derivados do tabaco, além de 9,2% de fumantes passivos. De acordo com a OMS (Organização Mundia de Saúde), a cada dia, no país, 443 pessoas morrem por causa do tabagismo.

Segundo a publicação, o novo PNCT tem a missão de "articular a rede de tratamento do tabagismo no SUS, o Programa Saber Saúde, as campanhas e outras ações educativas e a promoção de ambientes livres da fumaça do tabaco". Caberá às secretarias Estaduais e Municipais de Saúde implementar o programa em suas áreas de atuação e a coordenação nacional será do Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Além da gestão, o novo PNCT deverá atuar em três outros eixos: o cuidado integral, que inclui prevenção e promoção da saúde; educação; e vigilância. Tratamento, prevenção da iniciação ao tabagismo e proteção da exposição à fumaça, para evitar o consumo passivo, são ações ligadas ao cuidado integral.

No eixo educação o novo programa prevê qualificação de profissionais de saúde, gestores do PNCT, profissionais de vigilância sanitária, além do fomento de ações educativas voltadas à população. Já o eixo vigilância em saúde é voltado para ações de monitoramento de consumo do tabaco e seus derivados, assim como de outros produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, e até de produtos ilegais.

Agências Brasil

Um novo estudo, publicado nesta segunda-feira (12) na revista Cancer Cell, reforça a relação entre a obesidade e o risco aumentado de desenvolver câncer, mas, pela primeira vez, mostra como a localização da gordura pode tornar mais alta essa probabilidade.

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De modo geral, os autores associaram todos os tipos de câncer, exceto os cerebrais, cervicais e testiculares, à obesidade. Eles constataram, após análise de dados de mais de 500 mil residentes no Reino Unido com idade entre 37 e 73 anos, que o risco do câncer de mama só aumenta em mulheres após a menopausa.

"O mais notável é que a obesidade é apenas um fator de risco para câncer de mama após a menopausa, provavelmente devido à mudança na produção de estrogênio em associação com a menopausa", comentou em comunicado a autora sênior do estudo, Åsa Johansson, da Universidade Uppsala, na Suécia.

Os pesquisadores descobriram ainda que, quanto maior a proporção de gordura abdominal, maior é o risco de câncer esofágico (carcinoma de células escamosas do esôfago) em mulheres.

"A gordura armazenada no abdômen é considerada mais patogênica em comparação com a gordura subcutânea", acrescenta a pesquisadora.

Ainda em pacientes do sexo feminino, o acúmulo geral de gordura estava ligado a um risco elevado de câncer de vesícula biliar e de endométrio.

Já os homens obesos apresentavam maior propensão a desenvolver câncer de mama, de fígado e renal.

O estudo serve como mais um alerta em relação ao perigo da obesidade para a saúde ao longo dos anos.

"Dadas as taxas crescentes de obesidade em todo o mundo, ela é agora o fator de risco de crescimento mais rápido para o perigo geral de câncer. Medidas para prevenir e reduzir a ocorrência de obesidade e sobrepeso são, portanto, altamente motivadas. No entanto, é importante considerar que a redução de peso não elimina o risco de câncer", afirma o primeiro autor do estudo, Mathias Rask-Andersen, também da Universidade Uppsala.

Agora, o grupo de pesquisadores pretende avançar em novas pesquisas que tragam respostas sobre os mecanismos moleculares subjacentes aos achados, incluindo os fatores de risco genéticos e ambientais para o câncer, que variam ao longo da vida de um indivíduo.

R7

Foto: Getty Images

Uma pesquisa realizada pela Recover Covid (Iniciativa de Pesquisa em Covid para Melhorar a Recuperação) mostrou que dores de cabeça, fraqueza e tosse crônica estão entre as principais sequelas relatadas por pacientes que passaram pela Covid longa - que excede 30 dias de infecção.

Essas são algumas das 37 consequências listadas na forma persistente da doença, no estudo publicado na JAMA (Journal of the American Medical Association) Network. A investigação contou com 9.764 participantes, divididos entre infectados e não-infectados, que relataram os impactos da doença na saúde física e no bem-estar, comparando os resultados com o segundo grupo.

