A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que deve divulgar na próxima semana a resposta sobre os pedidos de registro das versões nacionais das canetas à base de semaglutida, princípio ativo do Ozempic. Os pedidos em análise são das farmacêuticas EMS e Ávita Care.
A patente da semaglutida, substância desenvolvida pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, perde a validade no Brasil em 20 de março. A empresa tentou recorrer à Justiça para estender o prazo de exclusividade, mas teve o pedido negado.
Com o fim da patente, outras farmacêuticas passam a poder produzir e comercializar medicamentos à base de semaglutida no país, desde que obtenham aprovação regulatória.
Ainda no ano passado, o Ministério da Saúde pediu que a agência desse prioridade para a avaliação de canetas nacionais, resultado que começa a aparecer nas próximas semanas.
Apesar disso, não há garantia de aprovação imediata — a Anvisa pode solicitar informações complementares às empresas antes de conceder o aval definitivo.
Impacto no mercado Especialistas avaliam que, com a entrada de versões nacionais no mercado, a tendência é de redução nos preços, impulsionada pelo aumento da concorrência. No entanto, essa queda não deve ocorrer de forma imediata.
No caso da EMS, a empresa informou que já possui estrutura industrial preparada para fabricar medicamentos dessa classe, mas ainda não há cronograma definido para lançamento, nem detalhes sobre o produto ou a política de preços. Segundo a farmacêutica, qualquer avanço depende exclusivamente da etapa regulatória.
A EMS é, até o momento, o único laboratório nacional que já lançou canetas injetáveis para emagrecimento de geração anterior, à base de liraglutida.
O Carnaval é sinônimo de música alta, madrugada estendida e brindes repetidos. Para o cérebro, porém, a soma desses estímulos pode significar sobrecarga. A exposição prolongada a sons intensos, a privação de sono e o consumo excessivo de álcool atuam em áreas centrais do sistema nervoso e, quando combinados, potencializam riscos que vão de perda auditiva a alterações cognitivas e comportamentais.
O neurocirurgião Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e pós-doutor pela Universidade de São Paulo (USP), explica que o impacto começa pelo ouvido, mas não termina nele.
"Uma conversa comum gira em torno de 60 decibéis, nível considerado seguro. Já blocos e shows podem ultrapassar 100 decibéis —intensidade que reduz drasticamente o tempo de tolerância do organismo", diz.
Segundo ele, sons elevados e prolongados lesam as células ciliadas da cóclea, estruturas responsáveis por transformar vibrações em impulsos elétricos para o cérebro. O dano pode resultar em perda auditiva, dificuldade de discriminar sons e zumbido persistente. Em níveis ainda mais altos —como explosões ou fogos muito próximos— a lesão pode ser imediata e irreversível.
Excesso ativa circuitos ligados ao estresse Embora o ruído não cause, de forma direta, uma lesão cerebral estrutural, ele interfere no funcionamento do sistema nervoso. O estímulo intenso mantém o cérebro em estado de alerta, dificulta o sono, altera o humor e aumenta a fadiga mental. Pessoas com maior sensibilidade sensorial, como indivíduos no espectro autista, tendem a sofrer ainda mais com sons agudos e repetitivos.
Neurologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Guilherme Olival complementa que o excesso de estímulo auditivo ativa circuitos ligados ao estresse. O cérebro interpreta a intensidade sonora como ameaça, elevando a liberação de cortisol, hormônio relacionado à resposta de alerta.
O resultado pode ser irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento cognitivo.
Nesse contexto, o uso de protetores auriculares não protege apenas a audição. Ao reduzir o estímulo sonoro, diminui também a ativação desses circuitos de estresse, funcionando como uma barreira indireta contra a sobrecarga neural.
Se o barulho mantém o cérebro em alerta, a privação de sono impede que ele se recupere. A primeira região a sofrer com uma noite mal dormida é o córtex pré-frontal, responsável por julgamento, planejamento e controle de impulsos. Em seguida, áreas ligadas à memória, como o hipocampo, também passam a funcionar de forma menos eficiente.
Olival explica que, após 24 horas acordado, o desempenho cognitivo pode se aproximar do observado em alguém sob efeito significativo de álcool, com prejuízo da atenção e da capacidade de reação.
Biologicamente, há aumento do cortisol, desregulação de neurotransmissores e maior ativação da amígdala, estrutura associada às respostas emocionais.
