Um coquetel de medicamentos dado em um hospital da Flórida a pacientes com covid-19, que de acordo com seus criadores dá um resultado positivo em mais de 95% dos casos se aplicado no início da doença, é alvo de um ensaio clínico com voluntários para testar sua eficácia.
O ICAM, como a terapia desenvolvida no hospital do grupo AdventHealth em Ocala, no centro-oeste da Flórida, foi chamada, é composta de vitaminas e zinco, corticosteroides, anticoagulantes e antibióticos, de acordo com a entidade de saúde.
O site especializado TrialSite News publicou que 100 pessoas que deram positivo no teste do coronavírus se voluntariaram para ser tratadas com o ICAM fora do hospital como parte de um ensaio clínico apoiado pelo Departamento de Saúde da Flórida e pelo Centro de Saúde do Coração da Flórida.
O julgamento foi aprovado pelo Conselho do AdventHealth e começou na última segunda-feira no condado de Marion, que inclui Ocala, de acordo com o portal.
O ICAM foi desenvolvido pela diretoria de farmácia e por uma equipe de médicos do hospital Ocala e tem sido fornecido a pessoas hospitalizadas pela covid-19 há meses. Não foi testado em casos leves de infecção, mas em pessoas que precisam ser hospitalizadas.
"Durante 76 dias, nossos pacientes tiveram zero transferências para a unidade de terapia intensiva, zero necessidade de ventiladores mecânicos e zero mortes por tratamentos como o ICAM ou similares", declarou a diretora de farmácia do hospital AdventHealth Ocala, Carlette Norwood-Williams.
Ela destacou que a pesquisa mostra que com a medicação correta aplicada imediatamente após o diagnóstico, um paciente contagiado pelo vírus SARS-CoV-2 pode ter uma melhor resposta, independentemente da idade ou de outras condições, e isso aumenta suas chances de sobrevivência.
Em pacientes que recebem o ICAM imediatamente após o diagnóstico, a taxa de sucesso é de 96,4%, de acordo com Norwood-Williams e colaboradores.
O objetivo do ensaio clínico é determinar se o trabalho da equipe de especialistas do hospital Ocala pode ser usado em outro lugar para tentar reduzir a taxa de mortalidade da covid-19.
O número de mortes causadas pelo coronavírus pode dobrar para 2 milhões antes que uma vacina bem-sucedida seja amplamente distribuída, e pode ser ainda maior sem uma ação conjunta para conter a pandemia, disse uma autoridade da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta sexta-feira (25).
"A menos que façamos isso, qualquer número que você diga [2 milhões de mortes] não é apenas imaginável, mas infelizmente muito provável", disse Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS em entrevista nesta sexta-feira.
Sua visão foi compartilhada num momento em que o número total de mortes nove meses desde que o vírus foi descoberto na China se aproxima da terrível marca de 1 milhão.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao Sistema Único de Saúde (Conitec SUS) abriu consulta pública sobre a proposta de adoção da substância cloridrato de prasugrel como tratamento para combater a trombose de stent (prótese de desobstrução arterial) em pacientes diabéticos com síndrome coronariana aguda e que fizeram angioplastia coronariana primária.
Podem participar pacientes, a comunidade médica e a população em geral. A consulta pública ficará aberta até o dia 5 de outubro. A comunidade técnico-científico pode acessar o formulário. O público em geral pode fazer inscrições em neste site.
De acordo com os dados, a adoção do cloridrato de prasugrel pode reduzir em até 40% o risco de reinfarto e colocação de novo stent em pacientes com esse quadro. A medicação pode ser indicada também para não-diabéticos, com chance de diminuir o reinfarto em até 20%. Isso ocorre porque o cloridrato evita que a plaqueta grude no stent, permitindo que o sangue flua, o que evita um novo infarto. Segundo o Ministério da Saúde, 30% dos pacientes que passaram por angioplastia são diabéticos.
