Uma universidade dos Estados Unidos (EUA), que conduz teste clínico para um possível tratamento do novo coronavírus, informou que os resultados iniciais poderão estar disponíveis em duas ou três semanas.
O médico brasileiro André Kalil é especialista em doenças infecciosas no Centro Médico da Universidade do Nebraska. Sua equipe está testando o remdesivir, uma droga experimental contra o ebola, como parte de um programa liderado pelos institutos nacionais de Saúde.
Segundo Kalil, até o momento, 80 pacientes têm participado do teste, com metade deles recebendo a droga e a outra metade, um placebo. Ele disse que sua equipe deverá ser capaz de examinar os resultados dos primeiros 100 pacientes nas próximas duas ou três semanas.
Entretanto, o médico brasileiro advertiu que a droga experimental tem efeitos colaterais indesejados. Ele afirmou que administrar qualquer medicamento que não foi testado e aprovado para se saber se é seguro criaria "mais riscos do que benefícios" em pacientes com sintomas leves. André Kalil disse que a droga deveria ser utilizada somente em pacientes com alto risco de morte.
Agência Brasil/ *Emissora pública de televisão do Japão
Foto: Christopher Aluka Berry/REUTERS/Direitos Reservados
O anúncio feito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última quinta-feira (19), de que o medicamento hidroxicloroquina (ou cloroquina) foi aprovado nos Estados Unidos para tratamento contra o novo coronavírus gerou uma corrida às farmácias no Brasil.
Agora, pessoas que realmente precisam do remédio para dar continuidade ao tratamento de doenças, não o encontram nos estabelecimentos.
Este é o caso da assessora de comunicação Eliene Costa Machado, de 37 anos. Ela faz uso de hidroxicloroquina há mais de 10 anos para tratar lúpus, uma doença inflamatória autoimune que pode afetar as articulações e diversos órgãos, como rins, pele e cérebro.
Na quinta-feira, após saber do comunicado de Trump, o marido de Eliene foi a oito farmácias na região da Pompeia, na zona oeste de São Paulo, mas não encontrou o medicamento em nenhuma delas.
"Ele ouviu em uma das farmácias: 'Vendemos as duas últimas [caixas] para pessoas que vieram atrás por causa do coronavírus'", conta Eliene.
"Na internet também não tem mais. Minha tia, que é de Taboão da Serra [município da Grande São Paulo], também tentou [comprar] e não conseguiu porque a farmacêutica recolheu, acho que com medo de ter problemas porque várias pessoas que precisam do remédio estão procurando", acrescenta.
Eliene precisa tomar hidroxicloroquina todos os dias, mas os comprimidos vão durar até a próxima semana. De acordo com ela, o medicamento custa entre R$ 72 e R$ 85. "É caro, então não costumo estocar", pondera.
"As pessoas estão indo comprar um remédio que elas não precisam e não sabem se vai funcionar. O remédio existe com uma finalidade e não é para tratar coronavírus", desabafa Eliene. "Não dá pra esgotar um medicamento sem pensar em quem realmente precisa dele".
Assim que leu a notícia, ontem, a empresária Amanda Forchesatto De Marchi, já ficou preocupada. Horas depois, desceu até a farmácia ao lado do trabalho e já constatou que não havia mais o medicamento, que usa por determinados períodos de tempo para amenizar os efeitos de uma doença autoimune que tem, a síndrome de Sjögren.
Ela percorreu mais quatro farmácias na cidade de Curitiba (PR) logo em seguida e também já não havia mais o medicamento.
"Esse medicamento é imunomodulador; ele não vai deixar meu sistema imunológico com defesa baixa como um imunossupressor, vai modular. [Sem tomar] posso ter piora nas dores articulares e nos sintomas específicos da doença, que são as mucosas — olhos e boca — secas."
A farmácia próxima ao trabalho dela reservou uma única caixa da cloroquina que chegou nesta sexta-feira. Isso garantirá à empresária ao menos mais 60 dias de remédio.
Amanda conta que ficou chateada quando percebeu que as pessoas estavam comprando um medicamento para estocar sem nem saber se precisariam.
"Nessa corrida desenfreada que teve, muita gente que não necessita acabou fazendo estoque em casa, quando agora a gente vai ter necessidade nos hospitais com pessoas em risco agudo de morte por causa do coronavírus."
Flávia Pinto Mendes da Silva, de 47 anos. ficou ansiosa ao saber das notícias sobre hidroxicloroquina e ligou imediatamente para o farmacêutico com quem costuma comprar o medicamento.
"Ele disse: 'acabou, as pessoas compraram de cinco a sete caixas hoje'. E esse é um remédio muito forte, que dá surdez e problemas de visão", diz sobre os efeitos colaterais. "E a gente que precisa ficou de mãos atadas", lamenta.
Ela demorou um ano para descobrir uma doença autoimune que até hoje não foi diagnosticada, mas afeta suas mamas. Para não ter sintomas, faz uso da medicação todos os dias
"Meu seio produz pus, secreção e sangue. Aparecem nódulos que estouram se eu não usar o remédio. Eu sentia muita dor, mas já estou há 4 anos tomando [o medicamento]", conta.
