A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) anunciou nesta quinta-feira (15) o início dos testes em macacos de uma das vacinas contra covid-19 desenvolvida por pesquisadores da instituição em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
O candidato a imunizante já passou por ensaios bem-sucedidos em camundongos. Nenhum dos animais adoeceu após ter contato com o coronavírus, afirmou o professor Flávio Fonseca, que está à frente do estudo.
Somente após a conclusão — e resultados positivos — dos testes nos macacos é que a pesquisa pode avançar para a aplicação em voluntários humanos. A expectativa é que essa fase dure 60 dias.
“O experimento com os primatas testa a segurança e a imunoge A previsão dos cientistas da UFMG é de começar as primeiras etapas de testes em humanos ainda neste ano. Se não houver intercorrências, a vacina já pode estar pronta para avaliação final da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2022.
A vacina tem como base a combinação de duas proteínas, incluindo a que está presente na "coroa" do vírus, a spike.
Ao introduzir pequenos pedaços do coronavírus no organismo, sem que estes sejam capazes de causar doença, os pesquisadores esperam ensinar o sistema imunológico a combater o vírus inteiro em um eventual contato que o indivíduo tenha no futuro.
Boa parte dos estados brasileiros continua com taxas de ocupação dos leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19 acima de 80%. Além disso, o número de novos infectados se mantém em patamar elevado, assim como as mortes.
Estes motivos levam pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) a avaliar que "a pandemia deve permanecer em níveis preocupantes ao longo do mês de abril", em boletim extraordinário divulgado nesta quarta-feira (14). Os integrantes do Observatório avaliam que, ainda que entre em estabilidade, a pandemia pode se manter com taxas elevadas de casos graves e óbitos.
Os leitos de covid-19 no SUS permanecem com nível de ocupação crítico (acima de 80%) em 22 estados e no Distrito Federal (RS, SC, PR, SP, RJ, ES, MG, GO, MT, MS, BA, SE, AL, PE, RN, CE, PI, TO, PA, RO, AP, AC).
Amazonas, Maranhão e Paraíba estão com ocupação média: 73%, 78% e 70%, respectivamente. O único estado em verde é Roraima, com 44%.
“As medidas de restrição de mobilidade e de algumas atividades econômicas, adotadas nas últimas semanas por diversas prefeituras e estados, estão produzindo êxitos localizados e podem resultar na redução dos casos graves da doença nas próximas semanas. No entanto ainda não tiveram impacto sobre o número de óbitos e no alívio das demandas hospitalares”, afirma o boletim.
Os pesquisadores alertam que relaxar as medidas restritivas neste momento pode representar um risco de novo aumento de casos.
“A flexibilização de medidas restritivas pode ter como consequência a aceleração do ritmo de transmissão e, portanto, de casos graves de covid-19 nas próximas semanas.”
A falta de exercícios físicos está associada a um maior risco de desenvolver a forma mais grave da covid-19 e morrer em conseqüência da doença, aponta um estudo realizado com quase 50 mil pacientes, publicado nesta quarta-feira (13) na "British Journal of Sports Medicine".
Pessoas que estavam sedentárias há pelo menos dois anos antes da pandemia eram mais propensas a serem hospitalizadas, necessitar de cuidados intensivos e morrer devido ao novo coronavírus, em comparação com pacientes que mantinham uma atividade física, segundo a pesquisa.
Entre os fatores de risco para uma versão grave da doença, apenas a idade avançada e um histórico de transplante de órgãos superam o sedentarismo, indicaram os pesquisadores. Em comparação com outros fatores, como tabagismo, obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e câncer, "a inatividade física foi o fator de risco mais importante em todos os resultados", enfatizaram. Os fatores de risco mais ligados à covid-19 são idade avançada, sexo masculino e algumas patologias pré-existentes, como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares, mas o estilo de vida sedentário ainda não havia sido estudado. Para analisar seu possível impacto na gravidade da infecção, hospitalização, necessidade de reanimação e óbito, os pesquisadores compararam a evolução de 48.440 adultos com covid-19 entre janeiro e outubro de 2020, nos Estados Unidos.