Atualmente no Brasil o medicamento é utilizado em hospitais particulares especializados no tratamento de pacientes diabéticos com síndrome coronariana aguda que realizaram angioplastia coronariana primária. Esse tratamento já é utilizado pelo sistema de saúde da Alemanha, Austrália, Canadá, Escócia, Inglaterra, entre outros, com resultados comprovados pela comunidade médica desses países.
O responsável pela Unidade Clínica de Coronariopatia Aguda do InCor – HC-FMUSP, Roberto Rocha Giraldez, explicou que a doença coronária ocorre quando se formam placas na circulação do coração. Com o tempo, a idade e principalmente os fatores de risco (diabetes, colesterol, hipertensão, tabagismo) aceleram a formação dessas placas que vão entupindo o coração.
"O evento agudo, o infarto, acontece subitamente porque nessas placas ocorrem fenômenos agudos que determinam que se forme um coágulo em cima da placa que é o que entope a circulação. Sem sangue nenhum o indivíduo acaba tendo o infarto, que é a necrose do músculo do coração decorrente da falta de sangue, oxigênio e nutrientes", explicou.
O cloridrato de prasugrel atua de forma rápida e mais intensamente, o que é importante para o indivíduo que chega ao hospital com infarto. Além disso ninguém oferece resistência a essa substância, o que garante a eficácia para todos.
"Isso foi comparado com outro medicamento disponível, o clopidrogrel, e o resultado foi que houve uma diminuição do infarto e um aumento do benefícios que esses medicamentos promovem, apesar do sangramento aumentar, o que é normal em medicamentos mais fortes. O prasugrel é um avanço, uma nova geração de medicamentos antiplaquetários. O benefício existe na fase aguda e também continua posteriormente."
Estudo
O presidente da Associação Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, destacou que há vantagem em introduzir o medicamento no SUS desde que seja suportável financeiramente pelo sistema. “Há uma métrica econômica para avaliação da implementação de novas tecnologias em saúde. A entidade se comprometeu a participar de estudo econômico para avaliar o emprego da terapia na prática clínica. O objetivo é verificar se os dados dos ensaios se replicam na prática e se são da magnitude observada no SUS. Nós temos compromisso não só com a comprovação científica apresentada mas com a sustentabilidade do sistema de saúde”, afirmou.
O Ministério da Saúde informou, em nota, que a consulta pública tem o objetivo de ampliar a discussão sobre o assunto e embasar as decisões sobre formulação e definição de políticas públicas. Para promover a participação da sociedade no processo de tomada de decisão para a inclusão de medicamentos e outras tecnologias no SUS, a Conitec disponibiliza suas recomendações em consulta pública por um prazo de 20 dias. Excepcionalmente, esse prazo pode ser reduzido para 10 dias em situações de urgência.
“A incorporação, a exclusão ou a alteração de novos medicamentos, produtos e procedimentos, bem como a constituição ou alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica são atribuições do Ministério da Saúde. Para cumprir essas atribuições, a pasta é assessorada pela Conitec.
A análise da Comissão deve ser baseada em evidências científicas, publicadas na literatura, sobre eficácia, acurácia, efetividade e segurança da tecnologia, bem como a avaliação econômica comparativa dos benefícios e dos custos em relação às tecnologias já incorporadas. É imprescindível que a tecnologia em saúde possua registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, afirmou o Ministério da Saúde.
A Rússia espera registrar uma segunda vacina em potencial contra a covid-19 até o dia 15 de outubro, disse a agência de notícias TASS citando o órgão regulador russo de segurança do consumidor Rospotrebnadzor nesta terça-feira (22).
A vacina foi desenvolvida pelo Instituto Vector, da Sibéria, que concluiu o estágio inicial de testes em humanos na semana passada.
A Rússia registrou sua primeira candidata a vacina, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, de Moscou, em agosto. Os testes em estágio avançado desta candidata com pelo menos 40 mil pessoas estão em andamento.