O pico da pandemia de coronavírus no Brasil obriga, mais uma vez, que se tome medidas drásticas. A paralisação de atividades esportivas, o que inclui alguns Estaduais, é uma delas. E isso, sim, pode ter reflexo ali na frente.
Com o adiamento de partidas, naturalmente haverá um acúmulo de compromissos em breve, com duelos menos importantes sendo entremeados a jogos, por exemplo, de Libertadores. O planejamento, claro, fica comprometido, mas a hora é de deixar isso em segundo plano. Claro que os jogadores vão ficar mais cansados, claro que o tempo para treinamentos ficará mais curto, claro que haverá menos espaço para recuperação física, claro que haverá mais risco de lesão. Mas não há nada o que posa ser feito. Sim, a perspectiva de uma temporada inteira pode ruir, mas há outra solução que não acatar as decisões de autoridades?
Pode-se concordar ou discordar de medidas extremadas - há argumento para tudo quanto é lado.
Mas, no momento em que há algo definido, cabe aos personagens do futebol mandarem mensagens positivas, de apoio, de atenção. A saúde precisa estar em primeiro lugar, mesmo que a confusão de um calendário possa se torna fator de ganho ou perda de competitividade.
O presidente da CBF, Rogério Caboclo, segue defendendo que o futebol não seja paralisado. Segundo ele, quem também tem interesse em ver a bola rolando é a TV Globo, detentora dos direitos de transmissão de boa parte dos campeonatos. Conforme apurado pelo jornalista Venê Casagrande, do jornal O Dia, Caboclo adotou um tom agressivo ao defender seu ponto para os presidentes dos clubes em reunião virtual.
A reportagem do jornal teve acesso ao vídeo da reunião entre os mandatários dos clubes das séries A e B do Brasileirão com a CBF. Nele, o presidente da entidade se mostra bastante convicto em relação a continuidade do futebol, e chega a ameaçar as equipes, dizendo que os patrocinadores e a TV Globo estão com ele.
"As pessoas em casa sob bandeira vermelha, sob bandeira preta... eu não abrirei mão a não ser sob doutorado dos senhores de deixar de jogar as competições nacionais e retirar nas internacionais e incorporará as Estaduais... Então, por gentileza, vamos pensar agora: nós podemos parar o futebol? a Rede Globo não quer. Ninguém quer (parar o futebol), seus patrocinadores não querem. E se parar sabe quando nós temos a segurança de dizer que a gente pode voltar? Nunca. No dia que o Governador do Mauricio (não cita o sobrenome) disser que pode. No dia que o Prefeito de São Nunca disser que pode... Eu não vou estar a mercê de nenhum deles. Eu vou... Landim, Galiotte, todos os presidentes.. eu vou mandar no futebol brasileiro e vou determinar que vai ter competição e que vocês estão f.... se não tiver (competições)", declarou em resposta ao presidente do Palmeiras, Maurício Gailotte. Após a fala de Caboclo, Galiotte chegou a pedir que o assunto fosse discutido posteriormente. Entretanto, parou com a discussão após a insistência do presidente da CBF. Pouco depois, o mandatário do Avaí o parabenizou pela atitude. Antes de encerrar, Rogério Caboclo, em tom autoritário, perguntou novamente se alguém era contrário a continuidade do futebol.
"Acho que todos querem a continuidade. Algum presidente aqui presente é contra a continuidade?", perguntou. Em seguida, a sala toda ficou em silêncio. Com isso, Caboclo encerrou a reunião: "Terminamos. Agora tenho algumas ligações particulares". Sobre a reunião e a reportagem, a assessoria da Confederação respondeu ao jornal com a seguinte mensagem: “A CBF reitera que a defesa da continuidade do futebol foi posição unânime das 27 Federações e dos Clubes participantes de todas as séries do futebol brasileiro, sempre seguindo rígidos protocolos de saúde, conforme detalhado na nota oficial sobre a reunião".
