A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou nesta terça-feira (25) uma resolução que proíbe a importação, fabricação, manipulação, comercialização, propaganda e uso de produtos à base de fenol em procedimentos de saúde em geral ou estéticos. A medida é assinada pelo gerente-geral de inspeção e fiscalização, Marcus Aurélio Miranda de Araújo.
O ato foi determinado porque não há, até o momento, estudos que comprovem a eficácia e a segurança do produto. “A medida cautelar adotada pela Anvisa tem o objetivo de zelar pela saúde e integridade física da população brasileira, uma vez que, até a presente data, não foram apresentados à Agência estudos que comprovem a eficácia e segurança do produto fenol para uso em tais procedimentos”, diz a agência, em comunicado.
“A determinação ficará vigente enquanto são conduzidas as investigações sobre os potenciais danos associados ao uso desta substância química, que vem sendo utilizada em diversos procedimentos invasivos”, acrescenta o comunicado da agência. Recentemente, um homem de 27 anos morreu depois de se submeter ao procedimento estético peeling de fenol em uma clínica de São Paulo.
O rapaz era morador de Pirassununga (SP) e foi à capital paulista para se tratar no estabelecimento pertencente à influenciadora Natalia Becker, que tinha 230 mil seguidores nas redes sociais. O perfil foi apagado após o episódio.
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (24) a incorporação do remédio Rivastigmina ao SUS (Sistema Único de Saúde). O medicamento, único com registro em bula no país, é direcionado a pacientes com doença de Parkinson e demência. Segundo a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), o tratamento se mostrou eficaz para o controle dos sintomas cognitivos da doença.
O Parkinson está entre as doenças degenerativas que mais afetam no mundo, sendo menos frequente apenas do que a doença de Alzheimer. A Conitec aponta que há entre 100 e 200 casos de doença de Parkinson para cada 100 mil indivíduos com mais de 40 anos. De acordo com o ministério, cerca de 30% das pessoas que vivem com a doença desenvolvem demência por associação. A demência causa lentidão cognitiva, déficits de atenção e memória, bem como alucinações, delírios e apatia.
A pasta informou que os principais objetivos do medicamento são deter a progressão da doença e diminuir os sintomas.
Na última semana, também foi incorporado ao SUS o Pamoato de Pasireotida, medicamento para controle de tumor, dos sintomas e redução de complicações em pacientes com acromegalia. O tratamento será incluído para pessoas que não conseguiram respostas ou possuem contraindicação nas outras opções de tratamento disponibilizadas no SUS.
A acromegalia é uma doença rara e crônica de desenvolvimento lento e silencioso, causada pela produção excessiva de hormônios de crescimento. Essa alteração hormonal pode causar efeitos diversos, sendo mais característico o crescimento exagerado de partes do corpo como mãos, pés, nariz, lábios, língua, queixo, testa e orelhas.
O Programa Piauí Saúde Digital vem ampliando os atendimentos incluindo mais duas especialidades, urologia e ortopedia. O novo serviço foi implantado na semana passada, e está presente em 4 regionais com um total de 75 municípios beneficiados. Os atendimentos são realizados nas Unidades Básicas de Saúde das cidades.
O Programa Piauí Saúde Digital é um programa pioneiro no Brasil, que começou em abril de 2023 como piloto nas cidades de Piripiri e Lagoa de São Francisco e visa ampliar e melhorar a rede de serviços de saúde em todo o estado do Piauí com uso da telemedicina e outras tecnologias digitais para superar barreiras socioeconômicas, culturais e geográficas, e garantir o acesso à saúde de qualidade para toda a população piauiense.
Estão sendo beneficiados pela telesaúde os moradores das regiões de saúde de Cocais, Carnaubais, Chapada Vale do Rio Itaim e Chapada das Mangabeiras.
Para o superintendente de média e alta complexidade da Sesapi, Dirceu Campelo, o Saúde Digital será implantado em todas as cidades do Piauí até dezembro de 2024.
“Por onde tem sido implantado, o Programa Saúde Digital tem zerado filas de espera em diversas especialidades, como psicologia, psiquiatria, nutrição, dermatologia, ginecologia, cardiologia, neurologia, pediatria, endocrinologia e agora essas duas novas especializações, urologia e ortopedia”, enfatiza.
O serviço de teleconsultas e telediagnósticos tem como o objetivo expandir e melhorar a rede de serviços de saúde, sobretudo da atenção primária, e sua interação com os demais níveis, fortalecendo as redes de atenção à saúde do SUS.
Em um ambiente hospitalar controlado, uma pessoa jovem e de boa saúde, que nunca contraiu ou se vacinou contra covid-19, se deita em uma maca. Lá, ela inala um jato que contém o vírus SARS-Cov-2 da cepa mais selvagem. Não é um cenário de filme de terror: a pessoa escolheu, voluntariamente, participar do primeiro estudo de infecção humana controlada de covid-19.
Os 36 participantes da pesquisa ficaram isolados e foram acompanhados minuciosamente por meio de coletas de sangue e material nasal frequentes. O resultado, publicado na revista científica Nature Medicine, é a linha do tempo da infecção por coronavírus mais detalhada até o momento.
Apesar da grande quantidade de casos de covid-19 descritos, até então era difícil estudar a resposta imunológica do paciente infectado, uma vez que os dados eram influenciados por uma variedade de fatores. “Esses fatores incluem características da infecção, como carga viral, cepa e tempo desde a exposição, juntamente com características clínicas, incluindo comorbidades, padrão de tratamento e imunidade preexistente”, os autores escrevem.
Os pesquisadores queriam saber como reagem as pessoas que parecem imunes à doença. Aquelas que, mesmo sendo expostas ao vírus, não são infectadas. O estudo apontou que essas pessoas apresentaram altos níveis de atividade em um gene que possivelmente ajuda a sinalizar a presença de vírus para o sistema imunológico. No estudo, as pessoas com esse gene eliminaram o vírus imediatamente e não apresentaram uma resposta imune generalizada típica.
Os genes que fazem parte do que é conhecido como complexo HLA ajudam o corpo a identificar proteínas produzidas por patógenos, como vírus, e entram em ação quando um invasor está presente. Algumas pessoas com uma mutação HLA comum reagem ao SARS-Cov-2 como se seus sistemas imunológicos já soubessem como combatê-lo, mesmo que nunca tenham sido expostas antes.
Esse reconhecimento parece facilitar uma resposta imunológica rápida e eficaz, para que as pessoas nem mesmo desenvolvam sintomas. Em todos os participantes, a equipe descobriu novas respostas envolvidas na detecção imediata do vírus. Isso inclui a ativação de células imunológicas especializadas da mucosa e uma redução nos glóbulos brancos inflamatórios que normalmente engolfam e destroem os agentes patogênicos.
"Essas descobertas lançam uma nova luz sobre os eventos iniciais cruciais que permitem que o vírus se instale ou que o eliminem rapidamente antes do desenvolvimento dos sintomas" diz Marko Nikolić, coautor do estudo e professor de medicina respiratória na University College London.
"Agora temos uma compreensão maior de toda a gama de respostas imunológicas, o que poderia fornecer uma base para o desenvolvimento de possíveis tratamentos e vacinas que imitem essas respostas de proteção naturais."