lacenO Laboratório Central de Saúde Pública Dr. Costa Alvarenga (Lacen-PI) detectou material genético do novo coronavírus no líquido cefalorraquiano de um paciente vitimado recentemente por síndrome de Guillain-Barré. O exame foi realizado no setor de biologia molecular do Lacen-PI, por meio da técnica RT-PCR.

Segundo o médico neurologista e responsável pela pesquisa, Marcelo Adriano, essa identificação é um achado inédito para a ciência. “É o primeiro caso documentado no mundo em que o vírus é detectado no sistema nervoso de um paciente com a doença”, explica o médico.

Diante dos indícios iniciais de que a Covid-19 poderia atacar o sistema nervoso dos indivíduos, o programa local de vigilância epidemiológica dos agravos com manifestações neurológicas passou a incluir a pesquisa do SARS-CoV-2 no líquido cefalorraquidiano dos pacientes desde maio de 2020, no Lacen-PI.

Lacen está trabalhando 24 horas por dia para acelerar nos exames de identificação do coronavírus. “Nós estamos trabalhando sem parar desde o início da pandemia, buscando levar aos pacientes um diagnóstico preciso e de qualidade. Também realizamos pesquisas como esta que vão ajudar a entender como o vírus se comporta no sistema nervoso central”, destaca a diretora do Lacen-PI, Walterlene de Carvalho.

O exame de RT-PCR para o novo coronavírus foi adicionado ao painel de investigação laboratorial de herpes vírus, enterovírus e arbovírus dentre eles: zika, dengue, chikungunya e vírus do Nilo Ocidental. Essa estratégia foi responsável pela detecção do primeiro caso de encefalite pelo vírus da febre do Nilo Ocidental do país, em 2014.

“Em 2019, o Piauí foi alvo de uma visita de uma equipe de neuroepidemiologistas do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, por conta dos resultados positivos do programa”, lembra o neurologista Marcelo Adriano.

Atualmente, o Ministério da Saúde estuda a ampliação dos procedimentos de vigilância executados pelo Piauí para outros Estados da federação. A pesquisa realizada pelo laboratório do Piauí será encaminhada para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, centro de referência para o estudo da doença.

“Após detectarmos líquor positivo, repetimos a análise por três vezes. Essa amostra será enviada para Instituto Evandro Chagas, em Belém do Pará. Foi feito também quimioluminescência do soro do paciente com detecção do IgM e IgG, que testaram positivo para o vírus”, pontua a diretora do Lacen.

Síndrome

O líquido cefalorraquidiano é um fluido que envolve e protege o cérebro, a medula espinhal e as raízes de todos os nervos do corpo humano. Esse líquido é coletado por punção na região da coluna lombar, nos casos suspeitos da doença. A síndrome de Guillain-Barré é caracterizada pela perda aguda da força muscular e da sensibilidade nas pernas, nos braços, na face e até mesmo nos músculos da respiração. “Geralmente, a doença é deflagrada por infecções virais ou bacterianas – especialmente a bactéria intestinal Campylobacter jejuni e o vírus Zika. Nesse estudo, queremos saber se a síndrome é mais um agravamento correlacionado com a Covid-19″, explica o neurologista Marcelo Adriano.

Diante de uma infecção, por vezes o sistema imunológico do paciente confunde-se e passa a atacar os próprios nervos do indivíduo, reconhecendo erroneamente os seus envoltórios como se fossem vírus ou bactéria a serem eliminados. Nessas situações, indica-se o uso da medicação “imunoglobulina humana hiperimune” (disponível pelo SUS), na tentativa de interromper o processo de lesão dos nervos pelo próprio sistema imunológico.

 

O diretor do Hospital Natan Portella e infectologista, José Noronha esclarece que esse caso avaliado é de um paciente que apresenta uma síndrome que é uma resposta desregulada do sistema imunológico. De acordo com o médico, a síndrome causa uma desregulação e inflamação nos nervos periféricos.

“Apesar de já termos alguns casos descritos na literatura, secundários à infecção por Covid-19, é a primeira vez que conseguimos isolar uma amostra. Além disso, nós temos implicações a serem estudadas adiante, como o próprio sistema nervoso central funcionar como um abrigo para o Sars-Cov-2, principalmente se o paciente desenvolver manifestações neurológicas”, explica o infectologista.

