Um estudo publicado no Journal of Medical Virology indicou que a nova cepa do coronavírus que surgiu em Wuhan, na China, e infectou mais de 600 pessoas, pode ter sido transmitida para o homem pela carne de cobra e de morcego. A cobra é um predador do morcego e a carne de ambos é consumida na China.
A equipe de cientistas comparou o genoma de cinco amostras do novo vírus com 217 vírus parecidos coletados em várias espécies. A conclusão é que uma proteína do vírus teria sido alterada de forma a se ligar aos receptores das células hospedeiras de uma espécie de cobra e de morcego. As espécies de cobra e morcego que seriam possíveis hospedeiras não foram especificadas pelo estudo.
A cobra e morcego são iguarias na China. O morcego silvestre é consumido em sopas.
O vírus O coronavírus identificado na China foi chamado de 2019-nCoV. Esse vírus é da mesma família que o coronavírus causador da epidemia de Sars, que afetou milhares de pessoas em todo o mundo e matou quase 800 durante um surto em 2003, e a MERS, que causou a morte de 858 dos 2.494 pacientes identificados com a infecção desde 2012.
Existem outros coronavírus já identificados, presentes inclusive no Brasil, que causam apenas resfriado comum. O diferença da cepa que surgiu em Wuhan é que é um vírus completamente novo, que nunca havia sido identificado e, por isso, não sabemos como o organismo humano reage a ele.
Casos mais leves podem se parecer com gripe ou resfriado comum, dificultando a detecção. Já casos mais graves podem evoluir para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave ou causar insuficiência renal. Os sintomas incluem febre alta, tosse, dificuldade para respirar e lesões pulmonares.
A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) uma proposta para simplificar o procedimento para importação de produto à base de canabidiol para uso pessoal.
No começo de dezembro o órgão liberou a venda em farmácias de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil. Ainda no ano passado, a Anvisa rejeitou o cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil. Com a decisão que veta o cultivo, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato da planta.
A decisão desta quarta-feira tem foco nos pacientes que importam os medicamentos já disponíveis no mercado internacional. Até o terceiro trimestre de 2019, foram 6.267 solicitações de importação, contra 3.613 em 2018, segundo a Anvisa.
Nova resolução A nova resolução vai começar a valer a partir da publicação no Diário Oficial da União (DOU), o que ainda não tem data prevista para ocorrer. Uma minuta da nova resolução foi divulgada na reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa.
Veja abaixo as principais mudanças:
Fim da exigência do paciente informar a quantidade do medicamento a ser importado. O monitoramento passa a ser feito na alfândega. Ampliação da validade de autorização de importação de um para dois anos.
Extinção da lista de produtos analisados pela Anvisa, para evitar "o favorecimento indevido de empresas e produtos". A importação pode ser realizada pelo responsável legal do paciente ou por procurador legalmente constituído.
Fim do envio postal de documentação; agora o pedido de autorização será feito exclusivamente pelo Portal Único do Cidadão. Julgamento O presidente-diretor da Diretoria Colegiada da Anvisa, Antonio Barra Torres, relator da proposta, ressaltou durante o voto que a espera para análise do pedido de autorização de importação é de 75 dias atualmente. O impacto prático da nova norma neste prazo, no entanto, não foi informado.
Ao justificar a aprovação da medida, Torres ressaltou que a simplificação do processo é necessária, pois "tratam de pedidos de pacientes em tratamento, em sua maioria, de doenças graves e em uso contínuo de produto".
O posicionamento do relator foi acompanhado posteriormente pelos diretores Fernando Mendes e Alessandra Bastos.
Processo Apesar da simplificação, todo o trâmite continua a exigir documentos e comprovação da necessidade efetiva do mediamento.
O passo básico é que o cadastramento [no Portal Único] exige a receita emitida por profissional legalmente habilitado, contendo obrigatoriamente o nome do paciente e do produto, posologia, data, assinatura e número do registro ou profissional prescritor.
Uma das possibilidades ainda previstas no processo é que a importação do produto poderá ser intermediada por entidade hospitalar ou unidade governamental ligada à área de saúde.
Laudo médico A nova resolução retira a obrigatoriedade do laudo médico, que informaria, por exemplo, o detalhamento da doença só paciente. "A responsabilidade do profissional de saúde se patenteia no receituário. Temos a orientação dos conselhos ligados à ética médica [neste sentido]. [O laudo] era uma informação adicional e hoje torna-se apenas um documento que traz peso de dificuldade ao cidadão", disse o presidente-diretor da Diretoria Colegiada da Anvisa, Antonio Barra Torres.
Uma pesquisa inédita feita por cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, identificou dezenas de remédios antigos, usados para tratar diversas doenças, com capacidade de matar células cancerígenas.
A conclusão do estudo foi publicada nesta segunda-feira (20) na revista científica Nature Cancer.
Milhares de compostos em uso foram submetidos à análise, juntamente com 578 linhas de células cancerígenas.
