vacnApós o Piauí contabilizar primeiro caso de sarampo em 2019, outros sete casos seguem com suspeita da doença, três no interior e quatro em Teresina. No dia 6 de agosto eram cinco casos.

De acordo com o infectologista da Fundação Municipal de Saúde, Kelsen Eulálio, o território piauiense não está imunizado contra a doença.  "A situação preocupa porque nós não estamos com cobertura vacinal adequada. O Brasil não está, o Piauí não está, Teresina está em melhor situação que o Piauí e Brasil mas não está nos 95% exigidos para controlar e impedir a ocorrência de casos e de surtos", alerta.

Com o aumento no número de suspeitas e de surto da doença em outros estados, o alerta para vacinação se estendeu para outras faixas etárias. Além dos meses iniciais, pessoas de até 49 anos devem verificar o cartão de vacinação. O número de casos suspeitos chega a sete.

Duas doses são previstas para crianças aos 12 meses e 15 meses de idade. “Crianças maiores, adolescentes e adultos de até 29 anos que não foram vacinados devem ter duas doses da vacina, seja em tríplice viral ou na forma de tetraviral. De 30 a 49 anos, é necessário uma dose da vacina e para quem tem mais de 50 anos a vacinação é dispensada”, informou o infectologista.

Eulálio confirmou que há estoque de vacinas nas unidades de saúde de Teresina e aconselhou a população a buscar a imunização em postos de saúde da capital.

A coordenadora estadual de Epidemiologia, Amélia Costa, avisa que a situação do Piauí não ainda não é de alerta. “Quem busca as unidades de saúde para se vacinar vai encontrar a vacina. Para o Estado não foi recomendado fazer vacinação em massa, até porque temos apenas um caso confirmado. O Ministério da Saúde está priorizando as áreas com maior número de casos”, informou.

Piauienses que irão a São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, locais onde há um número significativo de casos, devem se vacinar.

Caso importando

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi) confirmou no dia 6 de agosto o primeiro caso importado de sarampo no Piauí, no ano de 2019. O paciente é um bebê piauiense de um ano de idade, que viajou para São Paulo, região sudeste do país, e retornou ao estado com sintomas da doença

Outros casos foram identificados em Floriano, Campo Grande e Alagoinha. Segundo a coordenadora estadual de Epidemiologia, as equipes de saúde estão realizando vacinação de bloqueio nos municípios com suspeita. “Estamos fazendo um rastreamento dos casos, verificando por onde os pacientes com suspeita passaram e vacinando possíveis infectados”, explicou.

Confirmações

Os pacientes com suspeita da doença foram submetidos a exames. O material coletado da garganta e do nariz dos piauienses foi encaminhado para o laboratório da Fiocruz, referência na área, que deverá concluir os resultados da análise nos próximos dias.

“Com o exame poderemos ver se realmente o genoma é o mesmo que circula da Venezuela. Se for confirmado, eles foram infectados”, explica a coordenadora. 

Vigilância

Segundo Amélia Costa, além dos municípios com suspeitas, a Saúde Estadual monta um treinamento à nível regional para as vigilâncias dos municípios. Serão dadas capacitações regionais mostrando a situação do sarampo no Piauí e no Brasil, tratando sobre a doença, a transmissão, sintomas e tratamento, além do rastreamento de casos suspeito e de coleta de material para exames.

A doença

O sarampo esteve sob controle desde 2016, quando o Brasil foi reconhecido internacionalmente pelo combate a doença. No entanto, os casos voltaram a surgir desde o ano passado e tem resultado em surto em algumas regiões.

O sarampo é passível de complicações e pode resultar em infecções que chegam a deixar sequelas como surdez, retardo cognitivo e cegueira.

 

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Foto: Marcello Casal Jr/Arquivo/Agência Brasil

cafemanhaUm estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e afiliado a pesquisadores europeus mostrou que um hábito muito comum entre os adolescentes pode ser uma das principais causas de obesidade entre os jovens de 14 a 18 anos: não tomar o café da manhã.

O estudo foi desenvolvido pela epidemiologista do Departamento de Medicina Preventiva da FM-USP, Elsie Costa de Oliveira Forkert e envolveu 991 adolescentes com idades entre 14 e 18 anos, que foram divididos por idade, sexo, região e condição socioeconômica.

Os pesquisadores utilizaram esses dados para avaliar comportamentos que levam ao ganho de peso entre os adolescentes e a principal descoberta foi que o hábito de pular a primeira refeição do dia associa-se diretamente ao aumento da circunferência da cintura e do índice de massa corporal nessa faixa etária.

