Enquanto alguns clubes buscam retomar suas atividades em meio à pandemia de coronavírus, e alinham o retorno de campeonatos, o Corinthians continua firme em seu posicionamento contrário à volta precoce do futebol sem antes receber a liberação de todas as autoridades de saúde do país. Em carta aberta publicada na manhã desta terça-feira, o presidente Andrés Sanchez reforçou esse pensamento e criticou a postura de quem tenta "jogar sozinho".

O mandatário corintiano admitiu a crise que está sendo imposta pela paralisação das atividades nos mais diversos setores, mas ainda assim acredita que é preciso definir prioridades e o esporte não está entre elas, para ele "o futebol não pode se antecipar ao controle da pandemia". Sem contar o risco de um retorno precoce provocar uma nova pausa logo em seguida.

Ainda no texto, Andrés utilizou o exemplo da articulação do futebol alemão para definir os protocolos da volta. Lá entidades esportivas, autoridades de saúde e governos de todos os estados estudaram juntos os procedimentos. Na visão do presidente do Timão isso não está acontecendo por aqui e pensa que "num esporte coletivo, não dá para jogar sozinho".

Confira o texto completo publicado pelo Corinthians e assinado por Andrés:

"Depois de 23 mil mortes causadas pela Covid-19, todo debate é menor. Por isso, em nome do Corinthians, manifesto antes nossa solidariedade a cada brasileiro afetado por doença, luto, ou prejuízo profissional. Tudo isso importa.

E é legítimo que o futebol – como qualquer setor – procure saídas junto ao governo federal e a seus respectivos estados, prefeituras e federações, a fim de impedir um aprofundamento da crise na atividade. É preocupante, porém, que o Brasil viva um cenário muito diferente daqueles países que retomam suas ligas.

A queda de receitas já obrigou muitos clubes a executar cortes e demissões. O Corinthians tem adotado medidas de austeridade, como a redução temporária de salários e jornada, apoiada na MP 936. Fazemos e refazemos as contas diariamente, mas somos realistas: trata-se da pior epidemia no país nos últimos 100 anos, e nenhuma atividade econômica sairá dessa sem transformações inevitáveis.

No Corinthians, não será diferente. O que não muda é o nosso compromisso com um futebol forte como carro-chefe e a parte social como tradição, e é para isso que estamos trabalhando. Como também vemos o clube como um veículo capaz de impactar mais de 30 milhões de torcedores via mídias digitais, levamos informação útil e iniciativas solidárias, com o sonho de terminar a pandemia sem nenhum torcedor a menos.

Somos testemunhas dos elogiáveis esforços da CBF, da Federação Paulista de Futebol e de outros clubes. Mas é preciso repensar, de forma ampla, o papel do futebol e sua influência nesse jogo.

Na Alemanha, houve diálogo intenso entre todos os agentes políticos e esportivos, e um princípio foi claro para a Bundesliga: o futebol não pode se antecipar ao controle da pandemia. Quando a sociedade confiou no sucesso do combate alinhado entre governo e estados alemães, a Bundesliga finalmente retomou seus jogos em sincronia, no último dia 16. Houve responsabilidade com seu produto, seus astros e seu público.

O futebol brasileiro, porém, caminha para outra direção.

Se o combate ao vírus não tem alinhamentos entre os governos, no futebol as reações estão ainda mais fragmentadas. Com decisões facultadas aos Estaduais, criam-se ruídos. O futebol perde muito como produto quando transmite que, para a bola rolar, basta decidir qual clube está mais pronto, ou qual estado está mais disposto a riscos, enquanto se somam mais de mil óbitos por dia.

Em 2020, a Série A tem 20 clubes de nove estados, cada um com panoramas distintos da doença. Isso pede um trabalho mais coordenado entre governos, clubes e federações. Num esporte coletivo, não dá para jogar sozinho.

Sem isso, qualquer retorno apenas adiará a próxima pausa forçada, em que os clubes vão, de novo, agonizar. Como negócio sustentável, o futebol só poderá voltar depois de uma articulação eficiente, focada tanto no bem-estar das pessoas quanto na segurança da Saúde nos estados envolvidos"

 

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corintihO Corinthians não entra em campo há mais de dois meses, mas a impressão deixada não deixou saudades, pelo contrário, as apresentações do time estavam cada vez piores e as críticas ao trabalho de Tiago Nunes aumentavam na mesma proporção. Durante a parada, porém, jogadores manifestaram apoio público ao treinador e assumiram a responsabilidade pelos maus resultados.

Em 12 jogos oficiais na temporada, o Timão venceu apenas três vezes, empatou cinco e perdeu quatro, aproveitamento de 38,89% dos pontos que disputou, o pior índice entre os clubes de Série A. Além disso, foi eliminado na fase preliminar da Libertadores e no Paulistão, até a paralisação, o time corria sério risco de não garantir vaga nas quartas de final e brigava contra a degola.

Na última semana, em entrevista para a Corinthians TV, o goleiro Cássio, um dos líderes do elenco, reconheceu o início de temporada ruim da equipe, mas disse acreditar no trabalho de Tiago Nunes e na capacidade do grupo.

