Uma pesquisa realizada pela Universidade Ruhr-Bochum, na Alemanha, mostrou que alguns antissépticos bucais são capazes de inativar o novo coronavírus reduzindo a carga viral. Isso, possivelmente, pode reduzir o risco de transmissão no curto prazo.
O estudo, publicado no periódico científico The Journal of Infectious Diseases, parte de outros estudos recentes que “sugeriram a importância da garganta e das glândulas salivares como os principais locais de replicação e transmissão do vírus durante o início do covid-19”.
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Os pesquisadores testaram oito tipos de enxaguantes bucais diferentes. Os produtos foram misturados com partículas virais durante 30 segundos, depois as partículas eram aplicadas às células Vero E6, receptivas ao Sars-Cov-2.
O artigo comprovou que três das oito fórmulas testadas “reduziram significativamente a infecciosidade viral em até três ordens de magnitude.” O uso desses enxaguantes não impede a produção dos vírus na célula, mas podem diminuir a carga viral", conclui o estudo.
Mais um estudo preliminar, ainda não divulgado em revista científica, reforça a possibilidade de que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) seja transmissível pelo ar. Cientistas da Universidade da Flórida e da empresa americana "Aerosol Dynamics Inc" encontraram, no ar, pedaços do vírus que podem infectar humanos e causar a Covid-19.
Essa possibilidade já havia sido apontada em outros estudos, também preliminares, e reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas ainda não há conclusões definitivas a respeito (veja mais estudos sobre o tema mais abaixo nesta reportagem).
A pesquisa da Flórida foi divulgada numa plataforma on-line no dia 4 de agosto, mas ainda não passou por revisão de outros cientistas (a chamada "revisão por pares" ou "peer review", em inglês), etapa que é necessária para validação dos resultados e publicação deles em revista científica.
Os cientistas disseram ter achado vírus viável em amostras de ar coletadas de 2 a 4,8 metros de distância dos pacientes infectados, internados em um hospital. Essa distância é maior do que a mínima recomendada pela OMS para evitar a transmissão do vírus. A sequência genética do vírus encontrada no material coletado era idêntica àquela isolada em testes feitos em pacientes com infecção ativa, segundo o estudo.
Os pesquisadores alertaram que pacientes com a Covid-19 podem produzir gotículas que carregam o vírus (aerossóis) que podem transmitir a doença mesmo sem terem passado por procedimentos que gerem essas gotículas, como a intubação.
"Pacientes com manifestações respiratórias de Covid-19 produzem aerossóis na ausência de procedimentos geradores de aerossóis que contêm Sars-CoV-2 viável, e esses aerossóis podem servir como fonte de transmissão do vírus", afirmaram.
Outros indícios No início de julho, mais de 200 cientistas apoiaram uma carta aberta à comunidade médica internacional, incluindo a OMS, pedindo que reconhecessem o risco de transmissão da Covid-19 pelo ar.
A entidade disse que a transmissão pelo ar não podia ser descartada em alguns tipos de ambientes internos, e sugeriu uma combinação de fatores para que ela pudesse ocorrer.
Segundo a última atualização do site da organização, no dia 9 de julho, "a transmissão aérea do Sars-CoV-2 pode ocorrer durante procedimentos médicos que geram aerossóis".
"A OMS, junto com a comunidade científica, tem discutido e avaliado ativamente se o Sars-CoV-2 também pode se espalhar por meio de aerossóis na ausência de procedimentos geradores de aerossol, particularmente em ambientes fechados com pouca ventilação", diz o texto. Coronavírus: o que significa o alerta da OMS sobre transmissão aérea da Covid-19?
Semanas depois, pesquisadores da Universidade de Nebraska, também nos EUA, divulgaram o resultado de um estudo apontando que era possível localizar partículas virais do Sars-CoV-2 nos ar. Além disso, os cientistas conseguiram, pela primeira vez, multiplicar em laboratório o material do vírus que estava em suspensão. A pesquisa também foi divulgada como prévia, sem avaliação por pares.
Ainda em julho, outra prévia de pesquisa, feita por cientistas de Harvard, apontou que 59% da transmissão da Covid-19 no navio "Diamond Princess" ocorreu pelo ar, e não pelo contato com gotículas de saliva (responsável pelos outros 41%). Os cientistas recriaram o surto em um computador e observaram os padrões nas taxas de contaminação.
O "Diamond Princess" foi apontado como um dos pontos de surto da epidemia ainda em fevereiro, quando poucos países confirmavam casos de Covid-19. Com quase 4 mil passageiros, o navio chegou a ficar quase um mês de quarentena em um porto japonês. Ao todo, mais de 700 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus na embarcação.