A privação repetida gera o que os especialistas chamam de “dívida de sono”. Uma boa noite pode aliviar a sensação subjetiva de cansaço, mas as funções executivas demoram dias para se normalizar.
Em casos prolongados —48 ou 72 horas sem dormir— o cérebro pode apresentar alucinações, crises convulsivas e episódios de “apagão” como mecanismo de proteção.
Picarelli ressalta que cada pessoa tem um limiar individual, mas, de modo geral, adultos precisam de cerca de 8 horas de sono por noite para manter desempenho adequado. Dormir menos por vários dias consecutivos compromete memória, raciocínio e reflexos —cenário que se repete com frequência após a maratona de blocos.
Álcool: primeiro desliga o freio, depois o motor O álcool atua como depressor do sistema nervoso central. Inicialmente, inibe neurônios responsáveis pelo controle inibitório, o que explica a sensação de euforia e desinibição nas primeiras doses. À medida que a concentração aumenta, regiões como o cerebelo (ligado à coordenação motora) e o hipocampo (essencial para a formação de memórias) passam a ser afetadas.
É nesse estágio que surgem fala arrastada, desequilíbrio e os chamados “apagões”, quando períodos inteiros deixam de ser registrados na memória. Em níveis mais elevados, pode haver depressão respiratória e coma alcoólico.
Os efeitos variam conforme a velocidade de ingestão, a presença de alimento no estômago, o metabolismo individual e a concentração da bebida.
Bebidas destiladas, com teor alcoólico acima de 40%, elevam rapidamente a quantidade de álcool no sangue.
O consumo repetido em grandes quantidades —o chamado binge drinking— pode gerar efeito cumulativo. Ao longo dos anos, o uso frequente está associado à atrofia cerebral, prejuízo cognitivo, neuropatias periféricas e deficiência de vitaminas do complexo B, além de danos hepáticos graves, como cirrose.
A combinação que multiplica riscos Separadamente, barulho intenso, falta de sono e álcool já comprometem o desempenho cerebral. Juntos, os efeitos se potencializam.
A privação de sono reduz o controle inibitório; o álcool enfraquece ainda mais esse sistema. O resultado é maior impulsividade, pior avaliação de risco e aumento da probabilidade de acidentes, conflitos e comportamentos perigosos.
A mistura com energéticos pode mascarar a sonolência, mas não reduz o prejuízo cognitivo. Ao contrário, prolonga o tempo de exposição ao álcool e pode aumentar o risco de arritmias e convulsões em pessoas predispostas.
Indivíduos com enxaqueca, epilepsia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou transtornos de ansiedade formam um grupo ainda mais vulnerável. Alterações de sono e estímulos intensos são gatilhos conhecidos para crises, especialmente em quem já tem diagnóstico neurológico prévio.
Quando procurar ajuda Após o Carnaval, alguns sinais exigem avaliação médica.
Zumbido persistente (avaliar com otorrinolaringologista com urgência). Confusão mental. Amnésia prolongada. Desorientação. Dor de cabeça súbita e intensa. Convulsões. Fraqueza em um lado do corpo. Perda visual. É possível curtir sem sobrecarregar? Os especialistas reforçam que o cérebro responde positivamente a estímulos prazerosos, como música e dança. O problema está no excesso e na ausência de recuperação.
Algumas medidas simples ajudam a proteger o sistema nervoso durante o Carnaval:
Dormir de 6 a 8 horas sempre que possível. Intercalar momentos de descanso entre os blocos e eventos. Manter hidratação adequada ao longo do dia. Evitar misturar álcool com energéticos. Usar proteção auditiva em ambientes com som muito alto.
Compartilhar latinhas, canudos, garrafas e até batom é comum nos blocos de carnaval de rua pelo país, mas esse hábito pode trazer riscos. A saliva pode transmitir vírus respiratórios (como covid e influenza), o norovírus (causador de surtos de diarreia aguda, vômitos e gastroenterite), a famosa doença do beijo (mononucleose), o herpes labial e até mesmo a sífilis. Por isso, especialistas destacam a importância de não compartilhar estes objetos pessoais.
O beijo possibilita a troca de germes que entram no organismo através da boca ou da saliva. Além disso, doenças respiratórias, doenças causadas por vírus, por bactérias e por fungos, e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), também podem ser transmitidas através desse tipo de contato.
