Independentemente da forma de medir, existem diretrizes sobre a quantidade diária recomendada de açúcar adicionado ou natural a ser consumido
O que os especialistas definem como a quantidade recomendada de açúcar por dia? Para os fãs de alimentos doces e de drinks açucarados, essa é uma resposta valiosa, já que o açúcar é considerado um verdadeiro inimigo da saúde e já sabemos que é importante controlar o consumo diário.
No entanto, é comum que se pense que todo açúcar é ruim para o corpo. Será? De acordo com especialistas, isso não é totalmente verdade.
Confira o que dizem os profissionais de saúde e nutrição sobre a quantidade recomendada de açúcar por dia e quais são as diferença entre açúcares naturais e processados. Ao Real Simple, eles também explicaram como equilibrar sua ingestão de açúcar.
Quais são as recomendações da ingestão diária de açúcar Independentemente da forma de medir, existem diretrizes sobre a quantidade diária recomendada de açúcar adicionado ou natural a ser consumido. Seja em gramas, colheres de chá ou calorias, você precisa ter uma ideia do que é considerado ideal ingerir diariamente.
Açúcar adicionado: As Diretrizes Dietéticas para Americanos 2020-2025 recomendam que os açúcares adicionados não representem mais de 10% das calorias diárias. A American Heart Association sugere um consumo ainda menor, variando de 100 a 150 calorias diárias, dependendo do sexo designado ao nascer.
Açúcar natural: Não há um limite específico para a ingestão diária de açúcares naturais presentes em frutas, vegetais e leite, pois a OMS não considera esses açúcares em suas diretrizes, devido à ausência de efeitos prejudiciais associados ao seu consumo. No entanto, os açúcares naturais são incluídos na contagem de "Açúcar Total" nos rótulos dos alimentos.
Açúcar natural x açúcar adicionado: "Quando você come os açúcares naturais, seu corpo precisa fazer a extração e o refinamento. Você precisa 'trabalhar' para obter o açúcar, o que, de certa forma, neutraliza o excesso de energia que ele traz", explica o cardiologista Alejandro Junger.
Com os açúcares processados adicionados, o processo é diferente. "Se a extração já foi feita em uma fábrica, você recebe a recompensa sem o esforço, e isso leva o seu metabolismo a um desequilíbrio prejudicial à saúde", acrescenta o médico funcional. Então, qual é a diferença entre o açúcar natural e o açúcar adicionado?
Açúcares naturais: que estão presentes nas frutas, no leite e em alguns vegetais; Açúcares refinados e processados: os açúcares adicionados podem impactar negativamente a saúde. Os rótulos nutricionais agora incluem uma seção específica para açúcares adicionados, mas ainda pode ser difícil identificá-los em diversos alimentos. Como os açúcares processados afetam nossa saúde Com o tempo, o excesso do consumo de açúcar pode causar inflamação e deixar o corpo lento, causando desequilíbrios de peso, afetando o humor e levando a condições perigosas, como o diabetes tipo 2 e doenças cardíacas.
"É como ar para o fogo da inflamação, que começa se manifestando como resistência à insulina, depois endurecimento das artérias, seguido por um efeito de bola de neve que termina em uma avalanche", diz o Dr. Junger.
Os açúcares naturais são saudáveis? O açúcar natural pode ser encontrado em frutas, vegetais e muitos produtos lácteos. Esse termo se refere ao açúcar encontrado naturalmente no alimento, não é adicionado a ele. "Os açúcares são importantes para a vida e o reparo celular", explica o cardiologista.
No entanto, embora seja fundamental controlar a ingestão de açúcar, uma dieta sem açúcar não é uma escolha sustentável para a maioria das pessoas, nem saudável, como explica Holly Lorusso, instrutora de diabetes no Yale New Haven Hospital.
"Nosso corpo precisa de algum tipo de carboidrato. Quando não estamos ingerindo esses alimentos, nos sentimos preguiçosos e cansados", afirma ela, ressaltando que todos os carboidratos são decompostos em nosso corpo como açúcar.
Isso inclui amidos (grãos, legumes e batatas), vegetais, frutas e laticínios: "Muitos desses alimentos contêm açúcar natural, mas são benéficos com todos os outros nutrientes que contêm."
