melanomaPesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprimoram um software capaz de agilizar diagnósticos de câncer de pele do tipo melanoma. Até o momento, o programa computacional já alcançou 86% de precisão na identificação da doença.

Embora o melanoma represente entre a população brasileira apenas 3% do total de neoplasias malignas que se manifestam na pele, a variedade requer atenção porque pode se propagar por outras células do corpo instalando um processo chamado de metástase, o mais agressivo de todas.

Para chegar ao diagnóstico, o software da equipe da Unicamp compara a lesão com outras 23.906 armazenadas em um banco público de imagens. Agora, os pesquisadores se preocupam em expandir o arquivo de fotografias, para que o nível de acerto aumente ainda mais. O programa trabalha em cima de algoritmos, que são aproveitados por um mecanismo de deep learning, técnica de inteligência artificial por meio da qual se "ensina" uma máquina a interpretar dados a partir do uso de redes neurais.

O projeto começou a ser elaborado em 2014, em uma parceria dos professores da Unicamp Sandra Avila, do Instituto de Computação, e Eduardo do Valle, da Faculdade de Engenharia Elétrica. A pesquisa foi uma das 25 contempladas pelo Google Latin America Research Awards, programa de bolsas de pesquisa para a América Latina.

Segundo Sandra Avila, o propósito dos acadêmicos é facilitar a detecção do tumor enquanto ainda no estágio inicial, de forma que seja logo tratado. Ela ressalta que não há a pretensão de se indicar o software como um substituto dos médicos, mas sim como uma ferramenta de apoio.

Diagnóstico e tratamento

O protocolo médico para se diagnosticar o melanoma respeita uma série de critérios. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) esclarece que o método segue uma regra adotada internacionalmente, a do “ABCDE”. As letras correspondem a cada um dos aspectos que podem acender o alerta para o caso de uma lesão.

O A diz respeito à assimetria que caracteriza os tumores malignos, já que eles apresentam uma metade diferente da outra. O B lembra que têm bordas irregulares. O C, por sua vez, remete à presença de cores distintas em uma mesma lesão, quando células cancerosas podem ser confirmadas. O D serve de lembrete aos médicos quanto ao tamanho da lesão de melanoma, maior do que 6 milímetros. Por fim, o E trata da evolução das lesões, uma vez que, no decorrer do tempo, vão passando por alterações de tamanho, forma ou cor.

A maior incidência da doença é observada entre pessoas brancas, podendo aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Pessoas negras, porém, também podem ser acometidas, devendo manter cuidados, principalmente, para as áreas mais claras do corpo, como palmas da mão e plantas dos pés.

Hoje, a cirurgia é o tratamento mais indicado para o melanoma. Dependendo do estágio do tumor, os médicos podem prescrever sessões de radioterapia e a quimioterapia ao paciente.

 

Agência Brasil

Agência Brasil/Fernando Frazão

sopamorcegoUm estudo publicado no Journal of Medical Virology indicou que a nova cepa do coronavírus que surgiu em Wuhan, na China, e infectou mais de 600 pessoas, pode ter sido transmitida para o homem pela carne de cobra e de morcego. A cobra é um predador do morcego e a carne de ambos é consumida na China.

A equipe de cientistas comparou o genoma de cinco amostras do novo vírus com 217 vírus parecidos coletados em várias espécies. A conclusão é que uma proteína do vírus teria sido alterada de forma a se ligar aos receptores das células hospedeiras de uma espécie de cobra e de morcego. As espécies de cobra e morcego que seriam possíveis hospedeiras não foram especificadas pelo estudo.

A cobra e morcego são iguarias na China. O morcego silvestre é consumido em sopas.

O vírus
O coronavírus identificado na China foi chamado de 2019-nCoV. Esse vírus é da mesma família que o coronavírus causador da epidemia de Sars, que afetou milhares de pessoas em todo o mundo e matou quase 800 durante um surto em 2003, e a MERS, que causou a morte de 858 dos 2.494 pacientes identificados com a infecção desde 2012.


Existem outros coronavírus já identificados, presentes inclusive no Brasil, que causam apenas resfriado comum. O diferença da cepa que surgiu em Wuhan é que é um vírus completamente novo, que nunca havia sido identificado e, por isso, não sabemos como o organismo humano reage a ele.

Casos mais leves podem se parecer com gripe ou resfriado comum, dificultando a detecção. Já casos mais graves podem evoluir para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave ou causar insuficiência renal. Os sintomas incluem febre alta, tosse, dificuldade para respirar e lesões pulmonares.

