A Secretaria de Estado da Educação do Piauí (Seduc/PI) realizou, nesta segunda-feira (26), a segunda convocação do chamamento público para a contratação de 1.501 Profissionais da Educação. Os convocados atuarão em escolas de tempo integral da rede estadual, distribuídas por cerca de 130 municípios piauienses.
Ao todo, estão sendo chamados profissionais para 27 cargos, incluindo professores, profissionais de apoio e técnicos de níveis médio e superior. As contratações têm caráter temporário e não substituem servidores efetivos, sendo destinadas prioritariamente aos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio.
O secretário de Estado da Educação, Rodrigo Torres, destacou que a medida fortalece a estrutura da rede estadual. “Essa convocação amplia o suporte técnico e pedagógico, garantindo o funcionamento das atividades e o atendimento aos estudantes, especialmente no modelo de tempo integral integrado à Educação Profissional”, afirmou.
Entrega de documentação
Os candidatos convocados devem realizar a entrega da documentação exclusivamente de forma eletrônica, no período de 27 de janeiro até as 23h59 do dia 1º de fevereiro de 2026, por meio do site: https://convocacao.seduc.pi.gov.br/
O acesso ao formulário eletrônico deve ser feito com o CPF. É obrigatório o preenchimento completo das informações pessoais, funcionais e bancárias, além do envio (em formato PDF) de documentos como: RG, CPF, comprovante de residência, título eleitoral, diploma ou comprovante de escolaridade e declaração de acúmulo de cargos, entre outros exigidos no edital.
Lotação
Capital: Os candidatos aptos para atuar nas 4ª, 19ª, 20ª e 21ª Gerências Regionais de Educação (GREs) deverão comparecer à Coordenação de Lotação/Capital, na sede da Seduc, em Teresina. O profissional deve observar a data de lotação referente ao seu cargo, conforme o cronograma disponível no edital da 2ª convocação.
Interior: Os aprovados para as demais GREs devem se dirigir às respectivas Gerências Regionais ou Supervisões Municipais até as 13h30 do dia 3 de fevereiro de 2026.
A convocação integra a política do Governo do Estado, liderado pelo governador Rafael Fonteles, voltada à ampliação e consolidação do ensino de tempo integral integrado à Educação Profissional na rede pública estadual.
Pais da comunidade Jacaré da Vermelha, em Esperantina-PI, enfrentaram o Secretário de Educação, Valdemir Miranda, em uma reunião que literalmente pegou fogo. O motivo? Uma decisão tomada sem diálogo, que mexe direto com a rotina, a segurança e a infância de crianças de apenas 5 e 6 anos de idade. A Secretaria decidiu transferir os alunos da escola do Jacaré da Vermelha para outra unidade na comunidade Mundo Novo, sob a justificativa de acabar com o ensino multisseriado, alegando que as crianças não estariam aprendendo a ler. Os pais discordam e discordam com veemência.
Segundo relatos emocionados de mães, os alunos do Programa Escola de Tempo Integral estão sendo obrigados a acordar às 5 da manhã e só retornam para casa no início da noite, enfrentando longos trajetos em transporte público. Crianças pequenas, longe das famílias o dia inteiro, em estradas vicinais que no período chuvoso viram um verdadeiro teste de sobrevivência.
A revolta cresce porque, segundo a comunidade, ninguém foi consultado. A decisão caiu de cima pra baixo, como se educação fosse apenas número em planilha, e não gente, infância e realidade local. O resultado? Um clima de caos, indignação e medo. Medo pela segurança dos filhos, pelo cansaço extremo das crianças e pela falta de sensibilidade do poder público.
O Cocais Plus teve acesso a imagens exclusivas dessa reunião tensa, que escancara um problema maior. Até onde uma decisão técnica pode ignorar a voz de uma comunidade inteira?
A Universidade Estadual do Piauí, UESPI, por intermédio da Coordenação de Projetos e Documentação, COPDOC, do Núcleo de Educação a Distância, NEAD, conforme disposto no Edital PROP NEAD UESPI nº 004 de 2025, no uso de suas atribuições legais, torna pública a presente Convocação referente aos cursos de Especialização em Gestão em Saúde, Gestão e Educação Ambiental, História e Cultura Afro Brasileira, Gestão Educacional e Saúde Única, na modalidade Educação a Distância, no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil, UAB.
O resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) levantou uma discussão sobre a qualidade da formação médica no Brasil. Cerca de 30% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório, porque menos de 60% dos estudantes não alcançaram a nota mínima para proficiência. A maioria dessas instituições são municipais ou privadas com fins lucrativos.
O Ministério da Educação anunciou sanções para as faculdades com os piores desempenhos. No que se refere aos alunos, entidades como o Conselho Federal de Medicina, voltaram a demandar a criação de um exame de proficiência, que avalie os recém-formados antes da concessão do registro profissional.