Como equilibrar sua ingestão de açúcar natural Uma dieta equilibrada é importante. Quando se trata de açúcar, em geral, não deve ser consumido em excesso. "Procure consumir de 40 a 50% do total de calorias provenientes de carboidratos", diz Lorusso.
Mas isso também depende muito do seu estilo de vida, como aponta Junger: "Se você estiver correndo uma maratona ou trabalhando duro fisicamente, talvez precise de mais carboidratos do que se estiver apenas descansando na praia."
"Se estiver grávida ou lutando contra a gripe, suas necessidades de açúcar podem ser dez vezes maiores do que em outras ocasiões", acrescenta.
Os especialistas alertam que é melhor comer uma banana com 14 gramas de açúcar (natural) do que um lanche processado com baixo teor de açúcar. Essas escolhas ajudarão a reduzir seu consumo de açúcar.
Você sabia que dar mais passos por dia pode ser um aliado na prevenção da depressão? Um estudo recente publicado na Revista JAMA Online revelou que caminhar 7.000 ou mais passos diariamente está associado a uma redução significativa dos sintomas depressivos e a um risco 31% menor de desenvolver a condição, comparado a quem caminha menos.
A pesquisa, que analisou dados de mais de 96 mil pessoas entre 18 e 91 anos, trouxe evidências sólidas sobre a relação entre a atividade física e a saúde mental.Compre vitaminas e suplementos
Com os índices de depressão crescendo em todo o mundo, entender como ações simples, como caminhar, podem trazer benefícios à mente é essencial para melhorar a qualidade de vida.
Como Caminhar Ajuda a Melhorar a Saúde Mental? Os benefícios de caminhar vão além da saúde física, alcançando a mente de forma significativa. A pesquisa mostrou que há uma relação inversa entre o número de passos dados por dia e os sintomas de depressão. Ou seja, quanto mais passos, menores são os níveis de sintomas depressivos.Compre vitaminas e suplementos
A explicação está no impacto da atividade física no cérebro. Caminhar estimula a produção de endorfina, o chamado “hormônio da felicidade”, que contribui para a sensação de bem-estar.
Além disso, caminhar ao ar livre pode ajudar a aliviar o estresse, melhorar o humor e até promover interações sociais, que são fundamentais para uma saúde mental equilibrada.Compre vitaminas e suplementos
Outro ponto importante é que caminhar pode se tornar uma rotina acessível e prática. Não é necessário equipamento especial ou grandes deslocamentos. Apenas 30 minutos de caminhada diária já podem fazer diferença.
Quantos Passos Você Deve Dar Por Dia? O número mágico parece ser 7.000 passos diários. Essa quantidade foi identificada como um marco importante no estudo, estando associada a uma redução significativa dos sintomas de depressão. Embora pareça muito, na prática, esse número é mais alcançável do que parece.
Por exemplo, atividades do dia a dia, como caminhar até o trabalho, passear com o cachorro ou até fazer compras a pé, contribuem para alcançar essa meta. Um pedômetro ou aplicativo de celular pode ajudar a monitorar o progresso e manter a motivação.
Para quem está começando, a dica é aumentar gradualmente a quantidade de passos, sem pressa. Pequenos ajustes na rotina, como usar escadas em vez de elevador, também podem somar passos e promover benefícios à saúde.
O mais importante é encontrar uma maneira de incorporar a caminhada de forma prazerosa. Transformar o ato de caminhar em algo que você goste, como explorar novos lugares ou ouvir música, é fundamental para manter a consistência.
O Que Dizem os Estudos Sobre Caminhadas e Depressão? A meta-análise que revelou esses resultados analisou 33 estudos diferentes, abrangendo dados de mais de 96 mil adultos. Destes, 27 estudos analisaram dados pontuais (como uma foto instantânea) e 6 acompanharam as pessoas ao longo do tempo.
Os resultados mostraram que, de forma geral, as pessoas que caminham mais apresentam menos sintomas de depressão. Os pesquisadores usaram ferramentas específicas para medir tanto o número de passos quanto os níveis de depressão, garantindo a confiabilidade dos dados.
