A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou norma que permite a realização de exames de análise clínica em farmácias e consultórios. Os exames devem ser realizados nesses espaços somente em caráter de triagem e não substituem o diagnóstico laboratorial convencional.

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A resolução entra em vigor em 1º de agosto e define uma nova categorização de serviços de saúde que realizam atividades relacionadas a exames de análise clínica: serviço tipo I (farmácias e consultórios isolados); serviço tipo II (postos de coleta); e serviço tipo III (laboratórios clínicos, laboratórios de apoio e laboratórios de anatomia patológica).

Os serviços tipo I e II são habilitados a realizar coletas e exames de análises clínicas em caráter de triagem a partir de material biológico primário (tecido ou fluido constituinte do organismo humano ou isolado a partir destes que não sofreu alterações no seu estado natural ou que não foi submetido a atividades que visam a preparação para a análise), desde que todas as etapas do exame sejam realizadas após a coleta no próprio estabelecimento. 

De acordo com dados da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) e da Clinicarx, mais de 40 exames poderão, agora, ser realizados nas farmácias. Dentre eles, estão: exame Beta-hCG, de dengue, de sífilis e do vírus HIV, de colesterol, de perfil lipídico e de hemoglobina glicada para diabetes. destacam-se os exames de colesterol e perfil lipídico, exame de hemoglobina glicada para diabetes, exame de dengue e exame de gravidez. São mais de 40 exames diferentes já disponíveis.

"Assim, a norma aprovada possibilita a realização de testes de triagem nos serviços tipo I e tipo II, os quais não ultrapassam o diagnóstico laboratorial convencional e nem o substituem, pois a sua atuação é complementar, com finalidades distintas no atendimento à população", destacou a Anvisa.

"Os resultados dos testes executados nos serviços tipo I não devem ser usados de forma isolada para a tomada de decisões clínicas. Esses testes devem ser usados como triagem, com vistas a oferecer um ponto de partida objetivo, em conjunto com a rotina de avaliação dos profissionais de saúde, para oferecer o suporte adequado aos pacientes. Portanto, o resultado de um teste rápido necessita da interpretação de profissionais de saúde, que devem associá-lo aos dados clínicos do indivíduo e à realização de outros exames laboratoriais confirmatórios", reforça a Anvisa.

Em nota, a agência avalia que a nova norma representa um avanço importante em relação à ampliação da lista de serviços executados em farmácias e consultórios, a fim de permitir o melhor acesso da população à assistência à saúde, bem como garantir a qualidade dos exames de análises clínicas no país.

Agência Brasil

Foto: Freepik

Nesta terça-feira (02), a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo confirmou que a variante Arcturus do coronavírus, também chamada de XBB.1.16, foi detectada na capital do estado. Antes de chegar ao Brasil, a linhagem já era classificada como uma variante de interesse pela OMS (Organização Mundial da Saúde) devido a sua trajetória preocupante na Índia, onde foi identificada pela primeira vez.

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Atualmente presente em quase 40 países, a Arcturus se dissipa em território indiano desde o começo do ano, tendo se tornando a cepa dominante na região após uma onda de novas infecções. A variante descende da linhagem BA.2 - que, por sua vez, evoluiu da Ômicron - e tem apresentado rápida disseminação também nos Estados Unidos.

Segundo a OMS, embora pareça se espalhar com mais facilidade do que suas cepas antecessoras e introduza sintomas como conjuntivite e quadros de febre alta, a XBB.1.16 não modificou a gravidade da covid-19 nos indivíduos infectados. No entanto, fatores como a transmissibilidade e o escape imune continuam sendo monitorados por especialistas para entender o caráter da variante. No Brasil, a primeira infecção por Arcturus foi anunciada pelo Ministério da Saúde na sexta-feira (28), e posteriormente validada pela Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) de São Paulo. Em nota, a pasta da Secretaria Municipal da Saúde informou que a detecção ocorreu em um homem de 75 anos que possuía sintomas gripais e quadro febril.

Ele tinha esquema vacinal completo, incluindo dose bivalente, e ficou internado no Hospital Israelita Albert Einstein de 7 a 27 de abril, quando recebeu alta.

“As evidências atuais relacionadas a esta linhagem da variante ômicron não indicam risco adicional à saúde pública se comparada a XBB.1.5 [principal linhagem em circulação no Brasil atualmente], bem como não há evidências de alteração na gravidade dos casos”, afirmou o governo sobre o caso. Sintomas e importância da vacinação

A nova cepa é caracterizada por conjuntivite (principalmente em crianças), tosse seca e episódios de febre persistentes. Em entrevista ao portal CNN Brasil, o epidemiologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Jesem Orellana, diz que não é possível determinar se a Arcturus pode causar um desastre sanitário, mas garante que as atuais vacinas distribuídas no país protegem a população contra a variante.

