Recentemente viralizou no Tik Tok uma trend chamada Mouth Taping, em que os usuários recomendam o uso de uma fita na boca com o intuito de garantir que a respiração ocorra pelo nariz durante o sono.

Os defensores dessa nova “onda” das redes sociais estão incentivando as pessoas a se envolver em uma prática controversa, com o objetivo de retardar o envelhecimento e dormir melhor: respirar apenas pelo nariz. Eles acreditam que isso é uma solução para os problemas de respiração. Porém, os médicos alertam que essa técnica é extremamente perigosa e colocar a saúde em risco.

De fato a respiração bucal pode acarretar diversos problemas para a saúde do paciente, e inclusiva ser o responsável pelo temido mau hálito. Porém, os especialistas afirmam que tapar a boca durante o sono para obrigar a respirar somente pelo nariz, com nenhum tratamento indicado, não é a forma correta de resolver o problema.

Sabe-se que a respiração nasal é fundamental para o desenvolvimento do complexo craniofacial, e influência nas funções de sucção, mastigação e deglutição. E a respiração bucal pode provocar alterações miofasciais, posturais, como queixo levantado e boca aberta, socioemocionais, expressivas, digestivas, fonéticas e de oclusão dentária.

O ato de respirar através da boca provoca o ressecamento da mesma, o que promove uma descamação excessiva de células da mucosa bucal, ou seja, uma descamação excessiva de “pele” dos lábios e bochechas, e essa “pele” acaba servindo de alimento às bactérias que são responsáveis pelo mau hálito.

A cirurgiã-dentista e especialista em saúde oral, Dra. Bruna Conde, explica que isso acontece porque a boca é um ambiente propício para a proliferação de bactérias, e elas são responsáveis pelo mau cheiro. Além disso, a salivação é um mecanismo importante para eliminar essas bactérias, e quando respiramos pela boca, ela não ocorre de forma adequada. Por isso, é importante manter os dentes higienizados e buscar formas de não respirar frequentemente pela boca, para manter um hálito sempre agradável.

Principais causas do aparecimento da respiração bucal

  • Obstruções nasais por alergias (Rinites e Rinossinusites); • Hipertrofia de cornetos; • Desvio de septo nasal; • Adenoides aumentadas; • Amígdalas aumentadas.

Considerando as causas para o desenvolvimento da respiração bucal, é possível entender o perigo de tapar a boca para dormir sem alguma orientação e indicação médica de como proceder.

Relações de problemas respiratórios e halitose

Infecções respiratórias e o mau hálito

Tuberculose, abscesso pulmonar, sinusite, amigdalite, pneumonia e outras doenças de vias aéreas também podem gerar um odor fétido que se propaga para a boca e provoca o mau hálito. Porém são 8% dos casos. 90% dos problemas de mau hálito vem da boca.

“Esses problemas são geralmente tratados com antibióticos, mas às vezes podem ser causados por bactérias ou vírus que não respondem a esses medicamentos. Nesses casos, é importante procurar um médico para avaliar se há alguma outra condição médica subjacente que precisa ser tratada.” indica a Dra. Bruna Conde.

Nesse caso, deve-se ter certeza de que a higiene bucal está sendo feita corretamente e que não há nenhuma doença na boca ou hábitos errados que poderia explicar o problema.

Mau hálito pulmonar existe? Infecções que causam mau odor

Quando o mau hálito emana dos pulmões, às vezes a causa é uma infecção de curto prazo. Algumas condições como bronquite, sinusite e até pneumonia podem causar mau hálito. O único bom aspecto do mau hálito causado por essas condições respiratórias é que, quando a pessoa se recupera, a halitose também desaparece se todos os problemas de mau hálito forem removidos.

Às vezes, a razão do mau hálito dos pulmões pode ser uma aflição crônica. Pessoas com Fibrose Cística sofrem com esse sintoma, segundo a Sociedade Americana de Rinologia. Esta condição causa a secreção de muco espesso nas vias respiratórias, provocando infecções recorrentes e congestionamento nasal. Esta doença é hereditária e não tem cura, por isso o muco espesso e a dificuldade em respirar podem ser sempre uma preocupação.

A asma é outra condição respiratória que pode causar mau hálito. As pessoas com asma muitas vezes respiram pela boca, o que resseca os tecidos orais. Muitas das bactérias que causam mau hálito florescem em uma boca seca. Além disso, os inaladores medicamentosos também podem ter um efeito colateral da boca seca, influenciando ainda mais no problema.

O câncer de pulmão é outra condição que tem um odor característico e pode até ser identificado pela combinação específica de gases no hálito de uma pessoa.