A idade média dos infectados era de 47 anos e 62% deles eram mulheres. Em média, seu índice de massa corporal (IMC) era 31, logo acima do limiar de obesidade. Cerca de metade não tinha doenças prévias, como diabetes, doença pulmonar crônica, cardiovascular ou renal e câncer. Quase 20% apresentavam uma dessas comorbidades, e 32% tinham duas ou mais.
Todos haviam declarado seu nível de atividade física regular pelo menos três vezes entre março de 2018 e março de 2020, durante consultas médicas. Entre eles, 15% se descreviam como inativos (0 a 10 minutos de atividade física por semana); 7% afirmavam respeitar as recomendações de saúde (no mínimo 150 minutos semanais), e os outros diziam praticar "alguma atividade" (11 a 149 minutos por semana).
Cerca de 9% desses pacientes foram hospitalizados e 2%, morreram. Após consideradas as diferenças por idade, etnia e comorbidades, as pessoas sedentárias com covid-19 tinham mais do que o dobro de chances de serem internadas do que aquelas mais ativas. Além disso, apresentavam 73% mais probabilidades de precisar de reanimação e eram 2,5 vezes mais suscetíveis a morrer por causa da infecção. No entanto, o estudo não fornece provas de uma ligação direta entre a falta de exercícios e os resultados obtidos.
Depois da AstraZeneca, é a vez da Johnson & Johnson: essas duas vacinas contra a covid-19, baseadas na mesma tecnologia, são suspeitas de causar um tipo raro de coágulo sanguíneo. Veja o que se sabe sobre elas até o momento.
O que foi observado? No caso da AstraZeneca e da Johnson & Johnson, suspeitas surgiram após casos de trombose (formação de coágulos sanguíneos) em algumas pessoas vacinadas. Não foram tromboses comuns, como flebites, mas tromboses muito raras.
Por um lado, são atípicas pela localização: afetam "as veias do cérebro (trombose dos seios venosos cerebrais)" e, em menor grau, o abdômen, informou em 7 de abril a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) sobre a AstraZeneca.
O mesmo vale para a Johnson & Johnson, com a qual também foram observadas "tromboses dos seios venosos cerebrais", informaram nesta terça-feira (13) as autoridades de saúde americanas, FDA e CDC.
Além da localização, essas tromboses intrigam porque são acompanhadas por uma queda no nível das plaquetas sanguíneas, células que ajudam a coagular o sangue.
Paradoxalmente, isso pode causar hemorragias, além de coágulos sanguíneos.
"O tratamento para este tipo específico de coágulo sanguíneo é diferente do que seria normalmente administrado", alertaram a FDA e os CDC.
Em 7 de abril, a EMA reconheceu pela primeira vez que esses problemas poderiam ser causados pela vacina AstraZeneca.
No entanto, o vínculo não foi formalmente estabelecido para a da Johnson & Johnson, autorizada na Europa (sob o nome Janssen), mas ainda não administrada. Para tentar saber mais, as autoridades americanas suspenderam seu uso nesta terça-feira nos Estados Unidos. Quais razões? Embora nada esteja provado ainda, esses problemas sanguíneos podem estar relacionados à técnica em que essas duas vacinas são baseadas.
Ambas são chamadas de vacinas de "vetor viral": outro vírus é usado como portador, sendo modificado para carregar no organismo as informações genéticas que permitirão combater a covid.
E as duas usam um tipo muito comum de vírus chamado adenovírus. A AstraZeneca optou por um adenovírus de chimpanzé, a Johnson & Johnson por um adenovírus humano.
O fato de problemas semelhantes terem sido observados com essas vacinas "pode sugerir que o problema é com o vetor de adenovírus", escreveu no Twitter David Fisman, epidemiologista da Universidade de Toronto.
"Tudo sugere que esteja ligado ao vetor de adenovírus", acrescentou, também no Twitter, Mathieu Molimard, especialista francês em farmacologia.
De fato, "esses casos não foram reportados até agora com vacinas de RNA", as da Pfizer/BioNTech e Moderna, que utilizam outra técnica, a de RNA mensageiro.
Resta saber se esse tipo de problema sanguíneo também é observado com a vacina russa Sputnik V, que também usa dois adenovírus como vetores.