“Não há grande razão para pensarmos que vacinas como a bivalente deixarão de ser altamente efetivas para casos graves e morte por Covid-19. Por enquanto, todas as vacinas seguem funcionando bem”, destaca.

Ainda de acordo com o especialista, apesar de recente, o surgimento da XBB.1.6 “mostra que o vírus seguirá infectando muitas pessoas e matando outras, especialmente não vacinados, incompletamente vacinados e grupos de maior risco, como idosos e imunossuprimidos, por exemplo”.

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Foto: reprodução cidadeverde

A prefeita Claudimê Lima, de Barão de Grajaú-MA, gravou uma mensagem de vídeo, esta semana, onde ela pede que as pessoas procurem tomar uma nova dose da vacina.

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A gestora baronense cita os locais da vacinação e, faz uma referência ao Centro de Especialidade Sebastião Martins. Vários profissionais estão trabalhando no processo de vacina contra a influenza.  

Da redação

Artigo publicado na revista Microorganisms demonstra que a melatonina, a despeito de seu efeito antioxidante e regulador do sono, pode piorar inflamações intestinais, a depender do conjunto de bactérias que vivem no corpo do paciente, especialmente no intestino do hospedeiro – ou seja, da microbiota, antigamente chamada de flora intestinal.

melatonina

A melatonina é conhecida popularmente como “hormônio do sono”. Sem prescrição médica e de forma não diretamente acompanhada, seu uso para melhorar a qualidade do sono tem se tornado corriqueiro . “O ‘x’ da questão é que todo mundo a considera inócua, que um hormônio como a melatonina não faz nada de mau, só melhora o sono, e o que estamos mostrando é que as pessoas têm de ficar atentas e alertas, porque uma suplementação hormonal pode melhorar o sono, mas pode piorar outra coisa”, diz Cristina Ribeiro de Barros Cardoso, professora de imunologia e neuroimunoendocrinologia da FCFRP-USP (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo).

O laboratório de Cristina Ribeiro trabalha com enfermidades inflamatórias intestinais, entre elas a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. São condições imunomediadas, ou seja, dependentes de uma resposta imunológica descontrolada, que acaba causando destruição no trato gastrointestinal e efeitos clínicos muito fortes, como dores abdominais, diarreias constantes, sangramentos e muita fadiga. O tratamento depende da supressão ou inibição da imunidade. É preciso diminui-la a fim de reduzir a inflamação excessiva, que provoca danos ao intestino.

Além de corticoides e imunossupressores, há tratamentos com medicamentos imunobiológicos mais efetivos para casos moderados e graves, porém, eles têm custo muito elevado e, por isso mesmo, acesso mais difícil para a população, sendo fornecidos apenas em condições específicas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ou por convênios particulares via ação judicial.

“O que nosso laboratório tem feito é entender melhor essas doenças e propor novos tratamentos, mais acessíveis”, explica Cristina Ribeiro, que é graduada em odontologia pela Universidade Federal de Uberlândia e doutora em imunologia básica e aplicada pela USP, com estágio pós-doutoral no Forsyth Institute, afiliado à Harvard School for Dental Medicine, nos Estados Unidos.

Além da questão do acesso financeiro, a pesquisadora ressalta que muitos pacientes não respondem adequadamente nem mesmo aos tratamentos mais modernos e dispendiosos, sendo necessárias cirurgias para a remoção de partes do intestino. Esses são procedimentos bastante invasivos aos pacientes, com consequências diretas na sua qualidade de vida. “Então temos buscado, nos últimos anos, novas opções terapêuticas, principalmente com base na modulação ou regulação de respostas imunológicas.”

Com anos de experiência na pesquisa de hormônios, a melatonina entrou no foco de investigação do grupo de Cristina Ribeiro. “Veja, de forma nenhuma estou falando que a melatonina não tem efeitos benéficos, muito pelo contrário, e há poucos estudos ou relatos de efeitos colaterais adversos”, ela ressalva. A melatonina pode atuar como antioxidante e melhorar diversas condições fisiológicas ou patológicas. “Então começamos esse trabalho imaginando que teríamos um potencial novo tratamento para a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, mas, para nossa surpresa, o que vimos foi exatamente o contrário. E esse alerta precisa ser feito.”

Após a doença intestinal ter sido induzida de forma experimental em camundongos, ao serem tratados com melatonina, ao invés de melhorar, eles pioraram. “Por esse trabalho com animais de laboratório – é importante ressaltar que não foi com pacientes humanos, foi com camundongos – a inflamação intestinal piora, e piora muito.”

Agência Fapesp

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