O Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella (IDTNP) obteve um importante reconhecimento ao figurar na Lista Positiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dos serviços de saúde que notificaram incidentes e eventos adversos relacionados à assistência à saúde ao longo do ano de 2022. Essa inclusão é um testemunho da preocupação da unidade de saúde em promover cuidados de qualidade e segurança tanto no curto quanto no longo prazo durante o tratamento, visando sempre à promoção da saúde.

natanportela

A Lista Positiva da Anvisa é composta por hospitais que receberam uma notificação de seus incidentes relacionados à assistência à saúde durante todos os meses do ano anterior. Esses incidentes incluem, por exemplo, lesões por pressão (escaras) e infecções. As notificações de incidentes levam a uma cultura de segurança e boas práticas no ambiente hospitalar.

“Notificar é assumir um compromisso com a qualidade daquilo que se entrega, é agir de forma transparente e ética com os nossos pacientes, aumentando a confiabilidade do sistema de saúde. Um serviço que notifica seus incidentes demonstra cultura de segurança madura e participativa, priorizando as boas práticas nos seus processos de trabalho. A notificação significa que o hospital já reconheceu internamente suas oportunidades de melhorias e está trabalhando nelas para fortalecer a sua assistência”, explicou a enfermeira Susane Castro, coordenadora do Setor de Qualidade do IDTNP.

O IDTNP se destaca ao receber este reconhecimento, comprovando o esforço da equipe em aprimorar constantemente seus processos e práticas, com o intuito de proporcionar um atendimento de excelência aos pacientes.

“Essa conquista é motivo de orgulho para uma instituição e também para a população do Piauí, que conta com um serviço de saúde comprometido com a segurança e a qualidade dos cuidados oferecidos”, disse o superintende de média e alta complexidade da Sesapi, Dirceu Campelo.

A lista da agência reforça o compromisso da unidade de saúde em manter altos padrões de qualidade, estabelecendo-se como uma referência no tratamento de doenças tropicais e na prestação de cuidados de saúde eficazes e seguros.

“Estar na lista positiva da Anvisa é um demonstrativo da nossa missão de oferecer um atendimento de qualidade aos nossos pacientes. Temos o compromisso de trabalhar para identificar áreas de melhoria e implementar as medidas necessárias para fortalecer ainda mais a qualidade e a segurança dos nossos seus serviços”, afirmou o diretor do instituto, dr Jurandir Martins.

O feito indica que o Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella está na vanguarda dos hospitais comprometidos em fornecer uma assistência à saúde de qualidade, além de incentivar o aprendizado contínuo para garantir a segurança e bem-estar dos pacientes e funcionários.

Sesapi

A prática de exercícios físicos resistidos, como musculação, é capaz de prevenir ou ao menos atrasar o aparecimento de sintomas de Alzheimer e funciona como uma terapia simples e acessível para pacientes com a doença. A conclusão foi publicada por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da USP (Universidade de São Paulo) na revista Frontiers in Neuroscience.

Apesar de idosos e pacientes com demência dificilmente estarem aptos a realizar exercícios aeróbicos de alta intensidade, como corrida, essas atividades são o foco da maioria dos trabalhos científicos relacionados à doença de Alzheimer. A OMS (Organização Mundial de Saúde), por sua vez, recomenda o exercício resistido como melhor opção para a manutenção do equilíbrio e da postura e, consequentemente, a prevenção de quedas. O exercício resistido é caracterizado por contrações de músculos específicos contra uma resistência externa, sendo considerado uma estratégia essencial para aumentar a massa muscular, a força e a densidade óssea, bem como melhorar a composição corporal geral, a capacidade funcional e o equilíbrio. Além disso, ajuda a prevenir ou mitigar a sarcopenia (fraqueza muscular), facilitando o desempenho das tarefas do dia a dia.

Para observar os efeitos neuroprotetores dessa prática, pesquisadores dos departamentos de Fisiologia e Psicobiologia da Unifesp e de Bioquímica do IQ-USP (Instituto de Química da USP) conduziram experimentos com camundongos transgênicos que possuem uma mutação responsável pelo acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro. Essas proteínas se agrupam no sistema nervoso central, comprometem a transmissão de sinapses e causam danos aos neurônios, sendo consideradas marcas típicas da doença de Alzheimer.

Durante o estudo, financiado pela FAPESP, os animais foram treinados para subir uma escada de 110 cm de altura, com inclinação de 80o e degraus separados por dois cm de distância. Uma carga progressiva de 75%, 90% e 100% de seu peso foi acoplada nas caudas. O exercício mimetiza o que pode ser feito em equipamentos utilizados em academias para esse propósito.

