O Programa Inclusão Social é uma iniciativa da Assistência Estudantil da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), voltada para discentes com deficiência, transtornos de neurodesenvolvimento ou altas habilidades/superdotação, matriculados nos cursos de graduação e pós-graduação presenciais. O objetivo do programa é apoiar dois grupos de discentes simultaneamente, o estudante com deficiência e o bolsista selecionado para auxiliá-lo.
O aluno com deficiência recebe o apoio de um bolsista, que o assiste nas atividades acadêmicas e na sua adaptação ao ambiente universitário. Em contrapartida, o bolsista selecionado recebe uma bolsa mensal de R$ 700,00 e deve cumprir uma carga horária de 20 horas semanais de apoio ao estudante com deficiência.
Raislúcio Leal e Carla Gabriele Monteiro, ambos bolsistas do programa, são exemplos do impacto positivo dessa iniciativa. A experiência deles foi fundamental para a criação do projeto “Voz Ativa”, que conquistou o segundo lugar no prêmio “Desafio LED – Me dá uma luz aí!”, promovido pela Rede Globo e pela Mastertech, destacando a importância do Programa Inclusão Social e das políticas de inclusão na UESPI.
Willyane Silva, beneficiária do programa, ressaltou a relevância do auxílio em seu cotidiano, “A gente vai se aprimorando nas atividades e nos trabalhos. É bom saber que realmente temos pessoas com quem podemos contar, dispostas a ajudar. É muito importante ter alguém sempre te auxiliando e ajudando”.
Sayanne Santos, bolsista que auxilia Willyane, explicou seu papel na sala de aula, “Monitoro se ela está conseguindo acompanhar as atividades e fazer as leituras. Também proponho exercícios para que ela trabalhe tanto a leitura quanto a escrita, sempre de acordo com as aulas e tarefas seguintes”.
Para garantir o suporte adequado, o bolsista deve estar matriculado na mesma turma que o estudante com deficiência ou, na turma subsequente, para oferecer o auxílio necessário de forma efetiva.
A Diretora do DAEC, professora Aline Diolindo, destacou a importância do programa ao fornecer suporte pedagógico aos alunos do público-alvo da educação especial inclusiva, “O auxílio visa facilitar a trajetória acadêmica dos discentes e promover a inclusão plena no ambiente universitário”.
A bolsa do Programa Inclusão Social não tem um prazo fixo de vigência. Embora exista um período determinado, ele pode ser renovado conforme a necessidade do aluno com deficiência, garantindo a continuidade do apoio enquanto for necessário. O discente que cumpre os requisitos do programa deve solicitar o bolsista na coordenação de seu curso.
O Laboratório de Imunogenética e Biologia Molecular da Universidade Federal do Piauí (LIB/UFPI) já realizou mais de mil atendimentos gratuitos à população e diagnosticou mais de trinta tipos de doenças genéticas e/ou raras nos pacientes, ampliando acesso ao diagnóstico, sem necessidade de deslocamentos a outros estados e ajudando a levar mais qualidade de vida às famílias.
Os testes ocorrem no Setor de Genética Médica, implantado em 2021 pela biomédica e pesquisadora em Genética Médica, Ester Miranda, e pela pesquisadora e professora da UFPI, Semiramis Jamil, coordenadora do LIB. Os exames são disponibilizados sem custos, por meio de prestação de serviço ao Sistema Único de Saúde, na forma de atendimento a pacientes que buscam a rede estadual de saúde, em unidades básicas de saúde.
Entre as doenças já detectadas no LIB estão Sindrome de Down, Sindrome de Tuner, Síndrome de Klinefelter, Pacientes Intersexo, Deficiencia de Lcat e a Porfíria Intermitente Aguda, além de ter diagnosticado a maior familia do mundo com a Doença de Fabry, que acarreta problemas renais, cardíacos e do sistema nervoso.
“O LIB é um exemplo clássico de como uma universidade federal pode utilizar seu recurso humano qualificado e seu parque tecnológico avançado para ajudar e contribuir com a saúde pública do estado, resolvendo desafios da sociedade, como o diagnóstico das doenças raras.”, declara a pesquisadora Ester Miranda, do Setor de Genética Médica do LIB.
Segundo a pesquisadora Ester Miranda, o Setor de Genética Médica foi montado a partir do aproveitamento de sua estrutura de pesquisa em uso desde a graduação até o pós-doutorado. O primeiro serviço oferecido foi o teste de cariótipo, que é o estudo da representação dos cromossomos presentes nas células. Até hoje, em quatro anos do Setor de Genética Médica, já foram realizados quase 900 testes de cariótipo em amostras vindas de todo o Piauí.
“O cariótipo é o primeiro exame que o médico vai pedir se ele suspeitar de alguma síndrome cromossômica, como a síndrome de down, por exemplo. Embora fosse um exame já disponível no SUS, não tinha ninguém que prestasse esse serviço aqui no Piauí, nem na rede particular e nem na pública”, lembra a pesquisadora.
Ester Miranda explica que o exame de cariotipo é realizado tanto após o nascimento do bebê quanto durante a gestação, em casos de suspeita de síndrome, em que há a coleta do líquido amniótico durante o ultrassom morfológico e envio ao LIB. Ela acrescenta ainda que o exame é fundamental para detecção de cânceres que afetam o sangue e órgãos como medula óssea, baço e gânglios, para detecção de doenças como leucemia e aplasia medular, por meio do exame de cariótipo de medula.
