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Nesta segunda-feira, 04, o Piauí registrou sua 29ª morte de paciente infectado pelo novo coronavírus. Um homem de 68 anos, de Luzilândia, Norte do estado, faleceu no hospital Getúlio Vargas, em Teresina (PI). Ele era diabético, uma das comorbidades que podem agravar a saúde do paciente com a covid-19.

Agora são 29 óbitos de pacientes de Teresina (14), Parnaíba (3), Piracuruca (2), Buriti dos Lopes, Canto do Buriti, Bom Princípio do Piauí, Júlio Borges, Itaueira, Luzilândia, Pedro II, Picos, São Francisco do Piauí e São José do Divino (1).

Novo recorde em 24 horas
A morte de Luzilândia foi confirmada no dia no qual o Piauí bateu novo recorde de casos confirmados: 91 em apenas 24 horas.

São 875 no total - 275 desses somente nos quatro primeiros dias de maio, segundo números divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi).

Dos novos testes positivos, 55 foram em Teresina, que chegou a marca de 540 casos confirmados.

Casos no interior
Parnaíba (41), Picos (30) e São Raimundo Nonato (29), Miguel Alves (24), União (21) e Esperantina (20) são os municípios com mais casos depois da capital.

Uruçuí, que tinha apenas um caso até o início do mês, recebeu mais 7 testes positivos somente nesta segunda-feira. A prefeitura publicou um novo decreto determinando o uso de máscara no município.

Em Bom Jesus, o número de casos confirmados subiu de 3 para 6. Os pacientes estão em isolamento domiciliar, segundo a prefeitura do município.

Oeiras agora tem 7 casos confirmados. Um paciente do município internado no hospital Deolindo Couto testou positivo. A unidade de saúde tem mais dois pacientes de outros municípios na enfermaria.

Também foram confirmados os primeiros casos em Batalha, Beneditinos, Cocal e Marcos Parente - o número de municípios com pacientes agora é 76.

Situação hospitalar
Mais 15 pacientes foram internados com suspeita de Covid-19 e apenas 2 tiveram alta nas últimas 24 horas.

São 211 leitos ocupados, sendo 137 leitos clínicos, 4 de estabilização e 70 de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). É a maior ocupação de UTIs desde o início das internações no Piauí por conta da Covid-19 - 37,6% da capacidade disponível.

 

cv

De feirante a cientista, conheça a história de Gustavo Cabral

pesquibahiaNatural de Tucano, interior da Bahia, o imunologista Gustavo Cabral de Mesquita, 38, está em uma missão importante: buscar desenvolver a vacina brasileira contra o novo coronavírus. Ele compõe a linha de frente de uma equipe de cientistas do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, ao lado do renomado cardiologista Jorge Kalil, que pode ajudar a conter a Covid-19.

Gustavo carrega a bandeira da educação e da ciência como valores que o motivaram a mudar o direcionamento da sua vida, embora isso não tenha começado muito cedo em sua trajetória. Para ajudar nas finanças da família, o trabalho desde muito jovem foi prioridade para ele.

“Eu trabalhava na feira, vendia geladinho, frutas, como coco e manga. Aos 15 anos, resolvi sair de casa e fui morar em Euclides da Cunha, cidade próxima a Tucano. Lá eu comecei a trabalhar no açougue, fiquei quatro anos trabalhando nisso e não conseguia continuar os estudos. Parei três anos de estudar, começava e não continuava”, recorda.

O primeiro de quatro filhos a ingressar no ensino superior, a decisão de Gustavo não podia ter sido mais acertada. Escolheu o curso de Ciências Biológicas, na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Campus Senhor do Bonfim. O que ele não imaginava era que isso iria se tornar uma porta de entrada para conhecer o mundo. “Imagina, eu nasci num povoado com três mil habitantes, no máximo, da cidade de Tucano, na Bahia, e pude descobrir o mundo por meio da educação”, comemora.

Com o incentivo de uma bolsa de pesquisa, após a graduação, veio o mestrado em Imunologia em Salvador, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Depois, em São Paulo, fez doutorado com o mesmo tema na Universidade de São Paulo (Usp). No exterior, seguiu com os estudos na Universidade de Oxford, na Inglaterra, além de também estudar em Portugal e na Suíça.

Em seu currículo, Cabral tem, entre inúmeras realizações, o desenvolvimento de uma vacina, ainda em modelo animal, contra o Zica vírus. O que não consta nos registros físicos do seu trabalho é o orgulho que sente em contribuir, através do seu exemplo, para mudar a “cara” da sua família, como ver o seu irmão mais novo concluir o doutorado, também na USP.

 “O caminho para as uma das maiores revoluções na vida das pessoas que não têm condições de vida muito boa é invadir os espaços universitários. Isso promove uma transformação enorme. Tudo muda quando olhamos para os centros universitários e pensamos “aqui também é o meu lugar”, reflete o cientista que sempre defende o incentivo à educação e ciência como possibilidade para que inúmeros outros jovens possam mudar a sua realidade, trazendo retorno para a sociedade.

