Um estudo conduzido pela Universidade de Munique, na Alemanha, trouxe novas evidências de que a perda de olfato pode ser um dos primeiros sinais do Alzheimer. Segundo os pesquisadores, células de defesa do cérebro, conhecidas como microglia, podem atacar fibras nervosas que conectam o bulbo olfativo a áreas responsáveis pela percepção de cheiros, comprometendo o sistema sensorial antes mesmo do aparecimento da perda de memória.
Os cientistas observaram o fenômeno em três etapas: em testes com camundongos, por meio de exames de imagem (PET scan) em pacientes vivos e em análises de tecidos cerebrais de pessoas que faleceram com Alzheimer. Em todos os casos, houve indícios de que o sistema imunológico confundia neurônios saudáveis com células a serem eliminadas, atacando regiões ligadas ao olfato.
Evidências que reforçam a ligação Pesquisas anteriores já haviam mostrado a relação entre perda de olfato e risco de demência. Em um estudo com quase 3.000 adultos nos Estados Unidos, aqueles que apresentaram prejuízo olfativo tiveram o dobro de chances de desenvolver demência em até cinco anos.
Outro levantamento, publicado na Springer Nature, acompanhou pacientes por 12 anos e confirmou que a alteração no olfato pode ser um forte indicador precoce da doença.
Diagnóstico precoce pode mudar o tratamento Atualmente, medicamentos inovadores, como os anticorpos contra beta-amiloide, apresentam melhores resultados quando usados nas fases iniciais do Alzheimer. Identificar pacientes antes da perda significativa de memória pode aumentar a eficácia esses tratamentos e oferecer mais qualidade de vida.
Segundo especialistas, a simples avaliação do olfato pode se tornar uma ferramenta acessível e complementar no rastreamento da doença. Para além da inovação científica, o estudo destaca a urgência de fortalecer o sistema de diagnóstico precoce, já que milhões de pessoas no mundo convivem com demência sem receber o suporte adequado.
Além dos sintomas físicos já bastante conhecidos – como ondas de calor, secura vaginal e diminuição da libido – a menopausa pode também estar associada à redução da massa cinzenta cerebral, segundo um novo estudo da Universidade de Cambridge divulgado nesta terça-feira (27).
A massa cinzenta ou substância cinzenta é uma parte do cérebro rica em células nervosas. Ela é responsável pelo processamento de informações, aprendizado, memória, emoções e controle motor.
De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica "Psychological Medicine", o fim da vida reprodutiva da mulher pode diminuir o volume dessa substância em regiões-chave do cérebro, além de provocar níveis mais elevados de ansiedade e depressão e trazer dificuldades com o sono.
"Estresse crônico, ansiedade e depressão podem reduzir o volume do hipocampo", explica Barbara Sahakian, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge e autora sênior do estudo. Os pesquisadores analisaram dados do UK Biobank (banco de dados biomédicos de larga escala e de longo prazo no Reino Unido) de quase 125 mil mulheres classificadas em três categorias:
Pré-menopausa Pós-menopausa que nunca fizeram terapia de reposição hormonal (TRH) Pós-menopausa que fizeram terapia de reposição hormonal (TRH)
Além de responderem a questionários com perguntas relacionadas à menopausa, as participantes realizaram testes cognitivos, incluindo avaliação de memória e tempo de reação.
"Há um declínio cognitivo associado ao envelhecimento e é importante manter o cérebro ativo à medida que envelhecemos para não acelerarmos esse processo", analisa Sahakian. Outro ponto destacado pela pesquisadora é que muitas vezes a terapia de reposição hormonal é prescrita especialmente para mulheres que apresentam sintomas de depressão ou outros problemas de saúde mental.
Mas o estudo faz um alerta nesse sentido:
"Presumivelmente, os médicos prescrevem nessas condições na esperança de que os sintomas não piorem durante a menopausa. No entanto, os resultados do nosso estudo sugerem que a TRH não melhora esse quadro", afirma.
Sono, saúde mental e massa cinzenta Ao avaliar o impacto da menopausa no sono, na saúde mental e nas funções cognitivas, os pesquisadores observaram as seguintes consequências:
Sono Participantes que se encontravam no período pós-menopausa relataram com mais frequência insônia, menor duração do sono e sensação de cansaço.
Entre essas, as que realizavam a TRH se disseram mais cansadas em relação aos outros grupos, apesar de não haver diferença na duração do sono em comparação a mulheres que não faziam uso de medicação.
Saúde mental As mulheres na pós-menopausa tiveram maior probabilidade de procurar ajuda de um clínico geral ou psiquiatra por motivos de ansiedade, nervosismo ou depressão. Além disso, elas apresentaram pontuações mais altas em questionários sobre sintomas depressivos.
Funções cognitivas Esse grupo, em especial as mulheres que não faziam reposição hormonal, também apresentaram tempos de reação mais lentos, mostrando que a menopausa pode ter certo impacto cognitivo.
Nesse sentido, foi observado algo novo: nos dois grupos de mulheres na pós-menopausa, os pesquisadores relataram reduções significativas no volume da massa cinzenta.
As mudanças aconteceram principalmente nas seguintes regiões:
Hipocampo - responsável pela formação e armazenamento de memórias. Córtex entorrinal - área que permite a passagem de informações entre o hipocampo e o restante do cérebro. Córtex cingulado anterior - região que auxilia na regulação das emoções, tomada de decisões e foco. Sahakian destaca que as regiões do cérebro onde foram observadas essas diferenças são áreas que costumam ser afetadas pela doença de Alzheimer.
