Sensibilidade ao toque da escova, desconforto ao sentir a mão do adulto no rosto, dificuldade para cuspir e manter a boca aberta… Devido a alterações sensoriais próprias do distúrbio, crianças autistas são mais suscetíveis a alguns perrengues no momento de escovar os dentes.
Por isso, o geofísico Eder Cassola Molina, professor da Universidade de São Paulo e pai de um menino com a condição, teve a ideia de criar uma cartilha online que ensina a fazer a higiene bucal desses pequenos.
“São poucos os profissionais focados em atendê-los. Então, queremos auxiliar na prevenção de cáries e doença periodontal”, conta a dentista Adriana Gledys, especializada em pacientes com necessidades especiais e uma das autoras do material.
O que fazer na hora da escovação A escova: escolha uma de cabeça pequena e cabo longo. “A mão próxima ao rosto causa desconforto na criança”, justifica a dentista Adriana Gledys.
Creme sem sabor: use um creme dental convencional com flúor. “O sabor mais forte ajuda a cuspir. Dentifrícios com sabor estimulam a ingestão”, explica Adriana.
De um a dez: inicie escovando os dentes de cima e vá da esquerda para a direita, fazendo círculos e contando até dez. Dê uma pausa e continue.
Na ordem certa: cole ilustrações mostrando cada etapa da escovação perto da pia. Saber exatamente como começa e termina deixa a criançada com o transtorno mais tranquila.
Abre o bocão: nem sempre o pequeno entenderá o seu pedido. Ensine como fazer usando fantoches ou os próprios brinquedos.
Seja exemplo: mostre que a higiene bucal também faz parte da sua rotina. “Quando for escovar os dentes, leve-o junto para ver”, sugere Adriana.
A Mãe Natureza é sábia: logo após o parto, o contato pele a pele entre o recém-nascido e sua progenitora é reconhecidamente benéfico para o bebê. A ciência assina embaixo. As primeiras duas horas depois do nascimento são consideradas um período crítico para, entre outras coisas, estimular e estabilizar a amamentação. Além de forjar o comportamento alimentar da criança, esse momento é decisivo para estimular o desenvolvimento infantil por meio do toque, do calor e de outras conexões com o corpo da mãe.
Em geral, as mamães e os filhotes ficam juntos do nascimento — ou depois de um curto período após o parto, se não houver qualquer contratempo — até a alta do hospital. As práticas usuais do contato pele a pele variam de acordo com o tipo de nascimento: no parto normal, costuma ser imediato; na cesariana, ele se dá cerca de meia hora após o nascimento.
Cientes da importância desse estreito contato com a cria e de olho em notícias divulgadas pela internet, algumas mães americanas levantaram uma polêmica ao pedir para adiar o primeiro banho do bebê. Isso aconteceu lá na maternidade do Hospital Hillcrest, que integra a prestigiada rede Cleveland Clinic, e despertou a atenção da enfermeira Heather DiCioccio, especialista em cuidados maternos e infantis.
Na verdade, vem crescendo o número de mulheres que querem adiar, pelas primeiras 12 horas após o parto, o banho da criança. Elas alegam ter lido conteúdos em blogs que consideram essa espera uma boa prática para o bebê e bem-vinda sobretudo para a amamentação — ainda que não expliquem muito bem o porquê. Instigada pelo pedido e pelo assunto, Heather DiCioccio foi atrás de artigos científicos para entender se a fala das mães fazia sentido. Encontrou apenas um estudo feito nos Estados Unidos sugerindo que prorrogar o banho aumentava a taxa de amamentação exclusiva durante a estadia do recém-nascido no hospital.
Diante da curiosidade e da falta de pesquisas a respeito, a enfermeira montou um experimento científico com futuras mamães que se dispuseram a participar de forma voluntária. Para a felicidade de Heather e sua equipe, 996 mulheres toparam participar. Elas foram divididas em dois grupos: no primeiro, com 448 participantes, ocorreria o procedimento padrão do hospital, isto é, dar o primeiro banho até duas horas após o parto; no segundo, com 548 mulheres, seus filhos receberiam o primeiro banho só 12 horas depois do nascimento.
