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Data: 3/04/2025

Um estudo publicado nesta terça-feira (8) na revista The Lancet Regional Health - Americas revelou que mais de 569 mil mortes em 35 países do continente americano foram relacionadas à resistência antimicrobiana em 2019, representando 11,5% das mortes globais relacionadas ao problema.

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) trata a resistência aos antibióticos como uma ameaça global. Ela é causada principalmente pelo uso indevido dessa classe de medicamentos em humanos e animais, levando muitas vezes a infecções mais difíceis de tratar, internações hospitalares mais longas, custos médicos mais altos e aumento da mortalidade. “As bactérias desenvolveram resistência contra os medicamentos que inventamos para matá-las e, em vez disso, esses patógenos estão matando pessoas em taxas superiores às do HIV/Aids ou da malária”, disse em comunicado o coautor e pesquisador Lucien Swetschinski, do Institute for Health Metrics and Evaluation. De acordo com o estudo, as infecções respiratórias bacterianas, infecções sanguíneas, infecções intra-abdominais e infecções do trato urinário foram responsáveis pela maioria das mortes relacionadas à resistência antimicrobiana na região, totalizando 89% dos óbitos por infecção bacteriana.

As bactérias que mais causaram óbitos foram Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Streptococcus pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii. Esses patógenos foram responsáveis ​​por 452 mil falecimentos em que se pôde relacionar a tratamentos com antibióticos que não funcionaram.

Os países com as maiores taxas de mortalidade associadas à resistência antimicrobiana foram Haiti, Bolívia, Guatemala, Guiana e Honduras.

Já os menores índices foram observados no Canadá, EUA, Colômbia, Cuba, Panamá, Costa Rica, Chile, Venezuela, Uruguai e Jamaica.

Os pesquisadores observaram que os nove países com maior mortalidade associada à resistência antimicrobiana não tinham um plano de ação ou não o haviam publicado.

Eles mostraram que, em contrapartida, Chile, Colômbia, Costa Rica e Estados Unidos tinham diretrizes específicas para lidar com a questão.

“Se os formuladores de políticas, médicos, cientistas e até mesmo o público em geral não implementarem novas medidas agora, essa crise global de saúde piorará e poderá se tornar incontrolável", alertou Swetschinski.

R7

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A Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), por meio da Coordenação de Atenção a Saúde do Adulto e Idoso, realiza na próxima quarta-feira (09) a segunda capacitação do Curso de Iniciação a Prevenção do Tabagismo. Atualmente, a nova turma já conta com 511 profissionais inscritos de diversas áreas, como profissionais de estratégia da saúde da família, profissionais da área da educação e agentes comunitários de saúde. A primeira turma do curso, capacitada no mês de junho deste ano, contou com a participação de 544 profissionais.

A capacitação acontecerá no horário das 09h30 às 16h30 e será transmitida pelo link https://youtube.com/live/hJWUAgSmH-c?feature=share,

O treinamento tem por objetivo qualificar a equipe de saúde e a equipe de educação a atender melhor a população dentro das ações desenvolvidas pelo programa de controle do tabagismo. “Esses profissionais estarão capacitados para trabalhar ações de conscientização, monitoramento, discutir a questão dos ambientes livres de tabaco e do tratamento, que pode ser medicamentoso ou através de acompanhamento de grupos ou individual, com a terapia cognitiva comportamental”, fala a coordenadora de Atenção à Saúde do Adulto e Idoso da Sesapi, Luciana Sena.

No Piauí, além das capacitações de profissionais junto ao INCA, a Sesapi também trabalha com a dispensa de medicamentos utilizados no tratamento do tabagismo para os municípios. Somente em 2023 já foram distribuídos aos municípios mais de 103 mil unidades de medicamentos utilizados nesse trabalho.

Hoje, no Piauí, 167 municípios fazem parte do cadastro da Sesapi do programa de enfrentamento ao tabagismo e repassam dados dos trabalhos realizados durante o quadrimestre. “Atualmente apenas 34 dos municípios já nos repassaram essas informações, mas eles já apontam que mais de 1200 piauienses estão fazendo esse tratamento, então conseguimos dimensionar uma quantidade ainda maior de assistidos quando consideramos os 167 municípios”, destaca Luciana Sena.

A superintende de atenção primária a saúde e municípios, Leila Santos, destaca a importância do trabalho de capacitar e disponibilizar atendimento qualificado à população que busca sair da dependência do tabaco.

“De acordo com dados do INCA, mais de 8 milhões de pessoas morrem por ano no mundo devido ao tabagismo. O tabagismo é um fator de risco remediável principalmente quando existe a procura por parte da população por esse tratamento. Garantir profissionais capacitados permite que mais pessoas se sintam confortáveis e incentivadas a buscar pelo serviço”, fala a superintendente. em Teresina (PI)

Sesapi

A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) aprovou nesta sexta-feira (4), pela primeira vez, o uso de um medicamento oral para tratar a depressão pós-parto.

remediodepresaao

O remédio, que será comercializado com o nome de Zurzuvae, deve ser tomado uma vez por dia, durante 14 dias, explicou o órgão regulador em um comunicado. A FDA lembrou que, até agora, "o tratamento da depressão pós-parto só estava disponível como uma injeção intravenosa administrada por um profissional de saúde em determinados centros".

Os efeitos colaterais mais comuns do Zurzuvae são tontura, diarreia, sonolência e fadiga, entre outros.