Essa abordagem reforça a importância de intervenções simples, como caminhar, na promoção de saúde mental.
Além disso, o estudo destacou que os benefícios não estão limitados a um grupo específico. Pessoas de diferentes idades, gêneros e estilos de vida podem se beneficiar.
Essa universalidade torna a caminhada uma prática inclusiva e acessível, capaz de ajudar milhões de pessoas ao redor do mundo.
Dicas Para Começar a Caminhar Mais Se você quer aproveitar os benefícios de caminhar para a sua saúde mental, aqui vão algumas dicas práticas:
Estabeleça Metas Realistas: Comece com 3.000 passos por dia e aumente gradualmente. Encontre Companhias: Caminhar com amigos ou familiares pode tornar a atividade mais agradável. Escolha Roupas Confortáveis: Use calçados adequados para evitar desconfortos. Explore Novos Lugares: Caminhe em parques, trilhas ou pela sua vizinhança para variar o ambiente. Crie um Hábito: Defina horários fixos para caminhar, como logo pela manhã ou após o trabalho. Lembre-se, o mais importante é começar. Cada passo conta para melhorar sua saúde física e mental.
Caminhar mais é uma forma simples e eficiente de cuidar da mente e do corpo. A ciência confirma que 7.000 passos diários podem reduzir significativamente os riscos de depressão, além de promover bem-estar geral.
Incorporar essa prática no dia a dia pode parecer um pequeno ajuste, mas os benefícios são enormes. Então, que tal calçar um par de tênis e começar a se movimentar? Sua saúde mental agradece!
Muitas mulheres costumam sentir dor na parte inferior do abdômen. Os gatilhos comuns e bem conhecidos incluem menstruação ou infecção da bexiga . Muito menos comum é a síndrome das veias pélvicas ou síndrome de congestão pélvica.
Na síndrome das veias pélvicas, as veias varicosas no abdômen são a causa da dor. As mulheres antes da menopausa que têm vários filhos são particularmente afetadas. As mulheres sem filhos têm menos probabilidade de sofrer de síndrome das veias pélvicas.
As mulheres afetadas não apresentam apenas dores ocasionais, mas também dores persistentes ou recorrentes, ou seja, dores crônicas na região abdominal.
Segundo estudos norte-americanos, entre os pacientes que se queixam de dor abdominal crônica, a síndrome das veias pélvicas é a causa dessa dor em quase 30% dos casos. Como as veias varicosas na parte inferior do abdômen são difíceis de detectar, apesar de sua frequência, a síndrome das veias pélvicas muitas vezes não é imediatamente reconhecida e diagnósticos errados são comuns.
Congestão circulatória na parte inferior do abdômen As veias mais importantes para a drenagem do sangue dos órgãos do corpo na pelve são as veias ovarianas e as veias ilíacas: as veias ilíacas internas e externas e sua confluência, a veia ilíaca comum. Na síndrome das veias pélvicas, um ou ambos os tipos de veias são patologicamente dilatados: assim como acontece com as pernas, isso também é conhecido como veias varicosas.
Causas e fatores de risco As causas exatas das veias varicosas e, portanto, da síndrome das veias pélvicas ainda não estão claras. Acredita-se que vários fatores contribuam para a doença, incluindo:
predisposição genética múltiplas gestações alterações hormonais danos à parede da veia disfunção das válvulas venosas Pressão alta alterações patológicas nos vasos sanguíneos, por exemplo, síndrome de May-Thurner (estreitamento de uma veia na parte inferior das costas) ou síndrome do quebra-nozes (estreitamento da veia renal esquerda. Que sinais indicam a síndrome das veias pélvicas? O principal sintoma é uma dor e, às vezes, uma sensação de peso na região pélvica. A causa dessa sensação de dor – além da pressão da congestão sanguínea – é que a expansão das veias pode ativar certos receptores de dor nas paredes dos vasos. No entanto, nem sempre é assim: também há mulheres com varizes na região pélvica que não sentem dor.