E, afinal, quais foram os resultados? A taxa de amamentação exclusiva — quando não é preciso complementar o aleitamento com fórmulas infantis — foi de 59,8% no grupo 1. No grupo 2, o índice pulou para 68,2%. Isso significa que, entre as adeptas do banho tardio, houve uma redução na necessidade de recorrer a fórmulas. Ponto para a amamentação exclusiva! Qual a lógica? Heather e os demais autores do estudo sugerem algumas explicações para o resultado observado. E, embora pareça lógico, o motivo nem sempre é biológico.
Primeiramente, devemos ter em mente que não é nada fácil para o bebê sair do conforto do útero materno. A descoberta do novo mundo gera estresse. E a criança chora porque é o que consegue fazer. Se soubesse falar, decerto xingaria muito.
É diante desse trauma do nascimento que vislumbramos o efeito positivo do contato pele a pele com a mãe. Os pesquisadores de Cleveland dão três justificativas para o fato de os bebês que não tomaram banho logo após o parto apresentarem uma maior taxa de amamentação exclusiva.
O aumento do tempo de contato direto com a progenitora cria, por si só, condições mais favoráveis a um aleitamento adequado. O cheiro do líquido amniótico, que banhava o bebê no útero, lembra o do peito da mãe. Bebês que tomaram o banho tardio eram mais propensos a apresentar temperatura normal após passar pela água. A respeito desse último tópico, Heather afirmou: “Eles não ficaram tão frios quanto as crianças que tomavam banho logo depois do parto. Então, pode ser que não estejam tão cansados para tentar mamar.” Esse ponto foi confirmado por outro estudo do tipo, esse feito em Dallas, também nos Estados Unidos.
Implicações & reflexões A pesquisa sobre o primeiro banho do bebê nos remete a alguns assuntos quentes nos dias de hoje: o que é fake news e o que não é no meio da saúde, como um procedimento ou costume pode ser testado e confirmado e quais os requisitos para confiar em um trabalho científico.
Veja que curioso: para um estudo ser considerado cientificamente adequado, precisamos conseguir falsear o mesmo. Em outras palavras, precisamos pelo menos propor experimentos capazes de provar que o estudo vai dar errado. Cada vez que falhamos em provar que a pesquisa está equivocada, chegamos mais perto de como as coisas podem ser de fato. Se você jogar uma maçã e ela “cair” pra cima, conseguiu falsear a Lei da Gravidade — só tome cuidado com a experiência, por favor.
No caso dos bebês que tomaram o primeiro banho apenas após 12 horas, como poderíamos falsear a hipótese de que isso é realmente benéfico? Talvez a melhor opção fosse uma experiência com gêmeos. Ora, estudos do gênero minimizam muito a influência dos genes na história. Acompanhe o raciocínio: uma mesma mãe que teve gêmeos entraria para o estudo, um de seus bebês tomaria banho duas horas após o parto, enquanto o outro ficaria com ela e tomaria banho só 12 horas depois.
No cenário ideal, isso teria de ser repetido no maior número de mães de gêmeos possível. Tudo para evitar resultados do acaso. Se não houvesse diferenças entre os gêmeos, outras pesquisas poderiam ser concebidas a fim de identificar as variáveis que influenciam o desfecho. Afinal, o que interfere nessa história? Até que ponto o ambiente socioeconômico, tipo e local do parto, a saúde materna… se intrometem nos resultados? Como tudo isso se relaciona com os achados da enfermeira Heather DiCioccio?
Os próprios autores do estudo de Cleveland já discutem isso e destacam que os resultados ali não foram replicados em outros centros hospitalares que já apresentavam uma alta taxa de amamentação exclusiva.
Portanto, não dá pra dizer que o banho tardio é o único fator a ditar o sucesso do aleitamento exclusivo. Todo mundo quer recomendações milimetricamente exatas — ainda mais quando o assunto é a saúde do filho —, mas só dá para confiar nelas quando a ciência, após exaustivas tentativas, indica um caminho ou dá seu veredicto.