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

anvisaA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em contato com a Gilead, empresa que fabrica o remdesivir no exterior, para acompanhar a evolução dos estudos do medicamento para o tratamento do novo coronavírus (covid-19).

Nessa sexta-feira (1º), o Food and Drug Administration (FDA) autorizou o uso do remdesivir nos Estados Unidos para tratamento da infecção em pacientes em estado grave. Nos próximos dias, a Anvisa fará reunião com a fabricante para verificar o interesse e a viabilidade do fornecimento do medicamento no Brasil.

De acordo com a Agência, a Gilead tem vários esstudos clínicos em andamento para o remdesivir, com dados iniciais esperados nas próximas semanas. “Caso o benefício do medicamento se comprove, a Anvisa possui mecanismos, como anuência de uso em programa assistencial e priorização de registro, para garantir o acesso célere do medicamento à população”.

Segundo a Agência, o remdesivir não possui pedido de registro no Brasil. Até o momento, também não houve solicitação de anuência em pesquisa clínica com o medicamento, que teve o uso clínico autorizado nos Estados Unidos.

“Ressaltamos que somente as pesquisas clínicas que tem a finalidade de subsidiar o registro ou alteração de registro, como a inclusão de uma nova indicação terapêutica em bula, por exemplo, estão no escopo de atuação da Anvisa”.

Outras pesquisas, como as pesquisas científicas ou acadêmicas, com outras finalidades requerem somente a aprovação pela instância ética (Comissão Nacional de Ética-Conep e as Comissões de Ética - CEPs Locais).

Até o momento não houve nenhuma solicitação de autorização de uso do medicamento por meio de Programas Assistenciais (Uso Compassivo e Acesso Expandido), segundo a Anvisa.

 

Agência Brasil

Foto: reprodução Agência Brasil

cardioO risco de pneumonia e problemas respiratórios em pacientes com o novo coronavírus é bem conhecido, mas há cada vez mais evidências de graves problemas cardiovasculares associados à doença, de acordo com um estudo que destaca a necessidade de usar terapias anti-inflamatórias comprovadas para o coração.

Uma equipe de cientistas chineses, liderada por Shuyang Zhang, do departamento de cardiologia da Faculdade de Medicina da União de Pequim, realizou um estudo detalhando as diferentes formas como a covid-19 pode desencadear problemas cardiovasculares.

Além disso, é estabelecido um guia para a escolha de terapias de prevenção ou redução destes danos, e menciona os riscos para o sistema cardiovascular de alguns medicamentos atualmente em teste contra o coronavírus. O trabalho foi publicado em um artigo na revista "Frontiers in Cardiovascular Medicine".
Além disso, é estabelecido um guia para a escolha de terapias de prevenção ou redução destes danos, e menciona os riscos para o sistema cardiovascular de alguns medicamentos atualmente em teste contra o coronavírus. O trabalho foi publicado em um artigo na revista "Frontiers in Cardiovascular Medicine".
A inflamação desempenha um papel importante no desenvolvimento e nas complicações das doenças cardiovasculares.

Zhang e sua equipe observaram que pacientes da covid-19 com sinais aumentados de resposta inflamatória têm maior probabilidade de sofrer eventos cardiovasculares graves e correm maior risco de morte.

Os cientistas identificaram várias maneiras pelas quais o novo coronavírus pode desencadear problemas cardiovasculares: o vírus pode infectar diretamente e causar inflamação dos tecidos cardíacos, agravar problemas cardiovasculares existentes ou desencadear uma resposta imune excessiva no organismo.

Essa resposta excessiva refere-se a uma "tempestade de citocinas". As citocinas são as "bandeiras vermelhas" do corpo: um agente estranho entra no corpo, as citocinas são liberadas e o sistema imunológico reage e ataca esse micro-organismo estranho (neste caso, o coronavírus SARS-CoV-2).

No entanto, quando há uma tempestade desses "sinais de alarme" ou moléculas, o sistema imunológico fica fora de controle e não apenas luta contra o vírus, mas também ataca o próprio corpo.

Nesse sentido, os pesquisadores recomendam o tratamento anti-inflamatório contínuo para ajudar na recuperação: terapias anti-inflamatórias cardiovasculares comprovadas devem ser usadas para tratar pacientes com covid-19 que estejam em risco ou tenham desenvolvido problemas cardiovasculares (essas terapias limitam a atividade da sistema imunológico sobre o coração).

Em relação às experiências com alguns medicamentos para a doença, os pesquisadores alertam que sua eficácia e segurança ainda são desconhecidas.

"Alguns medicamentos usados para pacientes com covid-19, como lopinavir / ritonavir, interferon, ribavirina e hidroxicloroquina, podem realmente aumentar o risco de deterioração cardiovascular", explica Zhang.

Ele acrescenta que, considerando que esses medicamentos podem se tornar essenciais no tratamento clínico de pacientes com covid-19, são urgentemente necessárias estratégias de proteção cardiovascular para melhorar o prognóstico geral.

"Esperamos que nosso estudo forneça informações úteis para a comunidade mundial na esperança de melhorar o gerenciamento clínico da covid-19 durante esta pandemia", resume o cientista chinês.

 

EFE

Foto: Reprodução CCTV via Reuters