Um estudo conduzido pela Universidade de Stanford (EUA) e publicado nesta terça-feira (11) relacionou as conexões entre o cigarro eletrônico e a Covid-19, usando dados populacionais dos Estados Unidos coletados durante a pandemia. Entre os jovens testados, a pesquisa descobriu que quem declarou usar o cigarro eletrônico apresentou de cinco a sete vezes mais probabilidade de ser infectado do que quem não usa o cigarro eletrônico.
Os pesquisadores alertam que o uso de cigarro eletrônico ‘não é apenas um pequeno aumento no risco’. “Esse estudo mostra claramente que os jovens que usam os vapes ou cigarros eletrônicos correm um risco elevado, e não é apenas um pequeno aumento no risco; é um grande problema”, disse o líder do estudo Shivani Mathur Gaiha.
Os dados foram coletados através de pesquisa online, em maio. Participaram 4.351 pessoas, com idades entre 13 e 24 anos, que viviam nos Estados Unidos.
Os participantes responderam perguntas sobre se já haviam usado dispositivos de vaporização ou cigarro comum, e também se fizeram uso nos últimos 30 dias. Eles também responderam sobre a Covid-19 (se tiveram sintomas, se fizeram teste e se testaram positivo).
Os resultados, publicados na revista científica Journal of Adolescent Health, mostraram que os jovens que usaram cigarros eletrônicos nos últimos 30 dias tiveram quase cinco vezes mais chances de apresentar sintomas de Covid-19, como tosse, febre, cansaço e dificuldade para respirar, do que aqueles que nunca fumaram ou vaporizaram.
Entre os participantes que foram testados para Covid-19, aqueles que já haviam usado cigarros eletrônicos tinham cinco vezes mais chances de serem diagnosticados com coronavírus do que os não usuários. Já quem usou nos últimos 30 dias teve 6,8 vezes mais chance de testar positivo.
O professor de Harvard David Christiani, que não faz parte da pesquisa, explicou que pessoas que vaporizam têm muito mais risco de contrair a Covid-19. “A vaporização de líquidos prejudica a imunidade local no nariz e no resto do trato respiratório. Uma vez que essas defesas sejam prejudicas, isso tornará as pessoas mais suscetíveis à infecção”.
Além de alertar adolescentes e jovens sobre os perigos da vaporização, os pesquisadores esperam que suas descobertas levam a FDA (órgão que atua como a Anvisa nos EUA) a apertar ainda mais as regulamentações sobre como os produtos de vaporização são vendidos aos jovens.
“Precisamos que a FDA se apresse e regule esses produtos. E precisamos dizer a todos: se você for um vaper, está se colocando em risco de contrair Covid-19 e outras doenças pulmonares”, enfatizou Bonnie Halpern-Felsher, autora sênior do estudo.
A Coronavac, vacina que está sendo desenvolvida por uma parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa Sinovac Biotech, mostrou segurança e capacidade de gerar resposta imune durante a fase 2 de testes em 600 voluntários, de acordo com estudo divulgado nesta segunda-feira (10) no site Medrxiv. A plataforma distribui versões pré-publicação de artigos científicos, que ainda não foram revisados por pares.
Os voluntários eram adultos saudáveis, que tinham entre 18 e 59 anos. Eles foram escolhidos aleatoriamente: uma parcela recebeu duas injeções da vacina experimental com doses de 3 microgramas ou 6 microgramas e a outra recebeu placebo. Participantes e pesquisadores não sabiam quem estava recebendo cada uma dessas opções.
"A segurança e imunogenicidade [capacidade de provocar resposta imune] favoráveis de Coronavac foram demonstradas em ambos os esquemas e ambas as dosagens, o que apoia a condução do ensaio de fase 3 com esquema/dosagem ideal para diferentes cenários", diz a publicação.
Ainda de acordo com os resultados divulgados, o imunizante foi bem tolerado e a maioria das reações adversas não foi grave. Dor no local da injeção foi o sintoma relatado com mais frequência.
A fase 3 é a última antes de uma possível aprovação para comercialização. Ela avalia a segurança e eficácia da vacina em milhares de pessoas que estão expostas ao coronavírus. No Brasil, 9 mil voluntários receberão o imunizante em um dos 12 centros de pesquisa localizados em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.
No final de julho, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou que o Instituto Butantan planeja produzir 240 milhões de doses da Coronavac com o apoio de doações. No entanto, essa quantidade ainda não seria suficiente para atender toda a população, pois cada pessoa precisaria receber duas doses do imunizante.