A dor pode ser permanente ou diminuir de tempos em tempos e depois retornar. Outras características típicas da dor na síndrome incluem:
Ocorrem unilateral ou bilateralmente, embora possam mudar de um lado para o outro. Se a pressão no abdômen aumentar (por exemplo, ao caminhar, levantar pesos, ficar em pé por longos períodos de tempo ou tossir e defecar), a intensidade da dor pode aumentar. A dor piora durante a menstruação. A dor geralmente aumenta durante ou após a relação sexual. À medida que o dia avança, a dor aumenta. A intensidade da dor aumenta a cada gravidez subsequente. Além da dor abdominal, existem outros possíveis sintomas acompanhantes da síndrome das veias pélvicas :
dor na parte inferior das costas ou quadril varizes na parte interna e posterior das coxas ou na parte inferior das pernas, na vulva e na região perineal problemas urinários como bexiga irritável, vontade de urinar ou dor ao urinar abdômen inchado Diagnóstico e tratamento A síndrome das veias pélvicas é diagnosticada por meio de avaliação clínica dos sintomas, complementada por exames de imagem, como ultrassonografia com Doppler, tomografia, ressonância magnética ou flebografia, para confirmar a dilatação das veias.
O tratamento inclui medicamentos para aliviar os sintomas, procedimentos minimamente invasivos, como embolização venosa para fechar as veias dilatadas, e, em casos graves, cirurgia.
Mudanças no estilo de vida, como exercícios regulares, também podem ajudar a melhorar a circulação venosa.
Doença transmitida pelo 'aedes aegypti' matou mais do que covid-19 em 2024. Sorotipo 3 do vírus prevalece em algumas regiões, ampliando população suscetível a novo contágio mais agressivo.Acompanhar o pai e o tio quase morrerem de complicações de dengue há alguns anos não assustou Lia Salomão tanto quanto a epidemia de 2024, quando ela e parte da família passaram sufoco com a doença que matou mais do que a covid-19. "Hoje posso dizer que estou neurótica, e essa neurose é uma onda de 2025, acho que ela não existia 2024, porque não tínhamos essa noção de que era tão fácil pegar dengue", comenta a moradora de São Paulo. "Parecia que se eu estivesse passando um repelente e não deixando água no pratinho do vaso de plantas, estava bom, mas na realidade não é bem assim."
Além da fadiga e desgaste físicos sentidos por mais de uma semana, Salomão conta ter sofrido com disfunção cognitiva pós-viral, como é conhecida a falta de concentração após a cura de uma doença como a dengue, além da perda de cabelo – outro efeito colateral comum. "Ambos foram sensações muito ruins, mas a terrível foi com a minha avó, de 91 anos, que já bebia pouca água e passou a beber ainda menos, por conta do gosto ruim que fica com qualquer líquido; pensei que ia perdê-la a qualquer momento."
A população acima dos 60 anos é a mais vulnerável à dengue, constituindo a maior parte das 6.068 mortes causadas por ela em 2024. Esse ano presenciou a pior epidemia já registrada no Brasil, quando mais de 6,6 milhões contraíram a doença transmitida pelo mosquito aedes aegypti. O triste recorde anterior cabia aos anos de 2015 e 2023, quando mais de 1,649 milhão adoeceram.
Os números deste começo de 2025, no entanto, preocupam não apenas cidadãos como Lia e sua família, que incluíram o uso intenso de repelentes e inseticidas na rotina diária matinal, mas autoridades e epidemiologistas. Especialistas concordam que o susto vivido em 2024 deixou as instituições mais preparadas para o pior, porém alertam que o ano corrente deve ser o pior ano da história. Até porque o complexo pacote de medidas contra o mosquito e o vírus que transmite só deverá estar totalmente operacional em 2026.
Números alarmantes em SP
Em meados de janeiro, o governo paulista anunciou a criação de uma sala de emergência para o monitoramento dos casos de dengue no estado, que nas duas primeiras semanas de 2025 apresentou números piores do que no anterior. Segundo o painel de arboviroses do governo de São Paulo, até o sábado (18/01) o total de casos até era 43.817, contra 29.042 no começo de 2024: um aumento de 51% que preocupa as autoridades.