Há anos cientistas tentam entender as causas do Alzheimer, assim como encontrar melhores formas de prevenir e curar o problema. Agora uma nova descoberta indica uma ligação de causalidade entre a periodontite e o desenvolvimento da doença neurodegenerativa. De acordo com estudo publicado na revista Science Advances, a infecção bucal provocada pela bactéria Porphyromonas gingivalis pode levar a maior produção de beta amiloide — proteína que se acumula no cérebro de pacientes com Alzheimer. Encontrada na boca, a bactéria se prolifera pela má higiene e pode causar periodontite, doença que afeta tecidos ao redor dos dentes.
A pesquisa chegou a esta conclusão depois de identificar enzimas ligadas à bactéria P. gingivalis no cérebro de pacientes mortos que tiveram Alzheimer — e material genético ligado à bactéria foi encontrado em pacientes vivos. Os pesquisadores ainda fizeram testes em camundongos para demonstrar que a presença do micro-organismo é um fator de risco para a demência. A equipe também desenvolveu uma medicação cujo o objetivo era diminuir os efeitos negativos causados pela bactéria.
Os resultados indicaram que, pelo menos em ratos, o medicamento é capaz de reduzir a neuro-degeneração cerebral, o que aponta para uma forma em potencial de combate ao Alzheimer. “A principal conclusão do estudo é que há uma quantidade significativamente maior de enzimas bacterianas tóxicas nos cérebros de pacientes com Alzheimer, e a atividade tóxica das enzimas pode ser bloqueada com uma droga”, disse Stephen Dominy, principal autor do estudo.
‘Uma ótima notícia’ Pesquisa anterior publicada no periódico Plos One já havia apontado que pacientes com Alzheimer que tinham a infecção oral apresentaram declínio cognitivo ao longo de um período de seis meses em comparação com outro grupo de participantes que também tinham Alzheimer, mas não a doença bucal. O novo estudo, patrocinado por uma farmacêutica americana, conseguiu apontar uma causalidade entre os dois problemas.
A cirurgia a que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi submetido nesta segunda-feira (28) terminou nesta tarde após quase nove horas de duração. Segundo o Palácio do Planalto, a cirurgia foi realizada "com êxito".
"O boletim médico será divulgado tão logo seja autorizado pela equipe médica. Às 17h haverá briefing à imprensa com o porta-voz da Presidência da República, general Rego Barros, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo", diz a nota do Palácio.
Bolsonaro começou a ser submetido ao procedimento médico às 6h30 desta segunda-feira, segundo a assessoria de imprensa da Presidência. A cirurgia era necessária para retirar a bolsa de colostomia e religar o trânsito intestinal. A recuperação deve demorar dez dias.
Nos últimos meses, desde que foi atingido por uma facada durante ato de campanha em setembro do ano passado, Bolsonaro ficou com uma bolsa de colostomia junto ao corpo. Este é um procedimento que encaminha as fezes e os gases do intestino grosso para uma bolsa fora do corpo, na região abdominal.
A cirurgia A cirurgia foi comandada pelo gastroenterologista Antonio Luiz Macedo. Segundo apurou o Fantástico, dois tipos de procedimentos poderiam ser adotados pelos médicos.
A primeira possibilidade era unir as duas pontas do intestino grosso que foram separadas para a colocação da bolsa - a fixação pode ser feita com sutura - agulha e linha cirúrgicas - ou com um grampeador cirúrgico.
A segunda possibilidade seria cortar uma parte de 20 centímetros do intestino grosso e ligar a outra ponta diretamente ao intestino delgado, que tem mais irrigação sanguínea do que o intestino grosso. Quanto mais sangue circulando, mais fácil e rápida é a cicatrização. Esse segundo procedimento era o mais provável, porque ajuda a prevenir complicações futuras.
O hospital ainda não informou qual procedimento foi usado na cirurgia de Bolsonaro.
Gabinete no hospital De acordo com o Palácio do Planalto, o vice-presidente Hamilton Mourão assumiu a Presidência desde o início da cirurgia e deverá permanecer no cargo por 48 horas. Depois desses primeiros dois dias, Bolsonaro deverá reassumir o cargo e despachar de dentro do hospital.
Foi montado um escritório no mesmo andar onde Bolsonaro está internado para que ele possa receber ministros.