Ao fim do treinamento, que durou quatro semanas, amostras de sangue dos camundongos foram colhidas e os níveis de corticosterona (hormônio equivalente ao cortisol em humanos, cujo aumento está relacionado ao estresse e, consequentemente, a um risco maior de desenvolver a doença de Alzheimer), foram medidos. As análises mostraram que o teor desse hormônio nos roedores treinados foi normalizado, igualando-se ao do grupo-controle, composto por animais saudáveis (sem a mutação). A análise do cérebro revelou também diminuição na formação de placas beta-amiloide.

“Isso confirma que a atividade física pode reverter alterações neuropatológicas que causam os sintomas clínicos da doença”, diz o coautor do estudo Henrique Correia Campos.

“Observamos também o comportamento dos camundongos para avaliar sua ansiedade em campo aberto [os animais se movimentavam livremente em uma arena enquanto os cientistas mensuravam o número de vezes que cruzavam o centro] e vimos que o exercício resistido diminuiu a hiperlocomoção naqueles que tinham o fenótipo relacionado à doença de Alzheimer, igualando-a à do grupo-controle”, conta Deidiane Elisa Ribeiro, pesquisadora do Laboratório de Neurociências do IQ-USP, que divide a primeira autoria do artigo com Campos. Esse movimento é interpretado como a agitação característica de alguns pacientes com Alzheimer ou outro tipo de demência.

“O exercício físico resistido se confirma cada vez mais como estratégia efetiva para evitar o surgimento dos sintomas de Alzheimer esporádica [não associada a uma mutação herdada], que é multifatorial e pode estar relacionada ao envelhecimento, ou para retardá-los nos casos da forma familiar da doença”, resume Beatriz Monteiro Longo, professora de neurofisiologia da Unifesp e coordenadora do trabalho. “A principal possível razão para isso é sua ação anti-inflamatória.”

Revisão de estudos

O trabalho em modelo animal teve como base uma revisão de estudos publicada pelo mesmo grupo da Unifesp na Frontiers in Neuroscience, que fornece evidências clínicas de que exercícios físicos resistidos são de fato benéficos para minimizar o déficit nas funções cognitivas e comportamentais causado pela doença de Alzheimer e podem ser propostos como terapia alternativa acessível.

“Além do paciente, a doença de Alzheimer afeta também toda a família, especialmente se ela for de baixa renda”, diz Caroline Vieira Azevedo, autora do artigo de revisão. “Os dois trabalhos trazem informações que podem ser usadas para estimular a criação de políticas públicas. Imagine a redução de gastos ao se retardar em dez anos o aparecimento de sintomas em pacientes idosos.”

Também participaram da investigação pesquisadores da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto).

Agêncioa Fapesp

A ciência já sabe que a maioria dos cânceres têm relação com o estilo de vida, algo que inclui obrigatoriamente a alimentação. Nos últimos anos, vários estudos científicos investigaram o papel de certos alimentos na prevenção ou no combate ao câncer. Veja a seguir alguns deles e seus potenciais benefícios Frutas e vegetais.

alimentos

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista Nutrients, em 2017, analisou vários estudos sobre o consumo de frutas e vegetais e o risco de várias doenças crônicas, incluindo o câncer. Os resultados mostraram que indivíduos que tinham uma dieta que contemplava mais esses alimentos tiveram menor risco de câncer em geral, bem como câncer de pulmão, mama, cólon, estômago e esôfago. Isso se deve, em parte, ao alto teor de antioxidantes, vitaminas, minerais e fibras encontrados nas frutas e vegetais.

Outro estudo, de 2006, publicado no European Journal of Cancer, constatou que o consumo especialmente de crucíferos (brócolis, couve-flor, repolho, couve-de-Bruxelas, agrião, rúcula, rabanete, nabo, mostarda e acelga) e cítricos (laranja, limão, tangerina, etc.) estava associado a um risco reduzido de câncer de estômago.

Em 2010, um estudo publicado no European Journal of Cancer Prevention mostrou evidências de que o alto consumo de frutas cítricas estava relacionado a um risco reduzido de câncer de pulmão.

Um trabalho chinês publicado no jornal científico Carcinogenesis, em 2005, mostra um estudo de caso-controle em uma população no sudeste da China. Os autores descobriram que o consumo regular de chá verde estava associado a um menor risco de câncer de mama. O chá verde contém compostos bioativos, como catequinas, que têm sido associados a propriedades anticancerígenas. Estudos sugerem que o consumo regular de chá verde pode ajudar na prevenção de câncer de mama, próstata, pulmão, cólon e outros tipos de câncer Chá verde.

Uma meta-análise de 2017, publicada no jornal Nutrition and Cancer, analisou vários estudos já realizados sobre a relação entre o consumo de chá verde e o risco de câncer de próstata. Os resultados sugeriram que a bebida reduz as chances de desenvolver o tumor.

Outro trabalho, publicado no Journal of Cellular Biochemistry, cientistas investigaram os efeitos do epigalocatequinagalato (EGCG), um composto presente no chá verde, em células de melanoma humano, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Eles constataram que o EGCG, sugerindo um potencial efeito anticancerígeno.

