reinfecçaõUm morador de 40 anos da cidade de Parnaíba testou positivo para o novo coronavírus por duas vezes em cinco meses, apresentando sintomas da Covid-19. A equipe de saúde do Hospital Municipal de Campanha Nossa Senhora de Fátima aponta que o caso se trata de uma reinfecção ou recrudescência, mas somente exames genéticos mais elaborados poderão confirmar. O caso será repassado a Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi) e para o Ministério da Saúde.

A infectologista Renata Beltrão, coordenadora do hospital de campanha, afirma que o caso do ponto de vista epidemiológico é preocupante porque o mesmo paciente pode ter ficado por pelo menos cinco meses com o vírus hibernando dentro do organismo.

“Ele fez exames sorológico e swab para Covid-19 e vieram positivos (no mês de maio). Ele ficou bem, fez os exames novamente e não tinha mais defesa nem o vírus na cavidade nasal. Ficou sem sintomas. Quando foi no final de setembro, voltou a sentir sintomas leves. Fez exames e encontramos de novo o vírus”, comenta a infectologista Renata Beltrão.

A infectologista explica que para descobrir uma reinfecção ou recrudescência, de acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS), o exame deve comparar as partículas virais dos dois momentos. Se o exame comprovar que a carga viral é diferente, trata-se de uma reinfecção. No entanto, se provar que é matéria equivalente, o caso é de recrudescência.

No caso da recrudescência, o paciente está com a mesma carga viral voltando a apresentar os sintomas da doença. No caso da reinfeção, o paciente é afetado por uma nova carga viral, diferente da anterior, voltando a apresentar os sintomas.

“A gente não tem como fazer essa comparação porque não se guarda o material genético. Então, não tem como enquadrar geneticamente se é ou não é a mesma partícula viral. Também não podemos afirmar se é reinfecção ou recrudescência porque isso não cabe a nós, mas aos órgãos maiores, como o Ministério da Saúde e a Sesapi”, diz Beltrão.

No caso desse paciente de 40 anos, a médica ressalta que ele teve um processo inicial da doença, apresentou cura e depois entrou em um novo processo inicial da doença. Equipes de infectologistas do hospital acompanharam diretamente o caso.

O boletim da Prefeitura Municipal de Parnaíba informa que a cidade registra 135 mortes e 7.333 casos confirmados da doença. O boletim ressalta que 18.407 casos foram descartados e pelo menos 7.182 pessoas venceram a doença.

 

cidadeverde

Foto: sesapi

coronavaccA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou nesta sexta-feira (23) que já fez uma análise do pedido de importação pelo Instituto Butantan de insumos da vacina chinesa contra Covid-19 CoronaVac, na qual foram identificadas "discrepâncias" informadas ao centro de pesquisas paulista, e destacou que não houve qualquer tipo de atraso na verificação.

O Butantan havia reclamado na véspera, em comunicado, de um suposto atraso de mais de um mês da Anvisa em analisar pedido de importação de insumos da vacina chinesa, mas o órgão regulador, também em nota, havia contestado e dito que a questão será respondida em até cinco dias úteis, negando que tenha atrasado o processo.
Em uma nova manifestação nesta sexta, a Anvisa disse que "o referido processo já havia sido analisado, quando da publicação da notícia, e que foram identificadas discrepâncias. Estas discrepâncias foram comunicadas ao Instituto Butantan".

A Anvisa acrescentou que o instituto paulista fez no mesmo processo de insumos um pedido de autorização excepcional para importação de vacina na forma em seringa preenchida e na forma de um produto intermediário. Segundo a agência, são produtos em condições sanitárias diferentes.

"Para não haver perda de tempo, o processo foi desmembrado e as vacinas envasadas terão sua análise feita no prazo máximo de até cinco dias úteis, separada da análise do pedido de insumos", afirmou a agência.

O órgão regulador afirmou que o processo se encontrava pautado para 4 de novembro, "justamente para que houvesse tempo hábil para o atendimento das discrepâncias apontadas no processo referente à matéria prima vacinal".

"Assim sendo, não há nenhum tipo de retardo/atraso/morosidade por parte da Anvisa. A análise foi feita e as discrepâncias foram encaminhadas para o atendimento pelo laboratório", informou.

Na véspera, o Butantan havia dito que aguardava desde 18 de setembro parecer da Anvisa ao pedido de importação de matéria-prima para produção da CoronaVac no Brasil.

O centro de pesquisa biológica paulista, que será responsável pela produção da CoronaVac no Brasil, disse no comunicado que o pedido tem "caráter excepcional para agilizar o fornecimento do imunizante no Brasil, contribuindo para salvar vidas e combater a pandemia", e acrescentou que "obviamente" a vacina não será aplicada sem a aprovação e registro da Anvisa.

A vacina chinesa virou tema de disputa acirrada entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, seu desafeto político, uma vez que o Butantan é ligado ao governo paulista.

Bolsonaro vetou um acordo costurado por seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que previa a compra de 46 milhões de doses da vacina produzida pelo Butantan com o objetivo de integrar o Programa Nacional de Imunização.