As causas de halitose procedentes do aparelho respiratório inferior, isto é, com origem primária abaixo do nível da laringe, são mais raras, e incluem as bronquites, bronquiectasias, pneumonias, abcessos pulmonares e carcinomas do pulmão.

respirarboca

Cuidados e tratamentos A cirurgiã-dentista Bruna Conde ressalta que o tratamento de mau hálito associado a outros problemas deve ter acompanhamento multidisciplinar. Seu cirurgião-dentista especialista em Halitose será capaz de saber se as mudanças na higiene dentária podem ajudar no mau hálito e também indicar se você deve conversar com um médico especializado nas questões respiratórias.

“Respiração bucal tem tratamento e a escolha da modalidade terapêutica depende diretamente das causas do problema. Esse cuidado é essencial para prevenção das diversas complicações que podem decorrer desta condição. Se identificar algum sintoma, evite fazer qualquer prática sem recomendação médica, não deixe de buscar ajuda profissional.” finaliza a Dra. Bruna Conde.

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Em 2020, uma pesquisa da YouGov, apontou que a incidência do hipotireoidismo na população adulta masculina é de cerca de 3%, enquanto nas mulheres a incidência aumenta para 15%. Além disso apontou a possibilidade de 1,6 bilhão de pessoas terem algum distúrbio da tireóide durante a vida.

hiportireodismo

Segundo o especialista em reprodução humana, Dr. Nilo Frantz, o Hipotireoidismo é caracterizado pela queda na produção dos hormônios T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina) que são produzidos pela glândula tireóide. Essa glândula é responsável pela regulação do metabolismo do nosso corpo.

Apesar de ser mais comum em mulheres cisgênero em idade reprodutiva, a doença pode atingir qualquer pessoa e de qualquer idade.

De acordo com o artigo publicado em 2011 sobre as “Diretrizes da American Thyroid Association para o diagnóstico e tratamento de doenças da tireoide durante a gravidez e pós-parto”, o número de gestantes que podem adquirir o hipotireoidismo durante a gravidez chega a 3%, o que pode acarretar em problemas ao desenvolvimento do feto. Segundo Frantz, a deficiência de iodo é uma das principais causas desse distúrbio hormonal.

“Pessoas que consomem poucos alimentos ricos em iodo, como peixes, crustáceos, moluscos, leite e ovos, podem apresentar falta desse mineral no organismo”, afirma.

Alterações imunológicas como no caso de pessoas que possuem a doença autoimune Tireoidite de Hashimoto também podem levar o indivíduo para um quadro de hipotireoidismo.

Como identificar

O exame de sangue é um dos principais diagnósticos da doença, já que por meio dele é possível avaliar e medir os níveis dos hormônios T3, T4 e TSH. Porém, outra forma de identificar alterações na tireóide é ao examinar o pescoço do paciente.

O ultrassom é o exame de imagem complementar que também pode ajudar a detectar o hipotireoidismo e outras anomalias na tireoide.

Em recém-nascidos, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hipotireoidismo pode ser diagnosticado pelo “Teste do Pezinho” que deve ser feito entre o terceiro e o sétimo dias de vida do bebê. Se confirmada a doença é necessário que o bebê já comece a tratar a condição imediatamente para evitar consequências que possam atrapalhar o seu desenvolvimento no futuro.

Hipotireoidismo compromete a fertilidade?

De acordo com Frantz, sim. A doença atinge a fertilidade feminina, já que os hormônios liberados pela tireoide exercem efeitos sobre a função ovariana.

“Eles interagem com hormônios da hipófise, que são responsáveis por estimular a ovulação. Dessa forma, prejudicam a maturação dos óvulos, interferem no ciclo menstrual e também no período fértil. O hipotireoidismo está relacionado também a casos de abortamento e de complicações obstétricas e fetais”, explica o especialista.

Mas isso não quer dizer que a mulher não possa engravidar, a doença pode tornar o processo mais difícil e requerer maiores cuidados. Vale lembrar que o hipotireoidismo também pode surgir durante a gestação, sendo necessário um maior acompanhamento médico para resguardar a vida da gestante e do bebê.

Nos homens a doença pode prejudicar a produção dos espermatozoides.

“Existe também a possibilidade da doença desencadear casos de disfunção erétil, que não deixa o homem infértil, mas dificulta a gravidez. Por esses motivos, exames de rotina para diagnosticar qualquer alteração na glândula tireoide é fundamental”, afirma.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, aproximadamente um a cada 4 mil recém-nascidos possuem hipotireoidismo congênito.

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A vacina anual contra a gripe pode se tornar diferente em um futuro próximo. Todos os anos, a injeção contempla de três a quatro cepas do vírus influenza que normalmente circulam na estação.

vacgripe

Agora, cientistas dos Estados Unidos e do Canadá, financiados pelo governo americano, avançaram no desenvolvimento de um imunizante que inclui todos os 20 subtipos conhecidos do vírus causador da gripe. Se avançar, será uma vacina com o mais alto nível de proteção que se obteve historicamente.