- Tem que ter ambição, trabalhar bastante, eu sei que esse começo de temporada não foi como nós queríamos. A gente acabou oscilando, saindo na fase preliminar da Libertadores, não tem feito um começo de trabalho bom, mas a gente confia muito nesse time e acredita no trabalho do professor Tiago (Nunes), no elenco que nós temos - avaliou o arqueiro.

Danilo Avelar, outro jogador experiente do elenco, também manifestou apoio ao treinador. Apesar de ainda não ter jogado neste ano por conta de uma lesão, o agora zagueiro afirmou, em entrevista para a Rádio Globo, que as orientações de Tiago Nunes são entendidas pelo elenco, mas precisam ser colocadas em prática pelos jogadores dentro de campo.

- Ao meu ver são muito claras as coisas que ele fala, que ele mostra para a gente, porém temos que colocar em prática aquilo que é passado. Isso não é nenhuma novidade para o futebol, tudo tem que ser posto em prática, para fazer valer a pena aquilo que foi dito - comentou Avelar.

Cássio entende que esse período de paralisação, por conta da pandemia de coronavírus, pode servir para que o elenco reflita acerca do que precisa ser feito para voltar melhor. Além disso, o goleiro vê evolução no estilo de jogo do time, que foi bastante modificado em relação ao que vinha sendo feito por mais de dez anos, apesar de as vitórias não terem vindo na mesma proporção.

- Ninguém queria isso (a parada), mas é um momento para a gente refletir, para a gente tentar evoluir, melhorar o que a gente tem que melhorar. Acho que em mudança de treinador o que vale mais são as vitórias, mas se a gente for contar no contexto geral, o que professor tem melhorado, evoluído do estilo de jogo que o Corinthians jogava, e o que a gente está jogando agora, eu acho que a gente está no caminho certo - destacou o capitão corintiano.

Avelar, por sua vez, foi incisivo ao comentar o papel dos jogadores nesse processo. Para ele, treinador e dirigentes não entram em campo, e as cobranças precisam ser feitas ao elenco, que é composto dos protagonistas do jogo. Se são elogiados na vitória, têm que ser criticados nas derrotas.

  • É óbvio que quando o resultado não vem, os jogadores também têm que ser cobrados. Treinador não entra em campo, diretor não entra em campo, então você pode ter todo o suporte possível, mas somos nós que estamos ali dando a cara a tapa, somos os protagonistas do momento, temos que estar preparados, temos que nos cobrar mais, até porque quando ganha é mil maravilhas, mas quando perde é tapa na cara, xingamentos, críticas, então não saímos isentos de nada quando o resultado não vem. Temos que ter a ciência de que temos que melhorar, independentemente da situação, ele exige melhora sempre.

    Cássio, Danilo Avelar e seus companheiros estão treinando em suas casas, sob a orientação da comissão técnica do Corinthians durante o isolamento doméstico. Não há previsão para a volta dos treinamentos no CT Joaquim Grava, nem data para o retorno das competições. No estado de São Paulo a quarentena estabelecida pelo governo vai até o dia 31 de maio.

 

 

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O desafio de desatar uma sucessão de nós rondará o Vasco na semana na qual está previsto um retorno dos clubes do Rio de Janeiro aos treinos. Porém, nem mesmo o otimismo do mandatário Alexandre Campello diante do aval para a retomada gradativa do futebol é suficiente para amenizar o turbilhão à espera da caravela.

- Demonstramos para a Prefeitura do Rio que a volta aos treinos, na realidade, promove uma segurança maior para cada jogador em vez de deixá-los expostos, treinando por conta própria. A gente passa a testar não só os atletas profissionais, mas os funcionários e os respectivos familiares, no sentido de identificar qualquer contaminação e isolar o vírus precocemente - afirmou, à Rádio Tupi.

O dirigente, que, segundo o UOL, esperará os resultados dos testes para determinar a data da volta aos treinos, ressalta.

- Eu não tenho dúvida que nossos atletas terão mais segurança dentro do clube do que em seus domicílios. Em torno de 30% dos atletas testados já foram contaminados, mesmo fazendo distanciamento - disse, à Tupi.

Este assunto ainda rende discórdia entre jogadores do Cruz-Maltino, conforme informou o UOL. Porém, até o momento, nenhum posicionamento oficial do elenco chegou à cúpula do clube.

O impasse fica maior em torno das pendências salariais. Apenas jogadores que recebem abaixo de R$ 50 mil viram a cor do dinheiro em 2020. Os demais atletas profissionais estão com quatro folhas abertas. Ainda há problemas em relação a direitos de imagem dos atletas, aos funcionários e ao Colégio Vasco da Gama (cujos professores entraram em greve).

O período eleitoral também começou a temperar a rotina cruz-maltina. À Rádio Tupi, Campello não escondeu sua indignação com o fato do candidato à presidência, Leven Siano, ter confirmado um acerto com o meia Yaya Touré caso seja eleito.

- Primeiramente, é um absurdo falar em nome do Vasco sem ter legitimidade para tal. Também acho falta de planejamento fazer este anúncio sem ter conhecimento das questões financeiras, sem ter garantias de recursos para pagar e sem ouvir especialistas - e, em seguida, alertou:

- É preciso ouvir a opinião do treinador, saber da avaliação de performance. Pensar em trazer um jogador de 37, 38 anos para ele defender o clube daqui a um ano é no mínimo de se espantar - completou.

São muitos nós de marinheiro para o Cruz-Maltino desatar.

 

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