Entre os 37 sintomas relatados, estão a fadiga, tontura, confusão mental, sintomas gastrointestinais, palpitações, mudanças no desejo ou capacidade sexual, perda ou alteração no olfato ou no paladar, sede, tosse persistente, dores no peito, movimentos anormais, boca seca, fraqueza, dores de cabeça, tremores, dores musculares e abdominais, febre, calafrios e distúrbios do sono.

Ainda, foram constatados sintomas menos comuns, como a perda de cabelo, erupções cutâneas e mudanças na cor da pele. O estudo mostrou, também, que a Covid longa foi mais frequente entre os participantes não-vacinados, quando comparados aos que foram imunizados. Os sintomas foram mais graves em pacientes infectados antes da variante Ômicron circular.

R7

A obesidade e o sobrepeso são apontadas como grandes causas do desgaste e degeneração das articulações, por causar um trauma repetitivo no joelho por conta da ‘sobrecarga’. Mas não é só essa explicação para a obesidade ser maléfica para as articulações: um estudo recente descobriu que ela muda o ambiente dentro das articulações das pessoas, promovendo condições pró-inflamatórias que pioram a artrite. “Os pesquisadores descobriram que células específicas no tecido de revestimento articular (sinóvia) de pacientes com osteoartrite estão sendo alteradas devido a fatores associados à obesidade”, explica o Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

Segundo o médico, pesquisas anteriores mostraram que o tecido adiposo que foi metabolicamente alterado pela obesidade libera proteínas chamadas citocinas e adipocinas, que são conhecidas por promover a inflamação em todo o corpo. “Esse estudo, no entanto, observou que em células retiradas de biópsias de articulações artríticas, a obesidade também altera o ambiente dentro da própria articulação, deixando as células na articulação vulneráveis a serem 'transformadas' naquelas que promovem a inflamação”, acrescenta o médico.

Assim, a obesidade poderia promover o tipo de inflamação destrutiva nas articulações que vai muito além do esperado pelo desgaste, pois acontece mesmo em articulações que não suportam peso, como as mãos. “Mas com essa observação, concluímos que a obesidade é duplamente lesiva aos joelhos: por conta do excesso de peso e em razão da inflamação gerada dentro da articulação”, destaca o médico. “A obesidade está criando um ambiente no corpo que está afetando negativamente as células chamadas fibroblastos sinoviais, que são células-tronco envolvidas na regulação do fluido lubrificante das articulações. Então, como maçãs-podres em um barril, eles começam a afetar toda a articulação, aumentando a secreção de substâncias químicas que degradam a articulação e aumentam a progressão da osteoartrite", acrescenta o médico.

A pesquisa O peso não foi elencado como o fator determinante para afetar as células das articulações, levando a uma maior inflamação, segundo a pesquisa. A equipe de pesquisadores usou informações de biópsia de uma variedade de articulações, incluindo articulações que suportam peso, como quadris e joelhos, bem como as mãos, para determinar se a tensão física adicional nas articulações associada à obesidade estava impulsionando citocinas pró-inflamatórias. Os resultados descobriram que houve impactos independentes da obesidade nas articulações que suportam e não suportam carga, e que entre os 16 pacientes com IMC acima de 30, o peso sozinho não foi responsável pelas alterações moleculares nessas articulações. “Este estudo fornece mais evidências de que a osteoartrite não é apenas inevitável 'desgaste', mas o resultado de alterações bioquímicas complexas e diversas na articulação.

A pesquisa revelou que a obesidade pode levar a uma alteração nas células do revestimento articular para torná-las mais inflamatórias, e que essas alterações ocorrem não apenas nas articulações que suportam carga, como joelho e quadril, mas também nas articulações que não suportam carga, como a mão”, explica o médico. Os pesquisadores acreditam que as descobertas aumentam a compreensão do que pode causar osteoartrite, aproximando da descoberta de tratamentos mais eficazes no futuro. “Mas devemos lidar com também o problema metabólico, incentivando o paciente a adotar novos hábitos de vida”, finaliza o médico.

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