"Ignorando o café da manhã, milhões de crianças e adolescentes provavelmente estão substituindo uma refeição caseira saudável por fast food em um local a caminho da escola, ou na própria escola. Isso significa consumir alimentos hipercalóricos e industrializados, como salgadinhos fritos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas, que estão associadas ao desenvolvimento da obesidade", explica a epidemiologista do Departamento de Medicina Preventiva da FM-USP, Elsie Costa de Oliveira Forkert.

Diferença entre os sexos

A pesquisa mostrou ainda que os adolescentes do sexo masculino eram, em média, mais pesados, mais altos e tinham circunferências de cintura maiores que as do sexo feminino, porém as meninas eram as mais sedentárias.

Segundo o estudo, para os meninos que pularam o café da manhã, a circunferência da cintura média foi 2,13 cm maior do que os meninos que geralmente tomavam café da manhã. E o comportamento sedentário das meninas (mais de duas horas por dia) resultou em um aumento da circunferência da cintura 1,20 cm em média.

Obesidade na adolescência

Segundo a hebiatra Andrea Hercowitz, a maioria dos adolescentes obesos apresentam obesidade desde a infância, mais especificamente desde antes dos cinco anos de idade. A manutenção da obesidade está relacionada com diversos fatores, entre eles a idade de início (quanto mais precoce maior o risco) e o grau de obesidade (quanto mais obeso, maior o risco). E a grande maioria dos adolescentes obesos se tornam adultos obesos, sendo maior a relação quanto maior a severidade de obesidade.

 

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Foto: Pixabay

disfunçaoeretilA disfunção erétil afeta praticamente metade dos homens entre 40 e 70 anos em alguma escala. Com o aumento da expectativa de vida, a comunidade científica tenta garantir que no futuro os tratamentos sejam capazes de reverter ou pelo menos atenuar esse tipo de problema.

Alguns estudos em andamento já dão hoje uma perspectiva do que se pode esperar quando se fala em terapias restaurativas.

A mais recente delas, que pode ser testada por pacientes no Brasil, é a de ondas de choque, que consiste na aplicação de pulsos eletromagnéticos diretamente no pênis do paciente.

"Essa energia estimula a liberação de fatores facilitadores de uma neovascularização, o aumento do suprimento sanguíneo do pênis, que é um dos fundamentos da ereção", explica o médico urologista Giuliano Aita, coordenador da Área de Saúde Sexual da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).

A Associação Europeia de Urologia recomenda que a terapia por ondas de choque seja feita em pacientes com disfunção erétil orgânica leve ou que não tenham resposta aos medicamentos do tipo Viagra e Cialis.

Segundo Aita, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já liberou os equipamentos para a terapia por ondas de choque, mas eles são disponibilizados em poucos locais da rede privada e a um custo ainda inacessível a boa parte da população.

A eficácia também é alvo de questionamentos, tanto que alguns profissionais restringem a prática ao ambiente acadêmico, sem cobrar dos pacientes, como é o caso do médico Georgios Hatzichristodoulou, da Universidade de Würzburg, na Alemanha, segundo o periódico Urology Times.

Estudos de outros tipos de terapias para a disfunção erétil estão em fase menos avançada, como o uso de células-tronco e de PRP (plasma rico em plaquetas).

As células-tronco são vistas por alguns estudiosos como uma possibilidade de, no futuro, reverter casos de impotência causada por cirurgias para a remoção de tumores na próstata.


"Os estudos clínicos com células-tronco foram feitos em pacientes que haviam sido submetidos a cirurgia de próstata, em que os nervos são danificados. As células-tronco têm capacidade de regenerar tecidos. A própria existência de estudos, embora limitados, já sinaliza alguns resultados positivos e que realmente pode representar um tratamento para esse problema", explica o Giuliano Aita.

Em março deste ano, a Associação Europeia de Urologia divulgou que novos testes clínicos, embora em fase inicial, tiveram resultados positivos na restauração da função erétil. Os pesquisadores dinamarqueses conseguiram devolver a ereção espontânea pelo período de um ano. a oito dos 21 pacientes estudados.

No caso de pacientes com incontinência urinária (um dos riscos da cirurgia de próstata), nenhum deles teve sucesso na terapia com células-tronco.