Além disso, o medicamento terá um aviso de que seu uso pode afetar a capacidade de dirigir e operar máquinas.

"Para reduzir o risco, pacientes não devem dirigir ou operar máquinas pesadas por pelo menos 12 horas após tomar o Zurzuvae", disse a FDA.

A eficácia do tratamento foi demonstrada em dois estudos randomizados. Nos testes, as mulheres que tomaram o medicamento observaram uma melhora significativa em seus sintomas, em comparação com aquelas que tomaram apenas o placebo.

Essa melhora, segundo o órgão regulador, foi mantida quatro semanas após o término do tratamento.

De acordo com dados de 2018 dos CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), uma em cada oito mulheres que deram à luz recentemente nos EUA desenvolve sintomas de depressão pós-parto.

"A depressão pós-parto é uma doença séria e potencialmente fatal que leva as mulheres a sentir tristeza, culpa, inutilidade — até mesmo, em casos graves, a pensar em provocar dano a si mesmas ou a seus filhos", disse no comunicado Tiffany Farchione, diretora da divisão de Psiquiatria no centro para avaliação de fármacos da FDA.

"Ter acesso a um medicamento oral será uma opção benéfica para muitas dessas mulheres", concluiu.

EFE

Foto: Freepik

Um estudo recente, conduzido por cientistas da Universidade da Califórnia, em Riverside, concluiu que o consumo elevado de óleo de soja está relacionado à colite ulcerativa, uma das formas mais graves de inflamação intestinal.

O Manual MSD de Diagnóstico e Tratamento descreve a colite ulcerativa como "uma doença intestinal inflamatória crônica em que o intestino grosso (cólon) fica inflamado e ulcerado (com perfuração ou erosão), que pode causar exacerbações (ataques ou crises) de diarreia com sangue, cólicas abdominais e febre". Pacientes com essa condição também têm um risco maior a longo prazo de desenvolver câncer de cólon. No estudo, cujos resultados foram publicados no mês passado na revista Gut Microbes, o grupo de cientistas alimentou camundongos com uma dieta rica em óleo de soja por 24 semanas. No fim desse período, foi feita uma análise do intestino dos animais.

Constatou-se que a quantidade de bactérias benéficas diminuiu, enquanto a de bactérias prejudiciais, mais especificamente a Escherichia coli aderente e invasiva, aumentou. Essa condição, chamada de disbiose, pode levar à colite ulcerativa.

A coautora do artigo, a microbióloga e pesquisadora Poonamjot Deol, explicou que a principal preocupação é o ácido linoleico, presente no óleo de soja.

"Embora nosso corpo precise de 1% a 2% de ácido linoleico diariamente, com base na dieta paleolítica, os americanos hoje estão obtendo 8% a 10% de sua energia diária do ácido linoleico, a maior parte dele do óleo de soja. [...] O ácido linoleico em excesso afeta negativamente o microbioma intestinal."

Poonamjot alerta ainda para o fato de que o excesso de ácido linoleico "torna a barreira epitelial intestinal porosa".

A função de barreira epitelial do intestino é fundamental para mantê-lo saudável. Quando há alguma interrupção, o intestino pode tornar-se permeável e permitir que substâncias nocivas, como toxinas, vazem para a corrente sanguínea. Isso pode levar a infecções e condições inflamatórias crônicas, como a colite.

A equipe também descobriu que a E. coli aderente e invasiva se alimenta do ácido linoleico. Em contrapartida, as bactérias boas acabam mortas por esse composto.

"A Escherichia coli aderente e invasiva contribui para a DII [doença intestinal inflamatória] em humanos, e o fato de encontrarmos essa E. coli nesses camundongos é preocupante. [...] Às vezes, pode não ficar claro como a pesquisa feita em camundongos se traduz em humanos, mas nesse estudo está bastante claro", disse outro autor do trabalho, o professor de microbiologia e fitopatologia James Borneman.

O time de cientistas teve outra surpresa, que envolveu os endocanabinoides e as oxilipinas.

Os endocanabinoides são moléculas produzidas naturalmente pelo corpo que regulam uma ampla variedade de processos fisiológicos, incluindo a inflamação, o metabolismo e a dor. Os ácidos graxos poli-insaturados oxigenados, ou oxilipinas, são um tipo de ácido graxo que também desempenha um papel na regulação da inflamação.

Após a dieta rica em óleo de soja, os camundongos apresentaram redução dos endocanabinoides e aumento das oxilipinas.

"Anteriormente, descobrimos que oxilipinas no fígado se correlacionam com a obesidade. Algumas oxilipinas também foram encontradas como bioativas em estudos de colite. A principal conclusão de nosso estudo atual é que uma dieta enriquecida com óleo de soja, semelhante à dieta americana atual, faz com que os níveis de oxilipinas aumentem no intestino e os níveis de endocanabinoides diminuam, o que é consistente com a DII em humanos", acrescentou Poonamjot.

Por fim, a pesquisadora salienta que os achados nesse trabalho contrariam "o pensamento de décadas atrás de que muitas doenças crônicas decorrem do consumo excessivo de gorduras saturadas de produtos animais, e que, inversamente, as gorduras insaturadas de origem vegetal são necessariamente mais saudáveis".

O óleo de soja é o tipo de óleo vegetal mais usado no Brasil, país que responde pelo terceiro maior volume de consumo global do produto, atrás da China e dos Estados Unidos.

A recomendação dos especialistas é que a população evite o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e controle a ingestão desse ingrediente específico no dia a dia.

R7