"Em outubro a médica tentou diminuir [a quantidade] e nasceu um nódulo, mas não evoluiu porque ela aumentou de novo", lembra.
Nervosa diante da situação, ela recorreu a um grupo em uma rede social para pedir ajuda. "Consegui graças a pessoas de prédios vizinhos que me cederam", diz ela, que mora no bairro Jardim Caravelas, zona sul de São Paulo.
Mas antes de saber dessa auxílio, Flávia mandou manipular o remédio. E para isso desembolsou mais que o drobo de dinheiro que costuma gastar. "Paguei R$ 150, e normalmente custa R$ 68", compara.
Medicamento 'sob estudo' Em entrevista ao R7, o infectologista Gerson Salvador, especialista em saúde pública, afirmou que o medicamento “tem potencial e está sob estudo” para ser usado no tratamento de pessoas que contraírem o novo coronavírus. No entanto, segundo ele, é preciso aguardar resultados definitivos.
“As pessoas têm que ter prudência, aguardar os resultados definitivos dos estudos, porque a gente pode ter um grande número de pessoas tomando o medicamento que nem está comprovado ser tão eficaz, como os estudos preliminares apontam, e, além do mais, a gente pode ter um monte de gente com efeitos colaterais graves”, enfatizou.
Precisa de prescrição médica Em nota, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não determinou nenhuma medida de restrição à comercialização da cloroquina nas farmácias.
Ainda de acordo com a instituição, o medicamento está sujeito a prescrição médica e registrado para tratar artrite, lupus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.
O Conselho Regional de Farmácia de São Paulo orienta os farmacêuticos a não vender o medicamento sem receita.
"A dispensação de medicamentos que contêm hidroxicloroquina e cloroquina deve ser feita somente mediante a prescrição médica", informou em nota.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta sexta-feira (20) uma resolução em que libera a fabricação e a venda de produtos como álcool gel e desinfetantes para limpeza de superfícies e ambientes sem autorização prévia da agência reguladora. A validade das regras é de seis meses.
As regras se aplicam a preparações antissépticas e sanitizantes oficinais (obtidos por meio de manipulação). Segundo a Anvisa, a medida é extraordinária e temporária e foi motivada pela situação de emergência de saúde pública internacional provocada pelo novo coronavírus (Covid-19). O objetivo é aumentar a oferta dos produtos no mercado para que a sociedade tenha mais acesso a itens de proteção.
De acordo com a resolução, terão permissão para fabricar e vender os produtos as empresas de medicamentos, saneantes e cosméticos regularizadas com Autorização de Funcionamento (AFE), alvará ou licença sanitária emitida pelo órgão de saúde competente dos estados, Distrito Federal e municípios. Além disso, as empresas devem ter todas as permissões legais para funcionamento, inclusive para fabricação e armazenamento de substâncias inflamáveis.
A Anvisa assegura que, quando utilizados da forma correta, os antissépticos e sanitizantes oficinais (obtidos por manipulação) são eficazes no combate a contaminações e reduzem a presença de microrganismos nocivos à saúde, como vírus e bactérias.
A Anvisa ressalta que para as empresas fabricantes de cosméticos e saneantes, a permissão de fabricar e comercializar aplica-se exclusivamente ao álcool 70%. O prazo de validade dos produtos não poderá ser superior a 180 dias. A resolução inclui a exposição e venda ao consumidor de álcool líquido 70% em embalagem de um litro.
Autorização de funcionamento
Em outra resolução, a Anvisa informa que vai priorizar a análise de solicitações referentes à Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) para indústrias e importadoras que realizam – ou pretendam realizar – atividades relacionadas a produtos destinados ao diagnóstico, à prevenção ou ao tratamento da pandemia do novo coronavírus.
Segundo a agência reguladora, também terão preferência os pedidos de concessão ou ampliação de atividades de AFE para farmácias de manipulação, em consonância com a autorização temporária que elas receberam para preparar e vender álcool gel ao público.
A empresa que tiver a análise priorizada e analisada receberá um ofício pelo sistema da Anvisa. O documento informará o número da AFE, em caso de deferimento, de modo que, excepcionalmente, a respectiva empresa não precisará esperar a publicação no Diário Oficial da União para executar as atividades.
Os interessados deverão encaminhar mensagem eletrônica para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e escrever no assunto: PRIORIDADE COVID19. É necessário informar, no conteúdo da mensagem, o número do expediente a ser priorizado, o CNPJ da empresa e o produto que está relacionado à priorização.
Confira abaixo quais preparações oficinais estão extraordinariamente e temporariamente permitidas para as empresas fabricantes de medicamentos:
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), através da Coordenação Geral das Regionais de Saúde, realizou nesta terça-feira (18), a oficina de apresentação e implantação do CONECTASUS_PI.
O programa pretende integrar as informações de saúde do cidadão em uma grande rede de dados. Com isso, os profissionais de saúde e gestores terão mais eficiência no atendimento e continuidade ao cuidado do paciente em qualquer tempo e lugar, como explica o coordenador geral das Regionais de Saúde, Coronel Rebelo.
“O Conecte SUS é parte da estratégia da Saúde Digital, que faz o uso de recursos de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) para produzir e disponibilizar informações confiáveis da saúde, para quem precisa no momento que precisa”, afirma.