"O nível de alerta é muito alto, pois tivemos não só uma mudança de quadro epidêmico, mas também um novo sorotipo circulando. Durante todo 2024, a predominância foi do vírus da dengue 1 e 2, e já no final do ano houve a introdução do dengue 3, o que é muito preocupante", adverte a epidemiologista Regiane de Paula, à frente da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde de SP.
Ela explica que, ao contrair a doença com um determinado tipo do vírus, o paciente fica mais imune a este tipo, mas ainda suscetível aos demais tipos de vírus da dengue. O retorno do tipo 3 ao Brasil, após 17 anos erradicado, representa, desta forma, uma chance 33% maior de se contrair a doença novamente. O fenômeno aciona o alarme entre as autoridades.
"Quando você tem uma cocirculação, vai ter mais indivíduos suscetíveis a serem infectados, e para quem já teve dengue, isso cria o risco de um quadro mais grave, que deve ser grande este ano de novo", comenta. A dengue grave, conhecida popularmente como dengue hemorrágica, é aproximadamente cinco vezes mais letal que a dengue normal.
Segundo o Ministério da Saúde, em dezembro de 2024 40,8% dos casos da doença foram provocados pelo sorotipo 3. Para não perder esse controle de vista, o governo paulista estabeleceu 71 unidades de verificação genômica do vírus. Segundo o programa sentinela, o tipo 3 circula atualmente sobretudo no noroeste do estado. Entre Araçatuba e São José do Rio Preto, em média 255 a cada 100 mil habitantes já adoeceu nas duas primeiras semanas de 2025 –17% a mais do que nas duas cidades mais afetadas no ano anterior.
Na última semana, Araçatuba, a cidade com situação mais grave, se tornou mais uma das dezenas de cidades paulistas em estado de emergência devido à dengue, um problema que a vacina só deve minimizar em 2026.
Pacote agressivo
A contingência da dengue nos últimos anos é afetada pela baixa oferta da vacina. A única disponível no sistema público atualmente é a japonesa Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda. No entanto, o volume de produção está longe do suficiente para atender a população brasileira.
O Ministério da Saúde informou ter adquirido toda a produção da vacina para 2025 que o laboratório forneceu, 9,5 milhões de doses. Com a aplicação de duas doses por pessoa, aproximadamente 4,25 milhões de brasileiros receberão o imunizante. "Claro que é um passo adiante, mas ainda é muito pouco para o tamanho da população do Brasil. Não vamos ter ilusão que a vacina vá bloquear a circulação do vírus em 2025" reconhece Rivaldo da Cunha, secretário adjunto do Ministério da Saúde para Vigilância em Saúde e Ambiente.
O mesmo vale para a vacina do Butantã com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Apesar da vantagem de ser aplicada em dose única, ela ainda está em processo de aprovação na Anvisa. Cunha não tem dúvida de que será aprovada, "no entanto, até termos um volume grande de vacina disponível para a sociedade, provavelmente estaremos em fevereiro ou março de 2026".
O epidemiologista da Fiocruz Amazonas Jesem Orellana também relativiza o esforço de imunização: "O que o Ministério da Saúde fez em 2024 foi positivo de um lado, porque introduz uma vacina importante e de forma inédita na saúde pública, no mundo, mas limitada ao mesmo tempo, porque protege quem não precisa tanto ser protegido. Desses 6 mil óbitos, quantos tinham entre 10 a 14 anos?"
Até o momento o laboratório Takeda não obteve resultados consistentes em testes clínicos para o uso da Qdenga na população mais vulnerável, acima dos 60 anos de idade. Além disso, o percentual de cobertura foi menor para o tipo 3 do vírus, enquanto não há análises para o tipo 4, ausente no Brasil.
Combate ao mosquito vetor da dengue
Enquanto a imunização em massa da população não é possível, as instituições de Estados e da União investem no combate ao mosquito vetor da doença. Drones passaram a ser usados como complementos das ações de prevenção já realizadas pelos agentes de combate a endemias, que nesta época do ano atuam com maior intensidade.
Quando um paciente está com sintomas e procura atendimento numa unidade de saúde, esta tem obrigação de notificar o caso à vigilância sanitária dentro de 24 horas. Confirmado o caso, a unidade de vigilância sanitária responsável deve encaminhar uma equipe que percorre um raio de 150 metros em torno da residência do paciente, buscando orientar os vizinhos e retirar qualquer criadouro onde haja acúmulo de água.