Plasma rico em plaquetas
O PRP é também apontado como uma alternativa na tentativa de reverter casos de disfunção erétil. Trata-se de sangue retirado do próprio paciente e centrifugado para obtenção de uma maior concentração de plaquetas.

Essa técnica, inicialmente, tem como alvo homens com disfunção provocada por "alguma alteração no tecido erétil peniano", ressalta o médico da SBU.

"O plasma rico em plaquetas quando aplicado no corpo cavernoso tem potencial de recuperar a função erétil."

O uso do PRP no Brasil ainda é considerado experimental pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), que afirma não haver "evidências científicas suficientes para a sua utilização e nem de sua eficácia, podendo trazer riscos à saúde do paciente".

Terapias atuais
Apesar de ainda não serem consolidadas, essas técnicas podem ser um divisor de águas em relação ao que se usa atualmente como terapia para disfunção erétil.

Aita ressalta que os medicamentos orais são a primeira opção para os pacientes, seguido da injeção aplicada diretamente no pênis e de prótese peniana. Todas elas, acrescenta, "tratam apenas os sintomas".

O urologista alerta que "o estado de saúde do pênis depende do estado de saúde geral do homem", ponderando que é preciso controlar a pressão arterial, diabetes, praticar exercícios físicos, evitar o fumo e beber com moderação.

 

R7

 

cigarroOs cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, são proibidos no Brasil, mas podem ser facilmente comprados em lojas online nacionais. Muitas das substâncias usadas nesses dispositivos têm um teor de nicotina que pode ser fatal.

O médico pneumologista Francisco Mazon explica que, enquanto um cigarro comum tem entre 1 mg e 2 mg de nicotina, o cigarro eletrônico costuma ter de 3 mg até 5 mg.

"Para fumar um cigarro comum, gasta-se de 1 a 5 minutos. Mas quem fuma um cigarro eletrônico fuma por muito mais tempo. Em 10 minutos, são 30 mg de nicotina, ou seja, o equivalente a um maço e meio de cigarro comum, em um cálculo conservador."

A nicotina é um estimulante, assim como a cocaína, e seu excesso em um curto espaço de tempo pode provocar reações adversas perigosas no corpo, explica o médico.

"A nicotina age sobre o cérebro, aumentando a dopamina e a serotonina. Mas ela também contrai os vasos e aumenta a pressão sanguínea, acelera o coração e pode provocar infarto e derrame. Também pode causar um 'curto-circuito' no cérebro, que é a convulsão, ou no coração, que é a arritmia", acrescenta o médico, ressaltando que episódios como infarto e derrame podem ser fatais.

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (agência responsável por regular substâncias como o tabaco) está investigando mais de 120 relatos de convulsões e sintomas neurológicos relacionados ao uso de vapes.

"As convulsões são efeitos colaterais potenciais conhecidos da toxicidade da nicotina e foram relatados na literatura científica em relação à deglutição intencional ou acidental de e-líquido [refil dos cigarros eletrônicos]. No entanto, um aumento recente em relatos voluntários de experiências adversas com produtos de tabaco que mencionaram convulsões ocorrendo com o uso de cigarros eletrônicos (por exemplo, vaping) sinalizam um potencial problema emergente de segurança", informou a agência em nota.

Além disso, explica Mazon, as cápsulas usadas nos vaporizadores são feitas de um derivado de petróleo, o que pode contribuir para problemas respiratórios como bronquite e bronquiolite.

No documento Cigarros eletrônicos: o que sabemos, a Anvisa listou 21 elementos, além da nicotina, que estão presentes no vapor dos cigarros eletrônicos e seus efeitos no organismo.

Dentre eles estão chumbo, cromo e ferro, que são apontados como agentes cancerígenos para o pulmão. O chumbo também pode provocar danos ao sistema nervoso central e aos rins.

O informativo também cita um estudo recente que concluiu que "as células epiteliais normais de glândulas, órgãos, e cavidades de todo o corpo, incluindo a boca e os pulmões, que foram expostas ao extrato do vapor, apresentaram vários tipos de danos, entre eles o aumento da ruptura das cadeias de DNA que compromete o processo de reparação celular sendo, portanto, um risco para o surgimento do câncer".

"As células afetadas pelo vapor também foram mais propensas a apresentar apoptose e necrose levando a morte celular, independentemente da presença ou não de nicotina no cigarro eletrônico. Os autores acreditam que deve haver outros componentes nos cigarros eletrônicos responsáveis pelos danos celulares."

 

R7

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