 

Sesapi

coviddGrande parte das mortes por covid-19 ocorrem devido à chamada "tempestade" de citocinas, que é o momento em que o organismo de alguns pacientes cria uma resposta imune exagerada contra o vírus e que acaba destruindo tecidos e órgãos. A principal dificuldade dos médicos sempre foi não saber quem poderia desenvolver essa forma mais grave da doença.

Agora, uma metodologia criada por pesquisadores do Royal College of Surgeons da Irlanda, da Universidade de Harvard, do Hospital Beaumont, em Dublin, e do Brigham and Women's Hospital, em Boston, pode ser utilizada para salvar vidas no futuro.


Oliver McElvaney e Gerard Curley trabalharam em um modelo linear, baseado em pontos, a partir de exames de sangue dos pacientes. São observados duas proteínas produzidas por leucócitos durante a infecção pelo coronavírus: a IL-6 (interleucina 6) e a IL-10 (interleucina 10).

A IL-6 é pró-inflamatória, enquanto a IL-10 é anti-inflamatória. Os níveis das duas são alterados em pacientes com covid-19 grave, sendo possível o monitoramento a partir do quarto dia desde o início dos sintomas.


A escala Dublin-Boston foi projetada para que os médicos possam identificar quem pode se beneficiar de determinados tratamentos, como uso de esteroides, além da ida precoce para unidades de terapia intensiva.

"A pontuação Dublin-Boston é facilmente calculada e pode ser aplicada a todos os pacientes covid-19 hospitalizados", explica McElvaney.

Estima-se que em torno de 20% a 30% dos pacientes internados com infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 evoluem para um quadro grave.

Essa fase secundária da infecção ocorre, normalmente, a partir do 7º ao 10º dias. Muitas vezes, o vírus já não está mais ativo no organismo, mas a resposta imunológica acaba sendo fatal para alguns pacientes.

 

R7

Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases

Uma equipe de advogados, todos membros da Caixa de Assistência aos Advogados do Piaui - CAAPI, de Teresina, esteve na OAB, Subseccional de Floriano, no final de semana num trabalho de vacinação da classe.

A presidente da CAAPI a advogada Andréia Araújo acompanhou toda ação programada. Numa entrevista, ela cita que o trabalho vem se estendendo a várias regionais pelo Estado.

andrea

Veja as entrevistas que foram feitas pelo Carlos Iran.

 

Da redação

omscovidA OMS (Organização Mundial da Saúde) informou nesta sexta-feira (16) que avaliará anticorpos monoclonais e outros medicamentos antivirais em seu teste de tratamentos com potencial para enfrentar a covid-19, depois que seu estudo revelou que o remdesivir, da Gilead, não teve impacto nas taxas de sobrevivência.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em entrevista coletiva que o teste chamado Solidariedade continuará, depois de ser lançado em março em 500 hospitais em 30 países para avaliar a eficácia do remdesivir e vários outros medicamentos em pacientes com covid-19.

 

O remdesivir foi um dos remédios utilizados para tratar o presidente norte-americano, Donald Trump, após sua infecção pelo coronavírus e seu uso demonstrou, em estudos anteriores, ter reduzido o tempo de recuperação, embora a União Europeia esteja investigando uma possível lesão renal.

O estudo da OMS foi conduzido em 11.266 pacientes adultos em mais de 30 países. As evidências foram conclusivas, afirmou a OMS.

A Gilead informou que outros estudos com remdesivir, incluindo 1.062 pacientes que o compararam com um placebo, mostraram que o tratamento reduziu o tempo de recuperação de pacientes com covid-19.

 

"Os dados emergentes [da OMS] parecem inconsistentes, com evidências mais robustas de vários estudos randomizados e controlados publicados em periódicos revisados por pares que validam o benefício clínico do remdesivir", disse Gilead à Reuters.

A farmacêutica acrescentou que "não está claro se alguma descoberta conclusiva pode ser obtida", devido ao que chamou de diferenças na forma como o estudo foi conduzido de um local para outro e entre os pacientes que receberam o medicamento.

 

Reuters

Foto: Christopher Black/OMS/via Reuters