 

veja

Foto: Reprodução/Twitter

canabisA diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) uma proposta para simplificar o procedimento para importação de produto à base de canabidiol para uso pessoal.


No começo de dezembro o órgão liberou a venda em farmácias de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil. Ainda no ano passado, a Anvisa rejeitou o cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil. Com a decisão que veta o cultivo, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato da planta.


A decisão desta quarta-feira tem foco nos pacientes que importam os medicamentos já disponíveis no mercado internacional. Até o terceiro trimestre de 2019, foram 6.267 solicitações de importação, contra 3.613 em 2018, segundo a Anvisa.


Nova resolução
A nova resolução vai começar a valer a partir da publicação no Diário Oficial da União (DOU), o que ainda não tem data prevista para ocorrer. Uma minuta da nova resolução foi divulgada na reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa.

Veja abaixo as principais mudanças:

Fim da exigência do paciente informar a quantidade do medicamento a ser importado. O monitoramento passa a ser feito na alfândega.
Ampliação da validade de autorização de importação de um para dois anos.


Extinção da lista de produtos analisados pela Anvisa, para evitar "o favorecimento indevido de empresas e produtos".
A importação pode ser realizada pelo responsável legal do paciente ou por procurador legalmente constituído.


Fim do envio postal de documentação; agora o pedido de autorização será feito exclusivamente pelo Portal Único do Cidadão.
Julgamento
O presidente-diretor da Diretoria Colegiada da Anvisa, Antonio Barra Torres, relator da proposta, ressaltou durante o voto que a espera para análise do pedido de autorização de importação é de 75 dias atualmente. O impacto prático da nova norma neste prazo, no entanto, não foi informado.

Ao justificar a aprovação da medida, Torres ressaltou que a simplificação do processo é necessária, pois "tratam de pedidos de pacientes em tratamento, em sua maioria, de doenças graves e em uso contínuo de produto".

O posicionamento do relator foi acompanhado posteriormente pelos diretores Fernando Mendes e Alessandra Bastos.

Processo
Apesar da simplificação, todo o trâmite continua a exigir documentos e comprovação da necessidade efetiva do mediamento.

O passo básico é que o cadastramento [no Portal Único] exige a receita emitida por profissional legalmente habilitado, contendo obrigatoriamente o nome do paciente e do produto, posologia, data, assinatura e número do registro ou profissional prescritor.

Uma das possibilidades ainda previstas no processo é que a importação do produto poderá ser intermediada por entidade hospitalar ou unidade governamental ligada à área de saúde.

Laudo médico
A nova resolução retira a obrigatoriedade do laudo médico, que informaria, por exemplo, o detalhamento da doença só paciente. "A responsabilidade do profissional de saúde se patenteia no receituário. Temos a orientação dos conselhos ligados à ética médica [neste sentido]. [O laudo] era uma informação adicional e hoje torna-se apenas um documento que traz peso de dificuldade ao cidadão", disse o presidente-diretor da Diretoria Colegiada da Anvisa, Antonio Barra Torres.

 

G1

Foto: Kimzy Nanney/Unsplash

medcUma pesquisa inédita feita por cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, identificou dezenas de remédios antigos, usados para tratar diversas doenças, com capacidade de matar células cancerígenas.

A conclusão do estudo foi publicada nesta segunda-feira (20) na revista científica Nature Cancer.

Milhares de compostos em uso foram submetidos à análise, juntamente com 578 linhas de células cancerígenas.

Os resultados surpreenderam até mesmo os cientistas, já que 50 princípios ativos matavam células cancerígenas sem danificar células saudáveis.

"Achamos que teríamos sorte se encontrássemos um único composto com propriedades anticâncer, mas ficamos surpresos ao encontrar tantos", disse Todd Golub, um dos autores do estudo.

Historicamente, os cientistas descobriram novos usos de alguns medicamentos existentes, como os benefícios cardiovasculares da aspirina.

 "Criamos o centro de reaproveitamento para permitir que os pesquisadores façam esse tipo de descoberta inesperada de maneira mais deliberada", disse o primeiro autor do estudo, o oncologista Steven Corsello.

Dentre os tipos de medicamentos com capacidade de combater células cancerígenas estão um anti-inflamatório, remédio para reduzir o colesterol, para diabetes, um princípio ativo utilizado no tratamento de alcoolismo e até mesmo um que é utilizado para atrite em cães.

"Nosso entendimento de como esses medicamentos matam células cancerígenas nos dá um ponto de partida para o desenvolvimento de novas terapias", acrescenta Corsello.

 

R7

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