O Flamengo inicia mais uma semana de atividades ainda com o grupo dividido e sem definição sacramentada a respeito de quem atuará no próximo jogo, o clássico contra o Botafogo, às 21h35 desta quarta-feira, no Estádio Nilton Santos. A tendência é a de que siga representado com time alternativo, segundo o LANCE! apurou.
Nesta manhã de segunda, o grupo principal, comandado pro Rogério Ceni, realizou treinos no Ninho do Urubu, com ênfase no aprimoramento tático. E o mesmo plantel volta a treinar à tarde, às 15h, em rotina com ares de pré-temporada.
No mesmo horário, o grupo de Maurício Souza treinará no CT. A tendência é que a equipe a duelar com o Botafogo seja a mesma que goleou o Resende por 4 a 1, na rodada passada, com a possibilidade pontual de mais reforços caseiros.
Em tempo: o clássico contra o Botafogo será válido pela 5ª rodada da Taça Guanabara do Carioca, na qual o Flamengo está em segundo lugar, com nove pontos.
Enquanto os titulares ainda não estrearam na temporada 2021 no Fluminense, um jogador em especial tem aproveitado bem a oportunidade neste início de Campeonato Carioca: o meia-atacante Gabriel Teixeira. Titular em três dos quatro primeiros jogos, o jovem de 19 anos tem “furado a fila” no Tricolor e mostrado ao técnico Roger Machado que poderá ser útil ao longo do ano. O garoto, que renovou recentemente, tem contrato com o Tricolor até o fim de 2024. Mais uma joia formada em Xerém, Gabriel Teixeira foi um dos destaques do time Sub-20 na temporada passada, ao lado de John Kennedy. Promovido ao Sub-23, ele integrou o grupo que iniciou o Carioca enquanto o elenco principal aproveitava a folga pós-Brasileirão.
Curiosamente, Gabriel sequer começaria jogando na estreia da temporada, contra o Resende. Ele ganhou, de última hora, a vaga de Marcos Paulo, que havia treinado de titular durante a semana, mas perdeu o lugar em razão do imbróglio com o Atlético de Madrid.
E Gabriel aproveitou a chance com unhas e dentes. Demonstrando muita personalidade e confiança, foi o grande nome do time na estreia contra o Resende, fazendo boa dupla com Miguel, que acabou ofuscado por sair ainda no 1º tempo após passar mal. Apesar da derrota tricolor no fim, o meia causou boa impressão com o repertório de passes em profundidade e finalizações de fora da área.
Na segunda partida, derrota para Portuguesa por 3 a 0, Gabriel não conseguiu repetir a atuação da estreia, assim como todo o time. Apesar de ter se movimentado bastante e arriscado alguns chutes, pecou em algumas tomadas de decisão, fruto ainda da pouca experiência.
Com a volta de alguns reservas do elenco principal a partir da terceira rodada, a garotada do Fluminense acabou sendo preterida na estreia do técnico Roger Machado. Na vitória no Fla-Flu, Gabriel Teixeira começou no banco de reservas, mas foi a primeira opção de substituição do treinador, entrando no lugar de Fernando Pacheco ainda no intervalo.
E deixou boa impressão. Tanto que, com a lesão do peruano, Gabriel foi quem ganhou a vaga no time titular para o jogo do último sábado, sendo o único da garotada a começar jogando na vitória por 1 a 0 sobre o Bangu. E em uma atuação apagada da equipe tricolor, era dos pés do jovem meia que saíam as jogadas mais objetivas, principalmente no 1º tempo.
Biel para os companheiros de elenco, Gabriel Teixeira ainda tem pontos a evoluir. Em alguns momentos peca em tomadas de decisão, demora a passar a bola. Precisa também aprimorar a marcação. Mas demonstrou nesses primeiros jogos que tem muita qualidade técnica e visão de jogo. Em mais uma temporada que promete ser longa, o meia de 19 anos já ganhou pontos com a torcida e com o treinador e mostra que pode ser muito útil ao Fluminense mesmo com o retorno dos titulares.