"Cada vez que aparece um caso positivo, a gente tem que desencadear essa ação de bloqueio de criadouros e de nebulização. Porém os casos são mais concentrados no período de chuvas e no período de calor – que vem se estendendo com as mudanças climáticas", explica a bióloga Thais Cobelli, em meio a uma ação no bairro do Capão Redondo, zona sul de São Paulo.
Apesar de todas as medidas, há na região aproximadamente dez novos pacientes por dia, quando o número esperado seria cerca de três. Cobelli aponta para a quantidade de tonéis, baldes e caixas d'água no bairro, ilustrando um problema de infraestrutura que Rivaldo da Cunha classifica como crucial na falha no combate ao mosquito.
"O abastecimento de água no Brasil foi universalizado, mas é rara a semana em que numa região metropolitana não falte água em algum bairro. Qual é o problema do fornecimento intermitente da água? Sabendo que ficará sem, no dia em que há água na torneira, a população vai armazená-la em todos os objetos possíveis, que muitas vezes se transformam em focos do aedes", aponta o médico especialista em doenças tropicais. "Nós temos que resolver esse problema estrutural da sociedade."
Biotecnologia em ação
Diante da dificuldade de combater os focos do aedes aegypti casa-a-casa, pesquisadores brasileiros buscam alternativas: se é impossível erradicar no curto prazo o mosquito, presente no país desde o começo do século 20, a estratégia é impedir que ele transmita o vírus da dengue.
Um dos projetos mais promissores neste sentido, o Wolbachia, é desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, e faz parte do World Mosquito Program, criado na Austrália. A bactéria wolbachia está presente naturalmente em 60% dos insetos, incluindo mosquitos. No aedes aegypti, ela impede que os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam, evitando a contaminação.
Nos laboratórios da Fiocruz são cultivados ovos de aedes contaminados com wolbachia, e os mosquitos são então soltos no ambiente, misturando-se à população nativa e a contaminando. Até 2025, o projeto foi aplicado em Niterói (RJ), Campo Grande (MS) e Petrolina (PE), com resultados positivos.
"Em Niterói, pudemos comparar uma área com intervenção versus uma sem, e vimos uma redução de dengue em aproximadamente 70%. Já no No Rio de Janeiro, a gente atuou na Ilha do Governador e na área da Maré, do Complexo do Alemão, e aí tivemos uma redução média dos casos de dengue de 40%", afirma Diogo Chalegre, líder de oprações do World Mosquito Program Brasil.
Atualmente o projeto produz de 15 a 20 milhões de ovos por semana na sede da Fiocruz no Rio de Janeiro. Ao longo do ano, serão inauguradas dois laboratórios do gênero, em Curitiba e no Ceará, que ampliarão a produção semanal para 150 milhões. Com isso, o Ministério da Saúde planeja implantar o programa em 45 cidades, beneficiando até 12 milhões de habitantes.
"Em dez anos de programa cobrimos 5 milhões de pessoas, ao finalizar este ano serão mais mais 7 milhões, mais que dobrando a capacidade", celebra Chalegre. "Isso é compreensível, porque o projeto nasceu como uma pesquisa e só agora foi incorporado como tecnologia para o controle da dengue."
Além do wolbachia, há projetos de implantação de armadilhas que contaminam mosquitos com larvicida, que por sua vez espalham o veneno para outras populações, além de outras iniciativas custando ao Ministério da Saúde R$ 1,5 bilhão. Além disso, o secretário Rivaldo da Cunha conta com eventuais incrementos dessa verba, ao longo do ano.
"Quando há um problema dessa magnitude, não vai existir divergência político-partidária no parlamento. Eu não tenho a menor dúvida de que o Congresso aprovaria uma medida provisória para colocar aporte extraordinário no sistema de saúde, se necessário", antecipa, otimista. Seu otimismo ressoa com colegas que se recusam a aceitar que seja normal ter até 6 milhões de casos de uma doença "absolutamente evitável", como o dengue.