A curcumina, um composto encontrado na cúrcuma, tem sido objeto de estudos sobre suas propriedades anticancerígenas. Pesquisas preliminares sugerem que a curcumina pode inibir o crescimento de células cancerígenas e reduzir a inflamação associada ao câncer. Em 2018, um estudo publicado no Cancer Letters revisou a literatura existente sobre o assunto e discutiu o papel da curcumina na inibição do crescimento tumoral, indução de apoptose e redução da inflamação.

Anteriormente, em 2013, um artigo publicado no Antioxidants & Redox Signaling também já havia sugerido que a curcumina pode induzir a morte celular programada e inibir o crescimento de tumores.

O papel de curcumina como uma terapia complementar para o câncer de pulmão foi sugerido em um artigo no jornal Molecular and Cellular Biochemistry.

Alguns estudos mostraram que o consumo de peixes ricos em ácidos graxos ômega-3 – como salmão, sardinha, atum, cavala, arenque e truta – pode estar associado a um menor risco de alguns tipos de câncer. Uma revisão sistemática e meta-análise, publicada no Clinical Nutrition, em 2016, concluiu que a maior ingestão de ômega-3 estava relacionada a um risco menor de tumores de mama e colorretal.

As propriedades anticancerígenas do ômega-3 incluem a inibição do crescimento tumoral, regulação da expressão gênica e modulação do sistema imunológico, de acordo com um trabalho que consta na revista Nutrition and Cancer, de 2018. No ano anterior, uma revisão publicada na Critical Reviews in Food Science and Nutrition mostra os mecanismos moleculares pelos quais os ômega-3 podem influenciar o câncer de próstata. Os autores discutiram os efeitos do ômega-3 na sinalização celular, proliferação celular, apoptose e inflamação, destacando seu potencial papel na prevenção e tratamento do câncer de próstata

O alho tem sido estudado por suas propriedades anticancerígenas. Alguns estudos sugerem que o consumo regular de alho pode estar associado a um menor risco de vários tipos de câncer, como câncer de estômago, cólon e pulmão. Um estudo realizado com 41,8 mil mulheres com idade entre 55 e 69 anos, publicado no American Journal of Epidemiology, relacionou o aumento do consumo de alho — em uma dieta que incluía também frutas e vegetais rotineiramente — a um risco 35% menor de câncer colorretal.

Apesar de uma série de estudos sobre os efeitos de determinados alimentos na prevenção ou tratamento de câncer, não se deve considerá-los isoladamente. Especialistas salientam que uma dieta rica em nutrientes, equilibrada e um estilo de vida saudável, que inclua atividade física regular, sono de qualidade e controle do peso, são fundamentais para evitar uma série de doenças crônicas, incluindo o câncer. Também não é recomendável fazer mudanças significativas na dieta sem orientação profissional.

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Foto: Freepik/Montagem/R7

A vacina contra a dengue deve estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) em até um ano e meio. Foi o que afirmou Daniel Ramos, coordenador substituto da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, em um debate na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (6). Em 2023, o Brasil contabilizou mais de 1,3 milhão de casos prováveis de dengue, com 596 mortes confirmadas e 428 sob investigação. As regiões mais afetadas são a Centro-Oeste e a Sudeste.

Ramos ressaltou que, em 1995, apenas 31,4% dos municípios brasileiros estavam infestados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika. Já em 2021, a infestação atingia 89,9% dos municípios. Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma vacina contra a dengue, porém, segundo o representante do Ministério da Saúde, levará algum tempo até que ela esteja disponível para a população. "Estamos aguardando o posicionamento oficial da OMS [Organização Mundial da Saúde], previsto para setembro", afirmou. Segundo ele, também estão em andamento os trâmites de importação do lote inicial da vacina. "Isso se deve aos procedimentos de importação do lote inicial e também à transferência de tecnologia para a Bio-Manguinhos e a Fiocruz, permitindo a produção no Brasil", completou o coordenador.

A vacina, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Taked, foi batizada de Qdenga e teve eficácia de 80% nos estudos clínicos. O imunizante é indicado para pessoas de 4 a 60 anos, com ou sem histórico prévio de dengue, e protege contra os quatro sorotipos do vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. De acordo com a Anvisa, a vacina terá administração subcutânea em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações. Alessandro Chagas, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, lamentou a falta de articulação intersetorial no combate à dengue. Segundo ele, apenas ações na área da saúde não são suficientes.

"Existem dois pontos primordiais: rever o número de agentes de combate à endemia elegíveis para receber apoio financeiro complementar da União e revisar a quantidade de agentes de combate à endemia", afirmou. Ele ressaltou que esses números não são revisados há mais de dez anos.

Chagas também defendeu a adoção de novas tecnologias no combate à dengue, como o uso da bactéria Wolbachia para impedir que o mosquito Aedes aegypti transmita a doença, uma iniciativa conduzida no país pela Fiocruz.

R7