Mas para a professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, Eliana Amaral, a providência mais importante para garantir uma formação médica de qualidade no Brasil é o fortalecimento do sistema de regulação que fiscaliza as faculdades.
"A faculdade que inventou de ter uma escola de medicina sabe que vai transformar a pessoa em médico e portanto assumiu essa responsabilidade com a sociedade. Mas o sistema de regulação tem que orientar qual poderia ser a solução, tem que estabelecer um plano de trabalho e fazer essa instituição se comprometer", defende a docente, que também já presidiu a Câmara de Educação Superior do Conselho Estadual de Educação de São Paulo e hoje é vice-presidente do colegiado.
Eliana Amaral lembra que esta é a primeira edição do Enamed, mas os formandos das faculdades de medicina, assim como os de todos os outros cursos, já eram avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - Enade. Portanto, de acordo com a professora, muitos dos problemas apontados pelo Enamed já eram conhecidos.
Mas a professora também ressalva que é inadequado medir a qualidade de um curso apenas pelo desempenho dos alunos em uma prova, inclusive porque historicamente o Enade foi utilizado como instrumento de protesto, sob a forma de boicote.
Por isso, ela lembra que o MEC tem um Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior que leva em conta as notas do Enade, mas também inspeciona as instituições para verificar in loco a qualidade da formação oferecida.
Eliana Amaral destaca que a formação médica do Brasil sempre foi de "altíssima qualidade", e as diretrizes básicas que devem ser seguidas por todos os cursos garantem que o profissional formado saiba atender questões emergenciais. Ainda assim, a professora diz esperar que toda a discussão a respeito do Enamed atue como um "detonador" para fortalecer a fiscalização das faculdades, especialmente quanto ao ensino prático.
"Onde se aprende a cuidar de gente? Quando você cuida de gente. E pra isso a faculdade tem que garantir um bom estágio de clínica médica, pediatria, cirurgia. E depende não só de você entender os sintomas, o que você prescreve, mas também a postura profissional, que é altamente influenciada pelos exemplos adquiridos com bons professores"
Expansão O presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes, também compartilha da mesma expectativa. Para ele, houve uma "expansão desenfreada" de vagas de medicina no país, colocando o ensino prático sob risco.
"Quase metade do curso tem que ser feito em campo prático, e isso pressupõe bons laboratórios, bons ambulatórios de atenção básica, unidades de pronto atendimento, de atenção ambulatorial de média complexidade."
Fernandes defende que o problema da falta de médicos em determinadas regiões do país não deve ser resolvido com a abertura de faculdades médicas, mas com melhores políticas de alocação de profissionais, que passam pela melhoria da infraestrutura de atendimento, e a oferta de salários mais atrativos.
"É uma ideia equivocada criar escolas médicas como bancos assistenciais. Muitas vezes elas são colocadas em municípios que não tem menor condição de assistir a sua população, muito menos de usar essas vagas assistenciais como campo de ensino para o médico. A melhoria da estrutura tem que vir antes"
Já a professora da Unicamp Eliana Amaral acredita que um "acordo de sociedade" possa melhorar o cenário atual. "A necessidade de expansão para ocupar os lugares que não tinha médico é um problema no mundo. Isso não é um problema só no Brasil. O que a gente precisa é um acordo sério de sociedade e uma regulação séria. Abrir uma escola numa determinada região vai ajudar a desenvolvê-la? Então tem que chamar o Ministério da Saúde, as secretarias de Saúde para resolver qual o lugar onde os alunos vão poder aprender o que eles precisam"
Estudantes A estudante de medicina Vanessa Conceição da Cruz se forma ainda este mês, após a graduação na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, que obteve nota máxima no Enamed. Apesar de estar em uma cidade de interior, com menos de 80 mil habitantes, Vanessa diz que a universidade oferece uma formação prática de excelente qualidade
"A estrutura é realmente muito boa. Temos os hospitais e parcerias com municípios vizinhos, o que nos permite ter uma uma gama de cenários bem diversificados, mais urbanos, mais rurais. E o contato com os pacientes ocorre desde os primeiros anos do curso. Um dos pontos fortes aqui é isso, muito contato com a porta de entrada da saúde, a atenção primária, as unidades básicas..."
Vanessa fiz acreditar que isso também possa ter ajudado os alunos da UFV na hora de fazer o Enamed, já que a prova teve muitas questões sobre diagnósticos e tratamentos, que são melhor compreendidos durante os estágios práticos. Na opinião da futura médica, a prova conseguiu avaliar bem a formação básica dos estudantes, mas também engrossa o coro por uma fiscalização constante das faculdades.
"Para ver os cenários práticos, se é suficiente para que os alunos possam ter contato, inclusive com a atenção primária. Porque o pronto-atendimento e os postos de saúde geralmente são as áreas que os estudantes recém-formados procuram para trabalhar. Então é importante que os médicos que estão se formando já tenham essa experiência".