O herpes labial é causado pelo vírus HSV-1, que afeta cerca de 70% da população mundial com menos de 70 anos. No Brasil, 90% dos adultos já tiveram contato com esse vírus em algum momento da vida. “A gente vê um monte de surto de diarreia durante o Carnaval e depois por causa disso. Você não sabe onde passou a garrafinha. Então, se puder lavar com água corrente ou pegar um lenço umedecido, isso pode ser decisivo para você não começar aí no pós-carnaval com uma diarreia”, explicou o infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo Álvaro Furtado no Bem-Estar.
Até mesmo uma pequena lesão ativa no lábio pode transmitir o herpes labial, por exemplo.
Não há beijo 100% seguro e quanto mais bocas diferentes o indivíduo beijar, mais chances de contrair doenças ele terá. Mas não compartilhar objetos pessoais como garrafas, canudos e copos e estar com a vacinação em dia contra gripe, covid, sarampo, caxumba, rubéola e meningite já ajudam a diminuir as chances de contrair doenças por meio da saliva durante o carnaval.
Problemas da tireoide são mais comuns do que se imagina e, muitas vezes, passam despercebidos.
Distúrbios como hipotireoidismo, hipertireoidismo e nódulos tireoidianos podem causar sintomas inespecíficos — cansaço persistente, ganho ou perda de peso, alterações de humor, queda de cabelo e intolerância ao frio ou ao calor — que nem sempre são reconhecidos na atenção primária.
Por isso, conhecer os exames da tireoide, quando solicitá-los e o que cada um revela é essencial para diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Por que os exames da tireoide são importantes A tireoide é uma pequena glândula na base do pescoço, responsável por regular o metabolismo, a energia, o sistema cardiovascular, a saúde óssea e o eixo neuropsíquico.
Quando suas funções estão alteradas, o impacto pode ser sério, especialmente em idosos ou pessoas com doenças cardiovasculares e autoimunes.
Segundo o endocrinologista Dr. Adriano Cury, do Alta Diagnósticos, “o olhar atento do médico generalista, aliado à solicitação adequada de exames, é crucial para confirmar a suspeita diagnóstica de doenças da tireoide.”
Principais exames da tireoide TSH e T4 livre
O TSH é o exame inicial para avaliar a função tireoidiana.
O T4 livre complementa o TSH, ajudando a identificar se a disfunção é hipo ou hipertireoidismo, inclusive em suas formas subclínicas.
Em casos específicos, o T3 também pode ser solicitado.
Anticorpos antitireoidianos
Anti-TPO e anti-Tg: indicados para investigar tireoidite autoimune (como Hashimoto).
TRAb: fundamental para diagnosticar a doença de Graves, principal causa de hipertireoidismo em adultos e crianças.
Ultrassonografia de alta resolução
Avalia a anatomia da glândula, textura do parênquima e presença de nódulos.
Permite estratificar o risco de malignidade usando sistemas padronizados (TI-RADS/ATA).
Punção aspirativa por agulha fina (PAAF)
Indicada quando há nódulos suspeitos ou acima de certos tamanhos.
Ajuda a diferenciar nódulos benignos de malignos e definir necessidade de intervenção cirúrgica.
Quando solicitar os exames Alguns grupos merecem atenção especial:
Gestantes e mulheres em idade reprodutiva: alterações tireoidianas podem afetar desfechos obstétricos e o desenvolvimento fetal.
Pessoas com doenças autoimunes: diabetes tipo 1, lúpus, artrite reumatoide e outras condições aumentam o risco de tireoidite.
Pacientes com sintomas persistentes e inespecíficos: fadiga intensa, instabilidade de peso, alterações de humor, palpitações, constipação ou queda de cabelo acentuada.
O rastreamento direcionado nesses casos não é apenas preventivo, mas uma oportunidade de diagnóstico precoce e manejo eficaz.
Estratégias práticas para médicos e pacientes Solicitar TSH (com T4 livre quando indicado) em queixas inespecíficas ou histórico de doenças autoimunes.
Realizar avaliação tireoidiana em gestantes de risco conforme diretrizes da SBEM.
Investigar bócio, nódulos palpáveis ou linfonodomegalias com ultrassonografia, encaminhando para PAAF se necessário.
Incentivar hábitos saudáveis que protejam o risco cardiovascular, como controle de peso, cessação do tabagismo e manejo de hipertensão e dislipidemia.
“O caminho diagnóstico está bem estruturado, permitindo um planejamento terapêutico adequado para a maioria dos pacientes, com impacto mínimo no cotidiano”, conclui o Dr. Cury.