"A menopausa pode tornar essas mulheres mais vulneráveis no futuro. Embora não seja a única explicação, isso pode ajudar a entender por que vemos quase o dobro de casos de demência em mulheres em comparação aos homens", projeta a professora. Próximos passos da pesquisa Ainda que os resultados sejam promissores e indiquem novos caminhos para explorar a relação da menopausa com o declínio cognitivo ao longo da velhice no caso de mulheres, são necessários mais estudos para entender mais profundamente essa associação.
A professora projeta que a ideia do grupo é acompanhar essas mulheres por um maior período para compreender melhor a possível influência da terapia hormonal com o risco de desenvolver demência.
O Brasil bateu, pela segunda vez em dez anos, o recorde de afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Dados do Ministério da Previdência Social, obtidos com exclusividade pelo g1, mostram que o número de licenças voltou a crescer em 2025 e escancara um cenário de adoecimento cada vez mais amplo entre os trabalhadores do país.
No ano passado, o g1 revelou com exclusividade que o Brasil já vivia uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos por esse motivo em 10 anos em 2024.
Em 2025, o cenário não só se repete como se agrava: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por transtornos mentais, estabelecendo um novo recorde e ampliando o peso da saúde mental no total de afastamentos. Ao todo o país teve 4 milhões de licenças do trabalho. (Leia mais aqui) A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma patologia responsável por obstruir cronicamente as vias aéreas, dificultando a respiração. É o caso de condições como a bronquite crônica, que ocorre devido ao estreitamento das vias aéreas e inflamação dos brônquios, e o enfisema pulmonar, que causa danos irreversíveis nos alvéolos.
Os fatores de risco incluem desde a exposição à fumaça da poluição ambiental e das queimadas até o tabagismo. Ele é o principal agente influente no desenvolvimento da doença, que atualmente se classifica como a 4ª causa de morte no mundo.
Por isso o Ministério da Saúde alerta sobre o efeito do tabagismo na incidência da patologia. É fundamental atentar-se aos subtipos de fumo como cachimbo, narguilé, maconha e até mesmo a exposição passiva à fumaça.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, a DPOC afeta cerca de 10% da população brasileira. Além disso, a patologia impacta na saúde de 15,8% dos adultos com mais de 50 anos que vivem na cidade de São Paulo, conhecida pelo grande povoamento e índice de poluição.
Sintomas da doença Os sinais de alerta para a doença se ligam a problemas no sistema respiratório. Por isso, o principal sintoma é a falta de ar ao realizar esforços, podendo resultar em dificuldades para realizar atividades cotidianas, como tomar banho. Além disso, manifestações como tosse crônica ou com secreção e pigarro são muito comuns.
Tratamento No Brasil, o diagnóstico, tratamento e demais aspectos relacionados à doença seguem o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF), Flávia Lima, ainda existem estados que não adotaram ou estão em processo de regulamentação da cartilha.
“Essa falta de implementação dificulta o acesso dos pacientes ao tratamento, pois, ao buscarem atendimento, encontram profissionais desinformados, escassez de especialistas e desafios para realizar exames avaliativos”, comenta a profissional.
Nesse sentido, os pacientes com DPOC enfrentam uma jornada cheia de desafios. Isso porque processos importantes do tratamento, como o subdiagnóstico, a falta de informação, acesso e atendimento especializado, encontram muitas dificuldades.
Segundo a especialista, muitos pacientes se encontram perdidos no sistema de saúde e, quando há suspeita de DPOC, não conseguem diagnosticar a doença respiratória. Além disso, as principais demandas concentram-se em dúvidas, como quais são as orientações adequadas sobre o uso de dispositivos inalatórios, por exemplo.
Ainda que a doença não tenha cura, uma abordagem correta pode auxiliar significativamente na qualidade de vida dos pacientes, reduzindo a morbimortalidade. Por isso, a indicação é buscar um profissional ao apresentar sinais respiratórios.
Um levantamento conduzido pela Friedman School of Nutrition Science and Policy, da Tufts University (EUA), apontou que escolhas alimentares inadequadas foram responsáveis por mais de 14 milhões de casos de diabetes tipo 2 em 2018, em uma análise que envolveu 184 países.
O estudo examinou a alimentação de milhões de pessoas entre 1990 e 2018, observando 11 padrões alimentares considerados críticos. Entre os principais vilões estão o baixo consumo de grãos integrais, o excesso de arroz e trigo refinados e a frequente ingestão de carnes processadas.
Os dados mostram uma tendência preocupante: o crescimento contínuo da doença ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde cerca de 600 mil mortes foram registradas por complicações do diabetes tipo 2 ao longo de uma década.
Entenda como o corpo reage ao diabetes tipo 2 Sintomas podem passar despercebidos nas fases iniciais da doença O diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficaz ou quando há deficiência na produção do hormônio. Isso leva a um descontrole nos níveis de glicose no sangue, exigindo, em muitos casos, mudanças no estilo de vida ou tratamento com medicamentos.
Os sintomas podem ser silenciosos no início, o que dificulta o diagnóstico precoce. Entre os sinais mais comuns estão:
Fome e sede em excesso
Urinar com frequência
Formigamento em mãos e pés
Infecções recorrentes
Feridas de difícil cicatrização
Visão embaçada
A boa notícia é que intervenções precoces como uma alimentação equilibrada e prática regular de atividade física podem ajudar a controlar a doença e evitar complicações graves.
Tudo sobre o diabetes: causas, sintomas e prevenção
O diabetes é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Caracteriza-se pela incapacidade do corpo de regular os níveis de glicose. Seus principais sintomas incluem sede excessiva, cansaço e visão turva. A prevenção envolve alimentação balanceada e exercícios físicos regulares.