Triagem de Erros Inatos do Metabolismo
O segundo teste implantado do Setor de Citogenética foi a triagem para erros inatos do metabolismo, que são distúrbios que impedem as reações metabólicas de ocorrerem normalmente dentro das células e responsáveis por provocar 10% das doenças genéticas. “Implantando esse teste, descobrimos uma doença que até então não havia diagnóstico aqui, a porfiria intermitente aguda, e hoje já são mais de 10 casos”, destaca a pesquisadora Ester Miranda.
Ela lembra bem o primeiro diagnóstico, de um jovem de 20 anos, que após sofrer um acidente passou a ter dor abdominal forte e chegou a perder os movimentos da perna. “Ao analisar a amostra do rapaz, no mesmo dia confirmamos que ele tinha porfiria intermitente aguda. A gente laudou e enviou para a família que entrou em contato com o advogado e conseguiu receber a medicação, que é aprovada pela Anvisa, mas não incorporada ao SUS.”, recorda Ester Miranda. A Porfiria Intermitente Aguda costuma provocar dor abdominal intensa e disfunções neurológicas e psiquiátricas. Mulheres são as maiores vítimas da doença, que, estima-se afetar cerca de 100 mil pessoas no Brasil.
Diagnóstico Molecular de Pessoas Intersexo
O mais recentemente teste implementado no LIB é o diagnóstico molecular intersexo para pessoas com alterações do desenvolvimento sexual, que podem ocorrer por diferenciação nas genitálias ou outros orgãos sexuais e ainda por mudanças hormonais, que não se encaixam nos padrões masculino ou feminino. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que de 0,05% a 1,7% da população mundial nasça com características intersexo.
Ela acrescenta que o resultado do exame não determina ou orienta nenhuma conduta, mas auxilia o paciente a buscar o atendimento necessário. “Por exemplo, mulheres que, se tiverem uma pequena parte do cromossomo Y, do homem, têm risco maior de ter câncer nas gônadas. Então, ela precisa ser mais acompanhada. Há também uma condição, até comum, a Síndrome de Turner, em que mulheres nascem com apenas 1 cromossomo X, que provoca baixa estatura, pescoço encurtado e mais grosso, com características sexuais secundárias pouco desenvolvidas. Se a síndrome é detectada ainda na fase de bebe, é possível entrar com terapia hormonal para se ter o desenvolvimento mais adequado possivel”, detalha.
A pesquisadora Ester Miranda explica que, de acordo com a demanda social e a disponibilidade de orçamento, adquirido por meio de editais de pesquisa, o LIB almeja ampliar os testes para melhorar o atendimento à população piauiense. A ideia é encurtar o itinerário dos pacientes com doenças genéticas, popularizar o conhecimento sobre as doenças raras e possibilitar mais qualidade de vida aos pacientes e familiares.
Trabalho no LIB é destaque em evento internacional
O trabalho desenvolvido no LIB foi destaque na 6ª Conferência Internacional de Doenças Raras, em Viena, este mês de março, por meio da participação da pesquisadora Ester Miranda Pereira. Ela apresentou à comunidade científica internacional os avanços do LIB/UFPI, com destaque para as enfermidades já identificadas e as estratégias inovadoras para detecção e monitoramento das doenças raras no Piauí.
Pesquisadora Ester Miranda em evento de doenças raras na Austria
"A internacionalização da ciência é um dos caminhos mais promissores para transformar realidades e oferecer novas perspectivas a pacientes que vivem à margem das inovações médicas, como os portadores de doenças raras”, avalia Miranda.
LIB - Ligado ao Centro de Ciências da Saúde, o LIB também realiza teste de compatibilidade para transplante de órgãos e o serviço de imunofenotipagem por citometria de fluxo (técnica laboratorial utilizada para diagnosticar leucemias e linfomas, ajudando profissionais da saúde a determinar o tipo específico de câncer e a melhor abordagem terapêutica). O Laboratório está localizado no Campus de Teresina. Saiba mais sobre o LIB no Instagram do Laboratório.
O Instituto Federal do Piauí (iFPI) divulgou resultado parcial da seleção de monitores do Partiu IF.
A iniciativa tem como objetivo principal oferecer aulas e atividades voltadas para a recuperação de aprendizagens de estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, matriculados em escolas públicas. O programa busca recompor habilidades e competências essenciais, melhorando as oportunidades educacionais de acesso ao Ensino Médio.
A Universidade Estadual do Piauí (UESPI), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROP) e da Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ), torna pública a abertura das inscrições para o processo seletivo de ingresso no Curso de Mestrado Acadêmico em Química (área de concentração: Química), para o período letivo de 2025.2, em Teresina-PI.
O processo seletivo é voltado para candidatos com formação superior em Química ou áreas afins, como Química Industrial, Engenharia Química, Física, Ciências Biológicas, Farmácia, Engenharia Ambiental, Engenharia de Alimentos, entre outras áreas correlatas.
As inscrições devem ser realizadas conforme as normas estabelecidas neste Edital, que a UESPI se compromete a cumprir integralmente.