Ela está autorizada em cerca de sessenta países no momento, mas não na União Europeia ou nos Estados Unidos. Embora não haja certeza, vários elementos apontam uma resposta imune anormal e poderosa provocada por essas vacinas.
Em estudo publicado online no dia 28 de março sobre a AstraZeneca, pesquisadores alemães e austríacos fizeram a conexão com outro mecanismo já conhecido.
O fenômeno observado "se assemelha clinicamente à trombocitopenia induzida por heparina (HIT)", escrevem os pesquisadores liderados por Andreas Greinacher (Universidade de Greifswald).
A HIT é uma reação imunológica grave e rara, desencadeada em alguns pacientes pelo medicamento anticoagulante heparina.
Essa é "uma explicação plausível", comentou a EMA em 7 de abril, pedindo mais estudos.
Os pesquisadores alemães e austríacos propõem inclusive dar um nome ao fenômeno observado com a vacina AstraZeneca (sigla em inglês VIPIT).
Qual é o risco? Esta é a questão essencial.
No caso da AstraZeneca, até 4 de abril, foram registrados 222 casos de tromboses atípicas em 34 milhões de injeções administradas no Espaço Econômico Europeu (UE, Islândia, Noruega, Liechtenstein) e no Reino Unido, segundo a EMA. Isso resultou em 18 mortes (até 22 de março).
As tromboses ocorreram "dentro de duas semanas após a vacinação", de acordo com a EMA.
No caso da Johnson & Johnson, as autoridades dos EUA documentaram seis casos (incluindo uma morte) em mais de 6,8 milhões de doses administradas nos Estados Unidos, "e os sintomas ocorreram 6 a 13 dias após a vacinação", segundo a FDA e os CDC.
Mas, como acontece com qualquer medicamento, conhecer o risco não é suficiente: ele deve ser comparado com os benefícios proporcionados pelo produto. Isso é chamado de relação risco-benefício.
"A covid-19 apresenta risco de hospitalização e morte. A combinação de coágulo sanguíneo/plaquetas baixas relatada é muito rara e os benefícios gerais da vacina na prevenção da covid-19 superam os riscos dos efeitos colaterais", insistiu a EMA em 7 de abril sobre a AstraZeneca.
Fatores de risco? Em ambos os casos, as mulheres jovens parecem particularmente afetadas.
A maioria dos casos observados com a AstraZeneca envolve "mulheres com menos de 60 anos", de acordo com a EMA. E os seis casos identificados nos Estados Unidos em relação à Johnson & Johnson são "mulheres de 18 a 48 anos".
Mas é muito cedo para tirar uma conclusão. "De acordo com os elementos atualmente disponíveis, nenhum fator de risco específico foi identificado", comentou a EMA sobre a AstraZeneca.
No entanto, após uma primeira onda de suspensão em meados de março, vários países decidiram não administrar mais a vacina AstraZeneca abaixo de uma certa idade: 30 anos para o Reino Unido, 55 anos para França, Bélgica e Canadá, 60 anos para Alemanha e Holanda ou 65 anos para a Suécia e a Finlândia.
"Não temos apenas uma vacina, temos várias. É por isso que reservar a AstraZeneca para pessoas mais velhas parece fazer sentido para mim", comentou uma virologista da Universidade Goethe em Frankfurt, Sandra Ciesek, na revista Science.
Mais uma vez, este raciocínio baseia-se na relação risco-benefício, que varia de acordo com a idade: quanto mais velhos, maior o risco de desenvolver uma forma grave da covid.
As autoridades de saúde britânicas divulgaram uma tabela comparativa para apoiar esse raciocínio. Compara, por um lado, o risco de internação em terapia intensiva e, por outro, o risco de efeitos colaterais causados pela vacina, de acordo com a idade e ao longo de um período de 16 semanas.
De acordo com esta tabela, quando o vírus está circulando fortemente, o risco causado pela covid é 6 vezes maior do que o causado pela vacina na faixa etária de 20 a 29 anos. Mas torna-se 600 vezes maior quando passamos para a faixa etária de 60-69 anos.
A Noruega e a Dinamarca fizeram uma escolha mais drástica do que apenas limitar a idade, interrompendo totalmente a vacina AstraZeneca por enquanto.