Os resultados surpreenderam até mesmo os cientistas, já que 50 princípios ativos matavam células cancerígenas sem danificar células saudáveis.
"Achamos que teríamos sorte se encontrássemos um único composto com propriedades anticâncer, mas ficamos surpresos ao encontrar tantos", disse Todd Golub, um dos autores do estudo.
Historicamente, os cientistas descobriram novos usos de alguns medicamentos existentes, como os benefícios cardiovasculares da aspirina.
"Criamos o centro de reaproveitamento para permitir que os pesquisadores façam esse tipo de descoberta inesperada de maneira mais deliberada", disse o primeiro autor do estudo, o oncologista Steven Corsello.
Dentre os tipos de medicamentos com capacidade de combater células cancerígenas estão um anti-inflamatório, remédio para reduzir o colesterol, para diabetes, um princípio ativo utilizado no tratamento de alcoolismo e até mesmo um que é utilizado para atrite em cães.
"Nosso entendimento de como esses medicamentos matam células cancerígenas nos dá um ponto de partida para o desenvolvimento de novas terapias", acrescenta Corsello.
Por que as mulheres vivem mais? Há muitos anos, a comunidade científica tenta esclarecer por que as fêmeas vivem mais do que os machos na maioria das espécies. Inúmeros fatores biológicos e psicossociais foram considerados. Embora hoje esse seja um fato estatisticamente comprovado, as razões pelas quais isso ocorre ainda são desconhecidas.
Um estudo realizado na Universidade da Califórnia em São Francisco acaba de divulgar dados que colocam o segundo cromossomo X no centro das atenções, o que pode ser revelado como o grande segredo da longevidade e a razão pela qual as mulheres vivem mais.
Esta pesquisa coloca sobre a mesa a importância dos cromossomos X, sem os quais a vida não é possível. Isso é diferente do observado nos cromossomos Y, que contêm poucos genes diferentes e se limitam à criação de características físicas, como genitais masculinos ou pelos faciais, mas que não são necessários para a sobrevivência.
Assim, esse fator poderia começar a explicar por que a expectativa de vida é maior nas mulheres.
A pesquisa A principal autora desse estudo é a professora de neurologia na Universidade da Califórnia em São Francisco, Dena Dubal. Os resultados foram publicados na revista científica Aging Cell. A pesquisa foi realizada em um grupo de ratos experimentais criados em laboratório.
Os ratos foram criados geneticamente idênticos, exceto pelos seus cromossomos sexuais. A pesquisa foi realizada com quatro grupos diferentes. O primeiro e o segundo grupo foram compostos por camundongos XX com ovários e camundongos XY com testículos. O terceiro e quarto grupos foram criados artificialmente como XX com testículos e XY com ovários.
O estudo mostrou que os ratos portadores do cromossomo XX viveram mais do que os portadores XY, independentemente de terem ovários ou testículos. Além disso, também comprovaram que, de todos os portadores XX, os mais longevos eram aqueles com ovários.
Eles viveram muito além da idade média em ratos. Ou seja, a combinação mais longeva foram os ratos com ovários e cromossomo XX, os mesmos criados pela ordem natural. Estes foram seguidos por camundongos XX com testículos, que não sobreviveram muito além da vida média de um rato.
Ambos sobreviveram a todos os portadores dos cromossomos XY. A expectativa de vida em ratos portadores de cromossomo XX com ovários atingiu 30 meses, quando a média de um rato XY geralmente não excede 12 meses de vida.
As mulheres vivem mais graças ao mecanismo genético do cromossomo X O cromossomo X, que mulheres e homens carregam, é crucial para a sobrevivência. Ele contém muitos genes relacionados ao cérebro. Além disso, a presença de mutações patológicas recessivas em um gene do microssoma X torna os machos mais vulneráveis à patologia herdada.
Para uma mulher desenvolver uma patologia recessiva em um gene do microssoma X, são necessárias duas cópias com uma mutação patológica, enquanto nos homens apenas uma cópia é necessária.
Parece que em um cromossomo X há seis vezes mais genes relacionados à inteligência do que no restante dos cromossomos. Assim, se um gene falha, essa deficiência é suplementada com o segundo cromossomo X, enquanto no sexo masculino essa substituição não é possível. Estudos anteriores ao realizado pela Dra. Dubal já argumentavam que isso poderia explicar por que há entre 30% e 50% mais deficiências intelectuais entre os homens. Esta conclusão foi divulgada recentemente por Gillian Turner e Michael Partington, dos Hospitais Infantis Príncipe de Gales em Sydney e dos Subúrbios Ocidentais de Newcastle, ambos na Austrália.
Não se sabe ao certo o que o segundo cromossomo X traz à expectativa de vida, mas foi demonstrado que ele está fortemente envolvido na longevidade dos seres humanos que o portam. Por outro lado, os pesquisadores afirmam que essa descoberta não anula as influências ambientais e socioculturais que afetam a expectativa de vida.