Apesar da disputa, o Butantan disse esperar que a agência "reavalie prazos e contribua para resguardar a saúde pública e a proteção dos brasileiros".

 

Reuters

Wu Hong/EFE/EPA

aviaocovidO risco de a covid-19 se disseminar em voos parece ser "muito baixo", mas não pode ser descartado, apesar de estudos só mostrarem um número pequeno de casos, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"A transmissão em voo é possível, mas o risco parece ser muito baixo, dado o volume de viajantes e o número pequeno de relatos de casos. O fato de que a transmissão não é amplamente documentada na literatura publicada não significa, porém, que não acontece", disse a OMS em um comunicado à Reuters.A caracterização do risco ecoa as descobertas de um estudo do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que na semana passada descreveu a probabilidade de se contrair a doença em aeronaves comerciais como "muito baixa".

Mas algumas empresas aéreas usaram uma linguagem mais vigorosa para descrever o risco da transmissão em voo.

Southwest Airlines e United Airlines disseram que estudos recentes mostraram que o risco é "virtualmente inexistente".

A Southwest, uma das poucas empresas aéreas que atualmente mantêm o assento do meio desocupado, disse nesta quinta-feira que, à luz da pesquisa, revogará a interdição destes assentos.

No dia 8 de outubro, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) disse que só potenciais 44 casos de transmissão em voo foram identificados entre 1,2 bilhão de viajantes neste ano.

 

Reuters

cargaviralO que é carga viral? O pneumologista José Rodrigues Pereira, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que carga viral é o número de cópias que a gente tem de um vírus em uma amostra de tecido ou secreção.


A carga viral pode tornar a covid-19 mais grave? De acordo com Pereira, não há comprovação científica de que uma maior carga viral reflete diretamente na gravidade da covid-19. "O que a gente sabe, com certeza, é que a exposição à carga viral maior aumenta o risco de a pessoa ter sintomas da doença", afirma. O especialista explica que isso acontece porque quanto maior o número de cópias do vírus, mais difícil é o combatê-lo e faz uma analogia: "O sistema imune é nosso exército protetor e o coronavírus é o exército invasor. Se o número de elementos desse exército for muito grande, a capacidade de invadir o sistema imune é maior"

Por sua vez, o pneumologista Carlos Carvalho, Diretor da Divisão de Pneumologia do InCor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, observa que quanto maior a carga viral, mais forte será a reação do sistema imune. É essa resposta exagerada do sistema imune que leva a casos mais graves de covid-19. "Vamos supor que eu sou o sistema de defesa da sala onde me encontro. Se entra um rato aqui eu posso dar uma vassourada e ele vai embora. Essa seria uma resposta leve e efetiva. Mas também posso dar uma resposta exacerbada e jogar uma dinamite, o rato vai embora do mesmo jeito, mas eu também vou explodir a porta", compara.

Vamos supor que sou o sistema de defesa dessa sala aqui. se vai entrar um cachorro aqui eu posso dar uma vassourada e ele vaiembora - leve e efetiva eu posso ter uma resposta exacerbada e jogar uma banana de dinamite e o cachorro vai embora, mas tbm vai explodir a porta (rato).

Um estudo mostrou que o coronavírus permanece por até 28 dias em algumas superfícies, como a tela de celular. Mas a carga viral ali presente é capaz de provocar infecção? Sim, é capaz, porém é pouco provável que isso aconteça, segundo Pereira. "Em superfícies como vidro, metal, papelão a carga viral vai diminuindo com o passar do tempo e assim, menor o risco de a pessoa se contaminar. Então, é possível o contágio, mas é pouco provável que ele ocorra", esclarece.


Em que fase da doença o paciente possui maior carga viral e possibilidade de infectar outras pessoas? Entre o sétimo e o décimo dia após o contágio. Essa é a fase de maior replicação viral, quando o vírus cria cópias de si mesmo. Pereira destaca que essa fase exige atenção, pois corresponde a um pico inflamatório e, depois dela, há pacientes que vão melhorar, enquanto outros vão apresentar uma evolução grave do quadro de covid-19
Crianças tendem a adquirir menos carga viral que adultos e idosos? Não se sabe. Mas, independente da carga viral, há algum fator de proteção que faz com que elas tenham menos risco de desenvolver sintomas sintomas e de apresentar formas graves da covid-19, de acordo com Pereira.

O uso de máscara reduz a exposição à carga viral? Sim, por isso a máscara é um método eficaz de prevenção."A pior máscara ainda é melhor que nenhuma máscara", destaca Pereira. Elas funcionam como uma barreira para todo tipo de infecção respiratória porque bloqueiam as gotículas maiores expelidas quando uma pessoa fala, canta, tosse e principalmente espirra. "Aerossóis [pequenas partículas líquidas contaminadas com o vírus que ficam suspensas no ar] ou gotículas menores podem passar, mas o risco de contágio é muito menor", acrescenta.

 

R7