As vacinas usadas mundialmente conseguem evitar principalmente o agravamento do quadros gripais em pessoas mais vulneráveis, mas é muito comum que pessoas vacinadas fiquem gripadas ao longo do ano.

"É difícil criar vacinas pré-pandêmicas eficazes, porque é incerto qual subtipo do vírus influenza causará a próxima pandemia", dizem os autores em um artigo publicado no fim de novembro na revista Science.

O imunizante em estudo utiliza a mesma tecnologia de algumas vacinas anti-Covid (Pfizer e Moderna), de RNA mensageiro, que se mostraram eficazes desde o início de seu uso em massa.

Os cientistas conseguiram criar um método para codificar antígenos de todos os 20 subtipos conhecidos de influenza A e as linhagens do vírus influenza B.

"Esta vacina multivalente provocou altos níveis de anticorpos de reação cruzada e específicos de subtipo em camundongos e furões que reagiram a todos os 20 antígenos codificados. A vacinação protegeu camundongos e furões desafiados com cepas virais correspondentes e incompatíveis, e essa proteção foi pelo menos parcialmente dependente de anticorpo", descrevem.

Não é a primeira vez que cientistas tentam criar uma vacina universal contra a gripe. Entretanto, os estudos anteriores se concentraram principalmente em um número limitado de antígenos conservados.

O antígeno é uma proteína ou qualquer outra substância que vai induzir uma resposta imune contra um agente invasor, no caso o vírus da gripe.

Os antígenos conservados são aqueles que tendem a permanecer no organismo ao longo do tempo.

Mesmo em vírus influenza diferentes, os antígenos conservados serão muito semelhantes, o que, na prática, faz com que seja inviável aumentá-los com os métodos atuais de produção de vacinas.

Normalmente, essas proteínas são isoladas a partir do cultivo do vírus da gripe em ovos de galinhas.

A tecnologia de RNA mensageiro permitiu, então, codificar mais do que os quatro antígenos usados nas vacinas tradicionais.

Os resultados dos testes em animais foram considerados promissores. Os pesquisadores pretendem iniciar já em 2023 a fase 1 de testes em humanos.

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Um simples exame de urina pode ser, no futuro, capaz de diagnosticar pacientes com a doença de Alzheimer em estágio inicial, antes mesmo do surgimento dos sintomas.

exameurina

A técnica foi desenvolvida por pesquisadores da China, e os resultados foram publicados nesta semana na revista científica Frontiers in Aging Neuroscience. O método consiste em identificar um biomarcador, o ácido fórmico, que pode revelar a existência do Alzheimer.

Esta seria uma ferramenta possível em larga escala, afirmam os desenvolvedores, tendo em vista que as formas atuais de diagnosticar Alzheimer são caras, inconvenientes e inadequadas para testagem de rotina.

"Os estágios iniciais da doença ocorrem antes do estágio de demência irreversível, e esta é a janela de ouro para intervenção e tratamento. Portanto, a triagem em larga escala para a doença de Alzheimer em estágio inicial é necessária para os idosos", dizem os autores do estudo.

Os meios atuais para identificar o Alzheimer incluem tomografias que expõem o paciente à radiação ou coletas de sangue que requerem punção lombar para obter líquido cefalorraquidiano.

O exame de urina surge neste contexto como algo não invasivo e barato.

Ácido fórmico

O biomarcador de Alzheimer estudado pelos pesquisadores chineses é o ácido fórmico, um produto metabólico do formaldeído, este último já anteriormente investigado por sua relação com a doença.

No estudo, foram recrutadas 574 pessoas saudáveis com cognição normal ou com diferentes graus de progressão do Alzheimer – de declínio cognitivo subjetivo a doença completa.

Foram analisadas as amostras de urina de todos, além de eles terem passado por avaliações psicológicas.

Nas amostras de urina, os cientistas observaram que os níveis de ácido fórmico eram significativamente mais elevados nos pacientes com Alzheimer, em comparação com os saudáveis.

Também notou-se que o ácido fórmico era mais alto mesmo naqueles em que a doença ainda não dava sinais de progressão.

Os autores do estudo compararam os resultados das urina com exames de sangue que também identificam biomarcadores de Alzheimer e concluíram que os primeiros tinham mais precisão em identificar a doença em estágios iniciais.

"O ácido fórmico urinário mostrou uma excelente sensibilidade para triagem precoce de Alzheimer. A detecção de biomarcadores de Alzheimer na urina é conveniente e econômica, e deve ser realizada durante exames físicos de rotina em idosos", afirmam.

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